sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A República, de Platão- Análise da obra




No século IV a.C., em data imprecisa, surgiu em Atenas a primeira concepção de sociedade perfeita que se conhece. Tratou-se do diálogo A República (Politéia), escrito por Platão, o mais brilhante e conhecido discípulo de Sócrates. As idéias expostas por ele - o sonho de uma vida harmônica, fraterna, que dominasse para sempre o caos da realidade - servirão, ao longo dos tempos, como a matriz inspiradora de todas utopias aparecidas e da maioria dos movimentos de reforma social que desde então a humanidade conheceu.

Essa é a obra mais importante de Platão. Nela ele expõe suas principais idéias. Ali está descrito o
Mito da Caverna, o que é um filósofo e como é uma sociedade justa entre outras idéias.

Em
A República, Platão idealiza uma cidade, na qual dirigentes e guardiães representam a encarnação da pura racionalidade.  Neles encontra discípulos dóceis, capazes de compreender todas as renúncias que a razão lhes impõe, mesmo quando duras.  O egoísmo está superado e as paixões, controladas. Os interesses pessoais se casam com os da totalidade social, e o príncipe filósofo é a tipificação perfeita do demiurgo terreno.  Apesar de tudo isso e desse ideal de Bem comum, Platão parece reconhecer o caráter utópico desse projeto político, no final do livro IX de A República.

Tendo em vista esse ideal, o trabalho manual continuava não valorizado no âmbito da cidade-estado.  A classe dos trabalhadores não era classe cidadã, pois não lhes sobrava tempo para a contemplação teórica da verdade e para a práxis política.  Para Platão, o ideal humano se realizava na figura do cidadão filósofo, livre das incumbências da sobrevivência, constituindo um ideal altamente elitista.


Para além de todas as utopias da sua república ideal, da figura dos reis filósofos, devemos apreciar o ideal ético de Estado e o esforço de Platão para desvendar os vínculos que ligam os destinos das pessoas ao destino da cidade.


A República
começa com um sofista, Trasímaco, declarando que a força é um direito, e que a justiça é o interesse do mais forte. As formas de governo fazem leis visando seus interesses, e determinam assim o que é justo, punindo como injusto aquele que transgredir suas regras. Para responder a pergunta "Como seria uma cidade justa?" , Sócrates começa a dialogar, principalmente com Gláucon e Adimanto. Platão salienta que a justiça é uma relação entre indivíduos, e depende da organização social. Mais tarde fala que justiça é fazer aquilo que nos compete, de acordo com a nossa função. A justiça seria simples se os homens fossem simples. Os homens viveriam produzindo de acordo com as suas necessidades, trabalhando muito e sendo vegetarianos, tudo sem luxo. Para implantar seu sistema de governo, Platão imagina que deve-se começar da estaca zero. O primeiro passo seria tirar os filhos das suas mães. Platão repudiava o modo de vida com a promiscuidade social, ganância, a mente que a riqueza, o luxo e os excessos moldam, típicos dos homens ricos de Atenas. Nunca se contentavam com o que tinham, e desejavam as coisas dos terceiros. Assim resultava a invasão de um grupo para o outro e vinha a guerra.

Platão achava um absurdo que homens com mais votos pudessem assumir cargos da mais alta importância, pois nem sempre o mais votado é o melhor preparado. Era preciso criar um método para impedir que a corrupção e a incompetência tomassem conta do poder público, Mas atrás desses problemas estava a
psyche humana, como havia identificado Sócrates, Para Platão o conhecimento humano vêm de três fontes principais: o desejo, a emoção, e o conhecimento, que fluem do baixo ventre, coração e cabeça, respectivamente. Essas fontes seriam forças presentes em diferentes graus de distribuição nos indivíduos. Elas se dosariam umas às outras, e num homem apto a governar, estariam em equilíbrio, com a cabeça liderando continuamente. Para isso, é preciso uma longa preparação e muita sabedoria. O mais indicado, para Platão, é o filósofo: "enquanto os filósofos deste mundo não tiverem o espírito e o poder da filosofia, a sabedoria e a liderança não se encontrarão no mesmo homem, e as cidades sofrerão os males".

Para começar essa sociedade ideal, como dissemos, deve-se tirar os filhos dos pais, para protegê-los dos maus hábitos. Nos primeiros dez anos, a educação será predominantemente física. A medicina serve só para os doentes sedentários das cidades. Não se deve viver para a doença. Para contrabalançar com as atividades físicas, a música. A música aperfeiçoa o espírito, cria um requinte de sentimento e molda o caráter, também restaura a saúde.


Para Platão, a inspiração e a intuição verdadeira não se conseguem quando se está consciente, com a razão. O poder do intelecto está reprimido no sono ou na atenção que aflora com a doença. Ele então critica o controle da lei e da razão à certos instintos que ele chama de ilegais.


Depois dos dezesseis anos, e de misturar a música para lições musicais com a música pura, essas práticas são abandonadas. Assim os membros dessa comunidade teriam uma base psicológica e fisiológica. A base moral será dada pela crença em Deus. O que torna a nação forte seria Ele, pois ele pode dar conforto aos corações aflitos, coragem às almas e incitar e obrigar. Platão admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência, mas fala que ela não faz mal, só bem.


Aos vinte anos, chegará a hora da Grande Eliminação, um teste prático e teórico, Começa a divisão por classes da República. Os que não passarem serão designados para o trabalho econômico. Depois de mais dez anos de educação e treinamento, outro teste. Os que passarem aprenderão o deleite da filosofia. Assim se dedicarão ao estudo da doutrina e do mundo das Idéias.


O mundo das Idéias seria um mundo transcendente, de existência autônoma, que está por trás do mundo sensível. As Idéias são formas puras, modelos perfeitos eternos e imutáveis, paradigmas. O que pertence ao mundo dos sentidos se corrói e se desintegra com a ação do tempo. Mas tudo o que percebemos, todos os itens são formados a partir das Idéias, constituindo cópias imperfeitas desses modelos espirituais. Só podemos atingir a realidade das Idéias, na medida em que pelo processo dialético, nossa mente se afasta do mundo concreto, atravessando com a alma sucessivos graus de abstração, usando sistematicamente o discurso para se chegar à essência do mundo. A dialética é um instrumento de busca da verdade.


Platão acreditava numa alma imortal, que já existia no mundo das Idéias antes de habitar nosso corpo. Assim que passa a habitá-lo esquece das Idéias perfeitas. Então o mundo se apresenta a partir de uma vaga lembrança. A alma quer voltar para o mundo das Idéias. Um dos primeiros críticos de toda essa teoria de Platão foi um de seus alunos da Academia, Aristóteles.


Igualmente conhecida na República é a alegoria da caverna, que ilustra como percebemos apenas parte do mundo, reduzindo-o.


Um grupo de pessoas vive acorrentada numa caverna desde que nasceu, de costas para a entrada. Elas vêem refletida na parede da caverna as sombras do mundo real, pois há uma fogueira queimando além de um muro, depois da entrada. Elas acham que as sombras são tudo o que existe. Um dos habitantes se livra das amarras. Fora da caverna, primeiro ele se acostuma com a luz, depois vê a beleza e a vastidão do mundo, com suas cores e contornos. Ao voltar para a caverna para libertar seus companheiros, acaba sendo assassinado, pois não acreditam nele.


Depois de estudar a filosofia, aqueles que forem considerados aptos irão testar seus conhecimentos no mundo real, onde experimentarão os dissabores da vida, ganhando comida conforma o trabalho, experimentando a crua realidade. Aos cinqüenta anos, os que sobreviveram tornarão-se os governantes do Estado.


Todos terão oportunidades iguais, mas na eliminação serão designados para classes diferentes. Os filósofos-reis não terão nenhum privilégio, tendo só os bens necessários, serão vegetarianos e dormirão no mesmo lugar. A procriação será para fins eugênicos, o sexo não será apenas por prazer. Haverá defensores contra inimigos externos, os guardiões, homens fortes, dedicados à comunidade. Não haverá diferença de oportunidade entre o sexo, sendo cada um designado a fazer uma tarefa de acordo com a sua capacidade.


Platão fala da renuncia do individuo em prol da comunidade, impondo inúmeras condições para a vida. Ele atenta para um problema muito preocupante em nossos dias: a superpopulação. Os homens só poderiam se reproduzir entre os trinta e quarenta e cinco anos, e as mulheres entre os vinte e quarenta anos. Também a legislação de Esparta, que muito inspirou Platão, e a proposta de Aristóteles na Política levam em conta este aspecto. Assim, resumidamente seria o Estado ideal, justo. O próprio Platão fala de dificuldade em se fazem um empreendimento dessa natureza. Um rei ofereceu à ele terras para fazer sua República, ele aceitou, mas o rei ficou sabendo que quem iria governar eram os filósofos e mudou de idéia.


Apesar do título,
A República (em grego: Politéia), Platão nesta obra não tem como ponto principal a reflexão sobre teoria política. Nesta obra, o filósofo lida sobretudo com as questões em torno da paidéia, a formação grega, na tentativa de impor uma orientação filosófica de educação em oposição à paidéia poética então vigente. Outro alvo que tem em vista é a carreira que os sofistas vinham desenvolvendo como educadores que, com sua retórica, preparavam os cidadãos a saberem argumentar nos embates democráticos da ágora. Não tinham, portanto, um compromisso com a verdade - seus argumentos giravam em torno das percepções, opiniões e crenças - a doxa. A república ideal seria mais um resultado da paidéia filosófica que  Platão tenta fundamentar e propor com seus argumentos nesta obra do que o tema central da argumentação em si. Apenas um terço dos dez livros de A República, aproximadamente, tratam da organização e fundamentação filosófica da pólis especificamente. O tratamento dado às questões por Platão acaba por se tornar sistematizado por aqueles que adotam sua teoria, a partir do quê o pensamento no ocidente se torna uma sucessão de sistemas teóricos. Isso nos leva a considerá-lo o "pai" da filosofia, ao menos da filosofia enquanto pensamento sistematizado.

Estrutura da obra


A República
pertence, juntamente com o Banquete (Simpósio), o Fédon e o Fedro, à maturidade de Platão. É a obra mais extensa do autor. Foi elaborada ao longo de vários anos, pois nela já estão presentes as idéias mestras de seu sistema: Teoria do Mundo das Idéias (Hiper Urânio); o Filósofo Rei, a imortalidade da alma, etc. Seu estilo, como a maioria das demais obras de Platão, é o diálogo, isto é, um processo de discussão (dialética) através de perguntas e respostas com o escopo de atingir a verdade (VII-534b). Composta por dez livros, inicia-se e termina com a discussão em torno da justiça como virtude maior, na consecução de um “Estado perfeito”.

Seguindo a tradição da didática grega, aqui Platão lançará mão da alegoria (Livro VII) e do mito, com o objetivo de “ir além” daquilo que a razão (logos) pode descrever, sobretudo quando trata de assuntos escatológicos como no Mito de Er (X. 614b-621b).


Personagens


Mencionar as figuras da República é necessário tanto para a compreensão desta obra de Platão, assim como para destacar a importância de outros pensadores que formaram o pensamento filosófico grego.


Sócrates -
Principal figura, na boca do qual Platão coloca seu pensamento. O encontro de Sócrates com os demais personagens se dá no Pireu, onde ele havia se dirigido com a finalidade de orar e constatar as festividades em honra à deusa Bêndis (Diana ou Ártemis) (327a). O local da discussão é a casa de Polemarco, irmão de Lísias e Eutidemos, filhos do velho Céfalo (327b).

Acompanham Sócrates os dois irmãos de Platão, Glauco e Adimanto; também Nicerato que figurará entre os personagens do Banquete. Este era filho do general Nícias que, em 421, celebrou o armistício na guerra do Peloponeso. Nicerato foi condenado a beber cicuta no mesmo período que Sócrates.


Polemarco
- Filho mais velho de Céfalo, herdou deste a fábrica de escudos. À época dos Trinta Tiranos, foi também preso e obrigado a beber cicuta.

Lísias -
Considerado juntamente com Demóstenes, um dos mestres da oratória clássica grega, foi condenado à morte com o irmão Polemarco. Conseguiu escapar e, ao regressar, processou Eratóstenes pela morte do irmão, no célebre sermão Contra Eratóstenes. É nessa obra que descreve a vida de seu pai Céfalo.

Céfalo -
Nasceu em Siracusa – portanto, era meteco -, estabeleceu-se em Atenas e após trinta anos acumulou fortuna com uma fábrica de escudos; foi desapropriado pelos Trinta Tiranos. É Céfalo que convida Sócrates a vir com freqüência em casa para debater com seus filhos (329d).

Trasímaco
- é o famoso sofista. Especialista na dialética, irrita-se com a ironia de Sócrates, no início da discussão sobre a Justiça (336d. 337a). Definirá a justiça como “a conveniência dos mais poderosos” (340b).

Conteúdo


O próprio título da obra, Politéia, pode trazer embaraço quanto ao conteúdo, se não for esclarecido. Traduzida comumente pelo latim República (de respública = coisa pública), politéia indica tudo aquilo que compõe a origem e organização da Polis, as suas leis, o
modus agendi de seus súditos, as formas de governo, etc. Devido a essa abrangência de significados, os temas tratados são os mais variados. Decorre daí a quase impossibilidade de uma resenha completa.

Livro I -
aponta Sócrates obrigado a pernoitar na casa de Polemarco e aí inicia seu diálogo com Céfalo. Primeiro, é Céfalo que o convida a vir mais vezes a ter com os filhos Polemarco, Lísias e Eutidemo. Em tom respeitoso, Sócrates pergunta sobre a velhice, ao qual Céfalo responde sobre as agruras da senectude e, citando Sófocles, indica que o mal não é a velhice em si. Ser velho ou jovem, tudo depende do caráter: “Quando se possui boa índole e mente bem equilibrada, a própria velhice não é algo incompactável. Os que são diversamente constituídos, esses acham a mocidade tão tediosa quanto a velhice”. (329d)

Logo Sócrates conduz o diálogo ao seu objetivo primeiro: definir o que é a justiça (Dikaiosyne), e é Céfalo a dar a primeira definição: “Justiça é dizer a verdade e restituir o que se tomou” (331c). Céfalo se retira do diálogo deixando o posto ao seu filho herdeiro Polemarco. Este define a Justiça como “dar a cada um o que lhe é devido”; Sócrates o retruca com ironia: deve-se restituir algo a alguém que está fora do juízo? Adiante, faz ainda Polemarco afirmar que “a Justiça é favorecer aos amigos e prejudicar os inimigos”, ao que o próprio Sócrates rebate: “Se alguém disser que a Justiça consiste em restituir a cada um aquilo que lhe é devido, e com isso quiser significar que o homem justo deve fazer mal aos inimigos, e bem aos amigos – quem assim falar não é sábio, porquanto não disse a verdade. Efetivamente, em caso algum nos pareceu que fosse justo fazer mal a alguém” (335e).


A esta altura do diálogo, entra em cena o sofista Trasímaco que, após cobrar pela discussão, define a justiça como “o interesse do mais forte”. Algo que depende do interesse de quem governa. Tirando assim, como sofista que era, toda dimensão ética da justiça (338c).


A definição de justiça ocupará ainda os
livros II, III e IV. Sócrates alarga o campo da discussão, não relaciona a justiça com o cidadão, mas a coloca no contexto da cidade. Entram em cena Glauco e Adimanto, irmãos “corajosos” de Platão. Estes tentam demonstrar a bondade intrínseca da virtude (justiça) e não só os seus efeitos. A esta altura, Sócrates estabelece a origem da Polis a partir “do fato de cada um de nós não ser auto-suficiente, mas sim necessitado de muita coisa” (369b). Apontando os profissionais necessários para suprir todas as exigências de uma cidade, descreve como uma cidade minúscula tornar-se-á grande e luxuosa, com a necessidade de classes de cidadãos especializados em seus ofícios. Dá-se início a um dos temas relevantes da República: a educação.

Sócrates fala primeiro do aprimoramento da educação dos soldados que se dará através da “ginástica para o corpo e da música para a alma” (276c), iniciando pela música. Deve-se peneirar as
letras das músicas (poesia, fábulas) porque estas contêm somente parte da verdade e com isso deturpam a alma; portanto, devem sofrer uma censura constante, inclusive a Ilíada (379...), onde atribui-se aos deuses tanto o bem quanto o mal. Este tipo de poesia deverá ser banida da educação dos futuros guardiões (383c). Não só a poesia/música, mas todas as demais artes deverão ser vigiadas. Esta censura constitui parte do livro III.

Livro IV -
Sócrates, dando por fundada a cidade, questiona: “onde poderá estar a justiça, e onde a injustiça, e em que diferem uma da outra” (427d). Para vir à tona o lugar da justiça, enumeram-se as virtudes que uma cidade perfeita deve possuir; estas formam uma “sinfonia”- em primeiro está a sabedoria (Sofia), virtude dos que governam; segue-se a coragem (andréia), que é a virtude dos guerreiros: “É, pois, uma força desta ordem, salvação em todas as circunstâncias de opinião reta e legítima, relativamente às coisas temíveis e às que não o são, que eu chamo coragem e tenho nessa conta, se não tens nada a opor.” (430b) Vem em seguida a temperança (sofrosine). É a virtude de toda a cidade, e não de uma classe específica; consiste na ordenação, no domínio diante dos excessos, é “a concórdia, harmonia entre os naturalmente piores e os naturalmente melhores, sobre a questão de saber quem deve comandar, quer na cidade, quer num indivíduo” (432a). Por último, surge a mais importante das virtudes e causa das demais: a justiça (dikaiosyne). “E esta consiste em que cada um realize a função para a qual a sua natureza for mais adequada” (433 a-b-c-d).

“Lembras-te daquele princípio original em que sempre insistíamos durante a fundação da cidade: o de que um homem deve atender a uma coisa só, isto é, aquilo para que a sua natureza está melhor dotada? Pois a justiça é este princípio... Podemos presumir que, de certo modo, a justiça consiste nisso: em fazer cada qual o que lhe compete... Esta é a causa primeira e condição de existência de todas as outras três virtudes, e que as conserva enquanto nelas subsiste”. (433 a-b-c).


Livro V -
a pedido de Polemarco, Sócrates retoma o tema já mencionado (423 e 424) da “posse comum das mulheres e filhos entre os guardiões” (449d). Preocupado com a purificação da raça (eugenia) e com o adestramento (eutenia), propõe para tal fim, que as mulheres dos guardiões “se revestirão de virtude em vez de roupa” (457a-b), participarão das agruras da guerra em defesa da cidade, praticarão ginástica e música. “Estas mulheres todas serão comuns a todos esses homens, e nenhuma coabitará em particular com nenhum deles; e, por sua vez, os filhos serão comuns, e nem os pais saberão quem são os seus próprios filhos, nem os filhos os pais”. (457d).

Todo esse processo eugênico tem por fim a realização do Estado Ideal, governado por filósofos e guardiões que jamais deverão se distrair de suas principais ocupações. Obstinado em tal propósito, Sócrates chega a excluir qualquer valor ao amor materno ou paterno, antepondo sempre os objetivos do Estado (460-461). Admite-se o aborto e o infanticídio quando ocorrerem concepções fora do estabelecido pelo Estado (461c)


Livro VI -
inicia com a distinção entre “quem é que é filósofo e quem não o é” (484 a): Filósofos, responde Sócrates, são aqueles que são capazes de atingir aquilo que se mantém sempre do mesmo modo, os que não o são se perdem no que é múltiplo e variável (484b). Como as leis e os costumes do Estado devem refletir o eterno, somente os filósofos, capazes de conceber as idéias eternas, devem ser estabelecidos guardiões por serem capazes de guardá-las.

A alma filosófica ao “contemplar a totalidade do tempo e do ser” (486a), colocará a própria vida e a morte em segundo plano e se “apaixonará pelo saber que possa revelar-lhe algo daquela essência que existe sempre, e que não se desvirtua por ação da geração e da corrupção” (485b).


À crítica da inutilidade do filósofo na cidade, Sócrates responde que este é analogamente o médico diante dos doentes e o piloto diante dos marujos.


Livro VII -
tratar-se-á da educação do futuro governo-filósofo. Todas as quatro virtudes (sabedoria, coragem, temperança e justiça) sobre as quais deve ser construído o Estado Ideal, só são conhecidas, úteis e valiosas a partir da idéia de Bem. Assim, a idéia do Bem constitui-se no mais alto saber, ao qual os guardiões devem aspirar e serem conduzidos. É mediante tal idéia que tudo se torna compreensível: “... No limite do cognoscível é que se avista, a custo, a idéia do Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto de justo e belo há; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; e que, no mundo inteligível, é ela senhora da verdade e da inteligência, e que é preciso vê-la para ser sensato na vida particular e pública” (517 a-b-c).

Mas, para que o guardião, futuro filósofo-rei, atinja o Bem, é preciso “sair da caverna e contemplar o Sol”. É no livro VII que está a “alegoria da caverna”, a mais sugestiva imagem da República, que trata dos níveis do conhecimento humano (514-a. 518-b).


Livros VIII e IX
- Sócrates descreve as transformações que as formas de governo podem sofrer e recapitular as regras do “Estado Comunista”, onde os governantes, assim como os soldados e atletas, possuirão tudo em comum (mulheres, filhos, casas e educação).

A forma ideal de governo é a aristocracia (544e), comandada por aqueles que amam o saber, o bem e o justo. Mas, se tudo o que nasce está sujeito à corrupção, nem uma constituição como essa permanecerá para sempre, há de dissolver-se (546a). Através de um complicado cálculo geométrico, Sócrates faz ver que há uma falha eugênica (exemplificada pela mistura indevida de metais) (547a); o amor à justiça é substituído pelo amor ao poder e à riqueza; assim, ocorrerá a Timocracia, “uma forma de governo entre a aristocracia e a oligarquia” (547c). A esta sucede a oligarquia, governo dos que amam o dinheiro (551a). Ao legislar em favor só de uma classe, a dos ricos, esta forma de governo causará a cisão do Estado: “É que um Estado desses não é um só, mas dois... o dos pobres e o dos ricos, que habitam no mesmo lugar e estão sempre a conspirar uns contra os outros” (551 d). Termina o amor à virtude. O Estado entra em luta consigo mesmo: um partido de poucos muito ricos e outro de muitos pobres estarão em guerra, prevalecendo o último: “A democracia surge... quando após a vitória dos pobres, estes matam uns, expulsam outros, e partilham igualmente... o governo e as magistraturas, e esses cargos são, na maior parte, tirados à sorte (557a). Tendo a liberdade por base, na democracia ocorrerá a ausência de qualquer exigência e o desprezo pelos princípios. A democracia conduz à anarquia: “Estas são as vantagens da democracia: uma forma aprazível, anárquica, variegada, e que reparte a sua igualdade do mesmo modo pelo que é igual e pelo que é desigual” (558c). Ao exasperar a liberdade como bem supremo, “eliminam-se até as diferenças impostas pela natureza e, assim, a liberdade em excesso não conduz a mais nada que não seja a escravatura em excesso, quer para o indivíduo, quer para o Estado” (564 a). E dessa forma surge a Tirania: do cúmulo da liberdade surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas (564b). Primeiro, instaura-se a anarquia, e dessa situação aproveita-se o tirano que, de pretenso defensor da ordem, transforma-se em lobo, impondo a força sobre todos. É o reino da injustiça.


No final do livro IX, Glauco questiona que tal Estado Ideal, como Sócrates propõe, é utópico, jamais existirá. Este Estado permanecerá como modelo eterno a ser contemplado: “Talvez nos céus haja algum modelo para alguém que deseja consultá-lo e por ele modelar a conduta da própria alma”, é a resposta de Sócrates.


Livro X -
no início do livro Sócrates retoma a crítica à poesia como meio educativo. A poesia não revela as coisas como são, mas como num espelho, nos revela só a aparência; e da natureza humana descreve somente o trágico e o triste. A poesia, enfim, está a três passos da realidade ( ). Deverá ser excluída da Cidade uma arte dessa espécie (607b), pois seria prejudicial à justiça e às demais virtudes (608b). Sócrates dá a entender que a poesia deva ser substituída pela filosofia, como meio educativo, pois somente esta pode nos revelar, na sua forma dialética, o que é a realidade de fato.

O restante do livro X constitui uma exortação à prática do Bem, ou seja, da justiça e das demais virtudes. Sócrates recorre ao discurso escatológico através do mito de Er, onde fala da recompensa no pós morte: afinal, a vida “é um grande combate (megas agon), meu caro Glauco, é mais do que parece, o que consiste em nos tornarmos bons ou maus. De modo que não devamos deixar-nos arrebatar por honrarias, riquezas, nem poder algum, nem mesmo pela poesia, descurando a justiça e as outras virtudes” (608b).


Concluindo a República, Sócrates trata da imortalidade da alma e tenta equacionar o destino com a responsabilidade. Retornando às figuras das três Parcas: Laquesis (passado), Cloto (presente) e Átropos (futuro), as filhas da Necessidade, Sócrates folga os laços do férreo destino, defendido pelo pensamento grego anterior: “Não é o gênio que vos escolherá, mas vós que escolhereis o gênio. O primeiro a quem a sorte couber, seja o primeiro a escolher uma vida a que ficará ligado pela necessidade. A virtude não tem senhor; cada um a terá em maior ou menor grau, conforme a honrar ou a desonrar. A responsabilidade é de quem a escolhe. O deus é isento de culpa” (617 e).


Assim, como é impossível a alguém descrever todos os detalhes de uma obra de arte, analogamente nesta resenha não foi possível transmitir “tudo” sobre a República – que esta sirva ao menos como convite à leitura e contemplação desta obra prima do gênio grego.

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/a/a_republica

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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Dilma e seu discurso na ONU. Querem controlar a Internet. João Maria



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O MÉTODO ANALÍTICO PARA O ENSINO DA LEITURA EM “SÉRIE DE LEITURA PROENÇA” (1926-1928), DE ANTONIO FIRMINO DE PROENÇA DISSERTAÇÃO \\de \mestrado




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Monografia ALFABETIZAÇÃO: ASPECTOS HISTÓRICOS, LEGAIS E METODOLÓGICOS Osmar de oliveira




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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO SOBRE VERBOS – PORTUGUÊS - 7º ANO – PROFº CH




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Educação Física Desenvolvimentista. David Lee Gallahue, PhD




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Getúlio Vargas, de Lira Neto 2



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domingo, 22 de setembro de 2013

Deficiência visual



Em 1980, a Organização Mundial da Saúde publicou um sistema de classificação de deficiências visando à criação de uma linguagem comum para a pesquisa e a prática clínica, intitulado na tradução portuguesa de 1989: Classificação Internacional de deficiências, incapacidades e desvantagens (CIDID).
Entenda melhor as definições de deficiência, incapacidade e desvantagem da reimpressão da edição da CIDID, em inglês, publicada em 1993:
  • Deficiência (impairment em inglês)
    Uma deficiência é qualquer perda ou anormalidade da estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica. Representa a exteriorização de um estado patológico e, em princípio, reflete distúrbios no nível do órgão.
  • Incapacidade (disability em inglês)
    Uma incapacidade é qualquer restrição ou falta de habilidade (resultante de uma deficiência) para realizar uma atividade na forma considerada normal para um ser humano. Representa a objetivação de uma deficiência e como tal reflete distúrbios na pessoa.
  • Desvantagem (handicap em inglês)
    Uma desvantagem para um dado indivíduo, derivada de uma incapacidade ou deficiência, limita ou previne o cumprimento de um papel que é normal para esse indivíduo (dependendo da idade, do sexo e de fatores socioculturais). A desvantagem refere-se ao valor atribuído à situação ou experiência individual, quando sai do normal. Caracteriza-se por uma discordância entre o desempenho ou condição individual e a expectativa do próprio indivíduo ou do grupo do qual é membro. A desvantagem representa, assim, a socialização de uma incapacidade ou deficiência e, como tal, reflete as consequências para o indivíduo - culturais, econômicas e ambientais - que decorrem da presença da incapacidade ou deficiência.
A CIDID gerou críticas e polêmica principalmente pelo conceito de desvantagem, o que provocou um processo de revisão promovido pela própria Organização Mundial da Saúde que culminou na publicação da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, a CIF.
Embora definida em relação a um contexto social qualquer, a desvantagem não decorre do preconceito e exclusão que emanam do contexto no qual a pessoa com deficiência vive; o preconceito e a exclusão são o resultado da deficiência incapacidade da pessoa.

O que é deficiência visual?

A deficiência visual é definida como a perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da visão. O nível de acuidade visual pode variar, o que determina dois grupos de deficiência:
  • Cegueira - há perda total da visão ou pouquíssima capacidade de enxergar, o que leva a pessoa a necessitar do Sistema Braille como meio de leitura e escrita.
  • Baixa visão ou visão subnormal - caracteriza-se pelo comprometimento do funcionamento visual dos olhos, mesmo após tratamento ou correção. As pessoas com baixa visão podem ler textos impressos ampliados ou com uso de recursos óticos especiais.

Pessoa com Deficiência

A construção de uma verdadeira sociedade inclusiva passa também pelo cuidado com a linguagem. Na linguagem se expressa, voluntariamente ou involuntariamente, o respeito ou a discriminação em relação às pessoas com deficiências.
Ao longo dos anos, os termos que definem a deficiência foram adequando-se à evolução da ciência e da sociedade. Atualmente, o termo correto a ser utilizado é: Pessoa com Deficiência, que faz parte do texto aprovado pela Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidades das Pessoas com Deficiência, aprovado pela Assembléia Geral da ONU, em 2006 e ratificada no Brasil em julho de 2008.


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sábado, 21 de setembro de 2013

Campinas Campanha de Vacinação Antirrábica 2013 teve início no sábado, continua dia 21 e 22 de setembro.




A Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Departamento de Vigilância em Saúde, iniciou no último sábado, dia 14 de setembro, a Campanha de Vacinação Antirrábica 2013. A vacinação, que é gratuita, foi realizada durante o fim de semana nos distritos Leste e Sul e nos próximos dias 21 e 22 vai acontecer nos distritos Norte, Noroeste e Sudoeste. A abertura oficial da campanha aconteceu no Centro de Saúde Jardim Esmeraldina e contou com a presença da diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), Brigina Kemp, que fez questão de ressaltar a importância da participação popular. “É importante que a população se conscientize e participe. Estamos convocando toda a sociedade e a imprensa em geral para atingirmos o maior número possível de animais vacinados,” disse. De acordo com o médico veterinário do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Ricardo Conde Alves Rodrigues, a meta, para os dois finais de semana da campanha, é vacinar entre 90 e 100 mil cães e gatos com idade acima de três meses. “Campinas não registra nenhum caso de raiva humana desde 1981, raiva em cães desde 1982 e em gatos desde 1999, mas não se pode descuidar. Se alguma pessoa tiver contato ou for atacada por algum animal ela deve procurar o posto de saúde mais próximo; o caso será notificado ao Devisa e a pessoa será encaminhada para as providências necessárias”, completou. A dona de casa, Mítico Tanabe, não perdeu a oportunidade. Ela é vizinha do Centro de Saúde do Jardim Esmeraldina e aproveitou para vacinar os 17 gatos que possui. “Eu não perco nenhuma campanha porque é importante para a saúde dos animais e para a nossa também. Os meus bichinhos de estimação possuem carteira de vacinação e eu faço mesmo questão de vacinar todos eles,” afirmou. A relação completa de postos de vacinação está disponível em um banner publicado no portal da Prefeitura Municipal de Campinas. Acesse www.campinas.sp.gov.br ou disque 156 para mais informações. Clique aqui para acessar as imagens desta matéria em alta resolução 




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246 atividades de alfabetização





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Atividades catarina e o urso vogal u from SimoneHelenDrumond





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A inclusão do aluno com deficiência intelectual by Rozani Medeiros



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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Qual a diferença entre jogo e esporte?

Qual a diferença entre jogo e esporte?

Editado por Beatriz Santomauro (novaescola@fvc.org.br). Com reportagem de Rita Trevisan

O jogo é definido como uma atividade de caráter lúdico com normas livremente estabelecidas pelos participantes. O esporte, por sua vez, tem regras preestabelecidas pelas diferentes instituições que regem cada modalidade esportiva, sejam ligas, federações, confederações ou comitês olímpicos. A busca pela vitória e competividade também está presente. Na maior parte das vezes, o esporte requer esforço físico dos participantes, mas isso não é regra. Um exemplo é o xadrez, jogo que também é reconhecido como esporte. Na sala de aula, tanto as atividades esportivas como os jogos são importantes, pois ajudam no desenvolvimento integral de crianças e jovens, contribuindo nos aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais.

Consultoria Larissa Rafaela Galatti, pesquisadora do Grupo de Estudos em Pedagogia do Esporte (Gepesp) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

Pergunta enviada por Sandra Garcia, Campina Grande, PB

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SBT PR - O problema das drogas na sociedade. A cultura é o problema



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TOXICOMANIA E ADOLESCÊNCIA: A TRANSGRESSÃO DO MITO DO HERÓI

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Links de Memorias de estágio em pedagogia licenciatura




http://jarlucia-depoimentos.blogspot.com.br/2011/06/memorial-do-curso-de-pedagogia.html

http://cursos.unipampa.edu.br/cursos/pedagogia/files/2011/07/RE_Stephanie.pdf

http://minhaspedagogias.blogspot.com.br/2012/03/roteiro-para-elaboracao-do-memorial-de.html

http://www.recantodasletras.com.br/trabalhosacademicos/2945157

http://cabecadepurungo.blogspot.com.br/2012/05/memorial-descritivo-de-estagio.html

http://www.uesb.br/mat/download/Relatório/EstagioI/Lisy.pdf

http://www.uniesp.edu.br/taquaritinga/site/downloads/manualEstagioPedagogia.pdf

http://www.cairu.br/revista/arquivos/artigos/2012_2/8_MEMORIAL_FORMACAO_PEDAGOGO_Geisa_105_118.pdf

http://www.unibr.com.br/estagio/documentos/relatorio_estagio_licenciatura.pdf

http://br.yhs4.search.yahoo.com/yhs/errorhandler?hspart=gt&hsimp=yhse-gt&q=w3.ufsm.br%2Fleaf%2Festagio1%2Fcf0b29814ef7e7b744a50d81e0634694.pdf&type=0


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O sucesso do "Mínimo": a volta do exílio da alta-cultura

 
Em 1979 o governo João Figueiredo promulgou a Lei da Anistia. Durante um debate que estendeu-se à toda a nação a tal "Anistia Ampla, Geral e Irrestrita" virou realidade.
Decantada em verso e prosa (como Elis Regina em "O Bêbado e a Equilibrista ", de Bosco e Blanc, ou a versão de "No Woman, No Cry" de Gilberto Gil) a anistia do governo militar permitiu a volta de centenas de exilados e auto-exilados ao país.Todo o país aguardou, festivamente e recebeu mesmo de braços abertos todos aqueles que "partiram num rabo de foguete" de modo a fechar de uma vez a chaga da divisão havida nos anos 60 e seguir em frente.
Infelizmente não aconteceu nada disso, pelo contrário. Começava aí o capítulo mais marcado da decadência da cultura no país. Decadência que foi não foi somente cultural, mas política e econômica.
Economicamente, o modelo adotado durante o regime militar, de perfil fascista/socialista em que um Estado forte "comanda" a economia criando toda a infra-estrutura e sendo dono de boa parte da indústria de base, dava sinais de esgotamento. A inflação comia o poder dos salários, como Beth Carvalho anunciava: "depois que inventaram o tal cruzeiro, eu trago um embrulhinho na mão, e deixo um saco de dinheiro" (Saco de Feijão). Nos 80, década tida como "perdida", a inflação atingiria os dois dígitos mensais. Na política, o modelo de bi-partidarismo, com Arena e MDB também se esgotava. Com a volta dos anistiados chegaria mesmo ao fim, dando lugar a um pluripartidarismo de araque, em que somente as legendas de esquerda proliferaram.
Nada disso poderia ter tido êxito se não houvesse uma desconstrução cultural cuidadosamente planejada em ação.
O motivo era simples: nem todos que voltaram, como o Fernando Gabeira, por exemplo, o fizeram para retomar suas vidas, viver e redescobrir o país. Nada disso, voltaram mesmo para "acertar contas" com seus algozes dos anos 60. Começava aí a guerrilha cultural - um dos flancos mais "modernos" da causa esquerdista, herdada diretamente dos protestos de Maio de 1968 (por isso Zuenir Ventura refere-se a ele como "O ano que não terminou") - em que o "movimento" se reagrupava e entrava num momento de análise dos erros e acertos.
Desta auto-análise saíram as conclusões do fracasso dos anos 60:
- O movimento foi elitista e intelectual, nunca atingiu o povão;
- O conservadorismo, principalmente da classe média, que obrigou o exército a agir para resguardar a democracia;
- O exército, claro, a instituição que tirou-os do destino quase alcançado.
Para o primeiro caso, os "intelectuais" do partido escolheram um menino do povo - Luís Inácio da Silva, o Lula, líder de um movimento grevista inédito desde os anos 60 - a quem poderiam doutrinar para ser seu agente.
Para o terceiro, a única alternativa seria criminalizar os que impediram a vitória nos ano 60. Para isso mesmo a própria Lei da Anistia teria de ser revogada. Mas isso só poderia ser feito com o poder nas mãos... Por isso nada foi feito durante algum tempo.
Para o segundo, a tarefa era mais árdua e de longo prazo. Teria de ser combatida seguindo os passos de Antonio Gramsci. Desarmar os inimigos por dentro. Deslocar o eixo do senso comum. Para isso teriam de dominar os "formadores de opinião" do país. Nada que os manuais de tomada comunista já não conhecessem: obter o apoio do "beautiful people", dos intelectuais, promover os amigos, companheiros de viagem e idiotas úteis a formadores de opinião. Criar o "primeiro casal de coelhos". E depois a coisa se reproduziria por si mesma.
As décadas seguintes correram céleres a partir destas premissas. A "queda" do comunismo em 1989 forneceu a cortina de fumaça ideal. Não se lutava mais a favor do comunismo, mas contra uma potência mundial hegemônica e perigosa. A formação do Foro de São Paulo fortaleceu ainda mais os "vingadores" do continente, unindo-os a partir de Cuba. Ao meio da década dos 90, com a adoção do "politicamente correto", introduzido sob os auspícios do governo FHC, a dominação acelerava-se.
Mas eis que em 1996, alguém consegue perceber o que se passa lança o seu "J'accuse": "O Imbecil Coletivo" de Olavo de Carvalho. "Fomos descobertos", devem ter pensado. Olavo foi combatido, debatido e sobreviveu incólume. Em terra de cego quem tem olho é rei? Não no Brasil.
À surpresa inicial e aos primeiros anúncios de primeira página sobre os debates acerca do livro ou de seu autor - que já proliferavam nos cadernos de cultura dos principais jornais do país - foi lançada uma "fatwa" (parecida com aquela lançada contra Salman Rushdie pelos "Versos Satânicos"): ninguém poderia debater com Olavo, ninguém deveria citar Olavo, muito menos respondê-lo. Olavo de Carvalho deveria ser solenemente ignorado.
Olavo tentou, neste meio tempo, unir o que poderia ser a resistência contra a tomada avassaladora da esquerda no país, como setores do exército, dos liberais e dos conservadores. Não resultou.
Ao mesmo tempo, mesmo com a proliferação dos cursos que promovia em diversos locais no país (tenho o privilégio de ter sido um dos organizadores do curso em Porto Alegre, em 2004 e 2005), Olavo começou a ser combatido "por dentro", perdendo seu lugar como colunista em vários veículos importantes do país. Em 2005 deixa o país para um auto-exílio nos Estados Unidos.
A esta aparente vitória de seus retratores, começa uma tímida reação: o Seminário de Filosofiam como o Curso Online de Filosofia, e o True-Outspeak. Com este último, Olavo conseguiu expandir a sua influência a níveis imagináveis.Em 2013, um "olavette" de peso foi incluído à lista, e causa furor: João Woerdenbag, o Lobão. Ex-Blitz, famoso apoiador de campanhas do PT, Lula e etc., descobre a pólvora e lança um petardo. Com o nome de "Manifesto do Nada Na Terra do Nunca", espanta aos próceres da esquerda pelo conteúdo e enfurece-os pelas entrevistas onde cita Olavo de Carvalho.
Neste mesmo ano de 2013, enfim, é lançado um livro - que nem é inédito, pois trata-se de um "the best of" do Olavo, com os melhores textos publicados em diversos jornais e revistas do país entre 1997 e 2012 - "O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota", organizado pelo jovem aluno Felipe Moura Brasil. Sem publicidade, sem investimento em divulgação, é alçado aos primeiros lugares em vendas em todos as listas importantes do país.
À isso, somem-se as dezenas de entrevistas que o autor concedeu aos mesmos veículos que tentaram ostracizá-lo no passado, para imensa satisfação do seu público.
Estas reações, por espontâneas e marcantes, fazem concluir-me duas coisas:
- O Brasil ainda tem esperança, apesar de tudo. Há uma nova geração que percebe a verdade, mesmo depois de décadas de doutrinação, e que vai em sua busca.
- E sim, a cultura parece ter voltado de seu exílio ao país.


Luis Afonso Assumpção
é engenheiro e edita o blog Nadando Contra Maré Vermelha.

 http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/14504-o-sucesso-do-qminimoq-a-volta-do-exilio-da-alta-cultura.html

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A reunião escolar é importante para acompanhar o desenvolvimento das crianças e compartilhar com os pais as propostas da escola ...

Ponto de partida


A reunião escolar é importante para acompanhar o desenvolvimento das crianças e compartilhar com os pais as propostas da escola para a formação dos pequenos. Saiba como tornar esse evento ainda mais interessante


Por Sâmia Gabriela Teixeira
Objetivos:
Organizar e apresentar o plano didático
 Estreitar relações com os pais
 Aprimorar o conteúdo das reuniões


O ano sempre começa com uma porção de objetivos e expectativas e o calendário escolar já inicia com a primeira reunião de pais. Esse é o momento de encontro do docente com o novo grupo de pais ou ainda com os que regressam de anos anteriores. A primeira reunião não deve ser tratada como uma simples tarefa a ser cumprida, pois é a importante, e talvez a única oportunidade de obter sucesso e criar vínculo entre família e escola. A pedagoga e psicopedagoga Renata Calasans, da Escola Municipal Henrique Freitas Badaró, de Ipatinga (MG), explica que “o ingresso ou regresso ao ambiente escolar gera sensações como ansiedade, temor, angústia, entre outros, e que por isso é importante que o professor elabore pautas claras e fundamente a necessidade da integração entre família e escola, para melhor adaptação das crianças”.


Troca de experiências
A Pritt, marca de colas da empresa Henkel, promove por meio de site e blog a aproximação de pais, professores e alunos com conteúdo recheado de artigos, atividades e experiências compartilhadas para o desenvolvimento mais feliz das crianças e os envolvidos na educação. Acesse: www.pritt.com.br
Mitos e “saias-justas”
Pensar que os pais não aceitarão as informações dadas pelo professor é um erro a ser evitado. Luciana Fevorini, orientadora pedagógica do Colégio Equipe, de São Paulo (SP), salienta que normalmente os pais são muito receptivos às informações sobre os filhos, mas recomenda que qualquer tema individual seja tratado em horários específicos ou após a reunião. “Quando precisamos conversar com os pais de uma criança, devemos investigar se o que ocorre em sala de aula acontece em outros ambientes e partilhar com eles a mesma preocupação, sem julgar o aluno, que certamente está em fase de desenvolvimento até mesmo de personalidade”, explica a orientadora. 

Além dos cuidados com o tratamento individual, que não deve isolar o aluno como um problema ou criar estereótipos, saber lidar com as interferências no decorrer do encontro é muito importante. “É comum ocorrer desvios durante a reunião quando os pais desejam tratar de assuntos que não fazem parte das questões pedagógicas. Além disso, os pais podem querer discutir assuntos administrativos que dizem respeito à direção da escola. Nesse caso, seja pontual e objetivo, e procure explicar o que faz parte do plano do encontro, mantendo-se à disposição para assuntos particulares ao fim da reunião”, exemplifica Renata.

Na reunião de pais, evite:
- Roupas curtas ou decotadas. Se a escola possuir uniforme, utilize-o.
- O uso de muita maquiagem e acessórios.
- Sentar em cima da mesa.
- Utilizar gírias e fazer brincadeiras.
- Desviar o assunto.
- Utilizar palavras negativas, de tratamento íntimo e expressões repetitivas.
- Expor o aluno. Para casos individuais existe o plantão pedagógico.
- Falar rápido.

Envolvimento máximo 

A escola não deve atribuir baixo desempenho do aluno aos pais e nem os pais devem culpar a escola por qualquer problema de seu filho. Por isso, a interação e as observações de ambos são tão importantes para o aluno, que certamente terá mais confiança para progredir nos estudos ao ser observado em conjunto pela escola e pelos pais. Luciana Fevorini é autora da tese “O envolvimento dos pais na educação escolar dos filhos: um estudo explanatório”, na qual aborda, por meio de pesquisas e entrevistas, o quanto os pais se preocupam com os estudos dos filhos e como interagem com eles e o corpo docente da escola. A pedagoga afirma que para maior envolvimento dos responsáveis pelas crianças “é necessário promover atividades que não tenham como objetivo somente falar dos filhos, mas inclua cursos, jogos e encontros mais informais. Isso aproxima os pais de maneira mais sutil e quebra preconceitos, uma vez que parte deles não teve boa experiência escolar na infância”.

Planejamento e conteúdo 
A reunião escolar deve ser muito bem planejada, com temas provocativos e interessantes, e o tempo de duração, calculado de modo que o encontro não se torne um evento cansativo. Luciana Fevorini conta como planejar e o que abordar durante as conversas: “As reuniões devem ter caráter coletivo. Conte aos pais sobre os trabalhos que serão desenvolvidos durante o período letivo e não descreva nada utilizando discursos teóricos. Traga o universo pedagógico ao cotidiano deles. Lembre-se de que as diretrizes devem ser facilmente compreendidas”.

Ponto de partida


A reunião escolar é importante para acompanhar o desenvolvimento das crianças e compartilhar com os pais as propostas da escola para a formação dos pequenos. Saiba como tornar esse evento ainda mais interessante


Por Sâmia Gabriela Teixeira
Três etapas para o sucesso da reunião
Renata Calasans, além de pedagoga e psicopedagoga, é especialista em marketing e gestão de instituições educacionais, em educação infantil e especial e em alfabetização e linguagem. É dela a sugestão abaixo de planejamento para uma apresentação completa e objetiva.
- Primeira etapa: Imprima cópias da pauta da reunião. No dia do encontro, dê as boas vindas e recepcione os pais. Em seguida, distribua a pauta e uma mensagem sobre os assuntos que serão tratados. Pode ser uma introdução para reflexão.
- Segunda etapa: Apresente-se, faça a leitura e detalhamento da pauta e leia a mensagem. Dê continuidade à reunião seguindo os assuntos da pauta. Seja clara e não pule nenhum tema descrito na pauta. Lembre-se de transmitir confiança e propriedade ao falar com os pais.
- Terceira etapa: Finalize a reunião propondo aos pais uma reflexão sobre os assuntos abordados. Pergunte se alguém deseja compartilhar ideias e sugestões. Agradeça a presença de todos e sirva um bombom, um cartão de agradecimento ou até mesmo um lanche, de acordo com a disponibilidade da escola.


http://revistaguiainfantil.uol.com.br/professores-atividades/95/artigo208616-2.asp

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Ensinando e aprendendo: Relógio- horas e minutos

Ensinando e aprendendo: Relógio- horas e minutos

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Pontos cardeais: orientação, lugar e paisagens



Aproveite o entorno da escola e as ferramentas disponíveis na internet para trabalhar o conhecimento sobre os pontos cardeais

Objetivos
- Ampliar as noções de referência espacial.
- Utilizar, no seu cotidiano e em mapas, os referenciais espaciais de localização e orientação.
- Representar os lugares onde vive e se relaciona.

Conteúdos
- Orientação pelo Sol.
- Pontos cardeais e colaterais.

Anos
3º a 5º

Tempo estimado
Seis a oito aulas.

Material necessário
Caderno de anotações, régua, papel e lápis.
Laboratório de informática com acesso a internet ou mapa do bairro e da cidade.

Flexibilização
Para alunos com deficiência intelectual
Uma conversa com os pais ou responsáveis por levar o aluno com deficiência intelectual à escola pode ser útil para que ele atente para a incidência do sol em diferentes momentos do dia. Se necessário, antecipe algumas etapas para que o seu aluno se familiarize com a proposta e repita algumas das atividades desta sequência, como a localização dos pontos cardeais tomando como base a posição do próprio corpo. É importante que o seu aluno compreenda que norte-sul, leste-oeste indicam direções opostas. Mostrar os pontos cardeais em mapas, no Google Maps ou mesmo marca-los com cartazes fixados na sala de aula são boas sugestões para ajudar na aprendizagem da criança com deficiência intelectual. O trabalho em duplas no jogo da rosa dos ventos, por exemplo, também contribui para o desenvolvimento do aluno. Explore materiais que tornem os pontos cardeais mais palpáveis para o aluno e próximos de seu cotidiano - as crianças com deficiência intelectual costumam ter mais dificuldade para compreender ideias abstratas. No contraturno, conte com a ajuda do Atendimento Educacional Especializado (AEE) para desenvolver outras habilidades importantes para o desenvolvimento do aluno, como a coordenação motora e a comunicação.

Desenvolvimento
1ª etapa
Comece fazendo perguntas e peça que seus alunos registrem as respostas no caderno: como o Sol afeta cada um de vocês no trajeto de casa para a escola? Ele "bate" de que lado de seu corpo quando você se desloca (a pé, de carro ou de ônibus) nesse caminho? Em quais partes da sua casa tem Sol pela manhã? E à tarde? O Sol incide sobre a sala de aula enquanto estamos na escola? Em que horários? Solicite que nos próximos dias eles façam no caderno um diário das posições do Sol, anotando onde ele está quando acordam, quando vão para a escola e quando voltam para casa. Peça também que após as observações desenhem o trajeto de casa à escola ou vice-versa.

2ª etapa
Explique que o Sol surge todos os dias, não necessariamente no mesmo lugar, mas no mesmo lado da Terra e que este lado do planeta foi denominado desde a antiguidade de leste ou nascente. Informe também que o Sol se põe ou desaparece, também não exatamente no mesmo lugar, mas no mesmo lado da Terra e que este lado é chamado de oeste ou poente. Explique que tais nomes foram criados na antiguidade quando o homem pensava que o Sol girava em torno da Terra. Com base nos conhecimentos que os alunos obtiveram em suas observações ajude-os a identificar o leste. Solicite então que se levantem e fiquem de frente para a parede identificada como o lado leste e lembre que do lado contrário estará o lado oeste, do lado direito estará o sul e do lado esquerdo, o norte. Agora peça que apontem o braço direito para o lado leste e digam de que lado fica o oeste (do lado esquerdo), o norte (à frente) e o sul (nas costas).

Peça que todos saiam da posição, troquem de lugar e depois repita a atividade, pedindo agora que os alunos se posicionem de costas para o leste. Ajude-os a identificar as demais direções. Fazendo esses diferentes exercícios eles começarão a compreender que há várias possibilidades de utilizar o próprio corpo para se orientar no espaço.

3ª etapa
Informe que eles vão aprender a se orientar geograficamente em seus deslocamentos após entender os movimentos do Sol. Desenhe a rosa dos ventos no chão da sala e apresente os pontos cardeais e colaterais. Explique que os nomes dos pontos cardeais foram criados pelos homens para demarcar suas posições e deslocamentos no espaço, especialmente quando precisavam percorrer longas distâncias. Relembre que apesar do nome eles indicam todo um lado da Terra e não um ponto específico.

Proponha um jogo em que a turma se desloque pela sala. Um aluno dá o comando, o outro segue e depois troca (por exemplo: Miguel vá para o leste, João siga para sudeste, Pedro vá para Noroeste). Para facilitar o trabalho desenhe uma rosa dos ventos no chão do centro da sala de aula (lembre-se de fazer o desenho tendo como referência a posição real da sala em relação ao Sol e não simplesmente reproduzindo o desenho tal como ele aparece nos livros didáticos).

4ª etapa
Oriente os alunos a fazer o desenho de sua sala de aula e a produzir sua própria rosa dos ventos, colocá-la sobre seu desenho e utilizá-la para indicar sua posição, a dos colegas e de outros referenciais. 

5ª etapa
Peça que as crianças contem para os demais o que observaram com relação à posição do Sol em seus caminhos. Informe que agora eles aplicarão esses conhecimentos aos mapas.

Leve a turma para o pátio e peça que observe a posição do Sol e a localização de espaços como a quadra, a cozinha e o banheiro. Peça que olhem ao redor destacando o que fica em cada lado (norte, sul, leste e oeste) e depois que se desloquem em direção ao sul, até o ponto mais distante do pátio. Chegando ao extremo sul do pátio, oriente-os a ficar de frente para o norte, a anotar em sua folha as direções cardeais e colaterais e a desenhar o que estão vendo.

Explique que atualmente a maioria dos mapas utiliza o norte como referência (ou seja, apresentam na parte superior do papel os lugares e paisagens que ficam ao norte) porque se trata de uma convenção (ou regra) estabelecida pelos cartógrafos. Mostre a eles alguns mapas que ilustram essa afirmação (mapa-múndi, mapa do Brasil, mapa do Estado etc). Informe também que, embora seja uma convenção adotada atualmente, não há erro em utilizar outras referências para desenhar os mapas. Isso inclusive já foi feito no passado.

Você pode encontrar exemplos de mapas antigos no site do Laboratório de Cartografia Tátil e Escolar (Labtate) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e também no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Avaliação
Leve a classe ao laboratório de informática para explorar o mapa ou a imagem de satélite dos bairros em que residem. Um dos sites que você pode utilizar é o Google Maps.

Se os alunos não souberem o que é uma imagem de satélite e como utilizá-la para fazer mapas, você pode utilizar uma animação contida no site da UFSC.

Ajude-os a localizar sua cidade e seu bairro no mapa. Informe que este mapa (e imagem) está orientado a partir do norte e pergunte onde está o leste. Com base nessas informações os alunos deverão posicionar seu mapa (do trajeto casa-escola) com o do site (caso não os tenha produzido orientados para o norte) e compará-los procurando responder questões como: Em que direção você se desloca para ir da sua casa até a escola? Qual é a posição geográfica da escola em relação ao bairro ou à cidade?

Caso não tenha acesso à internet na escola, realize a mesma atividade utilizando um mapa (como aqueles disponíveis nas listas telefônicas) ou obtenha o mapa do bairro, da cidade ou fotografias aéreas nos órgãos públicos locais.

Analise o itinerário feito pelos alunos e confira as informações contidas em cada um.

Bibliografia
ALMEIDA, R.D. & PASSINI, E.Y. O Espaço Geográfico: Ensino e Representação. São Paulo: Contexto, 1994.
SIMIELLI, M. E. R. O Mapa Como Meio de Comunicação e a Alfabetização Cartográfica. In: ALMEIDA, R. D. de. Cartografia escolar. 2 ed., São Paulo: Contexto, 2008, p. 71-94.
SIMIELLI, M. E. R. Cartografia no ensino fundamental e médio. In : CARLOS, Ana F. A. (org.). A geografia na sala de aula. São Paulo : Contexto, 1999, p.92-108. (Coleção Repensando o Ensino).
Oficina Pedagógica: Orientação pelo mapa. Autoria de BARROS, ARCHELA e GOMES. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/geografia/article/view/6778.
Site do Centro de Divulgação Científica e Cultural da Universidade de São Paulo (CDCC-USP). Disponível em: http://www.cdcc.usp.br/cda/ensino-fundamental-astronomia/parte1a.html#parte-1a.
Consultoria: Loçandra Borges de Moraes
Professora do curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás.
http://revistaescola.abril.com.br/planos-de-aula/

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Pragmatismo e Utilitarismo