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Por que deixamos de escrever? E por que devemos voltar a escrever? Por RODRIGO GURGEL 1 fevereiro, 2018
Por que deixamos de escrever? E por que devemos voltar a escrever?
Por que deixamos de escrever? Por que deixamos de escrever se, todos os dias, arrastamos nossas ideias através do ócio, às vezes perfurando com elas o cilindro frio que nos separa da realidade? Avançamos sempre sem escrever, apesar do desejo sincero de colocar no papel o que pensamos, não necessariamente um poema ou uma história. Seria fácil definir esse comportamento como um tipo de inércia, mas tal solução esconderia o que se encontra no substrato do problema: a insegurança, a incerteza que temos em relação ao valor dos nossos pensamentos.
É compreensível que seja assim. Não fomos educados para dialogar com nós mesmos, no silêncio, na solidão. E não fomos educados para, dispostos ao diálogo interior, vencer a timidez ou a resistência daquela parte do nosso eu que duvida de nós mesmos. Mas como saber se o que tenho a dizer possui alguma relevância? Por que minha opinião seria importante numa época em que todos consideram suas opiniões não só importantes, mas imprescindíveis?
Aqui reside a melhor aventura: não temos respostas para essas perguntas. Mas a solução é tão simples quanto complexa.

Samuel Pepys
Complexa porque superar hesitações exige um encontro diário com nosso eu — um exercício de autoconhecimento, uma visita a cômodos mofados, onde nem sempre descobrimos coisas agradáveis ou alegres. Além disso, nossa verdadeira opinião, o que realmente pensamos a respeito de tudo, incluindo os mínimos eventos do cotidiano, nem sempre se revela na primeira frase. Muitas vezes, quanto mais avançamos em nossas reflexões, mais descobrimos que nossa conclusão, nossas certezas são exatamente opostas àquelas que imaginávamos ter. Trinta linhas depois do primeiro argumento, do primeiro juízo, não somos mais aquela pessoa, a investigação sincera do nosso eu, da nossa vontade, nos conduziu a uma conclusão inesperada e, no entanto, mais verdadeira.
Simples por um motivo que corremos sempre o risco de esquecer: se não temos respostas para as perguntas acima, então a melhor resposta é escrever. Escrever sem esperar o julgamento dos nossos contemporâneos — escrever porque temos necessidade de escrever. Escrever porque esse ato é uma continuidade do nosso ser, da mesma forma que respiramos, estendemos a mão para apertar o botão do micro-ondas e damos o primeiro passo assim que levantamos da cama.
Pepys, Hofmannsthal e Leopardi
Imaginem se, a cada linha, o escritor fizesse o julgamento implacável não do seu texto, mas das suas motivações para escrever, dos seus temas. O que aconteceria? Com absoluta certeza, a história da literatura universal, incluindo os diários, cartas e autobiografias, ficaria reduzida a um pobre volume.
Se Samuel Pepys tivesse se deixado dominar pela incerteza em relação ao valor das suas simples atividades cotidianas, não teríamos seu diário, uma fonte inigualável para entender o período da Restauração Inglesa, escrita num tom franco, que nos confirma, a cada página, que nenhuma vida se esgota na mesmice — e quem pensa o contrário precisa rever, com urgência, sua concepção de humanidade. Uma década na vida de Pepys, o tempo que dura seu diário, é a prova de que nossas inseguranças — em relação à importância de nossas opiniões e de nossos escritos — podem ser irrelevantes. E quase sempre são.
Dedicar-se, de antemão, a um gênero literário específico também pode ser motivo de estagnação. Podemos começar a romper nosso angustiado ócio mantendo um caderno em que anotamos uma miscelânea de observações, compilando notas de leitura, comentários diversos, notícias inesperadas ou decepcionantes, insights a respeito de tudo que possa merecer nossa atenção. Um memorando não só das nossas opiniões pessoais, mas do que nossa época despreza ou alardeia — um retrato, em breves notas, a respeito de tudo o que nos parece insano, curioso, empolgante, inaceitável. Um zibaldone como o de alguns comerciantes venezianos do século XIV, em que é possível encontrar de fórmulas medicinais a canções, de uma relação de impostos pagos a breves comentários sobre poetas. Ou trechos, de nossas leituras, que gostaríamos de usar no futuro — algo semelhante aos commonplace books que John Milton, Francis Bacon ou W. H. Auden mantinham.

Giacomo Leopardi
Hugo von Hofmannsthal escreveu, nesse estilo, seu Livro dos Amigos, conjunto de brevíssimos textos, a maior parte de sua autoria, que se assemelha a uma coletânea de aforismos. Giacomo Leopardielevou esse modelo ao seu próprio Zibaldone, um “laboratório poético e filosófico”, como o definiu Marco Lucchesi. Se Leopardi tivesse sido dominado pela dúvida a respeito da relevância de seus pensamentos, se permanecesse paralisado pela indecisão, não teríamos essa coleção de impressões pessoais — e muito do que o pensamento ocidental ainda promete à nossa sensibilidade, à nossa inteligência, estaria perdido. Leopardi, aliás, não se deixou submeter nem mesmo pelo Mal de Pott, que o condenou, desde a juventude, a dores e inúmeras formas de degradação.
A vida inteira cabe em nossas anotações — e estas, jamais saberemos o quanto, podem garantir conhecimento e inspiração às gerações futuras. Não devemos ter medo de nossa opinião — e, muito menos, de sermos prolíficos. Com algum esforço, conseguimos enxergar centenas de pormenores que passam despercebidos à maioria das pessoas — e dez anos escrevendo notas num ônibus sujo e enferrujado, que somos obrigados a tomar para ir ao emprego, podem se converter num relatório perturbador da vida urbana, um recurso para historiadores e antropólogos se perguntarem por que houve uma época na qual os homens aceitavam passivamente gastar horas de sua vida no desconforto.
Tudo merece nossa atenção. Tudo merece ser preservado pela escrita. Não há nenhum traço da experiência humana que deva ser esquecido. Se nosso cotidiano pode nos oferecer milhares de pequenas epifanias, se a vida está sempre nos surpreendendo, imaginem o que podem fazer por nós os escritos daqueles que não só viveram, mas guardaram suas impressões para o futuro.
Sou crítico literário — e professor de literatura e escrita criativa. Escrevi dois livros: Esquecidos & Superestimados e Muita retórica — Pouca literatura (de Alencar a Graça Aranha). Neles, faço uma revisão crítica dos principais prosadores da literatura brasileira. Minha Oficina de Escrita Criativa, com turmas semestrais, acontece em São Paulo (SP). Publico resenhas e ensaios no Jornal Rascunho e na Folha de S. Paulo.
O paradoxo de Tocqueville
Mídia Sem Máscara
Casimiro De Pina | 30 Dezembro 2009
Artigos - Economia
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Alexis de Tocqueville (1805-1859): a democracia não sobrevive sem uma boa política económica e uma ética de serviço público.
Alexis de Toqueville, para além de brilhante pensador político e teórico da democracia, foi um homem de viagens. Um viajante que sabia comparar e retirar lições das realidades (sociais, antropológicas) que entretanto descobria. O notável escritor francês observava as instituições políticas e os homens, analisando os costumes e o ethos dominante em cada sociedade. Nada escapava ao seu olhar arguto. Tocqueville, à semelhança de Montesquieu ou de Alain Peyrefitte, é um mestre da Filosofia Social.
Há uns anos atrás, numa conferência em Lisboa, que reuniu aliás nomes sonantes da Europa e dos Estados Unidos, tive a felicidade de receber, das mãos de um dos oradores[i], filósofo político da mais fina estampa, uma prenda inolvidável: um exemplar de um estudo elaborado por Tocqueville em 1835, praticamente desconhecido em Cabo Verde. Tratava-se do "Ensaio sobre a pobreza", uma comunicação lida na Academia de Cherbourg após uma curta viagem à Inglaterra. A actualidade desse documento é, todavia, impressionante!
Tocqueville, comparando a situação social de Portugal e Espanha com a da Inglaterra do séc. XIX, notou algo extraordinário: o número de indigentes era superior neste último país, o mais rico da Europa naqueles dias, mercê dos progressos resultantes da Revolução Industrial. O "paradoxo" era curioso. E intrigante. A nação mais rica tinha o maior número de indigentes (les misérables, diria Victor Hugo). Como era possível?! Havia causas conjunturais. O conflito entre Henrique VIII e o papado era uma delas. Levou ao encerramento de conventos em toda a Inglaterra, agudizando, deste modo, o fenómeno da carestia e, em geral, da miséria. Já não se podia contar com a filantrópica acção da Igreja romana e das suas instituições de caridade.
Durante a era de Elisabete I (1533-1606), foi criado um programa público de assistência aos indigentes, com a promulgação subsequente das famosas Poor Laws. Tocqueville estudou cuidadosamente os registos das "paróquias" (municípios) e leu os relatórios oficiais sobre a pobreza. Descobriu um princípio fulcral, hoje retomado por estudiosos como Amartya Sen e Thomas Sowell: a relatividade da pobreza. A sua descrição do fenómeno, no Mémoire sur le paupérisme, é de uma subtileza contagiante:
"Basta cruzar o interior da Inglaterra para pensar que fomos transportados a um Éden da civilização moderna - estradas magnificamente conservadas, casas novas e limpas, gado bem alimentado a pastar em campos ricos, agricultores fortes e saudáveis, com uma quantidade de riqueza mais espantosa do que em qualquer país do mundo - e, para suprir as necessidades mais mundanas, existe um padrão de vida mais refinado e gracioso do que em qualquer outro lugar. Há uma preocupação constante com o bem-estar e com o lazer, uma impressão de prosperidade geral que parece fazer parte do próprio ar que lá respiramos. A cada passo dado em território inglês, encontra-se algo capaz de fazer o coração do turista ficar exultante. Agora, observemos com mais atenção as vilas: examinemos os registos das paróquias, e iremos descobrir, com indescritível espanto, que um sexto dos habitantes deste reino florescente vive às custas da caridade pública.
Mas, se voltarmos à Espanha ou até mesmo a Portugal, teremos uma visão totalmente diferente. Veremos em cada canto uma população ignorante e rude, mal alimentada, mal vestida e vivendo no meio de uma zona rural cultivada pela metade e em habitações miseráveis. Em Portugal, no entanto, o número de indigentes é insignificante. M. de Villeneuve estima que este reino contém um indigente para cada vinte e cinco habitantes. Antes disso, o famoso geógrafo Balbi nos deu a estimativa de um indigente para cada noventa e oito habitantes".
O contraste, como se vê, era significativo. Na França, o mesmo fenómeno se repetia: os departamentos mais ricos tinham uma parcela maior da população dependente da caridade pública.
Os críticos da globalização e, em geral, do liberalismoeconómico teriam, aqui, uma poderosa confirmação do seu velho estribilho: "os ricos ficando mais ricos e os pobres cada vez mais pobres". O problema, como bem assinalou Mário Guerreiro, um estudioso brasileiro, é que a estratificação socialem Portugal, no período abarcado pelo estudo de Tocqueville, era semelhante à dos países socialistas totalitários (ex-União Soviética, Cuba, Coreia do Norte, etc.). O número de indigentes era insignificante, mas a imensa maioria da população vivia numa pobreza sufocante. Não se nota(va)m muitos contrastes, porque todos eram/são igualmente pobres, exceptuando os privilegiados da Nomenklatura estatal.
Nos países ocidentais mais ricos, as elites exigiram a intervenção do Estado para "corrigir" os supostos males do mercado livre. Houve um crescimento desmesurado do chamado "Estado de bem-estar", mas os resultados não foram particularmente agradáveis. Os países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Noruega) são apontados como "modelos" a seguir, por terem conciliado, dizem alguns, o mercado com a solidariedade. Eis o famoso Estado "com rosto humano"...
Este argumento é interessante, mas absolutamente falso.
Os países nórdicos ficaram ricos por causa da liberdade económica e não por causa da intervenção estatal. O Estado "inchou", é certo, nos meados do séc. XX, mas foi obrigado a reformar as suas estruturas (processo de privatização, que abrangeu até os serviços de saúde), porque já não havia dinheiro para alimentar um exército crescente de dependentesda segurança social. O "Estado-providência", como observara alguém, achou-se, afinal, imprevidente e demagogo. O "modelo escandinavo", tão elogiado pelos apóstolos[ii] da justiça social, simplesmente não existe. É apenas um mito. Nonsense upon stilts.
Veja-se o grau da liberdade económica vigente na Finlândia ou na Suécia (basta consultar os relatórios da Heritage Foundation).
No próximo artigo, iremos discutir algumas ideias de Tocqueville, constantes do tal "Ensaio" (Mémoire sur le paupérisme). Algumas são insights fabulosos, mas há também pontos fracos que merecem ser realçados. Tocqueville não compreendeu, por exemplo, a importância do industrialismopara a democracia e para a resolução possível do problema da pobreza.
____________________
Notas:
[i] Refiro-me ao ilustre pensador e diplomata brasileiro, José Osvaldo de Meira Penna.
[ii] Ver a nota confusa de Mário Soares, ex-Presidente de Portugal, acerca do "modelo" político escandinavo, neste link:http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1457643&seccao=M%E1rio Soares&tag=Opini%E3oNa visão paradisíaca (leia-se: romântica!) do dr. Soares, a social-democracia consiste, "Fundamentalmente, em pôr acento tónico na dignidade do trabalho, na justiça social (pleno emprego, serviços de saúde gratuitos, pensões sociais, educação para todos, etc.), na luta contra o desemprego e o trabalho precário, na redução das desigualdades sociais, na erradicação da pobreza e na regulamentação do mercado de trabalho (feita pelos Estados nacionais e, na Europa, imposta pela União). Na globalização, que terá de ser igualmente regulada, por princípios éticos e valores, no âmbito e por intervenção das Nações Unidas".
E continua, repetindo o argumentário de Al Gore quanto ao "aquecimento" global!"
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