terça-feira, 26 de maio de 2026

Hoje é o dia Sagrado Jejum de Sri Padmini Ekadasi 26/05/2026 terça -feira

  

 Suta Goswami disse: "Yudhishthira Maharaja disse: "ó Janardana, qual o nome do Ekadashi que ocorre durante a quinzena clara do mês extra no ano bisexto? Como observá-lo corretamente? Por favor narra-me isso."
 
   A Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Sri Krishna, respondeu: "ó Pandava, o Ekadashi meritório que ocorre durante a quinzena clara do mês extra do ano bisexto se chama Padmini. É muito auspicioso. A alma afortuna nto narro para ti o processo de jejuar no Padmini Ekadashi, o que raramente é feito até mesmo pelos grandes sábios.
 
   Deve-se começar seu jejum no Dashami, o dia antes de Ekadashi, não comendo qualquer urad dhal, dhal róseo, grão-de-bico, espinafre, mel, ou sal marinho (1), e também não comendo na casa dos outros ou em pratos de metal de sino. Estas oito coisas devem ser evitadas. Deve-se comer apenas uma vez no Dashami, dormir no chão, e permanecer em celibato. No Ekadashi o devoto deve levantar cedo pela manhã mas não deve escovar seus dentes. Então deve tomar banho esmeradamente - num local de peregrinação, se possível. Enquanto canta hinos sagrados dos Vedas, deve esfregar seu corpo com excremento de vaca misturado com barro, pasta de gergelim, grama kusha, e pó de frutas amalaki. Então o devoto deve tomar outro banho caprichado, depois do quê deve cantar as seguintes oraçöes:
"ó barro sagrado, foste criado pelo Senhor Brahma, purificado por Kashyapa Muni, e levantado pelo Senhor Krishna em Sua forma como Varaha, a encarnação de javali. ó barro, por favor purifica minha cabeça, olhos, e outras partes. ó barro, ofereço minhas reverências a ti. Tenha a bondade de purificar-me para que eu possa adorar o Senhor Supremo, Hari.
 
   ó excremento de vaca, possuis qualidades medicinais e antissépticas porque vieste direto do estômago de tua mãe universal, a vaca. Podes purificar o planeta terra inteiro. Por favor aceita minhas humildes reverências e purifica-me.
 
   ó frutas amalaki, por favor aceitem minhas humildes reverências. Nascesteis da saliva do Senhor Brahma, e assim por vossa própria presença o planeta inteiro é purificado. Por gentileza limpai e purificai minhas partes corpóreas.
ó Supremo Senhor Vishnu, ó deus dos deuses, ó senhor do universo, ó ser que segura a concha, disco, maça e lótus, por favor permita-me tomar banho em todos locais sagrados de peregrinação."
 
   Recitando estas excelentes oraçöes, cantando mantras para o Senhor Varuna, e meditando em todos locais de peregrinação localizados nas margens do Ganges, deve-se tomar banho em qualquer corpo d'agua disponível. Então, ó Yudhishthira, o devoto deve esfregar seu corpo, assim purificando sua boca, peito, braços e cintura como prelúdio para adorar o Senhor Supremo, que usa brilhantes vestes amarelas e dá prazer a todas criaturas. Assim fazendo, o devoto irá destruir todos seus pecados. Depois, deve cantar o sagrado Gayatri mantra, oferecer oblaçöes a seus antepassados, e então entrar num templo de Vishnu para adorar Narayana, o marido de Lakshmi-devi.
 
   Se possível, o devoto deve então fazer murtis de Radha-Krishna ou Shiva-Parvati em ouro e oferecer-lhes boa adoração devocional. Deve encher um pote de cobre ou barro com água pura misturada com perfumes, e depois deve cobrir o pote com uma tampa de pano e uma de ouro ou prata, assim preparando a asana na qual murtis Radha-Krishna ou Shiva-Parvati poderão sentar para a adoração. Conforme sua capacidade, o devoto deve então adorar estas murtis com incenso fragrante, uma brilhante lamparina de ghee, e pasta de sândalo, junto com cânfora, almíscar, kunkuma, e outros aromas, bem como flores aromáticas selecionadas como os lótus brancos e outras flores de estação, e também alimentos muito bem preparados. Neste Ekadashi especial o devoto deve dançar e cantar extáticamente diante da Deidade. Deve evitar prajalpa a todo custoe não deve falar com ou tocar em pessoas de baixo nascimento ou mulheres no período menstrual. Neste dia deve ter cuidado especial em falar a verdade e não deve criticar ninguém diante da Deidade do Senhor Vishnu, dos brahmanas, ou do mestre espiritual. Em vez disso, com outros devotos ele deve ouvir os Vaisnavas ler as glórias do Senhor Vishnu dos Puranas. Não se deve beber ou mesmo tocar água em seus lábios neste Ekadashi, e quem não for capaz de realizar esta austeridade deve beber apenas água ou leite. Senão, considera-se quebra do jejum. Deve-se permanecer acordado naquela noite, cantando e tocando instrumentos musicais para o prazer transcendental da Pessoa Suprema.
 
   Durante o primeiro quarto da noite de Ekadashi, o devoto deve oferecer um pouco de carne de côco a sua murti adorável, durante a segunda parte deve oferecer fruta bel, durante a terceira parte uma laranja, e conforme a noite se aproxima do final, um pouco de noz de betel. Permanecer acordado durante a primeira parte do Ekadashi concede ao devoto o mesmo mérito como aquele obtido por realizar Agnistoma-yajna. Ficar acordado durante a segunda parte da noite confere o mesmo mérito como o obtido por realizar Vajapeya-yajna. Ficar acordado durante a terceira parte confere o mesmo mérito que o obtido por realizar Ashvamedha-yajna. E quem permanece acordado a noite toda recebe todos méritos acima-mencionados, bem como o grande mérito de ter realizado Rajasuya-yajna. Assim não há melhor dia de jejum no ano que o Padmini Ekadashi. Nada se compara em matéria de dar mérito, seja sacrifício de fogo, conhecimento, educação, ou austeridade. De fato, quem quer que observe este sagrado jejum de Ekadashi recebe todo mérito obtido por tomar banho em todos locais de peregrinação no mundo.
 
   Após permanecer acordado durante a noite toda, o devoto deve tomar banho ao alvorecer do sol e então Me adorar bem. Deve depois alimentar um brahmana qualificado e respeitosamente dar-lhe a murti do Senhor Keshava e o pote cheio de água pura perfumada. Este presente garantirá ao devoto sucesso nesta vida e liberação na próxima.
 
   ó Yudhishthira sem pecado, conforme pediste, descrevi as regras e regulaçöes, bem como os benefícios relativos ao Ekadashi que ocorre durante a quinzena clara do mês adicional do ano bisexto. Jejuar neste dia de Padmini confere mérito igual ao obtido por jejuar em todos outros Ekadashis. O Ekadashi que ocorre durante a parte obscura do mês extra, que é conhecido como Parama Ekadashi, é tão poderoso para remover pecado quanto este de Padmini. Agora por favor ouça enquanto narro para ti o fascinante relato ligado a este sagrado dia. Pulastya Muni certa vez recitou esta história para Naradaji.
 
   Pulastya Muni uma vez teve a oportunidade de salvar Ravana da prisão de Kartaviryarjuna, e ao ouvir sobre este evento, Narada Muni perguntou a seu amigo: "ó melhor dos sábios, como Ravana derrotou todos semideuses, inclusive o Senhor Indra, como Kartaviryarjuna pode derrotar Ravana, que era tão perito no combate?"
 
   Pulastya Muni replicou: "ó grande Narada, durante a Treta-yuga Kartavirya (pai de Kartaviryarjuna) nasceu na dinastia Haihaya, Sua capital era Mahishmati, e tinha mil rainhas, que amava muito. Nenhuma delas, contudo, fora capaz de dar-lhe o filho que tanto queria. Realizou sacrifícios e adorou os semideuses e antepassados, mas devido à maldição de alguns sábios ele foi incapaz de gerar um filho - e sem um filho, um rei não pode desfrutar de seu reino, assim como um homem com fome nunca realmente desfruta de seus sentidos.
 
   O Rei Kartavirya considerou sua sina cuidadosamente e então decidiu realizar severas austeridades para alcançar sua meta. Assim ele vestiu uma tanga feita de casca de árvore, deixou o cabelo crescer sem pentear, e passou as rédeas de seu reino para seus ministros. Uma de suas rainhas, Padmini - que havia nascido na dinastia Iksvaku, que era a melhor de todas mulheres, e que era filha do Rei Harishchandra - viu o rei saindo. Ela achava que, como era uma esposa casta, seu dever era seguir os passos de seu amado marido. Removendo todos ornamentos reais de seu belo corpo e vestindo apenas um corte de pano, ela assim seguiu seu marido na floresta.
 
   Afinal Kartavirya chegou ao topo do Monte Gandhamadana, onde realizou severas austeridades e penitências durante dez mil anos, meditando e orando ao Senhor Gadadhara, que maneja uma clava. Mas ainda assim não gerou um filho. Vendo seu querido marido definhar até virar pele e osso, Padmini pensou numa solução para o problema. Foi até a casta Anusuya.(2) Com grande reverência, Padmini disse: "ó grande senhora, meu querido marido, Kartavirya, tem realizado austeridades durante os últimos dez mil anos, mas o Senhor Keshava, único que pode remover nossos pecados passados e dificuldades presentes, ainda não ficou satisfeito com ele. ó mais afortunado ser, por favor conta-me que dia de jejum poderemos observar e assim agradar ao Senhor Supremo com nossa devoção, tanto assim que Ele nos abençoe com um bom filho que mais tarde governe o mundo como imperador."
 
   Ao ouvir estas palavras de Padmini, que era muito casta e profundamente devotada a seu marido, a grande Anusuya respondeu-lhe num humor muito alegre: "ó linda senhora de olhos de lótus, usualmente existem doze meses num ano, mas após cada trinta e dois meses se adiciona mais um mês extra, e os dois Ekadashis que ocorrem durante esse mês se chamam Padmini Ekadashi e Parama Ekadashi. Caem nos Dvadashis da parte clara e obscura do mês, respectivamente. (3) Deves jejuar nestes dias e permanecer acordada durante a noite. Se assim fizerdes, a Suprema Personalidade de Deus, Hari, irá abençoar-te com um filho."
 
   ó Narada, desta maneira Anusuya, a filha do sábio Kardama, explicou a potência destes Ekadashis especiais. Ouvindo isso, Padmini fielmente seguiu as instruçöes para realizar seu desejo por um filho. Padmini jejuou completamente, até de água, e permaneceu acordada toda a noite, cantando as glórias do Senhor e dançando em êxtase. O Senhor Keshava assim ficou muito satisfeito com sua devoção e apareceu diante dela, cavalgando o dorso do grande Garuda. O Senhor disse: "ó lindo ser, Me agradaste muito neste Ekadashi especial do mês extra. Por favor peça-Me uma benção."
Ouvindo estas sublimes palavras do supervisor do universo inteiro, Padmini ofereceu ao Senhor Supremo oraçöes devocionais e pediu-Lhe a benção desejada por seu marido. O Senhor Sri Krishna foi levado a responder: "ó gentil senhora, estou muito contente contigo, pois não há mês mais querido para mim que este, e os Ekadashis que ocorrem durante este mês para Mim são os mais queridos de todos Ekadashis. Seguiste as instruçöes de Anusuya perfeitamente, e portanto farei o que irá agradar-te. Tereis o filho tu e teu marido desejais."
 
   O Senhor, que remove o sofrimento do mundo, então falou para o Rei Kartavirya: "ó rei, por favor peça-Me qualquer benção que irá realizar o desejo de teu coração, pois tua querida esposa Me satisfez grandemente."
 
   O rei ficou muito feliz ao ouvir isso. Naturalmente ele pediu um filho como desejava há tanto tempo. "ó senhor do universo, ó matador do demônio Madhu, tenha a bondade de dar-me um filho que nunca será conquistado por semideuses, seres humanos, serpentes, demônios, ou duendes, mas que só tu poderás derrotar!" O Senhor Supremo imediatamente respondeu: "Que assim seja!" e desapareceu.
 
   O rei ficou muito satisfeito com sua esposa e retornou a seu palácio na companhia dela. Padmini em breve ficou grávida e Kartaviryarjuna de braços poderosos, apareceu como seu filho. Era a pessoa mais forte em todos três mundos, e assim mesmo Ravana de dez cabeças não podia derrotá-lo no combate. Exceto o Senhor Narayana, que porta uma maça, disco e outros símbolos em suas mãos, ninguém podia vencê-lo. Pelo mérito que resultou da estrita e fiel observância do Padmini Ekadashi por sua mãe, ele pode derrotar até o temido Ravana. Isso não é de todo surpreendente, ó Naradaji, pois Kartaviryarjuna era a realização da benção da Suprema Personalidade de Deus." Com estas palavras, Pulastya Muni partiu."
 
   O Senhor Supremo, Sri Krishna, concluiu: "ó Yudhishthira sem pecado, conforme indagaste, expliquei-te o poder deste Ekadashi especial. ó melhor dos reis, quem quer que observe este jejum certamente alcançará Minha morada pessoa. E similarmente, se quiseres ter todos teus desejos realizados, deves fazer o mesmo."
 
   Ouvindo estas palavras de seu amado Keshava, Dharmaraja (Yudhishthira) ficou cheio de alegria, e quando chegou a época observou fielmente Padmini Ekadashi."
 
   Suta Goswami concluiu: "ó sábio Shaunaka, expliquei para ti tudo sobre este Ekadashi meritório. Quem quer que jejue devotadamente nos Ekadashis que ocorrem durante os mêses extra do ano bisexto, cuidadosamente seguindo todas regras, se torna glorioso e alegremente retorna a Deus. E quem quer que meramente ouça ou leia sobre estes Ekadashis também obterá grande mérito e afinal entrará na morada do Senhor Hari."
Assim termina a narrativa das glórias de Padmini Ekadashi, o Ekadashi que ocorre durante a quinzena clara do mês extra do ano bisexto, conforme o Skanda Purana. 
 
Notas:
1) Segundo as escrituras, nos dias de jejum se deve evitar sal marinho porque Agastya Muni certa vez bebeu o oceano e o eliminou como urina. Ordinariamente o sal-gema é permitido.
 
2) Anusuya é a esposa do grande sábio Atri e mãe de Dattatreya, a forma de três cabeças de Brahma, Vishnu e Shiva combinados.
 
3) Sempre que há um mês extra, as quinzenas deste mês são divididas e adicionadas aos meses normais.                                                                    



domingo, 10 de maio de 2026

Yoga 1: Jñāna Yoga o caminho do conhecimento. Por João Maria andarilho utópico.


A palavra yoga tem origem no sânscrito, uma língua antiga da Índia, derivada da raiz yuj, que significa unir, "juntar", "integrar" ou "controlar". A prática, com mais de 5.000 anos, representa a união do corpo, mente e espírito, buscando a conexão com o momento presente e o autoconhecimento.
Origem e Significados Principais:
  • Raiz Sânscrita: A palavra deriva de yuj ou yuji.
  • Significado Literal: União, jugo, integrar ou controlar.
  • Conceito: Refere-se à união do indivíduo com o "Todo", o "Divino" ou a "Consciência Universal".
  • "Yoga Sutras" de Patanjali: A obra clássica define yoga como Yogash chitta vritti nirodhah, que significa o controle das modificações da mente..

A palavra jnana (ou jñāna, em grafia sânscrita: ज्ञान) tem origem no sânscrito e significa "conhecimento", "sabedoria" ou "cognição".
Aqui estão os detalhes sobre sua origem e etimologia:
  • Raiz Etimológica: Deriva da raiz sânscrita jña- (ज्ञा), que significa "saber", "conhecer" ou "conhecedor".
  • Conexão Indo-Europeia: A raiz jña- é cognata (tem a mesma origem) de palavras em outras línguas indo-europeias que também significam saber, como:
    • Gnosis (grego - γνῶσις).
    • Know (inglês).
    • Znati (eslavo).
    • Žinoti (lituano).
  • Contexto Espiritual: No hinduísmo e no budismo, o termo evoluiu para significar não apenas o conhecimento intelectual, mas um conhecimento direto da realidade absoluta, sabedoria espiritual ou autoconhecimento.
  • Antônimo: O contrário de jnana é ajnana (ignorância).
Jñāna-yoga é, portanto, o "caminho do conhecimento" ou "caminho da sabedoria" dentro das tradições iogues, focado em atingir a libertação através da compreensão da verdadeira natureza da realidade






Jnana Yoga, conectando desde a base lógica até o objetivo espiritual final:


1. Definição e Objetivo

O Jnana Yoga é o caminho da sabedoria e do discernimento intelectual. Seu objetivo é a Libertação (Moksha) através da destruição da ignorância (Avidya). A meta é perceber que a alma individual (Atman) nunca esteve separada da Realidade Suprema (Brahman).

2. A Estrutura de Apoio (Os Darshans)

Para que o conhecimento não seja apenas intelectual, o Jnana se apoia em outras escolas filosóficas:

  • Nyaya: Fornece a lógica e os métodos de prova para garantir que o conhecimento seja válido.

  • Vaisheshika: Fornece a análise da realidade, decompondo o mundo material em átomos e categorias para provar que a matéria é transitória.

  • Sankhya: Oferece o mapa metafísico, distinguindo a Consciência (Purusha) da Natureza (Prakriti).

  • Vedanta: É o ápice, onde o conhecimento se torna a experiência de unidade "Eu sou Isso".

3. O Método de Prática

O buscador (Jnani) utiliza três etapas fundamentais para transformar informação em realização:

  1. Sravana (Ouvir): Estudo das escrituras e ensinamentos.

  2. Manana (Refletir): Questionamento lógico e eliminação de dúvidas (uso intenso do Nyaya).

  3. Nididhyasana (Meditar): Contemplação profunda até que a verdade seja sentida.

4. Pilares do Praticante (Viveka e Vairagya)

Não é um caminho apenas para "estudantes", mas para buscadores que cultivam:

  • Discernimento (Viveka): Saber o que é real e o que é ilusório.

  • Desapego (Vairagya): Soltar o que é passageiro após entender sua natureza limitada.

5. A Visão do Bhagavad Gita

No "Gita Como Ele É", o conhecimento transcendental é o fogo que purifica o carma. Krishna ensina que o verdadeiro Jnana não é apenas saber fatos, mas manifestar qualidades como humildade e autocontrole, culminando na rendição ao Divino.


Em resumo: O Jnana Yoga usa a razão para transcender a própria razão. É o processo de usar a mente para entender que você não é a mente, mas a consciência que a observa.

As explicações fornecidas sobre o Jnana Yoga, os Shat Darshans e as relações entre Nyaya e Vaisheshika baseiam-se em textos clássicos da tradição indiana, comentários de mestres autênticos e obras acadêmicas de referência.

Abaixo estão as fontes primárias e secundárias que sustentam esses conceitos:


1. Fontes Primárias (Textos Sagrados e Filosóficos)

Estes são os textos originais em sânscrito que definem os sistemas:

  • As Upanishads (Principalmente a Chandogya, Brihadaranyaka e Katha): Onde surgem os conceitos de Atman, Brahman e as "Grandes Sentenças" (Mahavakyas) como "Tat Tvam Asi".

  • Brahma Sutras (de Vyasa): O texto que sistematiza o pensamento das Upanishads em uma estrutura lógica.

  • Bhagavad Gita (especialmente a edição "Como Ele É"): O diálogo entre Krishna e Arjuna, onde o Jnana Yoga é definido como o conhecimento da diferença entre o corpo e a alma.

  • Nyaya Sutras (de Akshapada Gautama): A fonte fundamental para a lógica e os métodos de conhecimento válido (Pramanas).

  • Vaisheshika Sutras (de Kanada): A fonte para a teoria atômica e a categorização da realidade.


2. Comentários Clássicos (Escrituras de Sistematização)

A interpretação do Jnana Yoga como o conhecemos hoje (especialmente a vertente não-dualista) vem de:

  • Obras de Adi Shankaracharya: Notavelmente o Vivekachudamani (O Discernimento do Real e Irreal) e seus comentários (Bhashyas) sobre o Gita e as Upanishads.

  • Sankhya Karika (de Ishvara Krishna): O texto principal que define a dualidade entre Purusha (Consciência) e Prakriti (Matéria), essencial para o entendimento do Jnana.


3. Fontes Modernas e Acadêmicas

Para tornar esses conceitos compreensíveis em português e no contexto atual, as explicações também bebem de:

  • Swami Vivekananda: Especialmente seu livro Jnana Yoga, que traduz a lógica védica para a linguagem moderna.

  • A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada: Seus comentários no Bhagavad Gita Como Ele É, que trazem a perspectiva do conhecimento relacionado à devoção (Bhakti-laced Jnana).

  • Georg Feuerstein: Autor de A Tradição do Yoga, uma das obras acadêmicas mais respeitadas que explica a relação histórica entre os seis Darshans.

  • S. Radhakrishnan: Em sua obra Indian Philosophy (Filosofia Indiana), que detalha as nuances técnicas de cada escola (Nyaya, Vaisheshika, etc.).


4. Estrutura dos Shat Darshans

A organização das "Seis Visões" em pares (Nyaya-Vaisheshika, Sankhya-Yoga, Mimamsa-Vedanta) é uma classificação tradicional consolidada na historiografia da filosofia indiana para facilitar o estudo comparativo.

Essas fontes garantem que a explicação não seja apenas uma opinião, mas um reflexo da Parampara (sucessão discipular e tradição acadêmica) da Índia.

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domingo, 3 de maio de 2026

A.B.C. Olavo de Carvalho 1 Paralaxia Cognitiva





 





 




A análise de Olavo de Carvalho sobre René Descartes, frequentemente sintetizada em aulas e coletâneas como Visões de Descartes, aponta o filósofo francês como o "marco zero" da paralaxe cognitiva na filosofia moderna.
Segundo a interpretação de Olavo, o Cogito, ergo sum ("Penso, logo existo") inverte a ordem natural da realidade, estabelecendo a base para um pensamento descolado do mundo concreto.
Pontos centrais da crítica de Olavo de Carvalho a Descartes:
  • Inversão da Existência e Pensamento: Olavo sustenta que Descartes tenta provar a existência através do pensamento. Para Olavo, isso é um erro, pois a existência (o ser) é o que permite o pensamento em primeiro lugar, e não o contrário.
  • A Paralaxe como "Marco Zero": O "marco zero" mencionado refere-se à ruptura onde o filósofo deixa de se entender como parte do cosmos (realidade) e passa a observá-lo de fora, como se o mundo fosse um objeto externo ou um "programa de televisão".
  • Dúvida como Fundamento: Olavo argumenta que Descartes transforma a dúvida em fundamento do conhecimento, confundindo a dúvida com a negação, o que resultaria em uma estrutura frágil que eclipsa a realidade vivida.
  • Criação da Paralaxe: Essa abordagem gera um hiato (paralaxe) entre a experiência real e a teoria abstrata, resultando em uma "paralaxe cognitiva" elevada à enésima potência.
Em suma, a interpretação olaviana sugere que Descartes, ao tentar duvidar de tudo, separa a mente da realidade (res cogitans vs res extensa), criando um mundo de "sonhos" ou construções intelectuais que não abarcam a totalidade do ser.

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Nrisimhadeva, o Protetor dos Devotos


21 R (Artigos e Palestras - [novo]Expansões de Krishna) Nrsimhadeva, o Protetor dos Devotos (2908) (23, Nrsimha Caturdashi) (rev)


Aja Govinda Dasa

Uma das formas mais deslumbrantes do Senhor Krishna é a de Sri Nrisimhadeva, Sua encarnação como meio homem meio leão. O Senhor Nrisimha aparece para proteger Seu devoto Sri Prahlada Maharaja do ateísta rei Hiranyakashipu, o próprio pai de Prahlada.

Prahlada, o Garoto Santo

Sri Prahlada Maharaja era devoto do Senhor Krishna desde seu nascimento, tendo recebido o conhecimento acerca do serviço devocional ainda no ventre. Certa vez, durante a ausência de Hiranyakashipu, seus inimigos, os semideus, servos do Senhor Supremo responsáveis pela a administração do universo, sequestraram sua esposa para matarem seu embrião. Eles temiam que aquele embrião pudesse se tornar, posteriormente, outro poderoso inimigo. Sri Narada Muni, todavia, resgatou a mãe e a criança após convencer os semideuses de que aquele garoto no ventre era um grandioso devoto do Senhor Krishna. [Veja a seção extra ao fim “Por que Prahlada se torna filho de Hiranyakashipu”].

No ventre de sua mãe, enquanto ela permanecia no ashrama de Narada Muni, Prahlada ouviu os tópicos transcendentais concernentes às glorias do Senhor, refugiou-se no infalível abrigo dos pés de Krishna e se tornou completamente destemido.

Nrisimhadeva, o Protetor dos Devotos 2

Prahlada ouve, no ventre de sua mãe, o conhecimento acerca do serviço devocional.

Posteriormente, embora fosse apenas uma criança de cinco anos, possuía firme fé na proteção do Senhor, e invocou essa mesma devoção pura ao Senhor no coração de seus colegas de sala da escola ateísta de Shukracharya, o guru dos daityas, ou ateístas descendentes de Diti. Muito enraivecido pela indesviável devoção de seu filho a seu pior inimigo – o Senhor Vishnu, a forma de quatro braços do Senhor Krishna – Hiranyakashipu sentenciou Prahlada à morte.

Nrisimhadeva, o Protetor dos Devotos 3

Servos de Hiranyakashipu tentam matar Prahlada atirando-o de uma montanha alta, mas o Senhor Supremo o protege.

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Os servos de Hiranyakashipu tentaram de tudo para matar Prahlada. Tentaram matá-lo por fome, por envenenamento, rogando-lhe maldições, assombrando-o com demônios e fantasmas, mandando um elefante pisoteá-lo, prendendo-o com cobras venenosas, arremessando-o de altas montanhas e o atacando com pedras, fogo e gelo. Apesar de todos os esforços de Hiranyakashipu, Prahlada permanecia intocado, o que fez a ira daquele rei demoníaco crescer ainda mais.

O Plano de Hiranyakashipu para se Tornar Deus

A inimizade de Hiranyakashipu para com o Senhor Vishnu começou quando o Senhor, sob Sua forma como um javali gigante, matou o irmão gêmeo de Hiranyakashipu, Hiranyaksha, que havia desequilibrado a Terra por gananciosamente minerá-la em busca de mais e mais ouro.

Nrisimhadeva, o Protetor dos Devotos 4

O Senhor Vishnu, em Sua encarnação de Javali, mata Hiranyaksha.

Com a morte de seu irmão, Hiranyakashipu acusou o Senhor Vishnu de parcialidade para com os semideuses: “A Suprema Personalidade de Deus abandonou Sua tendência de ser equânime para com os demônios e semideuses. Embora Ele seja a Pessoa Suprema, agora, influenciado por maya [ilusão], Ele assumiu a forma de um javali para comprazer Seus devotos, os semideuses, assim como uma criança inquieta se inclina mais a uma pessoa do que outra”.

O Senhor, de fato, nunca demonstra parcialidade para com alguém: samo ‘ham sarva-bhuteshu na me dveshyo ‘sti na priyah (Bhagavad-gita 9.29). Ele simplesmente reciproca cada entidade viva de acordou com seus desejos individuais. O Senhor Krishna diz no Bhagavad-gita (4.11):

ye yatha mam prapadyante
tams tathaiva bhajamy aham
mama vartmanuvartante
manushyam partha sarvashah

“A todos aqueles que se rendem a Mim, Eu os recompenso proporcionalmente. Todos seguem o Meu caminho sob todos os aspectos, ó filho de Pritha”. Assim, o Senhor aparece como a morte para o ateísta e como o salvador amoroso para o Seu devoto; uma vez que está acima de qualquer ideia de afinidade material.

Para vingar a morte de seu irmão, o poderoso daitya Hiranyakashipu prometeu satisfazer a alma de seu irmão derramando o sangue de Vishnu. Para obter o poder e imortalidade que precisava, executou penitências humanamente impossíveis, através das quais obteve favores do senhor Brahma, o criador do universo.

Hiranyakashipu pensou que poderia se tornar Deus através de suas austeridades e penitências pessoais. Ele tolamente concluiu que, uma vez que o Senhor Vishnu estava favorecendo os semideuses, Ele também era uma alma condicionada comum (influenciada por atração e rejeição) que havia se tornado Deus através de austeridades. Essa mentalidade é própria dos filósofos mayavadis, que dizem que cada alma é Deus iludido por maya e, uma vez que a ilusão seja dissipada, a alma novamente realiza sua identidade como Deus. Essa teoria, todavia, é inaceitável quando consideramos a supremacia do Senhor Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, como Ele estabelece no Bhagavad-gita (9.10):

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mayadhyakshena prakritih
suyate sa-characharam
hetunanena kaunteya
jagad viparivartate

“Esta natureza material, que é uma de Minhas energias, funciona sob Minha direção, ó filho de Kunti, produzindo todos os seres, móveis e inertes. Sob sua ordem, esta manifestação é criada e aniquilada repetidas vezes”. A energia material, maya, é uma das diversas potências do Senhor Supremo. Sendo maya completamente submissa ao Senhor, não há nenhuma possibilidade de o Senhor Supremo e Absoluto ser controlado pela influência da mesma. As entidades vivas, todavia, uma vez que são partes diminutas do Senhor, podem ser iludidas. A teoria mayavada, de que após a liberação a alma se funde em Deus, é refutada no Bhagavad-gita (15.7, 2.12), onde Krishna declara que todas as almas jivas são Suas partes eternas, sendo sempre individuais.

Os mayavadis também declaram que a concepção mais elevada de Deus é a do impessoal e onipresente nirguna brahman (a Verdade Absoluta destituída de qualidade, atributos e forma), que aceita um corpo material, como o nosso, sempre que vem a este mundo. Assim, para os mayavadis, o Senhor Vishnu ou Krishna são saguna-brahman (Brahman com atributos e formas), o que, para eles, quer dizer que estão iludidos pela energia material, uma vez que não podem entender a transcendência com forma e qualidades.

Frustrados devido ao sofrimento causado pelo corpo material, os filósofos impersonalistas concebem a transcendência, ou liberação, como destituídas de qualidades e atributos. O Senhor comenta sobre essa noção:

avyaktam vyaktim apannah
manyante mam abuddhayah
param bhavam ajananto
mamavyayam anuttamam

“Homens sem inteligência, que não Me conhecem perfeitamente, pensam que Eu, a Suprema Personalidade de Deus, Krishna, antes teria sido impessoal e que agora assumi esta personalidade. Devido a seu conhecimento limitado, eles não conhecem Minha natureza superior, que é imperecível e suprema” (Bhagavad-gita 7.24). Aprendemos, portanto, através do Bhagavad-gita, que o Senhor Krishna nunca fez nenhuma austeridade ou penitência para se tornar Deus. Ele é eternamente a Suprema Verdade Absoluta, e as almas individuais são Suas eternas partes fragmentárias.

Nrisimhadeva Mata Hiranyakashipu

Assim como os mayavadis mantêm a falsa teoria de que uma alma pode se tornar Deus através de um pouco de penitências, Hiranyakashipu considerava que poderia se tornar invencível e vencer o Senhor Vishnu com seus poderes. Mas Prahlada desafiava seu poder.

O arrogante Hiranyakashipu rogou-lhe pragas e inquiriu: “De onde você tira forças para desafiar minha supremacia?”.

“O Senhor Vishnu é a fonte de minhas forças”, respondeu o destemido Prahlada. “Ele é a origem da força de todos, inclusive da sua”.

Ouvir que sua força era produto da graça de Vishnu, seu pior inimigo, foi o pior dos insultos para Hiranyakashipu, que desafiou Prahlada: “Maldito Prahlada, você está sempre falando sobre um supremo controlador onipresente superior a mim. Se ele está em todo o lugar, por que, então, Ele não está presente diante de mim neste pilar? Se ele não aparecer deste pilar, separarei, hoje, sua cabeça de seu corpo com minha espada”.

Com essas palavras, Hiranyakashipu golpeou o pilar próximo a ele, do qual se ouviu um som tão alto que parecia que a cobertura do universo seria destruída. [Veja a seção extra ao fim “Como Prahlada Sabia que o Senhor Nrisimha Iria Protegê-lo”].

Para comprovar a afirmação de Seu devoto Prahlada, o Senhor Supremo apareceu do pilar em uma forma jamais vista, uma forma que não era nem homem, nem leão: a forma de Sri Nrisimhadeva.

Nrisimhadeva, o Protetor dos Devotos 6

Nrisimhadeva começa um confronto com Hiranyakashipu. Ao fundo, vê-se quebrada a pilastra da qual saiu.

Embora Hiranyakashipu parecesse uma mariposa entrando no fogo quando foi atacar o Senhor Nrisimha, ele ridiculamente pensou que poderia derrotar o Senhor como fizera anteriormente com seus demais inimigos. Anteriormente, quando seu irmão fora morto, Hiranyakashipu, irado, se dirigiu para a residência do Senhor com um tridente em mãos. O Senhor então desapareceu entrando na narina de Hiranyakashipu. Não conseguindo achá-lO, Hiranyakashipu considerou que Deus estava morto.

Agora, Hiranyakashipu confrontava o Senhor, que brincou com ele da mesma forma que um gato brinca com um rato. Quando o sol começou a se pôr, o Senhor Nrisimha colocou Hiranyakashipu em Seu colo e enterrou Suas garras no torso do demônio.

Nrisimhadeva, o Protetor dos Devotos 6

Nrisimha coloca Hiranyakashipu em Seu colo e enterra Suas garras no torso do demônio.

daitya exclamou: “Como isso é possível? Meu corpo que está sendo rasgado agora por Nrisimhadeva é o mesmo corpo que quebrou as presas de Airavata, o elefante de Indra; é o mesmo corpo que não sofreu nenhum ferimento mesmo após ter sido golpeado pelo machado de Shiva”. (Nrisimha Purana 44.30)

Nrisimhadeva rasgou o peito pétreo de Hiranyakashipu com Suas garras semelhantes a diamantes. O Senhor, então, enguirlandou-Se com os intestinos do rei como se fosse Sua guirlanda da vitória, e, para convencer os semideuses da morte de Hiranyakashipu, o Senhor arrancou o coração do daitya.

Como outro aspecto de Sua peça divina, o Senhor de repente Se surpreendeu ao ver que o corpo de Hiranyakashipu havia desaparecido. Quando balançou Suas mãos, todavia, os pedaços mutilados do corpo de Hiranyakashipu caíram de Suas unhas no chão (Nrisimha Purana 44.32-35). Assim, entendemos que Hiranyakashipu era apenas um insignificante inseto se comparado com o leão transcendental, o Senhor Nrisimhadeva, como confirma Jayadeva Gosvami:

tava kara-kamala-vare nakham adbhuta-shringam
dalita-hiranyakashipu-tanu-bhringam
keshava dhrita-narahari-rupa jaya jagadisha hare

“Ó Keshava! Ó Senhor do universo! Ó Senhor Hari, que assumiste a forma metade homem metade leão! Todas as glórias a Ti! Assim como se pode facilmente esmagar uma vespa entre as unhas, o corpo de Hiranyakashipu, um demônio parecido com uma vespa, foi dilacerado pelas afiadas unhas de Tuas belas mãos de lótus”.

O Senhor Nrisimhadeva derrotou Hiranyakashipu sem contrariar nenhuma das bênçãos concedidas pelo senhor Brahma, que abençoara Hiranyakashipu para que não fosse morto dentro ou fora de qualquer residência (o Senhor o matou no portal de entrada), nem durante o dia nem durante a noite (o Senhor o matou no crepúsculo), nem no céu nem na terra (o Senhor o matou em Seu colo), nem por homem nem por animal (o Senhor Nrisimha é meio homem meio leão), nem por nenhum deus, demônio ou serpente divina (o Senhor está acima de todas essas categorias), nem por qualquer arma ou entidade, corporificada ou não-corporificada (O Senhor Nrisimha perfurou o daitya com Suas garras, que não são consideradas armas, e o Senhor é transcendental ao processo de corporificação e descorporificação).

Por fim, Hiranyakashipu não poderia ser morto por nenhuma entidade viva, criada ou não criada por Brahma. Hiranyakashipu teve o cuidado de garantir que também não seria morto por Brahma, Shiva ou Vishnu, as três deidades que presidem o universo (as três únicas personalidades que não foram criadas por Brahma). O Senhor Nrisimha é um lila-avatara, ou encarnação de passatempo do Senhor Krishna, e não está na categoria que inclui Brahma, Shiva e Vishnu, que são guna-avataras­, deidades com o encargo dos três modos da natureza material.

Hiranyakashipu, o ditador do universo, desejou inverter o sistema piedoso criado por Krishna. Ele queria que os impiedosos fossem recompensados, e os piedosos, punidos. Assim, com a morte de Hiranyakashipu, todos os semideuses e habitantes de diversos planetas piedosos ofereceram orações ao Senhor Nrisimha, expressando gratidão por o Senhor ter matado o daitya, que havia roubado suas esposas, riquezas e a parte das oferendas sacrificiais que lhes cabia. Apenas Prahlada Maharaja, todavia, pôde acalmar, com suas orações devocionais, a ira transcendental do Senhor Nrisimha, que está disposto a aparecer sob qualquer forma e em qualquer lugar para proteger Seus devotos puros.

Nrisimhadeva, o Protetor dos Devotos 7
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Prahlada é abençoado por Nrisimhadeva.

O Senhor Nrisimha ficou extasiado ao ver a fé inabalável de Prahlada Maharaja, e pediu repetidas vezes para que ele Lhe pedisse alguma benção. Mas Prahlada, como o mais compassivo de todos os devotos, se interessa muito mais pelo bem dos outros do que com o seu próprio; assim, seu único pedido foi que o Senhor salvasse seu pai demoníaco. Satisfeito, o Senhor Supremo garantiu liberação para vinte e uma gerações de parentes da dinastia de Prahlada Maharaja.

 .

(extra)

Por que Prahlada se torna filho de Hiranyakashipu

Certa vez, o poderoso Hiranyakashipu subiu até o pico do monte Kailasa, a residência de Shiva, e começou a praticar severas austeridades. O senhor Brahma, o administrador do universo, sabendo que Hiranyakashipu aterrorizaria todo o universo com os poderes adquiridos através de suas austeridades, começou a meditar em como deter o daitya. O sábio Narada garantiu a seu temeroso pai, Brahma, que distrairia Hiranyakashipu de seu transe ascético.

Narada e seu amigo Parvata Muni assumiram, então, a forma de dois pássaros e voaram para o local onde Hiranyakashipu estava em profunda meditação. Lá, eles recitaram três vezes o mantra om namo narayanaya. Ao ouvir o nome de seu inimigo Narayana, ou Vishnu, Hiranyakashipu atirou uma flecha para matar os pássaros, mas os sábios voaram para longe.

Tendo já perdido a concentração em suas penitências, Hiranyakashipu se recolheu ao seu palácio, onde desfrutou da noite junto de sua rainha Kayadhu. Kayadhu perguntou a seu esposo por que ele havia abandonado sua determinação em executar penitências por dez mil anos. Ele contou para ela sobre os pássaros que lhe perturbaram cantando em voz alta o nome de Narayana. O daitya estava desfrutando de forma íntima a companhia de sua esposa, e seu sêmen foi liberado em seu interior no exato momento em que contou para ela sobre o mantra om namo narayanaya. Assim, o santo nome do Senhor foi recitado no momento da concepção de Sri Prahlada Maharaja. (Do Nrisimha Purana 41.7-34)

Como Prahlada Sabia que o Senhor Nrisimha Iria Protegê-lo

Como uma das últimas tentativas de matar Prahlada, Hiranyakashipu ordenou a seus soldados amarrarem Prahlada com nagapasha (cordas de cobra) durante o começo da madrugada, jogá-lo no mar e rolarem diversos pedregulhos gigantes para que o esmagassem no fundo do oceano. Quando Prahlada foi atirado no oceano, todavia, as ondas levaram o garoto para a costa, onde o transportador pessoal do Senhor Vishnu, a gloriosa ave Garuda, aguardava Prahlada para libertá-lo das cobras que o prendiam. Então, Varuna, o senhor do mar, despertou Prahlada oferecendo-lhe seus respeitos.

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Ao reaver seus sentidos, Prahlada orou a Varuna: “Ó senhor do oceano, és muito afortunado, pois sempre vês o Senhor Vishnu, que repousa em uma cama de serpentes sobre tuas águas. Por favor, instrui-me em relação a como vê-lO pessoalmente, bem diante de meus olhos”.

Varuna respondeu: “Querido Prahlada, ó melhor dos yogis, simplesmente ora a Ele em meditação profunda, e o Senhor, que é o benquerente de Seus devotos, certamente aparecerá diante de ti”.

Tendo respondido, Varuna desapareceu entre as águas.

Sentindo-se desqualificado para alcançar o Supremo Senhor Vishnu, Prahlada chorou na praia com seu coração repleto de pesar, até que desmaiou.

Então, o Senhor Vishnu apareceu ali e levantou Prahlada, colocando-o em Seu colo. Despertado pelas afáveis mãos do Senhor, Prahlada estava com medo, surpreso e satisfeito por ver o Senhor, e novamente desmaiou em profundo êxtase. O Senhor abraçou Prahlada, e, quando Prahlada recobrou sua consciência, ofereceu reverência no chão para o Senhor, mas não conseguiu oferecer-Lhe orações.

O Senhor o levantou do chão e disse: “Querido filho, abandone esse medo de Minha grandeza, pois não Me há ninguém mais querido do que você. Por favor, peça-Me qualquer coisa que deseje do fundo de seu coração”.

Prahlada respondeu: “Meu Senhor, tudo o que desejo é contemplar o néctar de Tua forma divina, que é raramente vista mesmo pelos mais grandiosos semideuses”.

Quando o Senhor insistiu que Prahlada Lhe pedisse uma benção, o grande santo pediu unicamente devoção imaculada e exclusiva por Ele.

Após abençoar Prahlada dizendo que teria tudo o que desejasse e desfrutaria de todos os prazeres, o Senhor disse: “Não fique ansioso por Meu desaparecimento, pois Eu nunca deixo o seu coração. Muito em breve, você Me verá novamente, quando, para matar Hiranyakashipu, Eu aparecerei na forma de Nrisimha – querida pelos santos e mortal para os ateístas”. (Do Nrisimha Purana 43.28-85)

O Dia do Aparecimento Transcendental de Nrisimhadeva

Um dos capítulos do Padma Purana, o Uttara Khanda, descreve as glórias do Sri Nrisimha Chaturdashi, o dia do aparecimento transcendental do Senhor Nrisimha. Nesse capítulo, Shiva narra a seguinte história pra sua esposa Parvati:

Depois que o Senhor Nrisimha derrotara Hiranyakashipu, Prahlada ofereceu-Lhe orações com profunda devoção e, então, perguntou ao Senhor: “Como pude eu, meu Senhor, obter a raríssima posição do serviço devocional puro à Suprema Personalidade de Deus?”.

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O Senhor Nrisimhadeva respondeu: “Prahlada, em sua vida anterior, você foi um indigno filho de um brahmana. Rejeitando as escrituras védicas, você era extremamente apegado a diversas atividades pecaminosas. Simplesmente por observar completo jejum – de alimentos e de água – no auspicioso dia de Meu aparecimento, o Sri Nrisimha Chaturdashi, você obteve o serviço devocional puro por Mim. E a todo aquele que observa esse jejum, garanto eterna bem-aventurança, desfrute e liberação”.

O Senhor Nrisimha é uma forma eterna do Senhor que aparece em diversos universos em diferentes momentos para executar Seus passatempos divinos. Seu Nrisimha Chaturdashi, o décimo quarto dia lunar da Lua crescente do mês de Madhusudana, é, portanto, eternamente um dia sagrado, no qual Seus devotos jejuam a fim de glorificarem o aparecimento transcendental do Senhor.


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