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terça-feira, 6 de outubro de 2026
João Maria Andarilho análise do Primeiro turno 26. Um recado para a esquerda
As Glórias de Indira Ekadasi
Do Brahma-vaivarta Purana
Yudhishthira Maharaj disse: “Ó Madhusudana, matador do demônio Madhu, qual é o nome do Ekadasi que ocorre durante a quinzena escura (krishna paksha) do mês de Ashwin (setembro-outubro)? Por favor, descreva-me suas glórias.”
A Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Sri Krishna, então respondeu: “Este dia sagrado é chamado Indira Ekadasi. Se uma pessoa jejuar neste dia, todos os seus pecados serão erradicados e seus ancestrais que caíram no inferno serão libertados. Ó melhor dos reis, aquele que simplesmente ouve falar deste sagrado Ekadasi alcança o grande mérito obtido ao realizar um sacrifício de cavalo.”.
“Na era Satya-yuga viveu um rei chamado Indrasena, tão poderoso que destruiu todos os seus inimigos. Seu reino chamava-se Mahishmati-puri. O glorioso e profundamente religioso Rei Indrasena cuidava bem de seus súditos e, por isso, era rico em ouro, grãos, filhos e netos. Ele também era muito devoto ao Senhor Sri Vishnu. Apreciava especialmente cantar Meu nome, invocando 'Govinda! Govinda!'. Dessa forma, o Rei Indrasena dedicou-se sistematicamente à vida espiritual pura e passou muito tempo meditando sobre a Verdade Absoluta.‘.
“Certo dia, enquanto o Rei Indrasena presidia alegre e pacificamente sua assembleia, o orador perfeito, Sri Narada Muni, foi visto descendo. Branco como uma concha, brilhando como a lua, como uma flor de jasmim, como um raio, Narada Muni desceu do céu. Ele estava adornado com mechas emaranhadas de cabelo ruivo. O rei ofereceu grande respeito a Devarishi Narada, o santo entre os devas, saudando-o com as palmas das mãos unidas, convidando-o para o palácio, oferecendo-lhe um assento confortável, lavando seus pés e proferindo doces palavras de boas-vindas. Então Narada Muni disse ao Maharaj Indrasena: 'Ó rei, os sete membros do seu reino estão prosperando?'‘
“Os sete pilares do domínio de um rei são: o bem-estar do próprio rei, de seus ministros, de seu tesouro, de suas forças militares, de seus aliados, dos brâmanes, dos sacrifícios realizados em seu reino e das necessidades de seus súditos. 'Sua mente está absorta em pensar em como você pode desempenhar adequadamente seu dever profissional? Você está se tornando cada vez mais devoto e dedicado ao serviço do Senhor Supremo, Sri Vishnu?'‘
“O rei respondeu: 'Por sua bondade, ó maior dos sábios, tudo está bem. Hoje, apenas com a sua presença, todos os sacrifícios em meu reino foram bem-sucedidos! Por favor, mostre-me misericórdia e explique o motivo de sua gentil visita.'‘
“Sri Narada, o sábio entre os devas, então disse: 'Ó leão entre os reis, ouça minhas palavras surpreendentes. Quando desci de Brahmaloka para Yamaloka, o Senhor Yamaraja me elogiou com muita gentileza e me ofereceu um excelente assento. Enquanto eu glorificava sua sinceridade e seu maravilhoso serviço ao Senhor Supremo, notei seu pai na assembleia de Yamaraja. Embora ele fosse muito religioso, por ter quebrado prematuramente o jejum de Ekadasi, teve que ir para Yamaloka. Seu pai me deu uma mensagem para você. Ele disse: ‘Em Mahishmati vive um rei chamado Indrasena. Por favor, conte a ele sobre minha situação aqui – que, por causa de meus pecados passados, fui de alguma forma forçado a residir no reino de Yamaraja. Por favor, transmita a ele esta mensagem minha: 'Ó filho, por favor, observe o próximo Indira Ekadasi e faça muitas doações para que eu possa ascender ao céu.'“
Filosoficamente, podemos entender que cada entidade viva é um indivíduo e, individualmente, cada um deve praticar a consciência de Krishna para retornar ao lar, de volta a Deus. Como afirmado no Garuda Purana, alguém que sofre no inferno não pode praticar a consciência de Krishna, pois isso requer paz mental, algo impossível devido às torturas reacionárias do inferno. Se um parente de um pecador que sofre no inferno fizer caridade em nome do pecador, este poderá deixar o inferno e entrar nos planetas celestiais. Mas se o parente do pecador observar o jejum de Ekadasi por seu parente sofredor, este irá diretamente para o mundo espiritual, conforme narrado no Brahma-vaivarta Purana.
“Narada prosseguiu: 'Apenas para entregar esta mensagem, ó rei, vim até ti. Deves ajudar teu pai observando o jejum de Indira Ekadasi. Pelo mérito que adquirires, teu pai irá para o céu.' O rei Indrasena perguntou: 'Ó grande Narada, por favor, seja misericordioso e diga-me especificamente como observar o jejum em Indira Ekadasi, e também em que mês e em que dia ocorre.'‘
“Narada Muni respondeu: 'Ó rei, por favor, ouça enquanto lhe descrevo todo o processo de observância do Indira Ekadasi.'‘
- Este Ekadasi ocorre durante a quinzena escura do mês de Ashwin.
- No dia Dashami, véspera de Ekadasi, levante-se cedo pela manhã, tome banho e, em seguida, preste algum serviço a Deus com fé plena.
- Ao meio-dia, banhe-se novamente em água corrente e, em seguida, ofereça oblações aos seus antepassados com fé e devoção.
- Certifique-se de não comer mais de uma vez neste dia e, à noite, durma no chão.
- Ao despertar na manhã de Ekadasii, limpe bem a boca e os dentes e, com profunda devoção ao Senhor, faça este voto sagrado: 'Hoje jejuarei completamente e renunciarei a todos os prazeres sensuais. Ó Suprema Personalidade de Deus de olhos de lótus, ó infalível, por favor, conceda-me refúgio aos Seus pés de lótus.'‘
- Ao meio-dia, fique diante da forma sagrada da Sri Shaligram Shila e adore-O fielmente, seguindo todas as regras e regulamentos; em seguida, ofereça oblações de ghee no fogo sagrado e tarpana direcionado para ajudar seus antepassados.
- Em seguida, alimente brâmanes qualificados (com prasadam que não seja de grãos) e ofereça-lhes alguma caridade de acordo com suas possibilidades.
- Agora, pegue os pindas (alimentos) que você ofereceu aos seus antepassados, cheire-os e ofereça-os a uma vaca. Em seguida, adore o Senhor Hrishikesha com incenso e flores e, finalmente, permaneça acordado a noite toda perto da divindade do Senhor Sri Keshava.
- Logo pela manhã do dia seguinte, no tithi de Dvadasi, preste culto a Sri Hari com grande devoção e convide os devotos brâmanes para um banquete suntuoso.
- Em seguida, alimente seus parentes e, finalmente, faça sua refeição em silêncio.
‘'Ó rei, se observares rigorosamente o jejum de Indira Ekadasi desta maneira, com os sentidos controlados, teu pai certamente será elevado à morada do Senhor Vishnu.' "Após dizer isso, Devarishi Narada desapareceu imediatamente da cena para abençoar outra pessoa com sua presença.".
“O rei Indrasena seguiu à risca as instruções do grande santo, observando o jejum na companhia de seus parentes e servos. Ao quebrar o jejum no dia lunar de Dvadasi, flores caíram do céu. O mérito que Indrasena Maharaj acumulou ao observar esse jejum libertou seu pai do reino de Yamaraja e o fez alcançar um corpo completamente espiritual. De fato, Indrasena o viu ascender à morada do Senhor Hari nas costas de Garuda Vahan. O próprio Indrasena foi capaz de governar seu reino sem quaisquer obstáculos e, quando entregou o reino a seu filho, também ascendeu ao reino espiritual de Vaikuntha.
“Ó Yudhisthira, estas são as glórias do Indira Ekadasi, que ocorre durante a quinzena escura do mês de Ashwin. Quem ouve ou lê esta narração certamente desfruta da vida neste mundo, é libertado de todas as consequências de seus pecados passados e, na hora da morte, retorna ao lar, de volta a Deus, onde vive eternamente.”
Assim termina a narração das glórias de Ashwin-krishna Ekadasii, ou Indira Ekadasi, extraída do Brahma-vaivarta Purana.
Este artigo foi utilizado com a devida autorização de Árvore dos Desejos da ISKCON
https://tovp.org/pt/festivals/indira-ekadasi-and-the-tovp-2023/
Hoje é o dia do Sagrado jejum de Sri Indira Ekadasi 06/10/2026 terça. Explicando e lendo
sábado, 26 de setembro de 2026
HAFEFOBIA: tudo sobre a fobia de toque

O que é a hafefobia
Todos temos nossas fobias. Existem vários tipos de fobias. Há quem tem medo de sangue, outros das aranhas, quem tem medo de cachorros, claustrofobia ou agorafobia. Os que sofrem de hafefobia são pessoas que têm medo de serem tocadas e/ou estabelecer qualquer contato físico com os demais.
O que, exatamente, significa hafefobia? Objetivamente, implica grande mal-estar, se não repulsa, a respeito do contato físico, tanto dado como recebido. Tal fobia é dada por uma hipersensibilidade proxêmica do sujeito, interpretando o contato físico no subconsciente como uma invasão da zona íntima própria ou de outrem. Às vezes, a repulsa se limita ao contato com uma pessoa do sexo oposto.
O que causa a fobia de toque
A pessoa com hafefobia tenta se proteger da invasão por parte de outros, de sua esfera íntima e emocional. Frequentemente, de fato, na base deste medo há um trauma que não foi superado, geralmente de tipo sexual, como um abuso passado nunca abordado que ainda ecoa; este é o caso da hafefobia pelas pessoas do sexo oposto. Vejamos com detalhes as principais causas da hafefobia:
- Lembranças de uma agressão sexual: impedem que a pessoa se deixe levar ou confie em alguém, por medo de que possa voltar a ocorrer e inesperadamente se sentir prejudicado.
- Negligência emocional: consequência de situações vividas com os pais ou na infância ou, pelo contrário, uma defesa contra a intrusão destes em sua própria vida.
- Ausência ou a excessiva presença parental: pode endurecer a pessoa como um tronco de madeira, tendendo a se acostumar à presença do outro ou, em outros casos, a se proteger contra a invasão dos próprios espaços.
- Medo de ser contaminado: se sentir sujo, ou medos mais íntimos, de natureza sexual, como o medo da penetração ou a elevada percepção de dor que o ato sexual pode gerar, tratados no âmbito da psicosexologia.
Sintomas da hafefobia
A hafefobia entra na classificação das fobias específicas, condições clínicas caracterizadas por uma forte ansiedade e/ou medo por um objeto ou por uma situação específica. Estar junto de alguém no trem ou no elevador, abraçar ou tocar a mão de outros, pode desestabilizar a pessoa, provocando assim uma sensação de rejeição incontrolável.
A ansiedade provocada pela exposição ao estímulo fóbico também pode se manifestar na forma de um verdadeiro ataque de pânico. Portanto, os sintomas da hafefobia podem estar relacionados com a ansiedade ou o estresse. Vejamos quais são a seguir:
- Taquicardia.
- Sudoração.
- Dor no peito.
- Asfixia.
- Náuseas.
- Vertigem.
- Tremor.
- Hiperventilação.
- Formigamento.
- Sensação de desmaio ou de ficar louco.
- Perder o controle.
- Alerta constante.
- Medo de morrer.
Consequências da hafefobia
As pessoas que não gostam de serem tocadas podem sentir o contato físico como excessivo ou, até mesmo, doloroso para alguém do sexo oposto ou, de forma generalizada, por todos. Nestes casos, as consequências da hafefobia podem ser as seguintes:
- A hafefobia pode acabar na agorafobia, isto é, a evitação de situações ou lugares nos que se pode tocar.
- A pessoa se vê induzida a crer que o outro quer constantemente tocá-lo ou violá-lo.
- Não ser muito propenso às relações interpessoais, chegando a evitar os encontros.
Em qualquer caso, para poder formular o diagnóstico de fobia específica, é necessário que o mal-estar provocado por essa fobia interfira de maneira significativa no funcionamento social, escolar ou profissional do indivíduo.
Tratamento da hafefobia
Como tratar a hafefobia? A psicoterapia é o tratamento escolhido para este tipo de transtorno. Dentro da relação terapêutica será possível voltar a dar um sentido à distância e ao contato com os outros. Isto acontece reconstruindo o que impulsionou o sujeito a construir esta reação defensiva em relação ao outro.
A fobia ao tato é um medo ligado à confiança. A psicoterapia permite identificar e processar situações traumáticas ou de descuido emocional que podem ter desestabilizado a confiança pelos demais.
A psicoterapia recupera, enfrentado o trauma, as feridas passadas e restabelece uma nova perspectiva dos acontecimentos. Evitar o contato físico não permite se proteger, mas sim criar mais distância, comprometendo as relações interpessoais. Neste artigo, falamos sobre a comunicação interpessoal.
Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.
Se pretende ler mais artigos parecidos a Hafefobia: o que é, causas, sintomas e tratamento, recomendamos que entre na nossa categoria de Psicologia clínica.
- BRUNO, F., Canterini, S. (2018). La scienza degli abbracci. Alla scoperta del nostro cervello socio-emotivo. Milán: Franco Angeli.
- GARDA, V. (2010). Come vincere le paure. Roma: Sovera Edizioni.
- TRIPPUTI, F. (2021). Afefobia: la paura del contatto fisico. Disponível em:
- <https://filomenatripputi.it/afefobia/> Acesso em: 28 de outubro de 2021.
sábado, 19 de setembro de 2026
Aparecimento transcendental da consorte eterna de Sri Krishna, Srimat Radharani 18/09/2026
domingo, 13 de setembro de 2026
Métodos de Alfabetização: Método Global x Método Fônico
Tempo de leitura estimado: 14 min

Os métodos de alfabetização podem ser divididos em 2 grandes grupos: métodos sintéticos e métodos analíticos.
Métodos Sintéticos
Os métodos sintéticos consideram das partes para o todo, privilegiam as correspondências fonográficas. Para esse grupo de métodos, propõe-se um distanciamento da situação e do uso do significado para a promoção de estratégias de análise do sistema de escrita. Espera-se que a criança primeiramente aprenda a codificar e decodificar o código alfabético para depois compreender o texto.
Esta vertente compreende:
- Método alfabético – que toma como unidade a letra;
- Método fônico – que toma como unidade o fonema;
- Método silábico – que toma como unidade um segmento fonológico mais facilmente pronunciável, a sílaba. (Aqui devemos ressaltar que o nosso código de escrita é alfabético e sua menor unidade é o fonema, e não a sílaba.)
O método sintético consiste em sintetizar sequências, dados ou átomos componentes. O método de recitação do bê-á-bá encaixa-se nesse tipo. Mostra-se primeiro as letras e ensina-se suas correspondências com sons; depois, ensina-se a compor com elas sílabas e palavras.
Método Analítico
Os métodos analíticos partem do todo para as partes e procuram romper radicalmente com o princípio da decifração. São conhecidos como métodos globais: o da sentenciação e o de palavração.
Assim, nessa metodologia global, espera-se que, no processo de imersão, tomando como unidades a palavra, a frase e o texto, as crianças possam realizar posteriormente uma análise de unidades menores da língua.
Este método parte das sequências completas, sendo a tarefa da criança analisar e identificar os átomos. Mostra-se primeiro palavras ou frases e ensina-se a identificar nelas as unidades componentes, as letras e os sons que lhes correspondem.
3 Métodos Sintéticos
Pesquisas históricas permitem supor que os primeiros métodos utilizados na alfabetização eram os sintéticos. Vários são usados até os dias de hoje.
Métodos sintéticos pressupõem que a compreensão do sistema de escrita se dá sintetizando – juntando unidades menores, relacionando a fala com a representação escrita. Dependendo do método, essa unidade pode ser a letra, a sílaba ou o fonema, que se juntam para formarem as palavras, o que leva à decodificação ou decifração (Frade, 2005).
1. Método Alfabético
Segundo Frade (2005), este é o mais antigo entre os métodos sintéticos usados no Brasil. Consiste em agrupar as letras do alfabeto formando as sílabas ou partes destas, que formariam as palavras.
Os aprendizes teriam que decorar o alfabeto letra por letra para depois formar as sílabas ou outro segmento da palavra, para depois compreenderem que estes poderiam se transformar em palavras.
Depois, criou-se a soletração: as crianças decoravam as combinações e cantavam (be-a-ba, be-e-be etc.) e soletravam para tentar decifrar a palavra. Por exemplo, "bolo": "be-o-bo, ele-o-lo = bolo".
Esse recurso era muito penoso. Tente imaginar a abstração necessária ao aprendiz para retirar o excesso de sons na palavra que se soletra assim: "bê-a-ba, ene-a-na, ene-a-na = banana".
2. Método Fônico
O método fônico parte do princípio de que é necessário ensinar às crianças as relações entre grafemas e fonemas (letras e sons), para que se relacione a palavra falada com a escrita. No método fônico, sua unidade mínima é o fonema.
No método fônico, ensina-se primeiro as vogais, suas formas e seus sons. Depois, as consoantes, começando pelas consoantes fricativas nas suas formas regulares, aquelas que podem ter seu som prolongado (F, G, J, Z, X e as nasais M, N).
Cada letra é aprendida como um som, e juntando esse som com outro (CV – consoante/vogal ou vogal/vogal), pode-se formar sílabas e palavras. Aprender a relação grafema/fonema é o principal objetivo.
Para Frade (2005), o método fônico traz algumas vantagens e desvantagens. Nos casos em que realmente há uma correspondência direta entre um fonema e sua representação escrita, os aprendizes irão decifrar rapidamente, desde que entendam essa relação e decorem essa correspondência. Essas correspondências diretas seriam P e B, V e F, T e D. Essas letras representam apenas um fonema e mais nenhum outro, não oferecendo maior dificuldade na decodificação e codificação.
O nosso alfabeto tem 26 letras e 31 fonemas. Algumas letras podem representar mais de um som (fonema) ou podem sofrer variação na pronúncia ou nuances, dependendo da região do país. Por exemplo, a letra S corresponde a diferentes fonemas conforme sua posição na palavra ("sapato", "casa"), ou o fonema pode ser representado por outras letras, como o som de /s/ em "cenoura", "laço" – e dígrafos como "assar", "descer", "excelente". Para Frade (2005), nessas condições, o princípio da relação direta da fala com a escrita não se aplica à maioria dos casos.
Para resolver esse problema, foram criadas variações do método fônico. O que difere um modelo de outro é a maneira de apresentar os fonemas: a partir de uma palavra significativa, uma palavra vinculada a uma imagem que visava representar uma onomatopeia (por exemplo, uma mangueira jorrando água, que tinha o formato da letra J), a partir de figuras de animais ou pessoas produzindo determinados sons, ou palavras-chave, dando ênfase ao som inicial. Outras variantes apelam para a via auditiva para depois codificar cada som e sua relação fonema/grafema.
Aplicações mais recentes do método fônico preconizam a apresentação das vogais e, depois, das consoantes, com blocos de atividades específicas a serem apresentados após a exposição de cada som, a repetição do seu nome e seu som. Por exemplo, no livro Método Fônico (Capovilla & Seabra, 2007), trabalha-se com blocos de atividades para cada letra, com palavras e lacunas a serem completadas com a letra que está sendo trabalhada.
Segundo Capovilla e Seabra (2007), o método fônico deve ser introduzido de modo gradual, com complexidade crescente. As letras devem ser introduzidas sempre enfatizando a relação grafema/fonema. Para os autores, é fundamental apresentar às crianças o nome e os sons das letras, pedindo para que elas repitam em voz alta.
O método fônico mais eficaz é aquele que faz um trabalho de consciência fonológica, quando somente no final do percurso, paralelamente, é apresentado às crianças o alfabeto e sua relação grafema-fonema, perfazendo todo um percurso pela via auditiva, com jogos de escuta.
Como dito anteriormente, no método fônico se inicia a apresentação das letras pela vogal A, apresentando suas várias formas de escrita (maiúscula, minúscula, bastão e cursiva).
O autor sugere que se apresente à criança figuras de objetos que têm seu som inicial relacionado com a letra a ser trabalhada: amendoim, ovo, abridor, abajur, fósforo, gravata... conforme a ilustração.
Exemplo de atividades do livro Alfabetização Fônica, de Alessandra Gotuzo Seabra Capovilla e Fernando Cesar Capovilla.
Outra atividade é pedir para que o aluno complete as palavras.
Atividades para completar – Método Fônico Capovilla
Atividades como formas geométricas com palavras escritas dentro destas, pedindo que o aluno pinte a figura que contém a palavra que inicia com a letra que está sendo trabalhada.
Nessa atividade, a criança deve pintar o coração cuja palavra começa com a vogal A.
3. Método Silábico
O método silábico integra os métodos sintéticos, que vão da parte para o todo: a silabação. No método silábico, a principal unidade a ser trabalhada com a criança é a sílaba. Em várias cartilhas, o trabalho inicial se concentra nas vogais e sua síntese com as demais letras do alfabeto, também partindo do mais simples para o mais complexo.
As palavras são trabalhadas sistematicamente em famílias silábicas. O método permite que se formem palavras apenas com as sílabas apresentadas anteriormente, formando posteriormente pequenos textos e frases.
Veja abaixo um exemplo da Cartilha Caminho Suave:
LIMA, Branca Alves de. Caminho Suave. 76ª ed. São Paulo: Editora Caminho Suave, 1974.
A Cartilha Sodré trabalhava mais de uma sílaba em cada lição, tendo em comum com as outras cartilhas textos que procuravam enfatizar as sílabas a serem trabalhadas.
Exemplo de lição da Cartilha Sodré, de Stahl Sodré. SODRÉ, Benedita Stahl. Cartilha Sodré. 230ª ed. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1965.
No método silábico, acredita-se que ele é um facilitador da aprendizagem, pois, quando falamos, pronunciamos sílabas e não sons separados. Assim, suprime-se a necessidade de o aluno transformar letras ou fonemas em sílabas, como no método da soletração (alfabético) ou no fônico.
A consciência de sílabas a criança adquire com muita facilidade. Isso não quer dizer que as instruções fônicas, a consciência fonêmica com instruções explícitas, devam ser ignoradas (Frade, 2005).
Seabra e Capovilla (2010) relatam em suas observações que:
Apesar das críticas ao método fônico por parte dos defensores dos métodos analíticos, em especial o método global, métodos que partem do todo para as partes, estudos recentes reforçam a eficácia do método fônico. Portanto, no Brasil, esses estudos são ignorados e combatidos, tanto na graduação quanto na pós-graduação, e o método global é difundido como eficaz e moderno.
Estudos têm evidenciado a superioridade do método fônico. Gersten et al. relatam os benefícios de longo prazo em uma alfabetização com instruções fônicas; os benefícios foram evidenciados em termos de menor repetência ao longo das séries escolares e maior aceitação no ensino superior.
A decodificação fonológica proporciona ao aluno o autoensino. Após dominar essa habilidade básica de decodificação, a qual é pré-requisito, com a prática ele se torna um leitor autônomo e fluente.
Métodos Analíticos
Esses métodos partem do todo para as partes e priorizam a compreensão, trabalhando com diversos pressupostos. Frade (2005) destaca 6 pontos comuns entre os defensores dos métodos analíticos:
- A linguagem funciona como um todo;
- Existe um princípio de sincretismo no pensamento infantil: primeiro percebe-se o todo para depois se observar as partes;
- Os métodos de alfabetização devem priorizar a compreensão;
- No ato da leitura, o leitor se utiliza de estratégias globais de reconhecimento;
- O aprendizado da escrita não pode ser feito por fragmentos de palavras, mas por seu significado, que é muito importante para o aprendiz;
- A escola tem que acompanhar os interesses, a linguagem e o universo infantil e, portanto, as palavras percebidas globalmente também devem ser familiares e ter valor afetivo para a criança.
Vemos, então, por que os métodos analíticos priorizam como unidade a palavra, a frase ou o texto.
Método Global
No método global ou ideovisual, pressupõe-se que a aquisição da leitura e da escrita se dê pela identificação visual da palavra. Apesar de haver outros métodos analíticos, como o de palavração e sentenciação, o global ou ideovisual é o mais difundido, desenvolvido provavelmente no século XVII.
Essa metodologia pressupõe que é mais fácil ensinar a palavra como um todo, sem focalizar unidades menores, pressupondo que a forma global das palavras fornece dicas importantes aos leitores iniciantes.
Para os defensores do método global, o conhecimento da relação grafema/fonema seria adquirido naturalmente pelo aprendiz, após o reconhecimento total da palavra estar estabelecido.
Nas concepções de Ken Goodman e Frank Smith, considera-se que a aquisição da leitura e da escrita só pode ocorrer a partir de unidades que sejam significativas à criança.
Em geral, métodos globais ou ideovisuais partem de unidades como:
- Palavras;
- Textos;
- Parágrafos;
- Sentenças (frases);
- Palavras-chave (como o método Paulo Freire).
A partir dessas unidades maiores, espera-se que o aprendiz chegue à compreensão de unidades menores sem a necessidade de uma instrução explícita.
Seabra e Capovilla (2010) elencam alguns dos princípios do método global:
- A leitura é compreendida como atribuição de sentido e interação entre o leitor e o texto; a leitura não deve ser focada na decifração;
- A leitura é um "jogo de adivinhação psicolinguística". As crianças devem ser estimuladas a adivinhar o que está escrito a partir de pistas contextuais;
- A aprendizagem da leitura deve ocorrer a partir de unidades maiores que sejam significativas para a criança (palavras, sentenças, textos), com incentivo à associação direta entre palavras e significados, palavras e imagens.
Método de Palavração e de Sentenciação
O método de palavração enfatiza a palavra. Nesse método, a palavra é decomposta em sílabas.
Esse método se difere do método silábico: as palavras são aprendidas globalmente, trabalhadas em contexto, e não obedece ao princípio de complexidade – do mais fácil para o mais difícil. O importante é que a palavra tenha significado para o aluno.
Nesse método, as crianças aprendem a reconhecer as palavras pela visualização e por sua forma gráfica. Defende-se a memorização da palavra. São apresentadas às crianças figuras com as palavras correspondentes para facilitar a memorização.
Apresenta como principal desvantagem as dificuldades para reconhecer palavras novas.
No método de sentenciação, a unidade é a sentença, que, depois de reconhecida globalmente e compreendida, é decomposta em palavras e depois em sílabas.
Método Global de Contos
Nesse método, a unidade tomada como partida é o texto. Cada lição é composta por um texto completo. Parte-se do reconhecimento global do texto, que é memorizado e "lido" durante um período, para o reconhecimento de sentenças, seguido do reconhecimento de expressões, de palavras e, finalmente, de sílabas.
O processo é guiado por várias lições. Depois de um convívio maior com o texto, é que viria a fragmentação deste em frases e, posteriormente, a palavração da 1ª lição. Evitava-se chegar de forma abrupta a unidades menores ou sem sentido para o aluno.
Esse tipo de aprendizagem analítica tem foco na memorização global e pode possibilitar que o aluno leia palavras conhecidas com rapidez. Porém, se o aluno não aprender a decodificar, não poderá ler palavras novas, ou não se saberá se o aluno está lendo ou apenas recitando palavras e textos decorados (Frade, 2005).
Entre os métodos fônicos brasileiros, podemos citar:
- As Aventuras de Vivi, de Leonor Scliar-Cabral
- Instituto Alfa e Beto
- Casinha Feliz – Método Iracema Meireles / Eloisa Meireles
Críticas de 4 especialistas aos métodos globais
José Morais refuta fortemente o pressuposto de que a criança é capaz de adquirir naturalmente a relação entre grafema e fonema em seu livro Criar Leitores.
E ainda ironiza essa abordagem:
É impossível imaginar que a criança aprenda por si só a chave do enigma e imaginar que haja alguém que defenda que a aprendizagem da leitura não necessita de ensino, argumentando que a criança, senhora de uma inteligência ativa, construtora de hipóteses, rapidamente descobre, sem ajuda de professor, qual é o elo que liga o alfabeto à fala. Na verdade, esse elo é altamente abstrato. (Morais, 2013, p. 31)
Stanislas Dehaene, em seu livro Os Neurônios da Leitura:
DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.
Convenhamos: se a criança tiver que decorar todas as palavras do nosso vocábulo, ela sofrerá uma sobrecarga cognitiva, ocorrerá uma leitura com dificuldade, não compreenderá o que lê – o típico analfabeto funcional.
O método global, apesar da sua difusão e quase unanimidade no Brasil, em outros países essa metodologia foi erradicada depois de amargar frequentes fracassos na alfabetização.
Para Capovilla e Seabra (2010), o MEC institucionalizou a desorientação da alfabetização e descarrilou de vez a população escolar brasileira, fazendo-a perder de vez o rumo da história. Enquanto Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Finlândia e França, entre tantos outros, já reconheceram essas evidências e recomendaram o método fônico em suas diretrizes oficiais.
Já o professor Luiz Carlos Faria da Silva é mais radical. Para ele, os pais devem assumir a responsabilidade de alfabetizar seus filhos:
[...] Quais são os resultados das tomadas de decisões nas escolas hoje? Os resultados são bons? São favoráveis?
Não são.
Então nós temos que assumir essa responsabilidade.
Hoje, no Brasil, nós temos pouquíssimos materiais de alfabetização sequenciados, materiais completos com exercícios bem sequenciados, para treinar todas as habilidades necessárias e capacidades cognitivas, organizados conforme os bons princípios da pedagogia.
Temos poucos materiais que se enquadram nessa caracterização [...].
Citei acima 3 ou 4 materiais fônicos. O melhor material, o percurso que é mais rico hoje, é aquele que contempla de forma mais bem fundada tanto as exigências da pedagogia eficaz quanto as exigências de um conhecimento aprofundado e atualizado do lado linguístico da aprendizagem, quanto o lado cognitivo, envolvendo atividades de consciência fonológica e fônica.
Veja mais detalhes no Seminário organizado pelo IAB (Instituto Alfa e Beto).
O Construtivismo
O construtivismo e suas variantes se encaixam perfeitamente no rol dos métodos analíticos, mas isso é assunto para outra aula. Assine nosso canal, clique no sininho ou cadastre-se no blog para receber novas atualizações.
Referências
CAPOVILLA, Fernando; SEABRA, Alessandra G. Alfabetização: Método Fônico. 5. ed. São Paulo: Memnon, 2010.
"Estratégias metacognitivas e metalinguísticas em leitura." Disponível em: http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/anais/IICILLIJ/10/Artigo-Estrategiasmetacognitivasemetaliguisticasemleitura.pdf. Acessado em 17 abr. 2017.
FRADE, Isabel Cristina A. S. Métodos e didáticas de alfabetização: história, características e modos de fazer de professores. Caderno do Formador, Belo Horizonte: Ceale/FaE/UFMG, 2005.
FREITAS, Patricia Gomes de. Um Olhar Sobre O Método Fônico. Londrina, 2011. Disponível em: http://www.uel.br/ceca/pedagogia/pages/arquivos/PATRICIA%20GOMES%20DE%20FREITAS.pdf. Acesso em: 13 out. 2015.
"Gersten et al 2001 reading comprehension learning disabilities.pdf." Disponível em: http://edci6300introresearch.pbworks.com/f/Gersten+et+al+2001+reading+comprehension+leanring+disabilities.pdf. Acessado em 17 abr. 2017.
MORAIS, José. Criar leitores: para professores e educadores. São Paulo: Manole, 2013.
SEABRA, Alessandra Gotuzo; DIAS, Natália Martins. Métodos de alfabetização: delimitação de procedimentos e considerações para uma prática eficaz. Rev. psicopedag., São Paulo, v. 28, n. 87, 2011. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862011000300011&lng=pt&nrm=iso. Acessado em 03 ago. 2015.
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Leitor Adiantado: 5 Motivos Para Você Ensinar seu Filho a Ler em Casa
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¹ "Métodos de Alfabetização. Método Global x Método Fônico." 4 dez. 2015. Disponível em: http://metodofonico.com.br/metodos-de-alfabetizacao-1/. Acessado em 13 set. 2026.
João Maria Andarilho análise do Primeiro turno 26. Um recado para a esquerda
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