terça-feira, 23 de maio de 2023

ISRAEL SIMÕES | Dallagnol, o garoto exemplar.




Israel Simões
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180

Se tem uma fase da minha vida da qual me envergonho foi aquela por volta dos 23 anos, já formado, trabalhando, pegando uma garota, com os músculos começando a aparecer, alguns livros na prateleira, um currículo que já não era folha branca e muito interesse em política, naquele afã de transformar o mundo. Por este quadro um tanto distante da maturidade, mas já desgarrado da adolescência, me sentia no pleno direito de sair dando palpite em tudo quanto é assunto, inclusive de bancar o indignado, o nervosinho, diante do caótico quadro geral da sociedade brasileira.

Usava o cabelo partido de lado, óculos sem armação, calças na altura da cintura e aquele sapato social preto de bico quadrado, crente de que ostentava uma masculinidade adulta e respeitável. Reforçava assim a posição superior de quem dá pitos nos amigos por qualquer desviozinho de moralidade, como um palavrão ou copo a mais de cerveja.

Era um típico almofadinha, com uma inteligência curiosa, alguma perspicácia, mas uma ingenuidade que beirava o ridículo. Não sabia sequer atrair uma mulher na rua, quanto mais compreender os jogos de poder que permeiam o universo tipicamente masculino da política.

Há uma cena magistral no filme Garota Exemplar em que Amy, uma esposa traída em busca de vingança, forja um sequestro do seu ex-namorado dos tempos de faculdade. Desi é um engravatado no estilo Deltan Dellagnol, certinho, engomado. Em um breve momento de despedida, Amy alarga a gravata de Desi com força e desajeita seu cabelo como quem diz: “vira homem, filho”. Em outro momento, durante um beijo, ela morde a sua boca, arrancando-lhe sangue, prendendo assim, progressivamente, o homem em sua teia, como uma espécie de mentora de sua puberdade tardia.

De tudo que a minha esposa já fez por mim nessa vida, nada foi mais importante do que isso: botar uma dose de caos na ordem. Porque a minha educação foi alemã por demais, a chegada de uma italiana na minha história reajustou os rumos, das ambições idealistas para um realismo mais humano. Troquei o piano clássico pelo rock and roll, o suco de uva pela Heineken, os livros de autoajuda pelo mínimo que você precisa saber para não ser um idiota (…). Sem esta forja meio nietzschiana eu não seria o marido, pai e intelectual que me tornei.

Quando olho para Deltan Dallagnol, não consigo evitar a recordação daquela versão inofensiva de homem da qual, um dia, me orgulhei. Sim, ele é um bom cristão, pai de família, aparentemente honesto, portanto admirável sob a ótica horizontal da cidadania. Longe de mim defenestrar o sujeito, mas para o jogo político, não dá. É insuficiente.

Depois da absurda cassação de seu mandato como deputado federal pelo TSE, na última semana, fiz um esforço por encontrar palavras para defende-lo. Justo, pois o ex-procurador recebeu 344 mil votos, a maior votação do Paraná em 2022. A perseguição pelo poder judiciário a qualquer político que tenha se oposto, de forma contundente, ao atual governo é o início de uma ditadura silenciosa que ameaça a liberdade de todos os brasileiros em nome das tais instituições democráticas, o clímax da vitória da burocracia sobre o povo, uma briga que define a nossa república desde a sua fundação.

Mas quando vi a foto da coletiva de imprensa de Deltan com Eduardo Bolsonaro, Bia Kicis e outros tantos expoentes do conservadorismo político lhe entregando o palco e o microfone, percebi que a minha obrigação era, novamente, abrir os olhos desta direita perdida.

Até quando irão se misturar com essa gentalha? Quantos dellagnols, dórias, aécios, joices, mandetas, felipes mouras e santos cruzes serão necessários para que aprendamos a nos aliar com os liberais sem lhes dar a faca e o queijo?

Percebam nesta pequena lista a evidência do que foram os primeiros meses de governo Bolsonaro: um desgaste desnecessário, uma perda de tempo e esforços para limpar, do seu entorno, os alpinistas sociais de suposta convicção liberal (porque a única convicção liberal que conheço, de fato, é o interesse pessoal).

Leia as palavras proferidas pelo próprio ex-coordenador da Lava-Jato em entrevista à Revista Veja, publicada em julho de 2020:

“Hoje o que nós vemos é uma radicalização do discurso. Muitas pessoas têm pregado o fechamento das instituições e o cometimento de crimes contra ministros. Isso é absolutamente descabido, antidemocrático e deve ser alvo de toda a força da lei, desde que dentro do devido processo legal. […] A democracia não corre risco, mas vemos com preocupação uma escalada das manifestações autoritárias tanto por meio de atos que pregam a intervenção militar e o fechamento do Congresso e do Supremo como por meio de arroubos verbais do presidente em que ele ou pessoas próximas afirmam que estaria chegando o momento de ruptura”.

Deltan Dallagnol, Revista VEJA

No auge da pandemia, em uma escalada de agressões às liberdades individuais por autoridades do poder executivo e judiciário, com Oswaldo Eustáquio na cadeia e Allan dos Santos sendo alvo de busca e apreensão em sua casa, nosso amigo Deltan estava mais preocupado com a verborragia de Bolsonaro, como bom paladino que é na defesa dos direitos abstratos no lugar da liberdade concreta.

Ele mesmo disse, na mesma entrevista: “Não estou defendendo nem acusando o governo Bolsonaro. Eu defendo causas…”.

Prudente, sofisticado e biografado.

Revisitando seu Twitter, aliás, percebi que há mais repostagens de Sergio e Rosângela Moro do que palavras do próprio. Mas em nada me admira que Dallagnol ainda seja um propagador do projeto Lava-Jato de país, mesmo depois da fracassada tentativa de Moro em chegar à presidência. O império da técnica e da formalidade, da auditoria no lugar do trabalho, ainda é um sonho de uma pequena parte da população brasileira, especialmente uma elite controlista, diplomada, que insiste em empreender uma contracultura modernista ao estilo de vida despojado da nossa tropicalidade brasileira.

Bolsonaro nunca se encaixou nesse estereótipo, ciente de que o formalismo é tão arma para a esquerda quanto a debandada, a arruaça. Por isso mesmo, foi rejeitado por este progenitor de Kim Kataguiri, o Sr. Dallagnol, que reserva sua espontaneidade apenas para o seu rentável empreendedorismo de palco, as palestras no Beach Park.

Claro que a obrigação dos conservadores, em mais um episódio preocupante de autoritarismo do Ovo togado, era ser solidária, fazer suas postagens indignadas, notas de repúdio, mas também deixar o cartucho de Dallagnol queimar enquanto ganha tempo na verdadeira briga pelo poder: a guerra cultural (esta é uma estratégia muito bem arquitetada pela esquerda: largar aliados para trás, satisfazendo a fome de sangue do inimigo, enquanto os soldados de frente avançam. Não foi o caso do impeachment de Dilma?).

Não precisava posar para a foto.

Porque o mesmo juridiquês pomposo que fez Dallagnol, Moro, Kataguiri e tantos engravatados destruírem a reputação de Bolsonaro perante as elites corporativistas, cientificistas e religiosas durante a última disputa presidencial, um golpe fatal contra a sua reeleição, é a linguagem utilizada pelos ministros do STF para justificar os inquéritos infinitos, o combate ao radicalismo, à polarização política.

Enquanto a direita brasileira continuar dando as caras e os cus para esse tipo de gente, será presa fácil nos jogos de poder da esquerda, que usa e descarta os engomadinhos de gravata como uma garota exemplar com sede de revanche.

E de gente vingativa este governo está cheio.  

Direitos de imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados.

Esmeril Editora e Cultura. Todos os direitos reservados. 2023
Fonte https://revistaesmeril.com.br/israel-simoes-dallagnol-o-garoto-exemplar/

sábado, 20 de maio de 2023

A operação aconteceu no dia 17/03/23 na ONG "PROJETO MULTIPLICAÇÃO SOCIAL" que pertence a José Cláudio Fontoura Piuma, ex funcionário da ONG "AfroReggae"... Mais de 10 traficantes foram presos e mais de 15 fuzis foram apreendidos:

Thread by @Steh_Papaiano on Thread Reader App – Thread Reader App

*Fact Checking da Sdefany*
Ou se preferirem - O VAR

Esta circulando por aí esse vídeo de uma operação que aconteceu numa ONG da zona norte do RJ e como o policial fala "ONG do Luciano Huck", meio mundo esta replicando sem checar - essa informação não procede.

Segue o fio
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A operação aconteceu no dia 17/03/23 na ONG "PROJETO MULTIPLICAÇÃO SOCIAL" que pertence a José Cláudio Fontoura Piuma, ex funcionário da ONG "AfroReggae"... Mais de 10 traficantes foram presos e mais de 15 fuzis foram apreendidos:

oglobo.globo.com/rio/noticia/20…
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Calma que essa história é mais interessante do.que vcs imaginam


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Claudio Piuma, conhecido como "Gaucho" era gerente de projetos da ONG "AfroReggae" e é tb o ex-chefe do tráfico de drogas do complexo do alemão, aos 15 anos de idade ele já era um dos assaltantes mais procurados do RS... já foi preso uma infinidade de vezes e foi classificado… twitter.com/i/web/status/1…
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"Tá Sdefany, mas vc ainda não disse da onde que o policial tirou o Luciano Huck da história"

É provável que ele tenha dito no vídeo "ong do Luciano Huck" por causa disso daqui, a ONG do "Gaucho", segundo ele mesmo, foi contemplada com doações do global, que fez uma rota de… twitter.com/i/web/status/1…
Eu preciso falar que ele "Fez o L"? Q?

Então eu até poderia deixar passar se não encaixasse em todo estereotipo que estamos acusando faz tanto tempo... ONG, tráfico, militância pelo desarmamento, militância pelo desencarceramento, militância para que pessoas sejam presas por… twitter.com/i/web/status/1…
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Continuando... neste vídeo, Cláudio (Gaucho) estava indo ao IML reconhecer o corpo de um jovem que havia sido morto pela polícia e afirma que o jovem não conseguiu sair do crime pq o "estado não deu suporte" e ainda afirma que "para as elites tem anistia, para os pobres não"… twitter.com/i/web/status/1…
Claudio... ou Gaucho, não é só um egresso, mas é reincidente e teve uma serie de "anistias" e ajudas do estado não só para sair do crime, mas tb para mudar de vida... foi muito beneficiado pelas políticas de desencarceramento e sua prisão, dia 17, o torna uma auto refutação… twitter.com/i/web/status/1…
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O símbolo de sua ONG é a bandeira do Brasil com um fuzil sendo quebrado ao meio em clara alusão ao desarmamento... é irônico que justo esta ONG tenha sido "estourada" e em parede eletrônica com fundo falso tenham sido encontrados mais de 10 traficantes e mais de 15 fuzis... SIM,… twitter.com/i/web/status/1…
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Mas agora vem a melhor parte... O TAMANHO DO ABISMO QUE O BRASIL SE ENCONTRA É ESSE DAQUI, um traficante classificado como sendo de alta periculosidade, reincidente, que pratica crimes como assaltos a carros fortes, tráfico de drogas e demais correlatos, DANDO LIÇÃO DE MORAL EM… twitter.com/i/web/status/1…
E FAZUELI BRASIL...

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Brasil... meu Brasil brasileiro... o traficante filósofo que tem "consciência social"... apreciem essa filosofia... (vem seguida da hipocrisia)
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Agora sim Claudio, já podemos te chamar de COMUNISTA... se aproveita de uma causa nobre envolvendo pessoas vulneráveis, faz proselitismo com falsas virtudes, milita em prol de coisas que nao pratica, quer impor uma agenda social ao próximo e VIVE COM LUXO E RIQUEZA... É TETRA 👍
No fim das contas a gente sabe de quem é a "culpa" de tudo isso, não da pra esperar muito de um país que ignora o histórico DOCUMENTADO de um candidato descondenado e nomeia a presidência da republica um egresso etílico...

Espero ter ajudado

Fim
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Raghupati _ jai Uttal cd spirit room "retrospctive" 2000 (feito com Spr...

sexta-feira, 19 de maio de 2023

É Isso Que o BANHO GELADO Faz No Seu Corpo Em 14 dias


Banho de água fria: 10 benefícios para a saúde

Banho de água fria: 10 benefícios para a saúde do corpo e da mente

  • setembro 5, 2022
Tempo de leitura 5 minutos
Arte ilustrativa mostra um chuveiro remetendo ao banho de água fria
Início » Saúde da Pele » Banho de água fria: 10 benefícios para a saúde do corpo e da mente

Tomar banho de água fria, muitas vezes, pode parecer um desafio, em especial quando os dias não estão tão ensolarados e quentes, mas você sabia dos benefícios que a água gelada pode trazer?

Eles são muitos e podem contribuir, inclusive, para a saúde da pele e dos cabelos. A seguir, confira uma lista com 10 razões pelas quais você deveria considerar banhos mais frios de agora em diante.

1. O banho gelado melhora a circulação do sangue

Com a temperatura da água mais baixa do que a do corpo, o organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura natural, o que auxilia na circulação sanguínea, fazendo com que o sangue chegue mais rápido a todas as áreas do corpo.

2. Ele ajuda a estimular o sistema imunológico

Estudos apontam que tomar banhos gelados ajuda na produção de glóbulos brancos, que atuam na defesa do organismo, reduzindo os riscos de adquirir doenças como gripes e resfriados.

3. Acelera o metabolismo

Tomar banhos frios cerca de duas a três vezes por semana ajuda a acelerar o metabolismo, pois o organismo precisa gastar mais energia para manter sua temperatura e aumenta a queima de calorias.

4. Auxilia no alívio de dores musculares

Banhos frios e gelados fazem com que os vasos sanguíneos se contraiam, reduzindo dores, inchados e aliviando sintomas de inflamação, bem como quando se coloca uma compressa de gelo após pequenos machucados.

5. É excelente para a saúde da pele

Sem ressecar e sem remover a camada de proteção natural da pele, os banhos frios são excelentes para manter a pele saudável, além de ajudar a fechar os poros, controlando a oleosidade.

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6. Deixa os cabelos mais saudáveis e brilhantes

Selando as cutículas e os poros dos cabelos, lavá-los com água fria, ou morna, traz mais maciez e brilho aos fios, além de manter o couro cabeludo saudável e menos oleoso.

7. Pode ajudar na economia de água

Como o banho frio não costuma ser tão confortável quanto um banho mais quente, a tendência é que ele dure menos tempo e, logo, ajude a economizar água, promovendo um estilo de vida mais sustentável.

8. Eleva o bom humor

Durante o banho, a água fria faz com que impulsos elétricos sejam enviados ao cérebro, estimulando a endorfina, os hormônios da felicidade, elevando os sentimentos de bem-estar e otimismo.

9. É um bom estimulante pela manhã

Melhorando a circulação sanguínea, tomar banhos gelados ajuda a despertar e diminuir o cansaço, sendo uma ótima pedida para as manhãs de segunda-feira.

10. E contribui para relaxar à noite

Já durante à noite, tomar um banho frio ajuda a relaxar, pois com a temperatura do corpo naturalmente mais baixa no fim do dia, isso contribui para desacelerar um pouco e se preparar melhor para uma boa noite de sono.

Banho gelado pode fazer mal?

Pessoa no chuveiro tomando banho de água fria

Lembrando que esses são benefícios gerais do banho frio, é importante ressaltar que, para quem sofre de baixa imunidade ou problemas de pele, por exemplo, é sempre importante ter acompanhamento de profissionais antes de iniciar uma nova rotina repentinamente.

Além disso, pessoas hipertensas, com histórico cardíaco ou de hipotermia devem evitar o banho de água fria. Ainda assim, se você não quiser tomar banhos tão frios, também não tem problema, mas é importante lembrar que banhos muito quentes podem prejudicar a barreira cutânea da pele.

Isso porque a água quente contribui para retirada excessiva do sebo natural da derme, deixando-a ressecada, sensível e mais suscetível a irritações e inflamações. Assim, como resposta, o nosso organismo produz mais sebo para suprir a falta, o que deixa a pele e os cabelos mais oleosos.

Banho de contraste: uma alternativa possível

Se depois de ver todos esses benefícios você continua sem coragem, então comece aos poucos com um banho de contraste. O método é muito simples e bastante eficiente, frequentemente usado para recuperação de atletas de alto rendimento.

E também é uma alternativa para pessoas com problemas cardíacos ou que não podem se expor a choques térmicos num banho gelado. Confira a seguir como fazer o banho de contraste da maneira correta.

  1. Comece o banho com a água quente;
  2. Aos poucos, vá esfriando a água lentamente;
  3. Para molhar o corpo, o segredo é começar pelas áreas externas, já que elas ficam mais longe do coração. Molhe primeiro a parte de fora do tornozelo da perna direita e vá subindo aos poucos. Faça o mesmo na outra perna;
  4. Para a parte de cima do corpo, comece molhando o dorso da mão direita e vá subindo até o ombro. Passe para a parte de dentro, molhando a axila, e desça até chegar à palma da mão. Repita o processo no braço esquerdo;
  5. Agora é o momento de tomar coragem e entrar com o corpo todo. Para intensificar os benefícios, repita o processo com água quente e, depois, novamente com água gelada.

Os benefícios do banho de contraste são praticamente os mesmos do banho de água fria, só que agem de uma forma muito mais intensa.

Há ainda quem mergulhe em uma banheira cheia de água com gelo, você já deve ter visto isso em algum lugar. A técnica do banho de gelo é bastante usada por atletas e artistas. E foi, inclusive, uma das solicitações de Justin Bieber para o Rock In Rio neste ano.

O método pode ser tão eficiente quanto o banho de água fria e o contraste, mas requer alguns cuidados para não ficar hipotérmico. Por isso, a ajuda de um profissional pode ser muito bem-vinda. A recomendação é que você não fique mais do que 2 minutos debaixo da água com gelo e evite a contração total da musculatura.

Vai encarar um banho de água fria agora?

O que achou desses benefícios do banho frio? Que tal aproveitar a entrada da primavera para testar o chuveiro em uma temperatura mais fria?

Mas se você já tem o banho frio como parte do seu dia a dia, não deixe de nos contar nos comentários quando isso começou e quais benefícios você sente na pele.

beyoung.com.br/blog/beneficios-banho-de-agua-fria/#:~:text=O%20banho%20gelado%20melhora%20a,todas%20as%20áreas%20do%20corpo.

As Forças Demoníacas: Os Quatro Maras



Dr. Alexander Berzin

Mara na Mitologia Hindu

Na mitologia Hindu, Mara (bdud) é equivalente a Kama (‘dod-pa’i lha), o deus do desejo. Essa equivalência também é aceita no budismo. A figura búdica do Kalachakra, por exemplo, tem Kama embaixo de seu pé direito, representando todos os quatro maras. Kama era um dos filhos de Krishna e Rukmini, e casado com Rati. Os deuses enviaram Kama para tirar Shiva do estado meditativo, a fim de que ele se interessasse por Parvati e juntos tivessem um filho, Karttikeya, que, segundo profecias, quando tivesse sete anos de idade conseguiria matar o demônio Taraka. Para tirar Shiva do estado meditativo, Kama lançou cinco flechas:

  • Para deixar estático (dga’-byed)
  • Para deixar desejoso (sred-byed)
  • Para deixar estupefato (rmongs-byed), ou seja, desatento ou senil.
  • Para deixar magro, emaciado e seco (skem-byed), que nesse contexto pode significar que ele ficaria fatigado, com fome e com sede, de forma que abandonaria a meditação. Em outro contexto, no entanto, talvez seja pelo trabalho de Mara que nos tornemos secos, amargos, sem o sumo da compaixão.
  • Para deixar morto, ou seja, deixar Shiva preocupado em morrer durante a meditação, fazendo-o abandonar o estado meditativo por medo.

Essas cinco flechas são os cinco obstáculos considerados os trabalhos de Mara. Shiva irritou-se com Kama e carbonizou-o com o fogo de seu terceiro olho, porém, mais tarde, atendendo a um pedido de Rati, permitiu que ele renascesse como Pradyaumna. Quando Pradyumna completou seis anos de idade ele foi roubado pelo demônio Shambara, que o jogou no mar por causa da profecia que dizia que Pradyumna o mataria. No mar, o menino foi engolido por um peixe, que foi pescado por um pescador, que tirou o menino do estômago do peixe e o deu para a amante de Shambhara, Mayavati, que o criou. Mayavati, por sua vez, acabou desenvolvendo desejo por Pradyumna, tamanha era sua beleza, mas Pradyumna a rejeitou porque pensava que ela era sua mãe. Então Mayavati lhe revelou que ele era filho de Krishna e Rukmini, e que Shambara o havia atirado ao mar. Pradyaumna ficou com raiva de Shambara e o matou usando seu poder de emanação. Então Mayavati o levou à casa de Krishna e Pradyumna e Mayavati se casaram.

Portanto, Mara pode ser personificado na forma de um ser divino. Na cosmologia budista ele vive no mais elevado dos reinos divinos do plano dos desejos sensoriais (Reino dos Desejos), no topo do Monte Meru. Esse lugar é chamado de Paraíso Daqueles Que Tem o Poder de Emanar (gZhan-‘phrul dbang-byed, sânscr Paranirmita-vashavartin). Os budistas normalmente dizem que esse paraíso é o lugar onde os deuses têm o poder de apreciar a emanação dos outros, mas os termos tibetano e sânscrito fazem mais sentido quando entendidos no contexto da mitologia hindu.

Mara na Mitologia Budista

No Budismo, Mara personifica as visões não-budistas incorretas, que foi a última coisa que o Buda precisou superar com o terceiro olho da sabedoria; em um episódio análogo ao da mitologia hindu, em que Kama tenta perturbar Shiva e ele o destrói com o fogo de seu terceiro olho. Vários relatos em vários sutras descrevem o Buda derrotando Mara. No Sutra do Esforço (Padhana Sutta) no cânone Pali, por exemplo, Mara aproximou-se de Shakyamuni enquanto ele fazia práticas ascéticas dizendo “Você está tão magro e pálido. Não busque a liberação — o que significaria afastar-se o mundo — mas fique no mundo e faça o bem”. Em outras palavras, Mara intima Shakyamuni a viver uma vida mundana, apesar de dedicada a ajudar os outros, e manda um exército para derrotá-lo. Shakyamuni especificou os exércitos de Mara da seguinte forma: desejo sensual, descontentamento, fome, sede, anseio, preguiça, medo, indecisão, inquietação, desejo pelas coisas transitórias da vida (ganhos, elogios, honra e fama) e elogiar a si próprio enquanto critica os outros. O Buda percebeu que, para superar tudo isso, ele teria que parar de identificar-se como os pensamentos sobre essas coisas.

Mais tarde, Mara apareceu como um fazendeiro pobre e como um velho brâmane bufão — simbolizando o mundo. Shakyamuni reconheceu Mara em todos os agregados que apareceram, e disse que Mara não tinha como se esconder. Shakyamuni o viu como a criatura patética que era, simbolizada pelas formas patéticas do fazendeiro e do brâmane. Mara então apareceu como desastres naturais e feras perigosas, mas Shakyamuni não tinha medo da morte. Mara mandou suas três filhas para que tentassem seduzi-lo, mas elas não tiveram sucesso. Então Mara tentou enganar Shakyamuni concordando que não havia nada a temer na morte e que portanto poderia ignorá-la. Mas, seguindo essa linha de raciocínio, ele também tentou convencer Shakyamuni de que a vida é longa e portanto ele deveria simplesmente aproveitá-la. Shakyamuni disse não, a vida é curta e devemos viver como se nosso cabelo estivesse pegando fogo. A qualquer momento a vida pode terminar, abruptamente, portanto, devemos aproveitar imediatamente a preciosidade de nossa vida humana. Assim, Mara desistiu e retirou-se.

Os Quatro Maras

O termo mara deriva da raíz sânscrita mr, que significa assassinar. Portanto, mara é aquilo que assassina ou causa interferência em nossa vida, como seres limitados, e em nossas ações construtivas que nos levam aos três objetivos espirituais: renascimentos melhores, liberação e iluminação. Também explica-se mara como “aquilo que dá fim” (mthar-byed, Skt. antaka) – aquilo que dá um fim à prática espiritual.

Existem quatro tipos de mara:

  • O mara da morte (O Senhor da Morte)
  • O mara das emoções e atitudes perturbadoras
  • O mara dos fatores agregados da experiência (os cinco agregados, skandhas)
  • O Mara que é filho dos deuses.

O Mara da Morte

A morte, logicamente, é o que mais interfere em nossa prática espiritual. Não há como ter certeza de que nossa próxima vida será uma vida humana preciosa, com todas as folgas e oportunidades que nos permitem praticar sem obstáculos. Mesmo que tenhamos tal renascimento, precisamos começar novamente o caminho espiritual como criança. Além disso, a morte é um evento incontrolavelmente recorrente ao final de cada vida.

Portanto, Mara também é considerado Yama (gShin-rje), o Senhor da Morte (‘Chi-bdag); e no sistema do anuttarayoga tantra, o Buda é Yamataka (gShin-rje gshed), Aquele Que Dá Fim à Yama. Entretanto, no tantra, Yama não é simplesmente a morte em si, mas existem três níveis de Yama, que detalham os três níveis daquilo que está envolvido na morte.

  • Yama exterior - é a morte em si.
  • Yama interior - são as emoções e atitudes perturbadoras, que ativam o rescaldo kármico e nos propulsionam em direção a renascimentos subsequentes, perpetuando o ciclo de renascimento e morte.
  • Yama oculto ou secreto - são as três mentes conceituais mais sutis que criam as aparências de uma existência verdadeira: limiar (nyer-thob, quase-atingimento, aparência preta), difusão (mched, aumento, aparência vermelha), e aparecimento (snang, aparência, aparência branca). Cada renascimento começa com essas três mentes conceituais sutis criando aparências que parecem existir verdadeiramente. Tendo por base a falta de consciência, acreditamos que essas aparências correspondem à realidade, e assim nos agarramos à existência verdadeira e temos todas as emoções e atitudes perturbadoras que derivam da falta de consciência e do agarramento.

Se ignorarmos a morte, seis obstáculos podem surgir e interferir em nosso estudo e prática espiritual; são eles:

  • Não nos lembrarmos das medidas do dharma
  • Mesmo que nos lembremos delas, não as colocarmos em prática.
  • Mesmo que as coloquemos em prática, não o fazer com pureza.
  • Não ter a determinação para praticar fervorosamente o tempo todo.
  • Devido às nossas ações destrutivas, não estarmos aptos a obter a liberação.
  • Morrer com arrependimentos.

Não praticamos o dharma com pureza porque, por ignoramos a morte, somos pegos nas oito situações transitórias da vida (‘jig-rten-pa’i chos-brgyad, os oito dharmas mundanos):

  • Elogio ou crítica
  • Boas notícias ou más notícias — inclusive ter ou não ter notícias das pessoas que amamos; ou ouvir sons agradáveis ou desagradáveis
  • Ganhos e perdas — tais como dinheiro e posses
  • Coisas darem certo ou darem errado — tal como estarmos saudáveis e felizes ou doentes e depressivos.

Ficamos contentes e encantados com as primeiras situações dos pares acima e ficamos deprimidos, desencantados e desapontados como as segundas situações.

Mas podemos manter equanimidade diante das oito situações transitórias da vida, adotando as dez atitudes internas que são como joias, da tradição Kadam (bka’-gdams phugs-nor bcu). Esse conjunto de dez atitudes é composto pelas quatro aceitações confiantes (gtad-pa bzhi), três convicções adamantinas (rdo-rje gsum), e as atitudes maduras em relação a ser expulso, a encontrar e a conquistar (bud-rnyed-thob gsum).

As quatro aceitações confiantes são:

  • Estarmos dispostos a aceitar com total confiança as medidas do dharma, sendo esse nosso posicionamento mais profundo em relação à vida.
  • Estarmos dispostos a aceitar até mesmo virar um mendigo, sendo esse nosso posicionamento mais íntimo em relação ao dharma.
  • Estarmos dispostos a aceitar até mesmo a morte, sendo esse nosso posicionamento mais íntimo em relação a virar um mendigo.
  • Estarmos dispostos a aceitar até mesmo morrer sozinho e sem amigos em uma caverna vazia, sendo esse nosso posicionamento mais íntimo perante a morte.

As três convicções adamantinas são:

  • Seguir com nossa prática do dharma sem nos importar com o que os outros pensam à nosso respeito
  • Manter sempre nossos compromissos e a consciência profunda
  • Seguir continuamente com nossa prática sem nos deixar levar por preocupações inúteis.

As atitudes maduras em relação a ser expulso, a encontrar e a conquistar são:

  • Estar disposto a ser expulso do grupo das assim-chamadas pessoas “normais”.
  • Estar disposto a encontrar-se na mesma posição hierárquica de um cachorro.
  • Estar totalmente envolvido na conquista da posição divina de um Buda.

É lógico que, em um nível mais profundo, só conseguiremos vencer o mara da morte quando tivermos uma compreensão da vacuidade, atingido a liberação e não estivermos mais sujeitos à morte e ao renascimento samsárico.

O Mara das Emoções e Atitudes Perturbadoras

Emoções e atitudes perturbadoras, (nyon-mongs, sânscr. klesha), interferem enormemente em nosso estudo e prática espiritual. As principais são desejo e apego, hostilidade e raiva, ingenuidade, orgulho, indecisão e atitudes perturbadoras relacionadas à nossa visão da realidade, como uma visão enganosa sobre coisas transitórias, por exemplo.

Quando sentimos que alguma dessas emoções e atitudes perturbadoras é muito forte, podemos praticar tonglen (gtong-len, dando e recebendo) pensamos em todos os outros seres que tem a mesma emoção ou atitude perturbadora e que isso não é um problema só nosso, mas de todo mundo. É razoável pensarmos dessa forma porque esse é um problema que afeta a todos os seres samsáricos e nós fazemos parte desses seres, portanto, precisamos lidar com isso por todos os seres. É como se fossemos uma mulher que estivesse enfrentando preconceito no ambiente de trabalho. O preconceito contra mulheres não seria um problema só nosso, pois é um problema de todas as mulheres. Portanto, para nos livrarmos do preconceito que sofremos por ser mulher, precisamos enfrentar o preconceito contra todas as mulheres.

No Treinamento da Mente em Sete Etapas (Blo-sbyong don-bdun-ma) por Geshe Chaykawa (dGe-bshes ‘Chad-kha-ba), uma das quatro ações (sbyor-ba bzhi) da etapa de transformar as condições adversas no caminho para a iluminação é fazer oferendas aos espíritos maléficos (maras) e pedir a eles que nos deem circunstâncias mais difíceis. Essa prática de “alimentar o demônio” é parecida com o tonglen. Mas aqui, nós primeiro praticamos o “dar” e depois pedimos ao demônio que nos ajude a receber mais sofrimento dos outros. Na prática de Vajrayogini, e também em outros rituais tântricos de oferendas, alimentar os demônios é parte da prática de fazer oferendas aos vários convidados: especialmente aos convidados que são nossos inimigos.

O Mara dos Agregados

O mara dos agregados refere-se aos agregados maculados (zag-bcas-kyi phung-po, agregados contaminados). Assim como Shakyamuni identificou que o sofrimento permeia todo o samsara (khyab-byed-kyi sdug-bsngal), ele identificou Mara em todos os agregados.

No Tesouro de Tópicos Especiais de Conhecimento (Chos mngon-pa’i mdzod, sânscr. Abhidharmakosha), Vasubandhu define “fenômenos maculados” como fenômenos não-estáticos (impermanentes) que derivam de uma atitude ou emoção perturbadora. Quando esses fenômenos são objetos de cognição de nossa mente limitada o resultado é mais emoções e atitudes perturbadoras no nosso continuum mental. Também são maculados os cinco fatores agregados que acompanham as emoções e atitudes perturbadoras. Portanto, Vasubandhu especifica os fenômenos maculados como sendo todos os fenômenos não-estáticos, excetuando-se aqueles que constituem a quarta nobre verdade.

Na Antologia de Tópicos Especiais de Conhecimento (Chos mngon-pa kun-las btus-pa, sânscr. Abhidharmasamuccaya), Asanga desenvolve mais esse tópico e considera a definição de Vasubandhu como apenas uma das categorias de fenômenos maculados. Asanga inclui entre esses fenômenos os fatores agregados que surgem do anseio e que geram outras situações samsáricas. Portanto, essa é a situação em que os fatores agregados de nossa experiência derivam do anseio e da inconsciência (que ativam os ventos kármicos), eles contém inconsciência e perpetuam a inconsciência.

Portanto, o “hardware” dos nossos agregados — nossa mente e corpo limitados — é o mara dos agregados, porque nos limita com mais e mais sofrimento e mata nossas chances de liberação

O Mara Que É Filho dos Deuses

Originalmente, parece que o Mara que é filho dos deuses refere-se a Kama, filho do deus Krishna, e a sua tentativa de interferir na meditação de Shiva. Os budistas consideram esse mara como sendo as visões enganosas dos não-budistas ou, conforme a escola Prasangika, até mesmo as perspectivas dos sistemas inferiores de filosofia budista que, apesar de úteis, devem ser superadas.

Esse mara também pode referir-se às 62 visões errôneas (lta-ba ngan-pa, visões más) propostas pelos 18 não-budistas extremistas (mu-stegs, sânscr. tirthika). E ainda, em A Filigrana de Realizações (mNgon-rtogs rgyan, sânscr. Abhisamayalamkara), Maitreya enumera 46 falhas que interferem no desenvolvimento das sabedorias aplicáveis aos bodhisattvas (sbyor-ba’i skyon). Essas falhas também são consideradas o trabalho de Mara que é o filho dos deuses.

Os Quatro Maras de Acordo com o Kalachakra

Em Notas sobre a Suprema Mandala do Glorioso Kalachakra, Fonte de Todas as Boas Qualidades (dPal dus-kyi ‘khor-lo’i dkyil-chog yon-tan kun-’byung-gi zin-bris), Buton (Bu-ston Rin-chen grub) explica que no Kalachakra os quatro maras tem o seguinte significado:

  • O mara dos agregados refere-se aos obscurecimentos do corpo, que são imputados na gota de energia criativa sutil do despertar.
  • O mara das atitudes perturbadoras refere-se aos obscurecimentos da fala, que são imputados na gota de energia criativa sutil do sonho.
  • O mara do Senhor da Morte refere-se aos obscurecimentos da mente, que são imputados na gota de energia criativa sutil do sono profundo sem sonho.
  • O mara que é filho dos deuses refere-se a entrar externamente na inconsciência (phyi-rol-gyi ma-rig-pa la ‘jug-pa), que talvez refira-se ao obscurecimento associado com a quarta gota, a gota de energia criativa sutil da bem-aventurança. Talvez isso refira-se aos obscurecimentos da inconsciência, que fazem com que emitamos nossas energias sutis quando da bem-aventurança do orgasmo. Quando atingimos a bem-aventurada consciência imutável da vacuidade, podemos dizer que temos o comportamento totalmente puro da realidade (de-kho-na nyid-gyi tshangs-spyod), onde estamos sempre na imutável bem-aventurança (mi-‘gyur-ba’i bde-ba) e nunca sentimos a bem-aventurança da emissão orgástica (dzag-bde). Isso porque nossa mente permanece absorvida na clara luz da realização da vacuidade e não se afasta dela quando da geração das três mentes conceituais de criação de aparências, que são análogas à emissão orgástica. Referimos a essa conquista como ter um bastão vajra (rdo-rje dbyug-pa) para derrotar os maras. Ter um bastão vajra é uma das dez qualidade de um mestre vajra, de acordo com o Kalachakra.

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