O capítulo II do Código Penal Brasileiro trata dos crimes praticados por particular contra a administração em geral.
O
crime de Usurpação de função pública está previsto nesse Diploma Legal
como: Art. 328. Usurpar o exercício de função pública. Pena Detenção, de
três meses a dois anos e multa. Parágrafo Único: Se do fato o agente
aufere vantagem. Pena Reclusão, de dois a cinco anos e multa.
A repressividade do artigo é destinada ao particular quando este pratica tal ilícito contra a administração em geral, embora para boa parte dos juristas, o próprio funcionário público possa também ser autor ou co-autor do crime .
Usurpar
que é derivado do latim USURPARE, significa apossar-se sem ter direito.
Usurpar a função pública é, portanto, exercer ou praticar ato de uma
função que não lhe é devida.
A punição se dá quando alguém toma
para si, indevidamente, uma função pública alheia, praticando algum ato
ou vontade correspondente, entretanto, a função usurpada há de ser
absolutamente estranha ao usurpador para a configuração do crime.
Por
função, entende-se que é a atribuição ou conjunto de atribuições
atinentes à execução de serviços públicos. Todo funcionário público ou
assemelhado tem a sua função definida em Lei específica ou Estatuto.
Durante o período da Lei Seca, nos Estados Unidos, Al
Capone dominou o crime em Chicago e se tornou inimigo público número 1
das autoridades.
All that is Interesting
Al Capone foi um dos principais gângsteres da história dos Estados
Unidos. Durante a décadas de 1920, ele foi um dos maiores responsáveis
por liderar um grupo de contrabando de bebidas, durante a Lei Seca
estabelecida no país.
Líder do crime organizado de Chicago, ele chegou a acumular uma
fortuna estimada de US$ 100 milhões, com apenas 28 anos. Além de
controlar o contrabando de álcool, também comandava serviços de jogo e
prostituição.
Apesar de diretamente ligado a uma série de crimes, Al Capone acabou sendo preso por sonegação de impostos, em 1931.
História de Al Capone
All that is Interesting
Alphonse Gabriel Capone, nasceu em 17 de janeiro de 1889, no Brooklyn
(Nova Iorque). Ítalo-americano, ele era filho dos imigrantes Gabriel
Capone, barbeiro, e de Teresina Raiola, costureira, vindos da província
de Salermo.
Além de Al, a família teve outros seis filhos: alvatore (apelidado de
Frank), Rafaelle (Ralph Bottles), Vincenzo, Rosalia (Rose) e Mafalda.
Quando tinha 14 anos, Al foi expulso da escola, após agredir uma
professora. Na mesma época, ele passou a integrar dois grupos de
delinquentes juvenis, “Brooklin Rippers” e “Forty Thieves Juniors”. Foi
assim, então, que acabou trabalhando para o gângster Frank Yale.
Foi também durante a adolescência, que Al Capone ganhou um de seus
principais apelidos. Na época em que trabalhava no bar Harvard Inn,
acabou sofrendo um três cortes de faca no rosto. Ainda que tenha
sobrevivido, ficou com uma cicatriz marcante. Dessa maneira, passou a
ser conhecido como Scarface, do inglês rosto de cicatriz.
Al Capone casou-se no dia 30 de dezembro de 1918, com Mae Joséphine
Coughlin, descendente de irlandeses. No mesmo ano, pouco antes do
casamento, a mulher deu à luz um menino.
Carreira criminosa
Museu de Imagens
Em 1919, Al foi mandado para Chicago, sob ordens de Frank Yale. A
decisão foi tomada depois que ele se envolvera com a polícia, num caso
de homicídio. Sendo assim, ele foi embora com toda a família e passou a
trabalhar para um novo gângster: Johnny “The Brain” Torrio, mentor de
Yale.
Torrio comandava um ambiente modelo entre os estabelecimentos
criminosos da cidade. O local fazia parte de uma rede de empresas
ilegais administradas por seu chefe, James “Bim Jim” Colosimo. Além de
administrar atividades ilegais, o ambiente também contava com um porão
onde ele e Al Capone costumavam torturar e executar inimigos.
Em 1920, com a morte de Big Jim, Al e Torrio herdaram o império
criminoso. A partir daí, eles organizaram uma rede com uma gang atuando
em cada região do estado, garantindo o domínio local.
Com o decreto da Lei Seca, no início da década de 1920, a produção e o comércio de bebidas alcoólicas
nos EUA foi declarada ilegal. Foi na mesma época que Al Capone assumiu o
controle dos negócios de Torrio, aos 26 anos, depois que o chefe foi
baleado por rivais. Torrio resistiu, mas decidiu se aposentar com uma
fortuna de US$ 30 milhões.
Por meio de uma combinação de boa administração, frieza e violência,
Al garantiu o lucro da gangue. Em 1929, já era responsável por controlar
grande parte dos serviços ilegais de Chicago, incluindo pontos de
apostas, casas de jogo, apostas das corridas de cavalos, clubes
noturnos, cervejarias e destilarias.
Massacre de São Valentim
History
Entre os crimes mais famosos ligados a Al Capone está o Massacre de
São Valentim, em 14 de fevereiro de 1929. A fim de livra-se dos rivais
da Gangue do Lado Norte, Al determinou a execução de Bugs Moran, único
líder sobrevivente da organização.
Sob ordens de Al, um grupo manteve vigilância em frente ao depósito
comandado por Moran. Assim, no dia 14 de fevereiro, um grupo disfarçado
de policiais invadiu o local executou o líder rival, além de outros seis
homens.
Apesar da brutalidade do crime, fotos dos cadáveres foram vazadas e
publicadas pelos veículos de imprensa da época. Rapidamente, Al Capone
foi ligado ao massacre, pondo sua reputação em cheque.
Prisão de Al Capone
Museu de Imagens
Como parte das investigações do recente massacre, Al foi convocado
para depor em júri. No entanto, o gângster alegou estar doente para
fugir do depoimento.
Pouco depois, ele decidiu ceder, sabendo que não poderia fugir da
responsabilidade por muito tempo, e acabou preso logo após deixar a sala
do tribunal. A prisão foi feita sob alegação de desacato, a partir da
mentira da doença.
O grupo responsável por desmontar as organizações de Al Capone foi
liderado por Eliot Ness, da Agência do Tesouro dos EUA, e chamado de Os
Intocáveis. Enquanto o gângster estava preso, o grupo fortaleceu as
investigações. Em 1930, Al saiu da prisão, mas foi preso novamente pouco
tempo depois.
A prisão fez parte de uma manobra política de um juiz local, que usou
da publicidade da manobra para concorrer às eleições municipais da
Flórida, onde Al Capone foi detido.
No entanto, a investigação dos Intocáveis ainda encontrava
obstáculos. Como o criminoso não possuía bens em seu nome – nem mesmo
uma conta bancária própria –, o grupo focou nos gastos de Al.
Dessa maneira, o grupo apresentou despesas de itens como roupas,
acessórios, carros, joias e charutos e comparou com a renda declarada,
defendendo falsificação por parte de Al Capone. Primeiramente o irmão de
Al, Ralph, foi preso por evasão fiscal, em 1930. Um ano mais tarde, a
investigação conseguiu condenar Al Capone a onze anos de prisão.
Alcatraz e morte
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Acreditando que poderia se livrar da prisão com a regularização de
sua situação fiscal, Al Capone ordenou que seu advogado focasse nesse
objetivo. No entanto, a justiça manteve a condenação, além de aplicar
uma multa de US$ 50.000, mais uma adição de US$ 7.692 para despesas
judiciais e outros US$ 215.000, acrescido de juros de impostos
atrasados.
Depois da prisão inicial em Atlanta, Al foi enviado para Alcatraz,
na Baía de São Francisco. Ali, no entanto, sua saúde começou a decair
rapidamente, com o desenvolvimento de sífilis influenciando sua
estabilidade mental.
Após quatro anos detido, ele acabou sendo solto e enviado para a
Instituição Federal de Correção em Terminal Island. No fim de 1939,
então, ganhou o direito de liberdade condicional.
Ao fim da vida, os médicos declaravam que sua capacidade mental
estava tão deteriorada, que era similar a de uma criança de 12 anos.
Em 21 de janeiro de 1947, sofreu um acidente vascular cerebral, mas
sobreviveu. Entretanto, quatro dias depois sofreu uma parada cardíaca e
acabou morrendo, em casa, cercado pela família.
Curiosidades sobre Al Capone
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A organização comandada por Al Capone recebeu, da imprensa, o nome
de Sindicato do Crime Organizado, mais tarde chamado de Murder Inc.
Em média, a máfia de Al faturava cerca de US$ 60 milhões por ano, em Chicago.
Em 1928, o gângster comprou uma mansão na Flórida, com custo de US$ 40 mil.
O carro utilizado pelo mafioso era completamente customizado, com
armadura de aço e tanque à prova de balas. Além disso, tinha uma sirene
de polícia e uma janela traseira removível, para permitir trocas de
tiros.
Além do apelido Scarface, Al Capone também era conhecido por Snorky, Al Brown, King Alphonse, Big Fella e para o FBI: Inimigo Público Número 1.
Segundo o The New York Times, Al foi um dos americanos com maior publicidade em menor espaço de tempo, na época.
Em 1929, o gângster chegou a ser preso por porte de facas, mas foi libertado por bom comportamento depois nove meses.
Por fim, o estilo de Al Capone, com ternos listrados, chapéus fedora
e cigarro na boca, foi responsável por criar um estereótipo de
criminosos da época.
Conceitos de espaço, lugar e território na Geografia
Mariany Alves Bittencourt
18–25 minutos
Espaço, lugar e território são conceitos geográficos
utilizados como uma espécie de ferramenta para a análise de
determinados fenômenos e a Geografia. Entenda!
Antes de estudarmos sobre espaço, lugar e território, aí vai
uma pergunta: você já ouviu falar em conceitos? E em objetos de estudo?
Toda ciência, como é o caso da Geografia, possui certas palavrinhas
muito importantes, que requerem certo nível de abstração e de consenso
entre os cientistas dessa área de conhecimento.
Essas palavras importantes adquirem certos significados a partir de
estudos de especialistas, passando a se chamar conceitos. Os conceitos
são utilizados como uma espécie de ferramenta para a análise de
determinados fenômenos e a Geografia tem alguns que, para ela, são
fundamentais. São eles: território, lugar, paisagem, região, entre outros.
Por outro lado, os objetos de estudo são um tipo de lente, pela qual
determinado campo da ciência observa a realidade para estudá-la. Por
exemplo: a História estuda os processos e sujeitos históricos. Já a
Geografia, como veremos nessa aula, estuda o espaço geográfico.
O objeto de estudo da geografia
O longo processo de organização e reorganização da sociedade ocorreu
ao mesmo tempo em que a natureza primitiva foi sendo transformada em
todas as formas que conhecemos: campos, cidades, estradas, parques,
pontes, shopping centers, entre outros. Tal foi a explicação dada pelo geógrafo Roberto Lobato Corrêa sobre como a Geografia objetiva estudar sociedade.
Sendo assim, essas obras são as marcas do ser humano, apresentando um
determinado padrão de localização que é próprio de cada sociedade.
Organizadas espacialmente, todas essas marcas constituem, juntas,
conectadas em maior ou menor medida (e interagindo com a natureza), o
espaço dos homens e das mulheres. Portanto, formam a organização da
sociedade no espaço ou, simplesmente, o espaço geográfico.
Assim, enquanto outras ciências objetivam estudar as sociedades
através de diferentes motivações, a Geografia estuda a sociedade através
de sua organização espacial. Essa é sua objetivação e, o espaço
geográfico (espaço dos seres humanos; espaço da sociedade), o objeto de
estudo da Geografia. Voltaremos a falar dele adiante. Antes, iniciaremos
nosso estudo compreendendo o que é lugar para a Geografia.
O conceito de lugar
O conceito de lugar pode ser considerado um ponto de partida para
compreender o espaço geográfico nas suas diversas escalas (regional,
nacional, mundial). Isso ocorre porque o lugar é onde as pessoas vivem,
se relacionam, estabelecem seus vínculos afetivos. Sem contar a afeição
que se cria com as paisagens cotidianas.
Além disso, no lugar também há muita cooperação entre as pessoas,
embora também haja conflito. É ali, no lugar de cada um (a), que se
desenvolvem as identidades culturais e socioespaciais dos indivíduos e
grupos sociais.
Para chegarmos a uma boa compreensão do espaço geográfico e os
conceitos que dele se desdobram, devemos entender um pouco mais sobre as
relações sociais. Além disso, precisamos compreender as marcas que as
sociedades, através dos mais variados grupos humanos, deixam nas
paisagens dos lugares.
Ou seja, devemos compreender as dinâmicas da natureza, bem como as
dinâmicas da sociedade. E, de modo integrado, perceber as relações que
se dão entre sociedade e natureza. A Geografia, como ciência que é, se
dedica a isso.
O lugar nos dá uma identidade própria e nos permite estabelecer
relações com diferentes lugares ao redor do mundo. Eis aí uma das
dificuldades pela qual passam, em muitos casos, os imigrantes ou
refugiados. Isso porque se afastam das referências de seu lugar de
origem e precisam se adaptar a um novo lugar, com outros valores.
Por outro lado, com o processo de globalização,
há diversos fluxos (como de informações e produtos, por exemplo), que
chegam aos mais variados lugares do mundo. Isso os torna um pouquinho
mais parecidos entre si.
Ao conjunto de lugares, que se transformaram de modos particulares e
passaram por distintos processos históricos, unidos por uma complexa
rede de relações que se realizam nas mais variadas escalas, podemos
denominar espaço geográfico.
O conceito de espaço geográfico
O espaço geográfico está sempre em transformação. A própria natureza,
com seus fenômenos (terremotos, vulcões, marés, etc.), é responsável
por certas modificações no espaço. Todavia, o ser humano, desde os
tempos mais remotos, é o principal responsável pelas alterações do
espaço.
Portanto, o espaço reflete os diferentes períodos nos quais sofreu
intervenções humanas diversas. Cada povo imprime em seu território a sua
forma própria de se relacionar com o meio ambiente. Dessa forma, o
espaço geográfico traz em si a história das sociedades.
O espaço geográfico é formado pela dinâmica da população, pelas
atividades econômicas (indústria, agricultura, comércio e serviços). É
formado, também, pelas redes de transporte rodoviário, ferroviário e
hidroviário. Além das rotas marítimas e aéreas, das mais diversas
infraestruturas, das cidades e do meio ambiente. Ele é o legado que a
humanidade tem para deixar às próximas gerações. O que não inclui apenas
a natureza, mas também todo o patrimônio histórico e cultural
materializado.
Como alcançar uma relação mais sustentável com o meio?
Apenas com o conhecimento do espaço geográfico é possível desenvolver
uma relação menos predatória com o nosso meio. Isso atenuaria os
avanços da destruição ambiental e possibilitaria formas de
sustentabilidade realmente possíveis. O que é preciso fazer para
alcançá-las? Nosso modelo de sociedade possibilita um verdadeiro
“desenvolvimento sustentável”? São perguntas que os geógrafos e
geógrafas vêm buscando responder através do uso dos conceitos da
Geografia e da análise de seu objeto de estudo, o espaço geográfico.
Milton Santos, renomado geógrafo brasileiro, definiu o espaço
geográfico como um fato e um fator social. Ou seja, o espaço geográfico
não seria somente um reflexo, um meio para a ação da sociedade. Em vez
disso, o espaço geográfico é um condicionado e um condicionador. Ele é
influenciado pela sociedade (sendo moldado por ela), ao passo que também
influencia a sociedade (direciona ações e relações).
Para esse autor, o espaço geográfico seria então uma união de “fixos”
e “fluxos”, isto é, um conjunto de configurações espaciais e dinâmicas
sociais. A natureza do espaço geográfico seria, portanto, um conjunto
indissociável, complementar e contraditório de “sistemas de objetos” e
“sistemas de ações” – dialética entre a inércia e a dinâmica, entre o
espaço material e o espaço social.
David Harvey, importante geógrafo britânico, vai ao encontro das
ideias de Milton Santos ao definir o espaço geográfico como um conjunto
de processos sociais e formas espaciais – isto é, ele é formado pela
imaterialidade da dinâmica social e pela materialidade das
infraestruturas do espaço.
O conceito de território
De acordo com o geógrafo Marcelo José Lopes de Souza, o território é
um espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder.
Nesse caso, não se trata de um espaço caracterizado pelas
características naturais, pelo tipo de produção humana, ou por laços
afetivos, como pode ser o caso de outros conceitos.
O território é caracterizado pelas relações de poder. E ao
considerarmos que o território pertence a quem possui o poder sobre esse
determinado fragmento de espaço, percebemos que território e poder são
conceitos indissociáveis.
Na literatura em geral (inclusive científica), é muito comum
observarmos o conceito de território sempre atrelado à ideia de
“território nacional”. Deste modo, ele é muitíssimo usado para fazer
referência ao poder do Estado de gerir e dominar grandes espaços,
através de determinadas regras socialmente convencionadas ou mesmo
impostas.
Nesse sentido, o controle do território brasileiro seria exercido,
por exemplo, pelo Governo Federal. Consequentemente, seria delimitado
pelas fronteiras nacionais. Sendo assim, o território terminaria onde
termina o poder estatal. Todavia, a realidade é muito mais complexa e
existem diversos outros sujeitos envolvidos no controle territorial.
Outros exemplos de território
A marquise de um banco ou loja, no centro de uma cidade, utilizada
como abrigo por um grupo de pessoas em situação de rua, torna-se
território. Isso ocorre partir do momento em que essas pessoas se
apropriaram desse pedacinho de espaço para a sua sobrevivência.
Enquanto ali estão, aquela marquise está sob seu domínio. Se outras
pessoas tentarem ocupar aquele espaço, possivelmente o grupo que ali
estava as expulsará. Ou quem sabe negociará seu compartilhamento, não
sabemos. O que importa é que essa relação envolve o poder de gerir o
espaço (que se torna, portanto, território).
Os territórios são construídos (e desconstruídos) em diferentes
escalas geográficas – que podem ir de uma rua, um bairro, ou até mesmo a
um bloco de países, como é o caso da União Europeia – e temporais –
séculos, décadas, meses, dias. Podem também ter um caráter permanente,
ou uma existência periódica, cíclica (como veremos na Figura 1).
Videoaula
Para entender melhor os conceitos vistos até aqui, confira a videoaula do prof. Carrieri no nosso canal do YouTube:
Territorialidade
A noção de poder, domínio ou influência de agentes (políticos,
econômicos ou sociais) no espaço geográfico expressa o que chamamos de
territorialidade. O território é o espaço que sofre o domínio desses
agentes. Portanto, a territorialidade é a forma como os agentes moldam a
organização desse território, suas relações com ele.
Outro geógrafo brasileiro, Rogério Haesbaert, menciona que, além de
incorporar uma dimensão estritamente política, a territorialidade diz
respeito também às relações econômicas e culturais referentes ao
território. Está intimamente ligada ao modo como as pessoas utilizam a
terra, como elas próprias se organizam no espaço e criam significados
para ele. Sendo assim, a territorialidade é a forma com que os grupos se
articulam dentro do território.
Quando falamos em territorialidade, a análise territorial torna-se
ainda mais complexa. Afinal, as territorialidades podem ser temporárias
ou cíclicas. Elas podem existir somente em uma parte do tempo, de forma
intermitente ou não.
Marcelo Lopes de Souza traz um bom exemplo da territorialidade
cíclica através da ocupação de ruas urbanas. Essas ruas podem ser
ocupadas por consumidores e comerciantes durante o dia e, durante a
noite, por prostitutas ou outros indivíduos e grupos exercendo
atividades noturnas. A Figura 1, abaixo, representa muito bem essa
exemplificação.
Figura 1: Representação cartográfica de territorialidade cíclica em
uma cidade fictícia: no sábado às 11h, determinada área do centro dessa
cidade estaria sendo apropriada pelas pessoas fazendo compras ou
trabalhando em comércios. Às 23h, parte dessa mesma área estaria sob
domínio de prostitutas trabalhando [modelo adaptado do livro Geografia:
Conceitos e Temas].
Os processos de territorialização podem ser entendidos como
expressões espaciais dos conflitos presentes em nossa sociedade. As
formas como as múltiplas relações de poder se estabelecem no espaço,
podem ser percebidas através das diferentes formas em que o poder se
manifesta no território: a apropriação e a dominação.
Territórios apropriados e territórios dominados
Os territórios apropriados são utilizados à serviço das necessidades e
possibilidades de uma coletividade, indo além da concepção e uso
funcionalista do espaço, possibilitando uma relação simbólica e
identitária.
Já os territórios dominados, são espaços caracterizados por uma
concepção e uso utilitarista e funcionalista, onde a principal
finalidade é o controle dos processos naturais e sociais, por meio das
técnicas, submetendo-os à lógica da produção e do consumo.
Os conflitos, de certo modo, materializam-se no espaço geográfico,
dando origens aos territórios controlados por diferentes e conflitantes
formas de poder, que não necessariamente correspondem ao Estado
nacional.
Um bairro, por exemplo, se insere num território municipal, num
território estadual e num território federal. Ao mesmo tempo, nele podem
estar inseridos territórios paralelos que podem, inclusive, ultrapassar
seus limites para outros bairros.
Por exemplo: o território do tráfico de drogas, o território de um
grupo de moradores em situação de rua, o território de atuação de
determinada ONG ou grupo religioso, entre outros. Além disso, esse
bairro possivelmente estará inserido no território de blocos econômicos,
como o NAFTA ou Mercosul, ou em territórios dominados por empresas
transnacionais de determinado setor.
Exercícios
1- (IFMT-2015)
Os conceitos balizadores da análise geográfica, na ótica de Milton Santos, são:
I – O cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas,
instituições-cooperação e conflito são a base da vida em comum. (SANTOS,
1997.)
II – É o conjunto de formas, que, num dado momento, exprime as
heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre o
homem e a natureza. (SANTOS, 1997.)
III – É formado por um conjunto indissociável, solidário e também
contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, […]
considerados […] como um quadro único no qual a história se dá. (SANTOS,
1997.)
IV – É determinado pelas diferentes funções espaciais ou pelos
diferentes usos espaciais, não é possível entendê-lo ignorando as
relações políticas e econômicas […]. (SANTOS, 1998.)
Marque a sequência com a correta identificação dos referidos conceitos.
a) Lugar, espaço, território e paisagem.
b) Paisagem, território, espaço e lugar.
c) Espaço, lugar, paisagem e território.
d) Lugar, paisagem, espaço e território.
2- (UNEMAT MT)
Um dos grandes debates da Geografia, desde que esta alcançou o status
de ciência, entre o final do séc. XVIII e início do séc. XIX, tem sido
alusivo ao seu objeto de estudo. Na atualidade, tomando como referência
argumentos de geógrafos como Milton Santos e Roberto Lobato Corrêa,
entende-se que a Geografia tem como objeto de estudo o espaço
geográfico. Dessa forma, definimo-la como “ciência da organização
espacial”.
Sobre o conceito de espaço geográfico e sua abrangência no estudo da Geografia, assinale a alternativa incorreta.
a) O espaço geográfico não constitui uma totalidade homogênea, uma
vez que reflete as diferentes singularidades da natureza e das dimensões
do trabalho humano.
b) O espaço geográfico abrange, além dos elementos naturais e
artefatos humanos, a rede de relações criada por fluxo de pessoas,
mercadorias, capitais e informações.
c) O espaço geográfico constitui uma totalidade homogênea, uma vez
que reflete o resultado das interações do trabalho humano e suas
interações com a natureza.
d) O espaço geográfico é o produto material da interação, mediada
pelas técnicas, entre as sociedades e a superfície terrestre em que
estão inseridas.
e) O espaço geográfico é dinâmico e está, ao mesmo tempo,
organizando-se e reorganizando-se. Nesse sentido é que se pode dizer que
a Geografia analisa a organização espacial.
3- (UEPB)
De acordo com a composição “Triste Partida” de Patativa do Assaré, nas estrofes que dizem
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
[…]
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar…
– A categoria geográfica “lugar” que aparece no fragmento do texto está empregada:
a) corretamente porque está impregnada de emoções e de afetividade.
Há uma identidade de pertencimento para com esta parcela de espaço.
b) com o sentido de paisagem, pois é do topo da serra que o retirante delimita visualmente o que ele denomina como o seu lugar.
c) com conotação de região natural, pois trata-se do Sertão
nordestino de abrangência do clima semiárido de chuvas escassas e
irregulares e da presença da vegetação de caatinga.
d) erroneamente porque ninguém pode ter o sentimento de identidade e
de pertencimento a uma terra inóspita que só lhe causa sofrimento. O
lugar é para cada pessoa o espaço onde consegue se reproduzir
economicamente.
e) com o sentido de território, pois trata-se de um espaço apropriado
pelo fazendeiro, o qual exerce sobre o mesmo uma relação de poder.
Gabarito:
D
C
A
Referências:
ALMEIDA, Lúcia Marina Alves de; RIGOLIN, Tércio Barbosa. Geografia. São Paulo: Ática, 2003.
FERREIRA, Denison da Silva. Território, territorialidade e seus
múltiplos enfoques na ciência Geográfica.; CAMPO-TERRITÓRIO: revista de
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LUCCI, Elian Alabi; BRANCO, Anselmo Lazaro; MENDONÇA, Cláudio.
Território e sociedade no mundo globalizado, Geografia geral e do
Brasil, volume único. São Paulo: Saraiva, 2014.
MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia geral do Brasil,
volume 3: espaço geográfico e globalização: ensino médio. 3. ed. São
Paulo: Scipione, 2016.
MOREIRA, João Carlos; SENE, Eustáquio de. Geografia, volume 1: ensino médio. São Paulo: Scipione, 2005.
QUEIROZ, Thiago Augusto Nogueira de. Espaço geográfico, território
usado e lugar: ensaio sobre o pensamento de Milton Santos. In: Para
Onde!?, 8 (2): 154-161, ago./dez. 2014. ISSN 1982- 0003. Universidade
Federal do rio Grande do Sul, Instituto de Geociências, Programa de
Pós-Graduação em Geografia, Porto Alegre/RS, Brasil.
PEDON, Nelson Rodrigo. Geografia e movimentos sociais: dos primeiros
estudos à abordagem socioterritorial. São Paulo: Editora Unesp, 2013.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo: Hucitec, 1996.
SOUZA, Marcelo José Lopes de. O território: sobre espaço e poder,
autonomia e desenvolvimento. In: CASTRO, Ina Elias de; CORREA, Roberto
Lobato; GOMES, Paulo Cesar da Costa. Geografia: conceitos e temas. 14.
ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.
VELA, João Marcelo. O caráter educativo dos/nos movimentos sociais
urbanos: o caso da ocupação Palmares em Florianópolis/SC. 2015. 297 p.
Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Centro
de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Geografia,
Florianópolis, 2015. Disponível em: <http://www.bu.ufsc.br/teses/PGCN0591-D.pdf>. Acesso em: 30/05/2020.
TAMDJIAN, James Onnig; MENDES, Ivan Lazzari. Geografia geral e do
Brasil: estudos para a compreensão do espaço. São Paulo: FTD, 2013.
Sobre o(a) autor(a):
O texto acima foi preparado pelo professor João Marcelo Vela para o
Curso Enem Gratuito. João é licenciado e mestre em Geografia pela
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dá aulas de Geografia e
Filosofia em escolas da Grande Florianópolis desde 2015, além de atuar
como articulador de Ciências Humanas. E-mail para contato:
jotamaverick@gmail.com
O volume de lições de casa, as atividades extracurriculares, a
“pressão” por bons resultados — cada vez mais, as crianças têm sido
expostas a fatores estressores. Além disso, há o excesso de estímulos
externos em meio aos quais os pequenos já nasceram, com o fácil e
prematuro acesso a tablets, smartphones e afins. Nesse contexto, em
grande parte dos casos, a falta de concentração é o resultado, a ponto
de, inclusive, tornar o processo de ensino-aprendizagem infantil mais lento.
No entanto, somados a esses fatores, quais são as principais causas
dessa dificuldade de manter o foco? Como é possível combatê-la? Neste
artigo, a nossa ideia é se aprofundar no tema, ressaltando o que é
importante observar no comportamento das crianças para identificar
quando é o momento de buscar um suporte especial. Boa leitura!
O que se pode entender por falta de concentração?
Antes de abordar o que se pode entender por “falta de concentração”, é
importante pontuar que o tempo de foco infantil sofre variações de
criança para criança. Afinal, há influências, inclusive, de questões
externas, como a alimentação, o sono, a superexposição às telinhas, os
aspectos emocionais, entre outras.
É por isso que muito se fala acerca do quanto os hábitos mantidos no
dia a dia são capazes de “moldar” os pequenos e ampliar — ou diminuir —
as suas capacidades.
A falta de concentração, por exemplo, ocorre quando a criança
enfrenta dificuldades para manter a sua atenção voltada a uma situação
ou a uma atividade determinada por um tempo esperado. No âmbito escolar,
é possível percebê-la no enfrentamento de desafios como:
pouca memorização das instruções repassadas para a realização de uma atividade,
ausência de assimilação daquilo que se lê etc.
Quais são as principais causas da falta de concentração?
Existem alguns sinais que podem indicar que os pequenos vêm
enfrentando problemas para se concentrar no dia a dia. É fundamental
estar atento a esses possíveis sintomas, especialmente porque alguns
casos podem demandar a busca de um suporte especializado. Nesse sentido,
vale observar, por exemplo:
se o pequeno demonstra ter dificuldades de aprendizagem na escola;
se a criança nem sempre parece ouvir o que falam com ela;
se a criança apresenta dificuldade em manter níveis contínuos de persistência e concentração nas tarefas que desenvolve;
se
o pequeno demonstra sinais associados à ansiedade, condutas socialmente
inadequadas e/ou problemas de comunicação e relacionamento;
se a criança tem grande facilidade em se distrair e perder o foco;
se a criança é pouco organizada, esquece-se frequentemente das coisas e dificilmente conclui as tarefas iniciadas;
se o pequeno demonstra ter pouca autoconfiança e baixa autoestima.
De
forma geral, é comum que as crianças que apresentam esses sintomas
sejam diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade) — o que não necessariamente é um equívoco. Porém, é
fundamental não negligenciar outras possíveis razões para a falta de
concentração, especialmente antes de se recorrer a alternativas
farmacológicas. A seguir, listaremos as principais.
Depressão
A depressão na infância é um transtorno psicológico que normalmente
se caracteriza por uma tristeza persistente e, principalmente, pela
ausência de interesse em realizar atividades que eram prazerosas antes,
como desenhar, assistir a um desenho na TV, brincar com os amigos etc.
Além disso, outros sintomas incluem:
a falta de concentração nas tarefas cotidianas;
queixas constantes de cansaço;
dificuldades no processo de aprendizagem; e
dor de barriga e/ou de cabeça.
Em alguns casos, sintomas assim são confundidos com “birras” e até com timidez.
Contudo, é importante que os pais estejam atentos e, ao perceberem que
perduram por mais de duas semanas, o mais recomendável é levar os
pequenos a um pediatra ou a um psiquiatra infantil.
Geralmente, o tratamento abrange sessões de psicoterapia e, a
depender da gravidade do quadro, a administração de antidepressivos.
Ansiedade
Os sintomas de ansiedade podem surgir de forma alternada, com
períodos menos ou mais frequentes, durações variáveis e com maior ou
menor intensidade. Via de regra, os sinais mais comumente observados,
além da diminuição do foco, são:
Nesse
caso, tanto o diagnóstico quanto o tratamento precoces podem evitar
diversas repercussões negativas na vida das crianças. Durante a
infância, normalmente, o combate ao quadro é mais eficaz com a
administração de medicamentos combinada à psicoterapia — especialmente a
TCC (terapia cognitivo-comportamental).
Déficit de Atenção
Como dito, embora não seja a única causa, o déficit de atenção é,
sim, uma das razões para a falta de concentração na infância. Trata-se
de uma condição crônica que se apresenta nos anos iniciais de vida dos
pequenos e pode acompanhá-los até a vida adulta.
O TDAH tem um caráter neurobiológico, podendo levar à falta de
atenção e à impulsividade. Além disso, as crianças com o diagnóstico
costumam ser mais agitadas e, como consequência, normalmente enfrentam
problemas escolares.
É importante pontuar que o tratamento precoce é extremamente
importante. Por isso, o mais indicado é que os pais mantenham um olhar
cuidadoso em relação a possíveis sintomas que levem à suspeita e, se
necessário, busquem profissionais especializados.
Como superar esse problema?
Independentemente da motivação, existem algumas boas práticas que
auxiliam a reduzir os impactos da falta de concentração na infância e
que podem ser colocadas em ação no dia a dia. Neste tópico, listamos
alguns bons exemplos:
reorganize as atividades e a rotina a fim de não gerar
sobrecargas sobre o pequeno e facilitar a manutenção do foco com a
realização de uma tarefa por vez;
em momentos reservados a
estudo, procure tirar de perto tudo que pode funcionar como uma
distração, a exemplo de TVs, smartphones, tablets, brinquedos etc.;
estimule
a manutenção de hábitos saudáveis — como a prática de atividades
físicas de que a criança goste — e uma alimentação balanceada, que
contenha todos os nutrientes essenciais a essa etapa da vida;
procure
um psicólogo para receber as orientações mais acertadas e descobrir
como os pais podem ajudar os pequenos a superar o problema.
Como
visto, a falta de concentração pode ser associada a diversas causas. Em
boa parte dos casos, os sintomas podem ser semelhantes. Mas, quando
perduram por mais de duas semanas, o ideal é buscar a ajuda de um
profissional para identificar quaisquer condições que demandem algum
tratamento e uma ajuda especializada, a exemplo da ansiedade, da
depressão e do TDAH.
Além disso, em paralelo, vale a pena adotar boas práticas no dia a
dia que ajudarão reduzir os impactos da ausência de foco no dia a dia.
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vez por semana com duração de duas horas, são dinâmicas e contagiantes,
com atividades que agradam todo tipo de público.
A origem do termo ocorreu com Destutt de Tracy,[4]
que criou a palavra e lhe deu o primeiro de seus significados: ciência
das ideias. Posteriormente, concluíram que esta palavra ganharia um
sentido novo quando Napoleão chamou De Tracy e seus seguidores de "ideólogos" no sentido de "deformadores da realidade". No entanto, os pensadores da Antiguidade Clássica e da Idade Média já entendiam ideologia como o conjunto de ideias e opiniões de uma sociedade.
Karl Marx
desenvolveu uma teoria a respeito da ideologia na qual concebe a mesma
como uma consciência falsa, proveniente da divisão entre o trabalho
manual e o intelectual. Para Marx
não se pode analisar uma sociedade separada de sua condição social e
histórica. Nessa divisão, surgiriam os ideólogos ou intelectuais que
passariam a operar em favor da dominação ocorrida entre as classes sociais,
por meio de ideias capazes de deformar a compreensão sobre o modo como
se processam as relações de produção. Neste sentido, a ideologia
(enquanto falsa consciência) geraria a inversão ou a camuflagem da
realidade, para os ideais ou interesses da classe dominante.[5]
A partir do materialismo histórico, Marx desenvolveu dois conceitos
importantes para compreensão da organização da sociedade capitalista e
sua estrutura social, apontando a sociedade como composta por dois
elementos fundamentais: a) a infraestrutura, e b) a superestrutura.[7]
Infraestrutura - de acordo com Bodart (2016), para Marx, a
infraestrutura constitui o conjunto onde está a base econômica da
sociedade; portanto a economia, as formas de produção, as relações de
produção e as relações de trabalho, estas marcadas pela exploração da
força de trabalho no interior do processo de acumulação capitalista. A
infraestrutura, assim, constitui o conjunto formado pela matéria-prima,
pelos meios de produção e pelos próprios trabalhadores (onde se dão as
relações de produção: empregados-empregados, patrões-empregados).[8]
Superestrutura - é a projeção, a expressão cultural, das
formas e relações de produção; ou seja, é a expressão cultural da
infraestrutura. Assim, a superestrutura é fruto de estratégias dos
grupos dominantes para a consolidação e perpetuação de seu domínio
[econômico, político e social]. É composta pela estrutura
jurídico-política e a estrutura ideológica (Estado, Religião, Artes,
meios de comunicação, etc.).[8]
Princípio. Do latim principium. 1. Primeira fase da existência de algo, de uma ação ou processo; início. 2. O que é causa primeira, a base de algo; raiz. 3. Valor de ordem moral; preceito, regra (frequentemente usado no plural). 4. Conceito, ideia fundamental que serve de base a uma ordem de conhecimentos ou sobre a qual se apoia um raciocínio. A ou no princípioloc. na fase inicial; inicialmente. Em princípioloc. antes de qualquer consideração, avaliação; de forma geral. (1)
Ponto de partida e fundamento de um processo qualquer. “Ponto de partida” e “fundamento” ou “causa” estão intimamente ligados. (2)
Em filosofia, a palavra princípio é usada de forma metafórica, referindo-se a uma ordem ideal, e não a uma sucessão real. (3)
Princípio da Caridade. Princípio destacado sobretudo por Davidson como algo que rege a interpretação dos outros. Em várias das suas versões, o princípio impõe ao intérprete uma maximização da verdade ou a racionalidade daquilo que o sujeito diz. Para Davidson, segue-se que não faz sentido conceber sistemas de pensamento em que a maior parte das proposições são falsas, pelo que o princípio acaba surpreendentemente por constituir uma defesa contra o ceticismo. Ver também princípio da humanidade. (4)
Princípio da humanidade. Um princípio com a mesma função do princípio de caridade, mas que sugere que regulemos nossos processos de interpretação pela maximização do âmbito no qual vemos o sujeito como humanamente razoável, em vez do âmbito no qual o vemos como estando certo. (4)
Princípio do Efeito Duplo. Princípio que tenta definir as condições com que uma ação com bons e maus resultados é moralmente permissível. Numa das versões, uma tal ação é permissível se (I) não é em si mesma errada; (ii) a má consequência não é a que se pretende; (III) a boa consequência não é por si um resultado da má e (IV) as duas consequências têm impactos semelhantes. Assim, por exemplo, posso bombardear uma fábrica inimiga justificadamente apesar de prever a morte de civis nas suas proximidades, pois não tenho a intenção de provocá-los - ao passo que o bombardeamento intencional de civis não seria permissível. O princípio tem suas razões na filosofia moral tomista (ver Thomas de Aquino). A aceitabilidade de provocar um aborto (matando o feto, em consequência) para evitar a morte da mãe é uma das suas aplicações. Todas as cláusulas da definição são altamente controversas, mas é sobretudo a segunda que dá origem a profundos problemas no que diz respeito à relação entre ação, consequência e intenção. (4)
Princípio de Economia. É o nome como é mais conhecido o famoso princípio de William Ockam, franciscano: "entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem" (os entes não devem ser multiplicados, salvo necessariamente). Aplicado à demonstração, pode ser enunciado deste modo: entre duas explanações, ambas de igual valor, deve ser preferida a que invoca o menor número de princípios ou suposições, por ser mais verdadeira, e, em suma, por ser cientificamente preferida. (5)
Princípio de legalidade (legitimidade). A hipótese de que todos os fatos estão sob a égide de leis e, portanto, são legítimos. Esta hipótese ontológica corrobora a pesquisa científica.(6)
(1) DICIONÁRIO ENCICLOPÉDICO ILUSTRADO LAROUSSE. São Paulo: Larousse, 2007.
(2) ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.
(3) GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]
(4) BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. Consultoria da edição brasileira, Danilo Marcondes. Tradução de Desidério Murcho ... et al. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.
(5) SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed. São Paulo: Matese, 1965.
(6) BUNGE, M. DicionáriodeFilosofia. Tradução de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Perspectivas, 2002. (Coleção Big Bang)