sábado, 14 de junho de 2008

CONSTRUTIVISMO. Resenha do livro Teoria construtivista sócio-histórica aplicada ao ensino.


Teoria construtivista sócio-histórica aplicada ao ensino

Jiron Matui

RESENHA


Esta obra, escrita por Jiron Matui, professor-assistente do Departamento de Psicologia da Unesp-Assis, e publicada pela editora Moderna, em 1996, pode auxiliar, e muito, o desenvolvimento dos programas de diversas disciplinas pois, em seus quinze capítulos, esclarece com detalhes o que vem a ser construtivismo, bem como os mal-entendidos acerca do tema.

Explica que o interesse pelo construtivismo, como teoria, passou excessivamente rápido de Piaget para Wallon e dele para Vygotsky, sem que tivesse ocorrido a devida assimilação de cada autor em particular. Esta obra pretende ser uma contribuição para aprimoramento do pessoal envolvido no ensino.

A primeira parte, Postura Político-Construtivista, é formada por cinco capítulos: Visão do mundo e da natureza humana, Postura política, Construtivismo, Psicogênese e A dialogicidade e o método clínico- crítico. Inicia dizendo que construtivismo é antes de tudo uma nova visão do mundo e da natureza humana, assunto especialmente oportuno , de um lado, para desvelar o anacronismo das políticas pedagógicas tradicional e escola-novista, que é necessário superar, e, de outro, para fundamentar a prática construtivista, a ser consolidada.

Hoje, na área da educação, duas correntes principais sobre a visão de mundo se opõem: a visão fixista e a transformista, sendo a primeira correspondente à visão da prática docente tradicional. O fixismo vê o mundo, a sociedade e a vida parados, imutáveis. Trata-se de uma visão primitiva, nascida do idealismo grego, e que não se afina com a idéia de evolução nem de dialética (Arte de argumentar ou discutir; argumentação dialogada; método que considera as coisas e os conceitos em sua conexão, encadeamento, movimento, aparição e desaparição). A visão fixista recebeu confirmação no mito da criação, em todo período medieval, e considera que as coisas foram criadas acabadas.

Esse é o método metafísico de pensar: considerar como verdadeiro o que está por trás e além do concreto. Metafísica significa simplesmente “aquilo que vem depois da física”, da aparência externa; busca o conhecimento da essência das coisas, como dadas na natureza.

Irmã gêmea da visão fixista é a visão maniqueísta, que separa os seres do mundo em bons e maus e, como considera que os objetos são criações inalteráveis, classifica-os como bons ou maus por natureza.

Uma das manifestações mais comuns desse modo de pensar é a atitude de separar e dividir os seres, excluindo um do outro, isto é, eles são uma coisa ou outra, e nunca uma coisa e outra. Essa visão dicotômica da realidade separa, além do bem e do mal, o sagrado e o profano, o técnico e o político. Na educação, é responsável pela separação entre teoria e prática dissociando o pensamento e o planejamento do fazer e agir.

Escola tradicional

Do ponto de vista histórico, surgiu para ensinar os filhos da aristocracia a ler, escrever e contar. Organizada inteiramente dentro da visão fixista e essencialista do mundo e da natureza humana; considera que o homem é dotado de uma essência imutável e que a educação procura apenas moldar-se a ela. Essencialista, vê as coisas como definitivas e imutáveis. Movimento e mudanças não fazem parte do seu quadro de pensamento. Caso ocorram, são meramente acidentais.

Há duas vertentes de escola tradicional:

- Religiosa - vem desde a Idade Média e é influenciada pela teologia católica;

- Leiga - nasceu e cresceu com a burguesia, tendo servido de instrumento para sua consolidação. Foi essa corrente leiga que construiu os sistemas públicos de ensino com base na laicidade, obrigatoriedade e gratuidade, aspectos que permitiram o acesso do povo à escola.

Metodologicamente, o ensino da escola tradicional é autoritário e rígido, pois acredita que, se existe uma essência humana, o ensino pode ser igual para todos, numa ordem lógica e preestabelecida.

Nesse sistema o adulto tem muita autoridade, não só porque sabe mais, mas também porque considera adulto como sinônimo de completo, de indivíduo acabado, e a criança como um ser incompleto e inacabado. Por isso ela deve respeito e obediência ao adulto.

Na sala de aula em que o professor divide os seus alunos em turmas A,B,C, classificando-as em Boa, Média e Fraca, aparece a visão maniqueísta e fixista. Toda avaliação classificatória é produto dessa concepção. Inadmissível nessa prática é que ela considera os grupos como fixos e inalteráveis. Por isso, já na metade do ano letivo , o professor sabe que alunos serão promovidos e quais serão retidos no final do ano.

Hoje, em virtude do desenvolvimento científico e das rápidas transformações por que passa o mundo, essa visão está superada teoricamente. No entanto a educação, sempre retrógrada e a serviço das ideologias conservadoras, faz com que os professores se mantenham na visão fixista.

Visão transformista

É a visão de movimento;o universo todo está em movimento. Não há somente movimentos físicos, mas também, o que é mais importante, o movimento evolucionista e dialético.”Numa palavra, todo o universo, nos níveis micro e macro, está em movimento. Se ele está em movimento, está se constituindo, isto é, construindo.” (Becker, “O que é construtivismo?”, in Idéias, n.20, p. 87.)

A sucessão da vida de todas as espécies vegetais e animais, através dos períodos e gerações, comprova que o movimento não atinge apenas os elementos chamados inanimados, mas também o cerne da vida. Além de sofrerem mudanças embrionárias, alguns seres vivos se transformam por metamorfose, como os insetos e os anfíbios, ou por mutações genéticas. No setor orgânico há as transformações químicas. É movimento evolutivo e também dialético. Os aspectos mais notáveis para a visão transformista são as mudanças qualitativas; as transformações não se fazem apenas por acréscimos de quantidades, mas também por saltos de qualidade.

Escola Nova

Surgiu de um movimento iniciado na Inglaterra em fins do século XIX e se espalhou por toda Europa e EUA, tendo chegado ao Brasil na década de 1920. Há vários tipos de escola nova, mas todos se baseiam na noção de que não há uma essência humana determinada desde o nascimento; ela se faz durante a existência.O ser humano é mutável, incompleto desde o nascimento e continua inacabado até a morte. Assim, a educação segue o ritmo da vida, que varia de pessoa para pessoa, pois é determinado pela existência. A escola nova foi a primeira a reconhecer as diferenças individuais; conseqüentemente, advogou um currículo individual. Ninguém é dono da verdade; não existe mais a autoridade do magister dixit.

As características da escola nova foram definidas em oposição às da escola tradicional . Em um ponto, no entanto, não há diferença: ambas se declaram politicamente neutras.

A escola nova deu uma contribuição inquestionável à história da pedagogia: a invenção de vários métodos e técnicas de ensino que, devidamente desmistificados, são instrumentos úteis até para o construtivismo.

Tecnicismo

Existe uma razão que, passando pelo mercantilismo e pelo liberalismo , norteou a formação do capitalismo no mundo: a razão instrumental, caracterizada pela dominação e exploração da natureza e dos seres humanos.

Essa razão, também conhecida como técnico-científica, se fortaleceu com o positivismo e fez das ciências e das técnicas um meio de libertação dos seres humanos, mas instrumento de intimidação, medo e desespero. É o tecnicismo.

A razão técnica, por atingir a essência dos fatos científicos, está acima da política e dos partidos, por isso o tecnicismo se considera “puro” e “neutro” politicamente. Objetiva a eficiência a qualquer custo, mas, sob a fachada da eficiência, pretende perpetuar a sua ação. Planejar para ter domínio e controle, eis o lema do tecnicismo. A razão instrumental deve ditar o rumo certo do presente, planejando o futuro com a máxima segurança. O planejamento garante o domínio. O tecnicismo é autoritário e antidemocrático. O que vale é a decisão técnica dos que sabem, isto é, dos tecnocratas. Para o tecnicismo, a voz do povo não é a verdade, por isso a participação popular é desnecessária. Do ponto de vista pedagógico, tanto o movimento das escolas novas como o do tecnicismo apresentaram doutrinas aparentemente favoráveis à democratização do ensino, mas se revelaram inoperantes, pois não era esse o seu objetivo. O discurso era apenas um disfarce.

Escola Tecnicista

Nasceu e se fortaleceu na ausência da escola nova que foi se afastando do cenário pedagógico pelo próprio fracasso. Fruto do positivismo e do tecnicismo ainda muito atuante, essa escola é a imagem da razão instrumental e a versão moderna da escola tradicional. É essecialista e conservadora: a mudança social não faz parte dos seus propósitos. Para ela a essência das coisas é alcançada pela razão técnico-científica. Assim, o que vale é a decisão técnica dos que sabem: na escola, (os professores). Na medida em que é tecnicista, é burocrática e antidemocrática. O seu compromisso é com a eficiência – econômica, sobretudo – e não com os alunos. Considera-se politicamente neutra. Baseada na teoria de aprendizagem S-R, vê o aluno como o depositário dos conhecimentos que devem ser acumulados na mente através das associações.

As tecnologias de ensino, baseadas nas teorias de aprendizagem S-R (empirismo-associacionismo), considerando que o ensino é questão apenas de estimulação externa, assumiram uma postura autoritária de controlar as reações e os conhecimentos dos alunos.

Para o construtivismo, a democratização do ensino é a razão principal, sem disfarces. A aplicação do construtivismo sócio-histórico à educação é uma práxis social das camadas progressistas que leva à transformação da sociedade. No entanto, a grande maioria das práticas pedagógicas tem uma visão fixista e maniqueísta do mundo.

A oposição visão fixista versus visão transformista não deve reproduzir o dualismo no construtivismo, que é dialético e supõe uma visão de totalidade integradora. É movimento de mudança e transformação. Por ser dialético (valorizar a argumentação, o diálogo dos opostos), supera conflitos e desequilíbrios, para atingir níveis estruturais qualitativamente superiores.

O segundo capítulo, Postura Política, mostra-nos que após a segunda metade do século vinte há um despertar da consciência cívica de populações inteiras sobre os direitos individuais e os deveres e obrigações do estado, em muitas partes do mundo, e que a mobilização das massas é o efeito mais visível do despertar de sua consciência. As redes de ensino tiveram de se ampliar para atender às reivindicações das massas, mas a simples expansão das escolas existentes trouxe à tona sua inadequação às massas populares. Talvez a maior das inadequações seja a postura e o compromisso político das pedagogias que norteavam as escolas até então, a tradicional e a escola-novista (pedagogias fixistas e essencialistas) que, em nome da “neutralidade”, escondiam o compromisso inabalável com as elites e com a não-transformação social.

Diante dos fatos, a transformação das escolas é um imperativo; a reforma deve atingir os aspectos da direção, da administração do material e do pessoal, dos conteúdos escolares (currículo), da didática e das organizações dos horários, da semestralidade ou da anuidade, do calendário escolar, das normas e disciplina, da sistemática de avaliação... E a mudança mais necessária é a da postura e compromisso políticos . É preciso, a todo custo, passar da falsa “neutralidade” das pedagogias tradicional e escola-novista para uma postura comprometida com a massa da população que chega às escolas.

Historicamente, num primeiro momento, as massas no Brasil estavam mais motivadas a se livrar das oligarquias rurais, se estabelecer na área urbana e se firmar no trabalho do que para reivindicar escolas.

Somente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e principalmente a partir da década de 1950, é que as populações começaram a reivindicar as escolas acadêmicas - ginásios e colégios- as únicas que permitiam acesso às universidades. A partir de grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre, os movimentos populares expandiram-se para todo o país, até culminarem, na década de 1970, na explosão da consciência cívica pelos direitos individuais e pelas obrigações do Estado. A expansão das redes de ensino tomou vulto nunca antes verificado. Mas, por ironia do destino, as escolas oferecidas ao povo foram aquelas que já existiam e que eram adequadas à clientela das camadas médias e altas, sem nenhuma adaptação à nova clientela. No início, as massas não entendiam o “cavalo de Tróia” que tinham recebido e, diante da “expulsão” dos seus filhos, na forma legal de “evasão e repetência”, muitos pais até concordavam que “os filhos de pobres não aprendem” e aceitavam as repetências e evasões que, aliás, achavam bem vindas pois podiam colocar os filhos no trabalho para ajudar no orçamento familiar.

Na verdade o povo, nas escolas, estava implodindo a política social e os sistemas de ensino existentes. Esses instrumentos burocráticos, que serviam apenas aos interesses dos detentores do poder e dos privilégios deste país, são armações que não se adequavam ao modo de ser das massas populares.

A política que essas escolas seguiam não apresentava nenhum compromisso com aqueles que superlotavam as escolas e é a partir dessa falta de compromisso que deve ser interpretado e entendido o fracasso das escolas com a sua nova clientela.

O construtivismo sócio-histórico, que se constitui e toma vulto depois do fracasso das escolas, não tem como fugir do desafio da reforma escolar sob bases renovadas para atender à nova A didática, pela qual se faz a aplicação do construtivismo ao ensino, não considera apenas a dimensão técnica, mas também a humana (ou social) e, principalmente, a política.

Seu compromisso político é com a formação do cidadão, medindo a qualidade do ensino, público ou privado, pela qualidade do cidadão que cada escola formar.

Por cidadão deve-se entender o indivíduo independentemente de raça, credo, princípios filosóficos e políticos, origem social e econômica. A cidadania é um direito inalienável da pessoa humana mas, para conquistá-la, as massas populares precisam lutar contra todos os tipos imagináveis de barreiras: econômicas, materiais e também simbólicas, como linguagem, mitos, superstições, crendices. Muitas vezes as barreiras simbólicas são as que mais amarram as pessoas, porque agem no imaginário delas.

Compromisso político: o compromisso do construtivismo é com o povo, porque ele é o novo conteúdo das escolas; com a democratização do saber na sua totalidade, pois o conhecimento é herança da humanidade, direito de todos.

Para o construtivismo, escola deve ser contra o empobrecimento do currículo e a mutilação dos conhecimentos sob qualquer pretexto.

A prática pedagógica construtivista para ser aceita por uma escola e ter sucesso dependerá da existência dos três modos básicos de evolução do processo civilizatório na própria comunidade: 1- invenções e descobertas (criatividade interna, capacidade do próprio grupo de inventar e descobrir; é o fato do desenvolvimento interno); 2- difusão (o grupo ou a comunidade não existem isolados, mas em permanente interação uns com os outros, expostos a fatores externos; a difusão é responsável pela introdução de novos traços culturais); 3- aculturação (que também pode ser chamada de compulsão social aculturativa, é a incorporação das mudanças pela comunidade).

Desmistificação da postura tradicional é imprescindível para a escola desempenhar a função social de transformação no processo civilizatório, eliminando, entre outras coisas, mitos e preconceitos, tanto da escola quanto da comunidade. Esses mitos são racionalizações para justificar a atitude discriminatória da escola contra os alunos de origem humilde (ou contra os que não aprendem).

Como o ser humano é ser de significações, os atos, mesmo errados, tendem a permanecer, desde que encontrem alguma justificação ou racionalização. As atitudes discriminadoras da escola e dos professores são mantidas graças a um ou vários mitos, como: o mito do mérito ou a pedagogia dos dons, o mito da carência cultural e principalmente carência verbal, o de que “nem toda criança é capaz de aprender”, o da subnutrição.

O capítulo três identifica alguns dos mal-entendidos que cercam o construtivismo. Tendo em vista que eles são fruto da superficialidade em que se mantêm muitos educadores, há que se ir fundo no assunto, “a fim de saborear o néctar que jorra das fontes”.

Pressupostos Filosóficos. O construtivismo nasceu da síntese genial feita por Kant de duas correntes filosóficas opostas; o racionalismo e o empirismo. Para o primeiro, o conhecimento já está na razão, bastando ser explicitado; para o segundo, o conhecimento vem de fora, do objeto (estímulo), pela experiência. Kant cria o interacionismo, para o qual o conhecimento não vem só do objeto, mas pela óptica da interação sujeito-objeto.

Definição do construtivismo. O construtivismo é mudança de visão: não considera o conhecimento só pelo prisma do sujeito nem só pelo prisma do objeto, mas pela óptica da interação sujeito-objeto. Assim, ensaia-se definir o construtivismo como uma teoria do conhecimento que engloba numa só estrutura dois pólos, o sujeito histórico e o objeto cultural, com interação recíproca, ultrapassando dialeticamente e sem cessar as construções já acabadas para satisfazer as lacunas ou carências (necessidades).

O capítulo quatro, Psicogênese, inicia estudando a visão transformista e relacionista do construtivismo, movimento enraizado na mudança e que, por ser uma estrutura bipolar, na qual não há separação entre sujeito e objeto do conhecimento, promove a interação aluno- matéria de aprendizagem, num ambiente de autonomia e reciprocidade social, isto é, num ambiente democrático e de dialogicidade. Por isso, precisa revelar sua natureza psicogenética, histórica e mediadora; só assim poderemos ter melhor compreensão dessa corrente em oposição ao associacionismo mecanicista e ao pré- conformismo espontaneísta.

A psicogênese era objeto de estudo do construtivismo como ciência e, agora, como psicogênese das diversas ciências ou conhecimentos, é conteúdo do construtivismo aplicado ao ensino.

A prática pedagógica construtivista há de ser psicogenética. Uma prática que não promova a gênese ou construção de conhecimento nunca será construtivista. Esclarecendo; se o conhecimento não é inato, isto é, se o ser humano não nasce sabendo nem nasce com idéias inatas, se o conhecimento também não é colocado de fora para dentro, como se a mente captasse tal e qual cada objeto externo e fosse armazenando conhecimentos, então o conhecimento é construído, no autêntico sentido de que é elaborado de acordo com o nível de desenvolvimento e dos esquemas que o indivíduo possui. Isso é a psicogênese. (estudo da origem da mente e dos conhecimentos. De um lado, é a gênese da psique humana – das representações mentais, da memória e do pensamento e, de outro, a gênese dos conhecimentos – de todo e qualquer conhecimento). Atualmente a psicogênese da alfabetização é a mais conhecida.

O interacionismo nem sempre é psicogenético. O próprio Kant formulou o seu interacionismo fundamentando-se somente no pensamento adulto. O construtivismo, além de ser interacionista, é fundamentalmente genético. A mente e todas as suas categorias são genéticas, isto é, têm origem. O ser humano não nasce com a mente, nem com o pensamento e, muito menos, com os conhecimentos. São as faculdades do pensamento, da memória, da representação mental e dos conhecimentos que nascem no homem. A psicogênese é evolucionista; é um ramo do evolucionismo; as categorias mentais ou as estruturas vão surgindo e se desenvolvendo.

Em vez de “categorias mentais” (Kant) e de “funções psicológicas superiores” (Vygotsky), Piaget chama de estruturas mentais ou estruturas variáveis as noções do pensamento que têm origem e desenvolvimento. A primeira estrutura é o “esquema do objeto”- representações ou imagens mentais de objetos e movimentos – e depois, a partir de 6-7 anos, aparecem as estruturas lógico-elementares e lógico-formais, até atingir o pensamento adulto. Psicogênese estuda a maneira como nasce e se desenvolve o conhecimento no ser humano. Esse desenvolvimento não tem fim na vida de cada pessoa.”O sistema das estruturas mentais e de conhecimento não é comparável a uma pirâmide, mas o é a uma espiral que se amplia infinitamente em altura.” (Piaget, A epistemologia genética,p.75).

“As estruturas mentais ao mesmo tempo que têm uma gênese, isto é, que se constroem no tempo, chegam a um estado de equilíbrio perfeito, alcançando as características intemporais das estruturas lógico-matemáticas, ou seja, universidade e necessidade.” (Ramozzi-Chiarottino, Piaget: modelo e estrutura, p.77).

A psicogênese, portanto, está no coração do construtivismo, e a prática pedagógica que se julgue construtivista nunca poderá desprezar estes dois aspectos: a aprendizagem, em qualquer idade, é sempre construída e, na escola, o aluno só aprende verdadeiramente quando constrói conhecimentos. O construtivismo é sinônimo de valorização dos conteúdos, pois se há construção na escola é sempre construção de conhecimentos.

A origem dos conhecimentos, ou a psicogênese, se dá sempre relacionando a “matéria” do objeto com a “forma”do sujeito. Conhecer é dar forma a uma matéria pela interação. Parte do conhecimento vem do objeto, isto é, da experiência, e parte vem do sujeito, da sua invenção reflexiva. A ampliação dos conhecimentos sobre os objetos pode ser assim descrita: o aluno, levando em conta o seu nível de desenvolvimento e suas estruturas de conhecimento, tem idéias prévias ou hipóteses conceituais a respeito da “matéria” do objeto de conhecimento. Interagindo com a matéria, passa a assimilá-la de acordo com essas idéias ou hipóteses. Entretanto a matéria, como tem seu próprio conteúdo, oferece resistência ao aluno, isto é, pode não ser assimilável conforme as idéias ou hipóteses que o aluno formulou. Conseqüentemente, ele precisa alterar suas idéias provocando mudanças.

Na formação social da mente, Jiron Matui diz que a gênese da mente e dos pensamentos é assunto que está no centro das discordâncias racionalistas e empiristas. O construtivismo é, antes de tudo, gênese da mente e dos pensamentos. No construtivismo, mesmo o de Piaget, a mente é de formação histórica. Partindo do período de adualismo, isto é, uma globalidade de percepção ou não-percepção dos objetos distintos, passando pela gênese das atividades e dos afetos,chega-se à percepção e à consciência de si (sujeito) e do outro (objeto) pela internalização de percepções, movimentos e sentimentos.

A noção do organismo, em Piaget e em outros interacionistas, tem um sentido novo, isto é, ela pressupõe o meio. No que se refere às estruturas mentais e à estrutura da personalidade, o orgânico já pressupõe o meio e o meio já está presente no orgânico.

A idéia de que o orgânico pressupõe o meio coincide com o que diz Wallon: “O indivíduo, se se compreende como tal, é essencialmente social. É-o, não na seqüência de contingências exteriores, mas na seqüência de uma necessidade íntima. É-o geneticamente.”( Psicologia e educação da criança, p.156). O indivíduo pressupõe o meio, no sentido de que o meio é indispensável para a própria construção do sujeito. No entanto a criança não nasce com a mente ou com o pensamento. No início da vida, no período que Piaget chamou de adualista, a criança não faz nenhuma idéia do mundo ou das coisas particulares ou independentes. “O universo primitivo é, durante os primeiros meses da existência, um universo sem objetos, formado de quadros que aparecem e desaparecem por reabsorção”. A mente e o pensamento, simplesmente, ainda não surgiram.

Logicamente, os movimentos antecedem à formação da mente. É Wallon quem dá notáveis contribuições sobre a psicogênese da motricidade.

Ao nascer, a criança já é uma significação no universo de significações (Vygotsky). Wallon deixa bem claro que essa significação é emocional e afetiva. A emoção é o primeiro e mais poderoso instrumento de sobrevivência da espécie humana. “A razão nasce da emoção.”

Assim, tanto a psicogênese da motricidade como a das emoções ou afetos desembocam na psicogênese da razão humana.

A historicidade do sujeito é a base do construtivismo sócio-histórico. A mente e o conhecimento têm formação social. Portanto conclui-se que o sujeito humano também tenha origem social e histórica.

Wallon e Piaget não deixaram de ter concepção histórica da formação do homem, mas o construtivismo deve a Vygotsky a visão da historicidade profunda do ser humano. Baseando seu método e sua teoria no materialismo histórico de Marx, definiu como objeto de estudo da sua psicologia instrumental: reconstruir a história da mudança quantitativa e qualitativa da passagem (movimento) das funções psicológicas elementares – reflexo, motricidade, percepção, afeto – para as funções psicológicas superiores – memória, pensamento, atenção, linguagem – pelo processo de internalização, passando por gestos e imitações.

A historicidade do sujeito consiste em que cada indivíduo é síntese das relações existentes e da história dessas relações; é o resumo de todo o passado. A realidade material (econômica) e social e a sua história “determinam” não só a consciência, mas todo o ser humano. O sujeito e o seu pensamento são reflexos das múltiplas relações existentes na realidade material. O sujeito é sujeito na medida em que é sujeito histórico. É histórico na medida em que “traduz” sua organização biológica pelas ações próprias da cultura na qual vive. Essa é a condição do sujeito humano e do sujeito epistêmico (Epistemologia: teoria do conhecimento; estudo crítico do conhecimento científico em seus vários ramos) em particular. É por isso que soa estranho quando determinadas pessoas afirmam que Piaget não levou em conta o social.(A epistemologia do professor, p.17).

Muito importante para a educação é que essa poderosa influência do meio, da realidade material e histórica, não é um determinismo implacável e unidimensional, pois o homem, que é produto da história, é também autor e sujeito. Na verdade, “é o homem que se autoproduz ao produzir a realidade na qual vive” (Wachowicz, O método dialético na educação, p.36).

O ser humano é o único animal que, além de usar instrumentos materiais – as mãos, uma vara, ferramentas e máquinas – usa também a imaginação, o pensamento e a fala para dominar e manipular a realidade física e social. O homem é o único animal que projeta alguma coisa e a realiza, tendo como resultado a transformação da realidade. A história é a história dessa mudança. A realidade que faz o homem é alterada pela atividade humana. Conseqüentemente essa nova realidade, com a sua estrutura peculiar, passa a produzir um novo tipo de pessoa. Wachowicz diz que a concepção dialética, ao colocar a produção da realidade no homem e, principalmente, ao dizer que o homem produz a si mesmo na ação que exerce sobre a realidade, eleva a educação, bem como todas as práticas sociais a uma estrutura de prioridade no pensamento filosófico.

A mediação e a sua natureza geradora de conhecimentos. Todo objeto do conhecimento é objeto cultural e aparece na teia de relações sociais por mediação de símbolos e signos/palavras. A idéia de mediação é a contribuição genial de Vygotsky: é a ação que se interpõe entre o sujeito e o objeto de aprendizagem. A função da palavra é fundamental.

No capítulo cinco, A dialogicidade e o método clínico-crítico, Jiron Matui ressalta a importância do clima democrático na prática construtivista e coloca que o objeto de conhecimento desvela-se na teia de relações sociais. A criança constrói o conhecimento mais pela mediação da sociedade, através dos signos/palavras, do que na relação direta com os objetos. O diálogo se realiza em determinadas condições:

1- na situação em que o sujeito/aluno dialoga com o mundo;

2- na situação de mediação social e simbólica;

3- na situação de clima de liberdade e cooperação.

O interrogatório clínico é proposto com base no método clínico-crítico de Piaget, porque o diálogo não é qualquer diálogo, mas aquele que consiste em;- conversar com a criança ou o adolescente para identificar o seu pensamento e acompanhá-lo; - manter a conversa no terreno fértil de construção de conhecimentos, para pensar as hipóteses e nexos lógicos.

A segunda parte da obra, Competência Técnica e construtivista, é composta pelos capítulos seis e sete, nos quais é ressaltado que a postura político-construtivista não é suficiente; é igualmente necessária a competência.

No capítulo seis, Processo de construção: a aprendizagem, Jiron Matui começa a tratar dos assuntos que estão no cerne do construtivismo: a aprendizagem e o desenvolvimento; o processo de construção e o conhecimento, e visam fornecer elementos para a construção da competência técnica do professor. A eficiência é um dos princípios da didática fundamental.

Tendo como pano de fundo um prazer que é natural no ser humano, o de dar significação ao mundo e às coisas, o capítulo tratou sucessivamente dos elementos do construtivismo para a construção da competência técnica:

-Variáveis que o professor deve trabalhar. Na equilibraçaõ/maturação, o professor deve trabalhar as equilibrações por coordenação, regulação e compensação. Na experiência/transmissão cultural, além do ambiente e da classe como palco da experiência dialógica dos alunos, é necessário aprimorar os sentidos e a observação, fazer uso dos amplificadores culturais e desenvolver as atividades de estudo.

-Assimilação, acomodação e organização. Esses três processos têm igual importância na construção de conhecimentos e na avaliação escolar.

- Da ação para a conceituação. Verdadeira versão do movimento dialético do pensamento, a passagem da ação para a conceituação é o esquema mais eficiente para a aplicação do construtivismo ao ensino; é também o meio para superar o mero ativismo em que permanece a prática pedagógica.

Tratou da experiência/transmissão cultural, fatores exógenos , externos, trabalháveis. A experiência é o estabelecimento de relação do aluno com o objeto de aprendizagem. Vygotsky coloca a experiência no contexto sócio-histórico. A interação social é o palco onde ocorre a experiência do aluno com o objeto da aprendizagem. “O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa”. (Vygotsky, A formação social da mente, p. 33.) o professor deve sistematizar essa rica interação, relacionando os conteúdos de sua matéria com a prática social, na dialogicidade, pois a aprendizagem é provocada por situações externas.

No construtivismo, é importante considerar que o aluno é um sujeito que está atribuindo sentidos e significados ao mundo e aos objetos que o cercam. E o significado que ele atribui está de acordo com a sua capacidade de assimilar o conteúdo. A criança não vê o mundo como ele é na realidade objetiva, mas como ela é. Assim, garantir o direito que a criança tem de formular hipóteses de acordo com as próprias idéias e testá-las é a função didática mais importante da prática construtivista. o compromisso com as crianças das classes populares leva o professor a não camuflar os conhecimentos nem subtraí-los dos alunos, garantindo ambiente de liberdade e autonomia, sem castigos por questões de erros e de inculcação de ideologias dominantes.

O professor deve visar aprimorar os sentidos e a observação da criança, ensinando-o a fazer uso dos amplificadores culturais. Toda cultura consistiu em inventar amplificadores culturais: óculos, lunetas, telescópios, microscópios, máquinas de calcular, computadores para memorizar etc. Terezinha Carraher aplica esse conceito à educação e chama atenção para os sistemas simbólicos que funcionam como excelentes amplificadores culturais, tornando-se mediadores para novas e mais rápidas aprendizagens, apresentando como exemplos o sistema de numeração decimal (faz com que a criança ultrapasse os limites da sua memória) e a aprendizagem da leitura e escrita (amplia os limites da fala e da função simbólica).

A criança precisa ser instrumentalizada para aumentar a sua capacidade de aprender. Nesse sentido as atividades de estudo consistem em: saber fazer perguntas e entrevistas; consultar dicionários, enciclopédias, bibliotecas; visitar museus, exposições, monumentos históricos; fazer fichas de leituras, de assuntos e de livros; fazer anotações; fazer pesquisas e experiências etc.

O pensamento se movimenta em espiral, da ação sensório-motora para a reflexão conceitual: o material tomado do plano A (conhecimento físico) é reconstruído no plano B (conhecimentos lógico-matemáticos e social-arbitrários). Das atividades interpessoais do primeiro patamar de conhecimentos chega-se às atividades intrapessoais do segundo patamar. Segundo Vygotsky, as atividades intrapessoais obedecem às seguintes etapas:

  • uma operação que, no início, era executada no plano da prática social juntamente com indivíduos em situação de dialogicidade, é internalizada ou começa a ocorrer internamente e é reconstruída em nível mental;

  • um processo interpessoal é transformado num processo intrapessoal; o que era executado em nível social entre pessoas (interpsicologicamente) passa a ser executado no interior da pessoa (isto é, intrapsicologicamente);

  • essa passagem é o resultado de uma longa série de eventos ocorridos ao longo do desenvolvimento da pessoa – não se faz num salto apenas. depende de várias funções psicológicas que passam por vários estágios, porque as funções externas se tornam gradualmente funções internas. Nesse patamar, a interação do sujeito com o objeto é realizada em nível operatório ou de metacognição. O material caótico do plano A é transportado ao plano B, onde se realiza a experiência lógico-matemática de Piaget e o discurso interior ou de “pensar as palavras”, de Vygotsky.

O capítulo sete trata de desenvolvimento e conhecimento como produto ou resultado da aprendizagem (processo de construção). O desenvolvimento da inteligência está ligado , na criança, ao desenvolvimento da sua personalidade total. (Wallon). O único bom ensino é o que adianta ao desenvolvimento. (Vygotsky).

-Estrutura e desenvolvimento. O primeiro produto do processo de construção é certamente o desenvolvimento, que é condição para a aprendizagem: a cada novo desenvolvimento corresponde a possibilidade de novas aprendizagens.

-Estrutura e procedimento. A estrutura define as possibilidades do sujeito. o procedimento define de que maneira ou por que meios o sujeito resolve uma situação. Um dos papéis do professor construtivista é identificar e acompanhar o pensamento do aluno mediante interrogatório. A estrutura é reconhecida pela maneira de identificar e interpretar um problema. As hipóteses e estratégias de solução servem não só para identificar como também para acompanhar o raciocínio.

-Desenvolvimento das estruturas operatórias. No sentido construtivista, a aprendizagem não ocorre sem desenvolvimento, que é a construção da função simbólica, da estrutura mental e da própria personalidade. A aquisição das estruturas próprias de cada nível, fase ou período é que capacita o sujeito a novas e mais amplas aprendizagens. O desenvolvimento é a estrutura que oferece condição para um aluno fazer idéia de um problema e compreendê-lo. Este capítulo trata da gênese dos esquemas operatórios concretos e abstratos, na ordem de sucessão. Cada aquisição de estruturas operatórias capacita o sujeito para a aprendizagem de novos conteúdos.

-Nível de desenvolvimento efetivo ou real. A aprendizagem deve ser coerente com o nível de desenvolvimento da criança e o ensino deve orientar-se com base no desenvolvimento já produzido, na etapa já superada, que Piaget identifica com o estado de amadurecimento das estruturas mentais.

-Nível de desenvolvimento potencial. Vygotsky toma como ponto de partida a idade mental e quer saber até onde o aluno pode chegar. Encontra grande variabilidade entre as crianças.

-ÁREA DE DESENVOLVIMENTO PROXIMAL. “É a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob orientação de adulto ou em colaboração com os companheiros mais capazes”. (Vygotsky, A formação social da mente, p. 97). Compreende funções mentais ou operações mentais em amadurecimento. Na linguagem de Piaget, corresponderia às que estão no nível intermediário de desenvolvimento. São processos que estão em estado de formação, que amadurecerão, mas que estão presentemente em estado embrionário. A área de desenvolvimento proximal hoje é o estado dinâmico de desenvolvimento e será o desenvolvimento real amanhã. É o desenvolvimento mental prospectivo. “Uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento”. (Vygotsky e outros, Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem, p.114 e 115)

-Nível intermediário (ou área de desenvolvimento proximal) caracteriza-se por apresentar novos traços ou funções próprias do nível posterior (nível de desenvolvimento potencial), mas ainda conserva as características ou funções do nível anterior (nível de desenvolvimento real). Os novos traços são construídos pela assimilação e acomodação. Os velhos traços são superados à medida que a criança toma consciência das contradições ou conflitos. Na passagem do período pré-operatório para o operatório (concreto), a noção de reversibilidade proporciona a compreensão das contradições lógicas das estruturas anteriores pré-operatórias ou mágicas. A psicogênese da alfabetização é um tratado sobre as hipóteses cognitivas e os conflitos presentes nos níveis intermediários do processo de construção da escrita e da leitura pela criança. O nível silábico-alfabético é exemplo típico: já apresenta as características do nível alfabético (sílabas de consoantes e vogais), mas ainda conserva as características da escrita silábica (uma letra para cada som). a passagem se completa pela tomada de consciência, principalmente em situações de grupo ou nas atividades interindividuais, em que o outro desempenha um papel mediador fundamental.

-“Esquema é aquilo que é generalizável numa determinada ação” (Piaget). É a estrutura sensório-motora e operatória pela qual o sujeito se adapta ao meio e o organiza. É uma estrutura variável que se adapta e se modifica com o desenvolvimento. Na qualidade de mediadores, os esquemas são as pequenas estruturas ou unidades celulares de respostas que permitem generalizar uma determinada ação. Pelo esquema de ver, a criança assimila o mundo, as cores, os movimentos.

Desde o início do desenvolvimento, a criança apresenta um certo número de esquemas. Diante de um objeto novo, ela tenta assimilá-lo a determinado esquema que possui.

-Três tipos de conhecimento. Produto do processo de construção, o conhecimento propriamente dito pode ser, de acordo com Piaget, de três tipos. A prática pedagógica no Brasil deixa muito a desejar porque ainda não equacionou esses três tipos de conhecimento. Esse é um aspecto das contribuições de Piaget pouco divulgado em nosso meio.

  • Conhecimentos físicos – construídos pela experiência física, são características descobertas pelo aluno no objeto da aprendizagem.

  • Conhecimentos lógico-matemáticos – construídos pela reflexão lógico-matemática ou metacognitiva, são conhecimentos dos nexos lógicos e explicativos.

  • Conhecimentos social-arbitrários – construídos na interação social, são transmitidos por outros e constituem-se das convenções sociais: valores, costumes, leis, artes etc.

A formação de conceitos é fundamental em qualquer teoria de conhecimento. No construtivismo, tanto o desenvolvimento como a aprendizagem expressam-se por conceitos:

  • A formação das representações mentais;

  • A formação dos conceitos espontâneos e dos científicos.

A terceira parte da obra, Integração do construtivismo, é composta pelos capítulos oito,nove e dez, que ratam do interacionismo, da dialética e da didática fundamental como fatores de integração do construtivismo.

O capítulo oito inicia com um conceito de razão dialética de Wachowicz: a lógica da totalidade é que conduz o pensamento ao conceito da razão, que se interpõe nas contradições e as supera. Continua, dizendo que o sistema de ensino vive atualmente momento de indefinição, ou seja, trata-se de uma situação de falta de identidade e de confusão, apresentando uma situação de superficialidade, muita divisão e extremismos. O pensamento e as decisões são norteados pelo princípio de ou isto ou aquilo e não de isto e aquilo. O pensamento é exclusivista; o que comanda é a divisão dicotômica e maniqueísta do mundo e dos objetos., sendo que as maiores divisões se encontram entre teoria e prática, técnico e político, planejamento e execução etc. Tudo é compartimentado ou atomizado.

Essa tendência de dividir e separar atinge também o construtivismo. Há defensores ferrenhos das contribuições de Vygotsky, chamadas de sócio-construtivistas, que se opõem às contribuições de Piaget, chamadas de construtivistas. Umas e outras são tratadas como se nada tivessem entre si, como se fossem correntes distintas e inconfundíveis. Isso acaba por levar a distorções na prática pedagógica.

Para avançar na teoria e na prática e ser um corpo teórico capaz de contribuir positivamente para o ensino, o próprio construtivismo precisa integrar as diferentes contribuições dos vários autores, uma vez que tal divisão é simples reflexo do pensamento de cunho maniqueísta e essencialista. Não faz parte da característica do construtivismo, que é interacionista, sistema epistemológico que admite que o conhecimento não provém só dos objetos externos nem só do sujeito (da razão interna), mas da interação entre o sujeito e o objeto. Piaget, Vygotsky e Wallon são interacionistas. e seus ensinamentos se integram.

Interacionismo como integração. O interacionismo é uma grande base para a integração de Piaget, Vygotsky e Wallon, pois os três concordam que o desenvolvimento e a aprendizagem não são resultantes só dos estímulos externos (objetos), nem só da produção da razão (sujeito), mas fruto da interação dos dois, sujeito e objeto. No interacionismo cada um dos pólos – sujeito e objeto – entra com a sua parte: o sujeito entra com a ”forma” de pensamento e o objeto, com o “conteúdo” da matéria. A síntese da ação dos dois é que produz, por construção, tanto a mente quanto o conhecimento.

A lógica dialética como critério de integração. São dialéticos esses três autores que dão base para a formulação do construtivismo sócio-histórico. O modo dialético de pensar, como diz Antonio Severino, compreende a realidade e o conhecimento de maneira radicalmente histórica. A própria realidade é constituída pelo processo histórico, resultante, a cada momento, de várias determinações e submetido a um movimento provocado por forças contraditórias. O cerne e a razão de tudo isso é o movimento, que produz contínua transformação e mudança incessante, mas também é provocado; a força que o desencadeia é a contradição. Cada ser tem seu contrário, a sua negação, e esse conflito é que provoca o movimento. “Por isso todas elas (as coisas) são atravessadas por um conflito interno, que as obriga a mudar, passando sempre por um momento de afirmação, por um momento de superação, cada um deles se posicionando em relação ao seu anterior. É a famosa concepção da tríade dialética: a tese, a antítese e a síntese.” (Severino, Filosofia, p.135.)

A dialética, através de suas cinco leis: 1- Lei da interação universal; 2- Lei do movimento universal; 3- Lei da unidade dos contrários; 4- Lei da transformação da quantidade em qualidade; 5- Lei do desenvolvimento em espiral (da superação ou da negação), possibilita a integração dos construtivistas, o que favorece a formulação de uma teoria passível de ser aplicada à educação.

O capítulo nove: Didática fundamental: integração do construtivismo

A didática trata da questão do método no que concerne ao campo específico do ensino e ao nível específico do saber. Vale dizer, não da ciência enquanto investigação e exposição, mas do saber enquanto ação que se apropria do conhecimento acumulado. (Wachowicz)

Não sendo teoria nem método pedagógico, o construtivismo não se aplica diretamente ao ensino; então, essa aplicação só pode se dar pela mediação de uma pedagogia que vai alinhar e integrar diferentes contribuições. Assim, ao lado da teoria interacionista de construção dos conhecimentos e da dialética, a pedagogia é tomada como critério de integração do construtivismo e da didática fundamental, segundo a qual, como fenômeno social, o ensino não se enquadra na dimensão técnica apenas.nessa linha de pensamento, a didática instrumental, que privilegiava apenas a dimensão técnica, nunca conseguiu êxito definitivo pelas próprias limitações.

A revisão da didática instrumental, incluindo a didática de Comênio, está ensejando o aparecimento de uma nova didática, a didática fundamental, que apresenta características mais abrangentes que a didática instrumental e tradicional, com as seguintes características: - situada no tempo e no espaço, contextualizada, comprometida com a libertação e com a transformação social; historicizada; multidimensional: humana, técnica e político-social; considera as pesquisas e a realidade do aluno; coloca-se no papel mediador de conhecimentos; desmitifica-se ou desideologiza métodos e técnicas de ensino, questionando “como fazer”, “por que fazer”, “a quem serve”, “qual a intenção”, entendendo que a preocupação com a eficiência não deve ser vista como utilização de meios e técnicas sofisticadas. Pelo contrário, trata-se de partir das condições reais em que se desenvolve o ensino em nossas escolas e buscar formas de intervenção simples e viáveis.

A didática fundamental baseia-se na razão crítica:”... a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais , políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza, a sociedade e a cultura.” (Marilena Chauí, Convite à Filosofia, p.50)

Multidimensinoalidade do processo ensino-aprendizagem. Não cabe privilegiar apenas a dimensão técnica; é necessário considerar também as dimensões humana e político-social. A aquisição ou construção do conhecimento é um fenômeno humano extremamente complexo e multidimensional. Como diz Emilia Ferreiro, o sujeito que busca adquirir conhecimentos procura ativamente compreender o mundo que o rodeia, resolver as interrogações que ele provoca, aprender basicamente através de suas próprias ações sobre objetos, construir suas próprias estruturas mentais e organizar o seu mundo.

A partir dessa característica, a alfabetização, por exemplo, está sendo focalizada do ponto de vista político-social, da psicogênese, da psicolingüística, da sociolingüística e da própria lingüística.

Em suma, o construtivismo é uma construção científica; como tal, é nomotético, isto é, procura extrair leis explicativas dos fenômenos, sem se preocupar com a aplicação prática. Por isso não é certo e, na verdade, não é possível aplicar o construtivismo diretamente ao ensino. A pedagogia, ao contrário, é uma ciência normativa ou prescritiva, isto é, preocupada com a aplicação de uma determinada teoria ao ensino; ela se alimenta de outras teorias. Assim, para aplicar o construtivismo ao ensino, é necessário recorrer a uma pedagogia. O construtivismo é aberto e tem características multidimensionais, portanto não se enquadra nos limites da didática instrumental. Felizmente a crítica da didática instrumental está produzindo uma nova didática, a fundamental, que é aberta, crítica e multidimensional, com princípios e características que se afinam com o construtivismo.

O capítulo dez tem por objetivo firmar algumas Idéias centrais do livro e mostra que a linha mestra do trabalho é a forma como se dá a construção histórica da mente e dos conhecimentos. O aluno é o sujeito da interação com o objeto de conhecimento, juntamente com outros sujeitos, em situação de dialogicidade. Ele vivencia a sua área de desenvolvimento proximal, assimila o mundo histórico por internalização e se acomoda a esse mundo para formar o seu universo de significação. Tudo começou com Piaget e seus estudos zoológicos,feitos com um tipo de caracol muito comum em Genebra, onde sua tese de doutoramento foi defendida, em 1818. Ele afirma que as duas formas do caracol se devem a um processo histórico de construção e fixação de estruturas genéticas que obedecem às leis de Mendel.

A partir da idéia central de construção histórica da mente e dos conhecimentos, alinham-se os conceitos mais importantes do construtivismo.

Definição. O construtivismo:

  • filosoficamente, é transformista e relacionista; não é fixista nem essencialista;

  • epistemologicamente, é uma teoria interacionista e histórica de conhecimento; não é racionalista nem empirista

  • psicologicamente, é uma teoria cognitivista que tem por objeto a psicogênese da inteligência e dos conhecimentos e, por método, o método clínico-crítico;

  • politicamente, é um compromisso democrático e de transformação social.

Conteúdo- Incluem-se, como conteúdos do construtivismo, o processo de construção e o produto.

Processo de construção: a aprendizagem. O construtivismo tem um conteúdo dinâmico e dialético de funcionamento, o processo de construção, que Piaget chama de invariantes funcionais. São elas:

  • interação sujeito-objeto numa estrutura única bipolar como fonte geradora de conhecimentos;

  • equilibração como processo central;

  • adaptação , assimilação/acomodação e organização;

  • experiência e abstração – passagem da ação para a conceituação.

A quarta e última parte da obra é composta pelos capítulos onze a quinze e trata da aplicação do construtivismo sócio-histórico ao ensino.

No capítulo Um procedimento didático-construtivista para um método construtivista, além da valorização do ambiente e do conteúdo curricular, há o resgate da figura do professor, que havia sido descaracterizada e esvaziada pelas pedagogias escola-novista e tecnicista. No construtivismo, seu papel é o de mediador de conhecimento.

O ato de mediar pressupõe a existência de algo que está em processo. No construtivismo, o que está em processo é o pensamento que se movimenta da ação para a conceituação, de conceitos espontâneos para conceitos científicos; a mediação é o elo entre o aluno e a matéria, o que confirma o papel do professor.

Qualquer que seja um futuro método construtivista, não fugirá muito do método clínico-crítico utilizado por Piaget e seus discípulos e que se baseia no interrogatório.

Matui resume o procedimento didático-construtivista parafraseando Piaget: o bom professor construtivista é aquele que identifica o pensamento do aluno numa atividade e, em seguida, sabe acompanhar o percurso desse pensamento através do levantamento de hipóteses explicativas, testando-as mediante interrogatório.

Tal procedimento apresenta perigos, como: o educador dominar a conversação, inibindo o educando; aceitar toda e qualquer resposta como válida ou o inverso:não aceitar nenhuma resposta.

Como características do procedimento didático-construtivista são relacionadas

  • valorização das atividades e ambientes nos quais ocorre o pensamento; -valor pedagógico dos erros e da avaliação;

  • exercício de mediação e da intervenção do professor.

Concluindo o capítulo, um quadro sintetiza os cinco tipos de respostas identificados por Piaget

1- Não-importaquismo 2- Fabulação 3- Resposta sugerida 4- Resposta desencadeada e

5- Resposta espontânea, dos quais apenas os dois últimos contêm o que realmente pensa a criança ou o adolescente.

O capítulo: “O papel do professor”, em busca de coerência com a multidimensionalidade da didática fundamental, analisa o papel do professor a partir da consideração da criança não só como ser real mas integral, nas dimensões cognitiva, motora, emocional e de personalidade.

O papel político-construtivista é o primeiro e o mais importante papel do professor, uma vez que , politicamente, o construtivismo sócio-histórico não se declara neutro nem puro, mas comprometido com a mudança social, com a formação do cidadão, considerando que o povo não conseguirá superar as inúmeras barreiras sem o envolvimento das escolas e dos professores em suas causas.

A visão interacionista da construção da mente e do conhecimento é fundamental para o papel do professor como promotor da interação aluno/objeto de conhecimento. O que o professor fizer – montagem do ambiente, atividades pedagógicas, intervenções mediadoras, questionamentos e conversações dialógicas-, se não resultar na interação do aluno com o objeto de aprendizagem e vice-versa, nada acontecerá de ação construtivista.

A prática construtivista não é autoritária; não impinge conhecimentos de fora para dentro, por estimulação, mas parte do princípio de que o aluno constrói o conhecimento antes, durante e depois da escola. A escola, no entanto, propicia a construção de conceitos científicos, ou seja, favorece a passagem dos conceitos espontâneos da infância e do grupo social para os conceitos científicos e tecnológicos.

O construtivismo também não é espontaneísta, pois a construção precisa ser provocada, numa prática provocadora e desafiadora.

A escola lida com aprendizagem e esta é provocada. O papel do professor é encorajar o aluno através de atividades que lhe causem desequilíbrio ou o coloquem em ação., não só apresentando matéria e atividades, mas questionando, interrogando e fazendo o aluno pensar por comparação, seriação, classificação, causalidade, reversibilidade etc.

Como mediador, papel que resgata sua figura, o professor é um elo entre o educando e a matéria de conhecimento, interferindo no processo sem desviá-lo nem desvirtuá-lo. A interação aluno-conteúdo é um diálogo aluno-mundo mediatizado pelo professor e outras pessoas. A mediação é um dos grandes conceitos de Vygotsky e foi elaborado no contexto sócio-histórico, portanto da crítica dialética.

O professor é o representante do movimento de mudança social e das grandes aspirações da humanidade, refletidas na massa popular interessada em conhecer o “poder da verdade ”contra a “verdade do poder” e dos privilégios sociais. Simboliza a libertação do homem através da intermediação de conhecimentos científicos e tecnológicos para a efetivação do bem-estar social.

A mediação se dá da seguinte forma: o objeto de aprendizagem, que sempre é cultural, faz o seu desvelamento na teia de relações sociais; através delas, o aluno entra em interação com o objeto de conhecimento, juntamente com os colegas e o professor. Além de tal mediação, também se destaca a mediação da palavra,- que indica ou mostra o objeto, quando ele está presente, nomeando-o e definindo-o; é a função lexical;- que substitui o objeto na sua ausência, desempenhando a função simbólica de representação, de “estar no lugar de...”

O erro é fundamental na construção do conhecimento e a postura construtivista perante ele é uma de suas marcas distintivas. O construtivismo não comete a “insanidade pura” de não corrigi-lo, mas “separa o joio do trigo”; coloca-o numa posição de destaque, não para ser condenado, mas para ser utilizado como importante mediador de aprendizagem, pois ninguém aprende sem errar. A equilibração por regulação se faz por tentativas e erros. A equilibração por coordenação de esquemas ocorre justamente porque houve erros na tentativa de assimilar por meio de um único esquema. Igualmente, a equilibração por compensação se baseia nos erros e nas faltas.

No livro são analisados três critérios de distinção dos erros:

1- o aluno possui a estrutura para a correta compreensão do problema, mas escolhe erradamente um procedimento de solução. Exemplo: se uma criança que já está na hipótese alfabética e sabe ler e escrever retornar numa escrita silábica, o professor deve, mediante interrogatório, fazer com que ela tome consciência do erro cometido;

2- o aluno possui estrutura em construção para a tarefa específica e comete erro no procedimento de solução. Neste caso, o erro é construtivo. Como a criança não tem percepção completa do problema, só lhe resta proceder por tentativa e erro, fazendo correções em suas estratégias em função de êxitos e fracassos da ação efetivamente realizada. O erro é mediador da aprendizagem;

3- o aluno não possui estrutura necessária para a tarefa e, por isso, erra sistematicamente no procedimento. ”Este é o caso onde se depara com os limites da estrutura cognitiva, ou seja, com erros sistemáticos, dado que sem o entendimento da tarefa não há como selecionar procedimentos de ação adequados à realização da mesma . O professor não pode criar no aluno a estrutura que lhe falta, mas deve criar um ambiente propício ao diálogo, que desafie o aluno a justificar e demonstrar as razões pela quais adotou um dado padrão de ação. Portanto é função da escola levar o aluno a refletir sobre “os porquês e os comos da ação”(Lino de Macedo, citado por Davis e Espósito)

Os erros, para o construtivismo, deixaram de ser só indício de uma dificuldade ou de uma incapacidade, passando a ser reveladores de uma lógica infantil irredutível à lógica adulta.

“O erro é fecundo e positivo porque tem um lugar no mecanismo produtivo de conhecimento, (...) apresenta um papel construtivo na aquisição de conhecimentos” (Castorina,Psicologia genética, p.33)

O interrogatório crítico é outro procedimento didático que vem se destacando como marca no construtivismo, definindo o papel do professor que, através dele, pode identificar e acompanhar as idéias e hipóteses dos alunos, auxiliando-os na passagem da ação para a conceituação.

O professor construtivista é aquele que assume o papel de criador de atividades, passando pela reorganização do ambiente e de seus elementos e pela necessidade de contextualização social dessas atividades. O autor alerta para o perigo do ativismo, um dos grandes males do ensino nos últimos anos, quando há verdadeiro festival de atividades, novas ou reaproveitadas, pois, se as atividades não levarem ao trabalho operativo da reconstrução dos conhecimentos físicos no plano da reflexão e abstração, isto é, a metacognição, elas ficam só a meio caminho.Recomenda-se a catarse (purificação, purgação) de Gramsci na passagem da ação para a conceituação. É aquilo que as atividades devem propiciar. “O processo catártico coincide com a cadeia de sínteses que resultam do desenvolvimento dialético”. (Gramsci, Concepção dialética da história, p.53).

No capítulo A aula construtivista, o autor trata de dois planos ou níveis da ação do professor:- as atividades e - a metacognição. Esses dois planos de ação docente correspondem aos dois planos do movimento do pensamento: “da ação para a conceituação”. As atividades correspondem à ação e buscarão o conhecimento físico mediante experiência e abstração físicas; a metacognição corresponde à conceituação e buscará não só a finalização dos conhecimentos, mas principalmente aquilo que Piaget chama de conhecimentos verdadeiros : as leis e explicações lógicas. Esses dois planos não são estanques, mas interpenetráveis e essencialmente reversíveis: o pensamento vai e volta de um plano para outro. Por isso é indispensável que o professor saiba “por onde começar”, “como desenvolver as atividades” e “como terminar”.

Método da prática social de Saviani

Dermeval Saviani, o grande iniciador e impulsionador do movimento histórico-crítico da educação no Brasil, formulou um método didático com a evidente intenção de superar os métodos tradicional e escola-novista. Chamado de método de prática social de Saviani, pode ser adotado pelo construtivismo sócio-histórico, que assim superaria a pecha de uma teoria sem método. Tal método possui cinco passos:

1º- início na prática social – perceber e denotar. A prática social, de onde parte o método, é tanto do aluno (a da sua comunidade: o modo de encarar a vida, os problemas e o conhecimento), quanto do professor (a da sua classe social e a do cotidiano da escola, que lhe oferecem uma síntese precária de compreensão do aluno e seus conhecimentos) Saviani diz que o aluno traz um “saber sincrético”, do senso comum e sem nexos lógicos, e o professor um saber de “síntese precária” Lilian Wachowicz entende que o papel de iniciar com a prática social consiste em “perceber e denotar”, isto é, identificar o objeto da aprendizagem e lhe dar significação;

2º- problematização – intuir e conotar. Ligados a sentir as tendências ou direções da comunidade, prevendo futuros problemas e emitindo juízos de valor ou de qualidade.;

3º- instrumentalização – apropriar. Favorecer a apropriação, pelos alunos, do saber colocado pela escola.; apropriação do patrimônio cultural pelo aluno. Para superar o senso comum e resolver as contradições postas pela prática social, o aluno deve se instrumentalizar com novos conhecimentos e técnicas;

4º- catarse – “raciocinar e criticar”, significando passagem da ação para a conceituação. É o passo de maior transformação do próprio pensamento e dos conhecimentos, quando se realiza a atividade metacognitiva de “pensar a palavra” ou de promover o “discurso interior” e, com isso, a construção (reconstrução) do conhecimento no pensamento e pelo pensamento. A catarse implica a passagem; - do puramente econômico para o ético-político; - do “abstrato” para o “concreto”; - da necessidade para a liberdade; - do inconsciente para o consciente;

5º- retorno à prática social- transformar. Não é simples aplicação, como na pedagogia tradicional, nem comprovação pela experimentação, como na pedagogia da escola-nova, mas retorno à prática social da comunidade ou do grupo a que o aluno pertence. E ele retorna, não com o saber “sincrético”, caótico e confuso, mas com um saber “concreto”, pensado, constituído de relações múltiplas e determinações complexas.

A aula construtivista compreende dois planos ou níveis de ação do professor: as atividades e a metacognição, tendo o movimento dialético do pensamento como modelo. Para saber por onde começar, como desenvolver e como terminar, foram tomados os passos do método de prática social de Saviani, assim distribuídos:

Atividades:

  • partir da prática social;

  • problematizar;

  • instrumentalizar.

  • metacognição: - catarse;

  • retorno à prática social. (ex:p.203).

A alfabetização- A aprendizagem da leitura e da escrita não começa nem termina no primeiro ano escola: começou antes de as crianças ingressarem na escola primária e irá continuar nos anos posteriores. (Kaufman). Processo multidimensional, complexo, a alfabetização tem sido vítima de abordagens simplistas e formalistas da didática instrumental, o que tem trazido frustrações aos professores brasileiros.

A criança constrói uma série de esquemas conceituais que não podem ser atribuídas à influência do meio. São idéias próprias que ela testa e se refletem no nível das operações mentais. Enfim, é na cabeça da criança que se dá a alfabetização.

Jussara Hoffmann diz ser necessário, numa produção de texto, que o professor dê um retorno do desempenho do aluno e o coloque em relação direta com aspectos pertinentes, para que não haja uso reincidente de expressões inadequadas, problemas de construção de frases, idéias pouco desenvolvidas, e sim o aprimoramento da atividade, desenvolvendo-se ações educativas desafiadoras que venham contribuir, elucidar, favorecer a troca de idéias, a reconstrução de frases.

A alfabetização também deve passar pelos dois planos ou níveis da ação do professor: atividades e metacognição.

Por atividades compreende-se a ação do plano A. A escrita é produto cultural e ocorre na prática social, onde o aluno vivencia interpessoalmente a linguagem, a leitura, a escrita.

As atividades de alfabetização consistem em criar um ambiente para a vivência interpessoal do aluno em assuntos de oralidade, leitura e escrita, na sala de aula. Dessa forma, o estudante estabelece a interação com a escrita para a descoberta das características físicas do texto. A criança aprimora os sentidos e a observação atenta, faz uso dos amplificadores culturais e desenvolve as atividades de estudo.

Por metacognição compreende-se as atividades de internalização, ou seja, as atividades intrapessoais ou intrapsicológicas, segundo Vygotsky. Nesse patamar do plano B de construção de conhecimentos, a interação do sujeito com a língua e a escrita é realizada em nível operatório ou metacognitivo. O material caótico, confuso e sem determinações de nexos lógicos é transportado para o plano B, onde se realiza a ‘ação sobre a ação” (Piaget), “experiência de experiência”, “pensar a palavra” ou “discurso interior”. (Vygotsky)

Ocorre o seguinte:

1- As atividades de leitura e escrita, que inicialmente eram executadas no plano da prática social, em situação de dialogicidade, são internalizadas ou começam a ocorrer internamente e são reconstruídas em nível mental (lógico);

2- Um processo interpessoal é transformado em processo intrapessoal: o que era executado em nível social entre pessoas passa a ser executado no interior da pessoa;

3- Essa passagem é o resultado de uma longa série de eventos ocorridos ao longo do desenvolvimento do indivíduo.

Na aula de alfabetização, o professor, também, vale-se dos passos contidos no método de prática social de Saviani.

No último capítulo, A avaliação construtivista, Matui diz que a avaliação é o último recurso da escola tradicional e tecnicista. Sendo a parte mais legalizável do ensino, confere legitimidade a toda prática social da escola tradicionalista.; nela o docente encontra apoio para o resto de autoritarismo que ele ainda traz.

Numa época de democratização do ensino e socialização do saber, como a atual, não se tolera mais uma avaliação arbitrária, discricionária e reprodutora das diferenças sociais.

O item que trata da Prática social de avaliação tradicional traz à tona a prática social dos professores em relação à avaliação do aproveitamento escolar. Vigora uma “pedagogia de exames” que faz com que todas as atividades girem em torno de provas. Além da avaliação classificatória, há um “contrabando de transformação da qualidade em quantidade” que favorece os alunos das classes média e alta.

A avaliação diagnóstica, primeira tentativa bem sucedida a se contrapor à avaliação classificatória, traz contribuições marcantes, como idéia de diagnóstico, avaliação como decisão e o compromisso político de avaliação democrática.

A avaliação mediadora é uma sistematização verdadeiramente construtivista: é uma dinamização das oportunidades de ação-reflexão, um acompanhamento permanente do professor, uma prática para desafiar o aluno e uma forma de compreender suas dificuldades e o seu processo de cognição. Seu objetivo é promover a construção e a organização do conhecimento. Assume seu verdadeiro papel quando trata dos erros, tomando-os como meio de construção dos conhecimentos e não como faltas graves a condenar.

Perpassando todas as formas de avaliação e toda a prática construtivista, a avaliação diagnóstica se baseia na aplicação dos princípios do método clínico-crítico utilizado por Piaget.

A avaliação dialógica permite identificar as respostas verdadeiras e as não-verdadeiras. É o diálogo (fundamentalmente interação do sujeito com o mundo) que assegura o caráter aberto do construtivismo, bem como a sua dialética. A avaliação dialógica subsidia tanto a avaliação diagnóstica como a mediadora e está destinada a marcar uma mudança na educação, juntamente com o próprio construtivismo.

Comentários

Como experiente professor universitário e formador de professores na rede de ensino do Estado de São Paulo, Jiron Matui desenvolve brilhantemente o tema, alicerçado em suas bem sucedidas formação acadêmica e prática profissional.

Transitando com clareza e propriedade por todos os aspectos da teoria construtivista, valoriza a psicogênese da alfabetização, “a locomotiva que está puxando o construtivismo”.

A obra apresenta-se como rico instrumento para estudo da psicologia genética de Piaget, bem como para a comparação de suas contribuições com as de Vygotsky, principalmente, e de Wallon, em alguns aspectos.

É um trabalho extremamente relevante para todos os que se dedicam à educação, pois contrapõe características da anacrônica escola tradicional aos atributos do construtivismo sócio-histórico, postura pedagógica na qual o professor precisa assumir o novo papel que lhe cabe, o papel político-construtivista, de mediador entre o sujeito e o objeto; de quem compreende adequadamente o erro e o utiliza como mediador de aprendizagem; de criador de atividades, que reorganiza o ambiente e seus elementos.

Enfim, por seu caráter didático, estilo claro e direto, riqueza de conteúdo aliando teoria e prática, o livro “Construtivismo – teoria construtivista sócio-histórica aplicada ao ensino” pode ser recomendado aos educadores de forma geral.


Joana Maria Rodrigues Di Santo é Psicopedagoga experiente, com atuação significativa em Psicopedagogia Institucional, supervisora aposentada do Município de São Paulo, mestre em Educação, professora nos cursos de Pedagogia, História e Geografia do Centro Universitário SANT' ANNA, profere palestras e presta assessoria e consultoria a diversas escolas na capital e interior do Estado.

http://www.centrorefeducacional.pro.br/tershaco.htm


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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Curso: Redação em português. (parte 5 de 12).


5. A criatividade do parágrafo.

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A criatividade é muito importante para desenvolver qualquer atividade. No que diz respeito à escrita, para criar um parágrafo é necessário que os estudantes saibam o conceito de parágrafo, para depois começar a construir um texto. Eles se perguntarão como iniciar as unidades do texto, já que unidade é quando alguém escreve uma coisa de cada vez. Quem tem a resposta é Bernardo que disse que para começar a escrita, deve-se iniciar pelo tema, que servirá para compreender e refletir sobre o assunto, para depois perguntar à nossa consciência: por que o professor colocou esse tema? E também, que acho disso?
Então, já que o aluno resolveu sobre determinada idéia principal, ele tem que saber as diferentes combinações de como formar o parágrafo. Segundo Viana, et. al (1998, p,62-65), há dois tipos de estruturas: simples e mistas; estas, fazem harmonizar a idéia principal de cada parágrafo. Isto nos ajudará a ter coerência e coesão.
A estrutura simples tem várias técnicas que são: retomada da palavra-chave; por encadeamento; por divisão; por recorte. A primeira, que é a retomada da palavra-chave, o aluno escolhe um vocábulo da idéia principal, através desta palavra é retomada na seguinte frase em relação à frase anterior e assim sucessivamente. Estas frases sempre estarão retomadas pelas seguintes sem repeti-las. Se não se encontra palavra para substituir, pode se colocar o mesmo vocábulo, mas sempre somando novas informações.
Mostrando num esquema:
Palavra-chave dentro do tema recuperar por coesão a cada frase
A segunda técnica seria por encadeamento. Encadear significa formar cadeia ou série, ou seja, é como se houvesse uma corrida de reversão, em que o segundo período leva para frente um vocábulo do primeiro, o terceiro do segundo; até chegar ao final do parágrafo. Este método é importante, porque se pode escrever à vontade até onde achar necessário. A escolha do vocábulo a ser escrito é pessoal, pois cada palavra escolhida do período é uma opção do autor que está escrevendo.
Mostrando um esquema:
Frase2à frase1; frase3 à frase2; frase4 à frase3. E assim sucessivamente.
Outra técnica é por divisão. Divisão significa separar partes; isto funciona assim: para separar os vocábulos do primeiro parágrafo que se desenvolve o raciocínio em duas partes, para depois, explicá-las no seguinte parágrafo, seja no mesmo parágrafo ou diferentes. Pode colocar as expressões como: em primeiro lugar...em segundo...por último; por um lado...por outro lado. Na frase seguinte, explica os detalhes de cada um, e por último, finaliza o tema. Mostrando o esquema:
No final do primeiro parágrafo citar os dois vocábulos divisão das duas palavras em parágrafos diferentes ou frases Frase 3 escreve detalhes frase 4 finaliza o assunto.
Outra técnica é por recorte. Neste método tem uma palavra que nos leva a interpretar vários pontos de vista. Para isso, escolhe-se um ponto de vista para ser trabalhado; daí, usam-se exemplos para confirmar o ângulo, para depois concluir.
Mostrando o esquema:
Palavra generalizada, na frase 1 recorte-se num ângulo, na frase 2 nas seguintes frases pôr exemplos na última frase se conclui.
Por último, a estrutura mista, que é uma combinação das anteriores: pode ser uma retomada da palavra-chave no primeiro, segundo, terceiro, para depois mudar para encadeamento ou por divisão depois mudar para recorte. O mais importante é não perder a seqüência do parágrafo.
Eis, em síntese, o que você deve observar para escrever um parágrafo:
Um parágrafo é formado por vários períodos. Dentro das orações deve haver unidade, para formar um todo, já que, em cada um, se colocará um tema e uma palavra-chave de peso. Se essa idéia principal fosse vaga, confundiria cada unidade de pensamento. Também se deve evitar palavras soltas, sem coesão com o assunto, pois quando se exploram vários pensamentos, a produção de textos fica incoerente.
Um exemplo do livro Redação Inquieta aclarará como autor montou o parágrafo. Segundo Bernardo (2000, p, 40),
"Escrever compromete mais ainda do que falar. Porque marca. Porque corre de boca em boca, de olho em olho, à revelia de quem escreveu. Escrever é um contrato com a verdade (ou com a mentira); um contrato com o outro e consigo mesmo. Escreveu, não leu, pau comeu - como dizem".
Com este exemplo, responder as perguntas seguintes:
1. Quantos períodos se utilizou? R: 5 2. Todos eles referem-se ao tema? R: sim 3. Qual é a palavra de peso? R: Escrever 4. Qual dos períodos dá melhor sentido do parágrafo? R: O primeiro, que é o tema. 5. Os demais períodos referem-se ao tema? Como? R: Sim, o segundo, porque dá explicação da importância de escrever. O terceiro e quarto explica porque marca o que o autor quer expressar para os outros ou para si mesmo. No quinto, quem não se informa e não lê, na hora de escrever pode errar muita coisa. Este é um exemplo de como o escritor foi perfeito na idéia principal. Assim, outros autores podem orientar-se na estrutura no parágrafo, que depende do estilo.


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PLANEJAMENTO EM EDUCAÇÃO.


FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

O PLANEJAMENTO EM EDUCAÇÃO: REVISANDO CONCEITOS PARA MUDAR CONCEPÇÕES E PRÁTICAS
Maria Adelia Teixeira Baffi Petrópolis, 2002. Pedagoga - PUC-RJ. Mestre em Educação - UFRJ Doutoranda em Pedagogia Social - UNED Profª Titular - FE/UCP
O ato de planejar faz parte da história do ser humano, pois o desejo de transformar sonhos em realidade objetiva é uma preocupação marcante de toda pessoa. Em nosso dia-a-dia, sempre estamos enfrentando situações que necessitam de planejamento, mas nem sempre as nossas atividades diárias são delineadas em etapas concretas da ação, uma vez que já pertencem ao contexto de nossa rotina. Entretanto, para a realização de atividades que não estão inseridas em nosso cotidiano, usamos os processos racionais para alcançar o que desejamos. As idéias que envolvem o planejamento são amplamente discutidas nos dias atuais, mas um dos complicadores para o exercício da prática de planejar parece ser a compreensão de conceitos e o uso adequado dos mesmos. Assim sendo, o objetivo deste texto é procurar explicitar o significado básico de termos, tais como planejamento, plano, programa, projeto, plano estratégico plano operacional, e outros, visando a dar espaço para que o leitor possa estabelecer as relações entre eles, a partir de experiências pessoais e profissionais. Cabe ressaltar que, neste breve texto, não se pretende abordar todos os níveis de planejamento, mesmo porque, como aponta Gandin (2001, p. 83),
é impossível enumerar todos tipos e níveis de planejamento necessários à atividade humana. Sobretudo porque, sendo a pessoa humana condenada, por sua racionalidade, a realizar algum tipo de planejamento, está sempre ensaiando processos de transformar suas idéias em realidade. Embora não o faça de maneira consciente e eficaz, a pessoa humana possui uma estrutura básica que a leva a divisar o futuro, a analisar a realidade a propor ações e atitudes para transformá-la.


PLANEJAMENTO É 1. Planejamento é processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre recursos e objetivos, visando ao melhor funcionamento de empresas, instituições, setores de trabalho, organizações grupais e outras atividades humanas. O ato de planejar é sempre processo de reflexão, de tomada de decisão sobre a ação; processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis, visando à concretização de objetivos, em prazos determinados e etapas definidas, a partir dos resultados das avaliações (PADILHA, 2001, p. 30). 2. Planejar, em sentido amplo, é um processo que "visa a dar respostas a um problema, estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação, de modo a atingir objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro", mas considerando as condições do presente, as experiências do passado, os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico, cultural, econômico e político de quem planeja e com quem se planeja. (idem, 2001, p. 63). Planejar é uma atividade que está dentro da educação, visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação, prever o futuro, estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução da ação educativa, prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. 3. Planejamento Educacional é "processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá', tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade, quanto as do indivíduo" (PARRA apud SANT'ANNA et al, 1995, p. 14). Para Vasconcellos (1995, p. 53), "o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar), correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional, estadual e municipal", incorporando as políticas educacionais. 4. Planejamento Curricular é o "processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". Portanto, essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola, pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante, através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS, 1995, p. 56). 5. Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores, no cotidiano de seu trabalho pedagógico, envolvendo as ações e situações, em constante interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos (PADILHA, 2001, p. 33). Na opinião de Sant'Anna et al (1995, p. 19), esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno, na situação de ensino-aprendizagem". 6. Planejamento Escolar é o planejamento global da escola, envolvendo o processo de reflexão, de decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. "É um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO, 1992, p. 221). 7. Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê", "para quem" e também com "o quê". A preocupação central é definir fins, buscar conceber visões globalizantes e de eficácia; serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação, em médio prazo e/ou longo prazo. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN, 1994, p. 55). 8. No Planejamento Operacional, a preocupação é responder as perguntas "o quê", "como" e "com quê", tratando prioritariamente dos meios. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica, os instrumentos, centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. Tem sua expressão nos programas e, mais especificamente, nos projetos, sendo sobretudo tarefa de administradores, onde a ênfase é o presente, momento de execução para solucionar problemas (idem.).
PLANO É 1. Plano é um documento utilizado para o registro de decisões do tipo: o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com que fazer, com quem fazer. Para existir plano é necessária a discussão sobre fins e objetivos, culminando com a definição dos mesmos, pois somente desse modo é que se pode responder as questões indicadas acima. O plano é a "apresentação sistematizada e justificada das decisões tomadas relativas à ação a realizar" (FERREIRA apud PADILHA, 2001, p. 36). Plano tem a conotação de produto do planejamento. Plano é um guia e tem a função de orientar a prática, partindo da própria prática e, portanto, não pode ser um documento rígido e absoluto. Ele é a formalização dos diferentes momentos do processo de planejar que, por sua vez, envolve desafios e contradições (FUSARI, op. cit.). 2. Plano Nacional de Educação é "onde se reflete toda a política educacional de um povo, inserido no contexto histórico, que é desenvolvida a longo, médio ou curto prazo" (MEEGOLLA; SANT'ANNA, 1993, p. 48). 3. Plano Escolar é onde são registrados os resultados do planejamento da educação escolar. "É o documento mais global; expressa orientações gerais que sintetizam, de um lado, as ligações do projeto pedagógico da escola com os planos de ensino propriamente ditos" (LIBÂNEO, 1993, p. 225). 4. Plano de Curso é a organização de um conjunto de matérias que vão ser ensinadas e desenvolvidas em uma instituição educacional, durante o período de duração de um curso. Segundo Vasconcellos (1995, p. 117), esse tipo de plano é a "sistematização da proposta geral de trabalho do professor naquela determinada disciplina ou área de estudo, numa dada realidade". 5. Plano de Ensino "é o plano de disciplinas, de unidades e experiências propostas pela escola, professores, alunos ou pela comunidade". Situa-se no nível bem mais específico e concreto em relação aos outros planos, pois define e operacionaliza toda a ação escolar existente no plano curricular da escola. (SANT'ANNA, 1993, p. 49).
PROJETO É 1. Projeto é também um documento produto do planejamento porque nele são registradas as decisões mais concretas de propostas futuristas. Trata-se de uma tendência natural e intencional do ser humano. Como o próprio nome indica, projetar é lançar para a frente, dando sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. Na opinião de Gadotti (apud Veiga, 2001, p. 18), Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função de promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores. 2. Projeto Pedagógico, segundo Vasconcellos (1995)
é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita re-significar a ação de todos os agentes da instituição (p.143).

Para Veiga (2001, p. 11) o projeto pedagógico deve apresentar as seguintes características: a) "ser processo participativo de decisões; b) preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições; c) explicitar princípios baseados na autonomia da escola, na solidariedade entre os agentes educativos e no estímulo à participação de todos no projeto comum e coletivo; d) conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer do trabalho educativo voltado para uma realidade específica; e) explicitar o compromisso com a formação do cidadão. f) nascer da própria realidade , tendo como suporte a explicitação das causas dos problemas e das situações nas quais tais problemas aparecem; g) ser exeqüível e prever as condições necessárias ao desenvolvimento e à avaliação; h) ser uma ação articulada de todos os envolvidos com a realidade da escola; i) ser construído continuamente, pois como produto, é também processo". 3. Projeto Político-Pedagógico da escola precisa ser entendido como uma maneira de situar-se num horizonte de possibilidades, a partir de respostas a perguntas tais como: "que educação se quer, que tipo de cidadão se deseja e para que projeto de sociedade?" (GADOTTI, 1994, P. 42). Dissociar a tarefa pedagógica do aspecto político é difícil, visto que o "educador é político enquanto educador, e o político é educador pelo próprio fato de ser político" (GADOTTI, FREIRE, GUIMARÃES, 2000, pp. 25-26). Falar da construção do projeto pedagógico é falar de planejamento no contexto de um processo participativo, onde o passo inicial é a elaboração do marco referencial, sendo este a luz que deverá iluminar o fazer das demais etapas. Alguns autores que tratam do planejamento, como por exemplo Moacir Gadotti, falam simplesmente em referencial, mas outros, como Danilo Gandin, distinguem nele três marcos: situacional, doutrinal e operativo.
PROGRAMA É 1. Padilha (2001), citando Bierrenbach, explica que um programa é "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores, num período de tempo definido" (p. 42). Gandin (1995) complementa dizendo que o programa, dentro de um plano, é o espaço onde são registradas as propostas de ação do planejador, visando a aproximar a realidade existente da realidade desejada. Desse modo, na elaboração de um programa é necessário considerar quatro dimensões: "a das ações concretas a realizar, a das orientações para toda a ação (atitudes, comportamentos), a das determinações gerais e a das atividades permanentes" (GANDIN, 1993, p. 36 e 1995, p. 104).
CONSTRUINDO UM CONCEITO DE PARTICIPAÇÃO A preocupação com a melhoria da qualidade da Educação levantou a necessidade de descentralização e democratização da gestão escolar e, consequentemente, participação tornou-se um conceito nuclear. Como aponta Lück et al. (1998), "o entendimento do conceito de gestão já pressupõe, em si, a idéia de participação, isto é, do trabalho associado de pessoas analisando situações, decidindo sobre seu encaminhamento e agir sobre elas em conjunto" (p.15). De acordo com a etimologia da palavra, participação origina-se do latim "participatio" (pars + in + actio) que significa ter parte na ação. Para ter parte na ação é necessário ter acesso ao agir e às decisões que orientam o agir. "Executar uma ação não significa ter parte, ou seja, responsabilidade sobre a ação. E só será sujeito da ação quem puder decidir sobre ela" (BENINCÁ, 1995, p. 14). Para Lück et al. (1998) a participação tem como característica fundamental a força de atuação consciente, pela qual os membros de uma unidade social (de um grupo, de uma equipe) reconhecem e assumem seu poder de exercer influência na determinação da dinâmica, da cultura da unidade social, a partir da competência e vontade de compreender, decidir e agir em conjunto. Trabalhar em conjunto, no sentido de formação de grupo, requer compreensão dos processos grupais para desenvolver competências que permitam realmente aprender com o outro e construir de forma participativa. Para Pichin-Rivière (1991) grupo é um "conjunto restrito de pessoas ligadas entre si por constantes de espaço e tempo, articuladas por sua mútua representação interna interatuando através de complexos mecanismos de assunção e atribuição de papéis, que se propõe de forma explícita ou implícita uma tarefa que constitui sua finalidade" (pp. 65-66). O que se diz explícito é justamente o observável, o concreto, mas abaixo dele está o que é implícito. Este é constituído de medos básicos (diante de mudanças, ora alternativas transformadoras ora resistência à mudança). Pichon-Rivière (ibdem) diz que a resistência à mudança é conseqüência dos medos básicos que são o "medo à perda" das estruturas existentes e "medo do ataque" frente às novas situações, nas quais a pessoa se sente insegura por falta de instrumentação. A partir desses breves comentários, pode-se compreender a importância do tão divulgado "momento de sensibilização" na implementação de planos, programas e projetos. Sensibilidade é "qualidade de ser sensível, faculdade de sentir, propriedade do organismo vivo de perceber as modificações do meio externo e interno e de reagir a elas de maneira adequada" (FERREIRA, s/d). Sensibilizar, portanto, é provocar e tornar a pessoa sensível; fazer com que ela participe de alguma coisa de forma inteira. Por outro lado, lembra Pichon-Riviére (1991) que "um grupo obtém uma adaptação ativa à realidade quando adquire insight, quando se torna consciente de certos aspectos de sua estrutura dinâmica. Em um grupo operativo, cada sujeito conhece e desempenha seu papel específico, de acordo com as leis da complementaridade" (p. 53). Com diz Libâneo (2001), a participação é fundamental por garantir a gestão democrática da escola, pois é assim que todos os envolvidos no processo educacional da instituição estarão presentes, tanto nas decisões e construções de propostas (planos, programas, projetos, ações, eventos) como no processo de implementação, acompanhamento e avaliação. Finalizando, cabe perguntar: como estamos trabalhando, no sentido do desenvolvimento de grupos operativos, onde cada sujeito, com sua subjetividade, possa contribuir na reconstrução de uma escola de que precisamos?
REFERÊNCIAS BENINCÁ, E. As origens do planejamento participativo no Brasil. Revista Educação - AEC, n. 26, jul./set. 1995. GADOTTI, M.; FREIRE, P.; GUIMARÃES, S. Pedagogia: diálogo e conflito. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2000. GANDIN, D. A prática do planejamento participativo. 2.ed. Petrópolis: Vozes, 1994. _________ . Planejamento como prática educativa. 7.ed. São Paulo: Loyola, 1994. _________ . Posição do planejamento participativo entre as ferramentas de intervenção na realidade. Currículo sem Fronteira, v.1, n. 1, jan./jun., 2001, pp. 81-95. LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão escolar: teoria e prática. 4. ed. Goiânia: Editora alternativa, 2001 LÜCK, H. Planejamento em orientação educacional. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 1991. PADILHA, R. P. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2001. PICHON-RIVIÈRE, E. O processo grupal. Trad. Marco Aurélio Fernandes. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. SANT'ANNA, F. M.; ENRICONE, D.; ANDRÉ, L.; TURRA, C. M. Planejamento de ensino e avaliação. 11. ed. Porto Alegre: Sagra / DC Luzzatto, 1995. VASCONCELLOS, C. S. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. São Paulo: Libertad, 1995. VEIGA, I. P. (Org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 13. ed. Campinas: Papirus, 2001.
Para referência desta página: BAFFI, Maria Adelia Teixeira. O planejamento em educação: revisando conceitos para mudar concepções e práticas. In.: BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em Foco, Petropólis, 2002. Disponível em: . Acesso em: dia mes ano.

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Planos de aulas, 1ª a 4ª séries e educação infantil níveis 1 a 3


Planos de aulas e atividades de lição de casa. Para os anos iniciais do ensino fundamental. E também para educação infantil.

1ª série.
1ª série matemática.
Ciências 1ª série.
Geografia 1ª série.
História 1ª série
Língua Portuguesa 1ª série.

2ª série.
Matemática 2ª série.
Ciências 2ª série.
Línguia Portuguesa 2ª série.
Geografia 2ª série.
História 2ª série.

3ª série.
Ciências 3ª série.
Geografia 3ª série.
História 3ª série.
Língua Portuguesa 3ª.
Matemática 3ª série.

4ª série.
Língua Portuguesa 4ª série.
Ciências 4ª série.
Geografia 4ª série.
História 4ª série.
Matemática 4ª série.

Educação Infantil nível 1

Linguagem.

http://www.eaprender.com.br/tiki-smartpages_view.php?pageId=1040

Matemática.

http://www.eaprender.com.br/tiki-smartpages_view.php?pageId=1041

Natureza e Sociedade.

http://www.eaprender.com.br/tiki-smartpages_view.php?pageId=1042


Educação Infantil nível 2.
Linguagem.
Matemática.
Natureza e Sociedade.
Educação Infantil nível 3.
Linguagem.
Matemática.
Natureza e Sociedade.

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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Curso: Redação em português.(parte 4 de 12).


4. Coerência e coesão

Capítulo anterior: 3 - Planejamento do textoCapítulo siguiente: 5 - A criatividade do parágrafo
Muitos estudantes se atormentam com essas duas palavras. Mas, para ser mais preciso é necessário defini-las, pois ajudaria na compreensão dos discentes para elaborar um bom texto. Quando se fala de texto, fala-se de unidade a qual tem relação com coerência e coesão.
Uma definição de coerência seria unidade de sentido; e coesão, "amarrar" as idéias. Já que a primeira depende da ordenação das idéias; ou seja, do plano do texto e o tema proposto; também dos argumentos, é dizer, da clareza. Clareza consiste em ler o texto, e compreender como está organizada a produção escrita. Quando ele vai redigir, deve planejar as idéias e a intenção comunicativa; portanto, ser claro é como ver o mar que está limpo e olhar os peixes. Então, ser claro é ser coerente com a ordem das palavras e vocábulos, e dizer, não se contradizer, não confundir o leitor; ou seja, não pôr enunciados desconexos. Segundo Massaud Moisés:
A lógica externa implica clareza unívoca das palavras, isto é, estas devem significar uma e uma só coisa; por sua vez, a clareza supõe o emprego da ordem direta: evitar-se-á a ordem indireta abstrusa, as violentas inversões (ou hipérbato) [...] (MOISÉS, 1961, p.145)
Isso que dizer, que o raciocínio nós levará a significados claros com emprego de sujeito e predicado; portanto se for o contrário, predicado e sujeito essa ordem levaria a confundir o leitor.
Ser claro é pensar para que tipo de leitor está escrevendo; ou seja, para crianças, adolescentes, adultos, advogados, arquiteto, filósofo, etc. isso quer dizer, ser empático, perceber como eles sentem e entendem.
Então, para escrever sobre coerência, o discente deve estar atento que não haja dois interpretações, se ele, como leitor entende o que lê, pode continuar escrevendo. Mas, se as informações não harmonizam umas com as outras, o texto é incoerente.
A incoerência é devido que o estudante sai da idéia principal ou palavras-chave, da organização lógica das idéias; e do conhecimento da realidade.
Em outra citação:
[...] um texto resulta incoerente quando há falhas na continuidade de suas partes, quando as palavras aparecem de forma gratuita. Não é raro ouvirmos alguém dizer que determinada palavra está imprecisa, não diz com exatidão aquilo que pretendíamos dizer. A imprecisão resulta da falta de motivação entre as palavras que se sucedem numa cadeia em que um elo foi rompido. Para evitar isso, elas devem manter entre si um vínculo muito estreito. (VIANA et.. al, 1998, p.18)
Quando não se organizam as idéias e as palavras adequadas para o texto, a redação fica confusa; para isso o discente tem que ler bastante para memorizar as palavras e assuntos de outros autores para motivar-se a si mesmo e escrever coerentemente. Para o texto ser coerente, é necessário que haja uma ligação significativa entre diversas partes; portanto, tudo tem que se escrever logicamente. Então, as classes de palavras, como os substantivos e os verbos devem unidos não apenas para somar idéias, mas também para ter base para que haja sentido no texto.
Há um processo de expansão da palavra chamado de associação. Nesta, a partir da palavra-chave se expande o texto através de verbos na terceira pessoa do singular, por exemplo:
chegou
o recebem o atendem levam sua mala ficou bravo vai embora elogia a equipe
Hóspedeà chegou
O recebem O atendem Levam sua mala Ficou bravo Vai embora Elogia a equipe
Esta idéia e baseada no livro: Roteiro de redação, de Carlos Viana, et. al.
A segunda explicação é sobre coesão. Mas, como "amarrar" as idéias no texto, através das ligações entre frases e parágrafos? Segundo Garcez (2001, p, 115), "quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados, seja dentro do período, seja entre os períodos ou parágrafos, o texto se prejudica". Esses tecidos ajudam a ter relação na hora de dar significado ao ato de escrever. É complicado relacionar todos os problemas de coesão. Agora, para entender a coesão em profundidade:
A coesão, no entanto, não é só esse processo de olhar constantemente para trás. É também o de olhar para adiante. Um termo pode esclarecer-se somente na frase seguinte. Se minha frase inicial for Pedro tinha um grande desejo, estou criando um movimento para adiante. Só vamos saber de que desejo se trata na próxima frase: Ele queria ser médico. O importante é cada enunciado estabelecer relações estreitas com os outros a fim de tornar sólida a estrutura do texto. Mas não basta costurar uma frase a outra para dizer que estamos escrevendo bem. Além da coesão, é preciso pensar na coerência. Você pode escrever um texto coeso sem ser coerente. [...] (VIANA, et. al, 1998, p.28).
Isso quer dizer que para fazer qualquer texto, deve-se estar atento à coesão e à coerência. A turma tem que saber como ligar a frase seguinte à anterior, ou seja, não perder o fio do pensamento; e ainda, na frase não ter duplo sentido; para não ter incoerência.
Segundo Garcez (2001, p, 112-114), os recursos mais importantes para coesão são: preposições, conjunções, os pronomes pessoais, os tempos verbais; e além dessas formas gramaticais, existem outras, como: referencial, lexical, por elipse, por substituição.
Então, a coesão referencial é quando faz referência a alguém ou coisa do próprio texto, e são utilizados pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos ou expressões adverbias; a coesão lexical é quando tem uma certa carga de redundância, ou seja, repetição de idéias. Isso se faz, através dos sinônimos ou expressões equivalentes conhecidas pelo leitor; a coesão por elipse é, quando se omite como: pronomes, verbos, substantivos e frases inteiras e estão implícitos. Muitas vezes é marcada por vírgula; a coesão por substituição é quando substitui nomes, verbos, períodos ou largas parcelas de texto por conectivos. Alguns exemplos: tudo o que foi dito; diante do que foi exposto; em vista disso, a partir dessas considerações.
No seguinte capítulo, explicarei sobre a criatividade do texto.
http://www.mailxmail.com/curso/idiomas/redaportugues/capitulo4.htm
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