terça-feira, 17 de junho de 2008

.Curso: Redação em português. 8. As noções básicas textuais. (parte 8 de 12).


8. As noções básicas textuais


Capítulo anterior: 7 - Textos criativos
Capítulo siguiente: 9 - Erros de construçao

Se o professor quer que o estudante aprenda realmente, ele necessita ensinar, de uma maneira que todos estejam motivados a entender o processo da redação. Para isso, o professor possibilitará aos discentes as noções básicas de um texto, pois isso os ajudará a ter mais confiança em si mesmos. Esses primeiros passos são: o aspecto estético, gramatical, estilístico e estrutural do texto.

No aspecto estético, fala-se do belo e da harmonia na arte e natureza; no caso da redação, o professor orientará o discente a fazer com que escreva bonito, como: letra, margens, paragrafação, travessão, sem rasuras. Na visão de Soares (2002, p,3),"No aspecto estético devemos considerar a legibilidade da letra, a paragrafação, se as margens estão regulares, o uso do travessão e a ausência de rasuras" . Por isso, é importante rascunho, porque pode corrigir antes de passar para a folha definitiva, e assim ter ordem. Portanto, o aluno deve ter consciência do aspecto da beleza.

No segundo aspecto, o gramatical, está-se falando de regras para falar e escrever numa dada língua; o aluno tem que verificar no final da redação se a ortografia, acentuação, concordância, pontuação, colocação pronominal e regência verbal estão adequados:

No sentido mais comum, o termo gramática designa um conjunto de regras que devem ser seguidas por aqueles que querem "falar e escrever corretamente". Neste sentido, pois, gramática é um conjunto de regras a serem seguidas. Usualmente, tais regras prescritivas são expostas, nos compêndios, misturadas com descrições de dados, em relação aos quais, no entanto, em vários capítulos das gramáticas, fica mais do que evidente que o que é descrito é, ao mesmo tempo, prescrito. Citem-se como exemplos mais evidentes os capítulos sobre concordância, regência e colocação dos pronomes átonos. (POSSENTI, 1984, p. 31).

O discente pode levar livros de gramática para consulta, porque são muitas as regras e não é necessário que decore todas; seria bom levar um dicionário para ajudá-lo no texto. Mas, se o aluno tem boa memória seria mais rápido revisar o texto.

No terceiro aspecto, o estilístico, que quer dizer - arte de bem escrever - segundo Bernardo (2000, p.114), são "os elementos de expressividade da linguagem, isto é, os elementos capazes de impressionar, emocionar, sugestionar, convencer". Então, para que se cumpra tudo isso, deve-se escolher as palavras adequadas ou frases que motivem ao leitor a continuar lendo até o final do texto.

No tocante ao aspecto estilístico da redação devemos tomar cuidado com o uso de frases longas, a repetição desnecessária de palavras, o emprego de palavras desnecessárias, o uso inadequado do pronome "onde", o emprego repetitivo das palavras "que", "porque" e "mas", a presença de conectivos da língua falada, e a prolixidade, a qual poderia tornar o texto demasiadamente longo e enfadonho. (SOARES, 2002, p. 3).

Isso comprova que falar e escrever são duas palavras diferentes. Quando a pessoa redige, tem que selecionar frases pensando no leitor, com o propósito de ser claro, para não confundir.

No quarto aspecto, o estrutural, entendemos ser a inter-relação de todas as partes de um todo, pois como escreve Bernardo (2000, p, 64), "cada texto sugere esquemas diferentes". Cada estrutura textual é diferente, por exemplo: descrição, narrativa, dissertação.


Obrigado por sua visita, volte sempre.

Nelly ft. Fergie - Party People (Official Video)

http://br.youtube.com/user/aouablunt

Obrigado por sua visita, volte sempre.

Mary J Blige- Be Without You.

http://br.youtube.com/user/jforshaw
Mary J. Blige - Be Without You
Obrigado por sua visita, volte sempre.

O estress na sala de aula, e suas conseqüências para a aprendizagem


O estress na sala de aula, e suas conseqüências para a aprendizagem


Rita de Cássia Menezes de Mattos


Resumo: O objetivo deste artigo é socializar aos docentes de Educação Infantil, a temática ainda pouco divulgada, sobre o estress na sala de aula, bem como suas conseqüências para á aprendizagem; de modo que estes profissionais possam agir com propriedade e autonomia diante dos fatores que contribuem para o desencadeamento do estress na sala de aula. As pressões atuais sobre as crianças para crescerem depressa começam desde a infância. Uma delas é a pressão por uma aquisição intelectual precoce. A causa do estresse sempre esteve presente na sala de aula, mesmo de forma camuflada, o aluno demonstra que algo está errado ou mal explicado, seja no relacionamento com a família com os professores ou mesmo com os colegas. A maior dificuldade dos professores em detectar o estress nas crianças é as sua semelhança dos sintomas com o mau comportamento, rebeldia e até hiperatividade. Sendo assim, se faz necessário conhecimento de como lidar com as crianças estressadas na sala de aula, pois pode não ser o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, e sim estress. O instrumento de socialização sugerido é a realização de oficinas¹ com os docentes, na busca de fazer com que esses professores conheçam ou aprimorem os conhecimentos sobre os fatores que podem desencadear o estresse na sala de aula.

(1) Atividade sugerida pela autora, em projeto de intervenção apresentado como discente na disciplina Fundamentos Biológicos da Educação, sob a orientação da Prfª Kenya Anjos, no curso de Pedagogia 3º semestre na Universidade Estadual de Feira de Santana.


Palavras Chaves: estress infantil/sala de aula/mau comportamento/

O estress infantil

O estress é um estado de tensão emocional que produz um estado psicológico desagradável caracterizado por distúrbio do sono, dificuldade de concentração, irritabilidade, etc. Quando nosso cérebro se manifesta de forma independente de nossa vontade, interpretar alguma situação como ameaçadora (estressante), todo nosso organismo começa a desenvolver uma série de alterações denominadas em seu conjunto, de Síndrome Geral da Adaptação ao Estress, onde todas as respostas corporais e psicológicas tendem a entrar em estado de alerta geral, ou seja, todo organismo é envolvido sem que haja uma exclusividade ou especificidade de algum órgão em particular, assim cita a Revista PsiqWeb, em seu caderno especial sobre o estress, esses são alguns dos sintomas desse mal que atinge também crianças... Nas últimas décadas, mudança nos níveis da sociedade passou a exigir do homem, da mulher e da criança uma grande capacidade de adaptação física, mental e social.
As pressões atuais sobre as crianças para crescerem depressa começam desde a infância. Uma delas é a pressão por uma aquisição intelectual precoce. Várias décadas atrás, a precocidade era encarada com desconfiança. Segundo Elkind (2004), a criança prodígio - assim se pesava - transformava-se em um adulto neurótico; daí a expressão "amadurecimento precoce, deteriorização precoce!". Diziam-se aos pais que se eles não começassem a ensinar as crianças quando pequenas seria perdida uma oportunidade para a aprendizagem. "As crianças precisam de tempo para crescer, para aprender e para se desenvolver. Trata-las diferente dos adultos não é discriminá-las, mas reconhecer sua condição especial" (ELKIND, 2004).

Estress na sala de aula

A causa do estresse sempre esteve presente na sala de aula, mesmo de forma camuflada, o aluno demonstra que algo está errado ou mal explicado, seja no relacionamento com a família com os professores ou mesmo com os colegas. Isso nos dias atuais tem sido tema de pesquisa de psicólogo, neurologista e, preocupação da família, de diretores e professores. Uma sociedade que cobra o cidadão a contemplação de várias habilidades é a mesma que contribui para que as crianças não suportem a pressão e cobranças dos adultos a sua participação nas diversas atividades que não condizem com a estrutura física e psicológica da criança.
Além das responsabilidades do estudo da convivência na escola, a criança hoje vive em uma sociedade que exige um sujeito competente e que possua um alto índice de conhecimento, ao mesmo tempo essa sociedade apresenta um percentual de marginalidade e violência muito grande, fazendo assim, surgir sintomas desencadeantes para o estresse na sala de aula. A criança passa a demonstrar vários medos, falta de concentração, agressividade, irritação constante ou momentos de isolamento, mudanças bruscas de comportamento e outros males que atingem as crianças em idade escolar.
Segundo reportagem da revista Nova Escola, edição 167, do mês de novembro de 2003, o excesso de atividades (cursos, esportes e outros) causadores do estresse na classe média alta, também atinge a criança das classes populares que precisa trabalhar cada vez mais cedo seja para ganhar dinheiro e ajudar a família ou cuidar de irmãos mais novos, ir para escola com fome, viver em locais que trazem riscos e não ter quem ajudem nas tarefas escolares. Mesmo assim a sociedade cobra delas desempenho e responsabilidade.


O uso de medicamentos

Esse quadro de instabilidade e estresse nas crianças tem levado muitos pais a procurar nos consultórios médicos soluções rápidas, para resolver problemas que muitas vezes possuem um histórico de comportamento familiar ou de afetividade. Em reportagem na Revista Época, dezembro de 2006 diz: "Estamos dando remédios demais para as crianças"? Mostra os riscos de uma geração que toma remédio até pelo mau comportamento, tem contribuído para que crianças iniciem precocemente o uso de substancias químicas (drogas) desde muito sedo para que consigam ter aprendizagem, segurança e bom comportamento. "Parece que a medicina tem o poder de curar tudo. Ninguém pode ter uma decepção, ficar triste. Hoje todos querem uma pílula" diz o neurologista Eduardo Genaro Mutarelli, professor da USP.
De acordo com o psicólogo Bob Jacobs, essa geração tem crescido encorajada a fazer uso de drogas psiquiatras antes mesmo de descobrir suas emoções, inseguranças e frustrações, que sendo de forma sadia contribuem para a formação do indivíduo. A ciência não tem como diagnosticar com precisão e detectar o transtorno, fazendo assim só uma avaliação comportamental da criança. Isso tem contribuído para que muitas crianças estejam sendo medicadas sem que haja necessidade.
Muitos desses medicamentos pode até ajudar no início do tratamento, porém os efeitos colaterais e danos futuros não podem ser previstos, pois, "hoje já se sabe que os lobos frontais - a região do cérebro que gerencia os sentimentos e pensamentos - não ficam completamente maduros antes dos 30 anos". Com isso tem deixado cientistas em alerta sobre o uso de medicamentos mais usados por crianças e adolescentes como a Ritalina e o Prozac e outras que possuem efeitos maléficos em longo prazo.

Professores atentos

A maior dificuldade dos professores em detectar o estress nas crianças é as sua semelhança dos sintomas com o mau comportamento, rebeldia e até hiperatividade. Segundo Marilda Lippe, diretora do Centro Psicológico de Controle de Estress, situada na cidade de Campinas - São Paulo, a qual (CALVALCANTE, 2003), faz referência afirma que o estress não é uma doença, mas um conjunto de reações físicas e psicológicas que senão tratadas a tempo podem resultar em doenças". É por isso que os professores devem está atentos aos seus alunos na sala de aula, para que possam ajudá-los de forma correta, uma vez que, estão mais próximos das crianças. Vale ressaltar que o professor não é habilitado para tal diagnóstico, o educador pode se tornar um facilitador para tal compreensão e futura ajuda mediante o problema em questão. Na verdade, o reconhecimento das necessidades especiais de um grupo e a acomodação a essas necessidades são as únicas maneiras de lhe garantir realmente igualdade e oportunidade.
Sendo assim, se faz necessário conhecimento de como lidar com as crianças estressadas na sala de aula, pois pode não ser o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, e sim um comportamento usado para chamar atenção das pessoas, nada que um pouco mais de atenção e afetividade não possam resolver, visto que "a elaboração da agressividade é tão importante quanto à da afetividade na vivência transferencial pedagógica para fazer o vinculo emocional professor-aluno a grande condição de aprender a amar o saber na Pedagogia Simbólica Junguiana" (BYINGTON, 2003). Afinal, os problemas enfrentados pelas crianças hoje são muito mais do que elas podem suportar e identificá-lo no seu estado nascente é a grande contribuição social do educador.

Referências


BYINGTON, Carlos Amadeu Botelho. A construção amorosa do saber: O fundamento e a finalidade da Pedagogia Simbólica Junquiana - 1ª.ed. - São Paulo: Religare, 2003.

ELKIND, David. Sem tempo para ser criança: a infância estressada. Trad. Magda França Lopes - 3ª.ed. - Porto Alegre: Artmed, 2004.

Revista Época - edição 446 - dezembro de 2006. SEGATTO, Cristiane; PADILLA, Ivan; FRUTUOSO, Suzane. Infância Medicada. (caderno de saúde)

Revista Nova Escola On-line - edição número: 167 - novembro de 2003. CAVALCANTE, Meire. Calma, isso pode ser estress. E tem jeito. (http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/167_nov03/html/estresse) último acesso em (30/11/06).

Revista PsiqWeb - Caderno especial Estress. Estress
(http://www.psiqweb.med.br/cursos/estresse.html) último acesso em (11/12/06).


*Graduanda do curso de Pedagogia 4º semestre, da Universidade Estadual de Feira de Santana/UEFS.

http://www.portalensinando.com.br/ensinando/principal/conteudo.asp?id=2280
Obrigado por sua visita, volte sempre.

Dicas para sala de aula.

5 dicas para criatividade em sala de aula*

Todos nós sabemos que a competição é uma característica inerente ao ser humano. Desde a infância, na escola, em casa ou com os amigos, precisamos ser os melhores. No ambiente de trabalho não é diferente: buscamos o melhor desempenho. Está sempre presente uma cobrança velada para que sejamos "perfeitos", pois somente assim seremos reconhecidos. No mundo do esporte, o exemplo é ainda mais presente, pois o atleta que fez o impossível para atingir o seu objetivo é aquele que consegue o retorno, com seus momentos de glória.

A experiência tem demonstrado que a busca pela informação deve ser sempre motivada, desde cedo, para que o senso de pesquisa seja internalizado e a obtenção dos dados seja como um esforço desprendido. Sem perder de vista a qualidade de ensino e a adequação de conteúdos à realidade em permanente evolução, o educador precisa buscar novas alternativas, incluindo atrativos capazes de motivar o educando.

Fazendo uma analogia com esses fatos, verifica-se que, via de regra, as pessoas estão constantemente apostando em suas ações, objetivam um retorno e buscam a motivação para seguir em frente.

Baseada nesse sentimento, acredito que o professor que adota em sua metodologia um instrumento criativo para desenvolver os seus conteúdos estará criando, automaticamente, um agente motivador que fará com que a aprendizagem seja conduzida e encarada como uma meta a ser conquistada na busca de um prêmio, o aprendizado.

Anote as seguintes dicas, faça as devidas adaptações à sua realidade e procure colocá-las em prática:

  • Use jogos educativos e atividades lúdicas em suas aulas.
  • Aproveite todo o ambiente escolar.
  • Busque auxílio nos meios de comunicação.
  • Valorize a opinião dos seus alunos.
  • Solicite uma avaliação das suas aulas aos seus alunos.


Usando criatividade em sala de aula, o professor desperta maior interesse nos educandos pela aprendizagem. Você é capaz! Vamos tentar?

*Maria Luiza Kraemer


http://www.portalensinando.com.br/ensinando/principal/conteudo.asp?id=1275
Obrigado por sua visita, volte sempre.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Nossa Língua Portuguesa. Risco de vida ou risco de morte?


Risco de vida ou risco de morte?

Um educado leitor escreve para estranhar que esta página utilize a expressão risco de vida, alegando que um professor de renome já corrigiu este equívoco de uma vez por todas: "É risco de morte, pois só pode correr risco de vida um morto que está em condições de ressuscitar". Sinto dizer-te, meu polido leitor, mas não é bem assim que funciona. A experiência me ensinou a suspeitar, de antemão, de tais "descobertas" adventícias, feitas por essas autoridades que aparecem para me anunciar, com aquele olhar esgazeado do homem que viu a bomba, que eu estive cego e surdo todo esse tempo. Talvez não saibas, mas o Brasil assiste agora a uma nova safra desses Antônios Conselheiros da gramática: volta e meia, aparece um maluco disposto a reinventar a roda e a encontrar "erros" no Português que já era falado pela avó da minha bisavó e pelos demais antepassados - incultos, cultos ou cultíssimos. O que esses fanáticos não sabem (até porque, em sua grande maioria, pouco estudo têm de Lingüística e de Gramática) é que, mesmo que a forma que eles defendem seja aceitável, a outra, que eles condenam, já existia muito antes do dia em que eles próprios vieram a este mundo para nos incomodar.

Os falantes do Português sempre interpretaram esta expressão como a forma elíptica de "risco de perder a vida". Ao longo dos séculos, todos os que a empregaram e todos os que a ouviram sabiam exatamente do que se tratava: pôr a vida em risco, arriscar a vida. Assim aparece na Corte na Aldeia, de Francisco Rodrigues Lobo; nas Décadas, de João de Barros; em Machado ("Salvar uma criança com risco da própria vida..." - Quincas Borba); em Joaquim Nabuco; em Alencar; em Coelho Neto; em Camilo Castelo Branco e Eça de Queirós; na Bíblia, traduzida por João Ferreira de Almeida no séc. 17 ("Ainda que cometesse mentira a risco da minha vida, nem por isso coisa nenhuma se esconderia ao rei" - II Samuel 18:13); e assim por diante. Além disso, nossas leis falam em "gratificação por risco de vida", o Código de Ética Médico fala de "iminente risco de vida" e o dicionário do Houaiss, no verbete "risco", exemplifica com risco de vida. E agora, meu caro leitor? Achas mesmo que o teu renomado professor, se pudesse entrar em contato com o espírito de Machado ou de Eça, teria a coragem de dizer-lhes nas barbas que eles tinham errado durante toda a sua vida literária - e que ele estava só esperando a oportunidade para dizer o mesmo para Camilo Castelo Branco, Joaquim Nabuco e outros escritores que não tinham tido a sorte de estudar na mesma gramática em que ele estudou?

Nota, porém, que a defesa que faço do risco de vida não implica a condenação do risco de morte, que também tem seus adeptos - entre eles, o padre Manuel Bernardes e o mesmo Camilo Castelo Branco, que, nesta questão, acendia uma vela ao santo e outra ao diabo. Na maioria das vezes, seu emprego parece obedecer a um critério sutilmente diferente, pois esta forma vem freqüentemente adjetivada (risco de morte súbita, de morte precoce, de morte indigna) ou sugere uma estrutura verbal subjacente (risco de morte por afogamento, de morte por parada respiratória, de morte no 1º ano de vida, etc.) - ficando evidente a impossibilidade de optar por risco de vida nessas duas situações. Como se vê, somos obrigados a reconhecer que também é moeda boa, de livre curso no país, a única a ser usada em determinadas construções - mas não é um substituto obrigatório do consagradíssimo risco de vida. Aliás, a disputa entre as duas formas não é privilégio nosso, pois ocorre também no Inglês (risk of life, risk of death), no Espanhol (riesgo de vida, riesgo de muerte) e no Francês (risque de vie, risque de mort).

O equívoco da renomada (famigerada?) autoridade que mencionas, prezado leitor, foi acreditar ingenuamente que a nossa língua existe para expressar nosso pensamento, devendo, portanto, obedecer aos critérios da lógica - teoria que andou muito em voga lá pelo final do séc. 18 e que foi abandonada junto com a tabaqueira de rapé e o chapéu de três bicos. Por este raciocínio, se enterro um prego na madeira e enfio a linha na agulha, não poderia enterrar o chapéu na cabeça e enfiar o sapato no pé (e sim a cabeça no chapéu e o pé no sapato...); um líquido ótimo para baratas deveria deixá-las alegres e robustas, e não matá-las. A língua não pode estar submetida à lógica porque é incomensuravelmente maior do que ela, já que lhe cabe também exprimir as emoções, as fantasias, as incertezas e as ambigüidades que recheiam o animal humano. O Português atual, portanto, é o produto dessa riquíssima mistura, sedimentada ao longo de séculos de uso e aprovada por esse plebiscito gigantesco de novecentos anos, que deve ser ouvido com respeito e não pode ser alterado por deduções arrogantes e superficiais.

Fonte: Sua Língua, Pergunte ao Doutor, Cláudio Moreno.



http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/risco_vida_risco_morte.htm
Obrigado por sua visita, volte sempre.

Como Organizar sua Monografia




Como Organizar sua Monografia

Prof. John W. Chinneck
Depto. de Engenharia de Sistemas e de Computação
Universidade de Carleton
Ottawa, Canadá

e-mail: chinneckatscedotcarletondotca

Última revisão: 29 de Setembro de 1999
(A versão original deste documento data de 1988, e está sujeito a pequenas revisões periódicas)

Local de disponibilização deste documento:

http://www.sce.carleton.ca/faculty/chinneck/thesis.html

Tradução da língua inglesa para o português por Américo Eleutério de Oliveira Costa (aeoc06@hotmail.com) e Vitória Pureza (vpurezaatdepdotufscardotbr).

Introdução

Este documento tem como objetivo orientar o aluno na organização de sua monografia, cuja redação é elemento central para obtenção de um título em nível de pós-graduação. Para saber como organizar uma monografia, você deve primeiro entender os apectos envolvidos em atividades de pesquisa na pós-graduação. Pretende-se, portanto, que este documento seja uma ferramenta útil tanto no início do programa de pós-graduação como mais tarde, ao redigir a monografia.

O que é Pesquisa na Pós-Graduação

O que distingue a pesquisa na pós-graduação é a contribuição original ao conhecimento. A monografia é um documento formal cujo único propósito é provar a realização de uma contribuição original ao conhecimento. O insucesso em provar que tal contribuição foi realizada geralmente leva ao insucesso.

Para este fim, sua monografia deve mostrar duas coisas importantes:

  • você identificou um problema de valor, ou uma pergunta que ainda ninguém pode responder, e,
  • você resolveu o problema ou respondeu à pergunta.

Sua contribuição ao conhecimento geralmente está na solução do problema ou na resposta à pergunta .

O que é a Monografia na Pós-Graduação

Como o propósito da monografia na pós-graduação é provar que se realizou uma contribuição original e útil ao conhecimento, os examinadores lêem sua na monografia buscando respostas para as seguintes questões:

  • que tipo de pergunta o aluno fez?
  • é uma boa pergunta ? (já foi respondida alguma vez ? é uma pergunta que vale a pena explorar ?).
  • o aluno me convenceu que a pergunta foi respondida adequadamente ?
  • o aluno realizou uma contribuição adequada ao conhecimento?

Uma descrição muito clara da pergunta é essencial para se provar que você fez uma contribuição original e de valor ao conhecimento. Para provar a originalidade e o valor da contribuição, você deve apresentar uma revisão exaustiva da literatura existente sobre o tema, e de temas estreitamente relacionados. Então, através de uma referência direta à revisão da literatura, você deve demonstrar que a pergunta (a) não foi respondida previamente, e (b) que vale a pena respondê-la. Descrever como você respondeu à pergunta é geralmente mais fácil de escrever, uma vez que você esteve intimamente envolvido com os detalhes ao longo de sua pós-graduação.

Se a monografia não fornece respostas adequadas para algumas questões mencionadas acima, provavelmente você estará sujeito a ter de realizar revisões extensas ou a não ser aprovado na ocasião da defesa do trabalho. Por esta razão, a estrutura genérica da monografia apresentada a seguir foi elaborada com vistas à enfatizar as respostas àquelas questões com uma organização da monografia e títulos de seções adequados. A estrutura da monografia é genérica, podendo ser usada em qualquer monografia. Mesmo que alguns professores prefiram outro tipo de organização, os elementos essenciais de qualquer monografia não mudam. Algumas notas adicionais acompanham a estrutura apresentada.

Lembre-se sempre que a monografia é um documento formal: cada elemento deve estar no lugar apropriado, e deve-se eliminar a repetição de informações em lugares diferentes.

Uma Estrutura Genérica de Monografias

1. Introdução

Deve-se incluir uma introdução geral sobre o que se trata o trabalho – ou seja, a introdução não é meramente uma descrição do conteúdo de cada seção. Resuma brevemente a pergunta (a ser detalhada mais a frente), descreva algumas das razões de ser uma pergunta de valor, e talvez inclua uma apreciação geral de seus principais resultados. A introdução é uma visão panorâmica acerca das respostas das principais questões respondidas na monografia (veja acima).

2. Conhecimento prévio (opcional)

Pode haver necessidade de se incluir uma breve seção fornecendo revisões sobre conceitos relevantes especialmente se o trabalho envolver dois ou mais campos de conhecimento clássicos. Isso contempla a situação em que os leitores não têm qualquer experiência com parte do material necessário para compreender a sua monografia, de forma que você precisa dar este material a eles. Um título diferente do que o aqui utilizado para esta seção geralmente soa melhor, por exemplo, "Uma breve revisão de Álgebra de Frammis.”

3. Revisão do Estado da Arte

Nesta seção deve-se incluir uma revisão do estado da arte relevante para a sua monografia. Novamente, um título diferente pode ser mais apropriado; por exemplo, “O Estado da Arte dos Algoritmos de Zylon". A idéia é apresentar as principais idéias no estado da arte até o momento (a análise crítica das mesmas é considerada mais a frente), mas sem incluir material sobre as suas próprias e brilhantes idéias.

A seção deve ser organizada por idéia, e não por autor ou por publicação. Por exemplo, se existem três abordagens principais para Algoritmos de Zylon até o momento, pode-se organizar subseções para cada abordagem se necessário:

3.1 Aproximação iterativa de Zylons
3.2 Peso estatístico de Zylons
3.3 Abordagens baseadas em Teoria de Grafos para manipulação de Zylon

4. Questionamento da Pesquisa ou Descrição do Problema

Monografias de engenharia costumam fazer referência a um “problema” a ser resolvido onde outras disciplinas consideram uma “pergunta” a ser respondida. Em ambos os casos, esta seção deve incluir três partes principais:

1. Uma descrição concisa da pergunta tratada em sua monografia.
2. Justificativas de porque sua pergunta não foi respondida previamente, fazendo-se
referência direta à seção 3.
3. Discussões de porque vale a pena responder a esta pergunta.

O item 2 acima é onde se analiza a informação apresentada na seção 3 (revisão do estado da arte). Por exemplo, talvez o seu problema consista em “desenvolver um algoritmo de Zylon capaz de tratar problemas de grande porte em tempos computacionais razoáveis” (você deve também explicar o quer dizer com “grande porte” e “tempos razoáveis” na descrição do problema). Na análise do estado da arte você deve mostrar como cada classe das abordagens atuais falha (por exemplo, que uma dada classe pode tratar apenas problemas de pequeno porte ou que os tempos computacionais são excessivos). Na última parte desta seção, você deve explicar porque é útil ter um algoritmo de Zylon rápido para problemas de grande porte, por exemplo, descrevendo aplicações onde o mesmo possa ser utilizado.

Uma vez que esta é uma das seções cujo conteúdo os leitores estarão particularmente interessados, ela deve ser ressaltada, usando-se a palavra “problema” ou “pergunta” no título; por exemplo, “Descrição do problema”, ou quem sabe algo mais específico como “O Problema do Algoritmo de Zylon para exemplos de grande porte”.

5. Descrição de como se resolveu o problema ou como se respondeu a pergunta

Esta seção da monografia tem um formato muito mais livre. Ela pode ter uma ou várias seções e subseções. Entretanto, seu propósito é único: convencer os examinadores que você respondeu a pergunta ou resolveu o problema descrito na seção 4. Assim, mostre o que de relevante foi feito para responder a pergunta ou resolver o problema: se existirem passagens obscuras ou inconclusivas, não as inclua a não ser que sejam especificamente relevantes para demonstrar que você respondeu a pergunta da monografia.

6. Conclusões

Geralmente a seção de Conclusões compreende três partes, e cada uma delas merece uma subseção separada:

1. Conclusões
2. Resumo de Contribuições
3. Pesquisa Futura

Conclusões não são um resumo desconexo da monografia: elas devem consistir de declarações curtas e concisas das inferências obtidas com a realização do trabalho. É útil organizá-la na forma de parágrafos curtos e numerados, apresentados em ordem decrescente de importância. Todas as conclusões devem estar diretamente relacionadas com a pergunta descrita na seção 4. Exemplos:

1. O problema descrito na seção 4 foi resolvido: como demonstrado nas seções ? a ??, foi desenvolvido um algoritmo capaz de tratar problemas de Zylon de grande porte em tempos computacionais razoáveis.

2. O principal mecanismo necessário no algoritmo de Zylon melhorado é o mecanismo de Grooty.

3. Etc.

O Resumo de Contribuições será procurado e cuidadosamente lido pelos examinadores. Aqui você deve listar as contribuições de sua monografia que de fato atualizam o corpo de conhecimento da área. Obviamente, a monografia em si deve substanciar quaisquer declarações feitas nesta seção. Pode existir alguma superposição com a seção de Conclusões, o que não representa problema. Mais uma vez, é melhor utilizar parágrafos numerados e concisos. Organize-os em ordem decrescente de importância. Exemplos:

1. Desenvolveu-se um algoritmo muito mais rápido para problemas de Zylon de grande porte.

2. Demonstrou-se pela primeira vez o uso do mecanismo de Grooty para os cálculos de Zylon.

3. Etc.

A subseção de Pesquisa Futura é incluída para que pesquisadores que venham a ler o seu trabalho possam se beneficiar das idéias geradas enquanto você estava trabalhando no projeto. Mais uma vez, é bom utilizar parágrafos concisos e numerados.

7. Referências

A lista de referências está estreitamente relacionada à revisão do estado da arte apresentado na seção 3. A maioria dos examinadores revisam sua lista de referências procurando os trabalhos mais importantes da área, de forma a se assegurarem de que foram listados e referenciados na seção 3. Na realidade, a maioria dos examinadores também procuram suas próprias publicações se elas fazem parte da área temática da monografia, portanto, as inclua. Além disso, a leitura das publicações dos examinadores geralmente lhe dará pistas acerca do tipo de perguntas que eles provavelmente lhe farão.

Todas as referências devem estar referenciadas no corpo principal da monografia. Note a diferença de uma Bibliografia, a qual pode incluir trabalhos não diretamente referenciados no texto. Organize a lista de referências em ordem alfabética pelo sobrenome do autor (preferível) ou pela ordem de citações na monografia.

8. Apêndices

O que é escrito em apêndices? Qualquer material que impeça o fluxo contínuo e suave da apresentação, mas que seja importante para justificar os resultados da monografia. Geralmente é o material demasiadamente detalhado para ser incluído no corpo principal da monografia, mas que deve ser disponibilizado para consulta de forma a convencer suficientemente os examinadores. Alguns exemplos incluem listas de programas, imensas tabelas de dados, provas matemáticas ou derivações, etc.

Comentários acerca da Estrutura da Monografia

Mais uma vez, a monografia é um documento formal projetado para endereçar as duas perguntas principais dos examinadores. As seções 3 e 4 mostram que você escolheu um bom problema e a seção 5 mostra que você o resolveu. As seções 1 e 2 conduzem o leitor para o problema e a seção 6 ressalta o principal conhecimento gerado por todo o exercício.

Note também que tudo o que os outros fizeram está cuidadosamente separado de tudo aquilo que você fez. Saber quem fez o quê é importante para os examinadores. A seção 4 (Descrição do Problema) é a linha divisória óbvia, razão pela qual ela é incluída no meio deste documento formal.

Primeiros Passos

A melhor maneira de iniciar sua monografia é preparar um esboço estendido. Começa-se construindo um Sumário (ou Conteúdo), listando cada seção e subseção que você pretende incluir. Para cada seção e subseção, escreva uma breve descrição de seu conteúdo. O esboço inteiro deve ter de 2 a 5 páginas de extensão. Você e seu orientador devem então rever cuidadosamente este esboço: Existe material desnecessário (ou seja, não diretamente relacionado à descrição do problema)? Remova-o. Falta algum material ? Adicione-o. É menos doloroso e mais eficiente tomar tais decisões neste estágio inicial, ao invés de após muito material já ter sido escrito e tiver que ser descartado.

Quanto tempo leva para escrever uma monografia?

Muito mais do que você imagina. Mesmo depois da pesquisa em si ter sido terminada -- modelos construídos, cálculos completados -- é aconselhável reservar pelo menos um semestre completo para escrever a monografia. Não é o ato físico de digitar o texto que toma tanto tempo, mas o fato de que escrever uma monografia requer a completa organização de seus argumentos e resultados. É durante esta formalização de resultados em um documento bem organizado e capaz de resistir ao escrutínio dos examinadores especialistas é que você descobre os pontos vulneráveis da monografia. A correção destas vulnerabilidades é o que toma tempo.

Também é provável que esta seja a primeira vez que seu orientador veja a expressão formal de conceitos que podem ter sido aprovados previamente de uma maneira informal. Estes são os momentos em que se descobrem equívocos ou limitações do que foi acordado informalmente. A correção destas dificuldades toma tempo. Se você está fazendo sua pós-graduação em um país cuja língua não é a sua língua materna, você pode ter dificuldades em comunicar suas idéias, o que requer várias revisões do texto. Além disso, orientadores às vezes demoram para revisar e devolver os rascunhos.

Resumindo: Disponha de bastante tempo. Um trabalho feito às pressas tem conseqüências dolorosas durante a defesa.

Dicas

Sempre tenha em mente a formação e o perfil do leitor. Quem é o seu público? Quanto é razoável esperar que eles saibam sobre o tema antes de ler a sua monografia? Geralmente, eles conhecem bem o problema geral, mas não tiveram como você, o envolvimento íntimo com seus aspectos mais detalhados durante os últimos anos: explique os conceitos novos e difíceis claramente e por completo. Às vezes ajuda se imaginar explicando suas idéias para uma pessoa real que você conheça e que possua formação apropriada.

Não faça com que os leitores tenham de trabalhar duro! Isto é extremamente importante. Você sabe para quais poucas perguntas os examinadores necessitam de respostas (veja acima). Escolha títulos de seções adequados e expresse-se de forma a dar-lhes tal informação claramente. Quanto maior o esforço exigido dos examinadores para que entendam o seu problema, sua defesa do problema, sua resposta ao problema, suas conclusões e contribuições, menor será a chance dos mesmos terem uma postura positiva em relação ao seu trabalho, e mais provável que sua monografia necessite de revisões extensas.

Um corolário da discussão acima: é impossível ser excessivamente claro! Explique as coisas com cuidado, resalte as partes importantes por meio de títulos apropriados, etc. Há uma quantidade enorme de informações em sua monografia: assegure-se de dirigir os leitores às respostas das perguntas importantes.

Lembre-se que uma monografia não é uma estória sendo contada: monografias geralmente não acompanham a cronologia daquilo que você tentou. É um documento formal projetado para responder somente algumas poucas perguntas importantes.

Evite usar frases como "Claramente, este é o caso..." ou "Obviamente, se deduz que..."; elas implicam que se os leitores não entendem é porque são muito estúpidos. Eles podem não ter entendido porque a explicação é ruim.

Evite declarações pretensiosas (como “o software é a parte mais importante de um sistema computacional”) que, na realidade, apenas refletem sua opinião pessoal e que não são substanciadas pela literatura ou pela solução que você apresentou. Os examinadores gostam de identificar frases como estas, e fazer perguntas como, “Você pode demonstrar que o software é a parte mais importante de um sistema computacional ?”

Nota sobre Programas de Computador e Outros Protótipos

O propósito da sua monografia é documentar claramente uma contribuição original ao conhecimento. Você pode desenvolver programas de computador, protótipos, e outras ferramentas como forma de provar suas idéias, mas lembre-se, a monografia não é sobre a ferramenta, é sobre a contribuição ao conhecimento. Ferramentas tais como programas de computador são produtos bons e úteis, mas você não pode obter um título de pós-graduação somente pela ferramenta. A ferramenta deve ser usada para demonstrar que você fez uma contribuição original ao conhecimento; por exemplo, através de seu uso, ou pelas idéias que através dela são materializadas.

Dissertações de Mestrado vs Teses de Doutorado

Existem diferentes expectativas em relação a dissertações de mestrado e teses de doutorado. Esta diferença não está no formato, mas no significado e no nível da descoberta como evidenciado pelo problema a ser resolvido e pelo resumo de contribuições; uma tese de doutorado necessariamente requer a resolução de um problema mais difícil e, consequentemente, contribuições mais substanciais.

A contribuição ao conhecimento de uma dissertação de mestrado pode estar em uma melhoria incremental em uma área do conhecimento, ou na aplicação de técnicas conhecidas em uma área nova. O doutorado, por sua vez, deve ser uma contribuição substancial e inovadora ao conhecimento

http://www.sce.carleton.ca/faculty/chinneck/thesis/ThesisPortuguese.html
Obrigado por sua visita, volte sempre.

Curso: Redação em português. 7. Textos criativos. (parte 7 de 12).



7. Textos criativos

Capítulo anterior: 6 - Montando o texto

Capítulo siguiente: 8 - As noçoes básicas textuais

Todo tipo de texto é importante para ajuda aos discentes, a fim de que eles tenham opção para redigir. Estes textos devem ser criativos e utilizam alguma técnicas: indução, dedução, maniqueísta, dialética. Estas técnicas serão de importância para elaborar uma produção diferente.

Escrever não será, também, uma questão apenas de técnica. Não se escreve sem alguma técnica, é certo. Mas, ninguém começa a escrever depois de "adquirir" a tal técnica. Começa-se a escrever porque se deseja fazê-lo, e então, enquanto se vai escrevendo, se vai organizando a própria técnica. (BERNARDO, 2000, p.20)

O estudante pode saber muitas técnicas, o interessante é estar motivado para escrever. Se ele não se interessa por escrever, de nada serve essa forma de organizar o texto.

De fato, é importante conhecê-las uma por uma. A indução é um método científico de referir, é dizer, contar ou narrar fielmente (o que se ouviu); citar; aludir (referencia indireta). Segundo Gustavo:

O procedimento indutivo, que coleciona os fatos para sustentar a hipótese definida a princípio, recorre à observação direta (com os próprios sentidos), à observação indireta (ou seja, à observação e à pesquisa dos outros, através de jornais, livros e outros meios de comunicação), e ao testemunho autorizado (ou seja, à observação e pesquisa de pessoas que se reconhecem como autoridades e especialistas no campo do argumento em questão).(BERNARDO, 2000, p.117)

A indução trabalha com hipóteses do tema escolhido, ou seja, do particular para o geral e do efeito para a causa, por isso ele é apoiado na observação. Do conhecido ao desconhecido. Muitas vezes, recorre-se a pessoas peritas no assunto que ajudaria o trabalho científico a concluir.

De acordo com Gustavo:

Observar é movimento humano e dinâmico, colhendo fatos, cozinhando-os no raciocínio e produzindo opiniões. Produzindo provisórias e necessárias regras de vida. [...] o método indutivo parte da observação do efeito, ou dos efeitos, para chegar à causa ou às causas. [...] (BERNARDO, 2000, p.49)

Quando o ser humano começa a pesquisar um determinado assunto, sua cabeça "voa", pois, a observação é constante é ativa; coletando dados; analisando-os na lógica para depois conclui-los. A indução é temporária, ou seja, até que cheguem outras pessoas com hipóteses mais fortes, fazendo outras conclusões; em outras palavras, por mais que se pesquise um assunto, nunca se chegará às finalizações definitivas.

Então, como seria uma redação indutiva na sala de aula? Inicia-se a argumentação com fatos concretos para achar ou induzir uma norma geral que os explique. A idéia principal ou teses aparecerá ao final do texto, a modo de conclusão, Vai-se do particular ao geral.

Segundo Gustavo:

[...] O método indutivo tem os seus limites. Ao raciocinar a partir dos fatos, ele nos entrega conclusões provavelmente verdadeiras, mas não necessariamente verdadeiras. No mais das vezes, existem hipóteses alternativas àquelas com as quais nos apegamos, indicando caminhos diversos para a solução. (BERNARDO, 2000, p. 53)

O esquema seria:

Tema + hipóteses alternativas (várias opiniões podem ser possíveis) + comprovações + conclusão (es).

Por exemplo:

Tema: As alegrias e as tristezas sempre estão presentes na forma de viver do homem curitibano. [particular, conhecido (concreto)]

Perguntar ao tema: por que as alegrias e as tristezas...?

Hipóteses alternativas: três argumentos (geral, desconhecido)
1. Se não tem a Deus a pessoa fica vazia
2. O homem sempre muda de caráter
3. A forma de viver depende do estado que se encontra a pessoa

Tema + hipóteses alternativas = um só parágrafo

Argumentos: três parágrafos diferentes

Conclusão (es).

As alegrias e as tristezas sempre estão presentes na forma de viver do homem curitibano. Se ele não tem a Deus como centro, a pessoa fica vazia; portanto o homem muda de caráter, porque a forma de viver depende do estado em que se encontra a pessoa.

Desenvolver as três hipóteses em parágrafos diferentes.

Depois que fez a pesquisa das hipóteses (comprovações), vem a conclusão.

Segundo: a dedução é um pensamento que vai do geral para o particular, da causa para o efeito, do desconhecido ao conhecido. Dedução é um método de inferir, ou seja, de conclusão. Há um raciocínio chamado de silogismo, que poderia nos ajudar a deduzir.

Segundo Gustavo:

Desde Aristóteles, a forma nobre do raciocínio chama-se "silogismo". Se tentássemos fazer a etimologia dessa palavra, mas sem consultar o dicionário apropriado, seríamos tentados a enxergar sob ela a expressão "se-é-lógico", baseado na estrutura condicional "seàentão", que funda a lógica e o raciocínio. Entretanto, se consultarmos o dicionário adequado, veremos que a palavra vem de um termo grego que significa "juntar os feixes de feno". O silogismo, portanto, é uma estrutura argumentativa que junta alfa com beta através de í, isto é, através de um termo médio. ( BERNARDO, 2000, p. 109)

Na época de Aristóteles, havia o raciocínio dedutivo chamado de silogismo, que procura demostrar a verdade na razão; com um significado profundo "juntar as opiniões para chegar à conclusão". O silogismo está baseado na hipóteses. Há três proposições: uma premissa geral, particular, e a conclusão, isto é, o termo maior; o termo menor; o termo médio.

Segundo Bernardo (2000, p. 56) "[...] Entre as duas premissas há um termo comum, levando a se colocar, na conclusão, o particular dentro do geral, para justamente confirma a hipóteses, ou seja, a própria premissa geral e inicial".

Este termo médio é chamado assim, porque é o intermediário entre o termo maior e o menor.

Começa com -todo, qualquer, sempre- para o termo maior; com -ora- para o termo menor; com -logo, portanto, por isso-para o termo médio.

O esquema deste raciocínio:

Todo, A é B;
Ora, C é A;
Logo, C é B.

Por exemplo:

Os professores curitibanos são muitos cultos;

Ora, Pedro é um professor curitibano;

Logo, Pedro é muito culto.

Na visão de Bernardo: ( 2000, p.106), "[...] Definimos um argumento como válido quando a sua conclusão segue necessariamente das premissas. No argumento válido, portanto, é impossível que, sendo verdadeiras as premissas, seja falsa a sua conclusão. [...]"

Este tipo de silogismo é válido quando as premissas gerais e particulares são válidas. Se cada uma delas é válida e impossível ser falsa a sua finalização.

Na visão de Gustavo, o silogismo munido de provas é baseado na indução e dedução. Apoiada em provas, certezas ou afirmações.

O esquema deste raciocínio:

Tese: indução = afirmações concretas, começando com todo. Comprovação: dedução = hipóteses, começando com ora. Conclusão: dedução = hipóteses, começando com logo.

Por exemplo:

Razões econômicas obrigaram à maioria das nações baleeiras; incluso Grão Bretanha, Holanda e Estados Unidos suspenderam suas operações. Ora, cada ano o custo de caçar baleias aumenta à medida que decresce o número destes animais. Logo, dois países as perseguem tenazmente e aceleram a mortandade na luta contra o tempo: Japão e a União Soviética. Seus velhos barcos duraram poucos, e o gasto cada vez maior que implica sua reconstrução obrigam a substituí-los.

O que é a redação dedutiva? É uma redação que começa com a premissa geral, logicamente válida, para extrair uma lei particular que sua tese expõe. Isto é, nos parágrafos têm a idéia principal no começo. Isso é importante para o leitor, para não estar procurando as teses.

A terceira técnica para reconhecer o texto criativo é o maniqueísmo. De acordo a Bernardo (2000, p. 64-65) "Podemos começar a reconhecer, na dependência do sol à terra, e da terra ao sol, da luz (calor) à escuridão (o escuro subsolo onde germina a vida) e da escuridão à luz, do homem à mulher e da mulher ao homem. [...]"

O maniqueísmo é o dualismo que significa dois princípios: um depende do outro para complementar-se. É o mundo dividido em dois: o bem e o mal. É o "duplo pensar" de certo ou errado, isso ou aquilo, é ou não é.

Os dogmas se espalham no cotidiano. À força de tanta repetição, eles vêm à cabeça no ato, no momento em que alguém toma de papel e caneta. São as sentenças emprestadas, as idéias que nos mandaram repetir e reproduzir, papagaios e marionetes dos outros. Estas sentenças chegam e bloqueiam o aparecimento de outras, das nossas, das idéias que poderiam ser próprias se não fossem bloqueadas pelas alheias. (BERNARDO, 2000, p. 69)

Os dogmas são pensamentos fixos, quando o emissor transmite-o para outras pessoas. Essas pessoas repetem dos outros, como se fosse a única idéia para concretizar; no entanto, cada indivíduo tem sua própria idéia e abandona as alheias...

De acordo a Bernardo, (2000, p, 75), a redação maniqueísta é uma redação duvidosa, ou seja, hipotética; Isto quer dizer, O escritor tem dificuldade de definir uma linha lógica de raciocínio. Esta forma de pensar leva a fechar o sentido das palavras, faz uma confusão na hora de escrever. É totalmente ilógico em suas idéias ou usa ingredientes já prontos para a argumentação.

O contexto é tenso, ou seja, tem muitas idéias ou informações sobre o tema e não se consegue encadeá-las; portanto não se expressa e tem preconceitos de pessoas, coisas, lugares, atitudes, palavras; baseado em mera crença ou antipatia.

Por conseguinte, não acrescenta nada o leitor e oculta a forma dinâmica dos assuntos, ou seja, não sabe muito sobre a questão, e escreve outras coisas não relacionadas com o tema, pois, a ignorância sobre a realidade é grande.

O escritor pensa que é difícil resolver um problema, e pensa nas opiniões não sujeitas a mudança.

A estrutura maniqueísta de pensar determina as coisas e as pessoas como "em si", distribuindo-as em dois campos antagônicos de modo a um certamente eliminar o outro. [...]... [...] a característica da redação maniqueísta é a repetição, repetição que trava os processos, que volta sempre sobre os mesmos passos.[...]...[...] uma palavra, quando se repete igual muitas vezes, é uma palavra que não se desenvolveu, que não se relacionou. Daí acaba por dizer o contrário do que parece dizer. [...] (BERNARDO, 2000, p. 84-86)

Como ensinar o que é a redação maniqueísta na sala de aula?

Na cabeça dos estudantes, muitas vezes, o pensamento não está "ordenado", e quando se faz alguma tarefa, o professor orientá-lo para que não se contradiga o que escreve; não repetir palavras porque pode sair das idéias. Então, ensinar o que é certo ou errado.

Conclusão
confusa

O esquema desse tipo de texto seria:
teses
antíteses

Por exemplo:

Assunto: O ser político e ser político
Teses: Muitos dos políticos são corruptos e não fazem nada pela nação.
Antíteses: se fossem honrados, pensariam no povo.
Conclusão: portanto, é impossível que os políticos resolvam à situação do povo, isso que eu acredito.

A quarta técnica para reconhecer texto criativo é a redação dialética que, segundo Gustavo, no início a dialética era a arte de dialogar, ou seja, perguntar e obter respostas. Depois Hegel definiu a dialética como: tese, antítese, síntese; isto é, afirmação- negação- negação da negação; ou seja, a sínteses dos opostos. Na visão de Bernardo (2000, p. 133), "[...] a dialética procura investigar os aspectos mais dinâmicos e instáveis da realidade[...]"

A dialética é baseada nas pessoas que estão a favor e contra alguma idéia, e torna interessante o diálogo que pode mudar em qualquer momento dos fatos, porque o principal é provar algo, tanto para impugnar quanto para persuadir a simpatia do leitor ou ouvinte. Em outra citação de Bernardo:

A dialética continua a ser a arte do diálogo - mais complexa do que na Grécia, porém diálogo. Diálogo inclusive do homem com o objeto de sua investigação, diálogo também dos opostos para gerarem os seus contrários - num processo tendente a romper o maniqueísmo de escolher um dentre dois opostos, para combinar os dois opostos de forma a produzir uma terceira entidade: a síntese. (Bernardo, 2000, p,130) A dialética tem início na Grécia, com o diálogo instaurado pelos filósofos. Na época antiga era o conhecimento que se baseava em perguntas e respostas. Depois o homem melhorou o diálogo dos opostos

Esquema dialético:

Como seria uma redação dialética na sala de aula?

Apresentação = colocação do problema Tese = argumentos afirmativos Antítese = argumentos negativos Sínteses = dizer se é contra ou a favor da apresentação + observação final.

Por exemplo:
Tema: Religião e futebol
Apresentação: Na sala de aula é impossível falar sobre religião e futebol.
Tese: Muitos adolescentes, de várias salas gostam de religião e futebol.
Antíteses: no entanto, outras não gostam.
Sínteses: mesmo assim, todas as turmas concordarão que precisam acreditar em algo e o jogo torna-se divertido.
No seguinte capítulo, explica-se sobre como orientar no texto aos estudantes.

http://www.mailxmail.com/curso/idiomas/redaportugues/capitulo7.htm
Obrigado por sua visita, volte sempre.