quinta-feira, 9 de maio de 2013

Srila Prabhupada Conversa sobre Carl Jung


Srila Prabhupada Conversa sobre Carl Jung

Carl Jung (1865-1961) foi um estudante suíço de Freud que se desvinculou de seu instrutor e começou sua própria escola de psicologia. Ele é conhecido por seus esforços em desbravar o inconsciente e por advogar a importância da filosofia, da religião e do misticismo no entendimento da mente humana. Aqui, Srila Prabhupada aponta que, embora muitas conclusões de Jung concernentes à alma, a Deus e à consciência estivessem corretas, a carência de um guia autorrealizado não permitiu Jung ser plenamente bem-sucedido em sua pesquisa espiritual.
Discípulo: Jung apresentou a seguinte crítica a Sigmund Freud: A sexualidade evidentemente possuía mais significância para Freud do que para outras pessoas. Para ele, tratava-se de algo a ser religiosamente observado… Uma coisa era clara: Freud, que muito valorizava sua irreligiosidade, construiu um dogma. Ou ainda, ele substituiu o Deus ciumento que ele havia perdido por outra imagem incitante, aquela da sexualidade.
Srila Prabhupada: Sim, isso é fato. Ele tomou a sexualidade por Deus. É nossa tendência natural aceitar um líder, e Freud simplesmente abandonou a liderança de Deus e aceitou a liderança do sexo. Se, todavia, aceitamos a liderança de Krsna, a nossa vida se torna perfeita. Qualquer outra liderança é a liderança de maya. Não há dúvidas de que temos de aceitar um líder. Conquanto Freud não admitisse, ele aceitara o sexo como seu líder, daí ele constantemente falar sobre sexo. Aqueles que aceitaram Deus como seu líder falarão apenas sobre Deus e nada mais. Jivera ‘svarupa’ haya—krsnera ‘nitya-dasa’. Segundo a filosofia de Caitanya Mahaprabhu, somos todos servos eternos de Deus, mas, tão logo abandonemos o serviço a Deus, temos de aceitar o serviço a maya.
Discípulo: Jung vê a mente como sendo composta de um equilíbrio entre o consciente e o inconsciente, ou subconsciente. É a função da personalidade integrar os dois. Se alguém, por exemplo, possui forte pulsão sexual, ele pode sublimar ou canalizar essa pulsão para as artes ou para as atividades religiosas.
Srila Prabhupada: Esse é o nosso processo. O impulso sexual é natural a todos no mundo material, mas, se pensamos em Krsna abraçando Radharani ou dançando com as gopis, o nosso impulso sexual é sublimado e enfraquecido. Se ouvimos sobre os passatempos de Krsna e das gopis a partir da fonte correta, o desejo luxurioso dentro do coração será suprimido, e a pessoa será capaz de desenvolver o serviço devocional.
Discípulo: Isso seria um exemplo do que Jung chamava de integração ou individuação, por meio do que as energias do impulso sexual subconsciente são canalizadas em atividades conscientes e criativas em direção à experiência de Deus.
Srila Prabhupada: O que temos de compreender é que Krsna é o único purusa, o único desfrutador. Se nós O ajudamos em Seu desfrute, nós também recebemos desfrute. Somos predominados, e Ele é o predominador. Na plataforma material, se o esposo quer desfrutar da esposa, a esposa tem que voluntariamente ajudá-lo nesse desfrute. Ajudando-o, a esposa também se torna desfrutadora. Similarmente, o predominador supremo, o desfrutador supremo, é Krsna. E as predominadas, as desfrutadas, são as entidades vivas. Quando as entidades vivas concordam em ajudar o desejo sexual de Krsna, elas tornam-se desfrutadoras.
Discípulo: O que se quer dizer com “o desejo sexual de Krsna”?
Srila Prabhupada: Você pode dizer “desfrute dos sentidos”. Krsna é o proprietário supremo dos sentidos, e, quando ajudamos Krsna em Seu desfrute sensorial, também participamos naturalmente desse desfrute. O doce rasagulla destina-se a ser desfrutado, e, portanto, a mão o coloca na boca de modo que ele possa ser saboreado e ir para o estômago. A mão não pode desfrutar o rasagulladiretamente. Krsna é o único desfrutador; todos os outros são desfrutadores indiretos. Satisfazendo Krsna, outros ficarão satisfeitos. Vendo o predominador feliz, o predominado se torna feliz.
Discípulo: Os psicólogos dizem que, muito frequentemente, o subconsciente está agindo através do consciente, mas que desconhecemos isso.
Srila Prabhupada: Sim. O subconsciente está presente, mas ele não é sempre manifesto. Algumas vezes, um pensamento repentinamente se manifesta, assim como uma bolha repentinamente emerge em um tanque. Você talvez não possa compreender o porquê da emersão, mas podemos admitir que estava no estado subconsciente e repentinamente se manifestou. Esse pensamento subconsciente que se manifesta não necessariamente tem alguma conexão com a consciência presente do indivíduo. É como uma impressão armazenada, uma sombra ou uma fotografia. A mente faz várias fotografias, e elas são armazenadas.
Discípulo: Jung pôde ver que a alma está sempre ansiando por luz, e ele escreveu sobre o anseio dentro da alma de sair da escuridão. Ele notou o sentimento reprimido nos olhos das pessoas primitivas e certa tristeza nos olhos dos animais. Ele escreveu: “Há tristeza nos olhos dos animais, e jamais sabemos se essa tristeza é vinculada à alma do animal ou se é uma comovente mensagem que fala a nós a partir daquela existência”.
Srila Prabhupada: Sim. Toda entidade viva, inclusive o homem, é constitucionalmente serva. Portanto, todos estão buscando por um mestre, e essa é a nossa propensão natural. Pode-se ver com frequência um filhote tentando refugiar-se em um garoto ou em um homem, e essa é a tendência natural dele. Ele está dizendo: “Dê-me refúgio. Tenha-me como seu amigo”. Uma criança ou um homem também quer algum refúgio para ser feliz. Essa é a nossa posição constitucional. Quando obtemos a forma humana, quando a nossa consciência está desenvolvida, devemos aceitar Krsna como o nosso refúgio e o nosso líder. No Bhagavad-gita (18.66), Krsna nos diz que, se queremos refúgio e orientação, devemos aceitar o refúgio e a orientação dEle: sarva-dharman parityajya mam ekam saranam vraja. Esta é a instrução última do Bhagavad-gita.
Discípulo: Jung dizia que o nosso entendimento de Krsna como o pai supremo e a causa de todas as causas é um entendimento arquetípico compartilhado por todos os humanos. Todas as pessoas têm a tendência a compreender alguém como sendo seu pai supremo ou sua causa primordial, e elas O representarão de diferentes maneiras. O arquétipo, entretanto, é o mesmo.
Srila Prabhupada: Sim, é exatamente o mesmo. Krsna, ou Deus, é o pai supremo. O pai possui muitos filhos, e todos os homens são filhos de Deus, nascidos de seu pai. Esta é uma experiência comum a todos em todos os tempos.
Discípulo: Jung acreditava que, porque há muitíssimos fatores subconscientes governando a nossa personalidade, temos de despertá-los. A menos que o façamos, somos mais ou menos escravos de nossa vida subconsciente. O ponto da psicanálise é revelar tantos aspectos de nossa vida subconsciente quanto possível e nos permitirmos confrontá-los.
Srila Prabhupada: Isso é o que estamos ensinando. Dizemos que, no momento presente, a alma está em um estado adormecido, e estamos dizendo à alma: “Por favor, acorde! Por favor, acorde! Você não é o corpo! Você não é o corpo!”. É possível acordar o ser humano, mas outras entidades vivas não podem ser despertas. Uma árvore, por exemplo, possui consciência, mas ela está tão acondicionada na matéria que você não pode elevá-la à consciência de Krsna. Um ser humano, por outro lado, desenvolveu consciência, a qual se manifesta em diferentes estágios. Formas de vida inferiores estão mais ou menos em um estado onírico.
Discípulo: Enquanto Freud era sexualmente orientado, Jung era mais ou menos espiritualmente orientado. Em sua autobiografia – Memórias, Sonhos e Reflexões –, Jung escreve: “Vejo que todos os meus pensamentos giram ao redor de Deus assim como os planetas ao redor do Sol, e são irresistivelmente atraídos por Ele. Eu consideraria o mais grosseiro pecado eu tentar resistir a tal força”. Jung percebe todas as criaturas como partes de Deus e, ao mesmo tempo, únicas em si. Ele escreve: “O homem não pode se comparar a nenhuma outra criatura; ele não é um macaco, uma vaca ou uma árvore. Sou um homem. Mas o que é ser um homem? Como toda entidade viva, sou uma lasca da Deidade infinita…”.
Srila Prabhupada: Também é nossa filosofia que somos partes e parcelas de Deus, assim como as centelhas são parte do fogo.
Discípulo: Jung escreve ainda em sua autobiografia: “Foi obediência o que me trouxe graça… Devemos nos abandonar inteiramente em Deus; nada importa exceto fazer Sua vontade. Do contrário, tudo é insensatez e sem sentido”.
Srila Prabhupada: Muito bom. Rendição a Deus é verdadeira vida espiritual. Sarva-dharman parityajya. Render-se a Deus significa aceitar aquilo que é favorável a Deus e rejeitar aquilo que é desfavorável. O devoto está sempre convicto de que Deus lhe dará toda a proteção. Ele permanece manso e humilde e se considera um dos membros da família de Deus. Isso é verdadeiro comunismo espiritual. Os comunistas pensam: “Sou membro de certa comunidade”, mas é dever do homem pensar: “Sou membro da família de Deus”. Deus é o pai supremo, a natureza material é a mãe, e as entidades vivas são todas filhas de Deus. Há entidades vivas em todo lugar – na terra, no ar e na água. Não há dúvidas de que a natureza material é a mãe, e, de acordo com a nossa experiência, podemos compreender que a mãe não pode produzir um filho sem um pai. É absurdo pensar que uma criança pode nascer sem um pai. Um pai tem que estar presente, e o pai supremo é Deus. Na consciência de Krsna, entende-se que a criação é uma família espiritual encabeçada por um pai supremo.
Discípulo: No atinente à personalidade de Deus, Jung escreve o seguinte: “De acordo com a Bíblia, Deus possui uma personalidade e é o ego do universo, assim como eu sou o ego de meu ser psíquico e físico”.
Srila Prabhupada: Sim. O sujeito é consciente de seu próprio corpo, mas não dos corpos dos outros. Além da alma individual ou da consciência no corpo, está Paramatma, a Superalma, a superconsciência presente no coração de todos. Isso é discutido no Bhagavad-gita (13.3), onde Krsna diz:
ksetra-jnam capi mam viddhi
sarva-ksetresu bharata
ksetra-ksetrajnayor jnanam
yat taj jnanam matam mama
“Deves compreender que eu também sou o conhecedor de todos os corpos, e compreender este corpo e seu conhecedor chama-se conhecimento. Esta é a Minha opinião”.
Discípulo: Relatando suas dificuldades em compreender a personalidade de Deus, Jung escreve: “Aqui encontro um formidável obstáculo. A personalidade, afinal, certamente significa caráter. Agora, caráter é uma coisa ou outra, isto é, envolve certos atributos específicos. No entanto, se Deus é tudo, como Ele ainda pode possuir um caráter distinguível? Que tipo de caráter ou que tipo de personalidade Ele tem?”.
Srila Prabhupada: O caráter de Deus é transcendental, não material, e, deste modo, Ele possui atributos. Por exemplo, Ele é muito amável para com Seu devoto, e essa amabilidade pode ser considerada uma de Suas características ou atributos. Quaisquer qualidades ou características que tenhamos são meras manifestações diminutas das características de Deus. Deus é a origem de todos os atributos e características. Como indicado no sastra, Ele também possui mente, sentidos, sentimentos, percepção sensorial, gratificação sensorial e tudo mais. Tudo está presente de maneira ilimitada, e, uma vez que somos partes e parcelas de Deus, possuímos Suas qualidades em quantidades diminutas. As qualidades originais estão em Deus, e manifestam-se de maneira diminuta em nós.
De acordo com os Vedas, Deus é uma pessoa como nós, mas Sua personalidade é ilimitada. Assim como a minha consciência é limitada a este corpo e a Sua consciência é a superconsciência dentro de todos os corpos, sou uma pessoa confinada a este corpo em particular e Ele é a superpessoa vivendo dentro de tudo e todos. Como Krsna diz a Arjuna no Bhagavad-gita (2.12), a personalidade de Deus e as personalidades das almas individuais existem eternamente. Krsna diz a Arjuna no campo de batalha: “Nunca houve um tempo em que eu não existisse, nem você, nem todos estes rei, tampouco no futuro algum de nós deixará de ser”. Tanto Deus como as entidades vivas são pessoas eternamente, mas a personalidade de Deus é ilimitada, ao passo que a personalidade do indivíduo é limitada. Deus possui poder ilimitado, riqueza ilimitada, fama ilimitada, conhecimento ilimitado, beleza ilimitada e renúncia ilimitada. Nós possuímos poder finito e limitado, conhecimento finito e limitado, fama finita e limitada, e assim por diante. Essa é a diferença entre as duas personalidades.
Discípulo: Jung concluiu que as filosofias e teologias não puderam lhe dar uma descrição clara da personalidade de Deus. Ele escreve o seguinte: “‘O que há de errado com essas filosofias?’, eu me pergunto – é evidente que o que eles conhecem de Deus é mero produto de ‘ouvi dizer’”.
Srila Prabhupada: Sim, essa também é a nossa queixa. Os filósofos que nós estudamos não conseguiram apresentar nenhuma ideia clara de Deus. Porque estão especulando, eles não podem apresentar informações concretas e claras. No que diz respeito a nós, nosso entendimento de Deus é claro porque nós simplesmente recebemos a informação que Deus pessoalmente deu ao mundo. Krsna é aceito como a Pessoa Suprema pelas autoridades védicas, logo não temos razão para não O aceitar como tal. Narayana, o senhor Siva e o senhor Brahma possuem diferentes porcentagens dos atributos de Deus, mas Krsna possui cem por cento de todos os atributos, em totalidade. Rupa Gosvami analisou isto em seu Bhakti-rasamrta-sindhu, o qual traduzimos como O Néctar da Devoção.
Em todo caso, Deus é uma pessoa, e, se estudamos os atributos do homem, também podemos conhecer algo dos atributos de Deus. Assim como nós nos divertimos com os amigos, com os pais e outros, Deus também Se diverte em vários relacionamentos. Existem cinco relacionamentos primários e sete relacionamentos secundários que as entidades vivas podem ter com Deus. Dado as entidades vivas obterem prazer nesses relacionamentos, Deus é descrito como akhila-rasamrta-sindhu, o reservatório de todo prazer. Não há necessidade de especular sobre Deus ou tentar imaginá-lO. O processo de entendimento é descrito pelo Senhor Krsna no Bhagavad-gita (7.1):
mayy asakta-manah partha
yogam yunjan mad-asrayah
asamsayam samagram mam
yatha jnasyasi tac chrnu
“Agora, ouve, ó Arjuna, como praticando yoga com plena consciência de Mim, com a mente apegada a Mim, podes conhecer-Me por completo, livre de dúvida”.
Você pode aprender sobre Deus mantendo-se sempre sob Sua proteção, ou sob a proteção de Seu representante. Então, sem dúvida alguma, você pode compreender Deus perfeitamente; do contrário, não há questão de compreendê-lO.
Discípulo: Jung prossegue e aponta a diferença entre os teólogos e os filósofos. Ele escreve: “Ao menos eles [os teólogos] estão certos de que Deus existe, muito embora apresentem declarações contraditórias sobre Ele… A existência de Deus não depende de nossas provas… Entendo que Deus foi, ao menos para mim, uma das experiências mais certas e imediatas”.
Srila Prabhupada: Sim, isso é uma convicção transcendental. A pessoa pode não conhecer Deus, mas é muito fácil compreender que Deus existe. Tem-se de aprender sobre a natureza de Deus, mas não há dúvidas sobre o fato de Deus existir. Qualquer homem sensato pode compreender que está sendo controlado. Quem, então, é esse controlador? O controlador supremo é Deus. Essa é a conclusão do homem sensato. Jung está certo quando diz que a existência de Deus não depende de nossa prova.
Discípulo: Jung prossegue e relata suas primeiras buscas espirituais da seguinte maneira: “Na minha escuridão…, eu não poderia ter desejado nada melhor do que um guru verdadeiro e pessoalmente presente, alguém possuidor de conhecimentos e habilidades superiores que teria me livrado das criações involuntárias de minha imaginação”.
Srila Prabhupada: Sim. De acordo com as instruções; a fim de obter conhecimento perfeito, o indivíduo precisa ter um guru (tad vijnanartham sa gurum evabhigacchet). O guru tem que ser um legítimo representante de Deus. Ele tem que ter visto e experimentado Deus verdadeiramente, não apenas em teoria. Temos que buscar semelhante guru, e, através de serviço, rendição e indagação sincera, podemos compreender Deus. Os Vedas nos informam que uma pessoa pode compreender Deus quando recebe um pouco da misericórdia de Sua Onipotência; do contrário, a pessoa pode especular por milhões e milhões de anos. Como Krsna declara no Bhagavad-gita (18.55), bhaktya mam abhijanati: “Pode-se conhecer-Me como sou, como a Suprema Personalidade de Deus, apenas mediante o serviço devocional”. Esse processo de bhakti inclui sravanam kirtanam visnoh – ouvir e cantar sobre o Senhor Visnu [Krsna] e sempre se lembrar dEle. Satatam kirtayanto mam: o devoto está sempre glorificando o Senhor. Como Prahlada Maharaja diz no Srimad-Bhagavatam (7.9.43):
naivodvije para duratyaya-vaitaranyas
tvad-virya-gayana-mahamrta-magna-cittah
“Ó melhor das grandes personalidades, nenhum temor tenho em relação à existência material uma vez que, em qualquer lugar que eu esteja, encontro-me inteiramente absorto em pensamentos acerca de Vossas glórias e atividades”. A consciência dos devotos é sempre imersa no oceano dos ilimitados passatempos e qualidades do Senhor Supremo. Isso é bem-aventurança transcendental. O mestre espiritual ensina seu discípulo a como permanecer sempre no oceano da consciência de Deus. Aquele que trabalha sob as direções do acarya, o mestre espiritual, sabe tudo sobre Deus.
Discípulo: Em 1938, Jung foi convidado pelo governo britânico a participar das celebrações na Universidade de Calcutá. Sobre isso, Jung escreve: “Naquele tempo, eu já havia lido muito sobre a história da filosofia e da religião indiana e estava profundamente convencido do valor da sabedoria oriental”. Nessa visita, Jung conversou com um celebrado guru, mas evitou assim chamados homens santos. Ele escreve: “Eu o fiz porque eu tinha que fazer jus à minha própria verdade, não aceitar dos outros o que eu não podia obter por mim mesmo. Eu teria me sentido um ladrão caso eu tentasse aprender dos homens santos e aceitasse a verdade deles como minha”.
Srila Prabhupada: Em um momento, ele diz querer um guru, e, em seguida, ele não quer aceitar umguru. Sem dúvida havia muitos ditos gurus em Calcutá, e Jung deve ter visto alguns gurus falsos dos quais não gostou. Em todo caso, o princípio de aceitar um guru não pode ser evitado. Trata-se de algo absolutamente necessário.
Discípulo: No concernente à consciência após a morte, Jung acredita que, após a morte, o sujeito tem que retomar o nível de consciência que deixou.
Srila Prabhupada: Sim. Portanto, de acordo com essa consciência, a pessoa tem que aceitar um corpo. Esse é o processo de transmigração da alma. Uma pessoa comum pode ver apenas o corpo material grosseiro, mas, em companhia desse corpo, estão a mente, a inteligência e o ego. Quando o corpo termina, tais acompanhantes permanecem, embora não possam ser vistos. Um homem tolo pensa que tudo acaba com a morte, mas a alma carrega consigo a mente, a inteligência e o ego – isto é, o corpo sutil –, para outro corpo grosseiro. Isso é confirmado pelo Bhagavad-gita, que explica claramente que, embora o corpo grosseiro seja destruído, a consciência continua. Segundo sua consciência pessoal, o indivíduo obtém outro corpo, e novamente, naquele corpo, a consciência começa a moldar suas vidas futuras. Se o sujeito foi um devoto em sua vida passada, ele novamente se tornará devoto após sua morte. Uma vez que o corpo material seja destruído, a mesma consciência começa a trabalhar em outro corpo. Em consequência disso, vemos que algumas pessoas aceitam rapidamente a consciência de Krsna, ao passo que outros levam muito tempo. Isso indica que a consciência está continuando, embora o corpo esteja mudando. Bharata Maharaja, por exemplo, mudou de vários corpos, mas sua consciência continuou, e ele permaneceu completamente consciente de Krsna.
Podemos ver uma pessoa diariamente, mas não podemos visualizar sua inteligência. Podemos compreender que uma pessoa é inteligente, mas não podemos ver a inteligência em si. Quando alguém conversa, podemos compreender que há inteligência em trabalho, mas por que deveríamos concluir que, quando o corpo grosseiro está morto e não mais é capaz de falar, a inteligência está acabada? O instrumento para o discursar é o corpo grosseiro, mas não devemos concluir que, quando o corpo grosseiro acaba, a inteligência também está terminada. Na hanyate hanyamane sarire (2.19): após a destruição do corpo grosseiro, a mente e a inteligência continuam. Porque precisam de um corpo para funcionar, eles desenvolvem um corpo, e esse é o processo de transmigração da alma.
Discípulo: Jung acreditava que o nível de consciência do sujeito não podia superar nenhum conhecimento disponível neste planeta.
Srila Prabhupada: Não. Pode-se superar isso contanto que se obtenha conhecimento da autoridade apropriada. Você pode não ter visto a Índia, mas uma pessoa que tenha visto a Índia pode descrevê-la a você. Podemos ser incapazes de ver Krsna, mas podemos aprender sobre Ele com as autoridades que O conhecem. No Bhagavad-gita (8.20), Krsna diz a Arjuna que existe uma natureza eterna. Nesta Terra, encontramos a natureza temporária. Aqui, as coisas nascem, permanecem por algum tempo, mudam, envelhecem e, por fim, destroem-se. Há dissolução neste mundo material, mas há outro mundo, no qual não há dissolução. Não temos experiência pessoal daquele mundo, mas podemos compreender que ele existe quando recebemos informações a partir da autoridade apropriada. Não é necessário conhecê-lo pela experiência direta. Há diferentes estágios de conhecimento, e nem todo conhecimento pode ser adquirido pela percepção direta. Isso não é possível.
Discípulo: Jung vê a vida terrestre como sendo de grande importância, e vê o que o homem carrega consigo na hora de sua morte como sendo muito significativo. Ele escreve: “Apenas aqui, na vida na Terra, pode o nível de consciência se elevar. Parece tratar-se da incumbência metafísica do homem”. Tendo em conta que a consciência sobrevive à morte, é importante que a consciência de um homem seja elevada enquanto ele está nesta Terra.
Srila Prabhupada: Sim, a consciência pessoal deve ser elevada. Como se declara no Bhagavad-gita, se a prática de yoga da pessoa é incompleta ou se ela morre prematuramente, sua consciência a acompanha e, na próxima vida, ela começa do ponto onde parou. Sua inteligência é revivida: tatra tam buddhi-samyogam labhate paurva-dehikam (Bhagavad-gita 6.43). Em uma aula comum, podemos ver que alguns estudantes aprendem muito rapidamente, enquanto outros não conseguem aprender. Isso é evidência para a continuação de consciência. Se alguém é extraordinariamente inteligente, a consciência que ele desenvolveu em uma vida anterior está sendo revivida.
Discípulo: Jung aponta que existe um paradoxo em torno da morte. Do ponto de vista do ego, a morte é uma catástrofe terrível – “um horrendo exemplar de brutalidade”. Ao mesmo tempo, do ponto de vista da psique – a alma –, a morte é “um evento jubiloso. À luz da eternidade, é um casamento”.
Srila Prabhupada: Sim, a morte é horrenda para aquele que aceitará uma forma inferior de vida, e é prazerosa para o devoto, porque ele retornará ao lar, retornará ao Supremo.
Discípulo: A morte, portanto, não é sempre jubilosa para a alma?
Srila Prabhupada: Não. Como poderia ser? Se a pessoa não desenvolveu sua consciência espiritual – a consciência de Krsna – a morte é muito horrenda. A tendência nesta vida é o sujeito se tornar muito orgulhoso, e frequentemente as pessoas pensam: “Não me importo com Deus. Sou independente”. Pessoas loucas falam dessa maneira, mas, após a morte, elas têm de aceitar um corpo de acordo com as indicações da natureza. A natureza diz: “Meu querido cavalheiro, como trabalhaste tal qual um cachorro, podes tornar-te um cachorro”, ou, “Como ficaste surfando no mar, podes tornar-te um peixe”. Esses corpos são concedidos de acordo com uma ordem superior (karmana daiva-netrena). Da maneira com que nos interajamos com os modos da natureza material criaremos o nosso próximo corpo. Como podemos deter esse processo? Esse é o caminho da natureza.
Se estamos infectados por alguma doença, nós necessariamente contrairemos aquela doença. Existem três modos da natureza material – tamo-gunarajo-guna e sattva-guna, os modos da ignorância, da paixão e da bondade –, e os nossos corpos são obtidos de acordo com a nossa associação com eles. Em geral, a forma humana concede-nos a chance de progredir na consciência de Krsna, especialmente quando nascemos em uma família aristocrática, em uma família brahmanaou em uma família vaisnava.
Discípulo: A despeito de muitos pontos interessantes, parece que Jung teve um entendimento limitado da filosofia indiana. Ele não compreende que o ciclo de nascimentos e mortes tem uma meta, embora pareça ser interminável. Tampouco ele parece conhecer a promessa de Krsna noBhagavad-gita de que o homem pode superar a existência terrestre rendendo-se a Ele.
Srila Prabhupada: Superar a existência terrestre significa entrar no mundo espiritual. A alma espiritual é eterna, e ela pode entrar de uma atmosfera em outra. Krsna explica isso claramente noBhagavad-gita (4.9):
janma karma ca me divyam
evam yo vetti tattvatah
tyaktva deham punar janma
naiti mam eti so ’rjuna
“Aquele que conhece a natureza transcendental de Meu aparecimento e de Minhas atividades não nasce novamente neste mundo material após deixar o corpo, senão que alcança Minha morada eterna, ó Arjuna”.
Aqueles que continuam a revolver no ciclo de nascimentos e mortes adquirem um corpo material após o outro, mas aqueles que são conscientes de Krsna vão para Krsna. Eles não obtêm outro corpo material.
Discípulo: Sri Krsna diz isso repetidamente ao longo do Bhagavad-gita.
Srila Prabhupada: Sim, e aqueles que não são invejosos de Krsna aceitam Suas instruções, rendem-se a Ele e compreendem-nO. A eles, esse é o último nascimento material. Àqueles que são invejosos, no entanto, a transmigração é contínua.
Discípulo: No atinente a karma, Jung escreve o seguinte: “A questão crucial é se o karma é pessoal ou não. Se o karma é pessoal, então o destino predeterminado com o qual o homem entra na vida atual representa uma obtenção de vidas anteriores, e uma continuidade pessoal, portanto, existe. Se, no entanto, não é o caso, e um karma impessoal é obtido no ato do nascimento, então esse karma encarna novamente sem que haja qualquer continuidade pessoal”.
Srila Prabhupada: O karma é sempre pessoal.
Discípulo: Jung prossegue e aponta que Buddha foi indagado duas vezes por seus discípulos acerca de se o karma do homem é pessoal ou não, e em ambas as vezes ele esquivou-se das perguntas e não discutiu a questão. Saber isso, Buddha disse, “não ajudaria o indivíduo a libertar-se da ilusão da existência”.
Srila Prabhupada: Buddha recusou-se a responder porque ele não ensinou sobre alma ou aceitou a alma pessoal. Tão logo você nega o aspecto pessoal da alma, não há questão de um karmapessoal. Buddha queria evitar essa questão. Ele não queria o desmantelar de toda a sua filosofia.
Discípulo: Jung apresenta sua conclusão pessoal com estas palavras: “Eu vivia anteriormente no passado como uma personalidade específica e progredi naquela vida o bastante para agora ser capaz de encontrar uma solução?”.
Srila Prabhupada: Como mencionamos anteriormente, isso é explicado no Bhagavad-gita (6.43),tatra tam buddhi-samyogam labhate paurva-dehikam: “Renascendo, o indivíduo revive a consciência de sua vida anterior e tenta progredir além”.
Discípulo: Jung continua: “Imagino que vivi em séculos passados, nos quais me deparei com perguntas as quais eu ainda não era capaz de responder, daí eu ter precisado nascer novamente para cumprir a incumbência atribuída a mim”.
Srila Prabhupada: Isso é fato.
Discípulo: “Quando morro, meu atos seguirão comigo – é assim que imagino tudo”.
Srila Prabhupada: Isso é karma pessoal.
Discípulo: Jung prossegue: “Levarei comigo o que fiz. Enquanto isso, é importante assegurar que eu não chegue ao fim de mãos vazias”.
Srila Prabhupada: Se você está progredindo regularmente na consciência de Krsna, suas mãos não estarão vazias ao fim. Completude significa voltar ao lar, voltar ao Supremo. Esse retorno não é vazio. O vaisnava não quer o vazio – a vida eterna com Krsna é a nossa aspiração. Os materialistas acreditam que, ao fim da vida, tudo ficará vazio, logo eles concluem que devem se divertir tanto quanto possível nesta vida. Eis porque o gozo sensorial é a essência da vida material; os materialistas são loucos por gozo sensorial.
Discípulo: Jung acreditava que a pessoa renasce devido ao karma, ou ação egoísta. Ele escreveu: “Se o karma ainda permanece por estarmos dispostos a fazer algo, então a alma reincide nos desejos e retorna para viver mais uma vez, talvez até mesmo o fazendo em razão do entendimento de que algo continua a ser completado. No meu caso, isso deve ter sido principalmente uma avidez cheia de paixão por compreender o que acarretou minha vida, pois isso foi o elemento mais forte em minha natureza”.
Srila Prabhupada: Esse entendimento pelo qual ele está ansiando é entender Krsna. Isso Krsna explica no Bhagavad-gita (7.19):
bahunam janmanam ante
jnanavan mam prapadyate
vasudevah sarvam iti
sa mahatma su-durlabhah
O entendimento da pessoa é completo quando ela chega ao ponto de compreender que Krsna é tudo. A jornada da pessoa então chega ao fim: tyaktva deham punar janma naiti. (Bhagavad-gita 4.9) Quando nossa compreensão de Krsna é incompleta, Krsna fornece instruções pelas quais O podemos compreender completamente. No sétimo capítulo do Bhagavad-gita (verso 1), Krsna diz,asamsayam samagram mam yatha jnasyasi tac chrnu: “Agora, ouve de Mim como podes compreender-Me completamente e sem nenhum dúvida”. Se podemos compreender Krsna completamente, nosso próximo nascimento será no mundo espiritual.
Discípulo: Jung formou uma noção de persona, o que parece ser algo idêntico ao que chamados de falso ego. Ele escreveu: “A persona… é o sistema de adaptação do sujeito ao mundo ou a maneira que ele adota para lidar com o mundo. Um professor, por exemplo, tem sua própriapersona característica. O perigo, contudo, é que as pessoas se tornam idênticas às suas personas – o professor com seu livro-texto, o tenor com sua voz. Pode-se dizer, com um pouco de exagero, que a persona é aquilo que, em verdade, o indivíduo não é, mas que ele próprio e os demais pensam que ele é”.
Srila Prabhupada: A verdadeira persona do indivíduo é que ele é servo eterno de Deus. Essa é a concepção espiritual de vida, e, quando a pessoa compreende isso verdadeiramente, sua personase torna sua salvação e sua perfeição. Não obstante, enquanto o indivíduo está na concepção material de vida, sua persona é que ele é servo de sua família, de sua comunidade, de seu corpo, de sua nação, de seu ideal e assim por diante. Em todo caso, a persona está presente e tem que continuar, mas a compreensão apropriada é conhecer de forma experimentada que se é servo eterno de Krsna. Enquanto estiver na concepção material, a pessoa tem que trabalhar sob a ilusão do falso ego, pensando: “Sou americano”, “sou hindu” e assim por diante. Isso é o falso ego em atuação. Na verdade, somos todos servos de Deus. Quando falamos de “falso ego”, deixamos implícita a existência de um ego verdadeiro, um ego purificado. Aquele cujo ego é purificado compreende que é servo de Krsna.
Discípulo: Para Jung, o propósito da psicanálise é tomarmos domínio sobre o nosso subconsciente, a personalidade sombra. Nós, então, podemos conhecer completamente quem somos.
Srila Prabhupada: Isso significa obter verdadeiro conhecimento. Quando Sanatana Gosvami buscou Sri Caitanya Mahaprabhu, Sanatana disse: “Por favor, revela-me quem e o que sou”. A fim de entendermos nossa identidade verdadeira, necessitamos da ajuda de um guru.
Discípulo: Jung diz que, na personalidade sombra de todos os masculinos, há um pouco de feminino, e que, em todos os femininos, há um pouco de masculino. Porque reprimimos esses aspectos da personalidade sombra, não compreendemos as nossas ações.
Srila Prabhupada: Dizemos que toda entidades viva é, por natureza, feminina, prakrti. Prakrtisignifica “feminino”, e purusa significa “masculino”. Embora sejamos prakrti; neste mundo, estamos passando por purusa. Porque a jivatma, a alma espiritual, tem a propensão a desfrutar como masculina, ela às vezes é descrita como purusa. Na verdade, entretanto, a jivatma não é purusa, mas sim prakrtiPrakrti significa o predominado, e purusa significa o predominador. O único predominador é Krsna, logo, originalmente, somos todos femininos por constituição. Sob ilusão, porém, tentamos nos tornar masculinos, desfrutadores. Isso se chama maya. Embora feminina por constituição, a entidade viva está tentando imitar o masculino supremo, Krsna. Quando o sujeito chega à consciência original, ele compreende que não é o predominador, mas o predominado.
Discípulo: Jung escreveu sobre alma do seguinte modo: “Se a alma humana é algo, ela tem que ser de inimaginável complexidade e diversidade, em decorrência do que não pode ser abordada através de uma mera psicologia do instinto”.
Srila Prabhupada: Segundo Caitanya Mahaprabhu, podemos compreender a alma através de treinamento. Temos que entender que não somos brahmanasksatriyassannyasisbrahmacaris ou nada mais. Por negação, compreendemos: “Não sou isto, não sou aquilo. Então, o que é a nossa identidade? Caitanya Mahaprabhu diz, gopi-bhartuh pada-kamalayor dasa-dasanudasah (Caitanya-caritamrtaMadhya 13.80): “Sou servo do servo do servo de Krsna, o mantenedor das gopis”. Essa é a nossa verdadeira identidade. Enquanto não nos identificarmos como servos eternos de Krsna, estaremos sujeitos a várias falsas identificações. Bhakti, o serviço devocional, é o meio pelo qual podemos nos purificar de falsas identificações.
Discípulo: No que diz respeito à alma, Jung escreveu ainda: “Posso apenas contemplar com espanto e reverência a profundidade e a grandeza de nossa natureza psíquica. Seu universo não-espacial oculta uma abundância não declarada de imagens que se acumularam ao longo de milhões de anos”.
Srila Prabhupada: Visto que estamos constantemente mudando nossos corpos, constantemente nos submetendo à transmigração, estamos acumulando várias experiências. Todavia, se permanecemos fixos na consciência de Krsna, nós não mudamos. Inexiste completamente essa oscilação uma vez que tenhamos entendido nossa verdadeira identidade, a saber, “sou servo de Krsna; meu dever é servi-lO”. Arjuna compreendeu isso após ouvir o Bhagavad-gita, e disse a Sri Krsna:
nasto mohah smrtir labdha
tvat-prasadan mayacyuta
sthito ’smi gata-sandehah
karisye vacanam tava
“Meu querido Krsna, ó infalível, minha ilusão agora se foi. Por Vossa misericórdia, recobrei minha memória, e agora estou firme e livre de dúvida e preparado para agir segundo Vossas instruções”. (Bhagavad-gita 18.73)
Então, após ouvir o Bhagavad-gita, Arjuna chegou a essa conclusão, e sua ilusão foi desfeita pela misericórdia de Krsna. Arjuna, então, fixou-se em sua posição original. E que posição é essa? Karisye vacanam tava: “O que quer que digais, farei”. No começo do Bhagavad-gita, Krsna disse a Arjuna que lutasse, e Arjuna recusou-se a fazê-lo. Na conclusão do Bhagavad-gita, a ilusão de Arjuna foi desfeita, e ele situou-se em sua posição constitucional original. Assim, a nossa perfeição repousa no cumprimento das ordens de Krsna.
Discípulo: Jung observou que as religiões do mundo falam de cinco diferentes tipos de renascimento. Um é a metempsicose, a transmigração da alma, e, de acordo com essa visão, “a vida do indivíduo se alonga no tempo passando por várias existências corpóreas diferentes; ou, de outro ponto de vista, é uma sequência de vida interrompida por diferentes encarnações… Não é possível determinar por nenhum meio se a continuidade da personalidade está garantida ou não: pode ser que haja apenas uma continuidade de karma”.
Srila Prabhupada: Uma personalidade está sempre presente, e mudanças corpóreas não mudam isso. A pessoa, entretanto, identifica-se de acordo com o seu corpo. Quando, por exemplo, a alma está dentro do corpo de um cachorro, ela pensa de acordo com aquela construção corpórea particular. Ela pensa: “Sou um cachorro, e tenho minhas atividades particulares”. Na sociedade humana, a mesma concepção está presente. Por exemplo, quando alguém nasce na América, ele pensa: “Sou americano, e tenho meu dever”. De acordo com o corpo, a personalidade se manifesta, mas, em todos os casos, a personalidade está presente.
Discípulo: Mas essa personalidade é contínua?
Srila Prabhupada: Certamente a personalidade é contínua. À morte, a alma passa para outro corpo grosseiro juntamente com suas identificações mentais e intelectuais. O sujeito obtém diferentes tipos de corpos, mas a pessoa é a mesma.
Discípulo: Isso corresponderia ao segundo tipo de renascimento, que é a reencarnação. Jung escreveu: “Este conceito de renascimento traz necessariamente implícita a continuidade da personalidade. Aqui, a personalidade humana é tratada como contínua e acessível à memória, de modo que, quando o indivíduo encarna ou nasce, ele é capaz, ao menos potencialmente, de lembrar-se de que viveu ao longo de existências anteriores e que tais existências se deram com a própria forma que tem na vida presente, isto é, que tinha o mesmo ego. Como uma regra, reencarnação significa renascimento em um corpo humano”.
Srila Prabhupada: Não necessariamente em um corpo humano. A partir do Srimad-Bhagavatam, tomamos conhecimento de que Bharata Maharaja tornou-se um corço em sua próxima vida. A alma está trocando de corpos assim como um homem troca suas vestes. O homem é o mesmo, malgrado suas roupas serem diferentes:
vasamsi jirnani yatha vihaya
navani grhnati naro ’parani
tatha sarirani vihaya jirnany
anyani samyati navani dehi
“Assim como uma pessoa veste roupas novas, abandonado as antigas, a alma aceita novos corpos materiais, abandonando os velhos e inúteis”. (Bhagavad-gita 2.22) Quando um casaco está velho e não pode ser utilizado mais, a pessoa tem que comprar outro. O homem é o mesmo, mas suas vestes são fornecidas de acordo com o preço que ele pode pagar. Similarmente, você “compra” um novo corpo com o “dinheiro”, ou karma, que você acumulou em sua vida. Segundo o seukarma, você recebe determinado tipo de corpo.
Discípulo: O terceiro tipo de renascimento se chama ressureição, e Jung aponta que existem dois tipos de ressureição. “Pode ser um corpo carnal, como na conjetura cristã de que este corpo será ressuscitado”. Segundo a doutrina cristã; ao fim do mundo, os corpos grosseiros se reagruparão e subirão ao paraíso ou descerão para o inferno.
Srila Prabhupada: Isso é simplesmente tolice. O corpo material grosseiro jamais pode ser ressuscitado. No momento da morte, a entidade viva deixa este corpo material, e o corpo material se desintegra. Como os elementos materiais podem se reagrupar?
Discípulo: Jung escreveu ainda que, em um nível mais elevado, a ressurreição não é mais compreendida em um sentido material grosseiro: “Entende-se que a ressurreição dos mortos é a subida do corpus gloriaficationis, o corpo sutil, no estado de incorruptibilidade”.
Srila Prabhupada: Esse tipo de “ressurreição” é aplicável apenas a Deus e a Seus representantes, não a outros. Neste caso, não é o corpo material que “sobe”, mas o corpo espiritual. Quando Deus aparece, Ele aparece em um corpo espiritual, e esse corpo não muda. No Bhagavad-gita, Krsna diz ter falado o Bhagavad-gita ao deus do Sol milhões de anos trás, e Arjuna questiona como isso seria possível. Krsna responde que, embora Arjuna estivesse presente, ele não podia se lembrar. A lembrança é possível apenas se o indivíduo não troca de corpo – mudar de corpo traz esquecimento. O corpo do Senhor, no entanto, é puramente espiritual, e um corpo espiritual jamais muda. De acordo com a concepção mayavadi, a Verdade Absoluta é impessoal, e, quando aparece como uma pessoa, aceita um corpo material. Porém, aqueles que são avançados em conhecimento espiritual, que aceitam o Bhagavad-gita, compreendem que esse não é o caso. Krsna diz especificamente, avajananti mam mudha manusim tanum asritam (Bhagavad-gita 9.11): “Porque apareço como um ser humano, aqueles que são ininteligentes pensam que não sou nada senão um ser humano”. Esse não é o caso. Os impersonalistas não têm conhecimento acerca do corpo espiritual.
Discípulo: A quarta forma de renascimento se chama renovação, e isso se aplica à “transformação de um mortal em um ser imortal, de um ser corporal em um ser espiritual, e de um humano em um ser divino. Protótipos bem conhecidos dessa mudança são a transfiguração e ascensão de Cristo, e a assunção corpórea da mãe de Deus ao céu após sua morte”.
Srila Prabhupada: Dizemos que o corpo espiritual jamais morre, mas que o corpo material se sujeita à destruição. Na hanyate hanyamane sarire (2.19): o corpo material está sujeito à destruição, mas, após sua destruição, o corpo espiritual continua ali. O corpo espiritual não é nem gerado nem morto.
Discípulo: Mas não há exemplos no Srimad-Bhagavatam de um tipo de ascensão ao céu? Arjuna não ascendeu?
Srila Prabhupada: Sim, e Yudhisthira. Há muitos casos – especialmente o próprio Krsna e Seus associados. Entretanto, jamais devemos considerar seus corpos como materiais. Eles não passam por nenhum tipo de morte, embora seus corpos viagem para um universo superior. Mas também é fato que todos possuem um corpo espiritual.
Discípulo: O quinto tipo de renascimento é indireto e se chama “participação no processo transformacional”. Exemplos desse tipo podem ser a cerimônia de iniciação ou a cerimônia do segundo nascimento do brahmana. “Em outras palavras”, Jung escreveu, “o indivíduo tem que testemunhar um rito de transformação ou participar do mesmo. Esse rito pode ser uma cerimônia… Através de sua presença no rito, o indivíduo participa da divina graça”.
Srila Prabhupada: Sim, o primeiro nascimento da pessoa é através do pai e da mãe, e o nascimento seguinte é através do mestre espiritual e do conhecimento védico. Quando obtém o segundo nascimento, a pessoa compreende que não é o corpo material. Isso é educação espiritual. Esse nascimento de conhecimento, ou nascimento para o conhecimento, chama-se dvija, “segundo nascimento”.
Discípulo: Até então, discutimos apenas a autobiografia de Jung. Em um dos últimos livros de Jung, O Eu e o Inconsciente, ele discutiu o significado de religião e sua utilidade no mundo moderno. Ele escreveu: “O significado e o propósito da religião repousam no relacionamento do indivíduo com Deus (cristianismo, judaísmo, islamismo) ou no caminho de salvação e liberação (budismo). A partir desse fato básico, todos os princípios de ética se derivam, os quais, sem a responsabilidade do sujeito perante Deus, podem ser chamados apenas de ‘moralidade convencional’”.
Srila Prabhupada: Antes de tudo, compreendemos a partir do Bhagavad-gita que ninguém pode buscar por Deus sem se purificar de todas as reações pecaminosas. Apenas aquele que está na plataforma da bondade pura pode compreender Deus e ocupar-se a Seu serviço. A partir da declaração de Arjuna, compreendemos que Deus é param brahma param dhama pavitram paramam bhavan (Bhagavad-gita 10.12): Ele é “o Brahman Supremo, o derradeiro, a morada suprema e o purificador supremo”. Param brahma indica o Brahman Supremo. Toda entidade viva é Brahman, ou espírito, mas Krsna é o param brahma, o Brahman Supremo. Ele também é param dhama, a morada última de tudo. Ele também é pavitram paramam, o mais puro dos puros. De sorte a se aproximar do mais puro dos puros, a pessoa tem que se tornar completamente pura, e, para esse fim, moralidade e ética são necessárias. Por conseguinte, em nosso movimento da consciência de Krsna, proibimos sexo ilícito, consumo de carne, intoxicação e jogos de azar – os quatro pilares da vida pecaminosa. Se podemos evitar essas atividades pecaminosas, podemos permanecer na plataforma de pureza. A consciência de Krsna baseia-se nessa moralidade, e aquele que não segue esses princípios cai da plataforma espiritual. Assim, pureza é o princípio básico da consciência de Deus e é essencial para restabelecermos o nosso eterno relacionamento com Deus.
Discípulo: Jung via o comunismo ateísta como a maior ameaça no mundo atual. Ele escreveu: “A revolução comunista rebaixou o homem muito mais do que o fez a psicologia coletiva democrática, porque ela o rouba de sua liberdade não apenas no sentido social, mas no sentido moral e espiritual… O Estado tomou o lugar de Deus; eis porque, vendo desse ângulo, os ditadores socialistas são religiosos, e escravidão estatal é uma forma de adoração”.
Srila Prabhupada: Sim, eu concordo com ele. O comunismo ateísta contribuiu para a degradação da civilização humana, mas o princípio básico da filosofia comunista – que todos devem contribuir com o que podem para o Estado e que todos têm igual direito ao seu devido quinhão vindo do Estado –, esse princípio básico do verdadeiro comunismo nós aceitamos. Segundo o nosso entendimento, Deus é o pai, a natureza material é a mãe, e as entidades vivas são os filhos. Os filhos têm o direito de viver à custa do pai. Todo o universo é propriedade da Suprema Personalidade de Deus, e as entidades vivas estão sendo apoiadas pelo pai supremo. Contudo, a pessoa deve ficar satisfeita com a provisão que lhe cabe. De acordo com o Isopanisad (mantra 1),tena tyaktena bhunjithah: Devemos ficar satisfeitos com a nossa cota, e não invejar outros ou usurpar a propriedade alheia. Não devemos invejar os capitalistas ou os sujeitos abastados, porque todos recebem da Suprema Personalidade de Deus sua cota. Devido a isso, todos devem ficar satisfeitos com o que recebem.
Por outro lado, o indivíduo não deve explorar os outros. A pessoa pode nascer em uma família abastada, mas ela não deve interferir nos direitos alheios. Quer rico, quer pobre, o sujeito deve ser consciente de Deus, aceitar o arranjo de Deus e servir Deus ao máximo de sua capacidade. Essa é a filosofia do Srimad-Bhagavatam, e isso é confirmado por Sri Caitanya Mahaprabhu. Devemos ficar contentes com nossa posição dada por Deus e nos preocupar em avançar em consciência de Krsna. Se invejarmos os ricos, nós nos veremos tentados a usurpar sua cota, e, dessa maneira, iremos nos divergir de nosso serviço ao Senhor. O ponto principal é que todos, ricos ou pobres, devem se ocupar a serviço de Deus. Caso todos o façam, haverá verdadeira paz no mundo.
Discípulo: No que diz respeito ao Estado socialista, Jung escreveu ainda: “As metas da religião – liberdade do mal, reconciliação com Deus, recompensas no futuro e assim por diante – transformam-se em promessas mundanas relativas a estar livre da preocupação de obter o pão de cada dia, à distribuição justa de bens materiais, à prosperidade universal no futuro e menor carga horária de trabalho”. Em outras palavras, os comunistas enfatizam as recompensas materiais.
Srila Prabhupada: Isso porque não têm entendimento algum da vida espiritual, tampouco compreendem que a pessoa dentro do corpo é eterna e espiritual. Eles, portanto, recomendam a gratificação sensorial.
Discípulo: Jung acreditava, no entanto, que o socialismo ou o marxismo não podem possivelmente substituir a religião no sentido exato e tradicional. “Uma função natural que existe desde o começo – como a função religiosa – não pode ser descartada com uma crítica racionalista e pretensamente progressista”.
Srila Prabhupada: Os comunistas estão interessados em ajustar as coisas materiais, as quais, com efeito, jamais podem se ajustar. Eles imaginam que podem solucionar os problemas, mas, por fim, seus planos fracassarão. Os comunistas não compreendem verdadeiramente o que é religião. Não é possível evitar a religião. Tudo possui uma característica particular. O sal é salgado, o açúcar é doce, e a pimenta malagueta é quente ou pungente. Essas são características intrínsecas. Similarmente, a entidade viva possui uma característica intrínseca, que é prestar serviço – seja comunista, ateísta, capitalista ou o que for. Em todos os países, as pessoas estão trabalhando e prestando serviço a seus respectivos governos – quer capitalistas, quer comunistas –, e as pessoas não estão obtendo nenhum benefício duradouro. Portanto, dizemos que, se as pessoas seguirem os passos de Sri Caitanya Mahaprabhu servindo Krsna, elas serão realmente felizes. Tanto os comunistas quanto os capitalistas estão dizendo: “Prestem serviço a mim”, mas Krsna diz, sarva-dharman parityajya mam ekam saranam vrajaaham tvam sarva-papebhyo (Bhagavad-gita 18.66): “Apenas abandona todos os outros serviços e presta serviço a Mim, e Eu te livrarei de todas as reações pecaminosas”.
Discípulo: Jung acredita que não há possibilidade de que o capitalismo materialista ocidental derrote uma pseudorreligião como o marxismo. Ele acredita que a única maneira que o sujeito tem para poder combater o comunismo ateísta é adotando uma religião não-materialista. Ele escreveu: “Compreende-se corretamente em muitas esferas que o alexifármaco, o antídoto, deve ser, neste caso, uma fé igualmente potente de um tipo diferente e não-materialista”. Desta forma, Jung vê o homem moderno em uma necessidade desesperada de uma religião que tenha significado imediato. Ele sente que o cristianismo não é mais efetivo porque não mais expressa o que o homem moderno mais precisa.
Srila Prabhupada: Essa religião não-materialista que está acima de tudo – do marxismo ou do capitalismo – é este movimento da consciência de Krsna. Krsna nada tem a ver com algum “ismo”, e este movimento é diretamente conectado com Krsna, a Suprema Personalidade de Deus. Deus exige completa rendição, e estamos ensinando: “Vocês são servos, mas o seu serviço está sendo mal aplicado, devido ao que vocês não estão felizes. Apenas se rendam a Krsna e vocês serão felizes”. Não apoiamos nem o comunismo nem o capitalismo, tampouco advogamos a adoção de pseudorreligiões. Promovemos apenas Krsna.
Discípulo: Sobre a situação social, Jung escreveu: “Infelizmente, é bastante claro que, se o indivíduo não estiver verdadeiramente regenerado em espírito, a sociedade também não pode estar, pois a sociedade é a soma dos indivíduos em necessidade de redenção”.
Srila Prabhupada: A base da mudança é o indivíduo. Agora, existem alguns poucos indivíduos iniciados na consciência de Krsna, e, se uma grande porcentagem puder assim se revigorar, o semblante deste mundo será diferente. Não há dúvidas quanto a isso.
Discípulo: Para Jung, a salvação do mundo consiste na salvação da alma individual. A única coisa que salva o homem da submersão nas massas é seu relacionamento com Deus. Jung escreveu: “Sua relação individual com Deus seria um efetivo escudo contra essas influências perniciosas”.
Srila Prabhupada: Sim, aqueles que adotam a consciência de Krsna seriamente jamais são perturbados pelo marxismo ou este “ismo” ou aquele “ismo”. Um marxista pode adotar a consciência de Krsna, mas um devoto consciente de Krsna jamais se tornaria marxista. Isso não é possível. Explica-se no Bhagavad-gita que aquele que conhece a perfeição mais elevada da vida não pode ser desorientado por uma filosofia de terceira ou quarta classe.
Discípulo: Jung também sentia que o progresso materialista poderia ser um possível inimigo do indivíduo. Ele escreveu: “Um ambiente materialmente favorável apenas fortalece a perigosa tendência de se esperar que tudo se origine de fora – inclusive aquela metamorfose que a realidade externa não pode providenciar, a saber, uma mudança profundamente estabelecida do interior do homem”.
Srila Prabhupada: Sim, tudo se origina de dentro, a partir da alma. Isso é confirmado por Bhaktivinoda Thakura e outros, que o progresso material é essencialmente uma expansão da energia externa – maya, ilusão. Estamos todos vivendo em ilusão, e os assim chamados cientistas e filósofos jamais podem compreender Deus e seu relacionamento com Ele, apesar de seu avanço material. O avanço material e o conhecimento material são, na realidade, um obstáculo à marcha progressiva da consciência de Krsna. Nós, por conseguinte, minimizamos as nossas necessidades a fim de vivermos uma vida santa. Não estamos em busca de uma vida luxuosa. Julgamos que a vida destina-se ao progresso espiritual e à consciência de Krsna, não ao avanço material.
Discípulo: Para inspirar essa mudança no interior humano, de modo que seja uma mudança profundamente estabelecida, Jung considera necessário um professor apropriado, alguém para explicar religião ao homem.
Srila Prabhupada: Sim. De acordo com a injunção védica, é essencial que se procure um guru, alguém que seja representante de Deus: saksad-dharitvena samasta-sastraih (Gurv-astaka 7). O representante de Deus é adorado como Deus, mas ele jamais diz: “Eu sou Deus”. Embora ele seja adorado como Deus, ele é servo de Deus – o próprio Deus é sempre o mestre. Caitanya Mahaprabhu pediu que todos se tornem guru: “Onde quer que você esteja, simplesmente se torneguru e liberte todas essas pessoas que estão em ignorância”. Alguém talvez diga: “Não sou muito instruído. Como posso me tornar guru?”, mas Caitanya Mahaprabhu disse que não é preciso se tornar um estudioso erudito, haja vista que existem muitos assim chamados estudiosos eruditos que são tolos. Basta compartilhar as instruções de Krsna, que já estão no Bhagavad-gita. É gurutodo aquele que explique o Bhagavad-gita como ele é. Se o sujeito é afortunado o bastante para se aproximar de semelhante guru, sua vida se torna bem-sucedida.
Discípulo: Jung também lamenta o fato de que “a nossa filosofia não é mais um estilo de vida, como era na antiguidade; ela se tornou uma ocupação exclusivamente intelectual e acadêmica”.
Srila Prabhupada: Esta também é a nossa opinião: a especulação mental não possui valor em si. A pessoa tem que estar diretamente em contato com a Suprema Personalidade de Deus e, valendo-se de toda razão, ela deve assimilar as instruções dadas por Ele. A pessoa, então, pode seguir essas instruções em sua vida diária e fazer bem aos outros ensinando o Bhagavad-gita.
Discípulo: De um lado, Jung vê uma filosofia exclusivamente intelectual; do outro, denominações religiosas com “ritos e concepções arcaicos” que “expressam uma visão de mundo que causou poucas dificuldades na Idade Média, mas que se tornou estranha e ininteligível ao homem de hoje”.
Srila Prabhupada: Isso porque os pregadores da religião são simplesmente dogmáticos. Eles não têm ideia de Deus; eles apenas fazem proclamações oficiais. Quando alguém não entende, ele não pode fazer com que outros entendam. Semelhante problema, entretanto, não existe na consciência de Krsna. A consciência de Krsna é clara sob todos os aspectos. Este é o movimento esperado pelo cavalheiro Jung. Todo homem sensato deve cooperar com este movimento e libertar a sociedade humana da grosseira escuridão da ignorância.
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Leia outras entrevistas com Srila Prabhupada na obra A Ciência da Autorrealização (compre aqui) e em todas as edições da revista Volta ao Supremo (compre aqui).

http://voltaaosupremo.com/entrevistas/conversas-com-srila-prabhupada/srila-prabhupada-conversa-sobre-carl-jung/

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Guilherme Afif Domingos feito ministro



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terça-feira, 7 de maio de 2013

5 tga teoria das relações humanas




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Prova tga iii bimestre




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Os grupos sociais




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Psicologias uma introdução ao estudo da psicologia




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SCHOPENHAUER E O PENSAMENTO ORIENTAL ENTRE O HINDUÍSMO E O BUDISMO





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Satsang Palestra: Satsang Palestrante: Adão Nazareno Local: Núcleo Assistencial Ramatis Cidade: Campo Grande - MS Data: 21/04/2013



Palestra: Satsang
Palestrante: Adão Nazareno
Local: Núcleo Assistencial Ramatis
Cidade: Campo Grande - MS
Data: 21/04/2013

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Blog do João Maria andarilho utópico preensão correta do lápis




como segurar e posicionar adequadamente o lápis sobre uma folha ou caderno.Autor: António Manuel Pamplona

DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM - Uma abordagem psicopedagógica

ISBN: 978852900197-5                          Pág. 172



O reconhecimento e a identificação das dificuldades em aprender a ler e escrever é, na maioria das vezes, a diferença entre o fracasso e o sucesso escolar. Iniciando sua abordagem pela definição da leitura e da escrita, analisa subsequentemente, as causas das dificuldades de aprendizagem, ausência de estimulação das habilidades básicas necessárias à alfabetização, métodos de ensino, fatores maturacionais e emocionais, dislexia e os distúrbios específicos da leitura e escrita, os quais são ilustrados com casos clínicos.

Ressalta-se a extrema importância da obra, tanto para auxiliar a identificação precoce dos distúrbios de aprendizagem, como na elaboração de programas reeducativos ou de reforço escolar, que visem a reintegração da criança, com dificuldades, no processo de ensino formal.

Peso (kg)
0,100



Um dia me chama a professora e me diz que Emilio não sabe sustentar o lápis na mão. Naquele momento não me pareceu que isso seria um problema, que era apenas porque era pequeno , afinal só tinha 3 anos e meio. Com o tempo fui descobrindo que são muitas as crianças que passam por essa dificuldade, frases como “ ele sai correndo quando vê um lápis” etc e tal.


Quero lembrar que toda aprendizagem tem que ser enlaçada com uma anterior para que possa ser efetiva, isso é uma coisa que as pessoas que estão ao meu lado criam “calos” nos ouvidos de escutar. Então, a pergunta não é o que estamos fazendo agora que não funciona, a pergunta é qual é o passo anterior que ele não entendeu ou donde eu posso relacionar o que eu quero mostrar pra ele agora.

Vamos lá!

Segurar o lápis é psicomotricidade , vejam os exemplos que eu usei com ele.

Primeiro ensinei a usar os dedinhos que usa pra pegar o lápis, não para pegar o lápis mas para outras coisas.



Essa é a posição que o lápis tem entre os dedos.




Outras vezes colocava a mão dele aberta e pedia pra ele fechar o colocava o lápis no lugar donde deveria estar,(entre os dedos polegar, indicador e médio ).



Outro exercício é fazer “ minhoquinha”, faz um tempo o vídeo está disponível em youtube, para que ele movimente o lápis e coloque na posiçao adequada.


http://maria-marianeres.blogspot.com.br/2011/05/segurar-o-lapis.html

Adaptador triangular para lápis
Adaptador triangular para lápis
Especialmente concebido para manter os dedos na posição correcta para a escrita. Uma seta pequena mostra a maneira como o lápis deve ser inserido correctamente no adaptador. Pode ser utilizado por esquerdinos como também por destros

Quer saber mais, clique nos links abaixo.

Coordenação visomotora e espacial, lateralidade e direcionalidade para Escrita, Preensão do lápis:.




Por que odeia escrever?




Escala de preensão de lápis e giz de cera, em ordem de desenvovlimento



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Excelente aula de Marcus Boeira sobre Marxismo e Marxismo Cultural.



 http://www.formacaopolitica.com.br

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Marcha da Insensatez - Barbara Tuchman


Marcha da Insensatez - Barbara Tuchman

A Marcha da Insensatez - De Tróia ao Vietnã, um dos mais estranhos paradoxos da condição humana: a sistemática procura, pelos governos, de políticas contrárias aos seus próprios interesses. Através de exemplos históricos, Barbara estabelece a distinção entre insensatez e outros tipos de desgoverno, identificando sua característica: o ato autodestrutivo não considera a existência de uma alternativa viável e reconhecida. Dá como exemplos, entre outros, a dispersão das dez tribos de Israel (930 a.C.), a inexplicável submissão do imperador Montezuma (1520) e o ataque japonês a Pearl Harbour (1941). A partir daí, expõe quatro pontos decisivos no turbilhão da História. O primeiro deles é a guerra de Tróia, a mais remota luta simbólica do mundo antigo, cujo desenrolar demarca o protótipo da insensatez no governo. A autora demonstra como os troianos rejeitaram tanto os presságios quanto as advertências explícitas. Acolhendo o cavalo dentro de suas muralhas e fazendo, assim, a livre escolha de um rumo que os levaria ao desastre total.O segundo ponto diz respeito às seis décadas de desgoverno dos papas, período que coincide com o auge da explosão da Renascença, em toda sua pompa e florescimento artístico. Contra esse fundo, perscruta as vidas dos seis papas que não apenas trouxeram má reputação à Santa Sé, como também romperam a união da cristandade e perderam metade dos fiéis para a secessão protestante.Barbara reconta depois a série de acontecimentos mediante os quais, durante quinze anos, o rei Jorge III da Inglaterra e seu governo envenenaram o relacionamento com as colônias americanas, criando rebeldes, fazendo-se de surdos às críticas do Parlamento e da população. Como resultado, perderam o controle que exerciam sobre seu império na América.No último ponto, a historiadora aborda os trinta anos de envolvimento dos EUA no Vietnã até a embaraçosa retirada dos americanos. O que emerge dessa impressionante análise é a crônica da auto-hipnose, do cinismo e da perda de confiança dos cidadãos em seu governo. Este livro é uma obra-prima que revela a causa fundamental do desatino nos governos: a impotência da razão ante os apelos da cobiça, da ambição egoísta e da covardia moral, numa época que a marcha da insensatez parece acelerada no universo em que vivemos.



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Há diferença entre anti-sionismo e anti-semitismo?


Os Fatos Sobre Israel e o Conflito no Oriente Médio


Anti-sionistas procuram, cada vez mais, denegrir Israel. Na foto, uma tentativa de igualar sionismo a racismo.
4. Há diferença entre anti-sionismo e anti-semitismo?
O sionismo é o movimento nacional de libertação do povo judeu – uma expressão das legítimas aspirações de um povo antigo à autodeterminação e independência nacional. O movimento sionista foi fundado para prover um Estado soberano próprio na sua terra ancestral. Israel é a encarnação moderna e política desse sonho ancestral.
O objetivo do anti-sionismo é minar a legitimidade de Israel, assim negando ao povo judeu seu lugar na comunidade das nações. Denegrir o sionismo é, portanto, atacar o direito básico da existência de Israel como uma nação, em violação a um dos princípios fundamentais do Direito Internacional.
É falso fazer a distinção entre anti-semitismo e anti-sionismo. Conforme o Dr. Martin Luther King Jr. escreveu em 1967, o anti-sionismo "é inerentemente anti-semita". Realmente, não é coincidência que as censuras e condenações a Israel em fóruns internacionais e na mídia têm sido acompanhadas de uma forte escalada dos incidentes anti-semitas em muitas partes do mundo. Conforme notou o Dr. King, anti-sionismo "é a negativa ao povo judeu de um direito fundamental que justamente clamamos para os povos da África, com o quê, livremente, outras nações do globo se põem de acordo. É discriminação contra os judeus porque eles são judeus. Resumindo, é anti-semitismo".
Da mesma forma que o anti-semitismo nega aos judeus seu direito como indivíduos na sociedade, o anti-sionismo nega ao povo judeu seu direito de ser uma nação na esfera internacional. Similarmente à utilização do "judeu" como um bode expiatório para muitos problemas da sociedade, Israel tem sido escolhido como o vilão de plantão na arena internacional.
Anti-sionismo é freqüentemente manifestado na forma de ataques a Israel nas Nações Unidas e outros fóruns internacionais. Durante anos, quase todas as reuniões e eventos da comunidade internacional têm servido de palco para condenações a Israel – não importando de que matéria se trate, não importando qual seja sua tênue ligação com o conflito no Oriente Médio.
Como uma nação dedicada aos princípios da democracia, Israel acredita que a crítica, seja por outras nações ou por seu próprio povo, é uma força para mudanças positivas. Entretanto, existe uma clara distinção entre chamados legítimos por melhorias e a tentativa de não legitimar Israel, para, consistentemente, tentar sustar sua melhoria aplicando-lhe avaliações e exigências que não são aplicados a outros estados – tudo isso enquanto se ignora o contexto em que Israel se esforça para sobreviver ante os violentos ataques contra seus cidadãos e, com muita freqüência, contra sua própria existência. (© Museu Judaico/RJ, http://www.museujudaico.org.br - http://www.beth-shalom.com.br)


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Billy Ocean -- Caribbean Queen (Studio 2, TOTP)




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Gregory Abbott - Shake You Down




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Kleer: The Next Time It's For Real




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sábado, 4 de maio de 2013

Self-Realization Fellowship - SRF Campinas : Celebração Comemorativa do Aniversário de Sri Yukteswar - Sábado (4 de maio) a partir das 14 horas


Sri Yukteswar

SÁBADO, 4 de maio - Comemoração do Aniversário de Sri Yukteswar

30/04/2013

Avisos - Maio de 2013       

Celebração Comemorativa do Aniversário de Sri Yukteswar -Sábado (4 de maio) às 17h
Meditação Longa - Sábado (4 de maio) das 14h às 16h45Aqueles que desejarem podem chegar um pouco mais cedo para praticar os Exercicios de Energização em conjunto.
(O TEMPLO ESTARÁ ABERTO 30 MINUTOS ANTES DA MEDITAÇÃO)
 
Visita Monástica - Nos dias 10, 11 e 12 de maio teremos a visita dos monges em São Paulo.
Inscrições pelo site www.srfsaopaulo.com.br


IMPORTANTE: SÁBADO, DIA 12/05, não teremos serviço no Templo em Campinas.

Sri Yukteswar Giri (também conhecido como Sriyukteswar Giri e Sriyukteshvar Giri) (Serampore10 de maio de 1855 — Puri9 de março de 1936) é o nome monástico de Priyanath Karar (também Preonath Karar), o guru de Paramahansa Yogananda. Sri Yukteswar foi um Jyotisha (astrólogo tradicional), um yogi, e um grande conhecedor doBhagavad Gita e da Bíblia. Ele foi um discípulo de Lahiri Mahasaya de Varanasi e membro do ramo Giri da ordem Swami. Yogananda refería-se a Sri Yukteswar como Jnanavatar, ou "Encarnação da Sabedoria".[1]
Sri Yukteswar é um sábio indiano que vivenciou a verdade para depois pregá-la. Ele não tinha apenas o conhecimento teórico do que ensinava aos seus discípulos, mas, antes, ele realizou e assimilou toda a verdade que possuía em sua consciência, fazendo-a sua, para depois transmiti-la aos seus discípulos.
Ele é um dos seis Mestres que tiveram como missão divina disseminar ensinamentos sagrados e técnicas espirituais científicas através da Self-Realization Fellowship [1]. A parte de Sri Yukteswar, em relação a essa missão, foi preparar seu principal discípulo, Paramahansa Yogananda, para a fundação de tal Instituição.

Yogananda, Paramahansa. Autobiografia de um Iogue. Segunda Edição em Português ed.Los Angeles, CA, USA: Self-Realization Fellowship, 2009. 568 p. 1 vol. vol. 1. ISBN 978-0-87612-016-3

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sri_Yukteswar_Giri


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Islândia Não se Junta à União Europeia





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notalatina: A repressão na Venezuela em vídeos e áudio

notalatina: A repressão na Venezuela em vídeos e áudio: Alguns leitores têm insistido para que eu apresente “provas” de que a violência que está ocorrendo na Venezuela, desde o anúncio no domingo...

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Fichamento referente aos capítulos 6 a 8 do livro História da Educação.


Capa do livro História da Educaç˜ão

Fichamento referente aos capítulos 6 a 8 do livro História da Educação.

Capítulo VI - A Educação no Trezentos e no Quatrocentos

Com o surgimento de uma nova classe, a dos artesãos e comerciantes, a educação também se modificou, por esse motivo deve ser estudada mais de perto.
Os clérigos passam de homens da Igreja e tornam-se intelectuais.
Mesmo com toda a mudança na educação o ensino da arte cavaleiresca continua, o cavaleiro agora com a denominação de miles.
O papel do clérigo ainda é o de amar as Sagradas Escrituras e o do leigo amar os livros e preparar-se para as profissões liberais.

Os mestres também modificam-se, são mestres livres os protagonistas da nova educação, com eles surge um novo tipo de contrato, semelhante aquele que era escrito ao dar as crianças para serem educadas nos conventos, com uma diferença, agora o pai dá as crianças para serem educadas por um mestre livre, mas os paga para que fiquem com seus filhos, para que os mestres livres os ensinem uma profissão mundana. Ou seja, o pai queria que o filho se tornasse um bom comerciante, pois para essa classe social “emergente”, esse era o principal motivo da educação, e mesmo a educação escolástica era voltada para o comércio. Agora a educação tinha um fim comercial, e para isso ensinavam os cálculos e o ábaco, que tinham um valor prático muito maior que o da gramática. Era a aritmética comercial que deveria ser ensinada.

Com a formação escolástica profissional, aos dez anos o menino era capaz de estar no caixa e depois de “algum tempo” d manter os livros contábeis.
Há também o surgimento de novos mestres, que ensinavam em novos tipos de escolas, com eles surgem os monitores, que eram os protagonistas de uma nova forma de ensinar, pois com ele a escola pôde ficar um pouco mais organizada. No começo, os mestres ensinavam para as profissões, mas pouco a pouco puderam invadir o campo dos clérigos, e alguns mestres tornaram-se merecidamente famosos.
Assim, a educação começa a ser melhor comercializada, surgem as escolas que tinham seus mestres pagos por esses, surgem o que hoje denominaríamos como “cooperativas escolares e consumo”.
Outra forma de educação vinha com o preceptor familiar, este que educava no seio das famílias dos grandes ricos senhores.
Foi dessas transformações que surgiu o humanismo, caracterizado como a volta ao clássico, surge aristocrático, e com ele vem toda uma aversão a forma tradicional de educação. Para os humanistas, a função do pedagogo deveria ser exercida por pessoas que não tivessem dom para mais nada, para pessoas que não soubessem fazer algo melhor das suas vidas. E com esse argumento contra os pedagogos levava as pessoas a não ensinarem outras a dedicarem-se á literatura. Vai vir do humanismo uma busca por uma nova educação, pois eram contra a obsessiva repetição e a disciplina sadicamente severa.
A pedagogia humanística era voltada para que a criança pudesse ir á favor de sua natureza, segundo os humanistas, cada criança deveria ser educada de acorda com sua índole. Os castigos físicos deveriam ser abolidos. Diversão, jogos e brincadeiras deveriam ser absorvidos á esse novo tipo de educação, pois o respeito aos adolescentes deveriam vir em primeiro lugar, para que fossem instigados a pensar e a aprender.
Segundo os humanistas, a pedagogia deveria ser mais serena e rejeitar ameaças e pancadas.
Mas, em meio a tudo isso ainda existiam pessoas que achavam que as letras eram falsas e inúteis, e defendiam o caráter mecânico de todo o saber e o fazer.
O Humanismo deixa de ser somente italiano e torna-se europeu, os europeus que também fazem uma crítica á educação empregada até o momento. De acordo com os humanistas europeus, a escola deveria ser um local onde os educandos deveriam ir com prazer, se nas aulas acertassem algo, deveriam ser elogiados, e a conversação deveria ser incentivada.
A educação deveria ter uma função civil, deveria formar o cidadão. Ainda há um desprezo para com as pessoas que querem dedicar-se aos estudos.
A mercancia é o modo de ser contra o humanismo, a mercancia é uma atividade que vai contra as letras e as artes liberais, contra as disciplinas teóricas que segundo os que a praticam, ocupam apenas com conhecimento do espírito e da alma.
Nessa época também existe certa exigência de uma renovação cultural anti humanística, que propunha uma cultura voltada para a prática e para as ciências.
A educação cavaleiresca ainda existe, e da mesma forma prepara para o exercício do poder, ainda é o fazer da classe dominante, e prepara para a guerra, agora, além da summa de habilidades, que eram sete, ensina-se aos cavaleiros esgrimir, disparar com arma de fogo, pular, lutar, lançar dardos. Ensinam-se também as boas maneiras, pois os cavaleiros são nobres e gravitam em torno das cortes.
“A aprendizagem da arte da guerra terá suas manifestações nos torneios cavaleirescos até 1559, quando há um acidente e Henrique II de Valois morre, pondo fim á educação cavaleiresca, não só pela morte, mas como também por outros fatores, tal como a invenção das armas de fogo.


Capítulo VII - A Educação no Quinhentos e no Seiscentos

No Quinhentos e no Seiscentos muitas transformações ocorrem no mundo, tais como o Renascimento, a Reforma, a Contra Reforma, a Utopia, a Revolução.
Volta o problema, como e quando instruir? Quem deverá ser instruído? Instruído para o quê? A pobreza também é um empecilho para a educação.
Começa, então a instrução do povo, com um sistema de instrução popular. A Reforma trouxe consigo a idéia de que deveriam existir mais cidadãos cultos, instruídos e bem educados. Com Lutero veio a idéia de que deveriam existir escolas não apenas destinadas a meninos que iriam continuar os estudos, mas àqueles que iriam destinar-se ao trabalho.
Para os reformistas era importante que meninos e meninas fossem instruídos desde a infância. A escola deveria formar homens capazes de governar um Estado, o projeto da escola nova baseava-se em educar em três anos, o que nas escolas antigas demoraria uma vida inteira.
Segundo essas novas idéias, ensinar era um trabalho muito cansativo e ninguém deveria fazer isso por mais de dez anos. De acordo com Lutero, todos deveriam ser instruídos, para que pudessem interpretar as Sagradas Escrituras e para que fosse possível uma maior participação na vida política.
Para os reformadores, as escolas seriam o princípio de tudo, já que acreditavam que todas as pessoas nasciam más e que a qualquer momento poderiam ser influenciadas pela sociedade, para eles a escola ensinaria como controlar a si próprio, acreditavam também que sem a devida instrução ninguém conseguiria governar. Para eles, todos poderiam ser não apenas governados, mas governantes.
Os reformistas, tal como os humanistas queriam aproximar as escolas da cidade, também queriam uma pedagogia mais serena.
A Contra Reforma foi contra a extensão da instrução para as classes populares e contra toda a inovação cultural. Na Contra Reforma os livros eram proibidos. As escolas também foram reorganizadas com a Contra Reforma, evocando explicitamente as antigas tradições, o ensino da Gramática foi regulamentado, como o das Sagradas Escrituras e da Teologia, tudo era fiscalizado pelo bispo. Toda a Educação tinha um objetivo religioso.
O Ensino foi satirizado em comédias, onde mostra os mestres indo à caça de seus discípulos, ou mesmo, um mestre ensinando o alfabeto repetidamente para seu discípulo que já o sabia até de trás para frente.
No Seiscentos há uma crise cultural, uma visível decadência da universidade como centro de cultura e a iminente explosão da quérelle des anciens et des modernes.
Entre meio a todas as transformações surgem as utopias escolásticas, que visavam a educação para todos. Segundo essa utopia, todas as crianças deveriam ser instruídas e aos adultos deveria sobrar tempo para se dedicarem ás letras, isso deveria ser ensinado na sua própria língua (polêmica contra o latim). Aos cidadãos deveria-se permitir um tempo integral para se dedicarem aos estudos, aos que fossem muito bem, deveriam largar o trabalho e dedicar-se somente a isso. Fora essas utopias, outras surgiram, muitos achavam ser o ensino da gramática e da lógica um ensino servil, então passaram a ensinar nas escolas suas ciências, geografias, costumes, história.
Bacon também é inovador, sua proposta é a criação de uma “casa de Salomão”, dedicada ao estudo e á observação das criaturas de Deus.
Essa é a imagem de uma sociedade revolucionada, por três grandes invenções: imprensa, bússola e pólvora para tiro, que condicionaram a difusão da cultura e a exploração e conquista da terra.
A reelaboração de toda a enciclopédia do saber e a sua adequação ás capacidades infantis, são o grande tema da pedagogia de Comenius, cria-se o Atlas Científico Ilustrado, para que as imagens chegassem até as crianças e cria-se um texto que utiliza a dramatização, que faz com que as crianças recitem ativamente as passagens da história.
Muito dedicaram-se a reforma e a modernização da escola, criaram escolas que preparavam para uma profissão, outras que se inspiravam numa “nova filosofia experimental”, e ainda outras que relacionavam a educação com as atividades fundamentais de um país.
A Educação passa a visar não a variedade dos conhecimentos, mas a liberdade de pensamento.


Capítulo VIII - A Educação no Setecentos

Começam a surgir as pequenas escola, que não visam mais apenas ensinar, mas aperfeiçoar a razão e formar o juízo.
Surgem as primeiras escolas técnico-profissionais e as primeiras escolas “normais” para leigos, as quais antes eram apenas para clérigos.
As novas escolas cristãs possuíam seus próprios meios de manter a ordem local, tudo começava com o horário e o planejamento das aulas, todas as lições eram divididas entre principiantes, médios e avançados. As crianças, primeiramente aprendiam as sílabas, deveriam apenas silabar e não lê-las, prendiam a soletrar, depois ele aprendiam a ler por períodos, observando os pontos e as vírgulas, começando um pouco de gramática, aprendiam os números, franceses e romanos, aprendiam a ler o latim no Saltério, também por sílabas e por pausas.
Aprender a escrever levava tempo nas escolas cristãs, a criança deveria aprender a segurar a pena e a posicionar o corpo, para depois passar para as lições da escrita propriamente dita. Aprendiam o ábaco, logo depois de terem aprendido a ler e a escrever. A ortografia era basicamente aprender a escrita dos registros, ou seja, a escrita comercial.
Como pode-se observar, havia uma distinta separação didática entre o ler e o escrever, duas técnicas a coexistência de duas instruções diferentes: uma voltada para a religião e outra para a pré- aprendizagem das profissões mercantes, sendo esta a grande novidade das escolas cristãs.
Os castigos físicos voltaram a tona nesse período, como meios de estabelecer a ordem, mas eles não eram os meios principais, existiam também a vigilância constante, os sinais, os registros, as recompensas, as correções ou punições, a pontualidade, as autorizações, os oficiais e a própria estrutura da escola e dos equipamentos.
Nessa época foi importante mostrar aos pais que eram artesãos a importância de seu filho saber ler e escrever, pois era preciso mostrar que sabendo isso ele seria capaz de tudo.
O latim deixa de ser utilizado como língua universal com a modernidade, a partir do momento que algumas línguas nacionais se consolidam e se impõe no uso internacional.
Educar de forma humana todos os homens é o grande objetivo da educação moderna, os reformadores e os revolucionários deste século tentam concretizar este ideal.
A escola precisava se modificar, pois as críticas que recaíam sobre ela eram sempre as mesmas, porque ela na se modificara no decorrer dos anos. Nesse período a educação estava em alta, pois dela todos se ocupavam.
Começa aí a era da reescrita das enciclopédias, pois o mundo entrava na era das luzes. A redação da grande Enciclopédia das ciências das artes e dos ofícios marca uma virada na história da cultura.
Há uma preocupação com as coisas que fizeram com que o mundo mudasse. Rousseau, no quadro da pedagogia também inova, observa a criança focalizando o sujeito, com uma abordagem centrada na reclassificação do saber e na sua transmissão à criança como todo já pronto. Estabelece uma relação entre sociedade e educação.
Surgem as escolas Estatais, mantidas pelo Estado, onde era ensinado da história ás ciências naturais, visando a formação da inteligência. Pensava-se em uma passagem total da instrução da Igreja para o Estado, a qual a Igreja foi contra, mas não teve forças para reagir e a educação passou a ser assunto estatal.
As escolas estatais também forma subdivididas, em Trivial, com crianças de 6 a 12 anos, Escolas Principais, incluindo as escolas normais, Escolas Intermediárias e Universidades, já reorganizadas anteriormente.
Com a revolução Industrial, também houve uma modificação na instrução e o surgimento da moderna instituição escolar. Fábricas e escolas nascem juntas. Agora são os políticos que lutam pela instrução, foi proposta uma escola seletiva, onde dos sete aos dez anos todos teriam direito de estudar, mas somente os melhores passariam para as escolas secundárias e os melhores destas escolas, para as universidades. A instrução pública deveria instaurar uma igualdade de fato entre os cidadãos, e deveria dar a mesma importância para todas as matérias.
Surge o Conservatório de Artes e Ofícios, que tornar-se-á uma alta escola de aplicação da ciência ao comércio e a industria.
A Igreja ainda é contra as intervenções jurídicas do Estado e a difusão das novas filosofias. Com as novas escolas, os tradicionais chicotes e varas ficaram de fora, os castigos tornam-se mais amenos, colocando os alunos de joelhos num canto escuro da sala, ou colocando-o numa carteira separada das demais. Alunos mal educados são suspensos e até expulsos das escolas.
Com todas essas mudanças surgem experiências que acabam dando certo, como o ensino mútuo onde monitores são instruídos pelos mestres e passam a ensinar outros adolescentes, esse tipo de ensino difunde-se rapidamente. Com essa técnica um número muito maior de alunos poderiam ser instruídos, o que causa um alvoroço nos conservadores, que sabem que o maior número de pessoas instruídas podem “perturbar o Estado”.
As lições são breves e fáceis, os alunos aprendem a desenhar as letras em tábuas com areia, para ler, os alunos agrupam-se em semi-círculo na frente da lousa e tudo se desenvolve com disciplina. A avaliação de cada aluno é feita individualmente, se por um acaso algum não estiver apto para aprender nessa sala, é transferido para a série anterior e senta-se na primeira carteira, ao aluno que está acompanhando todas as lições é dada a oportunidade de avançar para a série seguinte, sentando-se na última carteira da mesma. A competição é o princípio ativo destas escolas, que solicitam a participação, embora extrínseca e não conhecem a punição física.
A experiência de J. P. Pestalozzi também foi válida, sua ambição foi juntar o que Rousseau separou, homem natural com a realidade histórica. Ele vê no amor materno um auxílio para a sua educação.
Segundo Pestalozzi, a natureza boa da criança deveria ser cultivada e a ruim exterminada. A criança deveria ser instigada a pensar, deveria ser encorajada. Segundo ele, as lições não deveriam começar de forma abstrata. A música deveria ser incorporada à educação, pois ela faz com que venha à tona o que a pessoa tem de melhor. Para ele, a educação não deve ser limitada “De fato, a inspiração e os métodos- o ativismo e a benevolência, de um lado, e a rigorosa disciplina e o mecanicismo de outro- são totalmente antípodas. Ambas, porém, estão destinadas a inspirar grande parte das iniciativas pedagógicas da primeira metade do Oitocentos”.


Educação no Brasil

A realidade atual da educação brasileira é bastante complexa, com inúmeros desafios e problemas que se inter-relacionam com o panorama político, econômico e social do país. Este quadro tem sua origem em um processo que não é novo e que não pode ser dissociado de um contexto amplo, histórico.
O país configura-se sobre o prisma de uma política neo-liberal, instituindo na sociedade ideais de modernização, globalização e qualidade total. Entretanto, esbarra em problemas cotidianos que vem se agravando com o número assustador de desempregados, desabrigados e movimentos reivindicatórios de toda força e natureza.
Há muitas formas de participação popular democrática: nas organizações de bairro, na comunidades de base, nos conselhos municipais de saúde, de educação ou associações de defesa dos direitos do cidadão, assumindo assim uma cidadania ativa.
Maiores investimentos em políticas educacionais, a implantação, de fato, em todo o país, de um currículo básico nacional e o efetivo envolvimento da comunidade nas questões educativas oportunizará uma educação igualitária.
A inovação da educação só se dará quando a base da sociedade o quiser. Nesse contexto, a mudança de mentalidade é fundamental e urgente.

REFERÊNCIAS

MANACORDA, Mário Alighiero; História da Educação: da Antiguidade aos nossos dias.
PILETTI, Nelson – "História da Educação no Brasil" – São Paulo: Ática, 1991.
Por: Fernanda Bombarda
Veja também:


http://www.coladaweb.com/pedagogia/historia-da-educacao

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Blog do João Maria Andarilho Utópico: Compre uma lousa vc estudante de licenciatura em pedagogia





A princípio, estas dicas podem causar um estranhamento. Afinal, em pleno séc. XXI, com acesso a recursos digitais inovadores, por que falar em ferramentas tão antiquadas quanto os centenários quadros negros? Se mesmo as escolas mais pobres contam com sala informatizada e aparelhos de datashow, porque bater a tecla no bolorento giz?
Podemos destacar as dificuldades que a escola e, consequentemente, os professores têm em utilizar este tipo de tecnologia. É fato que muitas escolas não ensinam o professor a utilizar a lousa e giz, empurrando o mesmo para a sala de aula, como se a experiência anterior como aluno, ou mesmo a posterior graduação, fossem suficientes medidores de competência didática.

Professor “Giz & Tal”

Eu já vinha buscando este artigo há um tempo, vasculhando na internet. A inspiração veio com o amigo Robson Freire, do blog Caldeirão de Idéias. Pelo que percebi, o texto original pertence a José Carlos Antônio, do blogProfessor Digital.
De uma forma brilhante, José Carlos utiliza uma corruptela para se referir aos professores que, desprovidos de recursos tecnológicos digitais, ainda dependem da lousa e giz. Desta forma, ele utiliza o termo “Professor Giz & Tal”, como contraparte do “Professor Digital”.
Confesso que eu sou um professor que utiliza muitos recursos digitais em sala de aula. Todavia, não dispenso o uso da lousa e giz, apesar de haver a alternativa da lousa e pincel atômico. Admito também que tenho muito a aprender com estas dicas, visando um melhor uso desta tecnologia.

As dicas

As dicas serão apresentadas com adaptações.
1. Use diversas cores de giz e não apenas o giz branco: o giz é uma ferramenta pobre e se você usar apenas giz branco sua lousa será horrivelmente monótona. Procure usar uma padronagem coerente de cores: por exemplo, use sempre as mesmas cores para cada categoria como títulos, subtítulos, destaques, anotações importantes, etc.
2. Divida corretamente o espaço da lousa: deixe um espaço de meio metro à esquerda da lousa para anotações sobre a pauta da aula, data, capítulo, etc. e mantenha esse pedaço da lousa sem apagá-lo durante toda a aula. Deixe outro meio metro do lado direito da lousa para anotações provisórias (como contas ou outras anotações que poderão ser feitas e apagadas durante a aula). Use sempre uma mesma cor para fazer linhas divisórias.
3. No espaço restante da lousa, procure fazer divisões em retângulos tanto mais próximos quanto possível do “retângulo de ouro”: se sua lousa tem 1 m de altura, faça divisões com comprimentos de 1,6 m cada uma, aproximadamente (ou seja, você deve dividir a lousa em retângulos cujo comprimento seja 1,6 vezes maiores do que a altura.
4. Use letras grandes e traços grossos: Até o aluno de visão mais aguçada ficará grato se não tiver que adivinhar o que foi que você quis escrever com aquela nanoletra ilegível que você mesmo mal enxerga estando a dez centímetros dela.
5. Se sua letra for feia, treine muito até que ela fique bonita: professor não é médico e lousa não é receituário. Ou você escreve de uma forma legível e com letra bonita e caprichada ou passa a usar artefatos tecnológicos que o dispensem disso (como notebooks e datashows, por exemplo).
6. Dê palestras, não “aulinhas”: Use uma vareta ou uma régua de 1 m como apontador para indicar aquilo sobre o que estiver falando durante suas explicações (apontadores laser não funcionam muito bem em lousas escritas com giz) e jamais fique de costas para a sala durante as explicações.
7. Prepare sua aula e o uso da sua lousa: certifique-se de que colocará na lousa apenas o essencial para organizar as idéias, conceitos e informações que serão apresentadas e trabalhadas em aula. Use a lousa como ferramenta de apoio e não como desculpa para enrolar a classe.
8. Não seja conivente com a irresponsabilidade: Se sua escola não fornecer giz colorido, apagadores ou lousas onde se possa escrever, escreva um e-mail solicitando em caráter emergencial o que lhe falta e envie para a Secretaria de Educação do seu município ou do seu estado, a cargo da área pedagógica.
9. Recolha todas as pontas pequenas de giz que sobrarem depois da aula e leve-as com você: se a escola não tiver quem as recolha e recicle, jogue-as no lixo da sala dos professores. Isso evita que encontremos pontas de giz espalhadas pelos corredores e aconteçam pequenas guerrilhas coloridas na sala de aula.
10. Use sempre um creme para as mãos à base de silicone antes de usar o giz: O giz resseca a pele da mão, causa ruptura nas cutículas, é horrível para limpar, fica grudado debaixo das unhas (principalmente para quem tem unhas grandes) e se aspirado ao longo de muito tempo seu pó pode causar câncer, enfisema e outras doenças decorrentes da acumulação de seus minerais no pulmão.

 http://www.historiadigital.org/tutoriais/como-usar-lousa-e-giz-na-sala-de-aula/



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A História do Mohini Ekadasi.

A História do Mohini Ekadasi. Yudhishthira Maharaja disse: “Ó Janardana, qual é o nome do jejum [Ekadashi] que ocorre durante a quinzena cla...