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Simbólico, Signo, Significado, Significante: Social e Individual no Ato Comunicativo


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Ferdinand de Saussure, autor do Curso de Linguística Geral (1916), contribui com seus estudos de maneira significativa para o desenvolvimento da Linguística e de conceitos cujo entendimento é fundamental para uma mediação de qualidade no processo de aquisição e utilização da língua escrita.

 



O autor disserta sobre Língua e Fala, sendo a primeira o objeto de estudo da Linguística. Língua e Fala seriam, respectivamente, características social e individual do ato comunicativo verbal.



A Língua é, segundo Saussure, “a unidade da linguagem, e é constituída por um sistema de signos”. Em outras palavras, Língua é um conjunto de unidades que forma um todo. Sendo esta depositada como produto social na mente de cada falante da comunidade, por isso possui homogeneidade.



A Fala é um ato individual. É a concretização da Língua pelos falantes e, por isso, não apresenta homogeneidade, é variável e circunstancial.



O signo é composto pela associação entre SIGNIFICADO (conceito) e SIGNIFICANTE (imagem acústica). Essa relação não se trata de associar um “objeto” a um “termo”, mas sim um conceito a uma imagem acústica.



Ainda segundo Saussure, temos o Significado como “o valor, sentido ou conteúdo semântico de um signo linguístico e o Significante como imagem acústica ou manifestação fônica do signo linguístico”.


Língua e Fala, embora configurem processos distintos, têm igual importância no processo de aquisição e utilização da língua escrita. Entretanto, a escola tende a excluir de seus processos de ensino a linguagem da fala. Tal exclusão não permite a vivência da dinâmica social e da mutabilidade da Língua dos falantes, colocando a diversidade linguística existente em nossa nação à margem dos processos escolares.



A escola tem a priori o trabalho com as estruturas linguísticas, separando Língua de seu uso e de seu contexto social, de forma a distanciar a prática pedagógica cotidiana da possibilidade de expandir e aprofundar a experimentação do simbólico de seu grupo e da produção de sentidos no educando.


Para que tal realidade se reverta, é necessário priorizar estratégias e atividades em que Língua e Fala sejam vivenciadas, problematizadas e que interajam entre si. De forma a propiciar ao aluno discutir e se expressar escrita e oralmente, de forma coletiva e individual, através de atividades que ampliem os seus campos de significação.



Assim, é possível obter uma escola inclusiva, que acolha a diversidade, que abrigue valores democráticos e que se consolide como espaço privilegiado na formação global dos indivíduos, na superação das dificuldades de aprendizagem e na construção crítica dos conhecimentos, e na formação do leitor/autor proficiente.


Paula Moita é professora REGENTE de Sala de Leitura na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e professora substituta no Colégio Pedro II. Pós-graduada em Psicopedagogia e graduada em Pedagogia pela UERJ. Ao longo do exercício profissional e da vida acadêmica, vem desenvolvendo pesquisa a respeito das dificuldades de aprendizagem e aquisição da leitura e escrita.


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