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Ser vice... na escola

 Ser vice... na escola


Por Marcus Vinicius de Azevedo Braga *

Vice, adjunto, sub, sota, substituto. Vários nomes, mas chamaremos genericamente o titular desse cargo de vice. Toda escola, via de regra, tem um diretor e um vice. Mas é desse fundamental – esquecido - representante substituto nas escolas que iremos falar nesse breve artigo, com um pouco de humor, não para ofender, mas para provocar a reflexão sobre o assunto.

Como dizia o bordão de Jô Soares, em seu programa televisivo na década de 80 : “Tirante Aureliano, vice não fala!” È, de fato vice fala pouco, mas faz muito e é igualmente cobrado, de cima e de baixo. Vice assessora para cima e informa para baixo, tem que estar inteirado de tudo, pois pode ser surpreendido a frente de uma situação de condução de uma hora para a outra. Os vices são cobrados como cúpula e detém para si o ônus administrativo, o de fazer acontecer, do sonho virar realidade. Por muitas vezes o vice tem que chorar para o titular sorrir.

Quando tem evento fora da escola- e não são poucos- com coquetéis, fotos e microfones, o diretor vai e o vice assume. E toca o barco. Vice, quando vai a reunião fora da escola, pode acreditar: é aquela reunião repleta de problemas e sua presença se faz apenas para poupar o titular de algum desgaste. Na luta política, quando o titular cai, sobra para o vice. Mas para assumir de forma permanente, ah, aí vem gente de fora!

Não tem dia do Vice. Vice é o herdeiro natural de tudo, o Rei das sobras. Vice é o coração de uma escola (Coração está sempre batendo). Parafraseando o ex-presidente Lula da Silva, com um exemplo futebolístico, o diretor é o técnico do time e o vice o capitão. Mas vice não levanta a taça no fim do campeonato!

O vice por vezes vive da esperança eterna de ser titular um dia. Alguns vices se comprazem de ser a eminência parda, aquela figura consagrada pelo Cardeal Richelieu, do romance “Os três mosqueteiros”, de Alexandre Dumas, que não tinha um cargo expressivo, mas que na verdade mandava em tudo, agindo nos bastidores. Por outro lado, tem vice que não é convidado a opinar sobre as mais corriqueiras questões.

As vezes, na hora da bomba, a primeira opção é fritar o vice. O vice sempre divide o ônus, mas só as vezes divide o bônus. Quando o vice briga com o diretor, a escola toda sabe, e se instaura nessa um verdadeiro inferno. Diretor que não foi vice é dose, pois nunca percebe o valor dessa função.

Se as pessoas vissem o que o Vice faz! Precisamos valorizar o Vice, um tesouro na escola. Ser vice é visceral... Mas de que forma valorizá-lo? Reproduzindo esse modelo?

Nesses tempos que ainda vigora o gerencialismo, o culto a liderança e a figura da direção na escola em detrimento do ideal da gestão democrática, que ao contrário busca a valorização da participação e da construção coletiva da escola, valorizar pode ter vários significados.

Longe de se prender ao romantismo de uma auto-gestão pura e simples, mas entendendo que todos tem seu valor no contexto no contexto escolar, valorizar o vice seria exaltar a inter-relação dos grupos da escola- alunos, pais, professores, funcionários, comunidade- vendo nessa função um grande articulador dessas forças na construção de uma gestão plural. Um artífice da cooperação!

Assim, o papel do vice, para além de ser apenas um executor imediato à sombra do diretor, surge como um grande relacionador de forças. Um elemento aglutinador que possibilita a interlocução e que pelas conjunturas naturais do cotidiano, substitui o diretor.

Nesse desenho, vice fala. Aliás, todos falam. E a cúpula contribui para romper a burocracia em prol da gestão democrática, consoante com uma escola com o envolvimento de todos, na busca da qualidade social, da educação comprometida, no apoio mútuo pela melhor educação possível.

* Pedagogo e mestrando em educação



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