quarta-feira, 10 de maio de 2023

Entrevista: Cristina Martín Jiménez 🇪🇸


terça-feira, 9 de maio de 2023

A obsolescência programada, o negócio sustentável e a vacina dos ovos de ouro, escreve Paula Schmitt | Poder360


‘Lâmpada eterna’ atrapalharia vendas

Curar nem sempre é o mais lucrativo

Consensos podem ser terraplanistas

Slogans importam mais do que fatos

Omar Sonido/Unsplash

Existe uma lâmpada que está acesa há mais de 115 anos. Raramente desligada, a “lâmpada centenária” está no Guinness World Records. O que é mais interessante, contudo, é que a durabilidade dessa lâmpada não é resultado de uma anomalia, ou um golpe de sorte –ela foi projetada exatamente para durar por décadas.

Quem a inventou foi Adolphe Chaillet, e quem a fabricou foi a empresa Shelby Electric, de Ohio. Até que um belo dia os grandes produtores de lâmpadas decidiram que a durabilidade daquele produto ia contra seus interesses comerciais. Seria muito mais lucrativo, eles concluíram, se a lâmpada durasse pouco, e precisasse ser substituída com frequência. Então a empresa Shelby foi comprada pela General Electric, que se uniu a outras empresas “concorrentes”, como a Philips e a Osram, e em 1924 esse grupo de supostos inimigos comerciais criou o cartel Phoebus, na Suíça. Uma das primeiras decisões do cartel foi impor um limite para a durabilidade da lâmpada incandescente. Segundo essa reportagem da New Yorker, Phoebus foi o “primeiro cartel de alcance mundial”, e criou um dos primeiros exemplos do que hoje se conhece como obsolescência programada –a maneira como produtos são projetados para não durar.

“O objetivo explícito do cartel era reduzir o tempo de vida das lâmpadas para aumentar as vendas”, disse à New Yorker Markus Krajewski, professor de estudos da mídia na Universidade de Basel, na Suíça. O motivo foi essencialmente “econômico, não físico”. Hoje, a lâmpada elétrica é uma máquina de fazer dinheiro, um produto com alcance impensável, usado em praticamente todos os ambientes de todas as casas e apartamentos de todas as cidades de todos os países em todo o mundo minimamente industrializado. Não obstante essa onipresença, os fabricantes não estão satisfeitos em vender seu produto apenas uma vez a esses bilhões de consumidores potenciais. Para que pensar pequeno? A intenção é vender para bilhões de pessoas, bilhões de vezes. Segundo estimativa da mesma New Yorker, se você acender uma lâmpada incandescente no dia primeiro 1º de janeiro e não desligar, ela “provavelmente vai se apagar por volta do dia 12 de fevereiro”. Faça como a Renata Sorrah no meme da álgebra e tente entender a enormidade disso.

Faço esse preâmbulo para falar de um culto assustador que está tomando conta do mundo e destruindo mentes outrora bastante inteligentes. Esse culto é muito mais perigoso do que o Q-Anon –um grupo de conspiracionistas que eu conheço bem, e sobre o qual já escrevi ao menos 6 artigos para o Poder360 (aquiaquiaquiaquiaqui e aqui).

Recomendo a leitura desses artigos porque até mesmo eu que os escrevi acho que são bons, e ajudam na identificação de truques de lógica que fazem pessoas aparentemente inteligentes serem enganadas com bastante facilidade. Mas o culto do qual vou falar agora tem uma teoria conspiratória muito mais perigosa, muito mais alastrada, e muito mais difícil de refutar, porque esse culto conta com o apoio de pessoas socialmente aceitas que se beneficiam dele diretamente.

O dogma principal dessa seita é a teoria conspiratória mais terraplanista que eu já encontrei na vida –a de que a indústria farmacêutica prefere curar do que tratar. Pessoas que compartilham dessa fé acreditam numa série de outras ideias sem nenhuma comprovação científica, nem qualquer estudo revisado por pares. Para ajudar o leitor a identificar esses negacionistas e evitar o contágio, vai aqui uma lista dessas crendices:

  1. A crença de que o sistema de peer-review é imprescindível, definitivo, e infalível contra todo tipo de corrupção, coleguismo, vício lógico e troca de favores. Eles acreditam também que é pura invenção que exista o conhecido “trem da alegria” (a prática de incluir em trabalhos acadêmicos o nome de colegas que nunca participaram do projeto);
  2. Seguidores dessa seita acreditam nos itens anteriores mesmo hoje sabendo que:
    • o governo norte-americano pagou com dinheiro público trilhões de dólares para salvar bancos no crash de 2008, crash esse causado por esses mesmos bancos;
    • parte desse dinheiro alocado para “salvar a economia” foi usado para pagar bônus (premiações acima do salário milionário) dos CEOs responsáveis pela crise, e até para aumentar o bônus acima do que já era pago antes de milhões de americanos perderem suas casas para hipotecas revendidas várias vezes, num dos esquemas mais sórdidos já perpetrados numa população inteira;
    • a Bayer distribuiu sangue contaminado com HIV por anos, mesmo sabendo que o sangue estava contaminado (deixa eu repetir: mesmo sabendo que o sangue estava contaminado), e com o conhecimento de oficiais do governo americano, que esconderam o fato do congresso, e mesmo sabendo que esse fato escondido por tantas pessoas levou décadas para ser revelado ao público. (Pausa para um lamento pessoal que às vezes me pega desprevenida e me joga na sarjeta da tristeza: Imagina se a gente soubesse desse absurdo inominável na época em que ele estava acontecendo? Será que teríamos perdido o Betinho, hemofílico, que pegou e morreu de AIDS numa transfusão de sangue?) Eu conto aqui um pouco dessa história da Bayer, e a reportagem fenomenal –e atrasada em décadas– do New York Times).

Até agora não conhecemos a origem do SARS-Cov2, o vírus da covid. E é natural que empresas se aproveitem dessa situação, e sejam remuneradas pelos seus esforços. Mas é crucial, acima de tudo, que saibamos que tipo de solução nos favorece, e que tipo de solução nos escraviza.

Cabe aqui um exemplo ilustrativo dessa linha tênue, cortesia de um vazamento de uma reunião entre um dos maiores bancos de investimentos do mundo e seus clientes. O relatório vazado, publicado em abril de 2018 pela CNBC, foi produzido por analistas financeiros do Goldman Sachs. Assinado por Salveen Richter, o documento é entitulado “A Revolução Genômica”, e se dirige a clientes nas empresas farmacêuticas do setor de biogenética –a mesma área, aliás, da qual fazem parte as terapias para covid conhecidas como mRNA, ou RNA mensageiros. Eu traduzo alguns trechos“Curar pacientes é um modelo sustentável de negócios?”, pergunta o título do relatório.

“O potencial para entregar curas com apenas uma injeção é um dos aspectos mais atraentes da terapia genética, da terapia celular de engenharia genética e da edição de genes. Contudo, tais tratamentos oferecem um cenário bastante diferente quando se considera arrecadação recorrente verso terapias crônicas [regulares], disse Salvenn Richter. “Enquanto essa proposição [da cura com uma injeção, ou “one-shot cure”] traz valor enorme para os pacientes e para a sociedade, ela pode representar um desafio para os desenvolvedores de medicina genômica que procuram um rendimento sustentado”. Como fica claro aqui, a cura é menos interessante como modelo de negócios do que o tratamento regular.

Agora pense nas vacinas que não imunizam (que não garantem a prevenção do contágio), e precisam de duas doses para temporariamente reduzir o risco de morte. Pensem no fato de que alguns fabricantes vão além, e sugerem que as vacinas da covid terão que ser dadas mais de duas vezes, talvez anualmente, como a vacina da gripe.

Enquanto você pensa nisso, note algo ainda mais interessante acontecendo em Israel. Lá, a Pfizer está testando o que eles chamam de “booster” (dose extra) com função auxiliadora da vacina da covid. O que está sendo verificado é a possibilidade desta 3ª vacina ser administrada junto com outro imunizante, este contra a pneumonia pneumocócica.

Por falar em pneumonia pneumocócica, você sabia que foi ela a grande causadora de milhões de mortes na pandemia de 1918, conhecida como a pandemia da Gripe Espanhola? Quem diz isso é um estudo publicado na New Scientist. Eu traduzo um trecho: “Especialistas médicos e científicos agora concordam que foi uma bactéria, e não o vírus da influenza, a grande causa de morte durante a pandemia de gripe em 1918. Esforços governamentais para combater a próxima pandemia de influenza ­–gripe aviária ou outra– têm que tomar nota e estocar antibióticos, diz John Brundage, um microbiologista médico no Centro de Monitoramento de Saúde das Forças Armadas em Silver Spring, Maryland. […] Apesar de uma cepa nociva do vírus da gripe ter varrido o mundo, foi a pneumonia bacterial que acompanhou casos majoritariamente leves da gripe que matou a maioria dos 20 a 100 milhões de vítimas da chamada Gripe Espanhola”.

Enquanto isso, um estudo recém publicado conduzido pela Universidade de Cleveland com a participação de 52238 funcionários concluiu que pessoas já contaminadas pela covid não teriam benefício em ser vacinadas. Eu traduzo aqui 2 trechos do estudo:

“Conclusões: Indivíduos que tiveram infecção por SARS-CoV-2 possivelmente não vão se beneficiar com a vacinação da covid-19, e as vacinas podem ser seguramente priorizadas para aqueles que nunca se infectaram antes.” 

“Resumo cumulativo: A incidência da covid-19 foi examinada entre 52.238 funcionários em um sistema de saúde americano. A covid-19 não ocorreu pelos 5 meses do estudo em nenhum dos 2.579 indivíduos previamente infectados com covid-19, incluindo aqueles que não tomaram a vacina.” 

O clichê que diz que devemos conhecer a história para que a história não se repita só vem servindo para uma coisa: para pessoas chatas repetirem esse clichê. Porque a verdade é que a história vem se repetindo bastante, mas as pessoas ficam menos inteligentes a cada dia. Fatos não importam. Slogans sim. Basta dizer “cloroquiner”, “negacionista”, “teoria da conspiração”, e a maioria dos papagaios reconhecem o som e repetem a palavra, bonitinho, esperando alguém dizer “dá o pé, loro”. Não digo que essas pessoas sejam de todo imbecilizadas –elas certamente têm lampejos de inteligência, mas infelizmente eles duram bem menos do que a nova lâmpada incandescente.

CORREÇÃO

Correção (10.dez.2021) – versão anterior deste artigo afirmava que a empresa Pfizer estaria fazendo testes em Israel para o uso de uma vacina contra a pneumonia pneumocócica como 3ª dose na vacinação contra a covid. Na verdade, os testes eram para a aplicação simultânea dos 2 imunizantes —3ª dose contra a  covid-19 e contra a pneumonia pneumocócica. A informação foi corrigida.

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domingo, 7 de maio de 2023

Escala Portage


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Projeto de lei diz que Mari Ferrer mentiu em denúncia; advogado repudia


Mariana Ferrer é citada em projeto de lei que apresenta informações falsas sobre casos de estupro - Reprodução
Mariana Ferrer é citada em projeto de lei que apresenta informações falsas sobre casos de estupro Imagem: Reprodução

Gabryella Garcia

Colaboração para Universa, em São Paulo

19/09/2022 09h30

O advogado de Mariana Ferrer, Júlio Cesar Ferreira da Fonseca, encaminhou na quinta-feira (15) um ofício solicitando a retirada do nome da modelo e influenciadora digital do projeto de lei 1837/22, de autoria do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que sugere aumento de pena em caso de comunicação falsa de crime quando a suposta denúncia for relacionada a crimes sexuais. Para justificar sua proposta, o deputado usou como exemplo o caso de Mari Ferrer, alegando que ela mentiu ao dizer que foi estuprada.

Atualmente, a pena para o crime é de um a seis meses de prisão ou multa. Com a qualificadora proposta por Jordy, a pena passaria a ser de um a três anos mais multa. Além disso, o deputado também sugere que a pena seja aumentada se ocorrer um aborto por parte de quem denunciou falso abuso.

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Lei Mari Ferrer é ferramenta na luta por respeito ao direito de denunciar

Em conversa exclusiva com Universa, Fonseca diz que a justificativa do deputado citando o caso de Mariana é mentirosa. Ele classificou a situação como absurda. O advogado também destacou que o caso envolvendo Mariana ainda está correndo, podendo ser alterada a sentença que absolveu André de Cargo Aranha.

"A situação é tão absurda que no próprio documento que absolveu Aranha por enquanto, o desembargador [Vogal Paulo Sartorato] diz que Mariana não mentiu em momento algum. A absolvição aconteceu pela falta de materialidade do estado de vulnerabilidade da Mariana, e não porque ela mentiu sobre o que aconteceu. Então, de onde ele tirou isso? Queremos justiça e a verdade, e se ele tem opinião sobre isso, que guarde para ele, mas não use a mentira para justificar um projeto de lei".

"O acórdão foi taxativo em dizer que Mariana não cometeu qualquer crime, seja de denunciação caluniosa, seja de falsa comunicação de crime", diz trecho do ofício enviado por Fonseca a Carlos Jordy, ao qual Universa teve acesso.

Ele também afirmou que após a apresentação do projeto, Mariana passou a receber diversas mensagens que citavam a proposta. "Ela ficou muito chateada e, por isso, me repassou. Perguntou o que eu achava e disse que se sentia em uma situação absurda."

Além do caso de Mariana, o deputado também citou como exemplo o caso entre Neymar e a modelo Najila Trindade, que o acusou de estupro em 2019, e o caso entre Johnny Depp e Amber Heard, em 2022. Com base nos três exemplos, Jordy argumentou que é "público e notório que tem se tornado recorrente a falsa comunicação de crimes atinentes à dignidade sexual no Brasil".

"Ele cita o caso de Johnny Depp, que aconteceu no exterior. E, pior, coloca esse tipo de situação como pública e notória no Brasil, então quer dizer que temos uma enxurrada. Cadê os dados estatísticos? De onde ele tirou isso?"

Júlio Cesar Ferreira da Fonseca, advogado de Mariana Ferrer, sobre projeto de lei que aumenta pena para falsa comunicação de crime e a cita

Por fim, Fonseca também afirmou que a proposta favorece estupradores e inibe mulheres a fazerem denúncias. "Parece que o PL foi feito para causar polêmica. A falsa comunicação é crime relacionado a qualquer episódio, não pode querer uma pena maior porque fez falsa comunicação de estupro. E o homicídio, como fica? Ele criou uma presunção de que o Brasil está sendo tomado por denúncias mentirosas sobre estupro, o que é um absurdo. Pode até ter algumas situações, mas é raro. A mulher não se submete e não se expõe a isso".

Universa tentou contato com o deputado Carlos Jordy, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para manifestações.

Proposta vai desencorajar denúncias

Para Tainã Góis, advogada e coordenadora do Núcleo de Direito e Diversidade da Escola Superior de Advocacia da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a proposição é totalmente ideológica e não está baseada em nenhum tipo de evidência. Ela também diz que, "com toda a certeza", esse tipo de proposta acaba desencorajando mulheres que realmente foram agredidas sexualmente a não fazerem denúncias.

"Esse projeto é baseado em populismo penal", diz Tainã, que fala da complexidade dos casos de estupro e a dificuldade em comprová-los —nem por isso, porém, são denúncias mentirosas. "Muitas vezes, a condenação só existe com prova pericial, mas muitos casos não deixam marcas visíveis, então é um crime de difícil comprovação por geralmente só ter a vítima e o agressor como testemunhas oculares", diz Tainã.

"O segundo ponto é que os tribunais tendem a não reconhecer as várias modalidades do crime, porque o estupro não é apenas o carnal. Além disso, existe a revitimização das mulheres e um dos grandes elementos da defesa dos acusados é tentar desmoralizar a vítima como se ela pudesse ser estuprada porque não tem moral. Essa questão moral, a dificuldade de provas e a estratégia de desmoralizar as vítimas de crimes sexuais faz com que possa acontecer a absolvição. Se, no decorrer do processo não haver provas materiais do crime de estupro e não houver condenação, não se pode também afirmar que a denúncia inicial foi falsa".

Sobre a afirmação do deputado Carlos Jordy em sua argumentação de que é "notório que tem se tornado recorrente a falsa comunicação de crimes atinentes à dignidade sexual", ela destacou que esses dados não existem.

"Tem que fazer lei pensando em estatísticas, e não em casos excepcionais que com certeza existem, mas não são estatisticamente relevantes para virar lei. Considerando que a maior parte das mulheres não denuncia crimes sexuais e tem medo, todo esse populismo penal em torno das denunciadoras aumenta o medo. Caso aprovado [o projeto de lei], com certeza vai criar uma tensão a mais, para que as mulheres tenham ainda mais medo de denunciar."

A advogada ainda relembrou que Aranha foi absolvido pela falta de comprovação de que Mariana estaria em estado de vulnerabilidade, e não porque teria mentido. Os próprios desembargadores afirmaram que não houve qualquer crime cometido por Mari Ferrer. Ela ainda criticou a postura do deputado Carlos Jordy.

"É um projeto ideológico que não parte de uma realidade concreta. O feminismo baseia leis em evidências, e ele baseia tudo em uma narrativa. Não olhou para os dados nem estudou a questão", finaliza.



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A VERDADE SOBRE O CASO MARCIUS MELHEM: Jornalista Ricardo Feltrin - REDCAST 106


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Meu paí João Maria descansa em paz. A última lição. (feito com Spreaker)

Ekadashi: Um Dia Especial para Todos


19 I (artigo - Sadhana) Ekadashi Um Dia Especial para Todos (1203) (ta)

Rohininandana Dasa

Os dois dias mensais de ekadashi – o décimo primeiro dia da Lua crescente e da Lua minguante – são muito lembrados pela evitação do consumo de cereais e grãos, mas são datas que envolvem muito mais do que isso.

Um amigo meu, da Força Aérea Britânica, escreveu para mim: “Ouvi dizer que, no ekadashi, não se deve nem comer nem beber nada e se deve ficar acordado durante a noite. Também não se deve olhar para não devotos ou falar com eles nesse dia. Julgo que, nas minhas circunstâncias, tudo isso é impossível. Qual é a finalidade do ekadashi, afinal, e como os devotos costumam segui-lo?”.

Eu respondi: “Gosto de pensar no ekadashi como uma oportunidade especial para ampliar meus esforços no intento de me tornar consciente de Krishna em vez de uma lista de nãos”. Os nãos podem estar presentes, mas são subordinados aos sins: lembrar sim do Senhor Krishna, cantar sim os Seus nomes, desfrutar sim das oportunidades de ouvir e falar sobre Krishna demoradamente, aproveitar sim a oportunidade de fazer progresso espiritual substancial.

Srila Prabhupada nunca nos disse que não podemos olhar para não-devotos nos ekadashis, tampouco que temos que fazer jejum completo ou ficar sem dormir. Ele simplesmente nos pediu para usarmos esse dia para ampliar o quanto nos lembramos de Krishna. E nos deu apenas uma orientação: nos dias de ekadashi, não comer grãos e cereais.

Sanatana Gosvami comenta que todas as muitas regras e regulações que ele compilou em seu livro Hari-bhakti-vilasa destinam-se simplesmente a ajudar as pessoas a se lembrarem de Krishna em todos os momentos da vida. Narada Muni também afirma:

aradhito yadi haris tapasa tatah kim
naradhito yadi haris tapasa tatah kim

“Se Krishna é adorado, qual é a utilidade de austeridades externas? E se Krishna não é adorado, qual é a utilidade dessas mesmas austeridades?”.

A ideia expressa aqui é que o serviço devocional a Krishna inclui austeridades em seu curso natural. Por exemplo, se no ekadashi estou tentando falar e ouvir sobre Krishna mais do que o rotineiro, eu naturalmente quererei dormir menos e comer menos. E quando me sinto espiritualmente fortalecido pelo canto e pela leitura, sinto-me menos sonolento e com menos fome do que sentiria normalmente.

A consciência de Krishna não existe de modo a ser um fardo sobre nós, mas sim para remover os nossos fardos. Na literatura védica, há muitíssimas instruções detalhadas para todo tipo de assuntos pessoais, sociais e culturais, sobre o que Srila Prabhupada disse certa vez: “Se eu fosse falá-los todos para vocês, vocês desmaiariam”. Contudo, o propósito deles é ajudar, e não atrapalhar, em nossa missão de nos tornarmos conscientes de Krishna em nossa vida prática e diária. Alguém que segue ekadashi deve dar consigo mais leve e livre, e não pesado ou aflito.

Srila Prabhupada explicou que ekadashi significa “décimo primeiro”, o que se refere ao décimo primeiro dia tanto da Lua crescente quanto da Lua minguante. Assim, o ekadashi acontece duas vezes em um mês lunar. Certos lugares têm uma atmosfera especialmente conducente à nossa purificação e ao nosso avanço espiritual, e o mesmo acontece com certas fases do tempo. O dia de ekadashi é espiritualmente carregado de energia devocional.

Há muitos benefícios colaterais que decorrem de seguir ekadashi, como boa saúde (jejuns regulares permitem que nossos órgãos digestivos descansem) e economia (se todos seguissem ekadashi, muito alimento seria economizado). Todavia, o principal propósito de seguir ekadashi é nos ajudar a despertarmos nosso amor por Krishna.

Prabhupada ensinou que seguir ekadashi é minimizar as demandas do corpo e maximizar nosso serviço a Krishna. No ekadashi, devemos comer com mais simplicidade e tentar colocar em prática a máxima de “Comer para viver em vez de viver para comer”.

Srila Prabhupada aconselhou que, nos dias de ekadashi, ampliemos o nosso cantar dos santos nomes: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. A um discípulo que perguntou se deveriam cantar vinte e cinco voltar no ekadashi, Srila Prabhupada respondeu: “Por que apenas vinte e cinco voltas? Vocês devem cantar tantas voltas quanto possível”.

O Senhor Chaitanya pediu à Sua mãe (e, através dela, a Seus demais seguidores) que jejuasse de grãos nos dias de ekadashi. Além de exigirem mais energia para serem digeridos, os grãos, especificamente nos ekadashis, são tidos como afetados por reações pecaminosas universais. O ekadashi é um dia extremamente auspicioso, mas qualquer um que coma grãos está inconscientemente envolvido nessas reações.

Algumas vezes, pode ser que a pessoa se esqueça de que um dia é ekadashi e se lembre apenas depois que já comeu algum grão ou algo com grão. Se isso acontece, o melhor é interromper imediatamente o consumo de grãos. Então, faz-se o jejum de ekadashi estritamente no próximo dia.

Uma vez ao ano, há um ekadashi especial conhecido como ekadashi Pandava-nirjala, ou ekadashi de Bhima. Nos tempos do Mahabharata, cinco mil anos atrás, narra-se que Bhima, irmão mais velho de Arjuna, encontrava grandes dificuldades em jejuar. (Naquele tempo, todos jejuavam completamente, não ingerindo nenhum tipo de comida ou líquido.) Então, ele recebeu do sábio Vyasadeva a permissão de seguir o jejum completo de ekadashi apenas uma vez ao ano. Na Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, muitos devotos estão acostumados a seguir esse ekadashi de Bhima, abstendo-se de todo alimento e até mesmo de água, a fim de compensar quaisquer discrepâncias no cumprimento dos vinte e três dias de ekadashi anteriores.

Alguns devotos escolhem jejuar de sólidos, de água e não dormir como uma austeridade regular. Permanecem acordados ao longo de toda a noite, em geral com alguns amigos (é difícil fazer isso sozinho), e recitam, cantam e leem juntos. Se você alguma vez queira fazer isso, há um método muito saudável para quebrar o jejum. Beba um copo de água com suco de limão, um pouco de pimenta-do-reino e uma pitada de sal. Depois de beber essa preparação, aguarde por duas horas antes de comer algo.

Todos têm uma constituição diferente, e, para algumas pessoas, jejuar até de água pode ser prejudicial para a saúde. Certa vez, Srila Prabhupada disse a um discípulo que, em ordem de importância, primeiro vem a saúde, então nosso sadhana (as práticas espirituais pessoais), e, por último, nosso serviço de ajudar a compartilhar a consciência de Krishna. Isso não significa que a saúde seja mais importante do que cantar Hare Krishna! A ideia é que, sem alguma forma de boa saúde, é difícil fazer qualquer coisa. Com efeito, Prabhupada instruiu que se, por jejuar nos dias de ekadashi, um devoto se sente muito fraco para prestar seu serviço devocional, é melhor que ele coma. Nos dias de ekadashi, Prabhupada gostava de comer chips de banana, entre outras coisas, como sua “comida de ekadashi”. Em nossos templos da ISKCON, os cozinheiros algumas vezes preparam banquetes de ekadashi usando ingredientes como batata e trigo-mouro a fim de fazer preparações que lembrem suas contrapartes feitas com grãos.

Qualquer que seja a modalidade de ekadashi pela qual você opte, é melhor preparar-se mentalmente na véspera planejando o que você pretende fazer. Tente fazer do ekadashi um dia em que você quebra seu padrão de vida e amplia suas atividades de orientação espiritual. O ekadashi também é um bom momento para você refletir sobre seu progresso espiritual em geral. Boa sorte!

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