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Plasticidade Cerebral e Podas Neuronais (Apoptose)



Imagem: http://www.bluesci.org/?p=6631
      Durante muitos anos predominou a crença de que após o nascimento os neurônios eram incapazes de se recuperar de lesões e não tinham como se auto reproduzir. Porém, com o avanço da ciência, sabe-se que esta teoria não é totalmente verdadeira. Os neurônios são capazes de se modificar durante toda a vida e até mesmo se auto reproduzir em alguns locais do cérebro. A Plasticidade Cerebral, como é conhecida esta capacidade adaptativa do SNC (Sistema Nervoso Central), é a habilidade para modifica a organização estrutural e funcional em resposta à experiência (estímulos ambientais).
     Conforme estudos de BRUNO NETO [2007], a Plasticidade Cerebral poderá ocorrer através de: è eliminação de neurônios que não estão sendo utilizados; èmodificação do dinamismo morfológico e funcional daqueles neurônios que são utilizados, através do crescimento dos seus dendritos e axônios; è modificação das estruturas envolvidas nas sinapses (dendritos, espinhas dendríticas, terminal axônico);è formação de novas sinapses; è modificação na produção das substancias neurotransmissoras.
     Nosso cérebro é uma obra de arte em constante construção, a cada nova aprendizagem, novos circuitos neuronais são ativados, novas sinapses são formadas, eis aí a plasticidade. Cada neurônio envolvido neste ativo processo, aumenta seu vigor funcional, reduzindo assim, a possibilidade de ser eliminado através da “apoptose”.
     “Apoptose” é uma espécie de suicídio dos neurônios, um processo de poda dos mesmos (fortalecimento de sinapses necessárias à via e perda de sinapses menos importantes), uma vez que alguns deles não estão em constante uso; Sendo assim, após um determinado tempo, faz-se o desligamento de alguns, para dar espaço para outros neurônios que estejam em constante uso poderem se desenvolver com maior eficiência. Alguns autores apontam que a cada ciclo de 7 anos, em média, nossa psique sofre modificações internas pelas podas neuronais e vivencias comportamentais onde recebemos influencias do meio em que vivemos, afetando assim nossa subjetividade e nos tornando indivíduos permanentemente mutáveis.
    Uma das  primeiras podas neuronais, se dá na primeira infância, ao nascer  o cérebro desenvolve muitas ramificações neuronais afim de que a criança possa se desenvolver em toda e qualquer área, mas com o passar do tempo algumas ramificações são utilizadas mais que as outras, e assim as menos ou nunca utilizadas, passam pela primeira poda neuronal, o próprio cérebro descarta todos os neurônios que até então não foram utilizados de forma adequada. Conforme cartilha emitida pela OEA – Organização dos Estados Americanos (2010, p. 29-30),
Durante a etapa pré-natal e a primeira infância, o cérebro produz muitos mais neurônios e conexões sinápticas de que chegará a necessitar, como uma forma de garantir que uma quantidade suficiente de células chegue a seu destino e que conectem-se de forma adequada. No entanto, para se organizar, o sistema nervoso programa a morte celular de vários neurônios (apoptose) e a poda de milhares de sinapses que não estabeleceram conexões funcionais ou que “já cumpriram sua tarefa”. As sinapses que envolvem “neurônios competentes e ativos na rede” são as que permanecerão e a funcionalidade de cada um destes circuitos neuronais é o que nos permitirá aprender, memorizar, perceber, sentir, mover-nos, ler, somar ou emitir, desde respostas reflexas até as mais complexas análises relacionadas à física quântica.

        Outro período  de poda neuronal se dá na adolescência e pode levar anos até se concretizar por completo.
   Muitos estudos estão apontando para que casos como Autismo e Esquizofrenia estejam relacionados com a poda neuronal, a um menor número de podas, com conexões errôneas entre os neurônios, pois em alguns casos o autismo tem suas características mais salientes por volta dos 2 anos e a esquizofrenia manifesta-se na adolescência, sendo que estas duas fases ocorrem grandes podas neuronais. Conforme LAGE (2006), em entrevista com Mercadante,
O autismo costuma aparecer antes dos três anos, nessa idade, diz Mercadante, há uma "poda neural" que reestrutura o cérebro. Suspeita-se que, nos autistas, essa "poda" seja diferente, alterando alguns circuitos cerebrais. Por isso, crianças autistas podem regredir e até parar de falar nessa idade.
     Também falando sobre podas neurais, o site Innatia, traz um artigo sobre o assunto, de onde faço  a transcrição do mesmo:
O cérebro humano está em construção até o final da adolescência, de acordo com vários especialistas.  Segundo o pediatra americano Jay Giedd, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda (EUA), o cérebro humano está em constante crescimento (construção), até o final da adolescência. O pesquisador apresentou os resultados de seu estudo em Barcelona. Este analisou mais de 2.000 pessoas com idade entre 3 e 25 anos, o que lhe permitiu observar que, no final da infância, o cérebro passa por um aumento 'inconcebível' de neurônios e conexões neurais, que em seguida são reduzidos durante a adolescência. Esta "poda" neural, que culmina com a passagem da adolescência para a idade adulta, que ocorre primeiro na parte de trás do cérebro e, finalmente, no córtex frontal, que é o que controla o raciocínio, tomada de decisão e controle emocional. A descoberta desmente a tese de que o cérebro começa a ficar totalmente maduro entre 8 e 12 anos e explica a questão por que muitos adolescentes não começam a pensar e se comportar como adultos a uma idade tão avançada que às vezes ultrapassa 20 anos, de acordo com o pesquisador. Ele também descobriu que o corte neuronal ocorre mais cedo nas meninas do que em meninos e nos jovens mais inteligentes, ela ocorre em uma idade mais jovem.  Enquanto isso, Ignacio Morgado, professor de Psicobiologia da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e coordenador da conferência, diz que a maneira de pensar e de processamento de informação para as mulheres e homens são diferentes, mas o resultado final é o mesmo, embora ela atinge o interior diferente. Ele também investiga que as mulheres são mais sensíveis para o emocional, e mais abrangentes sobre as desgraças dos outros, o que as torna mais propensas a sofrer de doenças subjacentes, emocionais, tais como ansiedade ou depressão. Em qualquer caso, Morgado acredita que ainda há muito a ser descoberto sobre as diferenças cerebrais entre homens e mulheres.

Referência Bibliográfica:


GIEDD. Inside the Teenage Brain. Full interview available on the web at:http://www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/teenbrain/interviews/giedd.html

LAGE, Amarilis. Igual mas diferente. 2006. Disponível emhttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2707200601.htm 

National Institute of Mental Health (2005) The Adolescent Brain: a work in progress. Available on line at www.thenationalcampaign.org/resources/pdf/BRAIN.pdf

OEA – Organização dos Estados Americanos. Primeira Infância: Um olhar desde a Neuroeducação. EUA: OEA, 2010.


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