segunda-feira, 29 de novembro de 2010

R2 complementação pedagógica




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O que é perímetro? E como o calculamos?

Perímetro



Perímetro é a medida do comprimento de um contorno.

Observe um campo de futebol, o perímetro dele é o seu contorno que está de vermelho.



Pra fazermos o cálculo do perímetro devemos somar todos os seus lados:
P = 100 + 70 + 100 + 70
P = 340 m

O perímetro da figura abaixo é o contorno dela, como não temos a medida de seus lados, para medir o seu perímetro devemos contorná-la com um barbante e depois esticá-lo e calcular a medida.




Por exemplo:



O perímetro da figura é a soma de todos os seus lados:

P = 10 + 8 + 3 + 1 + 2 + 7 + 2 +3

P = 18 + 4 + 9 + 5

P = 22 + 14

P = 36

A unidade de medida utilizada no cálculo do perímetro é a mesma unidade de medida de comprimento: metro, centímetro, quilômetro...

Área

Área é a medida de uma superfície.

A área do campo de futebol é a medida de sua superfície (gramado).

Se pegarmos outro campo de futebol e colocarmos em uma malha quadriculada, a sua área será equivalente à quantidade de quadradinho. Se cada quadrado for uma unidade de área:



Veremos que a área do campo de futebol é 70 unidades de área.

A unidade de medida da área é: m2 (metros quadrados), cm2 (centímetros quadrados), e outros.

Se tivermos uma figura do tipo:


Sua área será um valor aproximado. Cada é uma unidade, então a área aproximada dessa figura será de 4 unidades.

No estudo da matemática calculamos áreas de figuras planas e para cada figura há uma fórmula pra calcular a sua área. 


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Funções da Linguagem



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História da universidade



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domingo, 28 de novembro de 2010

ANA MARIA BOCK - A Psicologia e as Psicologias

ANA MARIA BOCK - A Psicologia e as Psicologias

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A Motivação em Maslow

A Motivação em Maslow

    
  É difícil definir o conceito de motivação, que tem sido utilizado de tão variados sentidos. O motivo é aquilo que impulsiona o indivíduo a agir de determinada forma, e nesse sentido, a motivação está relacionada com o seu sistema congnitivo. As pessoas são diferentes no que se refere à motivação: as necessidades variam de indivíduo para indivíduo, produzindo diferentes padrões de comportamento; os valores sociais, as capacidades para atingir os objectivos são igualmente diferentes, etc.
motivação corresponde ao conjunto de factores psicológicos, conscientes e não conscientes de ordem fisiológica, intelectual ou afectiva, os quais agem entre si e determinam a conduta do indivíduo.
motivação é um conceito que se invoca com frequência para explicar as variações de determinados comportamentos e, sem dúvida, apresenta uma grande importância para a compreensão do comportamento humano. É um estado interno resultante de uma necessidade que desperta certo comportamento, com o objectivo de suprir essa necessidade. Os usos que uma pessoa der às suas capacidades humanas dependem da sua motivação - seus desejos, carências, ambições, apetites, amores, ódios e medos. As diferentes motivações e cognições de uma pessoa explicam a diferença do desempenho de cada uma.
Os “fenómenos motivados” apresentam comportamentos que parecem guiados pelo funcionamento biológico do organismo da espécie: como o de beber, comer, evitar a dor, respirar e reproduzir-se, porém, não obstante, temos os de natureza motivacional que seriam os comportamentos resultantes de necessidades, desejos, propósitos, interesses, afeições, medos, amores e uma série de funções correlatas. Alguns psicólogos afirmam que também é odesejo consciente de se obter algo, sendo assim, uma determinante da forma como o indivíduo se comporta. Está envolvida em várias espécies de comportamento como: aprendizagem, desempenho, percepção, atenção, recordação, esquecimento, pensamento, criatividade e sentimento. A motivação também possui elementos complexos, inconscientes e, muitas vezes, antagónicos, gerando assim, constantes conflitos. Mas, com certeza, é a motivação que move o Homem.
 
Considerações históricas:
Os sistemas de crenças do homem primitivo eram tais que a motivação não constituía grande problema pois no início de sua história o comportamento era atribuído por forças ocultas, a espíritos ou demónios, que o animavam, ou seja, se o seu comportamento fosse socialmente aceitável dizia-se que era um bom espírito que estaria lhe guiando, caso não fosse socialmente aceito acreditava-se que a culpa era do mau espírito ou do demónio, sendo assim o espírito determinava a natureza do comportamento.
É claro que o nome dessas força mudaram com o passar do tempo, mas mantendo o seu conceito estável, apesar de fazer pouca diferença se a ela se dava o nome de espírito, demónio, alma ou mente.
Enquanto esses agentes forem considerados responsáveis pelo comportamento, a investigação científica da modificação do homem foi praticamente impossível. Gradativamente os espíritos humanos começaram a desaparecer e acabaram sendo substituídos por novos conceitos.
No início do século XX a motivação ganhou uma ênfase maior devido em parte aos esforços de William McDougall, um cientista britânico do comportamento, que fez com que a motivação ganhe um espaço importante na psicologia. McDougall chamava os motivosinstintos, que para ele eram um processo biológico inato que predispunha o organismo a verificar estímulos especiais que respondiam a movimentos de aproximação ou prevenção.
Em 1908 McDougall publicou uma lista que apresentava a curiosidade, repulsa, agressão, auto-afirmação, fuga, criação de filho, reprodução, fome, sociabilidade, aquisição e construtivismo, como "instintos" e esta lista fez com que muitos cientistas ficassem satisfeitos, passando a citar literalmente vários instintos, inclusive, o de ser moral.
Nos dias de hoje os psicólogos passam pouco tempo a tentar identificar tipos determinados de motivos; a maioria deles enfoca a descrição e sua explicação sobre as influências do comportamento motivado.
 
Classificação dos Motivos
IMPULSOS BÁSICOS: Estimulam comportamentos que visam satisfazer necessidades básicas, baseadas na fisiologia. Exemplo: ar, água, sexo, prevenção da dor (desprazer) e equilíbrio biológico interno (homeostase). Podem ser muito influenciados pela cultura (experiência).
MOTIVOS SOCIAIS: Surgem para satisfazer as necessidades de sentir-se amado; Está intimamente ligado ao contacto com outros seres humanos e isso é decisivo para o sucesso em ajustamento (adaptação).
MOTIVOS PARA ESTIMULAÇÃO SENSORIAL: As pessoas e outros animais precisam desta estimulação, que pode ser um estímulo externo (do meio) ou interno (auto-estimulação, como cantar de boca fechada, por exemplo). Sem esses estímulos, que são experiências sensoriais, os indivíduos alucinam, no intuito de gerar auto-estimulação.
MOTIVOS DE CRESCIMENTO: São os que levam os indivíduos ao aperfeiçoamento pessoal sem se importarem com o reconhecimento. Acham-se intimamente ligados aos motivos de estimulação, exploração e manipulações sensoriais. O motivo de realização muitas vezes é considerado um motivo de crescimento.
IDEIAS COMO MOTIVOS: As ideias podem ser intensamente motivadoras, proporcionando comportamentos motivados por sugestões, que podem até mesmo comprometer a integridade física do indivíduo. Essas ideias podem gerar conflitos, quando ocorre a dissonância cognitiva, mas geralmente as pessoas são motivadas a manterem cognições coerentes.
 
A Hierarquia dos Motivos segundo Maslow - A Pirâmide de Maslow
 
O psicólogo Abraham Maslow concluiu que é inato dos seres humanos cinco sistemas de necessidades, que são dispostos hierarquicamente em forma de pirâmide, de onde podemos constatar que, por mais que as pessoas estejam socializadas, elas continuam a ser «animais carentes» durante toda a sua vida.
Após alcançarmos um estágio de necessidades, um outro o substitui, fazendo-nos subir através de sistemas de necessidade cada vez mais elaboradas, desde que essas novas necessidades não comprometam ou abatam as necessidades inferiores, porém mais básicas e essenciais do ser humano. Por exempo, quando uma pessoa é privada de alimento, ela tende a pensar que apenas a comida a faria plenamente feliz e que nunca precisaria de outra coisa. Do mesmo modo, uma pessoa tenderá a abrir mão de tudo o que possui, para antes satisfazer essas necessidades básicas como ar, alimentação, água etc.
Uma vez satisfeitas as necessidades fisiológicas básicas, aparece a necessidade da pessoa sentir-se protegida, até mesmo para que esta necessidade sirva de protecção para que as necessidades básicas continuem a ser atendidas. Surge então o desejo pelo emprego estável, cadernetas de poupança, etc., ou ainda de se fundamentar em religiões e filosofias para que as suas vidas fiquem organizadas, gerando assim, uma sensação de segurança.
Quando as necessidades de segurança são satisfeitas, aparecem as necessidades de afeição, aceitação, de fazer parte de um grupo. Elas procuram amar e ser amadas. Segundo Maslow, o rompimento dos laços familiares faz com que o ser humano procure noutra pessoa a satisfação das necessidades de amor. Se essas necessidades forem atingidas, dominam as necessidades de estima, que são as realizações, as aprovações e o reconhecimento da sociedade.
Finalmente, quando todas as outras necessidades estão garantidas, as pessoas procuram auto-realização, mas apenas 1% da população a consegue.
É importante observar que os dois conjuntos de necessidades na base da pirâmide estão relacionados com o “pessoal”, enquanto que os conjuntos de necessidades acima estão relacionados com o “social”; de onde se conclui, que o ser humano não conseguirá relacionar-se em uma sociedade caso a integridade das suas necessidades fisiológicas e de segurança estiverem comprometidas e/ou abaladas.
 
Aspectos Biopsicossociais da Motivação
 
A) Aspectos biológicos
A concepção do homem como um produto social deixa lugar para os impulsos fisiológicos básicos – que são as exigências mínimas para a sobrevivência biológica. Por exemplo, necessidade de alimento é satisfeita em todas as sociedades, mas a maneira específica pela qual entra no quadro da motivação do indivíduo, é determinada pela sociedade que varia amplamente de cultura para cultura, de época para época. O que se considera realmente básico quanto à motivação, é um conjunto de impulsos biológicos, e esses impulsos estão relacionados com as exigências fisiológicas do corpo e a sua sobrevivência: exigência de alimentação, água, oxigénio, afastamento de estímulos dolorosos e outros semelhantes.
A acção motivada foi, em grande parte explicada e reduzida apenas aos impulsos não despertados: por exemplo, o esgotamento das substâncias alimentares no corpo do animal leva a um estado de inquietação; ele age, encontra e come o alimento. Quando o seu corpo está satisfeito, o seu impulso reduz-se.
O homem, assim como o animal, é também concebido como sendo em grande parte conduzido por instintos biológicos. Astendências biológicas inatas eram às vezes chamadas de instintos, que é mais do que um impulso inato; o instinto refere-se tanto ao impulso quanto à actividade adequada para satisfazê-lo.
 
Motivação sexual
As pessoas podem facilmente sobreviver sem sexo. No entanto, a perpetuidade da espécie ficaria comprometida.
Os psicólogos classificam a motivação sexual como um impulso fisiológico básico. O impulso sexual não pode ser entendido somente como resultado de reprodução. O indivíduo aprende a maneira de reduzir esses impulsos, e ao fazê-lo, vem a desenvolver impulsos adquiridos, por exemplo ao procurar um par para satisfazer um impulso sexual, pode aprender que o prestígio social é um auxílio para conseguir um objectivo.
 
B) Aspectos psicológicos
Os motivos básicos do homem são inconscientes. Ele desconhece as razões reais de grande parte de seu comportamento. As razões reais são tendências instintivas “profundas” que se manifestam sob formas complexas. As suas escolhas e acções não são o resultado de uma análise racional da situação, uma avaliação deliberada das consequências; os «motivos» do homem inconsciente estão todos nele, mas a maneira pela qual governam o seu comportamento e sua experiência interior são inteiramente diferentes. Isto não significa que o homem deixa de dar sentido ao seu comportamento.
Ele tem a experiência ‘interior’ de necessidades e desejos, objectivos e intenções, e tende a ver a maioria do seu comportamento relacionado de maneira significativa com tais experiências. Mas, os motivos que ele experimenta são muitas vezes falsas aparências dos motivos inconscientes, e a sua compreensão da sua motivação é apenas racionalização.
Embora existam muitos percursores históricos sobre estas opiniões, foi Freud quem chegou ao desenvolvimento completo desta concepção; as suas teorias não procuram apenas uma explicação da motivação humana, mas atingem os problemas mais amplos de uma explicação da personalidade total. Para identificar os motivos na pessoa é necessário inferir as necessidades específicas, os desejos e os objectos de que a pessoa tem experiência anterior. Uma forma de fazê-lo é estudar o seu comportamento e inferir as suas necessidades e desejos a partir do carácter sistemático do comportamento, e inferir os objectivos dos efeitos produzidos pelo seu comportamento. Outra maneira é pedir que a pessoa nos diga as suas necessidades, quais os seus desejos e objectivos; estes métodos são suplementares e ambos necessários, mas podem apresentar dificuldades especiais.
 
C) Aspectos Sociais
O homem aprende as formas de viver da sua cultura ao procurar satisfazer as necessidades básicas. Interioriza os costumes, os rituais, os valores da sua sociedade, e a sua estrutura motivacional é formada, fundamentalmente, por essas influências sociais. Por isso dá-se aos impulsos biológicos o papel mínimo que permite a sobrevivência do organismo, e tudo o mais é concebido como socialmente determinado.
As origens dos seus motivos estão nas exigências do seu grupo social; o homem reflecte a sua cultura, os seus motivos, desejos, objectivos, as suas intenções e tudo isto é o reflexo das necessidades da sociedade. O homem é um animal social, assim como um animal biológico. Assim como houve uma selecção natural do processo evolutivo que produziu o ser humano com motivações humanas, também, possivelmente, existiu uma selecção e uma evolução sociais, nas quais a natureza humana chega a ser tal que as sociedades sobrevivem e realizem as funções da vida grupal.
  
Questões para Debate:
- O Sexo funciona como MOTIVO?
O sexo influencia na maneira como o indivíduo se comporta, ou seja, possui este, geralmente, o poder de manipular e controlar a pessoa impulsionando-a para uma nova aprendizagem ou recompensa?
- O que impulsiona a humanidade na procura de novas conquistas espaciais?
- Porque é que cada dia novos modelos de automóveis são lançados no mercado, muitos deles com apenas poucas e subtis modificações dos modelos anteriores?
- O que leva um atleta a participar conscientemente em provas que exigem esforços que vão além de sua capacidade?
  
Conclusões:
Apesar de ainda não estar muito bem definida, devido à diversificação de opiniões, a motivação é, sem dúvida, o que leva o ser humano comportar-se de maneira específica e directamente ligada às suas necessidades, sejam estas a nível fisiológico e/ou cognitivo, o que torna o motivo um tanto complexo, subjectivo e manifestamente ligado às experiências anteriores e à personalidade de cada indivíduo.
Seja qual for a definição dada à motivação, não podemos deixar de estudar a sua aplicabilidade nos comportamentos humanos, principalmente a níveis sociais e trabalhistas.
O potencial de cada funcionário dentro de uma empresa depende, em grande parte, da motivação que ele tem. Funcionários que trabalham apenas por pressão ou insatisfeitos com os seus empregos estão condenados a realizar um baixo potencial, ao invés daquele que trabalha em busca de constante aperfeiçoamento. A motivação é algo que cada indivíduo possui por si mesmo, através de um ambiente ou atmosfera propícios a esse desenvolvimento.
A pirâmide de Maslow é um exemplo nítido da classificação das necessidades do ser humano, desde as fisiológicas até às de auto-realização. Ele deve ser constantemente estimulado a fazer ou não algo, através do qual cada vez mais se sinta impulsionado a atingir níveis superiores às suas necessidades. Os funcionários são motivados com base no conteúdo dos seus empregos e no que fazem. A motivação é um tema actual e constante não só na Psicologia como também na Economia, pois ambas trabalham juntas no sentido de ajudar o ser humano a subir cada vez mais nos seus níveis de necessidade, proporcionando-lhe um possível estado de satisfação, sendo que, quando estas estão satisfeitas, novas necessidades emergem, contribuindo para uma constante e incessante.

Miguel Alexandre Palma Costa



fonte>http://rotasfilosoficas.blogs.sapo.pt/2117.html


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sábado, 27 de novembro de 2010

Educação-inclusiva: Experiências profissionais em psicologia

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INDISCIPLINA ESCOLAR: CONSIDERAÇÕES ACERCA DO TERMO



INDISCIPLINA ESCOLAR: CONSIDERAÇÕES ACERCA DO TERMO

Rhyvera Silva Fontenele





Resumo



O presente artigo tem como objetivo estudar o tema “Indisciplina Escolar e seus termos, ocupando-se da busca de como se podem ajudar as instituições na problemática da atribuição de limites dentro e fora da escola. Esta é uma questão que provoca a indisciplina, desfavorecendo o ambiente escolar, provocando desordem e ocasionando a falta de concentração, dificultando o ato de aprender, sendo prejudicial ao Corpo docente e discente.

Palavras–chave: Indisciplina escolar, disciplina, ambiente escolar.

1. INTRODUÇÃO
Sabe-se que a indisciplina ocorre, geralmente, em todos os níveis de aprendizagem, desde a Educação Infantil até as Universidades. Frente a isso se usou um estudo baseado nas Teorias Interacionistas de Vygotsky, Piaget e na teoria da disciplinarização dos corpos de Foucault.

Revelam-se várias ocasiões em que se proporcionam a indisciplina, destacam-se razões sociais, tais como: inversão de valores, modelo centrado na demanda das crianças e de adolescentes, que são influenciados pelos meios de comunicação de massa. Essas causas refletem-se na educação familiar exercida hoje em dia. Algumas proporcionam certa autonomia em que o sujeito se sente co-responsável pelos seus atos. Outras famílias deliberam limites ao sujeito, que o mesmo não é capaz de se perceber como responsável pelas suas ações.

2. INDISCIPINA ESCOLAR: CONSIDERAÇÕES
Nos termos de Silva (2004), a palavra indisciplina é habitualmente utilizada para definir todo e qualquer comportamento que seja contrário às regras, às normas, às leis estabelecidas por uma instituição, no caso em estudo, a escola. Mas, nas situações em que os alunos desrespeitam alguma norma da instituição, o ato indisciplinado poderá ser uma atitude denunciante de que algo está acontecendo de forma incorreta dentro ou fora da instituição escolar. 

A indisciplina escolar é um fato que deixou de ser um evento esporádico, tornando-se rotineiro dentro da comunidade escolar, sendo levada a acontecer por várias razões. Este conceito não permanece estático, haja vista que os processos de informação mudam com uma velocidade muito intensa, onde dependem das instituições, da sociedade e da perspectiva de cada sujeito. 

Aquino (1996) descreve que a instituição escolar encontra-se dentro de um contexto onde os limites não são mais valorizados, a mudança de valores sociais e individuais sofre a cada dia transformações, projetando, dentro das escolas, sujeitos sem disciplina. As crianças já começam a vivenciar, por meio de estímulos externos à educação familiar, o que deve ser uma pessoa que a sociedade pode vir a aceitar: beleza física, corpos esculpidos em academias, saúde medida em termos de juventude, dinheiro traduzido nas provas concretas de sua posse. Escancaram-se os resultados positivos, ignoram-se os meios. 

O homem pós-moderno sofre as tiranias da sociedade, interessa-se apenas pelo que diz respeito à sua personalidade, aos seus afetos, impulsos, às indiossincrassias (Reação individual própria e típica a cada pessoa), pois já não lhe interessa a sociedade. Isto já tem início na fase da adolescência em que o que interessa é apenas seu pequeno grupo de amigos. Não o sensibiliza a história social, apenas a sua história biográfica. Ele investe todas as suas energias em si mesmo, em sua intimidade. 

O espaço público, no caso em estudo a escola, não deve ser entendido como sinônimo de estatal, público opõe-se a privado, portanto, ao que é do indivíduo ou de um pequeno grupo de pessoas. Nesse sentido, a escola, mesmo que seja particular, é espaço público por tratar-se de um lugar referenciado na sociedade como um todo. Ao chegar ao ambiente escolar, a criança ou adolescente não reconhece o espaço sendo como público, daí surgindo diferenças e as conseqüências morais. 

O fato da indisciplina escolar confunde-se com uma possível indisciplina social disseminada, a desagregação completa dos valores, onde a crise de autoridade na educação está diretamente relacionada com a crise da tradição, e que obstrui cada vez mais a mediação que o educador deve fazer entre o velho e o novo. 

Ao abordar a questão da indisciplina pela dimensão da moralidade se faz pensar que a indisciplina seja condenável, não sendo repassada de forma a construção da conscientização, e que o aluno que segue as normas escolares de comportamento o faça porque seja necessariamente um amante das virtudes, mas que certos atos de indisciplina podem ser genuinamente morais: quando um aluno é humilhado, injustiçado. Portanto, é necessário examinar as razões de ser das normas impostas e dos comportamentos esperados. 

A questão da indisciplina é, atualmente, uma das dificuldades fundamentais quanto ao trabalho escolar. O ensino tem como um dos seus obstáculos centrais a conduta desordenada dos alunos, traduzida em termos como: bagunça, tumulto, falta de limites, mau comportamento, desrespeito às figuras de autoridade (professor) entre outros comportamentos. Contudo, existe a indisciplina silenciosa, que é aquela em que o aluno não transmite algo que está indo errado com ele ou com o ambiente em que se encontra, esta pode vir a ser a mais difícil de resolver, pois se esconde a forma inadequada de aprendizado. 

A temática da indisciplina passou a configurar-se enquanto um problema transdisciplinar transversal à Pedagogia, pode ser tratado pelo maior número de áreas em torno das teorias da educação. Ou seja, pode-se considerar a indisciplina como um sintoma de outra ordem que não a escolar, mas que surge no interior da ação educativa. 

Entretanto, não existiria como algo solitário, como um evento pedagógico particular e natural ou desviante do trabalho escolar. O limite entre os problemas de aprendizagem e os de indisciplina torna-se difuso – alguns comportamentos infantis ora são considerados sob um olhar, ora sob outro, embora de uma forma não manifestada, há na relação entre aprendizagem, disciplina e maturação psicológica. 

Conforme Aquino (1996), as práticas escolares são testemunhas e protagonistas dos acontecimentos históricos, que suas características e seus perfis vão adquirindo diferentes enfoques de acordo com as possibilidades socioculturais, desta forma, a indisciplina revela algo interessante sobre os dias atuais. 

Por volta de 1970, a disciplinarização de uma escola era composta pelas correções disciplinares que se faziam necessárias, principalmente em relação ao controle e a ordenação do corpo e da fala (isso, hoje em dia, não mudou muito). 

Conforme Foucault (1987, p. 119) na obra “Vigiar e Punir”, “a disciplina fabrica assim corpos submissos e exercitados, corpos dóceis. A disciplina aumenta as forças do corpo (em termos econômicos de utilidade) e diminui essas mesmas forças (em termos políticos de obediência)”. 

Com a democratização política do país e a desmilitarização das relações sociais, uma nova geração se criou. Tem-se um novo aluno, um novo sujeito histórico, onde se guarda como padrão pedagógico a imagem daquele aluno submisso e temeroso. Professor e aluno tinham papéis delimitados, o primeiro um general e o segundo um soldado. 

Como aponta Foucault (1987), outro fator importante para o entendimento do contexto sócio-histórico foi a educação dos jesuítas, que, no início da colonização do Brasil, estiveram como responsáveis exclusivos pela educação brasileira durante pouco mais de dois séculos (1549-1759). A educação jesuítica era embasada no Humanismo, eles se preocupavam com a preparação dos futuros mestres ou professores. Caracterizavam-se pela sua educação religiosa, moral e intelectual, onde existia uma rigorosa disciplina. A forma de disciplinar os índios era através da leitura e da escrita, onde, através delas, poderiam catequizar e convertê-los à fé católica e aos costumes e idioma de Portugal. 

Nos colégios dos jesuítas, encontrava-se uma organização binária e maciça, as classes eram divididas em grupos de dez (as turmas poderiam ter duzentos ou mais alunos), cada grupo de dez com seu decurião (decurião: segundo nível na hierarquia militar romana, Cada decurião era responsável pelo controle de sua fileira em uma centúria romana). A organização era de guerra e de rivalidade. O trabalho, o aprendizado e a classificação eram feitos de forma justa. O que havia estritamente disciplinar representada nas escolas jesuíticas, pouco a pouco, mas, principalmente depois de 1762, o espaço escolar se desdobra e as classes tornam-se homogêneas. Elas agora só se compõem de elementos individuais que vêm se colocar uns ao lado do outro sob os olhares do mestre. 

Pode-se perceber que, desde o início de século XVI, a disciplina passou a configurar-se como peça fundamental nas relações educativas, sejam elas institucionalizadas ou não, sempre existiu uma relação entre o poder e o saber. Foucault (1987, p. 27) considera que “poder e saber estão diretamente implicados, que não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder”. 

A história da indisciplina escolar e sua evolução passam por diversas transformações, os seus respectivos métodos e meios pelos quais a escola utilizava para impor a disciplina eram de alguma forma coercitiva e punitiva, ou seja, havia certa inflexibilidade ou inexperiência profissional. Esses meios eram utilizados pela escola desde os séculos passados até as mais modernas instituições educacionais. 

A indisciplina sempre foi um entrave à política educacional, em que eventos indisciplinares ocorrem há séculos, e que, hoje, mais do que nunca se ouve falar disso desde a educação infantil até os cursos superiores. Mas é, na fase do ensino fundamental e médio, que ela se fez mais presente. 

Desde os tempos mais remotos, a escola se organizou num sistema corretivo no qual se utilizava de vários meios para trabalhar a indisciplina. Cada época criou suas próprias leis, instituindo e usando os mais variados processos, tais como: palmatórias, castigos no canto da parede, escrever várias vezes o que não deve fazer, entre outras punições. Algumas dessas punições tinham como objetivo a motivação do aluno, mas que, em alguns casos, isso não ocorria. O objetivo das punições é fazer com que os indivíduos integrem-se à sociedade, tornando-os dóceis e úteis, ou seja, readaptar pessoas. 

Houve, durante a época clássica, uma descoberta do corpo como objeto e alvo de poder, foi fácil encontrar sinais de uma atenção dedicada ao corpo – ao corpo que se manipula, se modela, se treina, que obedece, responde e se torna hábil. A coerção disciplinar estabelece, no corpo, elo coercitivo entre uma aptidão aumentada e uma denominação acentuada. Não se quer colocar aqui que a história das instituições disciplinares como verdade absoluta, mas de localizar apenas uma série de exemplos de técnicas que, de uma ou outra forma, se generalizam. 

Na formação jesuítica da disciplina os elementos se definem pelo lugar que ocupa na série e pela distância que separa um dos outros. Seguindo o argumento de Foucault (1987), a tática disciplinar se situa sobre o eixo que liga o singular ao múltiplo. Ela permite ao mesmo tempo a caracterização do indivíduo, e a colocação em ordem. Ela é uma condição para o controle e o uso de um conjunto de elementos distintos. As escolas herdaram formas de disciplinar os alunos em sala de aula, formas essas que, de uma maneira ou de outra, servem para punir os alunos de seus erros cometidos, dentro ou fora da escola e da sala de aula. 

Observa-se o quadro dos últimos dez a quinze anos, que muitas medidas têm sido realizadas para a formação disciplinar dentro da escola, como a promoção automática, salas de apoio pedagógico, aulas de recuperação no contra turno, encaminhamento de alunos para serviços psicopedagógicos. 

Os fatores que levam à indisciplina podem ser causados por vários indícios encontrados dentro da sociedade, escola, família, instituições que são responsáveis pelo desenvolvimento da moral e da ética no indivíduo. Parafraseando Freud (apud SILVA, 2004, p. 260) “vamos deixar claro para nós qual deve ser a tarefa mais imediata da Educação. [...] Logo, a Educação tem que inibir proibir, reprimir, e assim fez em todos os tempos”. Ou seja, seria errôneo pensar que a educação pode deixar livre o desenvolvimento intelectual dos indivíduos. 

Na atual sociedade, pais e escolas não querem assumir a responsabilidade de onde podem surgir os atos indisciplinados. Fazendo uma análise mais generalizada, o problema poderá ser encontrado nas mais variadas formas de organização da sociedade, onde ela é concretizada pela mediação de diferentes agentes. 

Sendo assim, faz-se necessário verificar quais os fatores podem ser encontrados como disciplinadores da educação do sujeito. A sociedade, em especial os educadores desejam uma disciplina ativa e consciente, marcada pelo respeito, responsabilidade, construção do conhecimento, interação, participação, formação de caráter e de cidadania. E isto começa em casa com os pais, que têm como função primordial transmitir o saber fazer à criança e ao adolescente, eles são os primeiros modelos. 

Segundo Silva (2004), o termo indisciplina quase sempre é empregado para designar todo e qualquer comportamento que seja contrário às regras e normas estabelecidas por uma instituição. Nas escolas, todas as vezes que os alunos desrespeitam alguma norma são vistos como indisciplinados, sejam tais normas e regras impostas ou vinculadas arbitrariamente pela escola (equipe pedagógica e professores), ou elaboradas democraticamente. 

A indisciplina está intimamente ligada ao termo ética, que quer dizer etimologicamente costume, reflexão para a moral. Este último tem em seu significado um conjunto de regras normas ou leis que determinam ou orientam comportamentos dos indivíduos numa determinada sociedade. Dentro da escola, o conceito de indisciplina depende do contexto em que a escola está inserida e que tipo de relação ela se utiliza para dispor a disciplina. 

Em uma escola que se apropria da forma tradicional e onde os alunos têm que seguir regras, contratos pedagógicos pré-estabelecidos, a indisciplina manifestada por um indivíduo ou um grupo poderá estar revelando um sinal de rebeldia, intransigência ou desacato à autoridade. Ou também como uma espécie de incapacidade do aluno (ou do grupo) em ajustar-se às normas e padrões de comportamento esperados. 

Pensar a indisciplina escolar de forma única, que pode ser gerada somente no plano individual ou coletivo, seria cair em um determinismo, e não verificar quais as áreas em que ela se encontra. 

O fenômeno não poderá ser pensado somente como um estado ou predisposição particular, que de acordo com seus determinantes psicossociais, cujas raízes encontram-se no início da noção de autoridade do sujeito. Também está ligada ao reconhecimento de autoridade externa (no caso, o professor), onde se pressupõe uma moral mais precisamente anterior à escolarização. Por isso, faz-se necessário recorrer a fatores antropológicos, históricos, psicológicos, políticos, econômicos e sociais, dentre outros. Têm-se dois nortes para as razões de indisciplina, questões mais articuladas ao tema da ética (razões sociais) e outras ligadas à política educacional. 

Uma forma de avançar nos estudos da indisciplina escolar seria através do que ocorre em toda realidade escolar, na relação professor-aluno-escola, pois a prática psicopedagógica é estruturada a partir dos quadros de referência ideológicos, morais e sociais de todos os atores educacionais envolvidos. 

Os sujeitos se apropriam diferentemente das coisas, dos conhecimentos, das práticas, dos saberes e das normas, em cada âmbito institucional. Alguns, mesmo não acreditando nas regras, deles se apropriam porque consideram necessárias as integrações entre os sujeitos em geral. Também há os que se apropriam das normas vigentes, concretizando as sanções e mecanismos que efetivam a manutenção da disciplina. 

Continuando com o pensamento de Silva (2004), várias são as razões que levam os alunos à indisciplina dentro da escola. A princípio, têm-se as causas sociais, que contribuem para o aumento da indisciplina e que está intimamente ligada ao desaparecimento ou a diminuição da importância de certos valores morais onde os pais não conseguem fazer com que seus filhos entendam o que sejam valores essenciais à boa convivência em grupo e não colocam uma rotina com regras, o que dificulta a vida do aluno dentro da escola. 

Quando a palavra limite significa valores, tende-se erroneamente a achar que se pode substituir por significados novos, e em se tratando de crianças e adolescentes agravam-se, pois eles não têm a autonomia de discernimento, família e escola são as instituições que internalizam os significados de limite. 

La Taille (apud Silva, 2004) aponta outro fator relevante para a causa da indisciplina que é a passagem de um modelo de sociedade adultocêntrico para um modelo centrado na demanda das crianças e dos adolescentes, em que pais e educadores não estão conseguindo passar a autoridade saudável para as crianças. Dessa forma, pode-se estabelecer que, nem o modelo centrado na criança, nem o modelo centrado no adulto são corretos, mas é preciso construir e adotar um modelo que tenha a interação como ponto central, já que o segredo do processo ensino-apredizagem está no entendimento de que o educador e educando são inseparáveis. 

Silva (2004) complementa que outro aspecto favorável para o aumento da indisciplina é a influência dos meios de comunicação em massa. A função, antes quase somente que de responsabilidade única da escola de socializar o conhecimento, passou também a ser desempenhada pela televisão, qual seja o seu sentido: informativo (veicular conteúdos e valores que devem ser priorizados) quanto formativo (a própria maneira de desenvolver o raciocínio e agir consigo e com as demais pessoas). 

Para Silva (2004), o espaço reservado à família e à escola torna-se cada vez mais minúsculo, onde não só a transmissão de valores (morais e éticos) e a formatação da cabeça das crianças e adolescentes são repassadas de formas estranhas ou de alienação. Os mesmos meios de comunicação refletem a problemática da indisciplina e da violência nas escolas, com o aumento exorbitante da ocorrência de violência real e virtual, e como tais tipos são apresentados, deixando dúvidas acerca do que é certo ou errado nas cabeças das crianças e dos adolescentes. 

Foucault (1987) explica que, antigamente, existiam sanções disciplinadoras, tais como: uso de reguada, puxões de orelha, palmatórias, advertir verbalmente, encaminhamento à direção, suspensão do aluno e/ou expulsão da escola, que poderiam resolver os problemas de indisciplina. 

Nos dias atuais, percebe-se que essas sanções, em algumas vezes, não têm uma eficácia, já que existe uma falência das formas tradicionais de se impor disciplina. Essas sanções (salvo algumas antipedagógicas) parecem não funcionar, pois os alunos não lhes dão mais importância e algumas parecem ser prêmios. 

Outro aspecto ligado à crise em relação aos objetivos da educação formal, seguindo o argumento de Foucault (1987), é que a maioria dos educadores acredita ser a única fonte de conhecimentos que os alunos encontram, pois não levam, em consideração, outros meios de aprendizagem (TV, revistas, Internet, jornais) que são levados para dentro da sala de aula. Ou seja, ou o educador tem clareza da diversidade de conhecimentos que seu aluno carrega e que ele deve descer do pedestal e ir ao encontro do aluno, ou as questões de indisciplina geradas por este fator tende a ter seu alargamento. 

A função do professor está muito aquém de auxiliar na construção do conhecimento, onde se encontra a justificativa dessa mudança nas relações estabelecidas entre os atores educacionais. É do conhecimento de todos que a formação e as condições de trabalho ainda continuam além do desejável, isto reflete na formação profissional e nas condições materiais e psíquicas para o desenvolvimento do processo ensino aprendizagem, onde gera certa indisciplina, visto que alguns professores ainda não se encontram preparados para lidar com crianças e adolescentes, gerando certo desinteresse com a profissão e descompromisso com a formação. 

Na visão de Rego (apud AQUINO, 1996), este apresenta elementos importantes para o estudo da indisciplina escolar que são: a escola, os alunos e os professores. 

A escola é o local onde acontece o saber institucionalizado (lembrando que o saber também é proveniente de outras fontes). Além de informar, ela agora tem a função de educar, é o estágio intermediário fundamental entre família e sociedade. A disciplina na escola não deve ser pensada essencialmente como ‘falhas’ psicopedagógicas, pois está em jogo o lugar em que a escola ocupa hoje na sociedade, o lugar em que o indivíduo ocupa e o que significa para ele. 

A dicotomia das práticas escolares prioriza conteúdos sobre as relações existentes na escola, fragmentando os atos pedagógicos, fazendo com que a escola corra o risco de não levar em consideração a heterogeneidade e a singularidade que o cotidiano existente e a escola revelam. Dessa forma, a prática de sala de aula deveria ser pensada no âmbito de uma psicopedagogia sistêmica, focalizando o todo para cuidar das partes. 

Para se poder entender o contexto das práticas que fazem o dia-a-dia das escolas que envolvem a disciplina, pode-se partir do que ocorre em toda realidade escolar. Isto porque a prática psicopedagógica é estruturada a partir dos quadros de referenciais ideológicos, morais e sociais de todos os atores envolvidos no processo educacional (pais, coordenadores/diretores, professores, alunos), onde esses quadros se cruzam com valores que dão sentido às atitudes e aos comportamentos dos alunos. 

Assim, as práticas docentes, estruturadas a partir desse cruzamento (processo educacional x valores), necessitam ser analisadas quando se evocam as questões disciplinares no âmbito escolar. As escolas que incentivam um espírito familiar cuja dinâmica se refere a uma história e a uma cultura que valorizam a formação humana e a disciplina, têm capacidade muito maior de promover o envolvimento dos profissionais e a adesão dos alunos às regras da escola. 

Estudar a escola, a partir da análise do seu cotidiano, significa compreender a ação dos sujeitos que nela se movimentam perceber a realidade específica através de suas articulações com a realidade macrossocial. Ezpelita e Rockwell (apud AQUINO, 1986, p. 65) “através das analises do cotidiano se pode entender melhor a natureza dos processos constituídos da realidade escolar, e, ao mesmo tempo, articular com estes processos sociais mais amplos que ocorrem em determinado momento histórico.”. 

Os processos dicotômicos vão construindo, nas escolas, uma cultura disciplinar, cultivada no espaço cotidiano da vida das crianças e adolescentes fora da escola. Ingressar na escola significa deixar de lado a diversidade do espaço livre vivido por eles, adentrando num espaço organizado, para que todos aprendam da mesma forma (espaço de filas, de cabeça atrás de cabeça, da rotina de horários, do tempo limitado para cada atividade etc). 

Pode-se ter, também, uma nova concepção de comportamento dos alunos que, de acordo com Passos (1996, p.123), “vão impondo á escola à necessidade de mudanças”. Pois um saber docente que se constitua como superação de tais práticas, pode propiciar a construção da autonomia do sujeito. Nada mais produtivo para evitar a indisciplina do que um ambiente favorável ao ensino e a aprendizagem, com objetivos ligados à socialização dos alunos, no qual se respire confiança e estímulo, que seja receptivo e sereno, no qual não se rejeite a ação corretiva sobre os comportamentos que signifique quebra de regras e limites, e desrespeito às pessoas da instituição escolar. 

As quebras de limites que se dão pela falta de limites por parte de alguns adolescentes e crianças são refletidas na escola, onde tem regras a serem seguidas e responsabilidades a cumprir. É conveniente lembrar que qualquer instituição possui regras de convivência, com as quais se podem concordar ou não, aceitar ou modificar. A explicitação das regras escolares é um aspecto essencial na organização do trabalho em sala de aula, a participação dos alunos pode auxiliar o estabelecimento de boas relações interpessoais entre professores e alunos. 

Estes fatores revelam-se em um quadro muito comum hoje em dia, o quanto as crianças e os adolescentes estão incapazes de compor e executar tarefas, e não demonstram respeito à figura do professor, que é uma autoridade fora de casa. Segundo Tiba (2003) “o conflito explode em classe porque ali há vários alunos vítimas da embriaguez relacional: os adolescentes excedem quando estão em turmas”. 

Os traços de cada indivíduo estão relacionados ao aprendizado, à apropriação do modo de vida de seu grupo, ou seja, de sua família, que exerce grande influência sobre a criança e o adolescente. O sujeito, ao nascer, não se encontra com sua moral definida. Esta vai sendo desenvolvida quantitativa e qualitativamente, mas, para que isso ocorra, é necessário que o organismo amadureça, interaja com os objetos físicos e outras pessoas, que seja submetido a um processo educativo e adapte-se ao meio físico e social. 

Piaget (apud SILVA, 2004) descreve o desenvolvimento moral, de forma a evidenciar o fenômeno de indisciplina, de três formas. Primeiro, partindo de um estado de anomia, onde se caracteriza pela ausência da moral, a priori, as crianças não submetem seus comportamentos às regras coletivas, visando apenas à satisfação motora e simbólica. 

Partindo da descrição de Piaget (apud SILVA, 2004) sobre o desenvolvimento juízo moral da criança, a atitude dos pais e suas práticas educativas são aspectos que contribuem e interferem no desenvolvimento individual e influenciam o comportamento do sujeito na escola. Pode-se então considerar, estes aspectos como uma das causas para o fenômeno da indisciplina escolar, visto que a criança e o adolescente absorvem aspectos familiares irrelevantes. 

A família, antes extensa, incluindo parentes e agregados, transformou-se em uma família nuclear, pai-mãe-filhos. Ela não se constitui mais como modelo familiar, pois existe a dissolução deste modelo. Algumas crianças são filhos de pais separados, que moram ou com os pais, ou com a mãe e o marido da mãe, ou com o pai e a mulher do pai. Assim, as relações de autoridade e limites ficam comprometidas, pois as crianças não sabem a quem recorrer e quais as regras a seguir. Em alguns momentos, estão em ambientes que propiciam disciplina e, em outros, estão em ambientes que propiciam liberdade e a falta de imposição de limites. 

O problema da indisciplina escolar não deve ser encarado como alheio pela família e pela escola, já que, na sociedade atual, são as principais agências educativas. A família exerce grande influência sobre a criança e o adolescente. A atitude dos pais e suas práticas educativas são aspectos que interferem no desenvolvimento individual e influenciam o comportamento da criança na escola. 

Seria errôneo pensar em um único fator responsável pela temática que envolve a indisciplina escolar, já que foram estudadas as interferências sociais e familiares. É de muita clareza que a maior tarefa que se atribui à escola, como instituição socializadora do conhecimento, refere-se a uma educação de valores. 

Diante dessa afirmação, faz-se necessário refletir acerca da função e das relações entre família e escola, educador e educando. Estas relações necessitam ser reelaboradas no intuito de melhor se apropriarem dos caminhos para uma educação de qualidade. 

O psicopedagogo, que trabalha com as relações de aprendizagem entre educadores e educando, legitima sua presença nas escolas através das relações estabelecidas dentro dela, pois a escola sozinha não pode trabalhar e nem resolver de um dia para o outro o problema da indisciplina escolar. 

Deixando claro que o psicopedagogo também não fará sozinho este trabalho e nem irá sanar de vez essas dificuldades, esse é um processo que precisa ser trabalhado de acordo com as necessidades que aparecem, pois as causas e suas influências são diversas.

Autora
Pedagoga, Pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, Pós-graduada em Coordenação Pedagógica. Atualmente encontra-se exercendo a função de Coordenadora Pedagógica de EJA.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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BOSSA, Nádia A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

FOUCAULTMichel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1987.

FRANCISCO, Maria de Fátima S. Autoridade e contrato pedagógico em Rosseau. In: AQUINO, Julio Groppa (Org.). Autoridade e Autonomia na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.

GASPARIAN, Maria Cecília Castro. Psicopedagogia institucional: um modelo relacional sistêmico. São Paulo: Lemos, 1997.

LA TAILLE, Yves de. Autoridade na escola. In: AQUINO, Julio Groppa (Org.). Autoridade e Autonomia na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.

PASSOS, Laurizete Ferragut. A indisciplina e o cotidiano escolar: novas abordagens, novos significados. In: AQUINO, Julio Groppa (Org.). Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. 9. ed. São Paulo: Summus, 1996.

REGO, Teresa Cristina R. A indisciplina e o processo educativo: uma análise na perspectiva Vygotskiana. In: AQUINO, Julio Groppa (Org.). Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. 9. ed. São Paulo: Summus, 1996.

SILVA, Nelson Pedro. Ética, indisciplina e violência nas escolas. Petrópolis: Vozes, 2004.




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