sexta-feira, 8 de março de 2013

ARISTÓTELES: OS QUATRO DISCURSOS




ARISTÓTELES: OS QUATRO DISCURSOS1

Capítulo I de Aristóteles em Nova Perspectiva: Introdução à Teoria dos Quatro Discursos (Rio, Topbooks, 1997)

Há nas obras de Aristóteles uma idéia medular, que escapou à percepção de quase todos os seus leitores e comentaristas, da Antigüidade até hoje. Mesmo aqueles que a perceberam — e foram apenas dois, que eu saiba, ao longo dos milênios — limitaram-se a anotá-la de passagem, sem lhe atribuir explicitamente uma importância decisiva para a compreensão da filosofia de Aristóteles2. No entanto, ela é a chave mesma dessa compreensão, se por compreensão se entende o ato de captar a unidade do pensamento de um homem desde suas próprias intenções e valores, em vez de julgá-lo de fora; ato que implica respeitar cuidadosamente o inexpresso e o subentendido, em vez de sufocá-lo na idolatria do "texto" coisificado, túmulo do pensamento.
A essa idéia denomino Teoria dos Quatro Discursos. Pode ser resumida em uma frase: o discurso humano é uma potência única, que se atualiza de quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a analítica (lógica).
Dita assim, a idéia não parece muito notável. Mas, se nos ocorre que os nomes dessas quatro modalidades de discurso são também nomes de quatro ciências, vemos que segundo essa perspectiva a Poética, a Retórica, a Dialética e a Lógica, estudando modalidades de uma potência única, constituem também variantes de uma ciência única. A diversificação mesma em quatro ciências subordinadas tem de assentar-se na razão da unidade do objeto que enfocam, sob pena de falharem à regra aristotélica das divisões. E isto significa que os princípios de cada uma delas pressupõem a existência de princípios comuns que as subordinem, isto é, que se apliquem por igual a campos tão diferentes entre si como a demonstração científica e a construção do enredo trágico nas peças teatrais. Então a idéia que acabo de atribuir a Aristóteles já começa a nos parecer estranha, surpreendente, extravagante. E as duas perguntas que ela nos sugere de imediato são: Terá Aristóteles realmente pensado assim? E, se pensou, pensou com razão? A questão biparte-se portanto numa investigação histórico-filológica e numa crítica filosófica. Não poderei, nas dimensões da presente comunicação, realizar a contento nem uma, nem a outra. Em compensação, posso indagar as razões da estranheza.
O espanto que a idéia dos Quatro Discursos provoca a um primeiro contato advém de um costume arraigado da nossa cultura, de encarar a linguagem poética e a linguagem lógica ou científica como universos separados e distantes, regidos por conjuntos de leis incomensuráveis entre si. Desde que um decreto de Luís XIV separou em edifícios diversos as "Letras" e as "Ciências"3, o fosso entre a imaginação poética e a razão matemática não cessou de alargar-se, até se consagrar como uma espécie de lei constitutiva do espírito humano. Evoluindo como paralelas que ora se atraem ora se repelem mas jamais se tocam, as duas culturas, como as chamou C. P. Snow, consolidaram-se em universos estanques, cada qual incompreensível ao outro. Gaston Bachelard, poeta doublé de matemático, imaginou poder descrever esses dois conjuntos de leis como conteúdos de esferas radicalmente separadas, cada qual igualmente válido dentro de seus limites e em seus próprios termos, entre os quais o homem transita como do sono para a vigília, desligando-se de um para entrar na outra, e vice-versa4: a linguagem dos sonhos não contesta a das equações, nem esta penetra no mundo daquela. Tão funda foi a separação, que alguns desejaram encontrar para ela um fundamento anatômico na teoria dos dois hemisférios cerebrais, um criativo e poético, outro racional e ordenador, e acreditaram ver uma correspondência entre essas divisões e a dupla yin-yang da cosmologia chinesa5. Mais ainda, julgaram descobrir no predomínio exclusivo de um desses hemisférios a causa dos males do homem Ocidental. Uma visão um tanto mistificada do ideografismo chinês, divulgada nos meios pedantes por Ezra Pound6 (, deu a essa teoria um respaldo literário mais do que suficiente para compensar sua carência de fundamentos científicos. A ideologia da "Nova Era" consagrou-a enfim como um dos pilares da sabedoria7.
Nesse quadro, o velho Aristóteles posava, junto com o nefando Descartes, como o protótipo mesmo do bedel racionalista que, de régua em punho, mantinha sob severa repressão o nosso chinês interior. O ouvinte imbuído de tais crenças não pode mesmo receber senão com indignado espanto a idéia que atribuo a Aristóteles. Ela apresenta como um apóstolo da unidade aquele a quem todos costumavam encarar como um guardião da esquizofrenia. Ela contesta uma imagem estereotipada que o tempo e a cultura de almanaque consagraram como uma verdade adquirida. Ela remexe velhas feridas, cicatrizadas por uma longa sedimentação de preconceitos.
A resistência é, pois, um fato consumado. Resta enfrentá-la, provando, primeiro, que a idéia é efetivamente de Aristóteles; segundo, que é uma excelente idéia, digna de ser retomada, com humildade, por uma civilização que se apressou em aposentar os ensinamentos do seu velho mestre antes de os haver examinado bem. Não poderei aqui senão indicar por alto as direções onde devem ser buscadas essas duas demonstrações.
Aristóteles escreveu uma Poética, uma Retórica, um livro de Dialética (os Tópicos) e dois tratados de Lógica (Analíticas I e II), além de duas obras introdutórias sobre a linguagem e o pensamento em geral (Categorias e Da Interpretação). Todas essas obras andaram praticamente desaparecidas, como as demais de Aristóteles, até o século I a. C., quando um certo Andrônico de Rodes promoveu uma edição de conjunto, na qual se baseiam até hoje nossos conhecimentos de Aristóteles.
Como todo editor póstumo, Andrônico teve de colocar alguma ordem nos manuscritos. Decidiu tomar como fundamento dessa ordem o critério da divisão das ciências em introdutórias (ou lógicas), teoréticaspráticas e técnicas (ou poiêticas, como dizem alguns). Esta divisão tinha o mérito de ser do próprio Aristóteles. Mas, como observou com argúcia Octave Hamelin8, não há nenhum motivo para supor que a divisão das obras de um filósofo em volumes deva corresponder taco-a-taco à sua concepção das divisões do saber. Andrônico deu essa correspondência por pressuposta, e agrupou os manuscritos, portanto, nas quatro divisões. Mas, faltando outras obras que pudessem entrar sob o rótulo técnicas, teve de meter lá aRetórica e a Poética, desligando-as das demais obras sobre a teoria do discurso, que foram compor a unidade aparentemente fechada do Organon, conjunto das obras lógicas ou introdutórias.
Somada a outras circunstâncias, essa casualidade editorial foi pródiga em conseqüências, que se multiplicam até hoje. Em primeiro lugar, a Retórica — nome de uma ciência abominada pelos filósofos, que nela viam o emblema mesmo de seus principais adversários, os sofistas — não suscitou, desde sua primeira edição por Andrônico, o menor interesse filosófico. Foi lida apenas nas escolas de retórica, as quais, para piorar as coisas, entravam então numa decadência acelerada pelo fato de que a extinção da democracia, suprimindo a necessidade de oradores, tirava a razão de ser da arte retórica, encerrando-a na redoma de um formalismo narcisista9. Logo em seguida, aPoética, por sua vez, sumiu de circulação, para só reaparecer no século XVI10. Estes dois acontecimentos parecem fortuitos e desimportantes. Mas, somados, dão como resultado nada menos que o seguinte: todo o aristotelismo ocidental, que, de início lentamente, mas crescendo em velocidade a partir do século XI, foi se formando no período que vai desde a véspera da Era Cristã até o Renascimento, ignorou por completo a Retórica e aPoética. Como nossa imagem de Aristóteles ainda é uma herança desse período (já que a redescoberta da Poética no Renascimento não despertou interesse senão dos poetas e filólogos, sem tocar o público filosófico), até hoje o que chamamos de Aristóteles, para louvá-lo ou para maldizê-lo, não é o homem de carne e osso, mas um esquema simplificado, montado durante os séculos que ignoravam duas das obras dele. Em especial, nossa visão da teoria aristotélica do pensamento discursivo é baseada exclusivamente na analítica e na tópica, isto é, na lógica e na dialética, amputadas da base que Aristóteles tinha construído para elas na poética e na retórica11.
Mas a mutilação não parou aí. Do edifício da teoria do discurso, haviam sobrado só os dois andares superiores — a dialética e a lógica —, boiando sem alicerces no ar como o quarto do poeta na "Última canção do beco" de Manuel Bandeira. Não demorou a que o terceiro andar fosse também suprimido: a dialética, considerada ciência menor, já que lidava somente com a demonstração provável, foi preterida em benefício da lógica analítica, consagrada desde a Idade Média como a chave mesma do pensamento de Aristóteles. A imagem de um Aristóteles constituído de "lógica formal + sensualismo cognitivo + teologia do Primeiro Motor Imóvel" consolidou-se como verdade histórica jamais contestada.
Mesmo o prodigioso avanço dos estudos biográficos e filológicos inaugurado por Werner Jaeger12 não mudou isso. Jaeger apenas derrubou o estereótipo de um Aristóteles fixo e nascido pronto, para substituir-lhe a imagem vivente de um pensador que evolui no tempo em direção à maturidade das suas idéias. Mas o produto final da evolução não era, sob o aspecto aqui abordado, muito diferente do sistema consagrado pela Idade Média: sobretudo a dialética seria nele um resíduo platônico, absorvido e superado na lógica analítica.
Mas essa visão é contestada por alguns fatos. O primeiro, ressaltado por Éric Weil, é que o inventor da lógica analítica jamais se utiliza dela em seus tratados, preferindo sempre argumentar dialeticamente13. Em segundo lugar, o próprio Aristóteles insiste em que a lógica não traz conhecimento, mas serve apenas para facilitar a verificação dos conhecimentos já adquiridos, confrontando-os com os princípios que os fundamentam, para ver se não os contradizem. Quando não possuímos os princípios, a única maneira de buscá-los é a investigação dialética que, pelo confronto das hipóteses contraditórias, leva a uma espécie de iluminação intuitiva que põe em evidência esses princípios. A dialética em Aristóteles é, portanto, segundo Weil, uma logica inventionis, ou lógica da descoberta: o verdadeiro método científico, do qual a lógica formal é apenas um complemento e um meio de verificação14.
Mas a oportuna intervenção de Weil, se desfez a lenda de uma total hegemonia da lógica analítica no sistema de Aristóteles, deixou de lado a questão da retórica. O mundo acadêmico do século XX ainda subscreve a opinião de Sir David Ross, que por sua vez segue Andrônico: a Retórica tem "um propósito puramente prático"; "não constitui um trabalho teórico" e sim "um manual para o orador"15. Mas à Poética, por seu lado, Ross atribui um valor teórico efetivo, sem reparar que, se Andrônico errou neste caso, pode também ter se enganado quanto àRetórica. Afinal, desde o momento em que foi redescoberta, aPoética também foi encarada sobretudo como "um manual prático" e interessou antes aos literatos do que aos filósofos16. De outro lado, o próprio livro dos Tópicos poderia ser visto como "manual técnico" ou pelo menos "prático" — pois na Academia a dialética funcionava exatamente como tal: era o conjunto das normas práticas do debate acadêmico. Enfim, a classificação de Andrônico, uma vez seguida ao pé da letra, resulta em infindáveis confusões, as quais se podem resolver todas de uma vez mediante a admissão da seguinte hipótese, por mais perturbadora que seja: como ciências do discurso, a Poética e a Retórica fazem parte do Organon, conjunto das obras lógicas ou introdutórias, e não são portanto nem teoréticas nem práticas nem técnicas. Este é o núcleo da interpretação que defendo. Ela implica, porém, uma profunda revisão das idéias tradicionais e correntes sobre a ciência aristotélica do discurso. Esta revisão, por sua vez, arrisca ter conseqüências de grande porte para a nossa visão da linguagem e da cultura em geral. Reclassificar as obras de um grande filósofo pode parecer um inocente empreendimento de eruditos, mas é como mudar de lugar os pilares de um edifício. Pode exigir a demolição de muitas construções em torno.
As razões que alego para justificar essa mudança são as seguintes:
l. As quatro ciências do discurso tratam de quatro maneiras pelas quais o homem pode, pela palavra, influenciar a mente de outro homem (ou a sua própria). As quatro modalidades de discurso caracterizam-se por seus respectivos níveis de credibilidade:
(a) O discurso poético versa sobre o possível (dunatoV17,dínatos), dirigindo-se sobretudo à imaginação, que capta aquilo que ela mesma presume (eikastikoVeikástikos, "presumível"; eikasia, eikasia, "imagem", "representação").
(b) O discurso retórico tem por objeto o verossímil (piqanoV,pithános) e por meta a produção de uma crença firme (pistiV,pístis) que supõe, para além da mera presunção imaginativa, a anuência da vontade; e o homem influencia a vontade de um outro homem por meio da persuasão (peiqopeitho), que é uma ação psicológica fundada nas crenças comuns. Se a poesia tinha como resultado uma impressão, o discurso retórico deve produzir uma decisão, mostrando que ela é a mais adequada ou conveniente dentro de um determinado quadro de crenças admitidas.
(c) O discurso dialético já não se limita a sugerir ou impor uma crença, mas submete as crenças à prova, mediante ensaios e tentativas de traspassá-las por objeções. É o pensamento que vai e vem, por vias transversas, buscando a verdade entre os erros e o erro entre as verdades (diadiá = "através de" e indica também duplicidade, divisão). Por isto a dialética é também chamada peirástica, da raiz peirá (peira = "prova", "experiência", de onde vêm peirasmoVpeirasmos, "tentação", e as nossas palavras empiriaempirismoexperiência etc., mas também, através de peirateVpeirates, "pirata": o símbolo mesmo da vida aventureira, da viagem sem rumo predeterminado). O discurso dialético mede enfim, por ensaios e erros, a probabilidade maior ou menor de uma crença ou tese, não segundo sua mera concordância com as crenças comuns, mas segundo as exigências superiores da racionalidade e da informação acurada.
(d) O discurso lógico ou analítico, finalmente, partindo sempre de premissas admitidas como indiscutivelmente certas, chega, pelo encadeamento silogístico, à demonstração certa(apodeixiVapodêixis, "prova indestrutível") da veracidade das conclusões.
É visível que há aí uma escala de credibilidade crescente: do possível subimos ao verossímil, deste para o provável e finalmente para o certo ou verdadeiro. As palavras mesmas usadas por Aristóteles para caracterizar os objetivos de cada discurso evidenciam essa gradação: há, portanto, entre os quatro discursos, menos uma diferença de natureza que de grau.
Possibilidadeverossimilhançaprobabilidade razoável ecerteza apodíctica são, pois, os conceitos-chave sobre os quais se erguem as quatro ciências respectivas: a Poética estuda os meios pelos quais o discurso poético abre à imaginação o reino do possível; a Retórica, os meios pelos quais o discurso retórico induz a vontade do ouvinte a admitir uma crença; a Dialética, aqueles pelos quais o discurso dialético averigua a razoabilidade das crenças admitidas, e, finalmente, a Lógica ou Analítica estuda os meios da demonstração apodíctica, ou certeza científica. Ora, aí os quatro conceitos básicos são relativos uns aos outros: não se concebe o verossímil fora do possível, nem este sem confronto com o razoável, e assim por diante. A conseqüência disto é tão óbvia que chega a ser espantoso que quase ninguém a tenha percebido: as quatro ciências são inseparáveis; tomadas isoladamente, não fazem nenhum sentido. O que as define e diferencia não são quatro conjuntos isoláveis de caracteres formais, porém quatro possíveis atitudes humanas ante o discurso, quatro motivos humanos para falar e ouvir: o homem discursa para abrir a imaginação à imensidade do possível, para tomar alguma resolução prática, para examinar criticamente a base das crenças que fundamentam suas resoluções, ou para explorar as conseqüências e prolongamentos de juízos já admitidos como absolutamente verdadeiros, construindo com eles o edifício do saber científico.Um discurso é lógico ou dialético, poético ou retórico, não em si mesmo e por sua mera estrutura interna, mas pelo objetivo a que tende em seu conjunto, pelo propósito humano que visa a realizar. Daí que os quatro sejam distinguíveis, mas não isoláveis: cada um deles só é o que é quando considerado no contexto da cultura, como expressão de intuitos humanos. A idéia moderna de delimitar uma linguagem "poética em si" ou "lógica em si" pareceria aos olhos de Aristóteles uma substancialização absurda, pior ainda: uma coisificação alienante18. Ele ainda não estava contaminado pela esquizofrenia que hoje se tornou o estado normal da cultura.
2. Mas Aristóteles vai mais longe: ele assinala a diferente disposição psicológica correspondente ao ouvinte de cada um dos quatro discursos, e as quatro disposições formam também, da maneira mais patente, uma gradação:
(a) Ao ouvinte do discurso poético cabe afrouxar sua exigência de verossimilhança, admitindo que "não é verossímil que tudo sempre aconteça de maneira verossímil", para captar a verdade universal que pode estar sugerida mesmo por uma narrativa aparentemente inverossímil19. Aristóteles, em suma, antecipa asuspension of disbelief de que falaria mais tarde Samuel Taylor Coleridge. Admitindo um critério de verossimilhança mais flexível, o leitor (ou espectador) admite que as desventuras do herói trágico poderiam ter acontecido a ele mesmo ou a qualquer outro homem, ou seja, são possibilidades humanas permanentes.
(b) Na retórica antiga, o ouvinte é chamado juiz, porque dele se espera uma decisão, um voto, uma sentença. Aristóteles, e na esteira dele toda a tradição retórica, admite três tipos de discursos retóricos: o discurso forense, o discurso deliberativo e o discurso epidíctico, ou de louvor e censura (a um personagem, a uma obra, etc.)20. Nos três casos, o ouvinte é chamado a decidir: sobre a culpa ou inocência de um réu, sobre a utilidade ou nocividade de uma lei, de um projeto, etc., sobre os méritos ou deméritos de alguém ou de algo. Ele é, portanto, consultado como autoridade: tem o poder de decidir. Se no ouvinte do discurso poético era importante que a imaginação tomasse as rédeas da mente, para levá-la ao mundo do possível num vôo do qual não se esperava que decorresse nenhuma conseqüência prática imediata, aqui é a vontade que ouve e julga o discurso, para, decidindo, criar uma situação no reino dos fatos21.
(c) Já o ouvinte do discurso dialético é, interiormente ao menos, um participante do processo dialético. Este não visa a uma decisão imediata, mas a uma aproximação da verdade, aproximação que pode ser lenta, progressiva, difícil, tortuosa, e nem sempre chega a resultados satisfatórios. Neste ouvinte, o impulso de decidir deve ser adiado indefinidamente, reprimido mesmo: o dialético não deseja persuadir, como o retórico, mas chegar a uma conclusão que idealmente deva ser admitida como razoável por ambas as partes contendoras. Para tanto, ele tem de refrear o desejo de vencer, dispondo-se humildemente a mudar de opinião se os argumentos do adversário forem mais razoáveis. O dialético não defende um partido, mas investiga uma hipótese. Ora, esta investigação só é possível quando ambos os participantes do diálogo conhecem e admitem os princípios básicos com fundamento nos quais a questão será julgada, e quando ambos concordam em ater-se honestamente às regras da demonstração dialética. A atitude, aqui, é de isenção e, se preciso, de resignação autocrítica. Aristóteles adverte expressamente os discípulos de que não se aventurem a terçar argumentos dialéticos com quem desconheça os princípios da ciência: seria expor-se a objeções de mera retórica, prostituindo a filosofia22.
(d) Finalmente, no plano da lógica analítica, não há mais discussão: há apenas a demonstração linear de uma conclusão que, partindo de premissas admitidas como absolutamente verídicas e procedendo rigorosamente pela dedução silogística, não tem como deixar de ser certa. O discurso analítico é o monólogo do mestre: ao discípulo cabe apenas receber e admitir a verdade. Caso falhe a demonstração, o assunto volta à discussão dialética23.
De discurso em discurso, há um afunilamento progressivo, um estreitamento do admissível: da ilimitada abertura do mundo das possibilidades passamos à esfera mais restrita das crenças realmente aceitas na praxis coletiva; porém, da massa das crenças subscritas pelo senso comum, só umas poucas sobrevivem aos rigores da triagem  dialética; e, destas, menos ainda são as que podem ser admitidas pela ciência como absolutamente certas e funcionar, no fim, como premissas de raciocínios cientificamente válidos. A esfera própria de cada uma das quatro ciências é portanto delimitada pela contigüidade da antecedente e da subseqüente. Dispostas em círculos concêntricos, elas formam o mapeamento completo das comunicações entre os homens civilizados, a esfera do saber racional possível24.
3. Finalmente, ambas as escalas são exigidas pela teoria aristotélica do conhecimento. Para Aristóteles, o conhecimento começa pelos dados dos sentidos. Estes são transferidos à memória, imaginação ou fantasia (fantasia), que os agrupa em imagens (eikoieikoi, em latim species, speciei), segundo suas semelhanças. É sobre estas imagens retidas e organizadas na fantasia, e não diretamente sobre os dados dos sentidos, que a inteligência exerce a triagem e reorganização com base nas quais criará os esquemas eidéticos, ou conceitos abstratos das espécies, com os quais poderá enfim construir os juízos e raciocínios. Dos sentidos ao raciocínio abstrato, há uma dupla ponte a ser atravessada: a fantasia e a chamada simples apreensão, que capta as noções isoladas. Não existe salto: sem a intermediação da fantasia e da simples apreensão, não se chega ao estrato superior da racionalidade científica. Há uma perfeita homologia estrutural entre esta descrição aristotélica do processo cognitivo e a Teoria dos Quatro Discursos. Não poderia mesmo ser de outro modo: se o indivíduo humano não chega ao conhecimento racional sem passar pela fantasia e pela simples apreensão, como poderia a coletividade — seja a polis ou o círculo menor dos estudiosos — chegar à certeza científica sem o concurso preliminar e sucessivo da imaginação poética, da vontade organizadora que se expressa na retórica e da triagem dialética empreendida pela discussão filosófica?
Retórica e Poética uma vez retiradas do exílio "técnico" ou "poiêtico" em que as pusera Andrônico e restauradas na sua condição de ciências filosóficas, a unidade das ciências do discurso leva-nos ainda a uma verificação surpreendente: há embutida nela toda uma filosofia aristotélica da cultura como expressão integral do logos. Nessa filosofia, a razão científica surge como o fruto supremo de uma árvore que tem como raiz a imaginação poética, plantada no solo da natureza sensível. E como a natureza sensível não é para Aristóteles apenas uma "exterioridade" irracional e hostil, mas a expressão materializada do Logos divino, a cultura, elevando-se do solo mitopoético até os cumes do conhecimento científico, surge aí como a tradução humanizada dessa Razão divina, espelhada em miniatura na autoconsciência do filósofo. Aristóteles compara, com efeito, a reflexão filosófica à atividade autocognoscitiva de um Deus que consiste, fundamentalmente, em autoconsciência. O cume da reflexão filosófica, que coroa o edifício da cultura, é, com efeito, gnosis gnoseos, o conhecimento do conhecimento. Ora, este se perfaz tão somente no instante em que a reflexão abarca recapitulativamente a sua trajetória completa, isto é, no momento em que, tendo alcançado a esfera da razão científica, ela compreende a unidade dos quatro discursos através dos quais se elevou progressivamente até esse ponto. Aí ela está preparada para passar da ciência ou filosofia à sabedoria, para ingressar na Metafísica, que Aristóteles, como bem frisou Pierre Aubenque, prepara mas não realiza por completo, já que o reino dela não é deste mundo25. A Teoria dos Quatro Discursos é,nesse sentido, o começo e o término da filosofia de Aristóteles. Para além dela, não há mais saber propriamente dito: há somente a "ciência que se busca", a aspiração do conhecimento supremo, da sophia cuja posse assinalaria ao mesmo tempo a realização e o fim da filosofia. 
 

NOTAS
  1. Em vez de reproduzir exatamente o texto da primeira edição, este capítulo segue a versão ligeiramente corrigida que, sob o título "A estrutura do Organon e a unidade das ciências do discurso em Aristóteles", apresentei no V Congresso Brasileiro de Filosofia, em São Paulo, 6 de setembro de 1995 (seção de Lógica e Filosofia da Ciência).Voltar
  2. Esses dois foram Avicena e Sto. Tomás de Aquino. Avicena (Abu 'Ali el-Hussein ibn Abdallah ibn Sina, 375-428 H. / 985-1036 d.C.) afirma taxativamente, na sua obra Nadjat ("A Salvação"), a unidade das quatro ciências, sob o conceito geral de "lógica". Segundo o Barão Carra de Vaux, isto "mostra quanto era vasta a idéia que ele fazia desta arte", em cujo objeto fizera entrar "o estudo de todos os diversos graus de persuasão, desde a demonstração rigorosa até à sugestão poética" (cf. Baron Carra de Vaux, Avicenne, Paris, Alcan, 1900, pp. 160-161). Sto. Tomás de Aquino menciona também, nos Comentários às Segundas Analíticas, I, 1.I, nº 1-6, os quatro graus da lógica, dos quais, provavelmente tomou conhecimento através de Avicena, mas atribuindo-lhes o sentido unilateral de uma hierarquia descendente que vai do mais certo (analítico) ao mais incerto (poético) e dando a entender que, da Tópica "para baixo", estamos lidando apenas com progressivas formas do erro ou pelo menos do conhecimento deficiente. Isto não coincide exatamente com a concepção de Avicena nem com aquela que apresento neste livro, e que me parece ser a do próprio Aristóteles, segundo a qual não há propriamente uma hierarquia de valor entre os quatro argumentos, mas sim uma diferença de funções articuladas entre si e todas igualmente necessárias à perfeição do conhecimento. De outro lado, é certo que Sto. Tomás, como todo o Ocidente medieval, não teve acesso direto ao texto da Poética. Se tivesse, seria quase impossível que visse na obra poética apenas a representação de algo "como agradável ou repugnante" (loc. cit., nº 6), sem meditar mais profundamente sobre o que diz Aristóteles quanto ao valor filosófico da poesia (Poética, 1451 a). De qualquer modo, é um feito admirável do Aquinatense o haver percebido a unidade das quatro ciências lógicas, raciocinando, como o fez, desde fontes de segunda mão.Voltar
  3. V. Georges Gusdorf, Les Sciences Humaines et la Pensée Occidentale, t. I,De l'Histoire des Sciences à l'Histoire de la Pensée, Paris, Payot, 1966, pp. 9-41. Voltar
  4. A obra de Bachelard, refletindo o dualismo metódico do seu pensamento, divide-se em duas séries paralelas: de um lado, os trabalhos de filosofia das ciências, como Le Nouvel Esprit ScientifiqueLeRationalisme Appliqué, etc.; de outro, a série dedicada aos "quatro elementos" — La Psychanalyse du FeuL'Air et les Songes, etc., onde o racionalista em férias exerce livremente o que chamava "o direito de sonhar". Bachelard parecia possuir um comutador mental que lhe permitia passar de um desses mundos ao outro, sem a menor tentação de lançar entre eles outra ponte que não a liberdade de acionar o comutador. Voltar
  5. Para um exame crítico dessa teoria, v. Jerre Levy, "Right Brain, Left Brain: Fact and Fiction" (Psychology Today, may 1985, pp. 43 ss.).Voltar
  6. Ezra Pound fez um barulho enorme em torno do ensaio de Ernest Fenollosa, The Chinese Characters as a Medium for Poetry (London, Stanley Nott, 1936), dando ao Ocidente a impressão de que a língua chinesa constituía um mundo fechado, regido por categorias de pensamento inacessíveis à compreensão Ocidental exceto mediante uma verdadeira torção do conceito mesmo de linguagem. O simbolismo chinês, no entanto, é bem mais parecido com o Ocidental do que imaginam os apreciadores de abismos culturais. Uma similaridade patente que tem escapado a essas pessoas é a que existe entre a estrutura do I Ching e a silogística de Aristóteles. Voltar
  7. A crença na teoria dos dois hemisférios é comum a todos os teóricos e gurus da "Nova Era", como Marilyn Ferguson, Shirley MacLaine e Fritjof Capra. Sobre este último, v. meu livro A Nova Era e a Revolução Cultural. Fritjof Capra & Antonio Gramsci, Rio, Instituto de Artes Liberais & Stella Caymmi Editora, 1994. O mais curioso desta teoria é que ela pretende vencer a esquizofrenia do homem Ocidental e começa por dar a ela um fundamento anatômico (afortunadamente, fictício). — É evidente, pelo que se verá a seguir, que não levo muito a sério as tentativas, tão meritórias no intuito quanto miseráveis nos resultados, de superar o dualismo mediante a mixórdia metodológica generalizada que admite como critérios de validade científica a persuasividade retórica e a efusão imaginativa (v. por exemplo Paul Feyerabend,Contra o Método, trad. Octanny S. da Motta e Leônidas Hegenberg, Rio, Francisco Alves, 1977). Voltar
  8. "É talvez excessivo exigir que as obras de um autor correspondam ponto por ponto à classificação das ciências tal como a compreende esse autor." (Octave Hamelin, Le Système d'Aristote, publié par Léon Robin, 4e. éd., Paris, J. Vrin, 1985, p. 82.) Voltar
  9. Refiro-me ao período da chamada "retórica escolar". V. Ernst Robert Curtius, Literatura Européia e Idade Média Latina, trad. Teodoro Cabral, Rio, INL, 1957, pp. 74 ss. Voltar
  10. Isso torna ainda mais engraçada a trama d'O Nome da Rosa, de Umberto Eco, trama propositadamente impossível que o espectador desinformado toma como ficção verossímil: pois como poderia surgir uma disputa em torno da desaparecida Segunda Parte da Poética de Aristóteles, numa época que desconhecia até a Primeira? Voltar
  11. No quadro medieval, o fenômeno que descrevo tem certamente alguma relação com uma estratificação social que colocava os sábios e filósofos, classe sacerdotal, acima dos poetas, classe de servidores da corte ou artistas de feira. O status inferior do poeta em relação aos sábios nota-se tanto na hierarquia social (veja-se o papel decisivo que no desenvolvimento literário medieval desempenharam os clericivagantes, ou goliardos, todo um "proletariado eclesiástico" à margem das universidades), quanto na hierarquia das ciências mesmas: os estudos literários estavam rigorosamente fora do sistema educacional da escolástica, e as mais elevadas concepções filosóficas da Idade Média foram escritas num latim bastante grosseiro, sem que isto, na ocasião, suscitasse qualquer estranheza e muito menos reações de escândalo esteticista como as que viriam a eclodir no Renascimento. Cf., a propósito, Jacques Le Goff, Os Intelectuais na Idade Média, trad. Luísa Quintela, Lisboa, Estudios Cor, 1973, Cap. I § 7. Voltar
  12. V. Werner Jaeger, Aristoteles. Bases para la Historia de su Desarrollo Intelectual, trad. José Gaos, México, Fondo de Cultura Económica, 1946 (o original alemão é de 1923). Voltar
  13. Essa constatação fez surgir por sua vez a disputa entre os intérpretes que consideram Aristóteles um pensador sistemático (que parte sempre dos mesmos princípios gerais) e os que o enxergam como pensadoraporético (que ataca os problemas um por um e vai subindo na direção do geral sem ter muita certeza de aonde vai chegar). A abordagem sugerida no presente trabalho tem, entre outras, a ambição de resolver essa disputa. V., adiante, Cap. VII. Voltar
  14. V. Éric Weil, "La Place de la Logique dans la Pensée Aristotélicienne", em Éssais et Conférences, t. I, Philosophie, Paris, Vrin, 1991, pp. 43-80.Voltar
  15. Sir David Ross, Aristóteles, trad. Luís Filipe Bragança S. S. Teixeira, Lisboa, Dom Quixote, 1987, p. 280 (o original inglês é de 1923). Voltar
  16. Desde a sua primeira tradução comentada (Francesco Robortelli, 1548), a Poética redescoberta vai moldar por dois séculos e meio os padrões do gosto literário, ao mesmo tempo que, no campo da Filosofia da Natureza, o aristotelismo recua, banido pelo avanço vitorioso da nova ciência de Galileu e Bacon, Newton e Descartes. Isto mostra, de um lado, a total separação entre o pensamento literário e a evolução filosófica e científica (separação característica do Ocidente moderno, e que se agravará no decorrer dos séculos); de outro, a indiferença dos filósofos pelo texto redescoberto. Sobre as raízes aristotélicas da estética do classicismo europeu, v. René Wellek, História da Crítica Moderna, trad, Lívio Xavier, São Paulo, Herder. t. I, Cap. I. Voltar
  17. Por dificuldades técnicas de edição, omito aqui os acentos das palavras gregas. Voltar
  18. Quatro fatos da história do pensamento contemporâneo fazem ressaltar a importância dessas observações. 1°) Todas as tentativas de isolar e definir por seus caracteres intrínsecos uma "linguagem poética", diferenciando-a materialmente da "linguagem lógica" e da "linguagem cotidiana" fracassaram redondamente. V., a respeito, Mary Louise Pratt, Toward a Speech Act Theory of Literary Discourse, Bloomington, Indiana University Press, 1977. 2°) De outro lado, desde Kurt Gödel é geralmente reconhecida a impossibilidade de extirpar do pensamento lógico todo resíduo intuitivo. 3)° Os estudos de Chaim Perelman (Traité de l’Argumentation. La Nouvelle Rhétorique, Bruxelles, Université Libre, 1978), Thomas S. Kuhn (The Structure of Scientific Revolutions) e Paul Feyerabend (cit.) mostram, convergentemente, a impossibilidade de erradicar da prova científico-analítica todo elemento dialético e mesmo retórico. 4)° Ao mesmo tempo, a existência de algo mais que um mero paralelismo entre princípios estéticos (vale dizer, poéticos, em sentido lato) e lógico-dialéticos na cosmovisão medieval é fortemente enfatizada por Erwin Panofsky (Architecture Gothique et Pensée Scolastique, trad. Pierre Bourdieu, Paris, Éditions de Minuit, 1967). Esses fatos e muitos outros no mesmo sentido indicam mais que a conveniência, a urgência do estudo integrado dos quatro discursos.Voltar
  19. V. Poética, 1451 a-b. Voltar
  20. Sobre as três modalidades na tradição retórica, v. Heinrich Lausberg,Elementos de Retórica Literária, trad. R. M. Rosado Fernandes, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2ª ed., 1972. Voltar
  21. Retórica, 1358 a — 1360 a. Voltar
  22. Tópicos, IX 12, 173 a 29 ss. Voltar
  23. Entre a analítica e a dialética, "a diferença é, segundo Aristóteles, aquela que há entre o curso de ensinamento dado por um professor e a discussão realizada em comum, ou, para dizer de outro modo, a que há entre o monólogo e o diálogo científicos" (Éric Weil, op. cit., p. 64).Voltar
  24. É quase impossível que Aristóteles, cientista natural com a mente repleta de analogias entre a esfera dos conceitos racionais e os fatos da ordem física, não reparasse no paralelismo — direto e inverso — entre os quatro discursos e os quatro elementos, diferenciados, eles também, pela escalaridade do mais denso para o mais sutil, em círculos concêntricos. Num curso proferido no IAL em 1988, inédito exceto numa série de apostilas sob o título geral de "Teoria dos Quatro Discursos", investiguei mais extensamente esse paralelismo, que aqui não cabe senão mencionar de passagem. Voltar
  25. V. Pierre Aubenque, Le Problème de l'Être chez Aristote. Éssai sur la Problematique Aristotélicienne, Paris, P.U.F., 1962. Voltar


Obrigado pela visita, volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Quem é Rodrigo Constantino: por Olavo de Carvalho



Obrigado pela visita, e volte sempre.pegue a sua no TemplatesdaLua.com

MENTIRA SISTEMÁTICA É FERRAMENTA E ARMA - REVOLUÇÃO CULTURAL - GRAMSCI -...



Obrigado pela visita, e volte sempre.pegue a sua no TemplatesdaLua.com

NOVA ORDEM MUNDIAL - O QUE PODEMOS FAZER - OLAVO DE CARVALHO




Obrigado pela visita, volte sempre.pegue a sua no TemplatesdaLua.com

quinta-feira, 7 de março de 2013

A psicanalise e o educador




Obrigado pela visita, volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Teorias clássicas da aprendizagem




Obrigado pela visita, volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Erik Erikson e as fases do desenvolvimento humano


Erik Erikson e as fases do desenvolvimento humano


Em 15 de junho de 1902 nascia, na cidade de Frankfurt, Erik Homburger Erikson. Erikson foi o responsável pela Teoria do Desenvolvimento Psicossocial. De acordo com sua teoria, o desenvolvimento se dá por fases - não é fruto do acaso - relacionado ao meio que rodeia o indivíduo e sua interação com o mesmo.O primeiro estágio ocorre a partir do nascimento e se estende ao longo do primeiro ano de vida da criança. A criança está completamente ligada à mãe, estabelecendo com ela sentimentos de confiança e desconfiança. Da mãe a criança espera a satisfação de suas necessidades.

O segundo estágio traz para criança as normas de uma sociedade, e ela começa a perceber que algumas atitudes são aprovadas e outras censuradas. Este estágio é tido como a etapa da autonomia, da dúvida e da vergonha. A criança já explora o mundo a seu redor, conhece outros indivíduos e estabelece as primeiras relações com estes, além do seio familiar, mais precisamente a mãe.

No terceiro estágio espera-se da criança uma interiorização do que é permitido e negado a ela fazer. A criança tem a possibilidade de desenvolver mais iniciativa e experimentar menos culpa por seus impulsos, sendo esta etapa chamada de estágio da iniciativa/culpa.

No quarto estágio, o qual ocorre junto à entrada na escola, mas antes da adolescência, a criança percebe que pode, ao interagir com o meio, produzir algo. Obviamente, sentir-se-á capaz com mais probabilidade aquela que, nos estágios anteriores, experimentou confiança (em relação à mãe), autonomia (em seu meio) e iniciativa (no momento de decidir). É chamado de estágio da indústria (por ser capaz de produzir algo) e da inferioridade. Sentimentos de inferioridade poderão bloquear a criatividade desta criança, bloqueando sua capacidade de indústria.

O quinto estágio é o que marca a adolescência. Um estágio de formação e confusão de sua identidade. A confusão de identidade pode ocorrer quando as próprias expectativas, as de seus pais e de seus pares entram em conflito.

O sexto estágio ocorre, de forma aproximada, entre os 20 e os 30 anos. É questão-chave neste estágio a capacidade do jovem adulto de estabelecer relações íntimas com seus pares, estas entendidas como relações de profunda troca, não de cunho sexual exclusivamente. O oposto seria o isolamento, o qual se dá quando do insucesso em cultivar tais relações. É chamado de estágio da intimidade/isolamento.

O sétimo estágio caracteriza-se em um indivíduo quando ele passa a desejar orientar as pessoas a seu redor e a preocupar-se com o meio, além dos seus semelhantes. É o estágio da afirmação pessoal, sendo seu cunho contrário o da estagnação. Este estágio recebe o nome de generatividade/estagnação.

O oitavo e último estágio surpreende o indivíduo pensando acerca de seu passado, sentindo-se “em paz” com o que pode fazer, íntegro em seu momento presente. Da mesma forma, este estágio também desperta em indivíduos sentimentos de fracasso, como se a vida não valesse o esforço. É chamado de estágio da integridade/desespero.

Percebe-se acima um resumo da teoria deste psiquiatra que veio a morrer em 12 de maio de 1994, em Harwich, estado de Massachusetts, EUA. Para fins de elaborar este apanhado, consultei vários tópicos no site Wikipedia. Contudo, é possível acessar diretamente a página criada sobre Erikson 
clicando aqui.



http://peadportfolio156666.blogspot.com.br/2008/08/erik-erikson-e-as-fases-do.html





Obrigado pela visita, volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Leitura de textos informativos na creche



Sequência Didática

Leitura de textos informativos na creche


Objetivos 
- Escutar a leitura de textos informativos feita pelo professor. 
- Desenvolver comportamentos leitores e escritores quando se quer saber mais sobre um tema. 

Conteúdos
- Familiarização com textos informativos: ler para saber mais. 
- Exploração de diferentes fontes de informação e procedimentos de pesquisa. 

Anos 
Creche. 

Tempo estimado 
Seis aulas. 

Material necessário 
Livros, revistas, enciclopédias, jornais e documentários (vídeo ou DVD). 

Flexibilização
A importância do acervo variado e da escolha de temas que façam parte do universo dos pequenos é crucial para a compreensão de crianças com deficiência intelectual. Na creche, todos ainda estão aprendendo a expressar-se e a adquirir autonomia. Por isso, é importante valorizar as habilidades e as limitações de cada criança. Aproximar a escolha dos assuntos das situações do cotidiano é fundamental. Diversifique os meios de acesso ao conteúdo na sala. Isso facilita o desenvolvimento da criança com deficiência. Capriche na interpretação ao longo da leitura do texto e leia pausadamente. Os pais da criança com deficiência intelectual podem reforçar a leitura em casa do texto indicado pela educadora e de outros textos. Fazer com que o pequeno reconte os conteúdos à sua maneira é um excelente exercício para que ele pratique a oralidade. Estimule a criança para que ela também faça observações junto dos colegas nas discussões na creche. Avalie se a criança conseguiu familiarizar-se com os livros e adquiriu noções sobre como manuseá-los.

Desenvolvimento 
1ª etapa 
Separe o material pertinente ao estudo que será feito. Cuide para que o tema desperte o interesse dos pequenos, como animais marinhos. Verifique se as fontes são confiáveis, organize um acervo variado e garanta que algumas das leituras sejam feitas com o material destinado a adultos: revistas, jornais e livros científicos de circulação social. 

2ª etapa 
Faça uma breve leitura de um texto informativo ou apresente trechos de documentários (por exemplo, um filme que mostre a interação dos animais no ambiente marinho). Proponha uma discussão sobre os assuntos abordados e levante as dúvidas da turma. Divida um cartaz em duas colunas e escreva, de um lado, "o que queremos saber" e, no outro, "o que aprendemos". Registre comentários das crianças, as questões que não foram respondidas e as que devem ser retomadas. 

3ª etapa 
Recupere o que já foi registrado e leve um novo texto. Atue como leitor-modelo: compartilhe como se faz uso de índices, indique onde estão o título e o subtítulo e faça a leitura do material. Registre num novo cartaz as descobertas realizadas. 

4ª etapa 
Apresente outro texto. Leia o título para a turma antecipar do que se trata. Faça pausas e releia trechos sempre que julgar importante. Caso apareçam palavras difíceis, aposte na compreensão por meio do contexto. Após a leitura, estimule que todos façam comentários e avancem em suas hipóteses. Registre as descobertas. 

5ª etapa 
Disponibilize diferentes materiais sobre o tema e coloque no centro da roda: podem ser livros com fotos, matérias com curiosidades, fichas técnicas com as características físicas dos animais marinhos etc. Oriente todos a fazer buscas com base nas ilustrações. Estimule o manuseio do material, dando pistas de como buscar dados e ajudando-os a marcar as páginas selecionadas. Quando finalizarem, retorne à roda e socialize o que encontraram. O objetivo é que as crianças possam olhar o material e participar da busca da informação.

6ª etapa 
Confronte as perguntas levantadas na 2ª etapa e as descobertas feitas. Retome os cartazes para refletir sobre quais dúvidas foram esclarecidas e o que teriam que continuar pesquisando.

Avaliação 
Verifique se as crianças demonstraram interesse no processo de pesquisa, se avançaram em relação às hipóteses iniciais e se levantaram novas questões. O propósito da atividade é desenvolver o gosto por ler para saber mais, manusear textos científicos de circulação social e compreender que podem aprender muito com eles

Consultoria: Maria Slemenson
Assistente pedagógica da Fundação Victor Civita.



Obrigado pela visita, volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Outras asneiras de um ateu militante.



Obrigado pela visita, e volte sempre.pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Religião e Sociedades Secretas: por Olavo de Carvalho




Obrigado pela visita, e volte sempre.pegue a sua no TemplatesdaLua.com

A TEORIA da Evolução é uma Farsa




Obrigado pela visita, e volte sempre.pegue a sua no TemplatesdaLua.com

A TORRE DE BABEL O FILME COMPLETO YouTube



Obrigado pela visita, e volte sempre.pegue a sua no TemplatesdaLua.com

A grande fraude, e falácias do aquecimento: The Great Global Warming Swi...


Obrigado pela visita, e volte sempre.pegue a sua no TemplatesdaLua.com

quarta-feira, 6 de março de 2013

Dissidente cubano afirma que família Castro é capitalista


Dissidente cubano afirma que família Castro é capitalista

Redação SRZD | Internacional | 28/12/2011 20h53
Foto: Divulgação
Durante entrevista ao jornal peruano "El Comercio", o dissidente cubano Guillermo Fariñas criticou o estilo de vida dos irmãos Fidel e Raúl Castro, classificando como capitalista. De acordo com ele, a dupla estaria levando um ideal econômico progressivo de pragmatismo e desejo de poder.


Guillermo comentou que Fidel e Raúl têm propriedades na Espanha, Argentina e Chile, além de serem ativos em negócios na área de vinho e afirmou que os irmãos têm muito o que perder. "São comunistas, mas vivem como capitalistas", disse.

Para o psicólogo de 49 anos, a família Castro distorceu a ideologia comunista e deixou a vontade de  "ficar na história" subir a cabeça. Segundo ele, Cuba já realizou uma série de manobras neoliberais, mesmo depois de pregar contra o modelo durante 40 anos. Ironizando, Guillermo deu a entender ainda que os líderes cubanos já tenham se vendido ao modelo capitalista por diversas vezes.

O dissidente falou ainda que os líderes cubanos sabem que não há outro caminho sem ser o capitalismo, porém procuram chegar até esse ponto sem que seja necessário qualquer tipo de custo político.  Guillermo falou também sobre uma era pós-Castro, que estaria se aproximando, e utilizou a as revoltas do mundo árabe que derrubaram diversos líderes neste ano.

Para o psicólogo, Fidel tem medo de terminar como a família Gadafi, em que os membros perderam até as próprias vidas tentando defender o governo na Líbia, e prepara manobras precisas quanto a isso. 

Guillermo explicou ainda as dificuldades de ser um opositor em Cuba, e afirmou que o modelo do país imprime medo na população desde o nascimento. Apenas com tempo seria possível perder o medo, "de pouco a pouco". Esta dificuldade seria uma das principais causas de não haver um movimento contra o governo, tendo em vista que os poucos que se tornam opositores estão atomizados.



Obrigado pela visita, e volte sempre.
  pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Kant e a mediação entre espaço e tempo Anotação para desenvolvimento oral em classe





Kant e a mediação entre espaço e tempo
Anotação para desenvolvimento oral em classe(Continuação do tema "Ser e Conhecer")

Este assunto será tema da próxima aula do Seminário de Filosofia em São Paulo e no Rio (fevereiro de 2000). Divulgo aqui este rascunho para que os alunos possam estudá-lo com antecedência. -- O. de C.

Kant diz que o espaço não pode ser percebido empiricamente porque o simples ato de situarmos alguma coisa "fora" de nós já pressupõe a representação do espaço. O espaço não é portanto uma propriedade das coisas, mas uma forma sobreposta às coisas pela minha intuição delas.
Mas aí o espaço está identificado com o "fora", com a exterioridade, e não posso, só com base na pura representação da exterioridade, dizer que algo está fora de mim: esta afirmação é claramente a de uma relação entre o fora e o dentro, e pressupõe portanto a representação de ambos. Só que o "dentro", para Kant, é o puramente temporal e inespacial: o espaço é a forma a priori da exterioridade como o tempo é a da interioridade. Ora, se só possuo uma representação espacial do fora, enquanto do dentro tenho somente uma temporal, não posso, rigorosamente, dizer que nada em particular está fora de mim, porque a existência espacial em geral já consiste em estar fora. Dizer que algo está fora é, então, apenas dizer que não tem uma existência puramente temporal, mas que além de existir no tempo tem alguma outra determinação especificamente diferente. Em que consiste essa determinação? Parece impossível defini-la exceto negativamente, isto é, dizendo que na coisa percebida fora há um algo que não é tempo.
A pura existência temporal, inespacial, -- que Kant identifica com a interioridade -- apresenta similar dificuldade. Se tentamos dizer em que consiste, temos de nos contentar com excluir o espaço, e aí se torna impossível distinguir entre a inespacialidade e a simples inexistência.
Essas dificuldades provêm da identificação entre "espaço" e "fora", entre "tempo" e "dentro". Sem admitirmos um "espaço interior" e um "tempo exterior", não temos como dizer que alguma coisa está fora de nós, porque isto resulta em excluí-la do tempo, nem dentro, porque resulta em excluí-la do espaço, suprimindo em ambos os casos sua existência empírica, que segundo Kant consiste precisamente em estar no tempo e/ou no espaço.
Sem a mediação entre espaço e tempo, nenhuma percepção é possível. Mais ainda, essa mediação não pode ser puramente racional, mas tem de estar imbricada na estrutura mesma da percepção, porque caso contrário o ato de situar algo dentro ou fora seria a conclusão de um raciocínio e não um ato de percepção, que é precisamente o que Kant diz que ele é. No entanto, o conceito dessa mediação é incompatível com a redução kantiana do espaço e do tempo a formas a priori da sensibilidade projetadas sobre as coisas; porque a exclusão mútua do dentro e do fora constitui, para Kant, a estrutura mesma do ato de percepção: se houvesse um território intermediário entre tempo e espaço, esse território seria ele próprio a suprema forma a priori da sensibilidade, abrangendo e distinguindo espaço e tempo. Mas não há em Kant menção a esse terceiro fator: além do espaço e do tempo, há só as categorias da razão.
Ora, esse fator mediador é absolutamente necessário, e a partir do momento em que o admitimos já não podemos aceitar a doutrina de que espaço e tempo são formas projetadas, pela simples razão de que o "dentro" e o "fora", portanto o espaço e o tempo, perderam seu caráter absoluto de categorias e, tornando-se relativos a um terceiro fator, se contaminaram perigosamente de um componente empírico.
Ou é impossível distinguir dentro e fora, ou essa distinção tem algo de empírico e portanto espaço e tempo não são formas a priori.
O terceiro fator, que nos tira desse imbroglio, é, este sim, uma forma a priori da sensibilidade, e se chama existência(subentendendo-se: "existência versus inexistência"). Só se pode perceber como existente o que tem existência, e ter existência é estar inseparavelmente — embora sob aspectos distintos — no espaço e no tempo. Do mesmo modo, o inexistente é percebido como ausente do espaço e do tempo, e esta ausência ajuda a compor o quadro onde estão presentes as coisas presentes. O que quero dizer com "sob aspectos distintos" é que aquilo que é inespacial em essência e no seu puro conceito tem de se tornar espacial existencialmente esecundum quid para poder ser percebido, como por exemplo a tristeza ou a alegria que "em si" são pura temporalidade inespacial mas só podem ser vivenciadas em algum lugar do espaço (interno e externo), pela simples razão de que não vivenciamos empiricamente conceitos e essências puras, mas coisas e estados que existem no espaço e no tempo. Mutatis mutandis, o intemporal "em si" tem de se temporalizar existencialmente para existir ante a percepção.
Mas o mediador, para operar essas chaves da percepção, tem de ser supra-espacial e supratemporal. A forma a priori que denomino existência tem portanto dentro de si o quadro inteiro das distinções: temporal-inespacial, temporal-espacial, espacial-atemporal e espacial-temporal. Se não o tivesse, não poderia projetá-las sobre os dados da experiência. Mas, para que o tenha, é preciso que ela própria não dependa dessas distinções, e sim se estruture internamente segundo uma distinção muito mais abrangente, que é a do real e do irreal, o primeiro constituindo-se da dupla de polos temporal-espacial (isto é, a essência temporal que se espacializa existencialmente) eespacial-temporal (a essência espacial que se temporaliza existencialmente) e o segundo da dupla espacial-atemporal etemporal-inespacial, ambos constituídos de essências puras não existencializáveis, ou meras possibilidades. Por isto defino a metafísica como ciência da possibilidade (e impossibilidade) universal, isto é, como quadro delimitador não só do conhecimento mas do real mesmo. (1) Neste sentido, a estrutura da percepção já tem uma estrutura dedicidamente metafísica.
Kant admitiu o par existência-inexistência apenas como categoria da razão, mas obviamente ele está embutido já na estrutura mesma da percepção, na medida em que todo perceber tem uma natureza escalar e contrastante e consiste em notar não só as presenças, mas as ausências que lhes servem de pano-de-fundo. Os próprios juízos de existência seriam impossíveis se não houvesse, com anterioridade lógica se não cronológica, a percepção de existência, a qual por sua vez não pode ser concebida senão como oposto complementar dapercepção de inexistência. O ver alguma coisa não pode ser concebido senão como não ver alguma outra coisa — por exemplo, o oco da sua ausência — no lugar dela.
Tempo e espaço são formas da existência, bem como — negativamente — da inexistência. Quando, através de sua manifestação espacial, percebo algo que em si não é espacial, como por exemplo uma melodia, o que estou percebendo é uma existência parcial e deficiente: a melodia não existe como substância no sentido físico do termo, mas como efeito da ação de determinados corpos — os instrumentos de música, por exemplo, ou os órgãos da fonação humana. Percebo, no mesmo instante, que essa melodia tem uma estrutura matemática, a qual por sua vez é independente do tempo e do espaço, e que neste sentido tem uma existência ainda mais deficiente, como mera potência que é. Se eu não pudesse perceber essas formas deficientes, também não poderia perceber as eficientes ou plenas que lhes fazem contraste e que são perceptíveis justamente por esse contraste.
Existência-inexistência é, pois, forma a priori da sensibilidade e não somente da razão. Já o tempo e o espaço não podem ser formas a priori, mas apenas o resultado da diversificação da experiência quando esta é enfocada sob a categoria existência-inexistência, donde resulta a percepção diferenciada do espacial-temporal, do espacial-intemporal, etc.
De outro lado, existência-inexistência não poderia ser uma forma a priori da sensibilidade se não fosse também uma formaa priori dos dados sensíveis em si mesmos, de vez que o mais simples ato de percepção depende de certas qualidades que têm de se apresentar nos objetos mesmos e sem as quais não poderíamos percebê-los. Existência-inexistência é ao mesmo tempo categoria gnoseológica e ontológica: é a forma da percepção dos objetos no espaço e no tempo e inseparavelmente a forma da presença desses objetos no espaço e no tempo.

17/02/00

Nota
(1) V. a apostila Breve Tratado de Metafísica Dogmática (aulas de 1991) logo mais nesta homepage.


http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/kant2.htm

Obrigado pela visita, volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Yoani Sánchez ESCRITO POR ESTEBAN FERNÁNDEZ | 04 M


ESCRITO POR ESTEBAN FERNÁNDEZ | 04 MARÇO 2013 

INTERNACIONAL - AMÉRICA LATINA
Por demanda popular e porque muitos estão loucos para que eu diga algo a respeito, apesar de que eu já disse anteriormente tudo o que penso desta moça, passo levemente a “tocá-la com limão”.
Nada me surpreende mais do que o alvoroço de alguns sobre as declarações de Yoani Sánchez. Desde o primeiro momento Yoani falou e defendeu os doutrinados em Cuba dos quais ela é parte primordial.
Ao contrário, lhe estou muito agradecido por seus absurdos testemunhos porque somente Zoe Valdés na França recebeu mais queixas do que eu por nossas opiniões sobre esta dama que agora nos reivindica.
Jamais, desde a primeira palavra impressa, ela se fez eco do exílio histórico cubano. Além disso, desses não pode dizer nem um pio porque ela sabe somente o que o doutrinamento castrista lhe inculcou. 
Quanto tempo teria durado sem que seus ossos tivessem sido enviados a Manto Negro, ou a qualquer dos cárceres cubanos para cumprir 20 anos, se tivesse dedicado três artigos defendendo, por exemplo, Luis Posada Carriles? Não teria passado do primeiro escrito. Ela sempre comentou sobre os aborrecimentos que padece a massa doutrinada. Coisas como que “há muito calor em Havana”, ou que “subiram os preços das frutas”. As mesmas incomodidades que o próprio Raúl Castro também critica...
Nada de dizer que os irmãos Castro são uns filhos de uma cadela que desde há tempo merecem estar no Inferno. Eu adoraria ler algo proveniente de sua imaginação sobre o enorme sofrimento do presídio político cubano durante o “Plano Camilo Cienfuegos”... Daria qualquer coisa para que lhe perguntassem, quem foi Eduardo Capote? Não tem nem a menor idéia. Quem não sabe que a este compatriota lhe cortaram vários dedos de uma mão de um baionetaço? 
Se ela tivesse escrito celebrando a tentativa de voar Che Guevara em mil pedaços durante sua visita às Nações Unidas, agora o surpreso com suas declarações seria eu. Há uns rabiscos dela falando sobre a mochila que seu filho levou à escola. A qual cubano que verdadeiramente deseja a liberdade total de Cuba interessa isso? Evidentemente, talvez tenha recebido um prêmio de algum grupo esquerdista por esse bravo escrito. E para que ela aprenda: isso de “bravo escrito” é sim uma ironia.
“Que se acabe o embargo em Cuba, que devolvam a Base Naval de Guantánamo” são palavras de ordem fidelistas desde há mais de 50 anos. Meteram isso na cabeça dos cubanos com um cinzel. E o de que libertem os cinco espiões é uma ladainha constante na Ilha da qual ela faz eco, porque isso é a única coisa que ela sabe fazer. Por que não tem a coragem de pedir a liberdade de Eduardo Arocena, o líder de Omega 7? Ela é expert em bobagens e em como estão caras as berinjelas em Guanabacoa.
E que seja famosa, tampouco me alarma porque sei muito bem da forma em que se criam os ídolos de barro, desde a época em que tornaram um cantor norte-americano chamado Fabián famosíssimo, sem que ninguém o tivesse escutado jamais entoar uma simples melodia.
Yoani Sánchez é uma ignorante absoluta da luta desenvolvida pelos cubanos. Asseguro-lhes que ela não pode dar cinco nomes de patriotas fuzilados no El Escambray. Não sabe quem foram os três principais líderes da Brigada 2506. Eu lhe daria o “Prêmio Esteban”, acompanhado por 16 pesos cubanos, se ela se atrevesse a escrever um artigo defendendo o Movimento Nacionalista, e sobre as atividades de Guillermo Novo, de Horacio Minguillón, Gaspar Jiménez, Virgilio Paz, Dionisio Suárez, Pedro Remón, Héctor Fabián, Aldo Rosado.
Por que ela não disse algo sobre a morte de Abon Lee, o valente militar que pôs o cano em Camilo Cienfuegos  por três vezes no Yaguajay? Por favor, nem sabe quem foi esse valente chinês!
Eu não me atrevo a considerá-la uma agente castrista, simplesmente sustento que é uma representante dos que nos odeiam a nós, os verdadeiros inimigos do regime opressor, que desejamos sua destruição total. Quem não pede JUSTIÇA na hora da libertação, que se vá.
Por que ela não dedica algumas horas em conversar com Tony de la Cova para quando voltar possa escrever sobre o ataque ao Moncada? Agora quando for a Miami deve visitar os escritórios de Alpha 66 para que veja - e possa refletir a respeito - as paredes cheias de fotos de mártires da luta.
A ver quantos prêmios lhe dão por três artigos sobre Yarey, sobre Vicente Méndez e sobre Orlando Bosch. Eu lhes asseguro que se ela ler uma coleção de meus escritos durante 45 anos, discordará mais de mim do que de Raúl e Fidel Castro.
Ah, e se alguém me quiser dizer que “ela vive lá e não aqui em liberdade”, antes deve averiguar com os güineros [1] para se inteirar se quando eu estava em Cuba me mantinha calado e submisso.


Yoani (parte 2)
Volto a falar de Yoani Sánchez e este é meu último artigo a respeito sobre ela. Não penso relegar meus ataque contra a tirania, nem ao comodismo, para me dedicar a esta moça. Quase todas as reações a meu escrito passado foram positivas, porém uns quantos pensam que eu não devia criticá-la. E a estes segundos, respeitosamente, dedico-lhes estas humildes linhas.
A primeira coisa que desejo dizer aos que não estão de acordo comigo é que: se minhas duas queridas filhas se atrevessem publicamente a pedir a liberdade dos cinco espiões, eu lhes interromperia e reagiria da mesma maneira que fiz com Yoani.
E adoro a memória de meus pais, mas se eles ressuscitassem e dissessem que consideravam que Gerardo Hernández e comparsas devem ser devolvidos a Cuba, seria a primeira vez que lhes faltaria com o respeito e lhes diria com descompostura: “Os senhores estão equivocados!”...
E não detesto estes cinco tipos porque são espiões, senão por haver custado as vidas de uns jovens patriotas, decentes, honestos e que estavam somente conseguindo salvar compatriotas de perecer afogados no mar. Creiam-me, que o mínimo que Yoani merece por suas opiniões desatinadas é que os pais destes rapazes lhes puxem as orelhas ainda no aeroporto de Miami por falta de respeito.
Alguém disse: “Quem é você para se atrever a criticar esta patriota?”. E eu respondo: quem diabos é Yoani Sánchez para que não possa ser tocada nem com a pétala de uma flor? Quem sou eu? Não sou nada do outro mundo, simplesmente um humilde cubano que 20 anos antes de Yoani nascer já estava publicamente defecando em Fidel Castro em qualquer esquina de minha cidade, nas guaguas [2], no Instituto de onde fui expulso por não aceitar a tirania e em todos os lugares.
Que discordar dela divide o exílio e o povo cubano? Talvez, porém a maior divisão que o desterro cubano sofreu em 54 anos é ela quem está produzindo. Não há um só rincão do exílio cubano onde meus compatriotas não estejam se envolvendo por culpa desta jovem. Uns a favor e outros contra. A verdade é que este era um exílio cansado e calado até que esta moça pôs um pé no exterior.
Sobre a Base Naval de Guantánamo todo cubano que estudou nossa história - e não foi doutrinado pelo regime -, sabe que os norte-americanos poderiam perfeitamente bem apropriar-se da Ilha aproveitando as condições espantosas em que se encontrava nossa Pátria, após o genocídio que Valeriano Weyler impôs, e simplesmente acordaram pôr uma Base lá e pagar mensalmente por ela. Finalmente, Guantánamo é o único território de Cuba próspero, livre e limpo.
E sobre o Embargo a Cuba, lhes direi que isso não foi mais que uma tímida reação do governo norte-americano ante o roubo descarado de todas as propriedades americanas em nosso país. O correto teria sido que nesse instante invadissem Cuba e tirassem os ladrões a bombaços. 
Yoani, e 90 por cento de seus defensores, não eram nem nascidos quando Fidel Castro em todas as tribunas do país lançava insultos aos norte-americanos e gritava “Yankees go home”, zombava do Presidente deste país, lançava-lhes a culpa injustamente pela explosão de La Coubre. Com tudo isso, a realidade é que nesse momento os americanos simpatizavam com ele e lhe teriam dado vilas e castelos - em vez de fazer-lhe um embargo - se Fidel Castro os tivesse tratado decentemente.
E certamente vocês sabem que se desaparecesse a desculpa do embargo, a tirania encontraria qualquer outro bode expiatório. Portanto eu, ao contrário de Yoani, o que peço é UM VERDADEIRO BLOQUEIO NAVAL onde não entre nem saia nem um simples alfinete. E aquilo cai em dois meses.
Por último, que Yoani é muito valente? OK. Porém, vocês sabem por quê? Porque a tirania não lhe apertou o torniquete. Minhas heroínas são Olga Marrero, Alicia del Busto, Cari Roque, Polita Grau, Iliana Curra, Nelly Rojas, Ana Lázara Rodríguez, Agata Villarquide, Dora Delgado e centenas de prisioneiras mais, que sofreram muitíssimo anos de verdadeiro cautério, em condições infra-humanas, sem baixar as cabeças nem vacilar, firmes, recebendo baionetaços, comendo pura bazófia. Estas são as que sempre mereceram nossa homenagem. 
Porém, vivendo em um apartamento de luxo, cheio de computadores, de objetos elétricos, de telefones portáteis e patente de corso para escrever algumas obviedades e receber prêmios em dinheiro, não me produz nem a mais leve admiração. Enquanto isso, um sapato velho da defunta Zoila Aguila, a legendária Niña do Escambray, eu o depositaria em um museu da causa cubana.
E colorim colorado, minhas opiniões sobre Yoani se acabaram.

Notas da tradutora:
[1] “Güinero”, natural de Güines.
[2] “Guagua” é uma espécie de ônibus comprido, velho, que serve de transporte urbano à população “a pé”, e que invariavelmente anda super-lotado.



Comentário de um cubano:

"Pois me parece que os que defendem as declarações de Yoani ignoram uma realidade demasiado clara para qualquer pessoa não cegada pelas manipulações do governo Castrista.
O governo de Batista fazia o mesmo com os dedo-duros, os encarceravam por uns dias e depois os soltavam para ganhar a confiança dos opositores. Isto não é algo novo e todos os governos e até as agências governamentais o usam para infiltrar sua gente até nos grupos que facilitam a venda de drogas. Aqui o problema é que muitos ignoraram que nunca golpearam Yoani, nem lhe tiraram seus privilégios: computador, livros, linhas de internet, o trabalho do esposo, dinheiro abundante para suas compras especiais do último Windows. Nem sequer lhe hackearam para inutilizar seu computador. Isto, enquanto estas coisas não são livremente acessíveis ao cubano "a pé", muito menos a outros dissidentes.
Um governo que envia suas hordas para golpear mulheres que caminham em fila com gladíolos em protesto pacífico (as Damas de Branco), que as golpeia e encarcera por ter a "ousadia" de pedir a liberdade de presos-políticos? Uma sociedade que encarcera um americano como Gross, por levar equipamentos de computadores aos judeus na ilha. E a Yoani? Bem, obrigada!... Que tão inteligentes são os que a defendem como uma heroína contra a tirania socialista? Creio que se equivocam os que acreditam que podem convencê-los...
Para que perder tempo? Como os que saem por razões "políticas" e voltam de férias quando o governo não mudou e acreditam que não nos damos conta de que suas razões são meramente econômicas e continuam defendendo a revolução e "o comandante", e criticando o sistema "capitalista" do qual vivem.
Afirmam que existe um "bloqueio" porque não sabem a diferença entre um bloqueio e um "embargo", e ignoram que mais de 75% dos produtos alimentícios e dos medicamentos em Cuba saem dos USA...
Porém, em um país onde qualquer cidadão sem contatos no governo vive e come sob condições piores do que qualquer turista de classe média e lhe parece bem e normal, não pode esperar o respeito, que não ganhou, de qualquer ser humano que respeite a si mesmo".



Tradução: Graça Salgueiro


fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/america-latina/13907-yoani-sanchez.html

Obrigado pela visita, e volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Coleção Os Pensadores - Maquiavel

Obrigado pela visita, e volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

Resumos de Livros Cola da web




http://www.coladaweb.com/resumos/?url=resumos

Obrigado pela visita, volte sempre. pegue a sua no TemplatesdaLua.com

O que acontece quando uma organização é declarada terrorista?

Quando uma organização é oficialmente declarada ou designada como terrorista — seja por um governo específico (como o dos Estados Unidos),...