segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Você sabe PENSAR? | FILOSOFIA & CULTURA - Aula 58


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TurboScribe Você sabe PENSAR FILOSOFIA & CULTURA - Aula 58 20:49 08:31 Mute Settings (0:00) Olá, caros amigos, nós estamos aqui, então, no nosso programa Filosofia e Cultura. (0:05) Nunca esqueça aí de fazer inscrição no canal, de compartilhar, deixar a sua curtida. (0:10) E hoje eu gostaria de tratar de um ponto que é o básico do básico. (0:14) Nós estamos aqui, às vezes, falando tanto de filosofia, de cultura, tantas reflexões (0:18) e análises a partir de tantos autores. (0:21) Mas o que é o pensar? (0:23) O que significa pensar? (0:25) Você já parou para pensar sobre isso? (0:27) Fica até engraçado, meio que redundante. (0:30) Ou seja, é muito comum, evidentemente, quando nós falamos de pensar, nós associarmos o (0:36) pensar com outros verbos, como articular, relacionar, refletir, analisar. (0:42) E, de fato, o pensar tem a ver com isso. (0:45) Alguns até chegam ao ponto de fazer quase que uma identificação absoluta entre pensar (0:51) e filosofar. (0:52) Ou seja, é por isso que muitas pessoas vão dizer que o filosofar, no fundo, é o ato (0:59) de estar pensando. (1:00) Nós precisamos entender que, de fato, o ato de pensar é próprio ali do ser humano. (1:07) Nós pensamos e realizamos esse ato de pensar. (1:12) Tudo isso, no fundo, é possível porque somos seres racionais. (1:16) Portanto, pensar é justamente você poder considerar, analisar, refletir sobre determinada (1:22) coisa a partir de uma capacidade que é intrínseca do ser humano. (1:28) Ou seja, justamente porque somos portadores da razão, da inteligência, enfim, é por (1:34) isso que nós temos essa capacidade. (1:36) E, evidentemente, que o fato de termos essa capacidade, isso mostra que pensar tem uma (1:43) relevância muito grande na vida humana. (1:45) A planta, o cachorro, uma pedra, a questão do conhecimento não faz falta para eles. (1:51) Ou seja, como eles não têm essa capacidade de pensar, ou seja, de buscar entender o que (1:58) uma coisa é, ou um problema, ou a própria realidade, a partir, repito, de uma capacidade (2:04) própria, nunca esqueça disso, então eu não vejo uma pedra pensando, uma planta pensando (2:08) e nem um cachorro pensando. (2:10) Você não vê expressões disso. (2:12) Às vezes ficam algumas dúvidas que não têm muito sentido, ou seja, para eu ter uma (2:16) dúvida eu preciso ter um motivo razoável. (2:18) Então, quando eu olho para essas realidades, você não vê nada ali que implique necessariamente (2:24) a compreensão de que eles tenham uma capacidade de expressar, porque, no fundo, não expressam (2:30) nada nesse sentido, as suas atividades realizadas não expressam nada nesse sentido. (2:34) Portanto, se o ser humano, de fato, tem essa possibilidade, essa capacidade de pensar a (2:40) partir de algo que não é externo, mas é interno à sua natureza, isso com certeza (2:44) vai ter uma relevância, uma importância. (2:46) Ou seja, justamente porque podemos pensar, nós temos uma possibilidade de ter um conhecimento (2:52) mais rigoroso sobre a própria realidade, seja uma realidade sensível, inteligível, o que (2:57) for, da mesma forma que, pelo ato de pensar, nós podemos ter uma vida moral mais equilibrada, (3:04) ou seja, temos a clareza do que é o bem, do que é o mal, do que é possível, do que (3:08) não é possível, do que convém fazer nas mais diversas situações, da mesma maneira (3:13) que esse ato de pensar também nos capacita não só a ter um conhecimento mais rigoroso, (3:20) não só a ter um discernimento moral mais claro, mas também a enfrentar os mais diversos (3:25) problemas e desafios, não só teóricos, mas práticos na nossa vida. (3:30) Então veja que todos esses pontos e outros aqui mostram a relevância e a importância (3:34) do pensar na nossa vida, e quando o ser humano de fato não cultiva uma vida do pensamento, (3:41) ele está indo contra ou ele está desvalorizando aquilo, digamos assim, que é próprio da (3:47) sua natureza enquanto ser humano, ele está indo contra a sua especificidade, digamos (3:52) assim. (3:53) Agora, não basta pensar, não basta simplesmente realizar um ato de pensar qualquer, eu preciso (4:00) saber pensar bem, e aqui começa a ficar um pouquinho mais complicado, então eu peço (4:06) que você chegue ou que preste atenção no que eu vou dizer. (4:09) Ou seja, o que é pensar bem? (4:13) Então se não basta só pensar, mas eu tenho que pensar bem, o que significa pensar bem? (4:19) Ora, o primeiro ponto, a primeira coisa que nós precisamos lembrar é que existem três (4:23) operações básicas da nossa razão, tem três operações básicas da nossa inteligência. (4:27) A primeira é o que muitos autores chamam de simples apreensão. (4:31) O que seria essa simples apreensão? (4:33) É o ato pelo qual a nossa razão conhece alguma coisa, ela consegue aprender, ou seja, (4:39) ela consegue captar aquela coisa, a natureza daquela coisa, sem afirmar e sem negar nada. (4:47) Então a finalidade da simples apreensão, que é uma operação da inteligência, uma (4:53) operação da nossa razão, a finalidade é justamente deste ato, é justamente aprender (4:58) o que? (4:59) Aprender a natureza de uma coisa, e na medida em que vai aprendendo, captando a natureza (5:05) daquela coisa, vai formando um conceito. (5:08) Então o termo dessa operação é justamente o que? (5:12) O conceito, a noção. (5:14) Então o conceito que nós expressamos, a noção que nós temos sobre a coisa, de fato (5:18) o termo dessa operação é justamente o conceito que de uma certa maneira tem relação com (5:24) a natureza da coisa. (5:26) E a expressão oral de tudo isso, a expressão oral desse termo, desse conceito, é a palavra, (5:32) a palavra que nós usamos, a palavra homem, a palavra mesa, a palavra vida, etc. (5:37) Isso é uma palavra que evidentemente está pressupondo ali um conceito que pressupõe (5:41) essa simples apreensão. (5:43) Lógico que alguém poderá dizer, ah professor, mas existem conceitos absurdos, tem conceitos (5:48) que não têm sentido, por exemplo, o conceito de círculo quadrado. (5:53) Mas como é possível eu ter um conceito de círculo quadrado? (5:57) Bom, é possível porque quando eu falo círculo quadrado, ele é um conceito que pressupõe (6:03) os pontos que eu disse, mas na realidade ele é um conceito que não é nem certo e nem (6:09) errado. (6:09) Ele não é nem verdadeiro e nem falso. (6:12) Por quê? (6:12) Porque quando você diz círculo quadrado, você não está afirmando nada e você não (6:18) está negando nada, essa que é a grande questão. (6:22) Ou seja, da mesma forma que eu quando digo círculo quadrado é uma coisa, repito, é (6:29) um conceito que pressupõe ali o processo da simples apreensão, captei, mas não é nem (6:34) verdadeiro e nem falso, porque eu não estou afirmando e negando nada. (6:36) Agora, se você disser um círculo quadrado é possível, aí você está dizendo algo (6:42) falso, algo que não é correto. (6:44) Mas veja que aí você não está só na simples apreensão, você não captou simplesmente (6:49) ali uma realidade ou a natureza de algo e está expressando por um conceito. (6:55) Não, você afirmou, um círculo quadrado é possível. (6:58) Então você expressou um juízo, você fez um julgamento, e o juízo é justamente a (7:04) segunda operação da razão. (7:06) Então veja que eu posso simplesmente dizer, eu posso captar homem, eu captei, ou seja, (7:14) a natureza, homem, eu posso captar a natureza desse negócio, expressar por um conceito (7:20) que é homem, sem dizer se ele é vivo ou se não é vivo, se é sadio ou se não é (7:26) sadio. (7:27) Então eu posso simplesmente captar e expressar homem sem afirmar e negar nada. (7:31) E aí eu estou no livro da simples apreensão. (7:33) Agora, quando eu vou para o âmbito de um juízo, aí é outra coisa. (7:38) Quando eu vou para o âmbito do juízo, eu estou falando da segunda operação. (7:41) E essa segunda operação da razão é o ato pelo qual a nossa razão afirma ou nega algo (7:47) de um ser. (7:48) Esse ser é o sujeito e aquilo que nós afirmamos ou negamos é o predicado. (7:53) Então quando você atribui um determinado predicado a um sujeito, você está afirmando. (7:57) Quando você nega, você está excluindo esse predicado daquele sujeito. (8:00) Então o João é bonito, é um juízo afirmativo. (8:05) Laura não é bonita, é um juízo negativo. (8:08) Então veja que eu posso ter juízos afirmativos e juízos negativos. (8:12) No afirmativo você diz esse predicado está presente nesse sujeito. (8:15) No juízo negativo eu excluo esse predicado desse sujeito. (8:18) E nós fazemos isso no nosso dia a dia constantemente. (8:20) Nós afirmamos e negamos coisas, nós emitimos juízos constantemente. (8:24) Então o juízo, ele é ou é correto ou é incorreto, ou é verdadeiro ou é falso, tá (8:29) certo? (8:30) Então isso é muito importante. (8:31) Então o juízo, na medida em que afirma ou nega, ou seja, na medida em que ele pode ser (8:35) ou negativo ou afirmativo, justamente por afirmar ou negar, se posicionando, o juízo (8:41) é verdadeiro ou é falso. (8:42) Da mesma forma que eu tenho juízos analíticos e juízos sintéticos. (8:47) O que é um juízo analítico? (8:49) É aquele em que a inclusão do predicado no sujeito se justifica pela simples análise (8:55) dos termos. (8:56) Então quando eu falo o homem é animal racional, a análise da palavra do termo homem já justifica (9:02) o animal racional. (9:03) Eu vejo que realmente, se é homem, esse animal racional, a animalidade e a racionalidade (9:08) está contida nesse termo. (9:10) Então no juízo analítico, a presença do predicado no sujeito, eu vou justificar analisando (9:15) o próprio termo e a própria palavra. (9:17) No juízo sintético não, a relação entre predicado e sujeito é um pouquinho mais (9:20) complexa. (9:21) Ou seja, no juízo sintético, a presença de um predicado em um sujeito não é uma presença (9:27) necessária, ou seja, a relação entre predicado e sujeito é uma relação contingente. (9:33) Logo, determinado predicado naquele sujeito, já que é contingente, só se justifica, (9:38) só se comprova pela experiência. (9:41) Então quando eu digo este cão é manso, analisando a palavra cão, você tira dela (9:47) necessariamente a mansidão? (9:50) Não. (9:50) Então quando eu digo este cão é manso, esse predicado nesse sujeito só se justifica, (9:54) só se comprova na medida em que eu tenho a experiência daquilo. (9:57) Pela experiência eu consigo comprovar, eu vou lá e vejo, mas eu não posso então deduzir (10:01) que a mansidão necessariamente está inclusa na categoria canina. (10:06) E portanto o juízo, ele afirma ou nega, pode ser analítico ou sintético, e é por isso (10:10) que os nossos juízos podem ser verdadeiros ou falsos. (10:13) E por isso que a gente tem que saber como elaborar os nossos juízos e não emitir juízos (10:18) temerários, juízos apressados, que muitas vezes as pessoas fazem isso. (10:23) E quantos problemas surgem e são gerados por causa de juízos temerários e apressados? (10:29) E o terceiro ato da razão, o terceiro ato da nossa inteligência é o raciocínio. (10:35) É o ato pelo qual a nossa razão passa de algo menos conhecido para algo mais conhecido. (10:40) Parte de uma determinada verdade, um pouco mais conhecida, para acabar deduzindo, vendo (10:45) uma outra verdade. (10:47) E aí veja que de fato isso aqui é extremamente importante. (10:52) Então a simples apreensão, ela tem em revidente o seu lugar, eu capto ali a natureza de algo (10:57) e isso gera um conceito e eu expresso pela palavra. (11:00) Pelos juízos, a minha razão afirma ou nega algo, seja de maneira analítica ou sintética, (11:06) e a expressão oral do juízo são as nossas proposições, não vai confundir com preposição, (11:12) mas são as nossas proposições, e aí tem vários tipos de proposições, as contraditórias, (11:17) as contrárias, as subcontrárias, as subalternas. (11:21) Então quando eu digo todo homem é justo, por exemplo, e aí eu digo algum homem não (11:27) é justo, essas são proposições contraditórias, porque se todo homem é justo, todo homem (11:33) é justo, todo, todo, aí o outro vem e diz não, algum homem não é justo, mas peraí, (11:38) se todos são justos, como é que algum pode não ser? (11:40) Então há uma contradição enorme aí, são proposições contraditórias e existem de (11:45) outros tipos. (11:46) E o nosso raciocínio, ou seja, é ele que realmente vai ter um peso maior, então é (11:51) lógico que o raciocínio pressupõe toda a questão da simples apreensão, da compreensão (11:56) do que é um conceito, de como eu expresso isso ali no termo, pelas palavras, como eu (12:01) estabeleço definições, etc., da mesma forma os tipos de proposições e como eu faço (12:06) conversões de proposições e para construir o que, ou seja, no nosso raciocínio vai estar (12:12) presente ali, querendo ou não, muitos elementos da simples apreensão e das proposições. (12:17) E de fato, quando nós falamos da questão do raciocínio, ou seja, basicamente na tradição (12:23) fala-se do raciocínio dedutivo e do raciocínio indutivo. (12:26) No raciocínio dedutivo você parte de um elemento, de um ponto geral, para chegar até (12:32) uma conclusão particular, em algo particular, enquanto que na indução é o contrário, (12:37) você parte do mais particular, o ponto de partida é o mais particular, para depois (12:42) você chegar àquilo que é mais geral, a uma generalização. (12:46) Então, por exemplo, o exemplo clássico de dedução, todo homem é mortal, Sócrates (12:53) é homem, logo Sócrates é mortal, então veja que eu parto de algo mais geral e geralmente (12:59) esse elemento aí é a base, ou seja, todo homem é mortal, Sócrates é homem, logo (13:04) Sócrates é mortal, melhor dizer. (13:07) Então se todo homem é mortal e se o Paulo, a Maria e o José é homem, então eles também (13:12) serão mortais. (13:13) Quando você vai para o raciocínio indutivo, ocorre uma mudança disso daí, então eu (13:17) diria as plantas, os animais e os homens se movem por si mesmos, ora, todos os corpos (13:24) viventes são plantas, animais e homens, logo todos os corpos viventes se movem por si mesmos. (13:32) Então veja que são dois tipos de raciocínio que evidentemente têm a sua validade, mas (13:38) nós precisamos entender que o ponto de partida de todo o raciocínio é justamente o que (13:46) em lógica vai chamar de premissas. (13:49) Então sempre que eu estabeleço um raciocínio, seja de forma dedutiva ou indutiva, eu estou (13:54) ali me baseando em determinados pontos, em determinadas premissas e a partir disso eu (13:59) vou fazer algum tipo de inferência, chegar a alguma conclusão. (14:03) Por isso que muitos autores vão dizer que pensar também implica ou também significa (14:09) argumentar. (14:10) A questão da argumentação, o argumento, a argumentação é justamente o que? (14:16) A expressão sensível dessa atividade da razão, dessa operação da razão. (14:24) Por isso que nós precisamos entender que todo raciocínio, todo argumento, ele vai (14:28) ter um antecedente e ele vai ter um consequente. (14:31) O antecedente é o que? (14:33) É o ponto de partida, é o que em lógica nós vamos chamar de premissas ou determinadas (14:39) proposições que estão ali na base. (14:41) Então eu tenho como ponto de partida determinadas proposições ou premissas e a partir delas (14:46) eu vou chegar a uma determinada conclusão. (14:49) Ou seja, eu tenho o antecedente, que são as proposições ou premissas, e eu tenho o consequente, (14:56) que é a conclusão que eu vou inferir a partir dessas premissas. (15:00) Mas é evidente que aqui devemos tomar um cuidado enorme. (15:03) Por quê? (15:04) Porque, de fato, um raciocínio, um argumento, ele pode ser, por um lado, como se fosse formalmente (15:11) válido e a conclusão ser falsa. (15:14) Essa é a questão. (15:15) Ou seja, pode ser que eu tenha ali todo um raciocínio e um argumento que, por um lado, (15:19) ele tem sentido, ele tem, digamos, uma validade formal, mas a conclusão é um pouco confusa. (15:25) Então por isso que alguns dizem, olha, é necessário saber distinguir entre consequência (15:30) e consequente. (15:31) Ou seja, o consequente, aquela conclusão que eu chego, é um tipo de juízo. (15:36) E o juízo lembra que é ou verdadeiro ou falso, na medida em que, pelo juízo, eu afirmo (15:42) ou nego algo. (15:43) Ou eu afirmo determinado predicado a um sujeito ou eu nego esse predicado naquele sujeito. (15:47) Então todos os juízos, ou é V ou é F, então o consequente, ele é um juízo, que é verdadeiro (15:53) ou falso. (15:55) E a consequência? (15:56) A consequência é um tipo de relação, é um tipo de ligação que nós estamos fazendo (16:01) de proposições. (16:02) Então, por exemplo, quando eu digo todo homem é imortal, ora, Pedro é homem, logo, Pedro (16:10) é imortal. (16:11) Onde está o problema desse raciocínio? (16:13) Onde está o problema desse argumento? (16:14) O problema é que, quando eu digo todo homem é imortal, ora, Pedro é homem, você tem (16:21) uma consequência, porque você está fazendo uma relação, todo homem é imortal, primeira (16:25) premissa ali, com a segunda, ora, Pedro é homem. (16:29) Então essa consequência, ela é correta, mas como ela é correta? (16:33) É correta porque eu disse todo homem é mortal e eu estou colocando Pedro dentro da categoria (16:38) homem. (16:39) E, portanto, Pedro realmente entra na categoria de homem. (16:43) Como Pedro entra realmente na categoria de homem, essa primeira proposição com a segunda (16:48) está fazendo uma consequência. (16:50) Tá bom, até aí está correto, só que baseado nisso, aí eu chego a um consequente, aí eu (16:56) digo, logo, Pedro é imortal. (16:58) Esse consequente é falso, ou seja, é possível ter uma consequência que é correta e chegar (17:04) a um consequente errado, a um consequente falso. (17:06) Então, por mais que ali, quando eu digo todo homem é imortal, ora, Pedro é homem, e ali (17:12) é uma consequência correta, por outro lado eu chego a um consequente falso. (17:16) Por quê? (17:17) Porque a categoria de homem, a categoria de homem, se atribui um predicado falso. (17:24) Então a primeira premissa, ela é viciada. (17:28) Quando eu digo todo homem é imortal, aí já está o problema. (17:31) Quando eu digo todo homem é imortal, ora, Pedro é homem, eu não estou tendo aí consequente, (17:36) eu estou tendo consequência. (17:37) A consequência é correta porque, de fato, Pedro está dentro da categoria de homem. (17:42) Mas, por outro lado, o consequente é falso, por quê? (17:44) Porque eu coloco na categoria de homem um predicado que não pertence a ela, que é (17:49) a imortalidade. (17:50) Portanto, é possível ter uma consequência correta e um consequente falso. (17:55) Ou seja, é possível que você tenha um raciocínio, um argumento que, do ponto de vista formal, (17:59) não tem problema, mas, mesmo assim, ele não é verdadeiro. (18:02) E é por isso que vai surgir o problema das falácias. (18:06) Ou seja, o que é uma falácia? (18:07) É um raciocínio incorreto, tá certo? (18:09) Que parece reto, parece certo, mas ele é portador de um defeito, ou seja, a sua conclusão (18:16) é falsa. (18:17) A falácia que pode receber dois nomes, a falácia que pode ser chamada de sofisma ou (18:22) de paralogismo. (18:23) Então muitos dizem, olha, a falácia enquanto sofisma é quando nós temos a intenção (18:27) de enganar o outro. (18:28) Ou seja, eu sei o que eu estou fazendo, estou ali manipulando, então no sofismo, a falácia (18:32) enquanto sofisma teria a intenção de enganar. (18:34) E no paralogismo seria um erro sem ter muita consciência. (18:38) Ou seja, eu cometo um erro, me engano ali e não percebi. (18:42) Isso seria a falácia enquanto paralogismo. (18:44) E aí tem vários tipos de falácia, a falácia do equívoco, a falácia de passar de um sentido (18:48) a um outro, a ignorância da questão, ou seja, a falácia de você misturar e confundir o (18:55) acidental com o essencial, a falácia da petição de princípios, tem várias. (19:00) E aproveito, né, ou seja, o nosso querido amigo aqui, irmão Filipe Trielli, tem vários (19:05) vídeos nesse sentido, sobre falácia, dando exemplos, mostrando com toda clareza o que (19:10) é. (19:11) Então eu recomendo, vai lá, dá uma olhada nos vídeos do Filipe, eu não vou ficar aqui (19:14) repetindo todos esses exemplos que ele está dando ali com muita propriedade, com muita (19:19) maravilha do jeito dele, digamos assim. (19:21) E por fim, alguém poderia perguntar duas coisas. (19:24) Primeiro, professor, quais são as causas da falácia? (19:26) Por que a pessoa comete um raciocínio incorreto, seja consentemente ou com intenção de enganar (19:32) ou não? (19:33) Me parece que tem três coisas que precisam ser levadas em consideração. (19:36) A primeira coisa é uma imperfeita observação da realidade. (19:39) A pessoa olha o mundo, olha a realidade e não observa de uma maneira minimamente adequada. (19:45) Ou seja, ela muitas vezes vê, por exemplo, fatos que no fundo, no fundo não existem. (19:50) Muitas vezes são muito mais projeções e expressões de desejos dela do que fatos (19:55) em si mesmo, né? (19:56) Então ela vê fatos que no fundo não são reais. (19:59) Ela vê coisas que muitas vezes não correspondem à própria realidade. (20:02) Então, portanto, essa observação imperfeita da realidade gera muito problema, né? (20:07) A segunda coisa é a interpretação inexata dessa própria realidade. (20:11) Ou seja, ela pega uma coincidência ocasional, por exemplo, como se fosse profundamente essencial. (20:17) E além disso, o que a gente chama de enumeração insuficiente. (20:21) Aí eu fui ali, por exemplo, sei lá, agredido e roubado por um menino e aí eu chego à (20:25) conclusão que todo menino não presta e é agressivo e bandido. (20:29) Então essas coisas, de fato, elas colaboram para que as falácias vão se estabelecendo. (20:35) Ou seja, ou porque eu não tenho paciência para observar a realidade, eu quero tanto (20:38) explicar que eu acabo apressando o que não dá, eu acabo pegando uma coisa que é ocasional (20:43) como se fosse essencial, eu acabo pegando um caso isolado, uma situação e faço uma (20:48) generalização apressada e por aí vai. (20:50) E como combater as falácias, os falsos raciocínios? (20:53) Só tem um jeito. (20:54) Eu preciso estudar lógica. (20:56) Eu preciso conhecer as regras da lógica para conseguir refutar os mais diversos tipos de (21:03) falácias, senão não tem como. (21:06) Então vejam, meus amigos, tudo isso mostra o quê? (21:09) Mostra que, de fato, se nós temos uma natureza racional, isso é importante. (21:13) Quando o ser humano despreza isso, ele, por um lado, não só perde, não só deixa de (21:18) ter, como poderia dizer, um conhecimento mais rigoroso, um discernimento moral mais claro, (21:23) uma capacidade maior de enfrentar problemas, ele perde tudo isso. (21:26) Ou seja, ele deixa de ter essas referências que ajudariam muito na sua vida. (21:30) Mas além dele perder isso, o problema é que quando eu não cultivo, de fato, a minha (21:35) natureza racional, quando eu não valorizo a vida da razão, e veja que eu não estou (21:39) falando aqui de racionalismo, isso é outra coisa, eu estou falando no sentido de valorizar (21:42) aquilo que é próprio da nossa vida humana. (21:44) Quando o princípio de comando da minha vida não é a razão e quando eu não cultivo (21:47) essa vida racional, com certeza eu estou propenso a ser manipulado por um monte de pessoas, (21:53) por um monte de discursos vazios e contraditórios, e ao mesmo tempo também de ter uma visão (21:59) da realidade extremamente confusa e deturpada. (22:03) Então, ir contra a nossa natureza, abrir mão daquilo que é tão primoroso em nós, (22:08) é querer pagar um preço muito alto. (22:11) Se você gostou aí do vídeo, deixe sua curtida, compartilhe, se inscreva no canal, e muito (22:15) obrigado pela sua atenção. (22:18) Um forte abraço, até o nosso próximo encontro. Pronto para Atualizar para Ilimitado?

domingo, 15 de setembro de 2024

Quem Vem Primeiro: Vishnu ou Krishna?


21 01

Satyaraja Dasa

Quando falo com estudantes ou professores universitários, uma questão em particular geralmente aparece: Quem vem primeiro, Vishnu ou Krishna? A maioria dos meus amigos de boa formação sabe que Vishnu e Krishna são nomes de duas diferentes manifestações da mesma Personalidade de Deus. Eles sabem também que Vishnu é geralmente visto como Deus enquanto Krishna é considerado Sua encarnação. A maioria dos dicionários se refere a Eles deste modo, com Vishnu tomando a primeira posição. Consequentemente, a tradição que considera Krishna e Vishnu como supremos normalmente é chamada de vaishnavismo, em oposição ao menos comum krishnaísmo.

Contudo, a própria questão de “quem veio primeiro” é problemática, já que Deus está além do tempo. Por esta razão, a lógica do ovo e da galinha simplesmente não se aplica. Vishnu e Krishna existem eternamente, embora possa ser dito que um é a fonte do outro, assim como o Sol e seus raios: o globo do Sol “vem primeiro”, no sentido de que os raios emanam dele e não o contrário. Porém, ambos existem simultaneamente: tão logo exista o Sol, há raios solares. A questão, então, se torna: No caso de Vishnu e Krishna, quem é o Sol e quem é os raios? (Embora tradicionalmente a analogia do Sol e seus raios seja usada com relação ao Supremo [Bhagavan] e as entidades vivas [jiva], ela também pode se aplicar aqui, no sentido de que estamos tentando discernir a fonte das várias manifestações de Deus).

Historicamente, faz sentido presumir que Vishnu venha primeiro. Afinal, as escrituras nos informam que Ele é a fonte da criação, ao passo que Krishna fez Seu advento na Terra há cerca de cinco mil anos. Além disso, Vishnu vive em opulência régia em Vaikuntha, invocando admiração e reverência — como se espera de Deus — enquanto Krishna aparece como um simples vaqueirinho em Vrindavana, envolto em doçura e simplicidade.

Embora Vishnu tenha vindo primeiro em termos de criação cósmica, a visibilidade no mundo manifesto não necessariamente corresponde à verdade ontológica (tattva). Darei um exemplo prático. Se você me conhecer antes de conhecer minha mãe, isto significa que eu sou anterior a ela? De fato, a mãe é sempre a origem; a pessoa não existiria aqui se não fosse por ela. Outro exemplo: se perguntar a uma criança de onde vem a água, ela pode responder que vem da torneira e vai provar abrindo a torneira. Conforme ela cresça, ela virá a saber que a água vem das nuvens na forma de chuva e aprenderá que há um reservatório, uma companhia de água municipal e um labirinto de canos que leva a água para as casas das pessoas. Ela entenderá o complexo processo através do estudo e do crescente conhecimento.

Similarmente, as escrituras afirmam que Krishna é a fonte de Vishnu, ainda que Vishnu apareça neste mundo antes de Krishna.

Monoteísmo Polimórfico

A confusão aparece parcialmente porque, ao contrário das religiões tradicionais, o vaishnavismo reconhece uma forma de monoteísmo polimórfico. Isto quer dizer que ele sustenta que há um Deus que aparece em inúmeras manifestações, cada uma delas distinta e única. Estas manifestações, além disso, são consideradas iguais e, ao mesmo tempo, hierárquicas. Elas são unas, mas, ainda assim, são diferentes.

De fato, pode-se dizer que todas as formas de Deus são uma, como na seguinte afirmação de Srila Prabhupada:

Na categoria de vishnu-tattva, não há perda de poder de uma expansão para a outra, assim como não há perda de iluminação quando uma vela acende outra. Milhares podem ser acesas por uma vela original, e todas terão o mesmo poder de iluminação. Deste modo, deve-se entender que, embora todos os vishnu-tattvas, de Krishna e Senhor Chaitanya a Rama, Narasimha, Varaha e assim por diante, apareçam com diferentes características em diferentes eras, todos são igualmente investidos de potência suprema. (Chaitanya-charitamrita, Adi-lila 3.71, significado).

A analogia da vela de Prabhupada se baseia em um exemplo encontrado na Brahma-samhita (5.46), que estabelece objetivamente Krishna como o supremo entre as manifestações do Senhor: “A luz de uma vela se comunicando com outras velas, embora queime separadamente nelas, é a mesma em qualidade. Adoro o primordial Senhor Govinda [Krishna], que Se mostra igualmente da mesma maneira móvel em Suas várias manifestações”.

Brahma afirma isto até mais diretamente em uma parte anterior dessa mesma obra (5.1): “Krishna, que é conhecido como Govinda, é o Deus Supremo. Ele tem um corpo espiritual bem-aventurado eterno. Ele é a origem de todos. Ele não tem outra origem e é a causa primeira de todas as causas”.

E, então, novamente (5.39): “Adoro Govinda, o Senhor primordial, que, através de Suas várias porções plenárias, apareceu neste mundo em diferentes formas e encarnações tais como Senhor Rama, mas que aparece pessoalmente em Sua forma suprema original como o Senhor Krishna”.

Brahma reitera este ponto no Srimad-Bhagavatam (10.14.14) após ver Krishna produzir incontáveis formas de Vishnu a partir de Seu corpo transcendental. Dirigindo-se a Krishna, Brahma diz: “És o Narayana original [Vishnu], ó controlador supremo, já que és a Alma de todos os seres corporificados e a testemunha eterna de todas as esferas criadas. De fato, o Senhor Narayana é Tua expansão e é chamado Narayana porque é a fonte geradora da água primordial do universo. Ele é real e não um produto da Tua maya, a energia ilusória”.

Então, embora as manifestações plenas de Deus sejam todas iguais, há um sentido de que uma vem da outra, com Krishna existindo no começo. Deste modo, Ele é conhecido como avatari — “a fonte de todas as encarnações” — em oposição a avatara. Krishna e Suas encarnações plenárias são a mesma Pessoa Suprema em diferentes roupagens para propósitos distintos, que vão de aceitar adoração régia de Seus servos no mundo espiritual a Se ocupar em trocas íntimas com Seus devotos confidenciais em Vrindavana.

Deus em Casa

As várias formas de Krishna acomodam perfeitamente Suas interações com Seus devotos. Isto pode ser entendido através de uma analogia: O presidente Obama, como chefe executivo da Casa Branca, tem um papel formal com deveres nacionais de peso. Mas, em casa, ele é pai de seus filhos, e sua esposa pode até brigar com ele por se atrasar para o jantar. Similarmente, Vishnu é Deus de um modo mais formal, enquanto Krishna é “Deus em casa”, como um amoroso menino vaqueiro que Se diverte em intimidade com Seus vários associados. Uma entidade viva comum, assim como o presidente, atua em seus diversos papéis usando apenas um corpo, mas Deus existe simultaneamente em inúmeras formas para cada propósito e ação.

De acordo com a tradição, a unidade das várias formas de Deus existe na esfera de tattva, ou verdade filosófica. Mas há um princípio mais elevado no vaishnavismo conhecido como rasa, ou as interações extáticas da esfera espiritual. E nesta última categoria de conhecimento, a distinção reina suprema.

É verdade que várias linhas vaishnavas, assim como a Sri Sampradaya, veem Vishnu, também conhecido como Narayana, como a mais elevada manifestação de Deus. Esta é a prerrogativa delas, e os devotos de Krishna, entendendo a identidade comum de Krishna e Vishnu, respeitam a devoção dos devotos de Vishnu. Quando Sri Chaitanya Mahaprabhu encontrou-Se com os membros desta linha, por exemplo, Ele ficou satisfeito em ver o quão devotados eles eram a Vishnu. Similarmente, no Brihad-bhagavatamrita (2.4.99-107), de Sanatana Goswami, vemos que os residentes de Vaikuntha, o majestoso reino de Deus, preferem Vishnu a Krishna. Sanatana Goswami revela que este é a bhava, ou emoção, particular deles e que agrada a Deus que Seus devotos em Vaikuntha O vejam desta maneira.

Mas aqueles que vêm na linha de Chaitanya Mahaprabhu, que revelou um lado esotérico da tradição vaishnava, veem Krishna como o supremo, conhecendo-O como a Personalidade de Deus original. Embora esse fosse certamente o bhava ensinado por Chaitanya Mahaprabhu, também pode ser demonstrado objetivamente em textos tais como o Srimad-Bhagavatam e a Brahma-samhita, conforme mencionados anteriormente.

É, de fato, o Bhagavatam que faz a declaração mais famosa sobre a posição primordial de Krishna:

ete chamsha-kalah pumsah
krishnas tu bhagavan svayam

“Todas as encarnações acima mencionadas são porções plenárias ou porções das porções plenárias do Senhor, mas o Senhor Sri Krishna é a Personalidade de Deus original”. (Srimad-Bhagavatam 1.3.28)

Na verdade, o terceiro capítulo inteiro do primeiro canto presta-se a provar este ponto: seus quatro primeiros versos glorificam os Vishnus que aparecem no início da criação e, então, lista um número de importantes encarnações, inclusive o próprio Krishna. É apenas no fim da lista que encontramos as palavras krishnas tu bhagavan svayam — ”Krishna é o próprio Deus” — palavras que soam mais alto para os comentadores tradicionais do Bhagavatam.

O comentário de Prabhupada neste texto é claro: “Neste verso em particular, o Senhor Sri Krishna, a personalidade de Deus, é diferenciada das outras encarnações”. E, depois, é dito no mesmo comentário: “Segundo a afirmação de Srila Jiva Goswami, de acordo com as fontes de autoridade, o Senhor Krishna é a fonte de todas as outras encarnações. Não é que o Senhor Krishna tenha alguma fonte de Sua encarnação”.

De acordo com Sri Jiva Goswami, um dos patriarcas da tradição do vaishnavismo gaudiya, este verso (krishnas tu bhagavan svayam) é o paribhasa-sutra de todo o Bhagavatam, composto de 18.000 versos. Um paribhasa-sutra declara o tema central de um trabalho literário. Em seu Krishna-sandarbha (Anuccheda 73), Sri Jiva elabora escrevendo que os vários versos do Bhagavatam podem ser comparados a um exército, sendo este verso o monarca que comanda o exército. Ele depois mostra que, de acordo com este verso e vários outros, Krishna é a forma original de Deus e o objeto ideal de serviço devocional puro.

Gita Govinda, de Jayadeva Goswami (por volta do século doze), também proclama a posição primordial do Senhor Krishna dentre as encarnações, reforçando o ensinamento do Bhagavatam. Após ouvir as dez encarnações proeminentes de Vishnu no primeiro capítulo do livro, Jayadeva conclui afirmando que Krishna é a fonte dElas. De fato, Jayadeva sugere a primazia de Krishna por todo o Gita Govinda e afirma isto explicitamente no Ato 1, verso 16 (dashakriti-krite krishnaya tubhyam namah): “Ó Krishna, ofereço minhas reverências a Ti, que assume estas dez formas espirituais”.

Qualidades Únicas de Krishna

No Bhakti-rasamrita-sindhu, Rupa Goswami enumera sessenta e quatro características ou qualidades exibidas pelas entidades vivas. Cinquenta destas, ele escreve, podem ser encontradas na alma ordinária (jiva) em proporções diminutas, enquanto o Senhor Brahma, Senhor Shiva e outros podem possuir até cinquenta e cinco. Vishnu, ele continua, exibe até sessenta destas qualidades. Mas as quatro restantes são encontradas apenas em Krishna, escapando a todas as outras manifestações do Supremo.

As quatro qualidades exclusivas de Krishna são: (1) lila-madhurya, Ele exibe numerosos passatempos maravilhosos para o prazer de Seus devotos; (2) bhakta-madhurya, Ele interage com Seus devotos amorosos de maneiras íntimas; (3) venu-madhurya, Ele toca Sua flauta divina, atraindo assim todas as almas; (4) rupa-madhurya, Sua bela forma é incomparável e inigualável em toda a existência.

Embutido nestas explicações escriturais sobre a posição suprema de Krishna, há algo mais fundamental: A supremacia de Krishna enfatiza a superioridade do amor sobre o poder, da doçura sobre a opulência.

Bhaktivinoda Thakura escreve no Navadvipa Bhava Taranga (118): “Tanto quanto meu Sri Krishna é dotado de extrema doçura [madhurya], similarmente meu Senhor de Vaikuntha é dotado de opulência absoluta e grandeza [aishvarya]. O Senhor Krishna, enquanto Vrajendra-nandana [o amado do rei de Vraja], nunca abandona esta mesma opulência, mas tais aspectos de Sua grandeza espiritual são considerados desimportantes por Seus devotos puros”.

Em outras palavras, enquanto Krishna às vezes revela um lado opulento que se compara ao de Vishnu, como, por exemplo, quando Ele executa Seus passatempos régios em Dwaraka, Vishnu nunca exibe a doçura associada com Krishna e Seus companheiros. Portanto, pode ser dito que Krishna tem algo que não se encontra em Vishnu — passatempos de amor íntimo, familiar.

A maioria dos conceitos de Deus, mesmo na tradição vaishnava, naturalmente evoca respeito e reverência, mas Krishna evoca intimidade e relacionamento pessoal amoroso. É isto, além de qualquer outra coisa, que O distingue dentre todas as manifestações do Supremo. E amor, como todos sabemos, é o mais elevado fenômeno em toda a existência. Afinal de contas, quando confrontado com uma escolha entre poder e amor, quem escolheria o poder?

Concluindo, a visão do vaishnavismo gaudiya do Divino é que todas as formas de Deus são iguais — já que há apenas um Deus — mas Krishna desfruta de uma posição especial como “a vela que acende as outras velas”. Além de Sua posição primordial ontológica como a fonte de todas as manifestações de Vishnu, Ele emana uma doçura e intimidade que eclipsa o poder e a majestade de outras formas divinas. De fato, Sua natureza todo-atrativa (Krishna significa “o todo-atrativo”) atrai até mesmo outras manifestações do Senhor. Srila Prabhupada explica que Krishna é conhecido como Madana-mohana porque Ele conquista a mente do Cupido (Madana). Quando Ele Se curva em três partes, Ele atrai todas as entidades vivas, inclusive os deuses. De fato, Ele atrai até a forma de Narayana que preside todo planeta Vaikuntha.

Srila Prabhupada escreve no capítulo dez de Os Ensinamentos do Senhor Chaitanya: ”Não há beleza que se compare à beleza de Krishna, que é a origem de Narayana e todas as outras encarnações, pois ninguém possui beleza igual ou maior do que a de Krishna. Não fosse assim, por que a deusa da fortuna, a companheira constante de Narayana, abandonaria Sua companhia e se ocuparia em penitência para ganhar a companhia de Krishna? Tal é a sobreexcelente beleza de Krishna, a mina perene de toda a beleza. É desta beleza que todas as outras belezas emanam”.

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Tradução de Kamalaksi Rupini Devi Dasi.

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Professor João Maria, vale à pena fazer licenciatura em sociologia.

10 cursos superiores que mais causam arrependimento em quem se forma — Viva Anápolis

23/08/2023

Projetar a vida profissional e escolher qual carreira seguir não é uma tarefa fácil. São muitas questões a se levar em conta, como retorno financeiro e interesses pessoais na hora de ingressar em um curso superior.

A profissão escolhida pode não dar um grande retorno financeiro ou ser um trabalho desvalorizado. Isso faz com que muita gente se arrependa da sua escolha.

Uma pesquisa realizada pelo “The College Payoff” e publicada pela Universidade de Georgetown revelou quais cursos têm alta taxa de insatisfação global.

Confira:

10º e 9º lugar: Letras e Biologia

Em décimo lugar estão empatados os cursos de letras e biologia com 52%. As profissões permitem que os graduados deem aulas de português, línguas e biologia, entre outras possibilidades para quem opte pelo bacharel. A reclamação é que a remuneração para o trabalho é baixa.

8º lugar:  Ciências Políticas

Cerca de 56% dos cientistas políticos estão insatisfeitos com a sua profissão. Esses profissionais podem dar aula e também ser contratados por partidos políticos e institutos de pesquisas. Os graduados ressaltam que além de terem um salário baixo, ocorrem poucas contratações na área.

7º lugar: Assistência Médica

Neste curso, 58% dos profissionais estão arrependidos da sua escolha, mas ele não existe no Brasil.

6º lugar: Marketing

Com mais de 60% dos profissionais insatisfeitos, o profissional de marketing pode exercer diferentes funções, definindo preços, ajudando na distribuição e também desenvolvendo produtos. Contudo, esta profissão costuma ter uma baixa remuneração.

5º lugar: Educação

O quinto lugar vai para a área da  educação, que no Brasil pode ser considerada como pedagogia. Estes profissionais trabalham dando aula para crianças. Neste curso, a insatisfação é de 61% devido às muitas horas de trabalho e o baixo salário.

4º lugar: Comunicação

O curso de comunicação conta 64% de arrependimento. Nele, o profissional pode trabalhar com veículos de comunicação, cinema, publicidade e também em instituições de ensino e pesquisa. Apesar de ser uma área bastante ampla, a remuneração é bem baixa.

3º e 2º lugares: Artes e Sociologia

Nestes cursos, 72% dos profissionais estão insatisfeitos. Em ambas as áreas é permitido trabalhar dando aula ou com instituições de pesquisa. No entanto, além de ser uma profissão muito desvalorizada, o salário também costuma ser pouco.

1º lugar: Jornalismo

O curso que mais conta com profissionais arrependidos é o de jornalismo, onde 87% dos profissionais se arrependem. O jornalista pode trabalhar na televisão, rádio, jornal, site e assessoria de imprensa. O curso em questão possui poucas oportunidades de trabalho.

fonte; vivaanapolis.com.br/cursos-superiores-que-mais-causam-arrependimento/

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