terça-feira, 13 de maio de 2008

Alguns termos da internet.


WEB (World Wide Web)
O mais popular serviço da Internet, é através dele que podemos criar páginas e colocá-las na Internet para que outras pessoas possam visualizá-las. Ambiente multimídia Internet, também conhecido como WWW.

WEB 2.0
O termo Web 2.0 é utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web --tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. A idéia é que o ambiente on-line se torne mais dinâmico e que os usuários colaborem para a organização de conteúdo.

WEB 3.0
O termo Web 3.0 ou Web semântica é utilizado para descrever a terceira geração da World Wide Web --pretende ser a organização e o uso de maneira mais inteligente de todo o conhecimento já disponível na Internet de forma semântica. A Web que passa a dar sentido aos dados ou sistemas que conseguirão não só apresentar o dado ou informação, mas dar contexto a esse dado; Sistemas mais inteligentes e dados que descrevem dados.

Quer saber mais. entre neste glossário sobre internet.

http://www.creativehost.com.br/suporte/glossario/w.htm


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O que é Creative Commons


Creative Commons

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Creative Commons (tradução literal:criação comum também conhecido pela sigla CC) pode denominar tanto um conjunto de licenças padronizadas para gestão aberta, livre e compartilhada de conteúdos e informação (copyleft), quanto a homônima organização sem fins lucrativosnorte-americana que os redigiu e mantém a atualização e discussão a respeito delas.

Finalidade das licenças Creative Commons

As licenças Creative Commons foram idealizadas para permitir a padronização de declarações de vontade no tocante ao licenciamento e distribuição de conteúdos culturais em geral (textos, músicas, imagens, filmes e outros), de modo a facilitar seu compartilhamento e recombinação, sob a égide de uma filosofia copyleft.


As licenças criadas pela organização permitem que detentores de copyright (isto é, autores de conteúdos ou detentores de direitos sobre estes) possam abdicar em favor do público de alguns dos seus direitos inerentes às suas criações, ainda que retenham outros desses direitos. Isso pode ser operacionalizado por meio de um sortimento de módulos standard de licenças, que resultam em licenças prontas para serem agregadas aos conteúdos que se deseje licenciar.

Os módulos oferecidos podem resultar em licenças que vão desde uma abdicação quase total, pelo licenciante, dos seus direitos patrimoniais, até opções mais restritivas, que vedam a possibilidade de criação de obras derivadas ou o uso comercial dos materiais licenciados.

História do projeto

Prêmio Golden Nica, concedido ao projeto Creative Commons
Prêmio Golden Nica, concedido ao projeto Creative Commons

A filosofia imanente às licenças Creative Commons encontra antecedentes na Open Publication License (OPL), na GNU General Public License (GPL) e na GNU Free Documentation LicenseGFDL foi criada precipuamente para o licenciamento de documentação de projetos de software, mas passou também a ser utilizada em outros projectos (como a Wikipedia). (GFDL). A

As licenças Creative Commons, no entanto, diferenciam-se de tais iniciativas por não incluírem necessariamente dentre os direitos disponibilizados ao público (conforme o tipo de licença que se esteja a tratar) a possibilidade de manipulação do conteúdo por meio de código aberto. Tais licenças, nestas hipóteses, acabam permitindo unicamente a livre manipulação, distribuição, compartilhamento e replicação destes conteúdos.

O projeto Creative Commons foi lançado oficialmente em 2001. Lawrence Lessig, professor da Universidade de Stanford, fundador e presidente da Creative Commons, começou a organização como um método adicional de conseguir os objectivos do seu caso no Supremo tribunal, Eldred v. Ashcroft.

A primeira proposta de licenças Creative Commons[1] foi publicada em 16 de Dezembro de 2002.

O projecto foi premiado com o Golden Nica Award[2] no Prix Ars Electronica[3] na categoria "Net Vision" em 2004.

Outras informações relevantes

A entidade disponibiliza ainda metadados RDF/XML, que descrevem as licenças de forma a tornar mais fácil localizar e processar em rede obras licenciadas pelo padrão da entidade.

Implicações legais

As principais licenças Creative Commons foram redigidas levando em consideração o modelo legal norte americano, o que leva a concluir que as licenças podem, eventualmente, não se integrarem perfeitamente com a legislação de outros países.

Ainda que se considere que as licenças são meros contratos standard entre o autor e o público, usar tais modelos sem levar em consideração as leis locais poderia tornar as licenças inutilizáveis. Por essa razão, a entidade desenvolveu o projecto iCommons (International Commons), visando uniformizar a redação das licenças por ela disponibilizadas, de acordo com as especificidades normativas de cada país.

No Brasil, as licenças já se encontram traduzidas e totalmente adaptadas à legislação brasileira. O projeto Creative Commons é representado no Brasil pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.

Em Portugal, as licenças estão também adaptadas à legislação portuguesa, sendo o projecto de adaptação capitaneado pela Universidade Católica Portuguesa, UMIC e INTELI.

Atualmente, as licenças Creative Commons já foram adaptadas às legislações nacionais de mais de 30 países, tais como França, Alemanha, Itália, Espanha e outros.

Projectos e obras que utilizam as licenças Creative Commons

Desde o lançamento do projeto, o crescimento do catálogo de obras audiovisuais e textuais licenciados por um ou outro tipo de licença Creative Commons, foi exponencial. Alguns dos mais conhecidos projectos licenciados com as licenças CC incluem, exemplificativamente:

  • Todo o conteúdo da Agência Brasil, da Radiobrás (notícias, fotos e vídeos produzidos pela operadora de TV e Rádio do Governo Federal do Brasil)
  • O livro de Lawrence Lessig Free Culture (2004), primeiro livro licenciado sob CC.
  • A ficção de Cory Doctorow.
  • O portal jurídico Groklaw.
  • MIT OpenCourseWare - Sebentas (apostilas) académicas do MIT.
  • Três dos livros de Eric S. Raymond, The Cathedral and the Bazaar (o primeiro livro completo e comercialmente lançado por O'Reilly & Associates[4] sob uma licença CC), The New Hacker's Dictionary, e The Art of Unix Programming.
  • Public Library of Science
  • Um vasto sortimento de fotografias publicadas no portal de compartilhamento Flickr.




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Uma reflexão. Sobre conhecimento.


Mas e vocês? Por acaso conseguiriam acertar todas também?

A professora estava tendo dificuldades com um dos alunos.
-Pedro, qual é o problema?
-Sou muito inteligente para estar no primeiro ano. Minha irmã está no terceiro ano e eu sou mais inteligente do que ela. Quero ir para o terceiro ano também!
A professora vê que não vai conseguir resolver o problema e o manda para a Diretoria. Enquanto Pedro espera na ante-sala, ela explica a situação ao diretor. Ele propõe fazer um teste com Pedro, imaginando que o garoto não irá conseguir responder a todas as perguntas e assim, teria mesmo é que continuar no primeiro ano.
A professora concorda. Chama Pedro e explica que ele vai ter de passar por um teste. O Menino aceita.
-Pedro quanto é 3 vezes 3?
-9.
-E quanto é 6 vezes 6
-36.
O diretor continua a bateria de perguntas, que qualquer aluno do terceiro ano deve saber responder e Pedro não comete nenhum erro.
Ele diz para a professora:
-Acho que temos que colocar Pedro no terceiro ano.

A professora irritada, então pergunta para o diretor:
-Posso fazer algumas perguntas também?
O diretor e Pedro concordam. A professora começa a perguntar:
Pedro, me diga...
-O que é que a vaca tem e eu só tenho duas?
Pedro pensa um instante e responde:
-Pernas
Ela faz outra pergunta:
-O que é que há nas suas calças, que não há nas minhas?
O diretor arregala os olhos, mas nem tem tempo para interromper...
-Bolsos - responde corretamente o Pedro.
-O que é que entra na frente da mulher e que só pode entrar atrás do homem?
Espantado e já começando a ficar com medo dos questionamentos, o diretor prende a respiração...
-A letra M - responde o garoto.
A professora continua a argüição:
- O que é mole, mas na mão das mulheres fica duro?
- Esmalte – continua o garoto
- O que as mulheres tem, que tem seis letras, começa por B, termina com A e não sai da cabeça dos homens?
- A beleza. Prossegue Pedro, sem se alterar.

- Onde é que a mulher tem o cabelo mais enroladinho?
-Na África - responde Pedro de primeira.
- O que é que começa com a letra C, termina com a letra U e ora esta sujo, ora esta limpo?
O diretor começa a suar frio e a se sentir sufocado.
-O céu, professora.
- O que as mulheres tem, que tem seis letras, começa por B, termina com A e não sai da cabeça dos homens?
- A beleza – Responde o garoto.
- O que as mulheres têm no meio das pernas?
- O joelho. Continua o sábio garoto.
- O que é que a mulher casada tem mais larga que a solteira?
- A cama. Responde o menino.

-O que é que começa com C, tem duas letras, um buraco no meio e eu já dei para várias pessoas?
- CD.
Não mais se contendo, o diretor interrompe já quase enfartando, respira aliviado e diz para a professora:
-Olha...Faz o seguinte, põe o Pedro no quarto ano, professora. Eu mesmo teria errado todas as suas perguntas.

O autor é participante do yahoo respostas.

o autor: MAGO DA LUZ.


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segunda-feira, 12 de maio de 2008

A Teoria do Caos.



A Teoria do Caos.

Quando os gregos queriam se referir a um vazio abissal, usavam a palavra cháos.

Caos nem sempre é uma coisa ruim. No sentido de pura desordem, realmente, pouco se pode dizer a seu favor. Mas o que o matemático James Yorke estava querendo dizer quando tomou este termo emprestado em 1975, era desordem ordenada - um padrão de organização existindo por trás da aparente casualidade.

E isso é uma coisa muito boa.

A "teoria do caos" - o estudo dessa desordem organizada - entrou em vigor somente nos anos 80, mas suas sementes foram lançadas em 1960, quando um meteorologista do M.I.T, Edward Lorenz desenvolveu modelos computacionais dos padrões do tempo. Como todo mundo sabe, é muito difícil fazer uma previsão de tempo a longo prazo, ainda que possamos isolar muitos dos fatores que causam as mudanças. Lorenz, como outros, pensava que tudo o que era preciso para uma melhor previsão era um modelo mais abrangente. Então, escreveu um programa baseado em doze equações simples que em linhas gerais modelava os principais fatores que influenciam o tempo.

lorenz_4.gif (7135 bytes)Lorenz descobriu algo surpreendente: pequenas mudanças ou pequenos erros em um par de variáveis produziam efeitos tremendamente desproporcionais. Para um período de uns dois dias, elas mal faziam diferença; mas extrapolando-se para um mês ou mais, as mudanças produziam padrões completamente diferentes. Lorenz chamou sua descoberta de "efeito borboleta", tirado do título de artigo que ele publicou em 1979:

"Previsibilidade: pode o bater de asas de uma borboleta no Brasil desencadear um tornado no Texas?"

Em outras palavras: fatores insignificantes, distantes, podem eventualmente produzir resultados catastróficos imprevisíveis? Lorenz se permitiu uma pequena hipérbole porque queria dramatizar seu ponto de vista. Virtualmente todos os físicos antes dos anos 70 fixaram-se nos chamados processos "lineares" - processos em que pequenas mudanças produziam resultados proporcionalmente pequenos. Mas um grande número de fenômenos - não só na meteorologia e na física, como também na biologia, ecologia, economia, e assim por diante - não obedeciam leis lineares nem seguiam fórmulas lineares. Processos "não lineares" são aqueles em que as equações envolvem taxas variáveis de mudança, e não taxas fixas, em que as mudanças são multiplicadas, em vez de adicionadas, e pequenos desvios podem ter vastos efeitos.

O próximo passo em direção à teoria do caos foi dado nos anos 70, quando Yorke e seu amigo, o biólogo Robert May, começaram a examinar as propriedades da assim chamada "equação logística" que, entre outras coisas, fornece um modelo simples para o crescimento da população. A maneira como essa equação funciona é que os resultados vão sempre alimentando a equação de modo a se obterem novos resultados. O interessante é que, dependendo de como você utiliza um certo fator, os resultados podem se tornar altamente previsíveis ou altamente caóticos.

Mas até mesmo o caos da equação logística tem seu próprio tipo de padrão. Embora você não possa sempre prever qual será o resultado particular da equação, você sabe que ele vai cair em uma determinada faixa. (Se você fizesse um gráfico dos resultados, veria surgir um padrão ou uma tendência determinada.) Muitas outras equações se comportam de forma semelhante, produzindo o caos com uma tendência ou um modelo de organização - entre estas, estão as equações que predizem a turbulência em líquidos ou a subida e a queda dos preços do algodão.

esquemacaos.gif (5122 bytes)Tais equações são o reverso da fórmula do tempo de Lorenz: até onde vão chegar os preços do algodão em um dia particular é imprevisível (ou ficaríamos todos ricos jogando no mercado de futuros); mas a história dos preços do algodão mostram uma certa ordem. O nome dado a essa ordem é "fractal". Se você fizer um diagrama das flutuações de preço minuto a minuto, semana a semana, mês a mês e ano a ano, a tendência mostrada no diagrama mais geral (ano-a-ano) se refletirá nos diagramas mais detalhados (de mês-a-mês para baixo). Um diagrama fractal pode ser ampliado para qualquer magnificação que você quiser, e vai claramente parecer, e algumas vezes reproduzir exatamente, o padrão do quadro mais amplo.

Esse comportamento da curva do preço do algodão foi descoberto no princípio dos anos 60 pelo eclético erudito Benoit Mandelbrot. Nascido na Lituânia e educado na França, Mandelbrot nacionalizou-se americano, e trabalhava para a IBM quando descobriu que outros fenômenos também apresentavam a característica fractal dos preços do algodão - por exemplo, a distribuição de "ruídos" (erros) nas transmissões eletrônicas. Gradualmente, Mandelbrot achou outros exemplos do mesmo comportamento, abordando até a geografia, no inovador artigo "Qual a extensão da costa britânica?" A idéia básica desse artigo é que todos os tipos de objetos naturais, a exemplo do litoral britânico, têm um grau de imprecisão que parece o mesmo não importa o quanto você se aproxime deles. Vista de um ponto distante ou examinada através de um microscópio, uma costa vai parecer igualmente irregular - de modo que, na ausência de um sinal indicador da distância em que a imagem da costa foi obtida, seria difícil, senão impossível, discernir este aspecto.

Para descrever essa irregularidade ou imprecisão recursiva, auto-reflexiva, Mandelbrot ampliou a noção da dimensão matemática. Estávamos acostumados a pensar em termos de dimensões integrais - uma linha de dimensão 1, um plano de dimensão 2, um cubo de dimensão 3. Mas Mandelbrot introduziu o conceito de dimensões fracionais - 1,3; 2,7; 12,2 - para descrever a recorrência ou imprecisão que observou nos contornos do litoral e nas curvas de preço. (Pense em uma dimensão fracional como uma medida de quanto uma linha ou uma forma consome de uma dimensão total. Quanto mais irregular uma forma, mais espaço ela consome.) Em 1975, ele cunhou o termo "fractal" para nomear essa nova geometria dimensional fracional.

A geometria fractal e o caos teriam permanecido como meras curiosidades não fosse a descoberta do físico Mitchell Feigenbaum, nos meados da década de setenta, de que muitos sistemas não-lineares, aparentemente não relacionados, comportam-se de modos claramente semelhantes. Isso sugere que deveria existir uma teoria unificada para explicar o comportamento caótico dos sistemas e equações em uma faixa ampla de setores. E foi aí que os cientistas realmente começaram a prestar atenção.

A teoria do caos é algo recente e ainda está sendo refinada. Novas aplicações estão sendo descobertas ou inventadas, artigos continuam a ser publicados, dúvidas e demonstrações alternam-se rapidamente. Apesar disso, a teoria do caos lançou alguma luz no comportamento dos sistemas, sistemas quintessenciais de líquidos fluindo, os quais são propícios a sofrer mudanças rápidas de um comportamento estável para um comportamento aparentemente caótico, no modo como a água passa de líquido fixo a líquido em ebulição, à medida que a temperatura é ligeiramente aumentada. (A 99,5 °C, a água é apenas água quente; a 100,5 °C, ela passa a mudar de estado, tornando-se gasosa.) O jargão pode ser intimidante - coisas do tipo "estranhos atratores" são difíceis de explicar. (Eles são basicamente formas que restringem curvas não reprodutíveis, se é que isso ajuda.) E idéias tais como "dimensões fracionais" tendem a parecer bizarras ou inutilmente abstratas - mas na realidade a geometria fractal tem muitas aplicações práticas.

Como salienta James Gleick em seu "popular" livro sobre o caos, medir a dimensão fractal de uma superfície metálica pode nos fornecer uma informação a respeito de sua resistência. A superfície da terra tem uma dimensão fractal, da mesma forma que os vasos sangüíneos em nosso corpo. Até o cérebro humano e sua consciência podem ter formas fractais.

Geometria fractal tem sido adotada em setores tais como General Electric, Esso e estúdios de Hollywood, na Engenharia Civil na análise de Instabilidade paramétricas de estruturas e em outras áreas.

bibliografia: http://www.geocities.com/~esabio e Applied Nonlinear Dynamics, Ali H. Nayfeh

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PROFESSORA, SIM; TIA, NÃO: CARTAS A QUEM OUSA ENSINAR


RESENHA


PROFESSORA, SIM; TIA, NÃO: CARTAS A QUEM OUSA ENSINAR

TEACHER, YES; AUNT, NO: LETTERS TO WHOEVER DARES TEACH

INSTITUTRICE, OUI; TANTE, NON: LETTRES À QUICONQUE OSE ENSEIGNER

PROFESORA, SI; TIA, NO: CARTAS A QUIÉN SE ATREVE A ENSEÑAR

Paulo Freire (1. ed.: maio 1993).
16. ed. São Paulo: Olho d’Água, fev. 2006. 127 p.
ISBN 85-85428-07-04.

*Responsáveis pela resenha:
-Maria Izete de Oliveira, Doutora em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC – SP, 2002). Professora do Departamento de Pedagogia da Universidade do Estado de Mato Grosso, Unemat – MT. Desenvolve projeto de pesquisa em Educação Infantil com financiamento do CNPq (afoize@gmail.com).
-Cândida Maria Ferreira da Silva, Assistente Social pela Universidade Federal Fluminense. Teóloga pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. Especialista em Políticas Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e em Infância e Violência Doméstica pela Universidade de São Paulo.




Paulo Freire, desde o início de sua vida como educador, optou claramente por estar do lado dos oprimidos, pois conhecia de perto as injustiças sociais que se abatiam sobre a classe mais pobre. Foi pioneiro no Brasil, a partir de meados dos anos 60, na utilização de métodos revolucionários voltados para a alfabetização de adultos que, além de alfabetizá-los, também os politizavam. Paulo Freire foi exilado no Chile, onde continuou sua prática libertária de educação. Em 1980, retornou ao Brasil e deu continuidade às suas idéias de educação libertária e conscientizadora. Em maio de 1997, morreu vítima de um ataque cardíaco.

O autor inicia sua reflexão contando-nos sobre a dialética do pensar e explica como a retomada das reflexões sobre suas obras anteriores contribuiu para a escrita desta obra; como os atos de pensar e escrever não podem ser mecanizados nem dicotomizados, mas que existe uma solidariedade dialética entre um ato e outro, os quais formam o conjunto de saber o objeto pensado, construindo assim o conhecimento de dado assunto.

Posteriormente, o autor toma seu tema predileto, a alfabetização de adultos, pela qual lutou toda a sua vida, mostrando-nos como o analfabetismo é uma castração do ser humano como ser pensante; não é apenas um problema social, mas, na verdade, é uma violência contra o indivíduo. Freire enfatiza, com muita propriedade, que o analfabetismo castra o corpo consciente e falante de mulheres e homens, proibindo-os de ler e de escrever, limitando sua capacidade de fazer uma leitura do mundo e repensar sua própria leitura numa atividade reflexiva que o torne consciente de si mesmo e de sua participação no mundo.

As culturas letradas proíbem o analfabeto de participar da vida social e da assunção da sua plena cidadania e do crescimento e amadurecimento na construção do saber, pois a solidariedade dialética do ato de ler, de escrever e de re-ler, se bem assumida, nos leva a uma crescente capacidade criadora, e, quanto mais amadurecemos nesse movimento, mais pensadores críticos nos tornamos “do processo de conhecer, de ensinar, de aprender, de ler, de escrever, de estudar” (p. 8).

Freire continua sua reflexão sobre o ato de pensar e de escrever, enfatizando que o estudar é um profundo movimento solidário da dialética e nos introduz em um novo assunto, qual seja a polêmica temática Professora, sim; tia, não. Logo, esclarece sua intenção ao definir o que quer transmitir com suas reflexões: que aquele que ensina é também um aprendiz e que essa atividade é prazerosa, mas igualmente exigente de seriedade, de preparo científico, de preparo físico, emocional e afetivo. A atividade de ensinar também exige ousadia, pois requer envolvimento emocional; aprendemos com todo o corpo, com a emoção e com a razão e nunca podemos dicotomizar esses sentimentos. Pensar o aprendizado como uma ação que envolve emoções é uma ousadia, principalmente quando essas emoções ou esse amor levam à resistência contra a realidade social e política na qual vivem os “ensinantes-aprendizes”.
O autor, então, descortina a questão que, aos olhos do senso comum, parece amorosa, qual seja tratar a professora de tia, mas, na verdade, esse tratamento esconde a ideologia da passividade do “ensinante-aprendiz”, pois resistir a uma política e uma realidade social angustiante e de sucateamento do ensino não é para seres passíveis, amorosos e parentais como a maioria das tias.

O autor defende com veemência que ensinar é uma tarefa que envolve militância e especificidade no seu cumprimento e que ser tia é viver uma relação de parentesco, e, por isso, nunca poderia ser uma profissão. Ensinar implica educar e vice-versa, e, para tanto, é necessária a “paixão do conhecer”, que nos envolve, como diz Freire, numa busca prazerosa, mas nada fácil.

Entretanto, não é intenção do autor, com essas afirmações, desvalorizar a tia, mas valorizar a professora, não lhe retirando aquilo que lhe é fundamental: sua responsabilidade profissional, que faz parte da exigência política de sua formação, esta em estado permanente. Concordamos com o autor quando faz essa reflexão, pois o termo “tias” carrega uma ideologia de “boas moças”, que não brigam, não resistem, não se rebelam, não fazem greve.

O autor chama a atenção para o fato de que as “ensinantes” são também “aprendizes”, porque, enquanto se ensina, se aprende, e que estas devem se definir sempre como professoras, desafiando-as a deixar o cômodo papel de tia e refletir sobre até que ponto querem deixar a comodidade que essa expressão carrega e assumirem-se como verdadeiras profissionais da educação.

Ressaltamos que, assim como Freire, também não concordarmos com o uso da expressão tia para designar uma professora, em função da questão político-ideológica que se esconde por trás do termo, mas reconhecemos que existem muitas professoras que são denominadas como tias e desenvolvem excelentes trabalhos, assim como existem aquelas que são consideradas professoras e, no entanto, não fazem jus ao título.

Neste sentido, enfatizamos que, seja qual for o sistema educacional vigente, reacionário ou democrático, sejamos sempre professoras, assumindo nosso papel profissional e nos posicionando política e eticamente na nossa função de ensinar, não nos esquecendo de ensinar, também, sobre cidadania a nossos alunos e a suas famílias.

O autor finaliza sua reflexão acerca da avaliação da prática da professora, que deve ser avaliada não para ser punida e, sim, para melhor se formar, ou seja, aprimorar a sua prática pedagógica. Entendemos que todo profissional deve ter sua prática avaliada constantemente. Prática não avaliada é fazer por fazer, fazer por costume, por cotidiano, sem consciência, e por isso mesmo atuação sem crítica e sem a prática do repensar.

O pensar crítico, o analisar, o repensar nos remetem ao início do texto, quando o autor defende a solidariedade dialética do ato de pensar, de escrever, de ler e de repensar. Na avaliação da nossa atuação profissional é necessária uma solidariedade dialética entre o exercício da teoria e da prática, uma releitura de nós mesmos e um repensar do nosso fazer cotidiano como “ensinantes-aprendizes”.
A tarefa de ensinar-aprender requer militância, consciência e paixão pelo saber, profissionalismo e determinação do educador em não se deixar envolver nas sombras ideológicas que buscam minorar o seu papel diante de seus alunos e da educação de modo geral.

O autor aborda, ainda, um outro assunto interessante, quando assinala que as crianças não estão evadindo da escola, mas que, na verdade, as crianças são proibidas de estudar pela configuração social que temos e que alija os pobres do processo de conhecimento e crescimento. As crianças pertencentes às classes menos favorecidas não evadem da escola, e sim são proibidas de estudar por causa da fome, da miséria em que vivem, da falta de escolas e de educadores de qualidade, da distância em que se encontram da escola, da necessidade de trabalhar, da falta de moradia, da estrutura social que favorece poucos e exclui muitos, não apenas no Brasil, mas no mundo.

O texto abordado é uma obra-prima e leva à reflexão profunda sobre vários temas: analfabetismo, política educacional, estrutura social, papel profissional, condição da criança e do jovem em países pobres. Paulo Freire é genuíno em sua escrita, porque dedicou toda sua vida não apenas a pensar, mas a praticar uma pedagogia libertária e justa socialmente e que trouxe para o palco da vida e da sociedade todos aqueles que são jogados na coxia.

O que nos leva a resgatar essa discussão, que foi levantada por Paulo Freire há algum tempo (1993), é o fato de estarmos vivenciando um momento histórico em que a qualidade da educação se mostra cada vez mais comprometida. Por isso, a necessidade de contribuir com a reflexão sobre a prática pedagógica dos educadores.

VOLUME 12, NÚMERO 22 - p. 151-154, jan.-jun. 2006
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AFETIVIDADE E COGNIÇÃO


AFETIVIDADE E COGNIÇÃO: O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM EM ANOS INICIAIS

Paloma Nogueira de Oliveira Costa

RESUMO

Este artigo discute a afetividade e cognição como processo de ensino – aprendizagem em Anos Iniciais do Ensino Fundamental, apresentando um estudo bibliográfico sobre a importância do desenvolvimento humano nesse período escolar. Para os professores, é imprescindível o conhecimento das teorias da psicologia da aprendizagem para um acompanhamento mais detalhado dos seus alunos. Nos últimos anos, muito se tem debatido sobre os problemas educacionais que são muitos no Brasil. Vai de evasão a fracasso escolar, porém o mais polemizado é a dificuldade no processo ensino – aprendizagem. A partir disso, procurei na psicologia uma forma de entender essa subjetividade que é o desenvolvimento humano na fase que o estudante começa não somente uma vida escolar, como também social. O artigo tem o objetivo de: discutir a importância do estudo dos teóricos: Piaget, Wallon e Vygotsky, na formação cognitiva e afetiva na criança, identificar quais os principais problemas encontrados pelos professores no processo ensino – aprendizagem, analisar como se dá o processo de ensino - aprendizagem nas crianças até 12 anos e analisar de que forma as escolas podem trabalhar a partir dos conceitos dos três autores na formação cognitiva dos estudantes. No primeiro momento, veremos como surgiu o interesse de se fazer uma pesquisa no campo da psicopedagogia, os principais pensadores, um breve resumo histórico e questões que nortearam a pesquisa. Em seguida, os três teóricos serão apresentados de maneira a focalizar suas teorias e relações no campo da educação. Concluirei abordando as perspectivas psicopedagógica para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental.

Palavras-chave: Afetividade. Cognição. Ensino – Aprendizagem. Piaget. Vygotsky. Wallon.

INTRODUÇÃO

A idéia de pesquisar o tema: Afetividade e Cognição: o processo de ensino – aprendizagem nas Séries Iniciais, surgiu após ter concluído a disciplina Psicologia da Aprendizagem IV no quarto semestre do curso Normal Superior dos Anos Iniciais, o qual se fundamentou basicamente nas teorias de Piaget, Wallon e Vygotsky.
Tive a oportunidade de manter um contato mais estreito com a obra dos três proponentes do construtivismo, cujo trabalho, embora não fosse a princípio destinado diretamente à área pedagógica, veio, posteriormente, a se tornar material referencial essencial no que concerne à educação infantil.
Durante todo o curso de formação de professores tenho refletido e pesquisado as reais contribuições da psicologia para a educação de forma a desenvolver capacidades e habilidades para a minha gestão. Pensando nisso surgiu à questão: Como se da o processo de afetividade / cognição e aprendizagem com as crianças até 12 anos de idade?
O estudo da psicologia aplicado na educação tem sido abordado por muitos autores, que fazem uma releitura dos três principais teóricos comentados nesse artigo, em vários países, inclusive no Brasil onde se tem proliferado cursos de especialização em Psicopedagogia com o público alvo para educadores e psicólogos.
Nos últimos anos ouvimos falar muito em uma nova forma de atuar na área pedagógica sob a luz da psicologia. Inúmeros autores vêm ganhando destaque nas academias com trabalhos voltados para esse tipo de abordagem focado nos processos psicológicos e comportamentais da criança em desenvolvimento.
Estudos na área de desenvolvimento humano têm mostrado como questões afetivas e cognitivas influenciam diretamente no processo ensino-aprendizagem. Dentre os teóricos construtivistas enfatizados nesse artigo, Wallon e Vygotsky são proeminentes no estudo de como essas duas faculdades, agindo de forma dialética, contribuem no desenvolvimento do ente.
Levando em consideração esse processo, surgiram alguns questionamentos como:
a) Quais as contribuições que Piaget, Wallon e Vygotsky trouxeram para o desenvolvimento cognitivo no processo de desenvolvimento humano?;
b) Como a afetividade influencia no processo cognitivo?;
c) De que forma a escola pode atuar nessa perspectiva psicopedagógica?.
Para responder as questões, primeiramente será analisadas a teoria de Piaget, Vygotsky e Wallon separadamente, levando em conta as contribuições para o campo educacional, abordando o processo de cognição e afetividade sob a ótica dos três estudiosos, concluindo assim a perspectiva psicopedagógica e a escola.
A pesquisa será desenvolvida através de coleta de dados por meio de pesquisas bibliográficas e por sítios da Internet.

I- DESENVOLVIMENTO HUMANO: UMA QUESTÃO PSICOPEDAGÓGICA

O estudo da psicologia aplicada na educação tem sido intensa nos últimos anos sob a luz de alguns teóricos, dentre eles Piaget, Vygotsky e Wallon que serão aqui abordados separadamente. A escola é o segundo grupo da escala social mais importante na vida das crianças. Hoje, boa parte delas, ingressam nas instituições aos 2 anos de idade.
Para o professor é de fundamental importância a compreensão do desenvolvimento humano nos primeiros anos de vida. Esse conhecimento capacita o educador, tornando-o apto a entender as características psíquicas, biológicas e comportamentais da criança em uma fase específica do seu crescimento, possibilitando o reconhecimento de possíveis deficiências no processo, bem como a devida intervenção.
Aspectos cognitivos / afetivos começam a se formar nessa idade e o professor deve estar preparado para atuar, conhecendo os estágios os quais os estudantes passam para que o processo de ensino-aprendizagem se faça.
Durante muitos anos, a dificuldade de aprendizagem era vista como problema orgânico. Depois da aplicação de teorias psicanalíticas na área médica essa visão foi modificada com as novas concepções sobre tais dificuldades. No Brasil, essa corrente psicanalítica foi divulgada pelo médico Arthur Ramos que por muito tempo foi o único a ter publicado no país obras relacionadas à dificuldade de aprendizagem.
Não se pode deixar de falar no movimento da Escola Nova que durou dos anos 20 até 60. Por meio de experiências educativas existentes nos Estados Unidos e na Europa, o Brasil se empenhou em encontrar respostas para os problemas educacionais que buscava enfatizar uma pedagogia humanística.

Os processos individuais da aprendizagem interessavam somente na medida que facilitassem uma tarefa pedagógica que se propunha a desenvolver ao máximo as potencialidades humanas... Todavia, ao atribuir as causas dos problemas de aprendizagem apenas a fatores individuais – físicos ou psicológicos – a Escola Nova esquecia-se de que esse projeto seria inviável em uma sociedade dividida em classes, regida por determinantes econômicos, políticos e sociais mais amplos. (SCOZ, 2004:21-22).

Só a partir da década de 80 a psicopedagogia conseguiu se estruturar graças a sua funcionalidade e eficiência ao tratar com dificuldades de aprendizagem, atuando de forma direta nas escolas de todo o mundo.
O processo de ensino-aprendizagem vai além dos conteúdos didáticos. É necessário conhecer e acompanhar individualmente o desenvolvimento de cada criança durante o período escolar para que seja proporcionada a cada estudante uma metodologia que facilite seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e motor.
A seguir, veremos as contribuições de Piaget, Vygotsky e Wallon para a educação baseado nas suas teorias de desenvolvimento humano.

II- PIAGET E OS ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

Jean Piaget (1896 – 1980) nasceu em Neuchâtel, na Suíça e morreu em Genebra deixando uma obra de mais de 75 livros e centenas de trabalhos científicos. Estudou Biologia e Filosofia na Universidade de Neuchâtel. Após de se formar, trabalhou como psicólogo experimental em Zurich, onde freqüentou as aulas ministradas por Jung.
Piaget influencia-se com os métodos informais de psicologia como as análises, entrevistas e conversas com pacientes, passando a combinar com a psicologia experimental que é o estudo formal e sistemático. Em 1919, ele muda-se para a França e passa a trabalhar com Alfred Binet, que era um renomado psicólogo infantil tendo desenvolvido teses de inteligência padronizadas para crianças. Nessa época, Jean Piaget inicia seus estudos experimentais sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas.
Em 1921, Piaget torna-se diretor de Estudos no Instituto J.J. Rousseau da Universidade de Genebra, onde começa a observar crianças brincando e registra suas ações, palavras e processos de raciocínio. Mas, boa parte da sua obra foi baseada nas observações que fez durante o desenvolvimento das suas próprias filhas.
Piaget desenvolveu estudos científicos em diversos campos como a psicologia do desenvolvimento, epistemologia genética e a teoria cognitiva. O seu trabalho mostra que ao observarmos cuidadosamente o desenvolvimento do comportamento na criança, é possível compreendermos a natureza do conhecimento humano e sua evolução. Sua teoria foi formulada baseado no estudo de que o conhecimento evolui progressivamente por meio de estruturas de raciocínio que substituem uma às outras por meio de estágios, ou seja, a lógica e a forma de pensar de uma criança se difere da dos adultos.
O pesquisador identificou quatro estágios de evolução mental que ele classificou de sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal. Cada um desses estágios é um período onde o comportamento e o pensamento infantil possui uma forma peculiar de raciocínio e conhecimento.
O sensório-motor é o primeiro estágio que dura do nascimento até o 18º mês aproximadamente, a criança procura observar os objetos que a rodeia e passa a ter controle motor, adquirindo conhecimentos empíricos que são controlados por informações sensoriais imediatas. A principal característica desse período é a ausência da função semiótica. A inteligência é trabalhada por meio de percepções e ações, como o deslocamento do próprio corpo. A linguagem começa por repetição de silabas e vai até a palavras que não são frases, mas indicadores de ações já que não representa mentalmente os objetos. A criança nessa fase reage a isolamento e indiferença quanto a sua conduta social, pois acredita que o mundo é apenas ela mesma.
O segundo estágio é o pré-operatório que dura do 18º mês aproximadamente até o 8º ano de vida, a criança procura desenvolver a habilidade verbal. Aqui, ela já consegue nomear objetos e raciocinar intuitivamente, embora ainda não consiga coordenar operações fundamentais. De 2 a 4 anos a criança vive o período simbólico, ou seja, a função semiótica permite o surgimento da imitação, linguagem, dramatização, desenho, etc., criando imagens mentais na ausência do objeto ou da ação. É conhecido também como o período da fantasia e do jogo simbólico. A linguagem está no nível de monologo. Todas as crianças falam ao mesmo tempo sem ter uma linearidade com o que o outro está dizendo. Piaget denomina algumas expressões verbais delas como nominalismo (nomear objetos que ainda não saibam o nome), egocentrismo e superdeterminação (teimosia). Dos 4 a 8 anos as crianças vivem o período intuitivo que é marcado pelo desejo de explicação dos fenômenos, onde “os por quês” são freqüentes. Aqui elas já distinguem a fantasia do real.
O estágio operatório concreto dura entre 8 a 12 anos de vida aproximadamente, onde as crianças começam a lidar com conceitos abstratos e é caracterizado por uma constante habilidade de solucionar problemas concretos e por uma lógica interna. O sujeito já é capaz de organizar o mundo da forma lógica ou operatória. Nesse momento as crianças formam grupos, círculos de amizades, compreendendo regras e estabelecer compromissos. Mas, discutir pontos de vista e chegar a um senso comum só será possível na fase seguinte.
O último estágio é o operatório formal. Aqui, a criança inicia sua transição para o modo de pensar do adulto, sendo capaz de refletir sobre idéias abstratas e raciocinar sistematicamente. A partir de estruturas lógico-matemático e hipotético-dedutivo é possível a dialética, permitindo uma conclusão diante uma discussão e estabelece relações cooperativas e reciprocidade em grupos sociais.
De acordo com a teoria de Jean Piaget, o desenvolvimento intelectual possui dói componentes que são o cognitivo e o afetivo. Ambos se dá paralelamente e é de fundamental importância o cuidado com o aspecto afetivo no processo de ensino-aprendizagem, pois ela é a dimensão que representa a dificuldade na tomada de consciência do eu e do outro.

III- O DESENVOLVIMENTO HUMANO SOB A LUZ DE VYGOTSKY

Em 15 de novembro de 1896, na cidade de Orsh, em Bielarua, hoje, União Soviética nasceu Lev Semenovich Vygotsky. Ele deixou contribuições significativas para a psicologia, linguagem, educação, neurologia entre tantos outros, vindo a falecer em 1934, vítima de tuberculose no mesmo país em que nascera.
Sua teoria fundamenta-se no desenvolvimento humano como resultado de um processo sócio-histórico, uma maior importância ao papel da linguagem e da aprendizagem, tendo como centro das atenções a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o meio.
Para Vygotsky (1988), a formação de conceitos se da entre as relações entre o pensamento e a linguagem, questões culturais na construção de significados, processo de internalização e ao papel da escola enquanto transmissora de conhecimentos. Ele propõe uma visão de formação das funções psíquicas superiores tais como a internalização mediada pela cultura.
Segundo o estudioso, existe a Zona de Desenvolvimento Proximal, que diz respeito a distancia entre o nível de desenvolvimento atual e o nível potencial do desenvolvimento. A idéia de Mediação enfatiza a construção do conhecimento como uma interação mediada por varias relações. A linguagem representa uma grande importância para a evolução humana. É por meio dela que criamos conceitos, formas de organização do real, a mediação entre sujeito e o objeto do conhecimento. É na Cultura que é fornecido ao ser humano os sistemas simbólicos de representação da realidade, que estão em constante progresso de recriação e reinterpretarão de informações, conceitos e significações.
Para o funcionamento do psicológico, o desenvolvimento do processo de internalização que envolve uma atividade externa que deve ser modificada para se tornar uma atividade interna, é interpessoal e se torna intrapessoal. A interação social se da no pensamento, memória, percepção e atenção. A motivação, a necessidade, impulso, emoção e afeto, parte através do pensamento.
Segundo Vygotsky (1991), o domínio dos instrumentos de mediação, inclusive sua transformação por uma atividade mental, é a atividade do sujeito, que não é apenas ativo, mas interativo, pois ele forma e constitui conhecimentos a partir das relações intra e inter pessoais. Acredita que na troca com outros sujeitos vai-se internalizando conhecimentos, papeis e unções sociais, o que possibilita a formação de conhecimentos e da própria consciência. A escola é onde a intervenção pedagógica interacional desencadeia o processo ensino-aprendizagem.

IV- WALLON E OS ASPÉCTOS AFETITIVOS

Henri Wallon nasceu na França em 1979 e morreu na mesma cidade em 1962. Teve uma sólida formação acadêmica em medicina, psiquiatria e filosofia. Suas obras se voltam para a educação com o objetivo de uma reforma no sistema educacional francês opôs a 2ª guerra mundial.
No primeiro momento, dedicou-se à psicopatologia e depois ao desenvolvimento da criança, tendo a consciência como fundamental questão, buscando entende-la pela sua gênese. Sua teoria aponta para dois fatores que constitui condições para cada estágio que são os fatores orgânicos e sociais. Essas características se dão em cada estagio em determinada cultura e época. Wallon (2000) aponta cinco estágios de desenvolvimento que são o impulsivo emocional, sensório motor e projetivo, personalismo, categorial e puberdade e adolescência.
O estágio impulsivo emocional vai até o 1º ano de vida e se divide em duas fases. A primeira é chamada de impulsiva que começa no momento do nascimento e dura até o 3º mês de vida, onde a exploração do próprio corpo em relação as suas sensibilidades externas e internas, são exploradas por meio de movimentos bruscos e desordenados que expressam bem ou mal estar. Na segunda fase que vai do 3º mês ao 1º ano é chamado de emocional, onde já reconhece sensações como o medo e a alegria, ou seja, é capaz de se comunicar com o próprio corpo.
O estágio sensório motor dura do 1º ao 3º ano de vida. Aqui a criança já percebe o espaço físico ao sentar, pegar e apontar, acompanhados pela fala. Ela já descrimina objetos, separando-os entre si e isso a prepara para o afetivo e cognitivo no próximo estágio.
No estágio do personalismo que começa aos 3 anos e vai até o 6º ano de vida aproximadamente, a criança distingue-se do outro por meio de uma exploração de si mesmo como alguém diferente do outro, construindo sua subjetividade por meio de atividades de oposição e ao mesmo tempo sedução a outras pessoas.
O estágio categorial começa no 6º ano e vai até o 11º ano de vida. Nesse momento a criança está em condições de exploração mental do mundo físico por meio de classificação, agrupamento, seriação, abstração e chega ao pensamento categorial que é a organização do mundo físico e compreensão mais nítida de si mesmo.
O último estágio foi classificado por Wallon como estágio de puberdade e adolescência, começando ao 11º ano onde o sujeito se prepara para a vida adulta passando por crises de exploração de si mesmo como uma identidade autônoma, auto-afirmação, questionamentos existenciais e ao mesmo tempo submete-se a valores impostos pela sociedade e pela família embora não compreenda ou aceite. As categorias cognitivas aqui possuem um alto nível de abstração que possibilita discriminação de limites, autonomia e dependência. Mudanças no corpo e na personalidade causa conflitos diante de si mesmo.

A teoria nos aponta, então, conjuntos funcionais que atuam como uma unidade organizadora do processo de desenvolvimento. O afetivo, o motor e o cognitivo se relaciona entre si profundamente, a cada momento, e dão resultado a pessoa individual. (MAHONEY, 2000: 17).

Em todas as fases, os aspectos motor, afetivo e cognitivo reagem a estímulos internos e externos, traduzindo a passagem do sincretismo para a diferenciação que está presente no processo de desenvolvimento. O afetivo se origina na interocepção e propriação que são responsáveis pela atividade generalizada do organismo.

V- A ESCOLA E A PERSPECTIVA PSICOPEDAGÓGICA

Na perspectiva psicopedagógica, os autores: Piaget, Vygotsky e Wallon contribuem com suas teorias de forma significativa e eficaz para a compreensão do desenvolvimento humano no processo de ensino-aprendizagem nas séries iniciais.
Jean Piaget (1996) oferece aos professores uma teoria didática para que possam desenvolver as capacidades e habilidades cognitivas e afetivas nos alunos por meio de estímulos. É de suma importância a definição dos períodos de desenvolvimento da inteligência para que auxilie o professor no entendimento da fase que seus alunos estão passando e montar uma didática específica para o grupo.

Aceitar o ponto de vista de Piaget, portanto, provocará turbulenta revolução no processo escolar (o professor transforma-se numa espécie de ‘técnico de time de futebol’, perdendo seu ar de ator no palco). (...) Quem quiser segui-lo tem de modificar, fundamentalmente, comportamentos consagrados, milenarmente (aliás, é assim que age a ciência e a pedagogia começa a transformar-se uma arte apoiada, estritamente, nas ciencias biologicas, psicológicas e sociológicas). Onde houver professor ‘ensinando’ ... ai não está havendo uma escola piagetiana! (LIMA, 1980: 131).

Baseado na teoria de Vygotsky (2004), o professor é o mediador entre o sujeito e o objeto de estudo, interferindo no processo de aprendizagem, levando em conta aspectos da linguagem, cultura, processo de internalização, função mental e zona de desenvolvimento proximal. O aluno aprende junto a outro o que produz o grupo social seja na linguagem, valores ou conhecimentos.
Wallon (2000) propõe uma teoria pedagógica tendo o “meio” como um conjunto de circunstancias no qual as pessoas se desenvolvem interagindo com o outro. A escola deve ser considerada indissolúvel na relação da criança com a sociedade e manter o equilíbrio entre elas, favorecendo a auto-estima do estudante, tendo na sala de aula como uma oficina de convivência.
Dessa maneira, o artigo aqui apresentado sugere que o professor compreenda as teorias do desenvolvimento humano e ter atitude de investigador do aluno e da sua prática por meio de pesquisas na área psicopedagógica.

REFERÊNCIAS

VYGOTSKY, L.S. et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo, Ícone Editora, 1988.

VYGOTSKY, L.S. A formação Social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

MAHONEY, Abigail, ALMEIDA, Laurinda. (orgs). Henri Wallon: Psicologia e educação. São Paulo, Editora Loyola, 3ª edição, 2000.

FLAVELL, John H. A psicologia do desenvolvimento de Jean Piaget. São Paulo, Livraria Pioneira Editora, 5ª edição, 1996.

SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia e realidade escolar: o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis, Editora Vozes, 11ª edição, 2004.

LURIA, A.R. Desenvolvimento Cognitivo: seus fundamentos culturais e sociais. São Paulo, Ícone Editora, 3ª edição, 2002.

CHIABAI, Isa Maria. A influência do meio rural no processo de cognição de crianças da pré-escola: uma interpretação fundamentada na teoria do conhecimento de Jean Piaget. São Paulo, 1990. Tese (Doutorado), Instituto de Psicologia, USP.

LIMA, Lauro de Oliveira. Piaget para principiantes. 2ª ed. São Paulo: Summus, 1980. 284p.

PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.

Site: Acessado em 30/09/2005, às 22h

Site: Acessado em 30/09/2005, às 22h45


Fonte:
http://palomanogueira.blogspot.com/2005/12/artigo-cientfico-afetividade-e-cognio.html
Obrigado por sua visita, volte sempre.

MÉTODO CIENTÍFICO



MÉTODO CIENTÍFICO
CONCEITO: palavra de origem grega, significa o conjunto de etapas e processos
a serem vencidos ordenadamente na investigação da verdade;
IMPORTÃNCIA DO MÉTODO: pode validar ou invalidar um resultado; confere
segurança; é fator de economia no estudo ou na pesquisa; é um extraordinário
instrumento de trabalho;
BENEFÍCIOS DO MÉTODO: execução de atividade de forma mais segura, mais
econômica e mais perfeita;
EXISTEM métodos peculiares a cada objetivo: método de ensinar piano, método
para ler, para escrever, para resumir, para estudar e aprender de fato, de ensinar
línguas estrangeiras, etc..
A IMPORTÃNCIA DO MÉTODO não exime o pesquisador do seu talento e da
ética científica: questionamento sobre a quem serve os resultados da pesquisa,
reflexão sobre neutralidade e objetividade da ciência;
DESENVOLVIMENTO DO MÉTODO:
Galileu Galilei (1564-1642 / 78 anos); catedrático de matemática da Universidade
de Pisa;
Método Experimental: emprega-se nos estudos situados na faixa intermediária
entre as ciências formais e as ciências da natureza;
Ciências físico-químicas: fenômenos da natureza, passíveis de serem
matematizados. Ex. extensão, massa, movimento, partícula, elemento, carga
elétrica, campo de força, etc.
1609 – desenvolveu o telescópio. Fez uso científico desse aparelho,
transformando-o em um instrumento para observação cuidadosa do céu: passou a
existir então, a possibilidade de observar, de forma mais clara e precisa, os astros
já visíveis a olho nu e de passar a ver outros astros e fenômenos até então ocultos
à visão e ao estudo do homem;
- Questiona o sistema geocêntrico, pelo qual a terra era o centro fixo do
universo (Ptolomeu e Aristóteles). Tal sistema assumido durante a Idade
Média, revestia-se de interpretações religiosas, era portanto, a doutrina oficial
da Igreja, defendida ciosamente com o auxílio da Inquisição;
- Isso implicava o abandono definitivo da idéia de um universo estruturado e
hierarquicamente ordenado;
- “Mas, meus senhores, afinal, se o homem decifra mal o movimento das
estrelas, pode errar também, quando decifra a bíblia.”
- Também afirmava que não se pode conhecer a essência das coisas e que a
ciência só se preocupa com as propriedades das coisas e com fatos
observáveis, explicita o método experimental.
- Descobre o sistema heliocêntrico, o qual contesta a idéia de que a terra é o
centro do universo.
- Galileu é considerado o cientista que inaugura a ciência moderna (1624 e
1639) com a obra Diálogo.
Francis Bacon filósofo inglês (1561-1626/ 65 anos)
- Método indutivo
- O método empírico (baseado na observação sensorial), é empregado em
parte das ciências da natureza e as ciências da cultura ou sociais;
- principal procedimento: observação. A indução consiste em enumerar os
enunciados sobre os fenômenos através da observação, procurando-se
encontrar algo que está sempre presente na ocorrência do fenômeno.
René Descartes: pensador e filósofo francês (1596 – 1650/ 54 anos) – Discurso
do Método;
- Racionalista: expõe a idéia fundamental de que é possível chegar-se à certeza
por intermédio da razão;
- O método racional (descartiano) é empregado nas ciências formais e parte das
ciências da natureza
- Método dedutivo: técnica que se fundamenta em esclarecer as idéias através
de cadeias de raciocínio;
- O pensamento é dedutivo: quando, a partir de enunciados mais gerais
dispostos ordenadamente como premissas de um raciocínio, chega a uma
conclusão particular ou menos geral. Ex: Todo homem é mortal (geral)
Pedro é homem
Pedro é mortal (conclusão particular)
Função básica do pensamento dedutivo: explicitar ao longo da demonstração
aquilo que implicitamente já se encontra no antecedente.
- Método hipotético-dedutivo; maior característica – construção de teorias e
leis;
- Considerado lógico por excelência
- Historicamente relacionado com a experimentação
- Fundamenta-se na observação
- Bastante usado no campo das ciências naturais
- Confunde-se com o método indutivo
- Diferença: não se limita à generalização empírica das observações realizadas
- Pode-se chegar através das observações à construção de teorias e leis.
- Método dialético: não envolve apenas questões ideológicas, investiga-se a
realidade pelo estudo de sua ação recíproca.
- Princípios:
a) Princípio da unidade e luta dos contrários: (contradição dos fenômenos,
unidos organicamente, constituem a indissolúvel unidade dos opostos;
b) Princípio da transformação das mudanças quantitativas em qualitativas:
(quantidade e qualidade estão presentes em todos os fenômenos e estão interrelacionados)
Obs: no processo de desenvolvimento, as mudanças quantitativas graduais geram
mudanças qualitativas;
c) Princípio da negação da negação: desenvolvimento se processa em aspiral,
isto é, suas fases repetem-se, mas em nível superior;
Obs: o método dialético é contrário a todo conhecimento rígido, tudo é visto em
constante mudança, pois sempre há algo que nasce e se desenvolve e algo
que se agrega e se transforma.
- Há um consenso de maior rigor e exatidão nas ciências experimentais que nas
ciências humanas;
- As ciências experimentais: estudam os fenômenos físicos, regidos por
determinismo da natureza, por leis fatais passíveis de previsão e que podem
até ser provocados para serem observados;
- Nas ciências humanas: há maior ou menor liberdade humana, leis mais
flexíveis, trata de fatos humanos, qualitativos, por isso não admitem avaliação
exclusivamente quantitativa.
Diferença entre método e técnica:
Método: significa o traçado das etapas fundamentais da pesquisa
Técnica: significa os diversos procedimentos ou a utilização de diversos recursos
peculiares a cada objeto de pesquisa, dentro das diversas etapas do método;
A técnica é a instrumentação específica da ação, é mais instável, obedece ao
progresso tecnológico;
O método é mais geral, mais amplo, menos específico, mais estável.
Método de procedimento:
1. Histórico: investiga os acontecimentos, processos e instituições do passado
para verificar sua influência na sociedade de hoje.
2. Comparativo: realizar comparações com a finalidade de verificar semelhanças
e explicar divergências. Ex. grupos do presente, do passado, sociedades
iguais ou diferentes.
3. Estatístico: fundamenta-se na teoria estatística das probabilidades.
4. Estruturalista: (Lévi-Strauss) recorre a noção de estrutura para explicar a
realidade em todos os níveis.
Obs: caminha do concreto para o abstrato e vice-versa, dispondo, na segunda
etapa, de um modelo para analisar a realidade concreta dos diversos fenômenos.
5. Funcionalista: (Bronislaw Malinowski – 1884-1942/ 58 anos) – é a rigor, mais
um método de interpretação do que de investigação. Enfatiza as relações e o
ajustamento entre os diversos componentes de uma cultura ou sociedade.
- Estuda a sociedade do ponto de vista da função de sua unidade;
- considera toda atividade social e cultural como funcional ou como desempenho
de funções.
6. Monográfico ou estudo de caso: (Le Play) – consiste no estudo de
determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou
comunidades, com a finalidade de obter generalizações. Ex: estudo de famílias
operárias na Europa.Obrigado por sua visita, volte sempre.

Fonte: http://www.tj.ce.gov.br/internet2/esmec/pdf/metodo_cientifico.pdf

Livro Didático




O Livro Didático: alcances e limites.

Mauro Carlos Romanatto[1]

Um pouco de história

O livro didático no Brasil, com honrosas exceções, sempre foi considerado de qualidade duvidosa e não que cumpre seu papel de apoio ao processo educacional. Muitos são autoritários e fechados, com propostas de exercícios que pedem respostas padronizadas, apresentam conceitos como verdades indiscutíveis e não permitem a alunos e professores, um debate crítico e criativo que é uma das finalidades do processo educacional.

Os livros didáticos surpreendem pela monotonia e repetitividade de exercícios que conduzem os alunos à atividades de reprodução dos pensamentos elaborados por outros, em vez de se ocuparem no processo de construção do seu próprio conhecimento.

Nada é menos parecido com um livro, do que um livro didático. Abusam das ilustrações para desviar a atenção do conteúdo, são mal dosados, jogam a matéria, muitas vezes, sem método, bem como contêm imprecisões. Alguns têm vários autores. Muitas vezes a pessoa citada nem participou da elaboração do livro, nunca deu aula, não conhece o aluno. Apenas entrou na parceria.

Com freqüência os livros didáticos diluem fontes de conhecimento, simplificam-nas para torná-las acessíveis à compreensão do aluno. E raros são aqueles que o fazem com competência.

Entretanto, os editores nunca foram responsáveis pela má qualidade dos livros didáticos produzidos no país. As empresas oferecem ao mercado o produto solicitado. As críticas de pesquisadores da educação que consideram a produção imprópria, de modo geral, surgem de concepções que pretendem um modelo ideal. Mas os livros são produzidos dentro de realidades concretas, pois eles destinam-se a uma proposta de ensino massificadora, a alunos com lacunas de conhecimentos e a professores com uma inadequada formação (inicial ou continuada) e submetidos a precárias condições de trabalho docente.

Nesse sentido, o livro didático acompanhou o desenvolvimento do processo de escolarização do Brasil. Se na primeira metade do século passado os conteúdos escolares assim como as metodologias de ensino vinham com o professor, nas décadas seguintes, com a democratização do ensino e com as realidades que ela produziu – algumas citadas acima – os conteúdos escolares, assim como os princípios metodológicos passaram a ser veiculados pelos livros didáticos.

Essa antiga polêmica com relação ao livro didático com alguns fazendo significativas críticas e outros defendendo esse material, certamente, não resolverá suas eventuais falhas e muito menos possibilitará a sugestão de novas propostas tanto para a sua elaboração quanto para a sua utilização.

Atualmente, é possível inferir que a qualidade dos livros didáticos tenha melhorado bastante, especialmente, a partir das avaliações desse material pelo Ministério da Educação. Por outro lado, também, é possível inferir que o livro didático ainda tem uma presença marcante em sala de aula e, muitas vezes, como substituto do professor quando deveria ser mais um dos elementos de apoio ao trabalho docente. Nesse sentido, os conteúdos e métodos utilizados pelo professor em sala de aula estariam na dependência dos conteúdos e métodos propostos pelo livro didático adotado. Muitos fatores têm contribuído para que o livro didático tenha esse papel de protagonista na sala de aula. Um outro fator, além dos já citados, é o seguinte: um livro que promete tudo pronto, tudo detalhado, bastando mandar o aluno abrir a página e fazer exercícios, é uma atração irresistível. O livro didático não é um mero instrumento como qualquer outro em sala de aula e também não está desaparecendo diante dos modernos meios de comunicação. O que se questiona é a sua qualidade. Claro que existem as exceções.

Mas que qualidade é essa que se avalia nos livros didáticos?

Vários níveis de respostas podem ser dados para essa questão. Num primeiro nível pode-se pensar em qualidade do livro didático enquanto objeto material. Outro nível de análise é aquele que focaliza o livro didático enquanto meio de comunicação. Há um bom tempo o livro didático brasileiro deixou de ser um livro texto para ser um objeto bonito e colorido. Praticamente desapareceram os livros que tratam de determinado assunto com amplitude, para surgir os que reduzem o conhecimento a pequenas partes. Por fim, resta outro nível ainda do livro didático analisando-o enquanto instrumento capaz de levar o aluno à aprendizagem.

Uma boa parte dos livros didáticos de Matemática é feita por teóricos, especialistas na área, mas sem vivência de sala de aula. Muitos desses especialistas desconhecem os processos de construção das etapas que a criança ou o jovem têm que passar para chegar aos conceitos. Atualmente, professores têm sido autores de livros didáticos. Além disso, a maioria dos livros atribui grande importância às técnicas operatórias, e reúne uma quantidade imensa de exercícios e problemas (em geral cansativos e repetitivos), visando somente à mecanização do conteúdo. Nesses casos vale lembrar que a ênfase na aprendizagem, por meio de problemas-padrão e exercícios com respostas fechadas, afasta a criança ou o jovem do prazer da descoberta.

O livro didático de Matemática

A situação de sala de aula brasileira permite dizer que nem a palavra do professor e muito menos os modernos meios tecnológicos de comunicação podem substituir o livro didático nas atividades escolares, pois este acumula várias funções, como, por exemplo, a de ser instrumento de intercâmbio e inter-relação social, permitindo a comunicação no tempo e no espaço, assim como constitui vasta fonte de informações.

Assim, a leitura de um livro apresenta inúmeras vantagens sobre outros meios de comunicação, sendo a reflexão a principal delas. A leitura torna indispensável um esforço para compreender, o que é altamente disciplinador e educativo. Outra vantagem: o desenvolvimento da criatividade. O leitor, muitas vezes, enriquece o texto; vai além dos fatos narrados: “lê” nas entrelinhas, usa a imaginação.

Portanto, considerando-se que ler é interpretar os símbolos gráficos e compreender-lhes o significado, os objetivos da leitura na escola deverão principalmente levar o aluno: a) ao desenvolvimento da habilidade de ler com compreensão, rapidez, espontaneidade e segurança; b) a utilizar-se da leitura como fonte de informação e aperfeiçoamento cultural; c) a utilizar-se da leitura como fonte do lúdico e da recreação, como ocupação das horas de lazer e d) a expressar-se eficientemente.

O livro de Matemática, seja qual for o nível dos alunos a que se destina, deve ser redigido em linguagem clara e precisa, na qual a dificuldade de vocabulário se restrinja à necessidade do uso de termos apropriados, para que a compreensão do texto não seja prejudicada.

Assim sendo o livro didático é um eficiente recurso da aprendizagem no contexto escolar. Sua eficiência depende, todavia, de uma adequada escolha e utilização.

Partindo do princípio de que o verdadeiro aprendizado deve ser apoiado na compreensão e não na memória, e de que é só na interação com a classe que se pode estimular o raciocínio e o desenvolvimento de idéias próprias em busca de soluções, cabe ao professor aguçar seu espírito crítico diante do livro didático, pois é a ele que compete selecionar e fazer uso do livro, devendo, portanto, estar suficientemente informado para realizar satisfatoriamente essas tarefas. Entretanto, alguns pontos devem ser considerados: a) servir de recurso de atualização; b) atender às necessidades e interesses do aluno; c) auxiliar o professor e o aluno a atingirem os objetivos educacionais na formação de conhecimentos, competências e atitudes; d) contribuir para a formação de hábitos de crítica reflexiva (espírito crítico do aluno) e e) estar adequado ao projeto educativo da escola, portanto, articulado ao trabalho do professor.

Como se depreende da leitura acima, o livro didático, como qualquer outro recurso, tem sua importância condicionada ao uso que o professor dele faça. Não só pelo seu emprego correto, mas sabendo explorá-lo em função dos objetivos a alcançar, sabendo enfatizar os seus pontos fortes e anular seus pontos fracos. Se o professor estiver atento para analisar e selecionar o livro didático, estará capacitado para o seu devido emprego. Nesse sentido o livro didático, como qualquer outro recurso pedagógico, só será eficiente se estiver integrado no processo de aprendizagem. A aprendizagem envolve, em certo sentido, uma mudança de comportamento, por meio da experiência. Mas a experiência não é a única condição para que a aprendizagem se efetue. Cada vez que alguém aprende algo, é porque está preparado para isso. Estar preparado deve ser entendido que: a) há condições pré-existentes no indivíduo para que a aprendizagem se inicie, isto é, certo nível de maturidade foi alcançado e b) há necessidades do indivíduo a serem satisfeitas, que o impulsionam a querer aprender, isto é, se sentir motivado. Assim, maturidade e motivação são condições básicas para que a aprendizagem possa ocorrer. Desta conclusão pode-se retirar dois critérios para a seleção do livro didático. Ele estará sendo bem escolhido se seu conteúdo, seus exercícios, sua linguagem, suas ilustrações forem: a) adequados ao nível de maturidade do aluno e b) capazes de estimular o interesse do aluno, motivando‑o para a sua leitura.

Por outro lado, o livro didático também pode oferecer uma série de vantagens para o professor e o aluno, favorecendo o êxito do trabalho escolar. Entre suas múltiplas contribuições podem ser destacadas: a) aumento da capacidade de ler (aumento de vocabulário, aumento de compreensão do que se lê); b) integração e sistematização da matéria (graças a uma seqüência ordenada das lições); c) facilitação de revisões periódicas e d) desenvolvimento de hábitos de independência e de autonomia.

Portanto, o professor de Matemática, ao indicar, ao adotar um livro didático, deve verificar se: a) está de acordo com os objetivos propostos, ou seja, o desenvolvimento do raciocínio e pensamento lógico; a capacidade de observar, comparar, ordenar, classificar, generalizar e abstrair soluções de situações-problema; o conhecimento do vocabulário específico; b) atende ao nível de maturidade e interesse dos alunos e c) se o conteúdo está adequado ao nível de escolaridade e série a que se destina.

Para atender a tais requisitos o conteúdo e os exercícios do livro didático de Matemática devem apresentar dados sempre atualizados e relacionados com situações reais de vida e os assuntos devem ser apresentados numa seqüência, de modo a permitir o domínio gradativo dos mesmos. Quanto às ilustrações, estas devem auxiliar a compreensão das situações-problema. Esquemas, quadros, setas, tipos de letras são importantes no livro didático para auxiliarem na compreensão do problema. Deve ainda o professor julgar os recursos que o livro oferece, tais como: material didático, bibliografia, orientações didáticas, atividades para os alunos, condições para adaptação em situações particulares e formas de acompanhamento do progresso científico.

Em resumo, os requisitos exigidos para um livro didático de Matemática seriam: papel e escrita adequados, seqüência lógica dos conteúdos, situações-problema relevantes e interessantes, possibilidades de desenvolver o raciocínio lógico para a compreensão e justificação dos conceitos, princípios e procedimentos matemáticos, formas variadas para a avaliação da aprendizagem, aplicações dos conceitos em diferentes situações reais, leituras complementares, utilização de materiais feitos pelos alunos ou pelo professor, linguagem com clareza e precisão, e condições de integração com outras disciplinas.

Apesar de todas as considerações anteriormente apontadas a propósito do livro didático, sendo algumas delas questionáveis, acredita-se que para uma análise, escolha e utilização do livro didático, outros aspectos devam ser discutidos, principalmente em função de problemas bastante específicos da Educação Matemática no Brasil.

O professor precisa mudar o seu papel, criando situações, armando dispositivos, suscitando problemas, organizando contra-exemplos. O mestre, segundo essa visão, não deve conhecer apenas sua ciência, mas deve também estar bem informado das peculiaridades do desenvolvimento psicológico da inteligência da criança ou do adolescente.

Os professores de Matemática (abandonando a ênfase nos automatismos) podem vir a ser os promotores de uma modificação total no ensino, levando o aluno ao uso do raciocínio, abandonado pelos processos de automatização do pensamento. Lamentavelmente, por mais paradoxo que possa parecer, são, precisamente os professores de Matemática que adestram os alunos com comportamentos estereotipados (regras, fórmulas e algoritmos) em contradição com a natureza criativa do pensamento matemático.

Diante de todos os problemas com que se defronta a Educação Matemática, particularmente no Brasil, e considerando-se que o livro didático, um dos elementos que pode, quando bem feito e bem utilizado, minimizar ou até mesmo superar alguns desses obstáculos, o presente texto relacionou algumas idéias ou sugestões que se espera sejam relevantes para uma realidade cultural brasileira que é extremamente heterogênea nos mais variados aspectos.

Tais idéias ou sugestões podem ser expressas nas seguintes observações:

Material para o aluno:

· Os livros didáticos deveriam ser, essencialmente, fontes de idéias. Num primeiro estágio, talvez idéias para o professor; mais tarde, de idéias que seriam usadas pelos alunos como pontos de referência e fontes de informações. Os livros deveriam, ainda, oferecer pontos de partida para investigações. Essa dupla utilização é muito importante, já que os alunos, gradativamente, compreenderão que os livros didáticos não apenas podem ajudar na resolução, como também na proposição de problemas.

· Tratar o conceito por meio de sua história, mostrando que em seu desenvolvimento sempre está presente a resolução de um problema, ora prático, ora especulativo. A abordagem dos problemas científicos deveria ser feita, pois, na ordem histórica. A dificuldade que a humanidade teve para construir uma disciplina será, talvez, a mesma que o aluno sentirá ao iniciar a sua aprendizagem. Os estudos de psicologia genética mostram que há indícios de que o processo seja assim. Não se trata de recapitular o passado, mas de compreender a gênese do conhecimento.

· Mostrar a Matemática como uma ciência em desenvolvimento, em aperfeiçoamento. Todos os conceitos estudados permitem trazer para a sala de aula os momentos críticos de sua construção ou evolução, permitindo perceber seus aperfeiçoamentos, suas ampliações ou limitações. Por exemplo, os números negativos nasceram da necessidade de se resolver certos tipos de problemas.

· Na elaboração ou construção de um conceito mostrar num primeiro momento os aspectos intuitivos e só depois os aspectos formais, as sistematizações. Trata‑se de dar à Matemática, preliminarmente, uma formulação antes intuitiva (empírica) do que puramente lógica. Ninguém, por certo, contesta que foi este o caminho que a matemática seguiu em seu longo processo de desenvolvimento.

· Uma vez ensinado um conceito aplicá‑lo em várias situações, tanto na Matemática como em outras ciências. Nos livros didáticos, em geral, não é muito comum a aplicação dos conceitos estudados em situações fora da Matemática. O livro didático deveria estar repleto de sugestões sobre a aplicação dos conhecimentos expostos e de experiências a serem realizadas pelos alunos, mesmo fora da escola.

· Relacionar o conceito novo com os conceitos já estudados procurando mostrar a integração entre os diversos conteúdos matemáticos.

· Exercícios mais eficientes que tanto podem fundamentar a compreensão dos conceitos dados como suas aplicações em outras situações. Exercícios que permitam aos alunos pensarem por si mesmos e escolherem o método de solução. Problemas controversos deveriam aparecer como questões abertas, mostrando aos alunos que eles podem prosseguir a pesquisa e encontrar, futuramente, a resposta. Nada desanima mais os alunos que a sensação de que não há mais nada a descobrir. Aliás, as questões abertas deveriam ter um lugar privilegiado como desafio e como comprovação de que o conhecimento está em contínua elaboração e que os alunos podem participar dessa elaboração.

· Usar exemplos, analogias e ilustrações que facilitem a compreensão dos conceitos.

Material para o professor:

· Quanto ao livro didático para o professor algumas reformulações deveria ser feitas atentando para os seguintes detalhes: a) indicações bibliográficas para a fundamentação dos conceitos-chave de cada série. A condição necessária, mas não suficiente, para o bom desempenho do professor parece ser sua atualização, seu aprimoramento e seu aprofundamento no conteúdo matemático; b) bibliografias sobre as contribuições pedagógicas e psicológicas no sentido de garantir um melhor ensino e aprendizagem da Matemática; c) sugestões de procedimentos para com diferentes tipos de alunos; d) sugestões de leituras que contribuam para que o professor possa avaliar ou aperfeiçoar o seu trabalho cotidiano; e) relatos ou indicações de experiências bem sucedidas em Educação Matemática.

Espera‑se com estas reflexões contribuir tanto em relação às discussões sobre os problemas da Educação Matemática no Brasil como em face de possíveis conclusões a que eventualmente se tenha chegado sobre o livro didático. A Educação Matemática é um vasto campo para pesquisas e em nenhum momento o texto teve a pretensão de esgotar qualquer dos problemas levantados, embora acredite que as contribuições sugeridas para o livro didático de Matemática sejam de grande valia. Elaboração, aplicação e avaliação de outras concepções sobre o livro didático de Matemática seria um caminho promissor a seguir.

Referências bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. SEF. Recomendações para uma política pública de livros didáticos. Brasília: MEC/SEF, 2001.

FREITAG, B.; COSTA, W. F. e MOTTA, R. O livro didático em questão. São Paulo: Cortez, 1997.

PFROMM NETTO, S.; ROSAMI.LHA, N. e DIB, C. Z. O livro na educação. Rio de Janeiro: Primor/INL, 1974.

ROMANATTO, M. C. A noção de número natural em livros didáticos de Matemática: comparação entre textos tradicionais e modernos. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos –SP, 1987.


[1] Doutor em Educação. Professor do Departamento de Didática da Faculdade de Ciências e Letras – UNESP – Campus de Araraquara

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