A análise de Olavo de Carvalho sobre René Descartes, frequentemente sintetizada em aulas e coletâneas como Visões de Descartes, aponta o filósofo francês como o "marco zero" da paralaxe cognitiva na filosofia moderna.
Segundo a interpretação de Olavo, o Cogito, ergo sum ("Penso, logo existo") inverte a ordem natural da realidade, estabelecendo a base para um pensamento descolado do mundo concreto.
Pontos centrais da crítica de Olavo de Carvalho a Descartes:
- Inversão da Existência e Pensamento: Olavo sustenta que Descartes tenta provar a existência através do pensamento. Para Olavo, isso é um erro, pois a existência (o ser) é o que permite o pensamento em primeiro lugar, e não o contrário.
- A Paralaxe como "Marco Zero": O "marco zero" mencionado refere-se à ruptura onde o filósofo deixa de se entender como parte do cosmos (realidade) e passa a observá-lo de fora, como se o mundo fosse um objeto externo ou um "programa de televisão".
- Dúvida como Fundamento: Olavo argumenta que Descartes transforma a dúvida em fundamento do conhecimento, confundindo a dúvida com a negação, o que resultaria em uma estrutura frágil que eclipsa a realidade vivida.
- Criação da Paralaxe: Essa abordagem gera um hiato (paralaxe) entre a experiência real e a teoria abstrata, resultando em uma "paralaxe cognitiva" elevada à enésima potência.
Em suma, a interpretação olaviana sugere que Descartes, ao tentar duvidar de tudo, separa a mente da realidade (res cogitans vs res extensa), criando um mundo de "sonhos" ou construções intelectuais que não abarcam a totalidade do ser.
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