terça-feira, 30 de abril de 2013

Perfil dos coordenadores pedagógicos Saiba quem são esses profissionais e o que pensam sobre a Educação brasileira




Perfil profissional

Perfil dos coordenadores pedagógicos

Saiba quem são esses profissionais e o que pensam sobre a Educação brasileira

AUTORIA: FUNDAÇÃO VICTOR CIVITA
A Fundação Victor Civita realizou em 2010 e 2011 ampla pesquisa sobre os coordenadores pedagógicos brasileiros, em parceria com a Fundação Carlos Chagas e o Ibope Inteligência. O estudo foi conduzido em duas fases e teve coordenação geral da professora Dra. Vera Placco. Já disponível, o resultado da primeira fase - quantitativa - traz informações preciosas sobre quem são e o que pensam os profissionais que estão à frente da coordenação das escolas de todo o país. A segunda fase - qualitativa - teve como objetivo identificar e analisar os processos de coordenação pedagógica em curso em escolas de diferentes regiões brasileiras, de modo a ampliar o conhecimento sobre a função e identificar potencialidades e limitações. Com isso, a intenção da FVC é subsidiar políticas públicas de formação docente e organização dos sistemas escolares. Confira abaixo os resultados já publicados e leia a edição especial produzida pela equipe da revista GESTÃO ESCOLAR sobre o tema.
Edição Especial
Os caminhos da coordenação pedagógica e da formação de professores
PDF | Zip | HTML Conteúdo exclusivo: a edição "Os caminhos da coordenação pedagógica e da formação de professores" não é vendida em bancas.


1ª fase: estudo quantitativo
Documentos

Apresentação dos resultados

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Relatório quantitativo
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Questionários
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2ª fase: estudo qualitativo
Documentos

Apresentação dos resultados
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Relatório qualitativo
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Questionários
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Quadro de atribuições pela legislação, por região
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Reportagens
Coordenador pedagógico atua como bedel
PDF
[O Estado de S. Paulo - 03/06/2011]


Pesquisa mostra que 72% dos coordenadores pedagógicos atuam como bedel
PDF[Seduc MT - 03/06/2011]

47% dos coordenadores pedagógicos das escolas não sabem o que é Ideb
PDF
[Todos pela Educação - 03/06/2011]


Avaliações em série confundem professores
PDF
[O Estado de S. Paulo - 20/06/2011]

Para que serve o Ideb mesmo?
PDF
[O Diário - 19/08/2011]

Paraná terá metas próprias para avaliar Educação
PDF
[Gazeta do Povo - 22/08/2011]

Gestores devem usar Ideb para criar ações efetivas, afirmam pesquisadores PDF
[Todos pela Educação – 14/08/2012]

Projeto pretende expor notas das escolas
PDF
[Rede Bom dia - 28/08/2011]



Artigo Acadêmico
O coordenador pedagógico (CP) e a formação de professores: intenções, tensões e contradições

PDF | HTML
Vera Maria Nigro de Souza Placco, Laurinda Ramalho de Almeida, Vera Lucia Trevisan de Souza, da Fundação Carlos Chagas (FCC)


http://fvc.org.br/estudos-e-pesquisas/2010/perfil-coordenadores-pedagogicos-605038.shtml

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O papel do coordenador no Fundamental 2 e no Ensino Médio


O papel do coordenador no Fundamental 2 e no Ensino Médio

Confira como superar os desafios do segundo segmento do Ensino Fundamental e do Ensino Médio



Professores da EMEF Amorim Lima, em São Paulo, fazem projetos que envolvem as várias áreas. Foto: Marina Piedade
Troca entre disciplinas Professores da EMEF Amorim Lima, em São Paulo, fazem projetos que envolvem as várias áreas
Imprescindível para garantir as condições de aprendizagem dos alunos, o coordenador pedagógico dos anos finais dos ensinos Fundamental e Médio tem as mesmas funções de seu colega da primeira etapa do Fundamental: coordenar o horário de trabalho coletivo, atender individualmente os professores, estudar referências teóricas para refletir sobre a prática, acompanhar a evolução das produções dos alunos e planejar o projeto político-pedagógico (PPP). Por quê, então, nos segmentos mais avançados tudo parece ser mais difícil para o formador?

Há algumas explicações. Primeiro, a estrutura curricular se transforma. Nas séries iniciais, há apenas um professor responsável por praticamente todas as aulas de uma turma e que, por causa disso, fica mais tempo na escola. Já nos anos finais, o horário se fragmenta. Cada disciplina tem um titular, geralmente cumprindo carga horária reduzida, o que dificulta a presença de toda a equipe nos encontros formativos. "Temos apenas 20 minutos no intervalo para falar com os colegas", disse uma professora de Ciências na pesquisa Anos Finais do Ensino Fundamental: Aproximando-se da Configuração Atual, realizada em 2011 pela Fundação Carlos Chagas (FCC) sob encomenda da Fundação Victor Civita (FVC), ambas em São Paulo. O desafio, aqui, é dar unidade ao PPP - e para isso é preciso garantir os horários coletivos.

O perfil dos profissionais muda nas séries mais avançadas. Os polivalentes são substituídos por especialistas e, para o coordenador, isso pode ser um problema se ele se sentir constrangido para dar orientação pedagógica a quem tem formação específica - o que, veremos mais adiante, pode ser superado com o conhecimento que ele vai procurar ter sobre as didáticas específicas.
A formação inicial é outro complicador, já que nas licenciaturas pouco se estuda sobre o perfil do aluno que será atendido. Resultado: quem leciona no 6º ano sonha em receber uma turma madura e com autonomia de estudo e acaba se decepcionando com os pré-adolescentes em processo de formação. Segundo pesquisa do Instituto Desiderata, no Rio de Janeiro, a quebra de expectativa frustra docentes e alunos (veja no quadro na página 3). No Ensino Médio, o quadro é semelhante. "Ninguém está preparado para lidar com as questões comportamentais e as dúvidas características da adolescência", afirma Beatriz Titton, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Centro Universitário Ritter dos Reis, em Porto Alegre.

Tanto para refletir sobre a prática quanto para aprender a lidar com temas recorrentes da pré-adolescência e da adolescência - como a sexualidade, os conflitos e as dúvidas sobre a carreira -, a equipe precisa do apoio da coordenação pedagógica.
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http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/papel-coordenador-fundamental-2-ensino-medio-739951.shtml

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Qual é a importância do professor?


Discuta nas suas aulas sobre o mundo do trabalho o papel do professor na sociedade e porque a carreira docente é tão desvalorizada. Utilize, na explicação, teóricos como Émile Durkheim e Max Weber

 Professor Gustavo Felício com seus alunos do CIE Miécimo da Silva, no Rio de Janeiro (RJ). Imagem: Fernanda Frazão
Objetivos
- Discutir a importância do professor para a sociedade
- Compreender como funciona o mercado de trabalho para os docentes

Conteúdos
- Educação
- Mercado e divisão do trabalho

Anos
Ensino Médio

Tempo estimado

Três aulas

Materiais necessários
- Cópias da entrevista "Uma missionária da educação" (Veja, 2319, 01 de maio de 2013), para todos os alunos
- Material para a confecção de faixas ou cartazes (papel, cartolina, tinta, cola, tesoura, revistas, jornais, etc)
- Cópias do texto "Professores do Brasil" (disponível na 4º etapa) para todos os estudantes.

Introdução

O compromisso do Estado brasileiro com a educação está formalizado no artigo 205 da Constituição Federal de 1988, onde se lê que "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho."

Para que isso ocorra é indispensável a boa atuação dos professores, personagens centrais em todas as fases da educação formal. No entanto, a profissão docente é atualmente percebida como mal remunerada e pouco valorizada pela sociedade. Trata-se, portanto, de uma situação paradoxal: ainda que o Estado seja obrigado a garantir educação de qualidade para as novas gerações, a carreira docente aparenta ser cada vez menos popular e mais fragilizada.

Neste plano de aula serão discutidas, em linhas gerais, a situação da carreira de professor no Brasil, sua importância e as dificuldades enfrentadas por esses profissionais. A proposta é estimular a discussão sobre o problema da educação e as políticas públicas relacionadas à formação, remuneração e condições da carreira docente no Brasil.


Desenvolvimento
1ª etapa
Escreva no quadro uma lista de profissões e ocupações. Utilize o modelo abaixo, adaptando-o para sua realidade (você pode incluir novas profissões ou omitir aquelas que não refletem a realidade cotidiana da comunidade).

Enfermeiro/  Padeiro/  Bombeiro/  Cozinheira/ Agricultor/  Médico / Mecânico / Lixeiro/ Diplomata/ Maestro /Engenheira/ Farmacêutico/ Professora/ Agrônomo/ Psicóloga/ Jornalista
Advogado/ Policial /Político /Educador infantil

Peça que os estudantes analisem o que está escrito por alguns instantes. A seguir, conduza uma rodada de discussões utilizando as questões abaixo. Peça que os alunos anotem suas impressões no caderno.

- Quais das profissões listadas são mais bem remuneradas? Por qual razão?
- Quais as ocupações que demandam mais tempo de estudo formal?
- Quais as profissões menos prestigiadas? Por quê?
- Quais as diferenças entre, por exemplo, advogados e agricultores?
- O que a maioria das profissões listadas tem em comum?


O objetivo da discussão é fazer com que todos discutam e compreendam:

- o papel da educação para a carreira profissional dos indivíduos, tanto do ponto de vista formal e legal (por exemplo, a necessidade de completar um curso superior para poder exercer regularmente a medicina ou a engenharia), quanto em relação ao prestígio, status e possibilidade de mobilidade social (note que entre as profissões apresentadas, as mais prestigiadas são normalmente associadas com maior investimento de tempo e recursos em educação).

- a situação dos professores no mundo do trabalho: ressalte que a educação é um dever do Estado brasileiro e um direito do cidadão. Mesmo as pessoas envolvidas com atividades menos prestigiadas e socialmente reconhecidas provavelmente passaram pela escola! Nesse sentido, você pode usar o exemplo das dificuldades enfrentadas por uma pessoa analfabeta para se colocar no mercado de trabalho atual, demonstrando assim a importância da educação formal e, portanto, dos professores.

Lembre-se: não se trata de classificar as profissões entre "melhores" e "piores". A atividade do lixeiro é tão importante para nossa saúde quanto a do médico, imagine uma cidade grande sem coleta de lixo! O importante é ressaltar que a sociedade apresenta oportunidades e recompensas desiguais para diferentes carreiras e profissionais. 


2ª etapa
Complemente a etapa anterior com uma exposição. Esta é a hora de apresentar ao grupo alguns conceitos sobre divisão do trabalho, mercado e mobilidade social por meio da educação. Utilize o texto abaixo como base:

O que explicar para a turma?
Desde o século 19, uma das questões abordadas pela Sociologia é a crescente complexificação das sociedades capitalistas modernas e a especialização profissional decorrente dessas mudanças. De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917), as sociedades complexas se assemelhariam a organismos vivos, onde cada parte desempenha uma função específica. Para que esse grande organismo (a sociedade) funcione corretamente, é necessário que cada uma das suas partes (os indivíduos) se comportem como é esperado. A analogia equipara a sociedade com o corpo humano: se cada um dos órgãos está saudável (isto é, funcionando adequadamente), o corpo funcionaria corretamente. Assim, para que a sociedade funcione bem é necessário que cada indivíduo se comporte de acordo com o esperado para sua posição social, profissão etc.

De acordo com Durkheim, a divisão de trabalho seria uma consequência da percepção dos indivíduos a respeito de sua dependência dos outros "órgãos" e obrigação moral com a manutenção da sociedade. Para o autor, essa "solidariedade orgânica" é a essência da coesão social. Sob essa perspectiva, o papel do professor seria instruir as pessoas para se adequarem à lógica dessa solidariedade e da divisão do trabalho.

Para o sociólogo alemão Max Weber (1864-1920), a especialização e a distinção entre os indivíduos funcionaria de acordo com uma lógica diferente. Para ele, a divisão do trabalho seria resultado da industrialização e da mudança das pessoas para a cidade: se nos contextos pré-modernos um indivíduo se encarregava de diversas atividades de produção, nas sociedades industrializadas cada pessoa se especializa em uma função ou ocupação específica. As diferenças de classe e posição social entre os indivíduos estariam então relacionadas com o poder e o status que eles ocupam nessa divisão do trabalho. É claro que existem profissões mais valorizadas e remuneradas, mas ao contrário da percepção de Durkheim, os indivíduos poderiam almejar "mudar de posição" na divisão do trabalho, buscando posições de maior poder, status ou recompensas financeiras (em um processo de chamado de mobilidade social).

Nos dias de hoje, é comum a percepção de que um dos principais mecanismos de mobilidade social é a educação. Defensores dessa posição acreditam que indivíduos mais instruídos possuem um diferencial na competição do mercado de trabalho, podendo ascender internamente nas organizações e empresas, tendo acesso a melhores salários e reconhecimento. Ainda que membros das classes altas tenham melhores condições de se diferenciarem (por já possuírem instrução e reconhecimento herdados de suas famílias), a educação universal de qualidade proporcionaria formas de "nivelar" as condições de todas as pessoas. Nesse contexto, o papel do professor seria então fundamental para uma sociedade mais equalitária: caberia a ele, por meio dos processos formais de educação, proporcionar aos alunos menos favorecidos as condições indispensáveis para sua mobilidade social ascendente.
 

Certifique-se que os pontos expostos foram compreendidos e que a turma entendeu as noções de "divisão do trabalho" e "mobilidade social". Veja se eles demonstram capacidade de argumentação sobre o papel dos profissionais da educação para a sociedade contemporânea.


3ª etapa
Distribua as cópias da entrevista com Wendy Kopp, "Uma missionária da educação" (Veja, 2319, 01 de maio de 2013) para todos. Realize uma leitura dirigida, seguida de discussão. Aproveite a oportunidade para esclarecer dúvidas e para saber a opinião dos adolescentes sobre a iniciativa "Ensina!" mencionada no texto. Na opinião deles, por que ela "emperrou" no Brasil? Como isso pode se relacionar com a valorização e as dificuldades da carreira de educador no país?

4ª etapa
Para aprofundar a compreensão do tema, distribua cópias do texto abaixo para cada estudante e conduza uma leitura coletiva.

Ao longo da atividade, faça perguntas e estimule os estudantes a comentarem e relacionarem o texto com o que já estudaram. Você pode utilizar as questões abaixo:
- Eles concordam que as distinções de remuneração são um fator preponderante para a situação atual dos docentes? Existem outros pontos a serem ressaltados?
- Como essas informações podem se relacionar com o texto de Veja discutido anteriormente?

Professores do Brasil

Em 2009, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) editou um livro contendo os resultados de uma pesquisa extensiva sobre a formação de professores e o exercício da docência na educação básica no Brasil. De autoria de Bernardete Gatti e Elba Siqueira de Sá Barretto, o livro "Professores do Brasil: Impasses e Desafios" aborda desde as questões legais até as barreiras práticas e institucionais que marcam as carreiras dos professores no Brasil.

Com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais, organizada pelo Ministério do Trabalho, da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio, de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Censo Escolar da Educação Básica, as autoras apresentam conclusões importantes: no Brasil, os professores são o terceiro maior grupo profissional no país (sendo que cerca de 80% são empregados pelo sistema público de educação), mas o reconhecimento da profissão ainda é insuficiente, variando muito de região para região.
Nesse aspecto, os dados apurados demonstram que em todos os níveis da educação básica (infantil, fundamental e médio), os professores das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste são melhor remunerados em comparação aos profissionais das regiões Norte e Nordeste.

Em comparação a outras profissões, o quadro fica ainda mais desanimador:

Profissão Rendimento médio mensal 

Arquitetos: R$ 2.018,00
Biólogos: R$ 1.791,00
Dentistas: R$ 3.322,00
Farmacêuticos: R$ 2.212,00
Enfermeiros: R$1.751,00
Advogados: R$ 2.858,00
Jornalistas: R$ 2.389,00
Professores (Ed.básica): R$ 927,00

Diante dessas e outras evidências, as autoras se dedicam a questionar a atratividade dessa profissão para as novas gerações. Historicamente, elas argumentam, a representação da docência como "vocação" e "missão" afastou a categoria dos professores da ideia de uma categoria profissional de trabalhadores, prevalecendo a perspectiva de "doação de si", o que explica parcialmente as dificuldades que professores encontram em sua luta por salários e melhores condições.

Para reverter esse quadro, Gatti e Barretto ressaltam a necessidade de adoção de estratégias articuladas entre as diferentes instâncias formadoras de professores e as que os contratam como profissionais, construindo assim soluções que tornem possível a melhoria da qualidade da educação oferecida no país. (Maiko Rafael Spiess, adaptado de Gatti & Barreto, 2009)

Avaliação
Para encerrar, divida a turma em grupos de quatro. Os adolescentes deverão utilizar os materiais disponíveis (papel, cartolina, tinta, cola, tesoura, revistas, jornais e o que mais estiver à mão) para confeccionar faixas ou cartazes sobre a profissão docente no Brasil, destacando sua importância, as dificuldades percebidas e possíveis soluções para sua baixa valorização. Procure estimular a criatividade dos alunos, incentivando-os a explorar formas novas e inusitadas de apresentar os conteúdos aprendidos.

Após a conclusão da atividade, afixe os cartazes e faixas na sala de aula. Se quiser, peça que cada grupo faça uma breve apresentação sobre o trabalho. Para socializar os conhecimentos e estimular a discussão na sua escola, sugira que os alunos mostrem os trabalhos para outros professores.Faça você também uma "propaganda" a respeito da atividade nos intervalos e na sala dos professores, pedindo que seus colegas prestigiem os trabalhos e reflitam sobre a questão. Essa também é uma forma de valorizar sua importante profissão!

Os alunos serão avaliados por sua participação nas aulas, compreensão dos temas, e pela qualidade e criatividade do material produzido na última etapa.


Maiko Rafael Spiess
Sociológo e pesquisador visitante do Departamento de História da Ciência da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/plano-de-aula-sociologia-importancia-professor-739981.shtml

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Darwin e a prática da 'Salami Science' 27 de abril de 2013 | 2h 03



FERNANDO REINACH - O Estado de S.Paulo
Em 1985, ouvi pela primeira vez no Laboratório de Biologia Molecular a expressão "Salami Science". Um de nós estava com uma pilha de trabalhos científicos quando Max Perutz se aproximou. Um jovem disse que estava lendo trabalhos de um famoso cientista dos EUA. Perutz olhou a pilha e murmurou: "Salami Science, espero que não chegue aqui". Mas a praga se espalhou pelo mundo e agora assola a comunidade científica brasileira.
"Salami Science" é a prática de fatiar uma única descoberta, como um salame, para publicá-la no maior número possível de artigos científicos. O cientista aumenta seu currículo e cria a impressão de que é muito produtivo. O leitor é forçado a juntar as fatias para entender o todo. As revistas ficam abarrotadas. E avaliar um cientista fica mais difícil. Apesar disso, a "Salami Science" se espalhou, induzido pela busca obsessiva de um método quantitativo capaz de avaliar a produção acadêmica.
No Laboratório de Biologia Molecular, nossos ídolos eram os cinco prêmios Nobel do prédio. Publicar muitos artigos indicava falta de rigor intelectual. Eles valorizavam a capacidade de criar uma maneira engenhosa para destrinchar um problema importante. Aprendíamos que o objetivo era desvendar os mistérios da natureza. Publicar um artigo era consequência de um trabalho financiado com dinheiro público, servia para comunicar a nova descoberta. O trabalho deveria ser simples, claro e didático. O exemplo a ser seguido eram as duas páginas em que Watson e Crick descreveram a estrutura do DNA. Você se tornaria um cientista de respeito se o esforço de uma vida pudesse ser resumido em uma frase: Ele descobriu... Os três pontinhos teriam de ser uma ou duas palavras: a estrutura do DNA (Watson e Crick), a estrutura das proteínas (Max Perutz), a teoria da Relatividade (Einstein). Sabíamos que poucos chegariam lá, mas o importante era ter certeza de que havíamos gasto a vida atrás de algo importante.
Hoje, nas melhores universidade do Brasil, a conversa entre pós-graduandos e cientistas é outra. A maioria está preocupada com quantos trabalhos publicou no último ano - e onde. Querem saber como serão classificados. "Fulano agora é pesquisador 1B no CNPq. Com 8 trabalhos em revistas de alto impacto no ano passado, não poderia ser diferente." "O departamento de beltrano foi rebaixado para 4 pela Capes. Também, com poucas teses no ano passado e só duas publicações em revistas de baixo impacto..." Não que os olhos dessas pessoas não brilhem quando discutem suas pesquisas, mas o relato de como alguém emplacou um trabalho na Nature causa mais alvoroço que o de uma nova maneira de abordar um problema dito insolúvel.
Essa mudança de cultura ocorreu porque agora os cientistas e suas instituições são avaliados a partir de fórmulas matemáticas que levam em conta três ingredientes, combinados ao gosto do freguês: número de trabalhos publicados, quantas vezes esses trabalhos foram citados na literatura e qualidade das revistas (medida pela quantidade de citações a trabalhos publicados na revista). Você estranhou a ausência de palavras como qualidade, criatividade e originalidade? Se conversar com um burocrata da ciência, ele tentará te explicar como esses índices englobam de maneira objetiva conceitos tão subjetivos. E não adianta argumentar que Einstein, Crick e Perutz teriam sido excluídos por esses critérios. No fundo, essas pessoas acreditam que cientistas desse calibre não podem surgir no Brasil. O resultado é que em algumas pós-graduações da USP o credenciamento de orientadores depende unicamente do total de trabalhos publicados, em outras o pré-requisito para uma tese ser defendida é que um ou mais trabalhos tenham sido aceitos para publicação.
Não há dúvida de que métodos quantitativos são úteis para avaliar um cientista, mas usá-los de modo exclusivo, abdicando da capacidade subjetiva de identificar pessoas talentosas, criativas ou simplesmente geniais, é caminho seguro para excluir da carreira científica as poucas pessoas que realmente podem fazer descobertas importantes. Essa atitude isenta os responsáveis de tomar e defender decisões. É a covardia intelectual escondida por trás de algoritmos matemáticos.
Mas o que Darwin tem a ver com isso? Foi ele que mostrou que uma das características que facilitam a sobrevivência é a capacidade de se adaptar aos ambientes. E os cientistas são animais como qualquer outro ser humano. Se a regra exige aumentar o número de trabalhos publicados, vou praticar "Salami Science". É necessário ser muito citado? Sem problema, minhas fatias de salame vão citar umas às outras e vou pedir a amigos que me citem. Em troca, garanto que vou citá-los. As revistas precisam de muitas citações? Basta pedir aos autores que citem artigos da própria revista. E, aos poucos, o objetivo da ciência deixa de ser entender a natureza e passa a ser publicar e ser citado. Se o trabalho é medíocre ou genial, pouco importa. Mas a ciência brasileira vai bem, o número de mestres aumenta, o de trabalhos cresce, assim como as citações. E a cada dia ficamos mais longe de ter cientistas que possam ser descritos em uma única frase: Ele descobriu...


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O Brasil pintado de rosa 28 de abril de 2013 | 2h 07


O Estado de S.Paulo
Com produção em alta, inflação em queda, finanças públicas em ordem e contas externas bem sólidas, o Brasil vai bem, no mundo imaginário do Ministério da Fazenda, retratado na edição de março do boletim Economia Brasileira em Perspectiva. Nesse universo de fantasia, o único fator de perturbação é a crise internacional.
Sem ela, a situação do País seria ainda mais brilhante. Mas essa história feliz se desfaz quando se examinam com alguma atenção os números divulgados pelas próprias fontes oficiais. Exemplo: com um buraco de US$ 67 bilhões, o Brasil exibiu nos 12 meses terminados em março o pior resultado das contas externas desde 2002. O rombo acumulado nas transações correntes com o exterior chegou a 2,93% do PIB. As transações correntes englobam a balança comercial, a conta de serviços e as transferências unilaterais. No boletim da vida cor-de-rosa, os resultados são "estáveis" e facilmente financiáveis com investimentos estrangeiros diretos.
Os fatos desmentiram essa última afirmação nos 12 meses terminados em março, quando aqueles investimentos somaram US$ 63,6 bilhões. Foi necessário, portanto, completar com outros recursos, provavelmente mais especulativos, a cobertura do buraco.
A realidade conflita com a avaliação do Ministério da Fazenda em muitos outros pontos. O comércio vai mal, as importações têm crescido bem mais que as exportações e o País continua muito dependente das exportações de commodities para a China e outros mercados emergentes - uma tendência resultante dos erros cometidos pela diplomacia comercial petista a partir de 2003.
No mundo imaginário do Ministério da Fazenda, a economia brasileira retomou com firmeza o crescimento, depois de dois anos de fiasco. O fracasso de 2011 e 2012 é atribuído, naturalmente, às más condições internacionais. Como de costume, evita-se um tema delicado e incômodo: o desempenho muito melhor de outras economias em desenvolvimento. A nova fase de prosperidade brasileira, segundo o boletim, será sustentada por investimentos crescentes. Em 2012, o governo e o setor privado investiram o equivalente a 18,1% do PIB. A proporção havia chegado a 19,5% em 2010.
Para 2013 o Ministério projeta um número maior que o de 2012, sem bater, no entanto, em 20% do valor do produto interno. A projeção indica uma trajetória de alta contínua até 24% do PIB em 2018. Nesse momento, o País estará investindo, talvez, o necessário para um crescimento sustentável de uns 5% ao ano ou pouco mais. A aplicação de recursos em máquinas, equipamentos, construções privadas e infraestrutura continuará, portanto, muito abaixo do volume necessário por vários anos. Isso é uma confissão de impotência feita com palavras de otimismo e de confiança.
A embromação fica mais evidente quando se apresentam detalhes das grandes vitórias da política econômica. Segundo o relatório, já se aplicaram R$ 328,2 bilhões nos projetos do PAC 2, tendo sido concluídos 46,4% das ações previstas. Como de costume, a realização mais vistosa foi a destinação de dinheiro ao programa Minha Casa, Minha Vida - R$ 188,1 bilhões, ou 57,3% do total empregado.
Estimular a construção habitacional pode ser muito bom, mas investimentos planejados para aumentar a produtividade e a competitividade da economia nacional pertencem a categorias muito diferentes. Em energia, por exemplo, foram gastos apenas R$ 108,1 bilhões. Em transportes, míseros R$ 27,7 bilhões, apenas 8,4% dos R$ 328,2 bilhões aplicados no PAC 2. Nada mais natural, portanto, que as dificuldades para levar aos portos a soja destinada à exportação.
Quanto às contas públicas, aparecem no boletim como em ótimas condições. Não há uma palavra, é claro, sobre a contabilidade criativa para o fechamento das contas fiscais nem sobre o mal disfarçado endividamento do Tesouro para apoiar os bancos públicos. Muito menos uma palavra sobre o uso desse dinheiro para financiar empresas escolhidas para ser campeãs nacionais nem sobre a quebra de várias dessas favoritas da corte.


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domingo, 28 de abril de 2013

O Santo Nome Religião Música Política Culinária Vegetariana Vídeos Imagens Cultura e Bem Viver: Blog o Santo Nome: Metáfora, O verdadeiro culpado....

O Santo Nome Religião Música Política Culinária Vegetariana Vídeos Imagens Cultura e Bem Viver: Blog o Santo Nome: Metáfora, O verdadeiro culpado....: Blog o Santo Nome: Metáfora, O verdadeiro culpado. Alumas reflexões por João Maria. http://osantonome.blogspot.com.br/2011/11/o-verdad...

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Hora de mudar o ECA 25 de abril de 2013 | 2h 05



José Serra *
Em novembro de 2003 um casal de namorados foi sequestrado por um bando quando acampava num sítio na Grande São Paulo. Felipe, de 19 anos, foi morto com um tiro na nuca no dia seguinte. Liana, de 16, foi estuprada, torturada e assassinada no quinto dia, com 15 facadas.

Um dos bandidos, o Champinha, de 16 anos, foi internado na Fundação Casa, onde poderia passar, no máximo, três anos, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Mas a Justiça, diante de laudos psiquiátricos, não permitiu que ele fosse posto em liberdade quando esse período se encerrou. Em 2007 Champinha conseguiu fugir, mas foi recapturado. Um juiz impediu, porém, que ele fosse transferido para a Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, pois conviveria com detidos adultos, embora, àquela altura, ele já tivesse 20 anos, dois acima do limite da maioridade penal. Mas era impossível interná-lo num dos hospitais públicos, que não dispõem da contenção física necessária para pacientes psiquiátricos perigosos. Preparamos, então - eu era governador -, uma unidade especial de saúde para poder recebê-lo. Hoje, há seis internados nesse local.

Um procurador federal, pasmem, acaba de entrar com ação pedindo o fechamento dessa unidade e a entrega dos internos a hospitais. Imaginem como seria a internação de Champinha e dos outros na ala psiquiátrica de um hospital comum. Na verdade, se prevalecer, a ação do procurador implicará soltar esses internados perigosos, que só teriam de receber acompanhamento ambulatorial.

O episódio ilustra, de modo emblemático, a necessidade de alterar a legislação vigente para dirimir dúvidas e fixar critérios que combinem, com mais clareza, os direitos humanos dos infratores e a segurança da população, que, ainda que alguns se surpreendam, também é um direito humano - e de pessoas que não infringiram lei alguma. A interdição dessas mudanças e até do debate é liderada pelo governo federal e pelas bancadas do PT no Congresso, por oportunismo político e ideológico.

Há outros temas que envolvem o assunto, como a maioridade penal. O artigo 228 da Constituição estabelece que são penalmente inimputáveis os menores de 18 anos, que devem sujeitar-se a legislação especial. Mas a eventual mudança desse artigo é improvável, dadas a politização do assunto, a dificuldade de alterar a Constituição e também do debate sobre se esse ponto é ou não cláusula pétrea, que, portanto, não pode ser objeto de emenda. Há, porém, um caminho mais curto, eficaz e viável para punir os crimes violentos praticados por jovens que têm plena consciência dos seus atos. É a mudança do § 3.º do artigo 121 do ECA, que estabelece que, "em nenhuma hipótese, o período de internação excederá a três anos". Esse trecho da lei permitiu, por exemplo, que fosse posto em liberdade em fevereiro de 2010 um adolescente que integrou o bando que, num carro, arrastou e matou uma criança no Rio, três anos antes. É o que vai acontecer com o rapaz que recentemente matou o estudante Victor Deppman, em São Paulo. O assassino completou 18 anos três dias depois do crime.

Opositores da mudança do prazo máximo de internação consideram meramente "oportunistas" as iniciativas a respeito motivadas por algum crime recente. Nada mais falso: o tema vem sendo debatido no Congresso há 13 anos, a partir de um projeto de lei do deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). Outros parlamentares apensaram propostas, como os líderes do PSDB Jutahy Magalhães (em 2003) e Carlos Sampaio (em 2013). A ex-deputada Rita Camata, a grande relatora (e desde então a maior defensora) do ECA em 1990, apresentou um projeto, dez anos depois, prevendo a ampliação dos prazos de internação nos casos de crimes hediondos e ligados ao tráfico de entorpecentes. Em 2003 o governador Geraldo Alckmin fez a defesa dessa ampliação, reiterada este ano, quando relançou o debate e encaminhou proposta, por meio de Sampaio. Em fevereiro de 2007, quando governador, publiquei artigo na Folha de S.Paulo defendendo a proposta de ampliação do prazo máximo para dez anos, preparada pelo então secretário de Justiça, Luiz Marrey. Acolhida pelos governadores do Sudeste, foi por eles logo apresentada aos presidentes da Câmara e do Senado.

Outro argumento contrário à alteração do ECA enfatiza que os jovens que cometeram crimes hediondos são minoria entre os infratores. E daí? A morte de apenas uma pessoa, já se disse, nos diminui. O assassinato nos ofende. E a garantia da impunidade, por força da lei, nos humilha. Ora, leis contra o crime punem mesmo é a minoria criminosa, ou seria impossível viver em sociedade. A punição dos que violam o pacto democrático é condição necessária para que o comportamento indesejável não se multiplique.

Diz-se ainda que só políticas sociais oferecem uma resposta adequada. Trata-se de preconceito inaceitável contra os pobres. Qual é a inferência? Que sua condição social os predispõe à violência? Mais ainda, vamos dizer às pessoas que aceitem, estoicamente, a morte violenta de seus filhos, maridos, mulheres e namorados enquanto não alcançamos uma sociedade desenvolvida e igualitária?

É natural e saudável que a comoção causada por eventos trágicos nos leve a refletir e cobrar providências, evidenciando a omissão do governo federal e a resistência dos petistas em fazer o óbvio. Políticas sociais, educacionais e de juventude são urgentes, mas não bastam para impedir a violência. A questão deve ser tratada com racionalidade e responsabilidade. Os brasileiros não podem ser reféns - e vítimas passivas - de disputas de caráter ideológico. A população não quer saber de dogmas ou se uma ideia é rotulada como "de esquerda" ou "de direita". Quer o combate à violência escandalosa que há no País. Criar uma oposição entre a segurança pública e a defesa dos direitos humanos é uma trapaça intelectual. Se o governo resiste, o Congresso tem de se lembrar que é ele, por excelência, o Poder que representa a vontade do povo.
* José Serra é ex-governador e ex-prefeito de São Paulo.



http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,hora-de-mudar-o-eca,1025245,0.htm

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sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Que é Sociologia: Resenha do livro.



INTRODUÇÃO
O autor Carlos Benedito Martins em seu livro O Que é Sociologia procura demonstrar de forma geral e objetiva o contexto histórico no qual se fez possível o surgimento, a formação e o desenvolvimento da sociologia.
Procura em linhas gerais demonstrar que a sociologia, como ciência tensa e contraditória, sempre deu margem para diversas interpretações. Para algumas pessoas ela é uma poderosa arma a serviço da classe dominante , para outros serve de embasamento teórico para os movimentos revolucionários , como , por exemplo , o marxismo.
O livro procura tratar a sociologia como sendo resultado da compreensão de situações sociais novas provocadas pela sociedade capitalista. Porém adverte que a sociologia sempre foi algo maior que reflexões e teorias acerca da sociedade moderna. Esta ciência sempre teve aspirações e intenções práticas , desejando interferir nos rumos de nossa civilização.
A sociedade capitalista e os discrepantes interesses econômicos e políticos que a constituem sempre foram inspiração na formação do pensamento sociológico.
Portanto o autor procura discutir e analisar , até que ponto a sociologia se compromete nos embates de tal sociedade e em que medida seus conceitos e teorias são responsáveis em manter ou alterar as relações de poder e dominação existentes na sociedade.

O SURGIMENTO
A sociologia pode ser entendida como uma manifestação do pensamento moderno. O mundo social, que até então não havia sido incorporado a ciência, passa com a evolução do pensamento científico ser enfocado e estudado pela sociologia.
O surgimento de tal ciência se dá em um contexto histórico específico, que coincide com esfacelamento das bases da sociedade feudal e com o estabelecimento de uma nova ordem social , ou seja , a consolidação da sociedade capitalista. Nesse contexto , vários pensadores se empenham em compreender e analisar as novas situações vigentes em tal sociedade.
O século XVIII foi referencia para a história do pensamento social e para o surgimento da sociologia.
Este século foi testemunha de uma dupla revolução, a industrial e a francesa, que consistem na instalação da sociedade capitalista. As revoluções constituem dois lados de um mesmo processo e possibilitam o surgimento da sociologia, embora, essa palavra só venha ser usada um século depois, em 1930.
A revolução industrial representou a vitória da indústria capitalista que converteu grandes massas humanas em simples trabalhadores desprovidos de quaisquer privilégios.
Foram introduzidas novas formas de organizar as atividades sociais, houve um generalizado trauma sobre milhões de seres humanos que tiveram suas formas habituais de vida. Como exemplos das mudanças ocorridas, o autor sita a desaparição de pequenos proprietários rurais, dos artesãos independentes, a imposição de prolongadas horas de trabalho, etc.
O surgimento do proletariado foi sem dúvida um dos fatos de maior importância, principalmente o papel histórico que ele desempenharia na sociedade capitalista.
A sociedade se tornara em “problema” em “objeto” a ser investigado. Devido a profundidades das transformações a sociedade se colocara num plano de análise. Os pensadores ingleses que testemunharam estas mudanças não eram especificamente sociólogos, eram antes de tudo homens liberais conservadores e socialistas.
Tal fato significa que os precursores da sociologia foram recrutados entre militantes políticos,entre indivíduos que participavam e se envolviam profundamente com os problemas da sociedade.Podem ser citados como tais pensadores Owen (1771-1858) Willian Thompson (1775-1833), Jeremy Bentham (1748-1832).
A sociologia constitui em certa medida uma resposta intelectual às novas situações colocadas pela revolução industrial. É a formação de uma estrutura social muito específica – a sociedade capitalista – que impulsiona uma reflexão sobre a sociedade, sobre suas transformações, suas crises, seus antagonismos de classe.
O surgimento da sociologia como se pode perceber, prende-se em parte aos abalos provocados pela revolução industrial, pelas novas condições de existência por ela criada.
Quanto à revolução francesa de 1789 , seu objetivo não era simplesmente o de mudar a estrutura do Estado, mas abolir radicalmente as convenções e instituições tradicionais. Promoveu profundas inovações na política , na economia, na cultura , rompeu com costumes e hábitos arraigados na sociedade.
Durkheim, um dos fundadores da sociologia, afirmou certa vez que a partir do momento em que “a tempestade revolucionária passou, constituiu-se como que por encanto a noção de ciência social”. Durkheim,ao discutir a formação da sociologia na França do século XIX, refere-se a Saint-Simon. Depois o próprio Durkheim diz que essa ciência surge com interesses práticos e não como que por encanto “como antes afirmara”.
A recente ciência tinha como tarefa intelectual repensar o problema de ordem social, enfatizando a importância de instituições como a autoridade, a família, a hierarquia social, destacando a sua importância teórica para o estudo da sociedade.
Para Comte, um dos fundadores da sociologia, esta deveria orientar-se no sentido de conhecer e estabelecer aquilo que ele denominava, as leis imutáveis da vida social, abstendo-se de qualquer discussão sobre a realidade existente, deixando de abordar, a questão da igualdade, da justiça, da liberdade.
A oficialização da sociologia foi em grande parte , mérito do positivismo, e assim constituída , procurará construir uma teoria intelectual do novo regime. Esta sociologia de inspiração positivista, procurará construir uma teoria social separada não apenas da filosofia negativa, mas também da economia política como base para o conhecimento da realidade social. Separando a filosofia e a economia política, isolando-as do estudo da sociedade, esta sociologia procura criar um objeto autônomo, “o social”, postulando uma independência dos fenômenos sociais em face dos econômicos.
A sociedade positivista não colocará em questão os fundamentos da sociedade capitalista e nem será nela que o proletariado encontrará a sua expressão teórica e a orientação para suas lutas práticas.
É no pensamento socialista que mais tarde o proletariado buscará embasamento e respaldo para por em prática suas lutas na sociedade de classes. A partir desse momento a sociologia vincula-se ao socialismo e a nova teoria crítica da sociedade passa a estar ao lado dos interesses da classe trabalhadora.
A sociologia sempre foi mais que uma mera tentativa de reflexão sobre a moderna sociedade. Suas explicações sempre contiveram intenções práticas, um desejo de interferir no rumo desta civilização, tanto para manter, como para alterar os fundamentos da sociedade que a impulsionaram e a tornaram possível.

A FORMAÇÃO
No final do século passado o matemático francês Henri Poicaré referiu-se à sociologia como sendo uma ciência de muitos métodos e poucos resultados. Ao que parece , nos dias de hoje poucas pessoas colocam em dúvida os resultados alcançados pela sociologia.
A divisão causada pelos antagonismos de classe provocam o desentendimento, comum por parte dos sociólogos quanto a sua ciência. A existência de interesses opostos na sociedade capitalista penetrou e invadiu a formação da sociologia. Diversos entendimentos sobre o objeto deu origem a diferentes tradições sociológicas.
O autor deixa bem claro que não se deve esquecer que a sociologia surgiu num momento de grande expansão do capitalismo.
Uma das tradições sociológicas que se comprometeu com a defesa da ordem instalada pelo capitalismo, encontrou no pensamento conservador uma rica fonte de inspiração para formular seus principais conceitos explicativos da realidade.
O ponto de partida dos conservadores foi o impacto da Revolução Francesa que julgavam ser um castigo divino à humanidade. Não cansavam de responsabilizar os iluministas e suas idéias como um dos elementos desencadeadores da revolução de 1789.
A revolução de 1789, era na visão dos “profetas do passado”, o último elo dos acontecimentos nefastos iniciados com o Renascimento, a Reforma Protestante e a Era da Razão.
Ao fazer a crítica da modernidade, inaugurada por acontecimentos como a economia industrial, o urbanismo e a Revolução Francesa , os conservadores estavam tecendo uma nova teoria sobre a sociedade , cujas intenções centravam-se no estudo de instituições sociais como a família, a religião, o grupo social e a contribuição delas para a manutenção da ordem social.
Alguns teóricos positivistas como Saint-Simon , Auguste Comte e Emile Durkheim, foram em grande parte influenciados pelas idéias conservadoras “escola retrógrada”.
Estes autores vão se preocupar em rever uma série de idéias dos conservadores, procurando dar a elas uma nova roupagem , para que pudessem defender os propósitos e interesses da classe dominante capitalista.
Encontramos nos trabalhos de Saint-Simon (1760-1825) , como reconheceu Engels os primeiros pensamentos socialistas, que seria germe de futuras idéias do socialismo.
Por outro lado ele é tido como um dos precursores do positivismo . Durkheim afirmava e o considerava o iniciador do positivismo e o verdadeiro pai da sociologia, e não Comte, que geralmente tem merecido tal destaque. Durkheim o considerava o “mais eloqüente dos profetas da burguesia”.
A ciência para ele poderia desempenhar a mesma função de conservação social que a religião tivera no período feudal. A ciência da sociedade era vital para o estabelecimento da nova ordem social. Várias de suas idéias foram retomadas por Auguste Comte (1798-1857).
Os principais estudos de Comte são acerca do estado de “anarquia” e de “desordem” de sua época histórica . A verdadeira sociologia (disciplina auxiliar da ciência), no seu entender , deveria proceder diante da realidade de forma “positiva”.
Em seus trabalhos , sociologia e positivismo aparecem intimamente ligados, uma vez que a criação desta ciência marcaria o triunfo final do positivismo no pensamento humano. O advento da sociologia representava para Comte o coroamento da evolução do conhecimento científico , constituído em várias do saber.
A “física social” ou seja, a sociologia deveria utilizar em suas investigações os mesmos procedimentos das ciências naturais, tais como a observação, a experimentação, a comparação.
O positivismo procurou oferecer uma orientação geral para a formação da sociologia ao estabelecer que ela deveria basicamente proceder em suas pesquisas com o mesmo estado de espírito que dirigia a astronomia ou a física, rumo as suas descobertas. A sociologia deveria tal como as demais ciências , dedicar-se à busca dos acontecimentos constantes e repetitivos da natureza.
Comte considerava como um dos pontos altos de sua sociologia a reconciliação entre “ordem” e “progresso”, pregando a necessidade mútua destes dois elementos para a nova sociedade. Também para Durkheim (1858-1917) a questão da ordem social seria uma preocupação constante.
Durkheim estabeleceu o objetivo de estudo da sociologia e indicou o seu método de investigação. É através dele que a sociologia penetrou a universidade , conferindo a esta disciplina o reconhecimento acadêmico.
Sua obra foi elaborada num período de constantes crises econômicas, que causaram desemprego e miséria entre os trabalhadores,ocasionando o aguçamento das lutas de classes, com os operários passando a utilizar a greve como instrumento de luta e fundando os sindicatos. Não obstante esta situação de conflito, o início do século XX foi de grande progresso científico e econômico.
Durkheim acreditava que a raíz dos problemas de seu tempo não era de natureza econômica , assim como pensavam os socialistas , mas sim uma certa fragilidade da moral da época em orientar adequadamente o comportamento dos indivíduos. Tinha uma visão bastante otimista sobre o nascimento da sociedade industrial e via a divisão do trabalho como uma relação de cooperação e solidariedade entre os homens.
Para Durkheim a anomia era uma demonstração contundente de que a sociedade encontrava-se socialmente debilitada , doente. As freqüentes ondas de suicídios na nascente sociedade industrial foram analisadas por ele como um bom indício de que a sociedade encontrava-se incapaz de exercer controle sobre o comportamento de seus membros.
A sociologia deveria tornar-se uma disciplina independente , pois existia um conjunto de fenômenos na realidade que se distinguia daqueles estudados por outras ciências, não confundindo seu objeto, com a Biologia ou a Psicologia. A sociologia deveria se ocupar , de acordo com ele , com os fatos sociais que se apresentam aos indivíduos como exteriores e coercitivos. O que ele desejava salientar com isso é que um indivíduo, ao nascer , já encontra pronta e constituída a sociedade. Assim , o direito , os costumes , as crenças religiosas , o sistema financeiro foram criados não por ele , mas pelas gerações passadas , sendo transmitidos às novas gerações através do processo de educação.
A função da sociologia era de detectar e buscar soluções para os “problemas sociais”, restaurando a “normalidade social” a “saúde” da sociedade e a manutenção da estrutura social.
Sendo a preocupação básica do positivismo foi a manutenção e preservação da ordem capitalista , é o pensamento socialista que procurará realizar uma crítica radical a esse tipo histórico de sociedade , colocando em evidência os seus antagonismos e contradições.
O aparecimento do proletariado como sendo parte integrante de uma classe revolucionária na sociedade , cria condições para o surgimento de uma nova teoria crítica da sociedade.
A formação teórica do socialismo marxista é composta por uma complexa operação intelectual , na qual são assimiladas de maneira crítica as três principais correntes do pensamento europeu do século passado , ou seja , o socialismo , a dialética e a economia política.
O socialismo pré-marxista também denominado “socialismo utópico” , constituía portanto uma clara reação à nova realidade implantada pelo capitalismo, principalmente quanto às relações de exploração. Marx e Engels , ao tomarem contato , com a literatura socialista da época , assinalaram as brilhantes idéias de seus antecessores . No entanto , não deixaram de elaborar algumas críticas a esse socialismo , a fim de dar-lhes maior consistência teórica e efetividade prática.
Esse tipo de socialismo possuía relação com o estágio de relação com o desenvolvimento do capitalismo da época , uma vez que as contradições entre burguesia e proletariado não estavam amadurecidos , era um socialismo apocalíptico.
Os “utópicos” atuavam como representantes dos interesses da humanidade , não reconhecendo em nenhuma classe social o instrumento para a concretização de suas idéias. Era necessária uma análise histórica da sociedade capitalista esclarecendo suas leis de funcionamento e destacando os agentes capazes de transforma-la.
Ao tomarem contato com a dialética hegeliana , eles ressaltam o seu caráter revolucionário , uma vez que o método de análise de Hegel sugeria que tudo o que existia , devido às suas contradições , tendia a extinguir-se . A crítica que eles faziam à dialética hegeliana se dirigia ao seu caráter idealista . O idealismo hegeliano postulava que o pensamento ou o espírito criava a realidade. Para ele , as idéias possuíam independência diante de objetos da realidade , acreditando que os fenômenos existentes eram projeções do pensamento.
A teoria social que surgiu da inspiração marxista não se limitou a ligar política , filosofia e economia. Ela deu um passo a mais , ao estabelecer uma ligação entre teoria e prática, ciência e interesse de classe. O problema na verdade não era para ele uma simples questão teórica , distante da realidade , uma vez que é no terreno da prática que se deve demonstrar a verdade da teoria. O conhecimento da realidade social deve se converter em um instrumento político , capaz de orientar os grupos e as classes sociais para a transformação da sociedade.
Sem dúvida , foi o socialismo , principalmente o marxista , que despertou a vocação crítica da sociologia , unindo explicação e alteração da sociedade e ligando-a aos movimentos de transformação da ordem existente.
Ao contrário do positivismo , que procurou elaborar uma ciência social supostamente “neutra” e “imparcial” , Marx e vários de seus seguidores deixaram claro a íntima relação entre o conhecimento por eles produzido e os interesses da classe revolucionária existente na sociedade capitalista , o proletariado. Observava Marx , a este respeito , que assim como os economistas clássicos eram os porta-vozes dos interesses da burguesia , os socialistas e os comunistas constituíam, por sua vez os representantes da classe operária. Ao contrário da sociologia positivista , que via na crescente divisão do trabalho na sociedade moderna uma fonte de solidariedade entre os homens , Marx a apontava como uma das formas pelas quais se realizavam as relações de exploração , antagonismo e alienação.
Contrariamente à sociologia positivista , que concebia a sociedade como um fenômeno “mais importante” que os indivíduos que a integram , submetendo e dominando a sociedade , nessa perspectiva era concebida como obra e atividade do próprio homem. São os indivíduos que vivendo e trabalhando , a modificam.
Mas acrescentavam , os indivíduos não a modificavam a seu bel-prazer , mas a partir de certas condições históricas existentes.
A sociologia encontrou na teoria social elaborada por Marx e Engels um rico legado de temas para posteriores pesquisas. Forneceram uma importante contribuição para a análise da ideologia, para a compreensão das relações entre as classes sociais , para o entendimento da natureza e das funções do Estado ,para a questão da alienação. De considerável valor , deve ser destacado o legado que deixaram às ciências sócias , ou seja , a aplicação do materialismo dialético ao estudo dos fenômenos sociais.
A sociologia encontrou também , nessa vertente de pensamento , inspiração para se tornar um empreendimento crítico e militante , desmistificador da civilização burguesa , e também um compromisso com a construção de uma ordem social na qual fossem eliminadas as relações de exploração entre as classes.
Max Weber foi o responsável a conferir a sociologia à reputação científica (1864-1920). Estabeleceu uma clara distinção entre o conhecimento científico ,fruto de cuidadosa investigação , e os julgamentos de valor sobre a realidade.
A busca de uma neutralidade científica levou Weber a estabelecer uma rigorosa fronteira entre o cientista , homem do saber , das análises frias e penetrantes , o político , o homem de ação e de decisão comprometida com as questões práticas da vida. O que a ciência tem a oferecer a esse homem de ação, segundo Weber , é um entendimento claro de sua conduta , das motivações e das conseqüências de seus atos . no entanto , julgava ser o cientista também um cidadão , e poderia ele assumir posições apaixonadas em face dos problemas econômicos e políticos , mas jamais deveria defendê-los a partir de sua atividade profissional.
A idéia de uma ciência social neutra seria um argumento útil e fascinante para aqueles que viviam e iriam viver da sociologia como profissão.
A formação da sociologia desenvolvida por Weber é influenciada enormemente pelo contexto intelectual alemão de sua época. Incorporou em seus trabalhos algumas idéias de Kant , como a de que todo ser humano é dotado de capacidade e vontade para assumir uma posição consciente diante do mundo. Compartilhava com Nietzche uma visão pessimista e melancólica dos tempos modernos. Com Sombart possuía a preocupação de desvendar as origens do capitalismo. Em Heidelberg , em cuja universidade foi catedrático entre os anos de 1906 e 1910 , entrou em contato com Troeltsch , estudioso da religião , que já havia evidenciado a ligação entre a teologia calvinista e a moral capitalista.
Weber recebia forte influência do pensamento marxista , mas para ele não possuía fundamento admitir o princípio de que a economia dominasse as demais esferas da realidade social.
A sociologia por ele desenvolvida considerava o indivíduo e a sua ação como ponto chave da investigação. Com isso , ele queria salientar que o verdadeiro ponto de partida da sociologia era a compreensão da ação dos indivíduos e não a análise das “instituições sociais” ou dos “grupos sociais” , tão enfatizadas pelo pensamento conservador.
Rejeitava a proposta do positivismo de transferir para a sociologia a metodologia de investigação utilizada pelas ciências naturais. Não havia , para ele , fundamento para esta proposta , uma vez que o sociólogo não trabalha sobre uma matéria inerte , como os cientistas naturais.
A obra de Weber representou uma inegável contribuição à pesquisa sociológica , abrangendo os mais variados temas , como o direito , a economia , a história , a religião , a política , a arte e a música. Seus trabalhos sobre a burocracia tornaram-no um dos grandes analistas desse fenômeno. Foi um dos precursores da pesquisa empírica na sociologia , efetuando investigações sobre os trabalhadores rurais alemães.
A análise da religião ocupou lugar central nas preocupações e nos trabalhos de Weber. Ao estudar os fenômenos da vida religiosa , desejava compreender a sua influência sobre a conduta econômica dos indivíduos. Com esse propósito , realizou investigações sobre as grandes religiões da Índia , da China , etc. O seu trabalho “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, publicado em 1905 , ficaria particularmente famoso nessa área de estudo.
Tinha ele a intenção de examinar as implicações das orientações religiosas na conduta econômica dos indivíduos , procurando avaliar a contribuição da ética protestante, especialmente a calvinista , na promoção do moderno sistema econômico.

O DESENVOLVIMENTO
O desenvolvimento desta ciência tem como pano de fundo a existência de uma burguesia que se distanciara de seu projeto de igualdade e fraternidade , e que , crescentemente , se comportava no plano político de forma menos liberal e mais conservadora, utilizando os seus aparatos repressivos e ideológicos para assegurar a sua dominação.
A profunda crise em que mergulhou a civilização capitalista em nosso tempo não poderia deixar de provocar sensíveis repercussões no pensamento sociológico contemporâneo.
As ciências sociais , de modo geral , passaram a ser utilizadas para produzir um conhecimento útil e necessário à dominação vigente.
A antropologia , a ciência econômica , a ciência política e também a sociologia em boa medida passaram a ser empregadas como técnica de manutenção das relações dominantes.
O sociólogo de nosso tempo passou a desenvolver o seu trabalho , via de regra , em complexas organizações privadas ou estatais que financiam suas atividades e estabelecem os objetivos e as finalidades da produção do conhecimento sociológico.
Torno-se para o sociólogo extremamente difícil , produzir um conhecimento que possua uma autonomia crítica e uma criatividade intelectual.
Algumas tendências críticas da sociologia , principalmente as que receberam a influência do pensamento socialista , continuaram a orientar os objetivos e as pesquisas de diversos sociólogos.
Na verdade , a absorção do sociólogo moderno na luta pela manutenção das relações de dominação foi o que acarretou a burocratização e a domesticação do seu trabalho. Tal fato é um acontecimento recente , que pode ser datado a partir da Segunda Guerra Mundial.
Durante esse período , vários estudiosos buscaram formular e classificar os diferentes tipos de relações sociais que ocorrem em todas as sociedades , independente do tempo e lugar. Tais estudiosos como Pareto , Von Wiese e Roos proporcionaram a elaboração de vários conceitos fundamentais da sociologia.
As investigações de campo , realizadas nos E.U.A depois da Primeira Guerra Mundial , desenvolvidos principalmente pela Universidade de Chicago , possibilitaram grande avanço no levantamento de dados empíricos. Durante a década de 30 , a história da sociologia americana se confunde com as atividades de pesquisa realizadas pelo Departamento de Sociologia daquela Universidade.
Os sociólogos de Chicago concentraram-se no estudo dos novos estilos de vida que surgem na corrida de uma urbanização.
Um trabalho que ficou muito conhecido na sociologia, “The Polish Peasent in Europe and América” , foi elaborado por um dos pesquisadores desta “Escola de Chicago” , William Thomas , com a co-autoria de Znaniecki.
Juntamente com Thomas , o pesquisador Robert Park foi outra peça fundamental no desenvolvimento da pesquisa de campo na sociologia. Foram responsáveis também pela formação de uma atuante geração de sociólogos.
Embora as três primeiras décadas desse século tenham sido um período de grande progresso par a afirmação e sistematização da sociologia , possuíam algumas limitações. As pesquisas realizadas segundo a orientação durkheimiana , sem dúvida ricas em material empírico e teoricamente sugestivas , relegaram decididamente a segundo plano as classes sociais como elemento explicativo dos fenômenos sociais.
O desenvolvimento da sociologia na segunda metade do nosso século foi profundamente afetado pela eclosão das duas guerras mundiais. Tal fato não poderia deixar de quebrar a continuidade dos trabalhos que vinham sendo efetuados , interrompendo drasticamente o intercâmbio de conhecimentos entre as nações
A implantação de regimes totalitários em alguns países europeus , gerou intolerância para com a liberdade de investigação , e levou à perseguição de intelectuais e cientistas.
A emigração de um número considerável de pesquisadores para a Inglaterra e Estados Unidos representou um duro golpe na consolidação da sociologia em alguns países europeus.
O amadurecimento das forças econômicas e militares por parte dos Estados Unidos, e a derrota e destruição de seus rivais na guerra , possibilitaram sua emergência como grande potência do mundo capitalista.
A sociologia , a partir dos anos cinqüenta , seria arrastada e envolvida na luta pela contenção da expansão do socialismo , pela neutralização dos movimentos de libertação das nações subjugadas pelas potências imperialistas e pela manutenção da dependência econômica e financeira destes países em face dos centros metropolitanos.
Durante a grande Depressão , a sociologia americana procurou fundamentar teoricamente uma posição antimarxista. Um grupo de professores e pesquisadores de Harvard , entrou em contato com a sociologia acadêmica européia , pois considerava que vários pensadores europeus haviam formulado uma convincente defesa contra o marxismo , fenômeno que os sociólogos europeus conheciam de perto.
O desenvolvimento empírico que a sociologia americana experimentou teve na “Escola de Chicago” um marco de referência a esse respeito. Os estudo de campo que vários sociólogos realizaram segundo a orientação empirista , constituíram em boa medida um conjunto de fatos isolados, destituídos de visão histórica.
O capítulo anterior mostrou como Weber , Marx , Durckheim , e outros buscaram trabalhar as questões que possuíam uma significação histórica , enfocando ,por exemplo , a formação do capitalismo. Os novos estudiosos empíricos , abandonaram essa disposição de trabalhar com problemas históricos que possibilitassem uma compreensão da totalidade da vida social , concentrando-se em aspectos irrelevantes.
É nesse contexto que surge a figura do sociólogo profissional , adotando uma atitude científica “neutra” e “objetiva”. A profissionalização da sociologia , orientada para legitimar os interesses dominantes , constituiu campo fértil para uma classe média intelectualizada ascender socialmente.
O método de investigação funcionalista , que durante os últimos trinta anos dominou uma parte considerável do pensamento teórico na sociologia em diversos países, constituía uma outra dimensão importante na guinada desta disciplina rumo a posturas conservadoras.
As diferentes matizes do método funcionalista preservaram essa preocupação com a elucidação das condições de funcionamento e de continuidade dos sistemas sociais.
Por mais que os sociólogos procurem corrigir os excessos do funcionalismo e defende-lo das persistentes acusações de ser ele uma ideologia conservadora , os trabalhos orientados por esta abordagem ao que tudo indica , jamais colocaram em questão a validade da ordem estabelecida , tomando implicitamente uma posição francamente favorável à sua preservação e aperfeiçoamento.
Vários sociólogos têm manifestado uma posição de crítica e questionamento à produção de uma sociologia comprometida com a preservação da ordem , em nível de suas técnicas e métodos de investigação , ou em nível da prática profissional.
Ao lado de uma sociologia que trabalhou a serviço do poder , não se pode deixar de mencionar as importantes contribuições deixadas por uma sociologia orientada por uma perspectiva crítica. Em boa medida , esta sociologia tem permitido compreender a sociedade capitalista atual , suas políticas de dominação e seus processos históricos que buscam alterar a sua ordem existente.
A sociologia encontrou sua vocação crítica na tradição do pensamento socialista , que tem analisado a sociedade capitalista como sendo um acontecimento histórico transitório e passageiro.
Vários teóricos do marxismo contemporâneo , sem negar a importância dos fatores econômicos na explicação da vida social , procuraram investigar com maiores detalhes o papel das ideologias na manutenção da dominação burguesa.
Nos vários países que formaram a periferia do sistema capitalista , produz-se uma sociologia questionadora da ordem , principalmente da dominação imperialista a que estes povos estão submetidos. Algum questionamento mais severo tem partido dos sociólogos da periferia do sistema capitalista , inconformados com a situação histórica de seus povos e com os rumo que a sociologia tomou em diversas sociedades.
A função do sociólogo de nossos dias deve ser a de libertar a sociologia das amarras do poder burguês e torna-la um instrumento de transformação social.

CONCLUSÃO
O livro O que é sociologia traz para os interessados em tal assunto , preciosas informações onde o leitor poderá encontrar de maneira clara , reflexões sobre o papel da sociologia como ciência dos fenômenos sociais.
O autor , consegue de forma genérica e envolvente elucidar que a sociologia , mais do que elaborar reflexões sobre a sociedade moderna , procura de forma prática interferir nas decisões políticas e sociais.
Demonstra em suas considerações que os clássicos da sociologia , independente de suas filiações ideológicas , procuram explicar as grandes transformações pelas quais a sociedade européia passou durante determinado período da história , principalmente pela formação e desenvolvimento do capitalismo.
A conclusão a que chega Carlos Benedito Martins , é que a função do sociólogo de nossos dias é libertar sua ciência do aprisionamento imposto pela burguesia , e transformar a sociologia em um instrumento de transformação social. O sociólogo deve estar ao lado dos interesses daqueles que estão expropriados cultural e materialmente , procurando junto a eles construir uma sociedade mais igualitária e justa.

BIBLIOGRAFIA
MARTINS,Carlos Benedito.O que é sociologia.São Paulo:editora brasiliense.34ª edição.1993
Autor: Antonio Alves da Fonseca Filho

fonte http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/resenha-livro-que-sociologia/

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Resumo-O que é Sociologia


SOCIOLOGIA - RESUMO


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