terça-feira, 31 de maio de 2011

Teoria do Conhecimento



O que é Teoria do Conhecimento?

Roderick Chisholm

A reflexão sobre a natureza do nosso conhecimento dá origem a uma série de desconcertantes problemas filosóficos, que constituem o assunto da teoria do conhecimento, ou Epistemologia. A maior parte desses problemas foi debatida pelos gregos antigos e, ainda hoje, a concordância é escassa sobre a maneira como deveriam ser resolvidos ou, no caso de tal não ser possível, abandonados. Descrevendo os temas dos sete capítulos que se seguem , poderemos dar a entender, de modo geral, a natureza desses problemas.
1 ) Qual é a distinção entre conhecimento e opinião verdadeira? Se um homem teve um palpite acertado ("Eu diria que é o sete de ouros"), mas não sabe realmente; e outro homem sabe, mas não diz, e não precisa adivinhar; o que é que o segundo homem tem (se assim podemos dizer) que falta ao primeiro? Pode-se dizer, é claro, que o segundo homem tem a prova evidente e que o primeiro não a tem, ou que algo é evidente para um que não é para o outro. Mas o que é prova evidente e como decidiremos, em qualquer caso determinado, se temos ou não prova?
Essas perguntas têm suas análogas tanto na Filosofia Moral como na Lógica. O que significa um ato estar certo e como decidiremos, em qualquer caso determinado, se um certo ato está certo ou não? O que significa uma inferência ser válida e como decidiremos, num determinado caso, se uma dada inferência é ou não válida?
2 ) A nossa prova para algumas coisas, ao que parece, consiste no fato de termos provas para outras coisas. "A minha prova de que ele cumprirá sua promessa é o fato dele ter dito que cumpriria a sua promessa. E a minha prova de que ele disse que cumpriria a sua promessa é o fato de que. . ." Devemos dizer de tudo aquilo para o que temos prova que a nossa prova consiste no fato de termos prova para alguma outra coisa? Se tentarmos formular, socraticamente, a nossa justificação para qualquer pretensão particular de conhecimento ("A minha justificação para pensar que sei que A é o fato de que B" ) e se formos inexoráveis em nossa investigação ("e a minha justificação para pensar que sei que B é o fato de que C"), chegaremos, mais cedo ou mais tarde, a uma espécie de fim de linha ("mas a minha justificação para pensar que sei que N é simplesmente o f ato de que N" ) . Um exemplo de N poderá ser o fato de que me parece recordar que já estive aqui antes ou o fato de que alguma coisa, agora, me parece azul.
Esse tipo de interrupção pode ser descrito de duas maneiras bastante diferentes. Poderíamos dizer: "Há certas coisas (por exemplo, o fato de que me parece recordar ter aqui estado antes) que são evidentes para mim e que o são de tal forma que a minha prova de evidência para essas coisas não consiste no fato de haver certas outras coisas que são evidentes para mim". Ou poderíamos dizer, alternativamente: "Há certas coisas (por exemplo, o fato de que me parece recordar ter aqui estado antes) das quais não se pode dizer que sejam evidentes, em si mesmas, mas que se parecem com o que se pode considerar evidente, na medida em que funcionam como prova evidente para certas outras coisas." Essas duas formulações apenas pareceriam diferentes verbalmente. Se adotarmos a primeira, poderemos afirmar que algumas coisas são diretamente evidentes.
3 ) As coisas que ordinariamente dizemos que conhecemos não são coisas, portanto, "diretamente evidentes". Mas, ao justificarmos a pretensão de conhecimento de qualquer uma dessas coisas particulares, podemos ser levados de novo, da maneira descrita, às várias coisas que são diretamente evidentes. Deveríamos dizer, portanto, que o conjunto daquilo que conhecemos, em qualquer momento dado, é uma espécie de "estrutura", que tem seu "fundamento" no que acontece ser diretamente evidente, nesse momento? Se dissermos isso, deveremos estar então preparados para explicar de que maneira esse fundamento serve de apoio ao resto da estrutura. Mas essa questão é difícil de responder, visto que o apoio dado pelo fundamento não seria dedutivo nem indutivo. Por outras palavras, não é o gênero de apoio que as premissas de um argumento dedutivo dão à sua conclusão, nem é o gênero de apoio que as premissas de um argumento indutivo dão à sua conclusão. Pois
, se tomarmos como nossas premissas o conjunto do que é diretamente evidente em determinado momento, não podemos formular um bom argumento dedutivo, nem um bom argumento indutivo, em que qualquer das coisas que ordinariamente dizemos que conhecemos apareçam como uma conclusão. Portanto, talvez se dê o caso de, além das "regras de dedução" e das "regras de indução", existirem também certas "regras de evidência" básicas. 0 lógico dedutivo tenta formular o primeiro tipo de regras; o lógico indutivo, o segundo; e o epistemologista procura formular as regras do terceiro tipo.
4) Pode-se perguntar: "0 que é que sabemos? Qual é a extensão do nosso conhecimento?" Poder-se-á também perguntar: "Como decidir, em qualquer caso particular, se sabemos ou não? Quais são os critérios de conhecimento, se porventura existem?" 0 "problema do critério" resulta do fato de que, se não tivermos resposta para o segundo par de perguntas, não disporemos, nesse caso, aparentemente, de um procedimento razoável para encontrar resposta para o primeiro; e, se não tivermos resposta para o primeiro par de perguntas, não teremos então, aparentemente, um processo razoável de encontrar a resposta do segundo. 0 problema poderá ser formulado mais especificamente para diferentes matérias - por exemplo, o nosso conhecimento (se houver) de "coisas externas", "outros espíritos", "certo e errado", as "verdades da Teologia". Muitos filósofos, aparentemente sem razão suficiente, abordam algumas dessas versões mais específicas do problema do critério segundo um ponto de vista, ao passo que outros as encaram de um ponto de vista muito diferente.
5) 0 nosso conhecimento (se houver) do que por vezes denominamos as "verdades da razão" - as verdades da Lógica e da Matemática e o que se expressa por "Uma superfície que é toda vermelha também não é verde" - dota-nos com um exemplo particularmente instrutivo do problema de critério. Alguns filósofos acreditam que qualquer teoria satisfatória do conhecimento deve ser adequada ao fato de que algumas das verdades da razão, tal como tradicionalmente são concebidas, não estão entre as coisas que conhecemos. Outros, ainda, procuram simplificar o problema afirmando que as chamadas "verdades da razão" só pertencem realmente, de algum modo , , a maneira como as pessoas pensam ou a maneira como empregam sua linguagem. Mas, uma vez que essas sugestões sejam equacionadas com precisão, logo perdem toda e qualquer plausibilidade que aparentemente tenham tido, no começo.
6) Outros problemas da teoria do conhecimento poderiam designar-se, apropriadamente, por "metafísicos". Abrangem certas questões sobre as maneiras como as coisas nos parecem. As aparências que as coisas apresentam para nós quando, digamos, as percebemos, parecem ser subjetivas na medida em que dependem, para a sua existência e natureza, do estado do cérebro. Este simples fato levou os filósofos, talvez com excessiva facilidade, a estabelecerem algumas conclusões extremas. Alguns afirmaram que as aparências das coisas externas devem ser duplicatas internas dessas coisas - que, quando um homem percebe um cão, uma tênue réplica do cão é produzida dentro da cabeça do homem. Outros disseram que as coisas externas devem ser bastante distintas do que ordinariamente aceitamos que elas sejam - que as rosas não podem ser vermelhas quando ninguém está olhando para elas. Ainda outros afirmaram que as coisas físicas devem-se compor, de algum modo, de aparências; e houve também quem dissesse que «s aparências devem ser compostas, de algum modo, de coisas físicas. 0 problema levou até alguns filósofos a indagarem se existirão coisas físicas e outros, mais recentemente, a indagarem se existirão aparências.
7 ) 0 "problema da verdade" poderá parecer um dos mais simples da teoria do conhecimento. Se dissermos a respeito de um homem, `'Ele acredita que Sócrates é mortal", e depois acrescentarmos, "E o que é mais, sua crença é verdadeira", então o que acrescentamos não é, certamente, mais do que isto: Sócrates é mortal. E "Sócrates é mortal" diz-nos tanto quanto "é verdade que Sócrates é mortal". Mas que aconteceria se disséssemos, a respeito de um homem, que algumas de suas crenças são verdadeiras, sem especificarmos que crenças? Que propriedade, nesse caso, estaríamos atribuindo à sua crença?
Suponha-se que dizemos: "0 que ele está dizendo agora é verdade", quando acontece que o que ele está dizendo agora é o que nós estamos agora dizendo que é falso, seja o que for. Nesse caso, estaremos dizendo algo que é verdadeiro ou dizendo algo que é falso?
Finalmente, qual é a relação entre as condições da verdade e os critérios de evidência? Somos boas provas, presumivelmente, para acreditar que existem nove planetas. Essa prova consiste em vários outros fatos que conhecemos a respeito de Astronomia, mas não inclui, em si, o fato de que existem nove planetas. Pareceria logicamente possível, portanto, que um homem tivesse boas provas para uma crença que, não obstante, é uma crença que é falsa. Significará isso que o fato de existirem nove planetas, se porventura for um fato, é realmente algo que não pode ser evidente? Deveríamos dizer, portanto, que ninguém sabe, realmente, se existem nove planetas? Ou deveríamos dizer que, embora seja possível saber que existem nove planetas. não é possível saber que sabemos existirem nove planetas? Ou as provas de que dispomos para acreditar que existem nove planetas garantem, de algum modo, que a crença é verdadeira e garantem, portanto, que há nove planetas?
Tais questões, e problemas como esses, constituem o assunto da teoria do conhecimento. Um certo número deles, como o leitor já sentirá, é simplesmente o resultado de confusão; e, uma vez exposta a confusão, os problemas desaparecem. Mas outros, como este livro pretende mostrar, são um tanto mais difíceis de tratar.
In Chisholm, R. M. (1966): Teoria do Conhecimento, Rio de Janeiro: Zahar, pgs. 11-15.


A imagem de uma ilha funciona perfeitamente para exemplificar o nível de conhecimento da humanidade. Esse pequeno pedaço de terra é cercado pelo vasto oceano do desconhecimento. Temos apenas frágeis balsas para explorá-lo, por isso, existem tantas lacunas em tudo o que sabemos. Em outras palavras, por mais espetaculares que sejam os resultados alcançados pelas ciências, o que se conhece é muito pouco em comparação com tudo o que nos falta saber.
Esse livro trata exatamente dessa busca. A teoria do conhecimento (ou epistemologia) aborda não somente a natureza e as fontes de conhecimento, mas, sobretudo, as formas de validá-lo ¿ seu maior desafio. Com linguagem simples e didática, o leitor vai explorar ao longo das páginas os tipos de saber, como estudá-lo e buscá-lo, as contradições entre aparência e realidade, a dificuldade em definir a verdade por trás de todos os fatos, entre outros temas. 










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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Resenha do livro o que é Educação


Resenha do livro o que é Educação



BRANDÃO. Carlos Rodrigues. O que é Educação. 41°Ed. São Paulo, Brasiliense 2007.

O autor é natural do Rio de Janeiro graduado em psicologia pela PUC, tem o mestrado em Antropologia pela UNB e o doutorado em Antropologia USP. Foi professor universitário na UNB (Universidade de Brasília) da UFG (Universidade Federal de Goiás) e pela UNICAMP (Universidade Federal de Campinas).

Entre suas principais obras são: Os Deuses do Povo: Uma introdução às religiões, Diário de Campo: Antropologia como alegoria, Educação como cultura, Educação Popular, Identidade e Etnia, O que é folclore entre outros.

A presente obra visa fazer uma discussão sobre o conceito de educação saber que a inventou, e desmistificar a idéia que só existe o processo educacional somente na escola. O escrito se desdobra em nove capítulos.

O primeiro capítulo, Educação? Educações aprender com o índio, (p.7 -12)  argumenta que em nenhum lugar dá para escapar da educação, que esta se apresenta em toda parte da vida que pode ser na casa, rua, igreja, escola que tanto pode ser para ensinar, para aprender e ao mesmo tempo ensinar e aprender, e questiona o conceito de educação, para colocar em seu lugar a palavra educações no plural, por não é só em um lugar que se aprende e ensina, mas em todos os lugares. E diz que a educação é a construção social de um determinado povo, que tanto pode ajudar para a sua autonomia como também para aceitar a submissão a outros povos. E cita o exemplo de uma carta famosa de um índio americano que escreveu para os colonizadores que ofereciam uma educação, para seus filhos, e dizia que agradecia, mas que a educação dos colonizadores não correspondia à realidade que eles precisavam dos homens de sua aldeia, pois se tornavam inúteis, e em contra partida ofereceu a educação a sua educação para os filhos dos colonizadores para se tornarem verdadeiros guerreiros. E conclui que a educação é uma construção do imaginário dos grupos sociais para transformá-los em algo melhor naquilo que se considera ideal.

No segundo capitulo, Quando a escola é na aldeia, (p.13-26) a educação existe em lugares em que não há escola, por isso em lugares em que há redes de estrutura sociais a transmissão de conhecimento de uma geração para outra. Os antropólogos tiveram um olhar sobre a relação que os nativos tinham entre si ensinando seus valores para as gerações mais novas, eles não utilizavam a palavra educação para designar esse fenômeno de transmissão de conhecimento de uma geração mais velha para a mais nova, mas sim de ritual de passagem. Aqueles que sabiam ensinavam, quem não sabia ficava atento observava e imitava aos mais velhos, pois o que aprendia eram as atividades no cotidiano, com objetivo de formar os mais novos para assumirem as funções sociais de sua tribo.

No terceiro capitulo, Então surge a escola, (p.27- 35)diz que quando os povos tradicionais começam a separar um saber que tem um sentido que se faz, e que em seguida se tem consciência que se faz, começa a transmitir o que se sabe para os outros, ou seja, ensinar o saber adquirido por várias gerações e passa para novas gerações, em que "todos" se transformam como educador, e apresenta como algumas tribos africanas transmitiam o seu conhecimento para os mais novos, e diz que vários grupos dividem e hierarquizam os vários tipos de saber, e diz que a educação está presente em todo canto do mundo, presente nas relações sociais entre as pessoas que são perenes e persistem nas sociedades humanas. E diz que a escrita surgiu nos povos enriquecido com um poder muito centralizado como exemplo dos egípcios ou dos astecas, mas que com o passar do tempo a educação mostrou sinônimo de diferença de classes como pode se observado na Grécia, e em Roma, e ai surgiu possivelmente à invenção da escola.

No quarto capítulo, Pedagogos, mestres-escola e sofistas, (p. 36- 47) apresenta como era a experiência educacional na Grécia Antiga que era o problema da aprendizagem dos ofícios simples no período da paz e na guerra. Nesse sentido houve a transição entre os saberes da agricultura, do artesanato da subsistência e da arte, tudo misturado com os princípios da honra e a solidariedade ligada com a fidelidade da polis. Nesse contexto existe uma diferença entre a educação do homem livre, e do escravo. O escravo aprendia os saberes fora da escola, já os homens livres tinham sempre um professor particular que o ensina como devia ser sempre livre. Durante um determinado período a educação era somente o privilegio da nobreza guerreira, e se aprendia as tradições escutando as declamações poéticas de Homero. Os pobres não podiam levar seus filhos à escola, por não ter condição financeira para pagar ao professor. Com o tempo a educação clássica deixa de ser assunto para alguns privilegiados para ser uma questão da polis. E Brandão conclui esse capitulo dizendo que a grande contribuição que a civilização grega apresentou para a civilização ocidental e que esta esqueceu com o tempo é que a educação existe em toda parte, e que vai muito além da escola convencional, e diz que são as pequenas relações sociais existente entre vários membros da sociedade é que vai construído a educação.

No quinto capítulo, A educação que Roma fez, e o que ela ensina, (p.48-53) faz um paralelo entre a educação grega e a educação romana, dizendo que os primeiros latinos eram camponeses e viviam em comunidade, e que a iniciação das crianças e dos adolescentes era aprender os valores dos antepassados, que chamavam de educação doméstica, que se aprendia em casa, com intuito de chegar à formação de uma consciência moral. No inicio da formação da cidade de Roma não existia um cuidado na educação física e intelectual de seus cidadãos ociosos que pensavam primeiramente somente em governar e guerrear. Com enriquecimento da nobreza romana, essa se afasta do labor da terra e se ocupa somente pela política. E dessa maneira pouco a pouco o ensino que era pastoril camponês passa a ser a formação para ser guerreiro, e ai surge uma oposição entre o ensino dos pais e dos mestres-pedagogos que convivem com os educandos e os acompanham durante um determinado período de sua vida para a formação de seu saber. E conclui que a educação romana influenciada em parte pelo espírito grego vai ajudar os filhos dos soldados e funcionário romanos a controlar os vencidos e impor sobre eles a vontade, e a visão de mundo do dominador.

No sexto capítulo, Educação: Isto e aquilo, ao contrário de tudo, (p.54-60) Brandão refleti sobre a palavra educação confrontando com conceito dos dicionários e chega à conclusão que eles tentam explicar o que a educação serve. Faz uma comparação com a legislação brasileira no final da ditadura que diz que o objetivo da educação é preparar para o trabalho, e conseqüentemente exercer sua cidadania, e após analisar a legislação educacional, apresenta outra interpretação da educação que pode se manifestar como uma ideologia que atende interesses econômicos de um determinado grupo social. E conclui esse capitulo dizendo que a definição, e a legislação sobre a educação é feita como uma maneira de camuflar os interesses de uma determinada classe social que tem o poder econômico, como político.

No sétimo capitulo, Pessoas "versus" sociedade: um dilema que oculta outros, (p. 61-72) inicia a sua explicação sobre o conceito de educação de uma maneira filosófica se ela é inata, vem de dentro da pessoa, ou se ela externa o meio que forma a pessoa. E resolve o dilema dizendo que a educação é uma construção social que foi pensada por uma pessoa ou instituição com o objetivo de atender uma necessidade do coletivo, para que individuo obtenha tudo que precise para construir sua subjetividade. Ou seja, o intuito da Educação é formação integral desse ser humano. E volta a discussão que essência da educação é a humanização desse(a) homem e mulher para manutenção da comunidade como era feito na Grécia Antiga, e em Roma, e diz que a educação é uma parte real da vida de como esse ser humano deve existir. E conclui que a educação humanística visa retornar o sentido de educação que era pensando pelos gregos e romanos, uma educação voltada para a comunidade.

No oitavo capítulo, Sociedade contra Estado: Classe e educação, (p.73-97) Brandão diz que a educação é uma prática social, em que o fim desta é determinado pelas pessoas que estão a sua frente, por isso esta pode ser usada como um mecanismo de dominação por determinados grupos sociais. E retorna a idéia de capítulos anteriores em diz que a educação não é uma propriedade individual, mas é da comunidade, ou seja, é o resultado de uma consciência vivida por uma determinada comunidade humana, que pode ser da família, de uma classe, ou de um grupo de profissionais. Por isso o surgimento de vários tipos de educação e sua evolução depende dos fatores sociais que determinam o desenvolvimento e as transformações da educação. E questiona sobre qual seria o ideal de perfeição da educação, e esse ideal é determinado pelas necessidades que pequenos grupos sociais têm para a sua sobrevivência, pois cada sociedade determina a função de seus membros. E apresenta mais uma variável da educação que esta pode ser uma possibilidade de mudança, pois a sociedade não é parada está em constante mudança e a leis precisam ser mudada, como a sociedade muda. E conclui fazendo uma reflexão sobre as leis que regem a educação no país, que diz algo, e que na pratica ocorre tudo ao contrario. Por isso que há uma predominância de uma educação autoritária na sociedade desigual.  

No nono capítulo, A esperança na educação, (p.78-110) faz uma reflexão dos capítulos anteriores, e reforça a idéia que a educação se dá fora do poder de controle do sistema escolar, e que é preciso reinventar a educação no dia-a-dia, algo que as pequenas comunidades sabem fazer se reunir para reinvidicar seus direitos que muitas vezes o Estado ignora. Questiona a estrutura escolar dos pedagogos que dizem que a educação só se dá pela escola, e se esquecem que a educação é vida, está muito além da escola. E conclui dizendo que somente o educador "deseducado" é que pode transforma essa realidade educacional, e dar um novo sentido para educação com a valorização do cotidiano de seus alunos.

A leitura da obra é um subsidio importante para todos os professores e graduandos (as) de todas as licenciaturas.

No plano estrutural do texto o autor utiliza o método etnográfico para descrever as diferentes experiências pedagógicas para questionar o conceito de educação baseado na estrutura escolar; e usa a teoria marxista para fundamentar a sua tese.

A linguagem do autor é simples e acessível para qualquer estudante que pretende pesquisa sobre o conceito de educação.

Assim, a obra é uma leitura importante para todos os educadores, tem uma visão diferente da educação que tenta fugir das estruturas, no entanto a única limitação do livro é que o autor vê a educação influenciada pela concepção durkheimiana em que uma geração mais velha é que ensina a mais nova, e impede a possibilidade de um velho aprender com o mais jovem, um adulto apreender com uma criança. Tirando essa limitação o livro é de uma grande valia para o estudo sobre a educação.
http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/resenha-do-livro-o-que-e-educacao-2560528.html


   

fonte. http://www.artigonal.com/ensino-superior-artigos/resenha-do-livro-o-que-e-educacao-2560528.html

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

Censo mostra que aluno brasileiro ficou mais pobre



Quem somos nós?

Censo mostra que aluno brasileiro ficou mais pobre, mais velho e mais exigente na última década. Para esses estudantes alguns fatores são decisivos na hora de optar por uma graduação, e por isso devem ser conhecidos pelas instituições particulares

Felipe Falleti
Existem mais de 3,5 milhões de jovens pertencentes a famílias das classes C e D na faculdade. Esse grupo representa mais da metade dos estudantes brasileiros, que somam 5,9 milhões
Após uma grande expansão do ensino superior, iniciada nos anos de 1990, a taxa de crescimento de matrículas vem caindo gradualmente desde o final da década passada. A ampliação, que permitiu a inclusão de um número expressivo de jovens das classes C e D, hoje já não garante a manutenção das salas de aula cheias. As instituições agora devem lançar mão de outras estratégias que possibilitem continuar agregando cada vez mais alunos às fileiras da graduação.

Especialistas afirmam que o crescimento das matrículas foi sustentado, nos últimos anos, pelas faculdades privadas que apostaram em políticas de preços populares aliadas à boa localização, como proximidade de metrôs e estações de ônibus. Porém, o público-alvo dessa ação começou a se esgotar. "O movimento de inclusão das classes C e D já aconteceu. Agora, a disputa entre as instituições vai acontecer em outro nível", analisa o pesquisador Eugênio Machado Cordeiro, da Corus Educação. Ele lembra que hoje em dia, com faculdades que cobram até R$ 250 de mensalidade, praticamente todo mundo que trabalha tem a possibilidade de fazer um curso universitário.

De fato, números do instituto Data Popular indicam que a inclusão das classes C e D na universidade já chegou perto de seu limite. Em 2002, por exemplo, estas duas classes sociais representavam 44% do total de alunos nas faculdades brasileiras. Atualmente, elas representam mais de 73% dos estudantes universitários no país.

Na avaliação de Márcio Falcão, executivo do instituto Data Popular, há uma mudança de comportamento das classes populares na procura por cursos superiores. Ele afirma que é crescente o desejo entre os jovens das classes C e D, maior parte do corpo discente nas instituições hoje, por carreiras técnicas e cursos de tecnólogo, que exigem um investimento bem menor e oferecem uma perspectiva de retorno mais rápido. "Hoje em dia os estudantes tendem a preferir cursos tecnológicos aos de licenciatura, por exemplo, pois ao invés de aguardar quatro anos por um diploma, podem tê-lo em dois e já faturar reajustes em sua renda", analisa.

A opinião de Falcão é compartilhada pelo consultor Eugênio Cordeiro. Ele acrescenta que é preciso levar em conta que para as famílias das classes populares o valor da mensalidade de uma faculdade tem enorme peso no orçamento doméstico. Para Cordeiro, o momento é de demonstrar ao jovem que tipo de retorno ele pode obter com esse investimento e oferecer alternativas de ensino que permitam rápida ascensão social.

Para ambos os especialistas, esse comportamento "pragmático" das classes populares revela um caminho a ser seguido pelas instituições superiores. "Quem se preparar para atender à essa nova demanda deverá ter mais sucesso em melhorar sua taxa de matrícula e frequência na sala de aula", sugere Márcio Falcão.

Retorno anunciado
Nesse sentido, a recomendação dos especialistas é oferecer uma grade de cursos nas instituições privadas voltada para as necessidades do mercado de trabalho. "No Brasil, ainda existe uma grande distância entre o que oferecem as faculdades e o que o mercado necessita. Isso ocorre ao ponto de haver de um lado um apagão de mão de obra qualificada, em que sobram vagas não preenchidas no mercado, e do outro lado uma multidão de jovens recém-formados que não conseguem encontrar um emprego para si", avalia Falcão.

No Censo elaborado pelo MEC, essa distorção aparece claramente. Entre os cursos mais procurados estão administração e direito, respectivamente primeiro e segundo colocados da lista. "Será que o Brasil precisa mesmo de tantos administradores e advogados?", pergunta Eugênio Cordeiro.

Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) indica que não. Enquanto sobram advogados no mercado, faltam engenheiros, matemáticos, especialistas em TI e químicos.

"As empresas de tecnologia da informação e a indústria química vivem um boom desde a descoberta do pré-sal e dos investimentos das telefônicas em redes para atender eventos como as Olimpíadas de 2016 e a Copa de 2014. Os profissionais dessas áreas são muito disputados", afirma Adalberto Pochman, da consultoria de empregos e RH da Fiesp.

Esse desequilíbrio no mercado de trabalho já reflete numa maior procura por cursos técnicos nos vestibulares. No ano de 2009, por exemplo, mostra o Censo da Educação Superior, a elevação na procura de vagas nas intituições de ensino superior do Brasil foi de 2,5%. Entre as carreiras técnicas, como TI, engenharia e química, o incremento foi de 25,5%.

Mudança de rota
Para o consultor Eugênio Cordeiro, as instituições pagam hoje o preço de terem aberto muitos cursos, em especial nas áreas de mais fácil aprovação pelo MEC, como nas carreiras humanas. "A elevação nas taxas de matrículas foi tão forte na década de 1990 que gerou certas distorções no setor. Houve grande e acelerada abertura de cursos, em especial em carreiras populares como direito e pedagogia. Quando a inclusão dos jovens das classes C e D cessou, as instituições ingressaram em uma certa estagnação. Hoje, são muitas as faculdades privadas que sofrem com inadimplência e salas vazias em todo o Brasil", diz Falcão.

O excesso de cursos superiores, fruto do movimento de acelerada expansão das universidades privadas na década de 1990, pode ser agora um problema. Pequenas instituições com até dez cursos disponíveis têm encontrado maior dificuldade para manter as salas cheias e atrair alunos. Na avaliação de Carlos Monteiro, especialista em educação da CM Consultoria, uma boa estratégia é especializar-se em algumas poucas carreiras.

"As pessoas não dizem 'quero estudar na faculdade A ou B'. Elas dizem quero ser advogado, jornalista ou dentista. Ou seja, é importante tornar-se reconhecido em algumas carreiras e isso só será possível com especialização", diz Monteiro. O consultor indica como exemplo instituições que se tornaram referência na área de gestão e administração. "Mesmo com poucas carreiras, essas instituições se constituem num sucesso", avalia.

A estratégia da especialização pode ser um recurso interessante para pequenas faculdades sobreviverem ao avanço dos grandes grupos educacionais. Segundo o Censo do MEC, há hoje 2.314 instituições de ensino superior com as portas abertas, número que, dizem os especialistas, deve diminuir sensivelmente nos próximos anos, num movimento de consolidação do setor. Para Monteiro, as mais especializadas, mesmo se forem pequenas, é que terão mais chances de sobreviver.

Ligados ao mercado
Outro recurso que pode ser utilizado no atual cenário é demonstrar que a faculdade tem ligação direta com o mercado. Cordeiro sugere acordos com grandes companhias empregadoras, parcerias em programas de trainee ou companhias que procuram estagiários. "Se a faculdade demonstrar que ajudará o seu aluno a posicionar-se bem no mercado de trabalho, então será mais atraente para os estudantes", diz.

A abertura de cursos em carreiras novas, com demandas ainda não atendidas pelo mercado de educação, é outra opção sugerida pelos especialistas. "Eu conheço muitos DJs que ganham bem mais que advogados e administradores. Então, por que não identificar cursos em carreiras novas, que tenham a ver com a vocação regional das cidades onde a instituição está localizada?", sugere Eduardo Cordeiro.

Para dar esse passo, no entanto, é preciso ter cautela e fazer uma análise aprofundada do potencial que um novo curso pode trazer para a instituição. Carreiras como webdesigner e arquitetura da informação, por exemplo, pareciam excrescências há pouco mais de dez anos, mas hoje pagam, na média, salários mais altos para jovens profissionais que muitas carreiras tradicionais, como economia ou pedagogia, por exemplo.

Lançar mão da tecnologia também se constitui numa alternativa para que as instituições possam atender a outro perfil universitário: o dos estudantes mais velhos, que normalmente possuem outros compromissos além da faculdade. Segundo o Data Popular, em 2002, a média de idade dos formandos na graduação era de 25,8 anos. Em 2009, essa média subiu para 26,3 anos.

Uma alternativa para atender alunos trabalhadores que encontram dificuldades de horário, por exemplo, já que nem sempre conseguem chegar às 19h ou sair depois das 10h30min, por conta de deslocamentos na cidade, é oferecer parte da graduação de modo on-line. Para isso, entre as inúmeras possibilidades de recursos tecnológicos existentes, o diretor de estratégia de soft­ware da TOTVS, Gilsinei Hansen, indica as ferramentas de e-learning. "Com o maior volume de estudantes-trabalhadores nas instituições, muitas escolas têm dificuldade em ministrar todas as aulas em sala, o que prejudica a composição da carga horária mínima exigida", explica Hansen.

Nos cursos presenciais, as aulas a distância são permitidas pelo MEC para até 20% da carga horária, e podem inclusive baixar algumas despesas necessárias à manutenção de uma turma em sala de aula. "O aluno pode aprender conceitos em sala de aula e, depois, fazer exercícios em casa, à noite ou nos fins de semana. As atuais ferramentas de educação a distância permitem medir em detalhes quantos estudantes fizeram os exercícios, que desempenho tiveram e melhorar a qualidade final do curso", afirma.

Medidas pontuais e de aparente resultado imediato, porém, são desaconselhadas, como a realização de sorteios ou distribuição de brindes para tentar atrair mais alunos. Para o consultor Carlos Monteiro, tal recurso tende a desgastar a imagem da instituição. "Com exceção de alguns 'presentes' que têm função educacional, como vale-livros ou acesso a seminários, os prêmios descolados do universo educacional podem contribuir para gerar uma imagem negativa para a marca, algo que pode ser interpretado como um apelo excessivo", adverte Monteiro.

O pragmático
  • Quer retorno rápido do investimento na faculdade.
  • Prefere cursos de menor duração, ou tecnológicos, que são menos teóricos e mais práticos.
Dica dos especialistas
  • Oferecer carreiras técnicas e cursos de tecnólogo, que normalmente necessitam de menor investimento e têm retorno mais rápido.


O tradicional
  • Espera uma boa colocação de trabalho, mas acaba optando por cursos tradicionais (como administração e direito), em que há saturação do mercado.
  • De acordo com o Censo 2010, a procura por vagas no ensino superior cresceu 2,5%. Entre as carreiras técnicas, como as da área de TI, engenharia e química, o incremento foi de 25,5%. Ainda assim, entre os cursos mais procurados estão administração e direito.
Dicas dos especialistas
  • Investir em cursos diferenciados, que saiam do lugar-comum e que dialoguem com o futuro do mercado profissional, como os da área de TI.
  • Buscar uma ligação com empresas e oferecer ao aluno uma ponte para o mercado de trabalho.


O maduro
  • Estudantes mais velhos, que já constituíram família e têm responsabilidades que vão além de apenas estudar.
Dica dos especialistas
  • Oferecer parte das aulas do curso no modo a distância.


Uma história como tantas
Miriam Barreto tem 26 anos e matriculou-se em 2009 pela segunda vez em um curso de administração. Dois anos antes, a jovem, que trabalha como secretária em um consultório dentário na zona leste de São Paulo, havia se matriculado em um curso de pedagogia, que frequentou por apenas oito meses. Na época, Miriam desistiu do curso por falta de dinheiro, já que seu pai perdera o emprego de motorista naquele período, o que afetou drasticamente sua renda familiar. No final do ano que vem, Miriam deve concluir a faculdade e se tornar a primeira pessoa de sua família a ter um diploma de curso superior. "Tem sido muito puxado trabalhar e estudar, mas estou firme e dessa vez não quero desistir como fiz no passado", conta a jovem.

De acordo com o último Censo da Educação Superior, existem no Brasil mais de 3,5 milhões de Mirians, jovens que pertencem a famílias das classes C e D, ingressaram na faculdade tardiamente e compatibilizam uma árdua jornada de trabalho e estudos noturnos. No total, este grupo representa mais da metade dos estudantes universitários brasileiros, que somam 5,9 milhões, de acordo com o Censo.

- Ensino para compreensão
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Pragmatismo e Utilitarismo