terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Quando surgiu o pão francês e por que ele tem esse nome? Rafael Garcia


Quando surgiu o pão francês e por que ele tem esse nome? 

Lucas Gomes Ferreira, por e-mail
Iguaria brasileira



Daniel Aratangy

O "pão francês" das padarias brasileiras na verdade não tem tanto a ver com os pães feitos na França. A receita do pãozinho hoje mais consumido no Brasil surgiu no início do século 20, provavelmente perto da 1ª Guerra Mundial, por encomenda de brasileiros endinheirados que voltavam de viagem a países da Europa.
Até o fim do século 19, o pão mais comum no Brasil era completamente diferente, com miolo e casca escuros.
Na época, era bastante popular em Paris um pão curto com miolo branco e casca dourada - espécie de precursor da baguete, atual predileção dos franceses. Os viajantes de famílias ricas que voltavam de lá descreviam o produto a seus cozinheiros, que tentavam então reproduzir a receita pela aparência.
O resultado foi a invenção do "pão francês" brasileiro, que difere de sua fonte de inspiração européia, sobretudo por levar um pouco de açúcar e gordura na massa antes de ir ao forno.
Com o tempo, o novo pão foi ganhando apelidos locais diferentes, como "cacetinho", média ou "filão", em diferentes cidades do Brasil.

Fontes: Olivier Anquier, chef de cozinha especialista em pães




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domingo, 28 de dezembro de 2014

Plano de atividades de Berçário

Segue abaixo uma sugestão de programação semanal de atividades de Berçário, com respectivos objetivos:

(a) Aprendizagem Ativa (Exploração PSM/Vida prática)
(b) Linguagem
(c) Exp. e representação
(d) Raciocínio lógico e relação espacial

Segunda(a) Folhear livros (capa dura/plástico ou pano) e revistas
(b) Ouvir pequenas histórias (livros e gravuras)
(b) Música com gestos
(b) Brincar com a língua, barulhos, repetição de sílabas/onomatopéias
(c) Trabalhar com os sentidos: visão (esconder e encontrar objetos)
(c) Uso do espelho: ver a si e ao outro
(d) Trabalhar quantidade: muito/pouco, cheio/vazio, mais/menos

Terça(a) Tinta caseira
(b) Cartões de linguagem
(b) Mímica com gestos
(c) Trabalhar com os sentidos: Tato (textura, peso, temperatura)
(d) Trabalhar com semelhanças e diferenças
(d) Comparar objetos quanto a forma, tamanho e cor
(d) Dobrar e amassar papéis (modificar formas dos objetos)

Quarta(a) Rasgar e amassar papéis (texturas variadas)
(b) Observar fotos e revistas (identificar objetos, pessoas e lugares)
(b) Música com gestos
(c) Trabalhar com os sentidos: Olfato
(c) Trabalhar partes do corpo
(d) Separar objetos em caixas/classificação (ajudar a arrumar)
(d) Realizar ativ. que explorem: perto/longe (c/ o corpo, gravuras, fotos)

Quinta(a) Brincar com sucata
(b) História com fantoches
(b) Música com gestos
(c) Trabalhar com os sentidos: Audição (sons produzidos com objetos e o corpo)
(d) Jogos de encaixe
(d) Guardar objetos em diferentes tamanhos de caixas
(d) Realizar ativ. que explorem: junto/separado (c/ o corpo, gravuras, fotos)

Sexta(a) Massinha caseira
(b) Cartões de linguagem
(b) Fazer ruídos com a boca (beijo, som do índio, estalar língua...)
(b) Música com gestos
(c) Trabalhar com os sentidos: (paladar)
(c) Brincar de faz de conta: panelinha, carrinho, boneca, telefone...)
(d) Empilhar objetos (até 3 objetos)
(d) Realizar ativ. que explorem: por cima/por baixo (c/ o corpo, gravuras, fotos)

Shantala
A Shantala é uma massagem de origem indiana própria para bebês. Foi trazida para o ocidente pelo médico francês Frederick Leboyer. O objetivo maior dessa técnica milenar é ampliar os momentos de contato com a criança e fortalecer os vínculos afetivos, trabalhando a integração, troca de afeto e despertar a confiança.
Ela relaxa e acalma, aliviando as cólicas e pressões de ventre e tem como característica fazer com que o bebê tenha lembranças dos movimentos intra-uterinos, quando o líquido amniótico que a envolvia enquanto feto, o massageava com pequenas contrações.
 
Atividades lúdicas


As atividades lúdicas têm um papel fundamental na estruturação do psiquismo da criança, é no ato de brincar que a criança utiliza elementos de fantasia e realidade e começa a distinguir o real do imaginário. É através da ludicidade que ela desenvolve não só a imaginação, mas também fundamenta afetos, elabora conflitos e ansiedade, explora habilidades e, a medida que assume múltiplos papéis, fecunda competências cognitivas e interativas.


Através da ludicidade a criança vai estruturando e construindo seu mundo interior e exterior. As atividades lúdicas podem ser consideradas como meio pelo qual a criança efetua suas primeiras grandes realizações, que através do prazer, ela expressa a si própria, suas emoções e fantasias.
 
Psicomotricidade


A Psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. Por isso, cada vez mais os educadores recomendam que os jogos e as brincadeiras ocupem um lugar de destaque no programa escolar desde os primeiros momentos da educação.

Fonte: Professora Maria Melo


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Você bebe suco ou açúcar?



Você sabia que a partir de 12/12/2014 todas as bebidas não alcoólicas, como sucos, chás prontos, refrigerantes e preparados sólidos e líquidos, utilizados em refrescos e bebidas compostas, deverão especificar a quantidade de cada componente no rótulo das embalagens? Norma do Ministério da Agricultura eleva, por exemplo, para 40% o percentual mínimo de suco de fruta nos chamados néctares de laranja e uva.
Suco: o produto precisa ter 100% de suco integral, com ou sem adição de açúcar e sem aditivos químicos.
Néctar de Fruta: levará 40% de polpa de fruta, completado de água potável, açúcar e muitos aditivos.
Refresco: você vai ter menos de 20% de suco, o restante será água, aditivos químicos como corante e aromatizante.

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sábado, 27 de dezembro de 2014

A ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO DE MATEMÁTICA

A ANÁLISE DO LIVRO DIDÁTICO DE MATEMÁTICA


INTRODUÇÃO









A palavra matemática é capaz de desencadear em nós sentimentos dos mais contraditórios, desde o arrepio de horror até o mais sublime suspiro de paixão. Este sentimento pode ser resgatado através da nossa história escolar e de nossas representações, nos trazendo lembranças vinculadas com a matemática, sempre e ainda muito presentes.
Para alguns, tais lembranças aparecem de uma forma não muito positiva, quem sabe até para a maioria. Para outros, não trazem nenhuma lembrança mais marcante. E para uma minoria evidenciam o mestre, o professor de matemática, em seu labor buscando um outro lado da matemática: dentre aquele emaranhado de símbolos, regras e propriedades, o verdadeiro significado e a sua importância como área de conhecimento.
Uma breve histórico da matemática
A Matemática só entrou na escola no final do século XVIII, com a Revolução Industrial. Curiosamente, perpetuou-se desde então um equívoco ao qual pode ser creditada boa parte do fracasso no ensino. Entenda os motivos acompanhando a cronologia abaixo:
Século XVIII - Até então, as Ciências eram reservadas aos filósofos. A Revolução Industrial, a administração e os sistemas bancários e de produção passaram a exigir mais do cidadão. A Matemática chega às escolas, mas currículo e livros didáticos são criados com base na formalização e no raciocínio dedutivo do grego Euclides (séc. III a.C.). A obra é crucial para compreender a matemática, mas inadequada para aulas no Ensino Básico.
Século XX - Durante as guerras mundiais, a matemática evolui e adquire importância na escola, mas continua distante da vida do aluno. Mais crianças chegam às salas e cresce a aura de dificuldade; o rendimento cai. A disciplina passa a ser o principal motivo de reprovação. Mesmo assim, a formalização persiste.
Até a década de 30, na Inglaterra, os livros didáticos eram traduções diretas da obra de Euclides. Pós-guerra Com a Guerra Fria e a corrida espacial, os norte-americanos reformulam o currículo a fim de formar cientistas e superar os avanços soviéticos. Surge a Matemática Moderna, uma boa idéia mal encaminhada. Ela se apóia na teoria dos conjuntos, mantém o foco nos procedimentos e isola a geometria. É muita abstração para o estudante do Ensino Fundamental — e a proposta perde força em apenas uma década.
Anos 70 - Começa o Movimento de Educação Matemática, com a participação de professores do mundo todo organizados em grupos de estudo e pesquisa. Ocorre a aproximação com a Psicopedagogia. Especialistas descobrem como se constrói o conhecimento na criança e estudam formas alternativas de avaliação. Matemáticos não ligados à educação se dividem entre os que apóiam e os que resistem às mudanças.
1997 a 1998 - São lançados no Brasil os Parâmetros Curriculares Nacionais para as oito séries do Ensino Fundamental. O capítulo dedicado à disciplina é elaborado por integrantes brasileiros do Movimento de Educação Matemática. Segundo os especialistas, os PCN ainda são o melhor instrumento de orientação para todos os professores que querem mudar sua maneira de dar aulas e, com isso, combater o fracasso escolar.
3.2 Aspecto Pedagógico – O Guia do Livro Didático: uma ferramenta para o professor
O Guia do Livro didático é elaborado para o professor. Com a sua experiência de sala de aula, ele sabe bem que um material de apoio didático de qualidade faz grande diferença no processo de ensino-aprendizagem. O Ministério da Educação realiza a avaliação dos livros didáticos e dicionários apresentados para análise. O resultado traduz-se no Guia que é a síntese de um criterioso processo de avaliação e assegura a qualidade da escolha das obras que o professor e seus alunos irão usar.
O professor e sua escola têm autonomia plena para fazer suas opções. O Guia é, na realidade, instrumento de participação de milhares de professores na definição o material a ser adquirido pelo Ministério e utilizado por alunos e educadores nas escolas públicas brasileiras.
As orientações contidas no Guia sobre as principais características dos livros, coleções e dicionários é um material de consulta a ser usado sempre que necessário. O Guia pode, ainda, atuar como aliado em outras ocasiões, mesmo após a escolha das obras.
O Guia de Livros Didáticos, em cada um de seus volumes, é composto de duas partes: a primeira fornece os princípios, os critérios gerais e específicos das áreas e as fichas detalhadas que orientaram o trabalho dos especialistas na avaliação dos livros. A segunda oferece as resenhas das obras aprovadas pelo Programa Nacional do Livro Didático para o ano.
3.3 Comparação das Avaliações dos Livros Didáticos de Matemática
Com base no Guia de Livros Didáticos e na análise pessoal, será apresentada uma comparação entre duas coleções de matemática, de 2a série, em que ambas trabalham com a operação da divisão.
Coleção Convivendo com a matemática
Juliana Sosso Editora Atual
Pela análise do Guia a coleção é recomendada por que os conteúdos são expostos em linguagem clara e abrangem os tópicos normalmente estudados nessa etapa da formação escolar. Esses conteúdos, além disso, são retomados e aprofundados progressivamente ao longo dos volumes da obra.
Há articulação com outras áreas do conhecimento e com situações do cotidiano – o que favorece a formação da cidadania. A obra também apresenta diferentes tipos de representação e explora a diversidade de linguagens.
O cálculo mental, as estimativas e o uso da calculadora estão presentes em muitas atividades da obra, o que contribui para uma formação atualizada do aluno.
Convivendo com a matemática – 2a série
Conteúdos abordados nesse volume:
• Números e operações: usos dos números; sistema de numeração decimal; § De zero a mil;
§ Comparando quantidades;
§ Resolvendo problemas;
§ Trabalhando com tabelas;
§ Adição, subtração, multiplicação e divisão
Espaço e Forma;
§ Figuras Geométricas;
§ Localização;
§ Sólidos Geométricos; § Vistas;
§ Mosaicos;
§ Simetria:
§ Caminhos
Grandezas e Medidas;
§ Trabalhando com centímetro;
§ Trabalhando com o relógio:
§ Metro e centímetro;
§ Trabalhando com o calendário;
§ Quilômetro e quilograma;
Análise geral do Livro Didático: Convivendo com a Matemática
A obra contempla os blocos de conteúdos – números e operações, grandezas e medidas, espaço e forma – e a seleção dos tópicos matemáticos em cada um desses campos é adequada para as séries iniciais do Ensino Fundamental, de acordo com o PCN de matemática.
A distribuição dos conteúdos é também apropriada e segue o modelo de ensino em espiral, no qual os tópicos são retomados e aprofundados ao longo da coleção e algumas vezes dentro de um mesmo volume. Um ponto forte da obra é a articulação entre os tópicos matemáticos e entre o conhecimento a ser adquirido e o conhecimento prévio do aluno.
Observa-se diversidade tanto de representações matemáticas quanto de enfoques associados aos conceitos e procedimentos abordados. A freqüente exploração da Matemática no cotidiano assegura uma adequada contextualização sociocultural dos conteúdos tratados. No entanto, as ligações com a história da Matemática são muito pouco presentes.
Há também inúmeras instâncias em que é favorecida a prática interdisciplinar, por meio de atividades envolvendo Geografia, Ciências, Língua Portuguesa, entre outras áreas do conhecimento.
Quanto à metodologia de ensino-aprendizagem, observa-se, de maneira geral, preocupação com a formação de conceitos, habilidades e atitudes com participação ativa do aluno. Estimula-se o envolvimento do aluno na resolução das atividades propostas, bem como o trabalho em equipe, a troca de idéias com os colegas e a socialização das discussões. Além disso, há bastante cuidado em equilibrar o tratamento conceitual com os algoritmos e procedimentos. No entanto, em algumas instâncias, pode ser apontada uma sistematização precoce dos conteúdos matemáticos, que limita o papel do aluno na atribuição de significados a esses conteúdos.
As atividades propostas favorecem o desenvolvimento da capacidade do aluno para explorar, estabelecer relações, generalizar, argumentar, tomar decisões, criticar, utilizar diferentes estratégias na resolução de problemas, expressar e registrar idéias e procedimentos. Além disso, a obra contém situações-problema que envolvem questões abertas ou desafios, propõem a seleção, a organização e a interpretação de dados, demandam a realização de cálculo mental, de cálculos por estimativas e propõe exercícios com nenhuma solução ou várias soluções e a formulação de problemas. Há também inúmeras atividades que estimulam a utilização de jogos, de materiais concretos e da calculadora.
No entanto, muitos exercícios de fixação requerem apenas a aplicação de regras e procedimentos, exigindo o mesmo padrão de resposta e raciocínio.
A linguagem empregada na obra é, em geral, apropriada para o aluno a que se destina.
Coleção:Viver e aprender
Iracema Mori Editora Saraiva
O Guia do Livro Didático de 2004 coloca que a coleção apresenta variedade de enfoques e significados para os conteúdos trabalhados, principalmente com relação aos números e operações.
Valoriza o conhecimento prévio do aluno, além de se utilizar de resoluções de problemas integradas ao cotidiano. Utiliza-se de uma linguagem clara e de propostas que incluem desafios.
A seqüência lógica dos tópicos é feita de forma apropriada. Os conteúdos são tratados com grande diversidade de enfoques.
Viver e Aprender – 2a série
Conteúdos abordados nesse volume:
• Sistema de Numeração Decimal:
§ Trabalhando com números até 999; § Antecessor e sucessor;
§ Trabalhando com a ordem;
§ Trabalhando com os ordinais:
• Noções de Geometria:
§ Trabalhando com figuras planas;
§ Trabalhando com sólidos
§ Fazendo medições : palmo e centímetro • Medidas:
§ Trabalhando com medidas de comprimento e de tempo • Operações:
§ Adição;
§ Subtração;
§ Multiplicação; § Divisão;
Análise geral do Livro Didático: Viver e Aprender
Embora o Guia coloque que a disposição dos conteúdos seja de forma adequada, ela coloca-se de forma fragmentada, primeiramente é visto o sistema de numeração, depois as noções de geometria, as medidas e depois as operações, de forma que os conteúdos não se interagem entre si. O livro coloca de um patamar fácil para o mais complexo, que é a divisão, assim colocado por ele.
Sua coleção busca o aprofundamento de muitos assuntos ao longo dos volumes, que são indicados para cada série dos ciclos. Muitas vezes um assunto quando plausível é aprofundado no mesmo volume.
A coleção não explora a utilização da calculadora e nem o seu uso, nessa unidade não foi encontrado nenhum exercício que fizesse menção ao uso.
O livro oferece muitas relações com outras disciplinas, ora um tanto forçada e fora, ora muito bem aproveitada.
As atividades propostas e as situações-problemas buscam trabalhar com a capacidade do aluno em explorar, fazer relações, generalizar, argumentar e refletir sobre o cotidiano e sobre o que está sendo questionado, buscando ampliar o vocabulário matemático. Porém, muitas vezes o livro enfoca muito a questão da fixação, em relação a tabuada, e as contas montadas para o treino mecânico das operações.
Já em relação a parte da história da matemática o livro faz muitas relações e explora essa contextualização. Assim como podemos constatar nas amostras abaixo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Brasil, MEC. Coordenação-Geral de Estudos e Avaliação de Materiais. Projetos de avaliação de livros didáticos de 1o a 8o série. Disponível em site www.mec.gov.br/fundamental.
Brasil, MEC. Coordenação-Geral de Estudos e Avaliação de Materiais. Projetos de avaliação de livros didáticos de 1o a 8o série. Disponível em site www.mec.gov.br/fundamental.
Brasil. Programa Nacional do Livro Didático 2004: matemática e ciências, Volume 2 – 1o a 4o série. Ministério da Educação. Brasília,2003.
Editora Cortez, de Bárbara Freitas, Wanderley F. da Costa e Valéria R. Motta.Tese de doutorado do Prof. Dr. Jairo de Araújo Lopez
Fórum de discussões. Disponível em: http://www.novaescola.abril.com.br/online.
LEITE, LUIA H. ALVES. Pedagogia de projetos: uma nova proposta de renovação
pedagógica. São Paulo – SP 2001.
LIMA, REGINA C. V. e PINTO, GERUSA R. O dia-a-dia do professor. Editora Fapi. Belo
Horizonte – MG, 2003.
LORENZONI, IONICE. Livro didático: 75 anos de história. Brasil, MEC. Disponível em
site www.mec.gov.br/fundamental. PARRA, CÉLIA. Didática da matemática.
PELUSO, MARÍLIA L.; BALABAN, D. Fórum de discussões. Disponível em: http://www.novaescola.abril.com.br
PRADO, RICARDO. Os bons companheiros. Revista escola no140, março de 2001. Ed. Abril, São Paulo – SP; Reportagem de capa.

RENATO A. SILVA é Mestrando em Educação - Fundação Ibero-Americana - Florianópolis - Graduado em Matemática pela Universidade São Francisco - Itatiba - Especialista em Modelagem Matemática pela Universidade São Francisco - Jundiaí - Aluno Especial em Filosofia da Matemática pela Unicamp - Máster Business International - Florida Chirstian University - Orlando USA – Membro da Conferência Estadual de Educação Tecnológica – ANET. Atualmente é professor titular da Universidade Padre Anchieta - UNIANCHIETA - Jundiaí, nos cursos de Engenharia da Produção, Publicidade e Propaganda, COMEX, MBA em Logística e Pós-Graduação em Engenharia da Qualidade.



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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Educação e Sociedade Autor: Fernanda da Silva Pereira



Educação e Sociedade

Autor: Fernanda da Silva Pereira
Data: 23/12/2011
RESUMO
Educação e sociedade estão por causas e consequências ligadas. Pois, uma é dependente da outra. Por essa e outras questões é importante que o ser humano esteja ciente do assunto abordado neste trabalho. Levando-se em consideração as contribuições que uma passa para a seguinte, as transformações que ocorrem na sociedade e o papel da escola no desenvolvimento destas. E o que elas influenciam em nossas vidas.
1 INTRODUÇÃO
Primeiramente serão abordadas as contribuições da educação para a sociedade. Sendo que as duas se complementam, porque uma depende da outra para conseguirem abranger as novidades. As quais são causa e consequência das transformações que ocorrem no mundo, principalmente as novas tecnologias. Pois, a área tecnológica é um fator, o qual tem muito a ser desvendado pela educação e pela sociedade, entre muitos outros que permeiam e até preocupam as duas. 
Buscando apoio nas obras de importantes autores como Leandro Konder, Edgar Morin... Autores que retratam nas suas obras a relação entre a educação e sociedade, as quais fazem e sempre farão parte da realidade, estando ininterruptamente em desenvolvimento. É nesse desenvolvimento que é dado um maior enfoque, porque ao seu longo percurso e infinito nos deixa muitas vezes intrigados pelo fato de não sabermos o seu resultado. Ou seja, com nossa sociedade e a educação em pleno desenvolvimento acabamos nos preocupando com o que suas mudanças podem refletir na cultura, política, enfim nas nossas vidas como cidadãos agentes de sua sociedade.

Com todas essas contribuições e transformações ocorrendo em nossa sociedade, poderemos perceber a relação que a educação possui. Mas para que isso ocorra precisamos nos dar conta de tudo o que está ao seu redor, ou seja, dos fatores que contribuem para essa relação. Educação e sociedade não são somente duas palavras interligadas, elas são duas reais formas de buscarmos aquilo que queremos para o futuro de nosso mundo.
Num segundo momento será abordado o papel da escola como instituição de ensino. Onde se observará a sua responsabilidade tanto com a educação, quanto com a sociedade. Também será verificado o verdadeiro objetivo deste trabalho, que é compreender a relação entre estas duas palavras, as quais possuem uma extensa importância para cada um de nós. E nesse contexto poderemos nos descobrir como seres ativos de sua sociedade, observando nossa própria importância sobre ela.
2 AS CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE
A educação sempre contribuiu para o desenvolvimento da sociedade. A qual busca nas raízes da educação o verdadeiro sentido para sua evolução cultural, principalmente. Pois, é através desta interação que existem contribuições, porque a sociedade só se torna moderna com a evolução da educação. E a própria sociedade tem seu papel nestas contribuições, porque é com seu respaldo que a educação tem procurado assimilar da melhor maneira possível o que está ao seu redor. 
Existe uma grande busca de qualidade por parte da educação. Esta não é só uma preocupação da educação, mas também uma exigência da sociedade frente aos avanços tecnológicos e as mudanças nas áreas: econômica e cultural. Principalmente, a tecnologia tem modificado-se a cada dia e isso tem refletido nas escolas, fazendo com que os educadores busquem cada vez mais aprimoramento na área, reforçando assim seu trabalho, pelo fato dos alunos mostrarem muito interesse ao se tratar da tecnologia. 
Na área tecnológica, a educação apresenta muito interesse. Entretanto, a política não faz a sua parte, deixando muitas escolas em pleno desenvolvimento tecnológico sem computadores, professores especializados... Além dessa falta de respaldo por parte da política, aquelas escolas que possuem esses recursos acabam sendo roubadas, tomadas pela falta de segurança, através do terror que afeta a sociedade mundial, a violência.
 Analisando a função social da educação, Konder (2000, p. 112) afirma que não existe "sociedade humana sem trabalho e sem educação":
Toda sociedade vive porque consome; e para consumir, depende da produção, isto é do trabalho.
Toda sociedade vive porque cada geração nela cuida da formação da geração seguinte e lhe transmite algo dos seus conhecimentos e da sua experiência, educando-a.
Não há sociedade humana sem trabalho e sem educação.
3 O PAPEL DA ESCOLA
A escola como instituição de ensino se restringe há muitos anos. Mesmo com as transformações, pelas quais passou a educação, existe muito para se melhorar, especialmente na questão institucional. Pois, segundo a LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 1996) a educação é perpendicular a todos os membros de uma sociedade. Isto nos demonstra que a educação não é só para uma minoria da sociedade.
Na educação da sociedade, o papel fundamental da escola é planejar juntamente com sua comunidade o PPP (Projeto Político-Pedagógico). Neste deverá ser escrito o que a própria quer desenvolver em seus alunos, isto é, o exemplo de cidadão que formará para interagir com a sociedade. Também deverá ter neste documento os objetivos a serem alcançados no decorrer do processo de ensino-aprendizagem, a sua filosofia... Conforme Morin (2001, p. 14) "o conhecimento do conhecimento deve aparecer como necessidade primeira, que serviria de preparação para enfrentar os riscos de permanentes erros e de ilusão, que não cessam de parasitar a mente humana."

Ainda há muito para ser feito em prol da escola. Mas, para que isso ocorra é necessário que busquemos valorizá-la intensamente e no futuro poderemos encontrar com esforços pelo menos o caminho a ser percorrido para que ela se torne ideal. E mesmo que esta busca seja cansativa, ao relembrarmos tudo o que ela fez no passado, conseguiremos compreender o seu papel fundamental de democratização da educação.
3.1 AS TRANSFORMAÇÕES NA SOCIEDADE
Abordando-se a questão social da educação é notório o papel da sociedade sobre esta. Pois, o fato delas estarem interligadas não faz com que esqueçamos das diversas transformações que a sociedade tem passado. Entre estas transformações podem ser consideravelmente lembradas: a democratização da educação, a tecnologia, a evolução da cultura pelas diversidades e respeito às mesmas... 
Considerando o papel da educação na atualidade, Edgar Morin (2003, p. 105) alega que a educação "deve reforçar o respeito pelas culturas":
A educação deve reforçar o respeito pelas culturas, e compreender que elas são imperfeitas em si mesmas, à margem do ser humano. Todas as culturas, como a nossa, constituem uma mistura de superstições, ficções, fixações, saberes acumulados e não-criticados, erros grosseiros, verdades profundas, mas essa mescla não é discernível em primeira aproximação e é preciso estar atento para não classificar como superstições saberes milenares, como, por exemplo, os modos de preparação do milho no México, que por muito tempo os antropólogos atribuíram a crenças mágicas, até que se descobriu que permitiam que o organismo assimilasse a lisina, substância nutritiva que, por muito tempo, foi o seu único alimento. Assim o que parecia ?irracional? respondia a uma racionalidade vital.
Atualmente a educação tem exercitado mais a democracia e a cidadania. Pois, computadores estão sendo inseridos no ambiente escolar, alunos estão tendo mais contato com as novas tecnologias, entre estas a internet, a qual se tornou um recurso imprescindível para alunos e professores. Os próprios professores utilizam este recurso para inovar suas aulas e fazer com que seus alunos tenham mais interesse pelos conteúdos. Segundo Costa (2002), ao enfrentarmos as metodologias, acabamos nos deparando com a ciência que é um pensamento impregnado de parâmetros, os quais fazem todos discernir o certo do errado, por exemplo. Por esses motivos, estão cada vez mais repensando a prática pedagógica, fazendo com que as aulas sejam para os alunos mais agradáveis e interessantes.  E isso vem trazendo novas possibilidades para a sociedade com mais conhecimento às culturas, uma educação mais democrática e igualitária, onde todos os cidadãos possuem o direito de usufruírem, por exemplo, das novas tecnologias...
As novas tecnologias tem sido as maiores fontes de transformação da sociedade, porque é partindo desse pressuposto que a educação tem promovido progressos. Estes progressos estão elevando a sociedade a um patamar incalculável de conhecimento. E esse é o resultado da democratização que a educação tem passado ao longo dos anos, ao respeito às diferenças e valor às culturas.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tanto a sociedade, quanto a educação contribuem para o desenvolvimento do ser humano. Mas, como foi relatado ao decorrer deste trabalho, elas dependem de outros fatores para que esse desenvolvimento seja cada vez mais eficaz, como,  por exemplo, da política. Esta poderia valorizar mais a educação, fazendo com que a segurança tome conta das escolas, ao invés da violência, dando mais respaldo à educação para que essa cumpra o seu papel de caminhar com a sociedade, fazendo desta agente de seu processo.
As duas ainda têm muito para melhorar. Essa melhoria acontecerá quando a escola se unir com a sociedade, porque dessa maneira irão se dar conta de que estão sendo manipuladas pela camada mais elevada da sociedade, resolvendo reivindicar os seus direitos, deixando de conviver com a educação desordenada, passando a refletir e criticar para erradicar com as necessidades que a educação da atualidade tem encontrado, fazendo assim uma perfeita ligação entre teoria e prática.
Para os seres pensantes a educação sempre foi a prioridade do mundo. Porém, falta ela ser prioridade dos "governantes". Para que isso ocorra é necessário que nos preocupemos nos momentos em que acontecem as eleições, dando mais dedicação para a escolha do que oferecer o melhor para a educação, porque só assim estaremos contribuindo para um melhor futuro de nossa sociedade. Pois, temos que pensar nos nossos sucessores, os quais irão necessitar de uma educação de qualidade para conviver melhor com os outros cidadãos.

5 REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20/12/21996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. São Paulo: Editora do Brasil S/A.
COSTA, Marisa Vorraber. Novos olhares na pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP & A, 2002. p. 18.
KONDER, Leandro. O que é Dialética. São Paulo: Brasiliense, 1985. p. 112. Disponível em: <http://portalensinando.com.br/ensinando/principal/conteúdo>. Acesso em: 22 maio 2010.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2001. p. 14.

MORIN, Edgar. Educar na era planetária. São Paulo: Cortez, 2003. p. 105.

fonte; http://www.pedagogia.com.br/artigos/educacaoesociedade/

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Princípio de Peter na política à portuguesa. Má-fé na política. Evocação de Kant



- Toda a Política, como na Publicidade, a mentira e a simulação são artes sempre constantes com vista à manutenção da opacidade, por vezes em demasia. Quem está a enganar quem? Qual é a diferença... entre Gigante e Jumbo? Quarto e Quarto Completo? Duas onças e duas grandes onças? O que quer dizer Extra Longo?

- E quando se apura o nível da responsabilidade, sacrifica-se primeiro quem? O topo, o intermédio ou o nível inferior? Por regra, é o mexilhão o primeiro a estourar, e é assim para se poupar o nível superior numa contínua rotação de iresponsabilidade política, ou de que esta "morre sempre solteira". E assim chegamos ao Príncipio de Peter - associado ao prémio da incompetência, especialmente quanto mais elevado for o nível da responsabilidade na organização, na sociedade ou, pasme-se, dentro do próprio aparelho de Estado.

- Portugal continua decadente e decrépito, finge não ver os problemas e quem os pratica, e, perversamente, acaba por premiar - ainda que por omissão - aquele(s) que nem para o lugar de motorista serviriam.

- Portugal tem, acima de tudo, um problema de miopia política, o resto são "bodes respiratórios" que em breve irão morrer à praia...
 
- Contudo, se quisermos elaborar um pouco mais o nível da análise, notamos que em Portugal a classe política tem uma mente selectiva, só vendo o que lhe interessa, ocultando o que não interessa. Tem sido assim desde 1974. Significa isto que o escol dirigente nacional, quiça resultado de quase 40 anos de ditadura em que todos desconfiavam de todos, e em que o delator era premiado quando denunciava o vizinho, padece do mal designado má-fé. Não a que se contenta com insultos, mas a que remete os comportamentos e as acções para a denegação da realidade, por vezes elevando os actores políticos em dificuldades ao patamar dop lirismo.
 
- É, pois esta má-fé, sem desculpar a classe jornalística que é, não raro, descuidada, pouco ilustrada e até iresponsável (porque politicamente inimputável), que se alimenta da negação da realidade que não interessa ao poder em funções e tende a gestionar uma verdade alternativa - que sirva os intentos desse poder - e que opere, ao nível da opinião pública, como uma espécie de evidência paralela ou realidade alternativa.
 
- No fundo, aquele que mente, ou oculta dados essenciais nos negócios do Estado, logo integrantes da vida da polis, como é (ou deveria ser!) a gestão de um assunto ultra-sensível como é a intelligence nacional, - e aquele a quem se mente, são a mesmíssima pessoa. Também é isso que distingue o homem de má-fé do cínico, que nem por um momento se preocupa em dissimular a si mesmo na sua intenção de mentir. Estas relações ganham foros de cidade quando o quadro das interacções entre as esferas política e mediática entram em modo de "sobre-aquecimento".
 
- Numa palavra, e dito doutro modo, sempre com o auxílio potente da reflexão filosófica, a mais abrangente no domínio das CSH, a má-fé distingue-se da mentira clássica, já que, contráriamente a esta, não supõe uma consciência da verdade ocultada. A esta luz, o actor político de má-fé mente - primacialmente - a si próprio, dado que o seu nível de cultura política e de consciencialização dos problemas (públicos) que tem em mãos são de tal modo relativizados (para não dizer ignorados) que ele se perfila num acto recortado pela auto-mentira, i.é, pela mentira interior de Kant.
 
- Quando assim é tudo é relativizado: o mal e o bem equivalem-se, o correcto e o incorrecto anulam-se, o politicamente aceitável e o politicamente inaceitável - passam a ser geridos por uma fina membrana que também se rompe nessa avaliação.
 
- E a este propósito até apetece citar o poeta-filósofo, Fernando Pessoa quando, vendo o cego parado no meio da estrada, se pergunta - verdade, mentira, certeza, incerteza são as mesmas. Ou será que qualquer coisa mudou numa parte da realidade que nem já a ciência tem capacidade de prever... 
 
- Afinal, o que é o real?! Será que relvas existe...


PS: Texto evocativo do imenso legado kantiano.
 

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

2. AS NUANÇAS DE JENS PETER JACOBSEN OTTO MARIA CARPEAUX



Uma amostra dos Ensaios Reunidos de Otto Maria Carpeaux

2. AS NUANÇAS DE
JENS PETER JACOBSEN
OTTO MARIA CARPEAUX

Contribuindo à definição da nossa época, poder-se-ia dizer: é uma época sem nuanças. O espírito dominante, coletivista, não as suporta e não as tolera. Desafiando a frase brilhante e venenosa de Renan — "la vérité est une nuance entre mille erreurs"1 — a nossa época prefere as verdades simplificadas, "verdades em bloco", dogmáticas, das quais a nuança seria uma heresia. Faltam as nuanças entre as cores locais, duramente justapostas, dos pintores; faltam as nuanças na língua homofônica dos músicos. E quem procuraria nuanças no pão quotidiano dos intelectuais e dos pobres, no cinema? Estamos coletivamente felizes, isto é, profundamente infelizes, mas também sem nuanças. Morremos mesmo, todos, sem nuanças, a mesma morte.
Neste mundo, duma só cor e ruidosamente unânime, ressoa, em voz muito baixa, a reza do poeta, a reza de Rilke:
"Dá, ó Senhor, a cada um a sua própria morte."
Sei em que Rilke pensou escrevendo este verso. Foi o mesmo em que pensou ao escrever, no romance Os cadernos de Malte Laurids Brigge, as frases inesquecíveis: "Para fazer um verso, precisa-se ter visto muitas cidades, homens e coisas. Precisa-se ter experimentado os caminhos de países desconhecidos, despedidas longamente pressentidas, mistérios da infância não esclarecidos, mares e noites de viagens. Não basta mesmo ter recordações: precisa-se saber esquecê-las, precisa-se possuir a grande paciência de esperar até que elas voltem. Pois as próprias recordações não o são ainda. Antes, as recordações devem entrar em nosso sangue, nosso olhar, nosso gesto; quando, então, as recordações se tornam anônimas e não se distinguem do nosso próprio ser, então pode acontecer que, numa hora rara, nasça a primeira palavra dum verso." Pensou Rilke na mesma pessoa, quando fez do herói do seu romance um dinamarquês. Pensou no poeta dinamarquês Jens Peter Jacobsen.
Hoje, não é, quase, senão um nome. Está esquecido. Eu mesmo, para confessar a verdade, esquecera-o, durante muitos anos, ingratamente: esse poeta é para mim, e para muitos da minha geração, uma preciosa lembrança da mocidade perdida. Enfim, "on revient toujours à ses premiers amours".2 Relendo-o, sei por que Jacobsen está esquecido. Sei por que estou folheando esses pequenos volumes de papel amarelecido, como preciosidades frágeis duma civilização perfeitamente requintada, que morreu há séculos. Lembram porcelanas chinesas da época do poeta Li Tai Po, que era também um poeta de nuanças; daqueles poetas que suportam o esquecimento sem morrer.
Jens Peter Jacobsen era um poeta de nuanças. A sua influência literária foi imensa: remodelou não só a literatura mas a própria língua de todas as nações escandinavas; infiltrou-se no sentimento e na expressão de certos simbolistas alemãs e franceses; rivalizou na Inglaterra com a influência de Keats; teve discípulos na Holanda, na Rússia e entre os tchecos. E tudo isso muito delicadamente, discretamente, ao ponto de essas influências e recordações se tornarem anônimas e deixarem esquecer o seu autor. Nada ficou, senão uma lembrança agradecida da Dinamarca; uns versos de Rilke; e, para nós outros, uma grande saudade.
Quem era Jens Peter Jacobsen? Sem querer espremer a expressão, pode-se afirmar que a sua própria vida foi uma nuança, uma nuança entre vida e morte. Nasceu em 1847, na pequena cidade dinamarquesa de Thistedt, e morreu em 1885, de tuberculose. Trabalhador infinitamente meticuloso e vagaroso, escreveu pouco. Escreveu alguns versos, dois romances, Maria Grubbe e Niels Lyhne, e meia dúzia de contos, dos quais o mais belo se chama Senhora Foenss. Eis tudo. No entanto, essa pobre vida, pouco vistosa, foi bela e rica, como a paisagem pouco vistosa da Dinamarca. É uma paisagem discreta, bela pelas nuanças. Pastagens ondeantes, gramíneas tenras, florestas de faias, que refratam a luz dum sol quase meridional, transformada em jogos mágicos de claridades e sombras. Depois caem névoas azuladas sobre a paisagem outonal; sentem-se, de longe, as linhas da praia fria, ressoa um murmúrio longínquo do mar, em monotonias delicadas. Uma paisagem monótona e delicada, que encontrou os seus pintores, os Koebke, Skovgaard, Kroeyer, os pintores mais tranqüilos, mais delicados da velha Europa. Essa paisagem aguardava o seu poeta. Para isso foi preciso uma grande mágoa. Veio a guerra de 1864, quando a Prússia se atirou brutalmente sobre o minúsculo país e lhe arrancou a metade do seu território. Foi então que um menino de sete anos, o futuro poeta Herman Bang, recebeu, na noite do assalto imprevisto à casa paterna na fronteira, o choque que lhe arruinou, para sempre, os nervos e a vida. A Dinamarca defendera-se heroicamente; mas parece que todo o país sofreu tal choque de nervos. A madrugada que seguiu àquela noite encontrou outros homens. O romantismo nacional, satisfeito e vaidoso, desvaneceu-se. Tornaram-se realistas, duros realistas, com a nuança da saudade romântica nas almas.
O jovem Jacobsen estudou ciências naturais. Traduziu Darwin, que estava então em voga; em 1873, a sua tese botânica Aperçu systématique et critique sur les desmidiacées du Danemark3foi coroada pela Universidade de Copenhague. Escreveu, mais tarde: "É um estudo extraordinariamente exato. Ninguém o leu." O rapaz magro, com o germe da doença mortal no corpo, entrincheirou-se atrás duma ironia cruel, dirigida, as mais das vezes, contra si mesmo. "Nunca" — diz um dos seus amigos — "a gente podia tomar ao pé da letra as suas palavras." Falei em nuanças. E uma dessas nuanças, que não podem ser aceitas literalmente, é o ateísmo do estudante darwinista. O grande crítico dinamarquês e europeu Georg Brandes, liberal radicalíssimo e impenitente, e que fez muito pela glória européia de Jacobsen, orgulhava-se desse ateísmo do seu pretendido discípulo. Mas o agnosticismo e realismo de Jacobsen significa bem outra coisa: a sua arte, nascida de profundas agitações políticas, é a transição para uma arte simbolista, simbólica, transição do político ao humano, de que a literatura simbolista da Bélgica, muito jacobseniana, é outro testemunho. Lá e cá, o fundo do abalo político era uma angústia religiosa, e o guia misericordioso é, em Jacobsen como em Maeterlinck, a morte. Brandes não compreendeu que o ateísmo de Jacobsen era uma nuança entre mil verdades duma profunda ânsia religiosa que lembra a do seu patrício Kierkegaard. Foi aquela ânsia que influiu em Rilke, o qual pensava, ainda uma vez, em Jacobsen, ao escrever as seguintes palavras de diálogo: — "Deus está ali? — E nós, estamos aqui?"
Jacobsen estava mais lá do que aqui. A doença devorava-o lentamente e inexoravelmente. Mas não se deve imaginar um pálido poeta tísico, tipo velho romantismo. Sem conhecer muito as mulheres, era dum erotismo profundo, não cínico nem euforicamente dionisíaco, mas compreensivo. Gostava da conversação alegre e superava a todos em mordacidade. Professava as opiniões religiosas e políticas mais radicais, mas não podia dissimular um ar muito aristocrático, e as crianças, que são os mais agudos observadores, chamavam-no "Vossa Excelência". Teve aquele ar aristocrático próprio do espírito dinamarquês. Não é por acaso que a música do mais aristocrático dos músicos, a de Mozart, é quase música nacional na Dinamarca, festejada até num trecho célebre de Kierkegaard. Há, na Dinamarca, aquelas velhas famílias aristocráticas, decadentes; poder-se-ia designar a todas com um título de Herman Bang: "famílias sem esperança". Jacobsen era também sem esperança. Sabia a proximidade da morte.
Morreu em Copenhague, num pobre quarto, cuidado pela mãe desesperada. Quando, na última hora, o seu olhar silencioso a fitou, pensou na sua Senhora Foenss, também uma mãe desesperada que, morrendo, escrevera a mais bela carta de despedida: "Adeus, meus filhos, adeus, até o último adeus." Pensou no cortejo fúnebre das suas outras figuras: no fim impenitente de Niels Lyhne: "Depois morreu a morte, a difícil morte"; no fim da Maria Grubbe: "Não deploro a vida; foi boa, assim como foi." Pois a vida de Maria Grubbe, como a do seu autor, foi uma vida inteiramente rica.
Maria Grubbe. Interiores do século XVII4 é um romance histórico, escrito, com artifício habilíssimo, na língua e no estilo da época. Isto tem significação. Jacobsen começara com os versos românticos das Canções de Gurre, que Arnold Schoenberg pôs em música moderníssima. Passou ao verso livre dos Arabescos, versos livres que são uma nuança entre a poesia e a prosa. Disciplinou a sua língua intencionalmente, pelo artifício arcaizante de Maria Grubbe, e tornou-se o maior artista da prosa das línguas escandinavas. É um colorista, isto é, um pintor sem duras cores locais, um pintor de nuanças. O olho agudo do botânico e a sensibilidade fabulosa do doente vêem coisas que ninguém viu antes. Descreve o brilho dos archotes de pez sobre o ouro e prata das jóias, sobre o aço das armaduras, sobre seda e veludo, um jogo de vermelho, amarelo, azul, preto e lilás; descreve mil nuanças do modesto sol de setembro num quarto. Vê tudo. Mas vê somente quadros. O romance dissolve-se em quadros; e a vida de Maria Grubbe, que era a mulher do cavalheiro Ulrik Gyldenloeve, irmão do rei, e que caíra, de degrau em degrau, até acabar como mulher do sujo palafreneiro Soeren, é sem sentido, como toda vida; mas foi boa. O romance é quase incoerente; as pessoas aparecem de súbito, e de súbito desaparecem, para sempre. Mas não é assim na vida real também? "C’est la vie." É também assim nas notícias policiais; mas há uma diferença entre elas e a poesia; se bem que só uma nuança.
O romance Niels Lyhne é todo poesia. Quem o leu não esquecerá nunca as palavras, tão simples, do começo: "Ela tinha os olhos pretos, brilhantes, dos Bliders." "Ela" é a mãe de Niels, natureza duma poetisa fracassada e que legou ao filho a fraqueza e o fracasso. "Ela vivia em versos; ela sonhava em versos e acreditava nos versos mais do que em qualquer outra coisa." Niels, o seu filho, "devia fazer-se poeta". Mas não se fazem poetas. É só uma vida em passividade, descrita, ainda uma vez, em quadros consecutivos. Há no Niels Lyhne muitas cenas de amor, algumas cenas de despedida, e algumas cenas de morte. Niels é um Dom João, mas um Dom João sempre fracassado; procura nas mulheres a poesia que devia ser a sua arte, e que, invisível para ele, só existia na sua vida. "Passou a vida à toa, à toa", na passividade aristocrática dinamarquesa. Pertenceu àquela "sociedade secreta dos melancólicos", à qual um cavalheiro galante se referira em Maria Grubbe; e por isso foi um poeta, como nós outros que sentimos a poesia com o coração e com todos os sentidos, e a quem não foi dado o verso. Isto também é poesia; mas com uma nuança.
Após as cenas de amor, há em Niels Lyhne cenas de despedida. São comoventes e lembram a frase de George Eliot: "Em cada despedida há a imagem da morte." Uma dessas cenas termina com as palavras: "Exit Niels Lyhne"; e a expressão quase dramática parece preparar a última despedida de Niels. Enfim, há as cenas de morte. Logo no princípio, há a morte da jovem tia Edele, que o menino Niels amara quase inconscientemente e que vê morrer, sem compreender o definitivo dessa primeira despedida de sua vida. Mais tarde, morreu o filhinho de Niels; estava cortado o último laço que o ligara à vida. Depois, "veio aquele dia de novembro, em que o rei morreu, e começou a ameaça da guerra". Estas palavras são a introdução à cena final do livro. Como sempre em Jacobsen, os acontecimentos exteriores são rapidamente narrados; só de passagem ouvimos que Niels se alistou como voluntário e recebeu no peito a ferida mortal. É depois da derrota. Niels ficou no lazareto; vai morrer. O ateísta impenitente recusa o sacerdote. O último visitante é um amigo pouco íntimo, o médico militar Hjerrild. "— Adeus, Niels, disse Hjerrild; afinal, é uma boa morte, morrer pelo nosso pobre país. — E, saindo, o médico pensou: se eu fosse Deus, perdoar-lhe-ia." A agonia leva horas. "Quando Hjerrild o viu pela última vez, Niels já não reconhecia ninguém. Estava deitado, delirando qualquer coisa duma armadura, e quis morrer de pé. Depois morreu a morte, a difícil morte."
"Depois morreu a morte, a difícil morte." O uso transitivo do verbo "morrer" é muito raro, é bem uma nuança; e Jacobsen era o poeta das nuanças. Mas o romance não é uma arte de nuanças. Afinal, nem Maria Grubbe nem Niels Lyhne são romances. Dissolvem-se em quadros maravilhosos, são obras episódicas; já se vê que Jacobsen é sobretudo um contista.
A primeira obra publicada de Jacobsen foi o conto Mogens, conto erótico, ainda muito romântico, mas já cheio de impressões desconhecidas na literatura européia de então; uma pequena sinfonia de cores e sons. A mocidade literária ficou espantada em face dessa "revelação dum belo país, que a gente não sabia onde ficava". Jacobsen escreveu poucos contos. Era um trabalhador infatigável, mas muito lento, como Flaubert: nas 317 páginas de Niels Lyhne levou sete anos. Trabalhava mais lentamente ainda nos contos, onde cada palavra era bem deliberada; e sobrava-lhe tão pouco tempo! Deste modo, os contos de Jacobsen são como experimentos, promessas de realizações futuras, que não se realizavam; mas a arte consumada do poeta conferiu-lhes alguma coisa de definitivo. Não são "experimentos" no sentido de esboços inacabados, mas no sentido de amostras do que a arte de Jacobsen "poderia ter sido e que não foi". Poderia ter sido a arte soalheira, saudável, de Mogens, ou o fantástico do Tiro na névoa. Poderia ter sido o cume de requinte estilístico, nas significações boa e má da palavra, como na pequena fantasia Aqui haveriam de ficar rosas, onde Jacobsen antecipa o neogongorismo das últimas correntes poéticas. Poderia ter sido o estilo disciplinado, castamente abreviado, do conto histórico A peste em Bérgamo. O futuro mais verossímil da arte jacobseniana era o conto psicológico. Maria Grubbe quis ser o romance duma alma, eNiels Lyhne já o é. As descrições minuciosas constituem sempre exteriorizações simbólicas de estados de alma, e a sensibilidade hiperestésica vai-se encaminhando para dentro. O perigo desse caminho era a dissecção psicológica, aquela dissolução que se tornou, depois da morte de Jacobsen, a moda do romance europeu, e que Bourget denunciou, naqueles anos, com a noção nova de "decadência". Mas Jacobsen não era decadente; é possível que o seu corpo o fosse; admito mesmo: todo o homem. Isto, porém, não implica a arte. Não se pode imaginar homem mais decadente do que o tísico Keats, morto aos 26 anos de idade; e a sua poesia é o cume da beleza vital na poesia inglesa. Em geral, a palavra "decadência" serve, muitas vezes, aos sãos e higienicamente imbecis, para difamar a arte das nuanças. Nos últimos dias da sua vida doente, Jacobsen chegou a uma arte de nuanças psicológicas, tão simples e tão saudável, que todas as objeções emudecem. Que o assunto dessa arte viva é a morte não é um milagre, em face do estado do autor; enaltece ainda o milagre de arte no último conto,Senhora Foenss.
A Senhora Foenss tem dois filhos, quase adultos: o filho Tage e a filha Ellinor. Ela é uma viúva, ainda jovem. Na Provença, cujo sol sadio Jacobsen conheceu nas suas tentativas frustradas de manter a vida fugidia, lá ela encontrou o esquecido amigo da mocidade, e já ela sabe que toda a sua vida anterior foi um engano; quer, ainda uma vez, casar. Mas os filhos se opõem: então ela não seria a mãe venerada, mas uma mulher exposta a críticas sacrílegas. A Senhora Foenss insiste; casa-se. Seguem-se muitos anos de separação entre mãe e filhos, anos de decepção também. Não era a felicidade. Não era a vida que poderia ter sido, mas só a vida que não foi. A Senhora Foenss cai doente; vai morrer. Nesses momentos escreve aos filhos a carta de despedida, em que a sombria compreensão da vida e o sereno sabor da morte confluem para as linhas finais, as últimas linhas que Jacobsen escreveu: "Adeus, meus filhos; digo-o agora, mas não é aquele adeus que deverá ser o último adeus a vocês. Quero-o dizer o mais tarde possível, e haverá nele todo o meu amor e a saudade de tantos, tantos anos, e a lembrança do tempo em que vocês eram pequenos, e mil votos, e mil agradecimentos. Adeus, Tage; adeus, Ellinor; adeus, até o último adeus."
Tudo isto é muito fino. Talvez, fino demais para nós outros; e a muitos, na tempestade destes dias, parecerá sem importância. Para confessar a verdade, eu também tive ligeira decepção, quando reli, após tantos, tantos anos, esse livrinho amarelecido. "On revient toujours à ses premiers amours"; mas é uma volta perigosa. Enfim, são lembranças de dias que se despediram de nós, definitivamente, e se não é o último adeus, só não o é porque fica ainda, em alguma parte do mundo, o quarto onde um jovem leu, pela primeira vez, o adeus da Senhora Foenss, e porque ainda bate, em alguma parte do mundo, um coração de mãe. Por isso, fica a poesia. É a língua do coração, é a língua materna. Ainda no requinte mais artístico, é a língua materna da humanidade. Entender ainda essa língua é a prova de que somos ainda homens.
Somos homens. Inclui-se neste conceito de humano tudo o que é frágil, caduco, perecível. Inclui-se também tudo o que é brutal, vital, cru. Tudo isto, em conjunto, é o que se chama o Existencial. É o que é igual em todos os homens. Por isso, aparece nesse existencialismo simplificado o perigo do nivelamento no cru, no animal, no que é humano e no que é menos que humano. Enfim, somos todos mortais. O que se perde é a nuança. Fica uma vida sem nuanças, sem nuanças até a morte, "a difícil morte". É a língua mais que humana, a língua da poesia, que nos ensina a reza:
"Dá, ó Senhor, a cada um a sua própria morte."

NOTAS
  1. "A verdade é uma nuança entre mil erros." [N.E.] Voltar
  2. "Voltamos sempre aos nossos primeiros amores." [N.E.] Voltar
  3. "Breve exposição sistemática e crítica sobre as desmidiáceas da Dinamarca." [N.E.] Voltar
  4. Na edição original da Casa do Estudante do Brasil, a palavra "interiores" do subtítulo mencionado aparece em francês: intérieurs. Não vi motivo para não traduzi-la, mesmo porque na versão alemã de Maria Grubbe (tradução de Ursula von Wiese, Alfred Scherz Verlang, Bern), a única que eu tinha à mão, não consta subtítulo nenhum. [N.E.] Voltar
fonte: http://www.olavodecarvalho.org/textos/carp2.htm#1

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