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domingo, 9 de novembro de 2014

RESENHA: Pedagogia(s) da infância: dialogando com o passado construindo o futuro.




Alessandra Pimentel possui doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo (2004) e mestrado em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1997). Atualmente é professora de Psicologia Educacional junto ao Depto de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Atua na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Desenvolvimento Humano. Em suas atividades profissionais interagiu com 23 colaboradores em co-autorias de trabalhos científicos. Em seu currículo Lattes os termos mais freqüentes na contextualização da produção científica, tecnológica e artístico-cultural são: educação lúdica, teoria sócio-histórica, Vygotsky, formação continuada de professores, jogo educativo, história da psicologia, educação infantil, intersubjetividade, processo de ensino-aprendizagem e análise qualitativa.

A resenha que ora propamos discute uma abordagem histórico-cultural da educação infantil. Nesse trabalho, observa-se que idéias gestadas na juventude trazem as sementes do pensamento Vygotskiano: as relações viscerais entre linguagem e pensamento. Para Vygotsky, é preciso investigar o processo de construção da consciência, cujas raízes encontram-se na relação do homem com o mundo social, determinado pela mediação de instrumentos técnicos (as ferramentas construídas pelo homem) e símbolos (os signos lingüísticos).

A partir de então, junto aos parceiros da Troika e outros colaboradores, Vygotsky desenvolve os princípios da corrente histórico-cultural, construindo uma abordagem do desenvolvimento humano que é sócio-cultural, histórica, integrativa e semiótica. A grande veiculação da teoria histórico-cultural no meio educativo explica-se em parte, pelo destaque ao papel da aprendizagem no desenvolvimento. Ao contrario para esse autor, a aprendizagem não segue o desenvolvimento, mas o impulsiona e o promove.

No ideal Vygotsky, a educação tem um papel transformador do homem e da humanidade. Em sua visão educativa, sublinha dois conceitos nucleares: o de formação social das funções psicológicas superiores e o da via dupla do desenvolvimento real e potencial. Em uma forma original de compreender a relação entre os processos de aprendizagem e desenvolvimento, Vygotsky propõe a noção de zona de desenvolvimento proximal (ZDP) como referencia para transcender as posições teóricas que priorizam o nível de desenvolvimento real.

A ZDP funcionando como princípio educativo, implica a relação entre o nível de desenvolvimento real - determinado pela capacidade de solução de problemas de modo independente-e o nível de desenvolvimento potencial-em que se encontram as funções psicológicas em processo de amadurecimento, potencialmente emergentes, mas ainda suficientemente consolidadas. Vygotsky estabelece que ludicidade e aprendizagem formal funcionem como âmbitos de desenvolvimento. Em outras palavras, tal como ocorre na atividade de aprendizagem, o jogo gera zonas de desenvolvimento proximal porque instiga a criança, cada vez mais a ser capaz de controlar seu comportamento e experimentar suas habilidades ainda não consolidadas no seu repertorio. 

Focalizar as relações entre jogo e aprendizagem não é uma idéia nova na historia da educação. De acordo com os teóricos da corrente histórico-cultural, o jogo é a atividade principal da criança da pré-escola, ou seja, é o mediador por excelência das principais transformações que definem seu desenvolvimento.
Elkonin, um dos mais importantes teóricos da verdade histórico-cultural, analisou de que maneira o jogo é criador de zonas de desenvolvimento proximal.Ele acredita que o jogo cumpre um papel fundamental no desenvolvimento do psiquismo por ser uma atividade que proporciona a superação do egocentrismo cognitivo.

Independentemente da idade, o valor do jogo para a aprendizagem está na experimentação, por meio da qual quem joga atribui sentidos, compreendendo e integrando os conhecimentos trazidos aos saberes já conhecidos, internalizados. No jogo a profundidade de aprendizagem é muito superior, pois não há aprendizagem somente pelo que é transmitido por outra pessoa, mas pelo que se experencia.

Portanto, é fundamental que a formação de educadores de primeira infância efetivamente contribua para a contínua, porém lenta, transformação na forma de conceber o próprio papel de educador. Por sua vez, as propostas formativas precisam fomentar o interesse por compreender como o jogo poderia beneficiar a criança a desenvolver, inclusive sua consciência autônoma, experimentando ludicamente o mundo para interpretá-lo e participar ativamente dele. 


REFERÊNCIA:

PIMENTEL, Alessandra. Vygotsky: uma abordagem histórico-cultural da educação infantil. In. FORMOSINHO, J. O; KISHIMOTO, T.M.; PINAZZA, M. A. (ORGS). Pedagogia(s) da infância: dialogando com o passado construindo o futuro. Porto Alegre: Artmed, 2007. 




Sobre este autor(a)
Graduação em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/ UESB. Atualmente trabalho como Coordenadora Pedagógica do PETI - Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, na cidade Jequié-BA.


Leia mais em: http://www.webartigos.com/artigos/resenha-pedagogia-s-da-infancia-dialogando-com-o-passado-construindo-o-futuro/74145/#ixzz3IavhYbcN



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