quinta-feira, 8 de maio de 2008

Jane Duboc - Todo azul do mar.

fernandoat20

The S.O.S. Band - DO IT NOW!

Calicard

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Vídeos educativos história do Brasil colônia 3 vídeos.

camargooo


Nesta tela virtual você encontrará a hstória do Brasil colônia. Feitas em 3 partes.
para ter acesso basta clicar no menu. Obrigado por sua visita.

Qual era o objeto de estudo de Karl Marx?


Marx inicia a exposição sobre o método da seguinte maneira: "Quando estudamos um dado país do ponto de vista da Economia Política, começamos por sua população, divisão de classes, sua repartição entre cidade e campo, na orla marítima; os diferentes ramos de produção, a exportação e a importação, a produção e o consumo anuais, os preços das mercadorias, etc. Parece que o correto é começar pelo real e pelo concreto, que são a pressuposição, que são a base e o sujeito do ato social de produção como um todo."Mas aquilo que aparentemente parece o correto, revela-se depois de uma "observação mais atenta" completamente falso isto porque: "A população é uma abstração, se desprezarmos, por exemplo, as classes que a compõem. Por seu lado, estas classes são uma palavra vazia de sentido se ignorarmos os elementos em que repousam, por exemplo: o trabalho assalariado, o capital, etc. Estes supõem a troca, a divisão do trabalho, os preços etc." ... "assim, se começarmos pela população, teríamos uma representação caótica do todo, e através de uma determinação mais precisa, através de uma análise, chegaríamos a conceitos cada vez mais simples; do concreto idealizado passaríamos a abstrações cada vez mais tênues até atingirmos determinações as mais simples."
Fonte yahoo!respostas:

Momento de reflexão. Apesar dos problemas...


Apesar dos nossos próprios problemas...
*Mago da Luz(autor).

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de Hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto da única janela do quarto.O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela.O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora da janela. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes, chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos.

Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte.Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as pitorescas cenas.Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que ia a passar.Embora o outro homem não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro senhor a retratava através de palavras bastante descritivas.Dias e semanas passaram. Uma manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos, e encontrou o corpo sem vida o homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo.

Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a Enfermeira deixou o quarto. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e lentamente olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo!O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem...

Moral da História:

Há uma felicidade tremenda em fazer os outros felizes, apesar dos nossos próprios problemas. A dor partilhada é metade da tristeza, mas a felicidade, quando partilhada, é dobrada. Se te queres sentir rico, conta todas as coisas que tens, que o dinheiro não pode comprar. MAGO DA LUZ





* Mago da Luz é um amigo virtual que participa ativamente do Yahoo!respostas.

Valeu amigo soteropolitano

Normas dos cursos de pós-graduação lacto sensu




MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
RESOLUÇÃO N° 1, DE 8 DE JUNHO DE 2007 (*)
Estabelece normas para o funcionamento de cursos de pósgraduação
lato sensu, em nível de especialização.
O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de
Educação, no uso de suas atribuições legais, tendo em vista o disposto nos arts. 9º, inciso VII,
e 44, inciso III, da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e com fundamento no Parecer
CNE/CES n° 263/2006, homologado por Despacho do Senhor Ministro da Educação em 18
de maio de 2007, publicado no DOU de 21 de maio de 2007, resolve:
Art. 1° Os cursos de pós-graduação lato sensu oferecidos por instituições de
educação superior devidamente credenciadas independem de autorização, reconhecimento e
renovação de reconhecimento, e devem atender ao disposto nesta Resolução.
§ 1° Incluem-se na categoria de curso de pós-graduação lato sensu aqueles cuja
equivalência se ajuste aos termos desta Resolução.
§ 2° Excluem-se desta Resolução os cursos de pós-graduação denominados de
aperfeiçoamento e outros.
§ 3° Os cursos de pós-graduação lato sensu são abertos a candidatos diplomados
em cursos de graduação ou demais cursos superiores e que atendam às exigências das
instituições de ensino.
§ 4° As instituições especialmente credenciadas para atuar nesse nível educacional
poderão ofertar cursos de especialização, única e exclusivamente, na área do saber e no
endereço definidos no ato de seu credenciamento, atendido ao disposto nesta Resolução.
Art. 2° Os cursos de pós-graduação lato sensu, por área, ficam sujeitos à avaliação
dos órgãos competentes a ser efetuada por ocasião do recredenciamento da instituição.
Art. 3° As instituições que ofereçam cursos de pós-graduação lato sensu deverão
fornecer informações referentes a esses cursos, sempre que solicitadas pelo órgão
coordenador do Censo do Ensino Superior, nos prazos e demais condições estabelecidos.
Art. 4° O corpo docente de cursos de pós-graduação lato sensu, em nível de
especialização, deverá ser constituído por professores especialistas ou de reconhecida
capacidade técnico-profissional, sendo que 50% (cinqüenta por cento) destes, pelo menos,
deverão apresentar titulação de mestre ou de doutor obtido em programa de pós-graduação
stricto sensu reconhecido pelo Ministério da Educação.
Art. 5° Os cursos de pós-graduação lato sensu, em nível de especialização, têm
duração mínima de 360 (trezentas e sessenta) horas, nestas não computado o tempo de estudo
individual ou em grupo, sem assistência docente, e o reservado, obrigatoriamente, para
elaboração individual de monografia ou trabalho de conclusão de curso.
Art. 6° Os cursos de pós-graduação lato sensu a distância somente poderão ser
oferecidos por instituições credenciadas pela União, conforme o disposto no § 1° do art. 80 da
Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
Parágrafo único. Os cursos de pós-graduação lato sensu oferecidos a distância
deverão incluir, necessariamente, provas presenciais e defesa presencial individual de
monografia ou trabalho de conclusão de curso.
(*) Resolução CNE/CES 1/2007. Diário Oficial da União, Brasília, 8 de junho de 2007, Seção 1, pág. 9.
Art. 7° A instituição responsável pelo curso de pós-graduação lato sensu expedirá
certificado a que farão jus os alunos que tiverem obtido aproveitamento, segundo os critérios
de avaliação previamente estabelecidos, sendo obrigatório, nos cursos presenciais, pelo
menos, 75% (setenta e cinco por cento) de freqüência.
§ 1° Os certificados de conclusão de cursos de pós-graduação lato sensu devem
mencionar a área de conhecimento do curso e serem acompanhados do respectivo histórico
escolar, do qual devem constar, obrigatoriamente:
I - relação das disciplinas, carga horária, nota ou conceito obtido pelo aluno e
nome e qualificação dos professores por elas responsáveis;
II - período em que o curso foi realizado e a sua duração total, em horas de efetivo
trabalho acadêmico;
III - título da monografia ou do trabalho de conclusão do curso e nota ou conceito
obtido;
IV - declaração da instituição de que o curso cumpriu todas as disposições da
presente Resolução; e
V - citação do ato legal de credenciamento da instituição.
§ 2° Os certificados de conclusão de cursos de pós-graduação lato sensu, em nível
de especialização, na modalidade presencial ou a distância, devem ser obrigatoriamente
registrados pela instituição devidamente credenciada e que efetivamente ministrou o curso.
§ 3° Os certificados de conclusão de cursos de pós-graduação lato sensu, em nível
de especialização, que se enquadrem nos dispositivos estabelecidos nesta Resolução terão
validade nacional.
Art. 8° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, ficando
revogados os arts. 6°, 7°, 8°, 9°, 10, 11 e 12 da Resolução CNE/CES n° 1, de 3 de abril de
2001, e demais disposições em contrário.
ANTÔNIO CARLOS CARUSO RONCA

O professor entre o sábio e o erudito.



O professor entre o sábio e o erudito*.

Luis Filipe Ribeiro

Universidade Federal Fluminense (UFF)
Ao aceitar a participação nesta mesa, aceitei o desafio de meter-me em searas onde nem os grandes conseguiram jamais luzes definitivas. Não me tomem, por favor, por presumido; apenas e modestamente gosto de ser desafiado, quando menos, para testar minha ousadia e poder exercitar a embriaguês dos limites.Algumas das perguntas aqui colocadas poderiam ter respostas aparentemente simples. Seria o conhecido recurso ao lugar-comum que, nada explicando, tudo explica.Tentarei fugir a esse caminho tentador, arriscando, entretanto, entediá-los ao longo da reflexão que me vejo conduzido a desenvolver.Creio não haver melhor escolha que atacar, de saída, o que mais me assusta: a questão de estabelecer o que se entende, aqui, por saber. Não me são de grande valia os dicionários ou enciclopédias. Vejamos alguns exemplos. O nosso indispensável Aurélio nos diz:
“19. Erudição, sabedoria. 20. Prudência, tino, sensatez. 21. Experiência, prática. 22. Bras RJ O anel de grau das professoras primárias.”
O bom e velho Caldas Aulete não avança muito mais:
“ciência, doutrina, soma de conhecimentos humanos; (fig.) prudência, sensatez, experiência adquirida pelo grande trato social; estado de adiantamento, conhecimentos adquiridos, ilustração.”
Se recorro ao Petit Robert, talvez algumas pistas se apresentem:
“Conjunto de conhecimentos mais ou menos sistematizados, adquiridos por uma atividade mental constante; Estado do espírito que sabe; relação entre o sujeito e o objeto do pensamento, cuja verdade aquele admite (por razões intelectuais e comunicáveis)”
Mas, talvez seja, na Enciclopédia Multimeios Hachette, que mais alguns traços se deixem ver:
“Conjunto de conhecimentos, de informações adquiridas. (Filos.) Conjunto estruturado de conhecimentos ou conjunto dos conhecimentos. O saber se opõe à ignorância ( o não-saber não é o erro), à opinião e à crença.”
A Enciclonet, obra de existência virtual, como o nome denuncia, nos dá outra aproximação: “Conocimiento profundo de cualquier disciplina científica o humanística”.Curiosamente, a língua inglesa, tão pródiga em palavras de origem latina, não recolhe a raiz de saber, aliás, vinculada estreitamente ao sabor. Ali usa-se knowledge , cuja tradução mais adequada em Português parece ser a de conhecimento.Todas essas aproximações parecem apontar para uma invariante: conjunto de conhecimentos. Ora, se o saber for tomado como conjunto de conhecimentos, será reduzido a muito pouco. Uma enciclopédia seria então um repositório de saber à disposição de quem dela viesse a fazer uso. Quanto mais leitura, tanto mais saber. É curial que esta afirmação não condiz com o mínimo bom senso e não é a esse saber que os organizadores deste evento estavam se referindo ao proporem esta mesa.Até porque, Augusto Meyer — meu inesquecível professor e poeta de monta — em seu Poemas da Bilu —nos oferece esta pérola:
Vai tocando: o teu destino foi gravado na areia. Tudo é poema, criança. Você não sabe nada, felizmente:saber é saber que não se sabe.
O singelo da expressão nos faz recordar o que, desde a antiga Grécia se tinha por horizonte: o saber está ligado à consciência da ignorância. Se assim é, ou deveria ser, conceituar o saber como soma, conjunto de conhecimentos é reduzir o movimento à estática, o processo à ritual imobilidade dos cemitérios. Quer-me parecer que devo aqui ater-me à noção de processo. Saber, agora como verbo, é movimento perene, é um incessante buscar. Não tem forma, tem objetivos. Não é mensurável, é transbordar.Assim, o sentido comum, cujo estuário erudito são os dicionários e enciclopédias, ajudou-nos a ver o quanto uma visão deformada e preconceituosa oculta o lado mais fascinante do saber: o seu lado de movimento incessante de descoberta. Mais ainda, o sentido comum apossou-se do saber para transformá-lo em coisa, de forma a poder quantificá-lo e, assim, colocá-lo no rol daquilo que tem preço, peso e medida. Poder domesticá-lo e enquadrá-lo; pois é próprio do pensamento conservador o horror ao movimento. Se saber é verbo, trata de transformá-lo em substantivo. Sabe-se que o próprio do substantivo é dar nome a coisas e seres. O movimento existe e, existindo, não pára. Só será coisa quando se extingüir ou perder a razão de transformar-se. E tal processo é comum, pelo menos nas nossas línguas ocidentais. Não transformamos a maravilha de beijar, em insosso substantivo beijo? Quem prefere o beijo ao beijar? Melhor o jogo que o jogar?Difícil a tarefa de quem crê no movimento de expressar-se em línguas que tendem a tudo paralizar. Já não o denunciavam os pré-socráticos, ao afirmar que “ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio; pois nem o rio, nem o banhista serão os mesmos”?Assim, ao tentar agarrar o conceito de saber, deparo-me com uma enorme e invisível barreira epistemológica. Uma poderosa resistência inconsciente a considerá-lo movimento e busca; um convite a transformá-lo em quantidade mensurável e apropriável.Não posso, assim, falar do saber do professor. Talvez pudesse agarrar-me à tangente convidativa do conceito de sabedoria. Mas, ele também pode possibilitar a definição quantitativa. Seria transferir da área do genérico, para a área do singular o mesmo problema. A sabedoria de uma pessoa poderia ser tomada como um conjunto de conhecimentos, uma soma de informações. E, evidentemente, não é disso que se trata.Sir Richard Burton, naturalista inglês que viveu longos anos no Brasil do século XIX, oferece-nos uma bela reflexão:
Há quatro espécies de homens: 0 que não sabe e não sabe que não sabe: é tolo - evita-o;0 que não sabe e sabe que não sabe: é simples - ensina-o;0 que sabe e não sabe que sabe: ele dorme - acorda-o;0 que sabe e sabe que sabe: é sábio - segue-o.
A sabedoria aqui está pensada como uma qualidade complexa que não encontra explicações na mera acumulação. Entre um erudito e um sábio há mais distância do que entre a terra e a lua. O erudito é um colecionador, é um pão-duro intelectual: tudo acumula, para gastar com muita morigeração. O sábio não acumula, o sábio transforma. Devolve multiplicado o pão que o alimentou. É a este que devemos o que conseguimos entender do mundo. Ao erudito devemos o horror das nossas provas escolares, em que os malabarismos da memória passiva só conseguem ser maiores do que a desinformação final conseguida.Nosso currículos escolares são a mais evidente prova de que a educação, entre nós, foi sempre entendida como a preparação do erudito. Machado de Assis, em seu inesquecível A Teoria do Medalhão, que nos auxilie. O pai prestimoso, ao ensinar o filho as regras do mundo, faz-lhe ver que o sucesso está na razão direta da vacuidade intelectual, expressa através lugares comuns e chavões que têm o mérito de nada dizer, aparentando dizê-lo e bem.Aprendemos aqui, neste país infeliz, que a escola é onde se aprendem as matérias. Matérias que devem ser conhecidas de cor e salteado. Para quê, nunca se sabe. Elas fazem um pouco o mesmo papel daquilo que chamo de cultura da Rádio Relógio Federal. Lá se liam, e constantemente, as famosas perguntas “você sabia?” . Por exemplo, “você sabia que as moscas batem as asas tantas mil vezes por minuto?”. Não sabê-lo era marca de ignorância. E sabê-lo significava o quê? Sabia-se mais sobre o mundo? A oferta de uma informação de corte científico, descontextualizada de uma prática científica, não significa nada. É informação vazia que só pode satisfazer ao colecionador, tipo retentivo já bastante estudado pela psicanálise. Ao erudito tal informação vale sempre com arma. Não como conhecimento. Quem não se lembra do delicioso romance de Clarice Lispector, A hora da estrela, em que o pedreiro Olímpico humilhava a pobre Macabéia, exatamente com apontar-lhe a ignorância por não saber aquilo que ele colecionava, ouvindo seu radinho de pilha na mesma Rádio Relógio?O sábio não sabe; quem sabe é o erudito. Claro está que os dois têm funções em nossa sociedade. Diferenciadas, mas funções. O erudito de confirmar o já sabido, dando-lhe o tom de verdade definitiva. O sábio de questionar o já sabido, buscando relativizar o sabido, em busca de mais saber. O erudito é um beato — e deles tenho medo!. O sábio, um agnóstico. O beato, cheio de certezas, é sempre capaz de “prender e arrebentar”, em nome de suas próprias e definitivas verdades — e ai de quem delas duvidar!. O sábio só sabe, e pobremente, ter dúvidas. Não se espere deles a confirmação do mundo, até porque crêem que ele não está em movimento, mas é o próprio movimento. E como colocar tal movimento em gaiolas conceituais?Lévi-Strauss, antropólogo e etnólogo francês que ajudou a construir a USP, já nos alerta que: 0 sábio não é o homem que fornece as respostas verdadeiras; é o que formula as perguntas verdadeiras.Parece ser, então, que, retomando nosso tema inicial, seja desejável que, ao referir-me ao professor, não fale de seu saber nem de sua sabedoria. Prefiro desejar que ele se torne, na medida de suas possibilidades, um sábio entre sábios. Para isso é necessário despir o conceito de sua indumentária formal e engessada. Entre nós sábio é adjetivo atribuível a um número escasso de seres humanos, agraciados ou bafejados com a auréola da sapiência, numa homenagem, outra vez, à quantificação do saber. É um pobre conceito este! Ele redunda o sucesso mundano dos meios de comunicação, atribuindo a cada um os seus quinze minutos de glória. Não falo desse sábio, figura mundana e visível; escassa e discutível. A glória midiática não significa a presença do sábio, tal e como aqui o estamos tomando. Não se precisa ser um luminar - origem de toda a luz! — para se ser um sábio. É necessária, antes de mais, a humilde curiosidade de quem sempre quer saber mais e mais, não em quantidade, mas em qualidade e entendimento. Sábio é quem quer aprender, quem não se contenta com a conhecimento já feito e aprovado, quem não teme os limites.Minha figura mítica, aqui, é indiscutivelmente a do Fausto. Seja a personagem, mais conhecida, de Goethe; seja o de Cristopher Marlowe; seja o da versão de Spiess, na Frankfurt do século XVI; qualquer uma delas atende à minha expectativa. O Fausto, demonizado, pela igrejas de plantão, pelos sábios canonizados, pela boa sociedade, este Fausto tudo o que ele deseja é conhecer. Conhecer além dos medíocres limites da escolástica dominante; conhecer, sem pedir licença a ninguém, muito menos aos poderosos de então; conhecer não para publicar e brilhar, mas para satisfazer uma fome de entendimento inesgotável. Este Fausto, para poder ultrapassar os limites estabelecidos, arrisca-se a tudo. Diz a lenda que vendeu a alma ao demônio. É verdade. Vendeu-a para poder vencer as barreiras, de outra forma inexpugnáveis. Mas, pensando-se bem, o que Fausto vendeu? De onde nos vem a certeza de que ele era cristão? Quem diz que acreditava em sobrevivência da alma? Quem diz que era dono e senhor do pensamento que gerava e o gerava? Vendeu ele realmente alguma coisa?Prefiro vê-lo como o patrono dos agnósticos modernos, vendendo a um demo de fancaria um nada, como merecem todos os que fazem da vida um mero acúmulo de bens e riquezas.Mas, tendo vendido ou não sua alma, o Fausto que retenho é o da coragem intelectual. Nada se consegue com a obediência aos poderes deste mundo. Obedecer ao existente é condenar-se ao já sabido, é aceitar as verdades já prontas e embaladas para o consumo. Todo sábio é um irreverente; é a própria encarnação da desobediência. Não haverão as academias de entronizá-los, senão post-mortem, quando já não oferecem o mesmo perigo. Não serão figuras do mundo, nem terão as benesses do poder. Esses sábios são a expressão invisível do processo de conhecimento e do progresso de todas as sociedades.Terá sido um mero acaso Erasmo de Rotterdam, no seu insuperável O Elogio da Loucura, haver dito:Convida um sábio a jantar: perturbará por um frio silêncio ou por perguntinhas molestas. ?É este padrão, é esta referência de sábio, é esta dimensão fáustica que desejaria, hoje, poder atribuir aos professores que me ouvem.Não, não é tarefa de vocês ajudar a fazer ver o mundo como ele já é; transmitir, como correias de alimentação, os saberes prontos e embalados. Isto seria trabalhar com o saber, na dimensão que tentamos criticar.Hoje, numa sociedade midiática, não cabe à escola redistribuir a informação. Nunca foi, na verdade. Mas, hoje em dia, especialmente, não tem a escola como competir com outros meios, muito mais poderosos, na distribuição dos conhecimentos já conseguidos. Com a televisão, com o cinema e, em especial, com a Internet, não vejo como a escola possa competir na busca de conhecimentos, nem na sua impressionante atualização. Li, há tempos, um artigo de um ensaísta japonês, em que ele afirmava que a quantidade de informações disponíveis na Internet dobra a cada quarenta dias. Se assim é, e aceito a afirmação sem questioná-la, por confessada incapacidade de provar algo diferente, não temos nós como competir com essa máquina fantástica.Mas é nosso papel, sim, o de processar e analisar a informação. De ajudar nossos alunos a entenderem que as verdades se fazem e desfazem, num processo de permanente crítica e superação. O que hoje é verdade, amanhã será erro. Nem outro é o processo da história do conhecimento. Não é errado afirmar que a terra é o centro do sistema do universo. Durante séculos esta foi a verdade básica sobre o mundo. Verdade tão verdadeira quanto as demais que com ela constituíam sistema. Errado seria afirmá-la hoje, quando outra e melhor resposta foi elaborada a partir de Nicolau Copérnico e Galileu Galilei. O erro de hoje foi a verdade de ontem.Assim temos que nos preparar para a tarefa de trabalhar com as informações e de ajudar nossos alunos a buscarem-na onde e quando os meios as tornem possíveis. E a tarefa crítica exige o sábio e é inalcançável para o erudito. Não é mais possível trabalhar acumulando e repassando informações que, com a velocidade que os conhecimentos são elaborados em nossos dias, estarão superadas a curto prazo. Não nos cabe mais criar alunos acumuladores, não devemos mais estimular a erudição balofa que nos propõem os chamados livros didáticos.Hoje é preciso mais que saber uma informação, saber para que serve, em que contexto pode ter validade, em que condições foi criada. Necessitamos formar sábios, pessoas capazes de duvidar, de ousar, de romper as barreiras que nós mesmos criamos nas nossas salas de aula. Hoje, só o estímulo à desobediência faz sentido no campo intelectual. Caso contrário, estaremos criando uma geração igual à nossa, desprovida de um discurso próprio diante dos desmazelos do poder e que vive um doloroso paradoxo: frente a um governo desmoralizado e desprestigiado, não consegue levantar uma proposta de oposição confiável e elegível. Espero que nossos alunos possam ser no futuro o que não conseguimos ser no presente. Sábios capazes de duvidar e de propor; de ousar e de negar evidências; de construir mundos possíveis e lutar por implementá-los na superfície ingrata da História.Perguntam-me também sobre a valorização do saber do professor. Atenho-me ao argumento neo-liberal: o mercado dirá. E o tem dito com uma crueldade ímpar. Por mais que a minha avaliação seja outra, e seguramente é, nada posso fazer contra as réguas do sistema dominante, neste aspecto. Os professores são desvalorizados porque transformaram-se e foram transformados em simples correias de transmissão. Parte do movimento do sistema, ainda mesmo quando pessoalmente rebelem-se contra ele, tornaram-se peças substituíveis e renováveis no processo de treinamento da mão-de-obra obediente e disciplinada que não almeja mais que as migalhas materiais, as sobras do jantar alheio. Quando transformarem-se em sábios, sempre no sentido aqui defendido, capazes de demonstrar à sociedade, e não aos poderes constituídos, a sua importância e a sua imprescindível existência, serão valorizados por outra régua que a do mercado ao qual estão hoje escravizados. Só a sociedade civil poderá avaliar a nossa importância. E isto no dia em que deixemos de olhar para o nosso próprio umbigo e possamos dizer à sociedade para que efetivamente servimos. Enquanto nos contentarmos em preparar os alunos para o vestibular, acumulando informações superadas e improcedentes, mas com prazo de validade vigente nessa seara, nossa valorização será esta. Pequenos robôs semi-inteligentes a serviço de um sistema perverso.Quando nossa atividade deslocar-se desse eixo, para transformar-se numa nova pedagogia, a pedagogia da rebeldia intelectual, da desobediência aos padrões estabelecidos e esvaziados, da ousadia e da criação, da busca e da descoberta, da aventura e da transformação, aí então seremos valorizados. Não esperem, entretanto, a valorização econômica e financeira. Nenhum sistema social até hoje enriqueceu seus professores; este é um privilégio dos áulicos. É a paga dos serviçais de luxo. Vejam como se vestem bem os nossos economistas oficiais!Mas o reconhecimento que buscamos, lamentavelmente, não será muito diferente daquele merecido por Sócrates, nem do destino de Fausto. Aos desobedientes, que criaram civilização, o castigo de Prometeu, o suplício de Tântalo, a perdição de Fausto, a cicuta de Sócrates.Que mais se pode pedir, numa sociedade cuja glória maior é a obediência aos poderes, a prostituição de luxo, a corrupção sistêmica e a lama da alma dos nossos dirigentes?
Rio de Janeiro, 21 de maio de 2001.
* Conferência pronunciada no III Encontro de Profissionais de Ensino por ocasião da X Bienal Internacional do Livro, Rio de Janeiro 17 a 27 de maio de 2001, subordinada à seguinte temática: "Quanto vale o professor ? O saber docente e sua valorização objetiva e subjetiva O que é o saber? Como é qualificado e valorizado o saber do professor? Que tipo de reconhecimento esperamos atualmente ? Quais as suas compensações objetivas e subjetivas?"
Luis Filipe Ribeiro é professor de Teoria da Literatura e de História e Literatura da Universidade Federal Fluminense. É Doutor em História e Mestre el Letras. É autor de Mulheres de Papel: um estudo do imaginário em José de Alencar e Machado de Assis (Eduff, 1996) e Geometrias do Imaginário (Laiovento, 2000). Dirige e edita a Revista Brasil de Literatura [http://members.tripod.com/~lfilipe] e a RBL Editora [http://www.rbleditora.com], ambas virtuais.

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