domingo, 4 de agosto de 2013

A Geografia dos tolos e as histórias para boi dormir – Antonio Sávio

  Um estudante universitário, seja qual for seu curso, ao ser iniciado no mesmo deve lhe ser apresentado um conjunto teórico que lhe dê meios de entender seu objeto de estudo, de modo mais real possível de modo que, uma vez que sabemos que os fenômenos científicos são mutáveis, as ciências necessariamente também são. A necessidade de adequação a realidade é uma condição de existência a qualquer ciência. Ao longo do tempo, o cientista vendo que suas teorias não dão conta do real, deve ele reelabora-las na tentativa de acompanhar não a moda teórica do momento, mas a realidade.
Infelizmente não assim que acontece em uma ciência chamada geografia. O que outrora foi uma ciência agora se tornou um forte campo de aparelhamento e propagação ideológica sem nenhum compromisso com a realidade. Para ser mais específica, a chamada geografia humana, em sua totalidade de estudos tem pervertido a mente de milhões de estudantes país a fora com pseudo-reflexões sobre o espaço, o território, a urbanização, o campesinato, e tutti quanti ela puder pousar seus olhos “críticos”. As universidades por sua vez, onde se (de) formam levas de novos “geógrafos” todos os anos fazendo-lhes refletir a partir de uma perspectiva totalmente marxista, intimidam os estudantes que ousarem respirar um ar menos danoso do que o contido na bolha marxista.
O que falo aqui, não se trata de um bar onde se dão opiniões ao sabor das paixões, mas sim (ou deveria) ser uma ciência, baseada em fatos comprovados, e não em ocultações históricas deslavadas. O geógrafo marxista não dá aos seus alunos senão uma espécie de sensação de poder, formula sua mente de modo que ela atue na sociedade como agente transformador, ou melhor, outro doutrinador. Não há nenhuma contestação do que é falado. A geografia é uma ciência de afirmações imperativas, onde o estudante lê a receita de bolo e sem perguntar o sabor, faz o bolo. Chamar uma coisa dessas de ciências é querer um tetraplégico numa corrida de cem metros rasos.
O geógrafo Luiz Lopes Diniz Filho tem sido até agora, um dos poucos a nadarem contra a maré vermelha e denunciado veementemente os truques erísticos de geógrafos conhecidos no cenário nacional. O site Escola Sem Partido, em seu trabalho humilde e permanente tem desenvolvido um trabalho notável denunciado os golpistas travestidos de professores em todo território nacional, bem como concursos, vestibulares, e livros didáticos com conteúdo doutrinador.
A revolução cultural é uma metástase em todas as ciências humanas, cercada não só do puro marxismo como vemos na geografia, mas em seu socorro, temos todas as falsas filosofias desenvolvidas ao longo da modernidade e da pós-modernidade. O geógrafo de hoje, metido a atento, tenta acompanhar tais filosofias sem nenhuma base filosófica. Embarca em um carro bomba sem perceber que suicida-se intelectualmente, em sua pressa de estar afinado com a USP, ou as universidade europeias e anglo-saxônicas se desfaz em afirmativas soltas. Que quiser prova disso busca uma visão não marxista em geografia agrária ou geografia urbana. Busque alguma pluralidade nos chamados, estudos sócio-territoriais desenvolvidos pelas universidades brasileiras e europeias. O que se vê é o uníssono marxista-socialista-comunista com um quê de nostalgia da URSS.
O leitor indignado pode pensar? Quer dizer que aquilo que eu achava que era uma ciência é na realidade apenas uma ideologia? Infelizmente sim. Quem puder voltar a decorar o nome de mapas e rios, como eram os chamados estudos “alienados” de geografia, não estará fazendo mal algum. Pelo menos evitará passar uma vergonha maior se por acaso encontrar alguém que tenha estudado economia ou filosofia de verdade. Caso isso aconteça, o “geógrafo crítico” será esmagado como um piolho, na unha. Nada que lhe dê suporte em um debate bem formulado é estudado na universidade. O geógrafo que é formado com a visão que “!os Estados Unidos é um império”, que “as empresas comandam os territórios”, “que há violência espacial nas mudanças das paisagens” está totalmente alheio ao que se passa no mundo.
Não é de modo diferente que é formado o atual “historiador”. Obras clássicas que deveriam ser estudadas dia e noite como “A história dos Papas” de Leopold von Ranke, “Origens da França Contemporânea” de Hippolyte Taine, “História da Antiguidade” de Edward Meyer, “A civilização da renascença na Itália” de Jacob Burckhardt, “História de Roma”, de Theodore Mommsen, “História da Grécia” de George Grote, “Os dois corpos do rei” de Ernst Kantorowicz, “Outono da Idade Média” de Johan Huizinga ou “Ritos da Primavera” de Modris Eksteins nunca são nem mencionadas em salas de aula, ou, se são, são fatiadas em um capítulo de cada, sendo o conjunto de textos moldados de tal modo que o aluno seja guiado de modo manso e bastante confortável para seu mestre. Deste modo temos em qualquer escola o Batman e o Robin, o geógrafo e o menino prodígio. Em geral são realmente mui amigos, as ideias convergem sempre. Saem no final das aulas de uma sexta feira para bebericar e lamentarem do mundo, do capitalismo, das bandas de forró, e, sobretudo, lamentam-se por a humanidade não terem visto suas aulas magníficas, bem animadinhas, eloquentes, e seguras pela distância de um verdadeiro debate. Mas isso não é à toa. É como diria o Nelson Rodrigues: Há uma sábia distância entre os heróis do Leblon e o perigo!
 
Por: Antonio Sávio –  Professor, Filosofo e Geografo
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