sexta-feira, 12 de setembro de 2008

DOPING (inglês/ dópin). Palavra do dia.


Palavra do dia:

DOPING (inglês/ dópin)

O jogador de futebol Dodô, que defendeu este ano a equipe do Fluminense, do Rio de Janeiro, foi suspenso por 2 anos pelo Comitê Arbitral do Esporte. A punição se refere ao suposto envolvimento do atleta com doping no ano de 2007, quando ele atuava pelo Botafogo.

Com origem na língua inglesa, a palavra "doping" foi incorporada ao nosso idioma. Ela designa o uso irregular de substância estimulante para melhora de rendimento de uma pessoa em determinada atividade ou competição esportiva.

>> Definição do dicionário Aulete Digital:

DOPING ( (Ing. /dópin/))

Substantivo masculino.
1 Aplicação ilegal de substância estimulante para aumentar o rendimento de pessoa ou animal, ger. em competições esportivas.

[Formação: Do inglês 'doping'.]

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FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO . Resumo Ironias da Educação - mudança e contos sobre mudança.


Mudanças:
Didática e Avaliação


Cintia Barreto


Rio de Janeiro, 2001.

INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por objetivo refletir sobre a postura do professor brasileiro diante da crítica e da autocrítica nos processos de avaliação e ensino-aprendizagem, bem como sobre a resistência à mudança pedagógica, tendo como base o livro Ironias da Educação - mudança e contos sobre mudança de Pedro Demo (2000).
Para isso, foi dividido em dois capítulos; o primeiro, Ironias da Educação, tem como base os Contos-do-vigário, contos relatados no primeiro capítulo do livro onde o autor narra sua experiência em cursos para professores ministrados por ele; o segundo, A Avaliação, tem em vista um diálogo entre Demo e Romão sobre o processo avaliativo em sala-de-aula.
Dessa forma, o seguinte trabalho pretende, de forma concisa, e tendo como alicerce o sociólogo Pedro Demo, discutir as ironias que ocorrem na nossa educação.

AS IRONIAS DA EDUCAÇÃO
No mundo pós-moderno, o neoliberalismo gerou a globalização da tecnologia e da educação. Assim, tudo deve ser padronizado, globalizado. Por que não globalizarmos a conduta dos professores diante a avaliação, por exemplo? Por que se fala tanto em mudança, transformação pedagógica, quando o que se vê é a repetição de antigos modelos de aula e avaliação?
É simples, nossos professores temem a mudança, pois temem não estar preparados para tal. Os mestres acostumaram-se a repetir os manuais aprendidos por eles, que os repassa sem o menor pudor a seus alunos. Por outro lado, não estarão, dessa forma, formando sujeitos pensantes, autônomos como prioriza a nova pedagogia.
Na primeira parte de seu livro, Demo narra cinco contos sobre sua experiência com professores e revela-nos muito sobre a postura do professor, quando este fica na posição de aluno. No Conto 1, Demo trabalhou com professores da Escola Normal que não estavam acostumados a pesquisar, a aprender e, muito menos, a serem avaliados como podemos perceber nesta inferência feita pelo autor:


Desconhecem o que é aprender - é estranho que, em contexto de Escola Normal, ocorra este tipo de problema; como diz o provérbio: "em casa de ferreiro, espeto de pau"; reside aí, talvez, a contradição mais comprometedora, porque se trata de consumado conto-do-vigário: os professores são o que os alunos jamais deveriam ser; desconhecem o esforço reconstrutivo que a aprendizagem supõe, com base em pesquisa e elaboração própria, individual e/ou coletiva, prendendo-se em amenidades e futilidades, que já fazem parte do folclore pedagógico. (p. 16)

No Conto 2, continua o autor a perceber o paradoxo vivido pelo sistema educacional, uma vez que os professores não estão acostumados a receber críticas e sim a fazê-las, como podemos conferir em:

Pouco vale criticar sem propor; quando se exige proposta e percebe-se que não se tem, experimenta-se o desespero de quem se sente nu. A pedagogia se habituou a falar alto, sobretudo a prometer a transformação histórica, mas, quando colocada contra a parede, tudo que sai é crítica desconexa, exacerbação mental, gritaria desorganizada; todos defendem o projeto pedagógico, mas poucos - quase ninguém - o tem elaborado, resultando sempre em discussões alongadas e inúteis, tendo como passo final e certeiro jamais chegar a beneficiar o aluno, até porque não se chega a lugar nenhum.. (p. 26)

É importante esclarecer que esses contos servem de espelho do sistema educacional vigente em muitas partes do país, pois poucos são os que ousam mudar, ousam transformar o que se tem em algo melhor, algo que beneficie o aluno e não ao próprio sistema. Poucos são os professores que vivenciam o que falam, que transformam teoria em prática e, depois, sua prática em teoria. No Conto 3, Demo demonstra nesta passagem o desfecho desta experiência:

Mais que tudo, ficou claro que a preocupação central de nossas escolas e faculdades é o mero ensino ministrado por professor que só sabe ensinar. Não por sua culpa, porque culpa não é critério explicativo, mas por deficiência de formação, ao lado do desprestígio do profissional flagrante. Como sempre, os professores tentaram lançar a "culpa" sobre os alunos, que não teriam qualquer condição de pesquisar - não iam além da cópia. Estavam apenas "tapando o sol com a peneira". A questão era que eles mesmos não sabiam pesquisar, nunca tinham pesquisado, não possuíam elaboração própria, só davam aulas reprodutivas, e assim por diante. (p. 32)

Assim, o professor não pode fazer o aluno aprender se ele não sabe aprender. Outros questionamentos foram levantados neste conto como a incapacidade de autocrítica e de inovação dos professores.
No Conto 4, ocorrido em uma instituição confessional dotada de educação básica e três cursos superiores, com grande tradição na cidade surgiu um grupo interdisciplinar, produtivo, mas que levou um susto, quando descobriu que teria que pesquisar, elaborar e ser avaliado todos os dias. Logo surgiu o medo de mudar. Todo o entusiasmo do início "caiu por terra", já que se havia cogitado a hipótese de uma nova pedagogia, acrescentando nova área em nível superior à instituição e atendendo tanto à educação básica, quanto à superior. O medo de mudanças foi o tema central deste conto:

Em meio a tamanhos conflitos, o recuo foi crescendo, até que, em certo momento, "sobrei". Fomos do céu ao inferno, no prazo de um ano. A convicção de que é preciso mudar foi menos forte do que o medo de mudar. Os professores, por sua vez, foram mostrando as resistências clássicas. (p. 44)

É certo que a Pedagogia transformadora incomoda aqueles que estão na estabilidade medíocre de um sistema educativo defasado, mas eficaz. Em contrapartida, interessa ao neoliberalismo que os cidadãos continuem sem formação adequada, sem questionamentos. Interessa, sim, ao neoliberalismo que as pessoas tenham poder de consumo de tecnologia, não de conhecimento, não de autonomia.
Não podemos esquecer do Conto 5, que mostra o medo do êxito:

Trata-se de notável experiência em escola básica confessional, onde encontrei algumas condições muito favoráveis à mudança: direção com coragem, responsável pedagógica muito esclarecida, e "dupla dinâmica" que conduzia as séries iniciais do ensino fundamental. Somadas estas energias, surgiu uma experiência deslumbrante, ao lado - como sempre - das resistências, que acabaram por se impor. Foi organizado um grupo-base, com quem trabalhei meses, para montar a idéia da aprendizagem reconstrutiva e desenhar o primeiro curso, dentro da expectativa de se disponibilizar para os professores, todo semestre, este tipo de oferta. O grupo era muito interessante. (p. 46-47)

Para este projeto, foram feitas algumas transformações para garantir seu objetivo. A metodologia da aprendizagem reconstrutiva foi aplicada, mudando as carteiras para mesinhas redondas; os professores foram devidamente preparados, pois precisavam estar aptos para as inovações; o professor tornou-se o facilitador, acompanhando de perto o andamento de cada um; a preocupação que os alunos avancem no currículo previsto foi latente, mas sem afobação ou rigidez e os livros didáticos tornaram-se, apenas material de pesquisa, não mais como elemento central da aula, como deve ser. Assim, a experiência começou a ser vista com êxito e, é claro, começou a ser questionada entre os colegas. Resolveu-se então fazer uma avaliação, a fim de testar as deficiências do projeto, entretanto, para o espanto de todos, o aproveitamento dos alunos foi muito acima do esperado. Pareceu claro: sem aula aprende-se melhor, desde que exista professor que saiba aprender e fazer o aluno aprender.
É importante ressaltar que o medo da mudança, superado, dá lugar ao medo do êxito, do sucesso e, consequentemente, ao medo de romper de vez com a pedagogia tradicional. É o que podemos observar a seguir:
...uma experiência exitosa nas primeiras séries não garante o mesmo sucesso em outros níveis. Afinal, nas primeiras séries, existe um professor para cada turma, enquanto mais para frente, há um professor para cada disciplina, tornando as coisas bem mais complicadas. Esta experiência estava ainda por se fazer. Não sei se teve continuidade, porque, como sempre acontece, sobrevieram abalos, no fundo tolos, mas que tornaram as condições bastante adversas.

Dado o exposto, percebemos que desde o medo de ser avaliado dia-a-dia, de pesquisar e elaborar projetos, até o medo do êxito, o que falta é trabalhar esses medos que a educação insiste em manter, para que tenhamos profissionais capazes de aprender e ensinar os alunos a aprender a ter autonomia, a ser dono do seu ato político, de se engajar numa sociedade neoliberal, sabendo questionar determinadas atitudes, e não apenas aceitá-las passivamente, por não ter o que argumentar.

A AVALIAÇÃO
Não muito distante de todos esses questionamentos, trazidos à luz por Demo (2000), da Pedagogia transformadora, estão os questionamentos feitos por Romão (1998).
Romão revela-nos os mitos da educação como: (a) Escola boa é aquela que exige muito e que "puxa" pela disciplina; (b) o bom professor é aquele que reprova muito; (c) a maior parte das deficiências dos alunos é decorrente das carências que eles trazem de casa; (d) a democracia exige respeito aos códigos socioculturais e às diferenças individuais; (e) avaliar é muito fácil e qualquer um pode fazê-lo; (f) por outro lado, avaliar é tão complicado que se torna, praticamente impossível fazê-lo de forma correta; (g) é preciso eliminar os aspectos quantitativos da avaliação e (h) na escola, avalia-se, apenas, o conhecimento adquirido pelo aluno, desprezando-se os aspectos de seu amadurecimento físico e emocional. Essa situação deve ser invertida, diz o autor.


Esses mitos da educação fazem-nos avaliar nossa condição como profissionais do ensino diretamente ligados ao processo de ensino-aprendizagem de milhares de cidadãos que não têm, em determinado momento, consciência de estar sendo feito o melhor ou o pior por eles e para eles na escola.

O autor, Romão (1998), demonstra também as concepções de avaliação como a avaliação na concepção Construtivista e na Positivista. Na concepção Contrutivista, a avaliação ocorre subjetivamente através da auto-avaliação, a avaliação é vista de forma qualitativa, preocupando-se tanto com o processo que acabam por desconhecer ou desqualificar os resultados. Em contrapartida, a avaliação, na concepção Positivista, ocorre objetivamente através da avaliação final do alunos, a avaliação se dá assim de forma quantitativa, apresentando função classificatória, baseada em padrões - científicos ou culturais - preocupam-se tanto com o fim que desqualificam o meio, o processo.
Além de apresentar as duas concepções metodológicas, Romão, sugere um equilíbrio entre estas concepções, propondo uma avaliação em três estágios, igualmente, importantes. A avaliação, dessa forma, tem uma função prognóstica, que avalia os pré-requisitos dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia, onde são apresentadas as estratégias e os procedimentos, a fim de verificar quem absorveu todos os conhecimentos e incorporou as habilidades previstas nos objetivos inicialmente estabelecido; Romão, apresenta, ainda, uma função classificatória, avaliação final, que funciona como comprovação do nível alcançado pelos alunos, avaliação de output.
Assim como Romão, Demo também não separa a avaliação quantitativa da qualitativa, mas as vê como parte de uma mesma realidade.

É equívoco pretender confronto dicotômico entre qualidade e quantidade, pela simples razão de que ambas as dimensões fazem parte da realidade da vida. Não são coisas estanques, mas facetas do mesmo todo. Por mais que possamos admitir qualidade como algo "mais" e mesmo "melhor" que quantidade, no fundo, uma jamais substitui a outra, embora seja sempre possível preferir uma à outra" . (Demo, 1994, citado por Romão, 1998)

É certo que o modelo de avaliação utilizado pela maioria das escolas continua por valorizar a função classificatória, desconhecendo as funções prognóstica e diagnóstica, que tendem a demonstrar tanto a situação do aluno como a do professor, entretanto uma avaliação para considerar os aspectos qualitativos e quantitativos deve fazer uso das três funções avaliativas, apresentadas por Romão e a educação, para tanto, precisa inovar, como propõe Demo (2000):

Demonstrou-se que, cuidando bem da aprendizagem do aluno, de um lado, e, investindo no professor, de outro, é possível colher resultados significativos. Não é difícil melhorar a aprendizagem do aluno - temos teorias e experiências de sobra que apontam nessa direção. O problema é a mudança que isso acarreta. O grupo foi colocado sob severa vigilância, marcada pela mediocridade consumada, até que se considerou mais coerente suspender as atividades. (p.28)

Mediante os fatos expostos, avaliar requer acompanhamento por parte do professor, ele deve ter autocrítica e saber inovar como sugere Demo e utilizar as funções prognóstica, diagnóstica e classificatória como sugere Romão, a fim de garantir uma educação com qualidade total ao alunado, preparando-o para o mercado de trabalho e, mais do que isso, para enfrentar o que a vida tem a oferecer-lhe, uma vez que este é um ser político.

CONCLUSÃO
A partir do leitura do livro de Demo, percebe-se que a educação propõe mudanças, mas não as aceita, na maioria dos casos, acomodando-se à pedagogia tradicional, rejeitando a pedagogia transformadora, reconstrutiva, sugerida pelo autor.
Também não devemos esquecer que o autor constatou que os alunos não aprendem porque o professor não aprende e que "professor" é tudo que o aluno não deve ser nesse caso. O professor tem ainda muito medo de ser avaliado, por sentir-se exposto, pois ao ser avaliado, tem-se as veias abertas e isso, para alguém que se julga acima de qualquer julgamento, é, no mínimo, desconfortável.
É bom acrescentar ainda que tudo o que o neoliberalismo espera é que a escola mantenha-se neste estágio acrítico, sem transformação, de, apenas, aceitação dos fatos políticos, sociais e, principalmente, econômicos que circundam todos os brasileiros, pois, como disse muito bem Demo, o sistema não teme pobre que tem fome; teme pobre que sabe pensar. (p. 27)
Por tudo isso, é preciso reformular o sistema de ensino, começando pelos professores. Precisamos desconstruir o que existe para reconstrui-lo mais forte e coerente com o que se pretende de um sistema educativo de qualidade, valorizando o aluno, mas também o professor assim como todo o processo de reconstrução de ensino-aprendizagem no Brasil.

REFERÊNCIAS
DEMO, Pedro. Ironias da Educação: mudanças e contos sobre mudança. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

ROMÃO, J. E. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. São Paulo: Cortez, 1998.





Para referência desta página:
BARRETO, Cintia. Mudanças: Didática e Avaliação. In.: BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em Foco, Rio de Janeiro, 2001.
Disponível em: . Acesso em: 12/09/08.



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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Vídeos. Brinquedo de encaixe.






A terapeuta ocupacional da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (APAE), Ione Matsuoka, ensina a confeccionar um brinquedo para crianças com e sem deficiência mental. O brinquedo inclusivopode ser usado na sala de aula regular, por todas as crianças.

fonte: http://revistaescola.abril.com.br/multimidia/pag_video/gal_video_247940.shtml

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Fábulas de Esopo. O Astrônomo.

As vezes pensamos, pensamos e não saimos do lugar. Isto me faz lembrar das Fábulas de Esopo.
O Astrônomo.




O astrônomo

Um astrônomo gostava de fazer passeios noturnos para olhar as estrelas. Certa vez ia tão distraído que caiu num poço. Enquanto tentava sair, seus gritos de socorro atraíram a atenção de um homem que passava. Ao ser informado do que havia acontecido, o homem riu e disse:

- Meu bom amigo, tanto o senhor se esforçou para olhar o céu que não lembrou de olhar o que tem debaixo dos pés!
Moral: É fácil deixar de ver o óbvio.
Do livro: Fábulas de Esopo - Companhia das Letrinhas
Fonte: http://www.metaforas.com.br/






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Tom Browne - Funkin' for Jamaica.

From: lolowattrelos


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Con Funk Shun-Let Me Put Love On Your Mind.

E pensar, que já usei cabelo black power e rastafari. As coisas mudam não é verdade. Cuide de seus sentimentos. Inteligência emocinal neles.

From:
Suejoy4133


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Con Funk Shun - Love's Train (Full Version) .

From: TiaTea73


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Terrário: um pedaço da natureza na sala de aula


Ciências nas Séries Iniciais.

edição 187 - nov/2005

O que mantém plantas e animais vivos? De onde vem a água da chuva? Alunos de 1ª a 4ª série buscaram essas e outras respostas em um experimento simples realizado em sala de aula

Kriz Knack

Kriz Knack

Observação: alunas da 2ª série da escola Alfredo Paulino, em São Paulo, acompanham o desenvolvimento das plantas e animais

Mal ficou pronto, o terrário montado na Escola Estadual Alfredo Paulino, em São Paulo, sofreu um suposto ato de vandalismo. O plástico transparente colocado sobre o recipiente de vidro que reproduz a vida natural no planeta apareceu furado. Os professores não repreenderam os alunos pela ação. Ao contrário, valorizaram o que foi, na verdade, a primeira intervenção da turma no experimento. O furo para a entrada de ar e água era a resposta prática da garotada a uma dúvida surgida durante a aula: será que as plantas e bichinhos como a minhoca, o tatu-bola e o caracol podem sobreviver em um ambiente fechado sem rega?
Seria menos trabalhoso relembrar em um esquema no quadro-negro como a água armazenada na terra se condensa e retorna em forma de chuva para ser novamente absorvida pelas plantas. Mas a equipe de professores optou por um caminho bem mais interessante. Os estudantes de 1ª a 4ª série compreenderam o funcionamento da natureza ao observar, dia a dia, a movimentação dos animais na terra e nas paredes do aquário, o crescimento das plantas e o ciclo da água.
O terrário permite explorar, desde as primeiras séries, os cinco passos de uma investigação científica: observação, registro, questionamento, experimentação e conclusão. É testando e comprovando que as crianças fazem ciência exatamente como os cientistas.
O trabalho da escola Alfredo Paulino faz parte do projeto ABC na Educação Científica Mão na Massa, realizado pela Estação Ciência, da Universidade de São Paulo (USP). Há quatro anos, professores de escolas públicas e particulares de seis estados São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Paraíba e Santa Catarina são capacitados para aproximar a ciência do universo infantil e de outras disciplinas, como Língua Portuguesa.
Mais que a importância de os alunos observarem e levantarem hipóteses, os professores aprenderam que discutir, argumentar, ler e escrever são atividades a ser exploradas nas aulas de Ciências. Como? Nas discussões para a resolução de uma situação-problema e nos registros do experimento, por exemplo. "A alfabetização científica deve ser prioridade de todo projeto pedagógico. Para que as crianças descubram o mundo ao seu redor, o ideal é que o primeiro contato com os conceitos naturais aconteça de maneira divertida, investigativa e planejada", explica Simone Falconi, da equipe do projeto Mão na Massa. Memorizar fatos isolados, fórmulas e termos técnicos, portanto, não funciona mais como estratégia de ensino. A garotada precisa de tempo e de oportunidade para observar, testar e trilhar caminhos errados.

Ih, choveu no terrário! De onde veio a água?

O projeto sobre meio ambiente começou em 2004, quando as classes de 1ª a 4ª aprenderam que o planeta Terra é formado por água, terra e ar. Em 2005, era preciso aprofundar esse conceito. Como funciona a vida? O que mantém plantas e animais vivos? Quando e como os seres humanos devem interferir na natureza? A primeira orientação da equipe do Mão na Massa é iniciar os trabalhos com problemas e questionamentos.
Alunos e professores construíram, então, três terrários: um para as turmas da manhã, outro para as turmas da tarde e o último para as salas de apoio especializado. "As crianças portadoras de necessidades especiais precisam de mais tempo para explorar as possibilidades do experimento", justifica a professora Teodora Maciel. Todos contribuíram para a realização do trabalho levando bichinhos, como formigas, joaninhas e minhocas.
O que aconteceu depois, está no começo desta reportagem: "o atentado". As professoras perguntaram às turmas da tarde se o terrário delas deveria ficar aberto. Todas disseram que sim. As conseqüências da decisão, tomada coletivamente, seria observada nos dias seguintes: o solo secou, as plantas murcharam e os bichos fugiram ou morreram. Enquanto isso, o terrário fechado com plástico transparente estava com as paredes embaçadas, a terra úmida e as plantas molhadas. Tudo foi registrado pelos estudantes, em forma de desenhos e textos, servindo de avaliação para os professores.
A garotada ficou mais intrigada. Se ninguém estava regando as plantas, de onde vinha aquela água? As turmas já tinham aprendido em outra atividade os estados da água e foi fácil, durante as discussões, chegar à conclusão de que a "chuva" foi causada pelos fenômenos da condensação e evaporação da água armazenada na terra e da transpiração das plantas. Agora, sim, as crianças, motivadas, tinham compreendido o ciclo da água na prática.

Estudo do solo: a cor e a textura que a terra tem

Para aprender mais sobre o funcionamento daquele microcosmo criado em sala de aula, era preciso estudar um precioso elemento: o solo. As professoras pediram que cada estudante levasse à escola um pouco de terra do jardim de casa e de canteiros de rua. O objetivo da atividade era trabalhar novamente a observação importante procedimento científico ao confrontar as crianças com diferentes cores de solo. O segundo passo correspondia a mais uma etapa de um experimento a investigação. Os alunos manipularam a terra e sentiram que as amostras tinham diferentes características. "Por que uma é áspera e outra pegajosa? Qual dá mais liga?", perguntou Teodora. A turma descobriu, então, que o solo pode ser arenoso, argiloso e humoso.
Questões desse tipo renderam discussões animadas. Enquanto as crianças apresentavam suas hipóteses e ouviam as dos colegas e faziam comparações e interpretações in loco, a professora trabalhava a oralidade, habilidade normalmente desenvolvida nas aulas de Língua Portuguesa.

Barro vira tinta para o registro da experiência

Na etapa seguinte, os professores abordaram a impermeabilidade do solo. "As crianças perceberam que as minhocas furavam a terra, facilitando a absorção da água", conta a professora Cozete Rodrigues Miranda.
Para entender o que acontece com a terra quando colocamos água nela, os estudantes testaram com as mãos diferentes consistências do material com pouco e muito líquido. A lambança foi geral! Simone, do projeto Mão na Massa, sugere colocar a água na terra aos poucos, com a ajuda de um funil, para que todos os alunos possam observar como ocorre a absorção.
Em mais uma atividade lúdica, a propriedade do solo foi testada e os conceitos confirmados. A garotada tentou construir esculturas com as diferentes amostras e descobriu que era impossível modelar com as arenosas. As terras mais argilosas, sim, renderam cestas de frutas, árvores, bolos e figuras humanas. A arte da pintura também contribuiu para a confirmação da experiência, além de funcionar como uma forma de registro. Tinta feita com terra arenosa tinha pouca cor, já a argilosa rendia um pigmento vermelho forte e consistente, que foi usado para desenhar bichos, pedras e folhas secas.

A interferência humana na natureza pode ser positiva

Com o terrário, as crianças perceberam que a natureza funciona normalmente sem a interferência humana. Então, quando e como essa interferência deve acontecer? Diversas atividades foram desenvolvidas na horta da escola para o grupo confirmar os conceitos científicos aprendidos no terrário e tirar suas conclusões. As primeiras séries se encarregavam de aguar os canteiros de alface, rúcula, couve, beterraba e ervas aromáticas. Enfim, era imprescindível regar.
Com as 3ª e 4ª séries foi possível trabalhar poluição, saúde e decomposição de folhas e animais em um canteiro reservado para a prática de compostagem. A turma aprendeu a usar restos de comida da cozinha da escola para produzir um solo rico em nutrientes para o desenvolvimento dos vegetais. Mas nem tudo acontece como o planejado. O ataque inesperado de formigas saúvas à horta exigiu a busca de soluções para combater a praga e salvar a produção de legumes e verduras. Agrotóxico? Nem pensar! Assim, receitas caseiras pesquisadas com os pais, como chá de folhas de fumo, salvaram parte dos vegetais. Mesmo assim, a frustração foi geral!
A etapa realizada na horta levou os alunos a compreender como as necessidades humanas contribuem para o desenvolvimento científico. A escola teve a oportunidade de trabalhar com o zeolita minério cujo uso na agricultura e na aceleração da produção de petróleo vem sendo estudado por universidades brasileiras e estrangeiras. A turma comparou o crescimento da alface semeada nesse minério e na terra adubada. Técnicos da empresa que comercializa o material em larga escala explicaram que existem no minério propriedades de troca de nutrientes com os vegetais, potencializando o desenvolvimento das plantas.
"A educação científica contribui para a formação de cidadãos responsáveis com o meio ambiente. Só um ensino prático e contextualizado possibilita isso!", explica a coordenadora pedagógica Rosângela de Lima Yarshell. Tudo simples, barato e replicável em muitas escolas brasileiras.

Como fazer um terrário

Bárbara Aguiar

Bárbara Aguiar

A Escola Estadual Alfredo Paulino construiu um terrário em um aquário de vidro com várias camadas de solo pedrisco de jardim, areia, terra e terra adubada. A equipe do projeto Mão na Massa sugere esta versão simplificada, que também funciona para a realização do experimento.

MATERIAL NECESSÁRIO

Bárbara Aguiar

Bárbara Aguiar

1 garrafa pet de 5 litros com tampa 1 arame comprido para enterrar as plantas 1 vareta de pipa com algodão e plástico na ponta para afofar a terra
O solo
2 xícaras de pedras 4 xícaras de terra adubada
Os vegetais
1 ou 2 mudas pequenas de plantas resistentes à falta de água, como suculentas ou grama de jardim
Os animais
pequenos bichos, como minhoca, tatu-bola e joaninha

Montagem

Bárbara Aguiar

Bárbara Aguiar
Coloque as pedras na garrafa e depois a terra adubada para formar o solo. Introduza cuidadosamente as plantas, enterre as raízes com a ajuda do arame e afofe o solo com a vareta. Em seguida, coloque os bichinhos. Por fim, regue bem o solo e as plantas e tampe a garrafa.

Quer saber mais?

Contatos

ESCOLA ESTADUAL ALFREDO PAULINO, R. Caativa, 15, 05059-040, São Paulo, SP, tel. (11) 3831-8647

ESTAÇÃO CIÊNCIA - CENTRO DE DIFUSÃO CIENTÍFICA, TECNOLÓGICA E CULTURAL DA USP, R. Guaicurus, 1394, 05033-002, São Paulo, SP, tel. (11) 3673-7022

Bibliografia

A NECESSÁRIA RENOVAÇÃO DO ENSINO DAS CIÊNCIAS, Anna Maria Pessoa de Carvalho (org.), 264 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3864-0111, 32 reais

CIÊNCIAS: FÁCIL OU DIFÍCIL?, Nélio Bizzo, 144 págs., Ed. Ática, tel. (11) 3990-2100, 29,50 reaisexto


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/0187/aberto/mt_98840.shtml

Veja abaixo um vídeo, de como fazer terrário.

De:
versianis

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