segunda-feira, 23 de outubro de 2023

A incidência de comportamentos não-heterossexuais vem aumentando significativamente no Ocidente.




A incidência de comportamentos não-heterossexuais vem aumentando significativamente no Ocidente. Nos EUA, p.ex., as estimativas sugerem que a prevalência de não-heterosseuxalidade em adultos aumentou de 3,5% (início dos anos 2000) para 13% em mulheres e para 7% em homens (meados da década de 2010). Sabendo que existem evidências sólidas de que a exposição a estrógenos e progestágenos exógenos durante a gravidez aumenta a probabilidade de o bebê desenvolver um comportamento não-heterossexual na adolescência e/ou na idade adulta, é de se perguntar se o aumento da disponibilidade e do uso de hormônios - e a presença de hormônios na alimentação de gestantes - teria algum papel nessa crescente epidemia de jovens e adultos com sexualidade não-heteronormativa. Essa seria uma linha de pesquisa interessante para centros de estudos hormonais e comportamentais. Referências: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28374065/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3977584/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10366402/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9492350/ https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6597280

PubMed
Prenatal Exposure to Progesterone Affects Sexual Orientation in Humans - PubMed
Prenatal sex hormone levels affect physical and behavioral sexual differentiation in animals and humans. Although prenatal hormones are theorized to i...

8. Civilização Significa Regulação: Livro Civilização e Transcendência A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada


Discípulo: Posso apresentar a próxima pergunta, Śrīla Prabhupāda? “É necessário jejuar e seguir outras dietas reguladas para haver vida espiritual?”.

Śrīla Prabhupāda: Certamente. Para avançar na vida espiritual, semelhante tapasya é compulsória. Tapasya significa aceitação voluntária de algo que talvez seja doloroso. Recomendamos às pessoas, por exemplo, que parem com sexo ilícito, intoxicação, jogos de azar e consumo de carne. Então, para aqueles que estão habituados a es­ses maus hábitos, talvez seja um pouco difícil no início. Porém, apesar da dificuldade, tais preceitos devem ser seguidos. Isso é tapasya. Para quem não está acostumado, levantar­-se de manhã cedo é um pouco difícil, mas é compulsório. Portanto, de acordo com os preceitos védicos, existem algumas tapasyas que devem ser executadas.

O ponto não é se elas podem ou não ser seguidas, senão que essas austeridades têm de ser seguidas. No Muṇḍaka Upaniṣad (1.2.12), por exemplo, prescreve­-se que, se alguém deseja tornar­-se autorrealiza­do, deve aproximar­-se de um mestre espiritual: tad-vijñānārthaṁ sa gurum evābhi-gacchet. Não é, portanto, uma questão de opção, mas algo que tem de ser feito. A pessoa deve executar a ordem do mestre espiritual e a ordem do śāstra, escritura. Quando você adota algo sem considerar a questão da conveniência ou inconveniência, mas adota a injunção apenas porque é algo que tem de ser feito, isso se chama tapasyaTapo divyam (Śrīmad-Bhāgavatam 5.5.1): Outras eminentes autoridades espirituais, como Ṛṣabhādeva, recomendam que esta vida humana destina­-se à austeridade voltada para a compreensão de Deus, daí encontrarmos tantas regras e regulações em nossa civilização védica.

Bem no início da vida, a pessoa deve ser brahmacārī, isto é, ela deve ir para a residência do mestre espiritual e agir como um servo humilde. Se o mestre espiritual disser: “Vá à floresta e traga lenha”, a pessoa pode ser o filho do rei, mas não pode se recusar a seguir a ordem do mestre espiritual. Até mesmo Kṛṣṇa recebia de Seu mestre espiritual a ordem de ir à floresta buscar lenha, em virtude do que Ele tinha de ir. Embora Seu pai fosse Nanda Mahārāja, um rei vaiśya da vila, e embora Kṛṣṇa fosse a própria Personalidade de Deus, Ele não podia recusar-Se, porém tinha de ir. Nicavat: Tal qual um servo humilde. Brahmacāryā, vida espiritual como estudante, é tapasya, e tapasya é algo tão essencial que a pessoa é obrigada a fazê-lo, sem alternativas.

Depois da vida de brahmacārī, a pessoa pode se casar, o que quer dizer que ela entra na vida de gṛhastha, vida familiar, o que também é tapasya, pois ela não poderá fazer sexo quando bem quiser, senão que o śāstra afirma: “Você deve fazer sexo uma vez por mês e apenas para gerar filhos”. A vida de gṛhastha, portanto, também é tapasya.

Atualmente, as pessoas não seguem tapasya alguma, mas a vida humana destina-­se a tapasya, a observação de princípios reguladores. Mesmo em assuntos ordinários, há tapasya. Digamos que você esteja dirigindo seu carro para tratar de algum negócio urgente, e você vê um sinal vermelho – você tem de parar. Não se pode dizer: “Tenho de estar lá em alguns minutos. Tenho de ir”. Não, você deve parar, e isso é tapasya.

Destarte, tapasya significa seguir à risca os princípios reguladores, de acordo com a ordem superior. Isso é vida humana.

Vida animal, em contrapartida, significa que você pode fazer o que quer que deseje. Na estrada, os animais podem ficar à direita ou à esquerda, e a irregularidade deles não é considerada uma transgressão, porque são animais. Se um ser humano, todavia, não segue os princípios reguladores, ele é pecaminoso, e será punido. Consideremos o mesmo exemplo: Quando o sinal está vermelho, se você não parar, será punido, mas se um cão ou um gato transgride a lei – “Não me importa se o sinal está vermelho; eu atravessarei” –, ele não é punido. Tapasya, portanto, destina-­se ao ser humano. É essencial que ele execute-a caso queira progredir na vida.

Discípulo: Então, Śrīla Prabhupāda, tapasya inclui dieta regulada?

Śrīla Prabhupāda: Isso também é tapasya. Proibimos, por exemplo, o consumo de carne, o que gera certos problemas em seu país. Desde o início da vida, a criança se habitua a comer carne, pois a mãe compra carne moída, mistura­-a com líquido e dá como alimento para o bebê. Eu vi isso. Praticamente todos cresceram comendo carne. Todavia, eu digo: “Não comam carne”, daí haver problemas, mas quem é sério quanto a se tornar autorrealizado tem de aceitar essa ordem. Isso é tapasya.

Tapasya se aplica à dieta, ao comportamento pessoal, às relações com os outros e assim por diante. Em todos os aspectos da vida, existe tapasya. Tudo isto é descrito no Bhagavad-gītāTapasya mental, tapasya corpórea, tapasya verbal, isto é, vaco-vegam, controlar o impulso de falar bobagens ou caprichos. Quando você fala, você deve falar sobre Kṛṣṇa. Isso é tapasya. Também há tapasya com relação a krodha-vegam, o impulso de expressar a ira. Se alguém fica irado e deseja expressar sua ira batendo em alguém ou fazendo algo muito violento, a tapasya o restringirá: “Não, não faça isso”. Também há tapasya no que se refere à língua, ao estômago e aos órgãos genitais, pois não se pode comer qualquer coisa e a qualquer hora, tampouco se pode fazer sexo livremente, mas apenas de acordo com os preceitos escriturais. “Tenho desejo sexual, mas não posso ter relações sexuais agora, pois não é a ocasião apropriada”. Isso é tapasya.

Portanto, deve­-se praticar tapasya de todas as maneiras – no corpo, na mente, nas palavras, no comportamento pessoal e nos relacionamentos com os outros, e isso é o que caracteriza a vida humana. Tapo-divyam (Śrīmad-Bhāgavatam 5.5.1): Se você deseja ser um ser humano, e, sobretudo, se deseja progredir na vida espiritual, você deve agir de acordo com os preceitos do śāstra, e isso é o que se entende por tapasya. Antes de poder tomar parte na criação, Brahmā teve de se submeter a tapasya. Não é isso que se afirma no śāstra? Sim, logo tapasya é essencial; não se pode evitá-la.

E qual é o propósito da execução de tapasya? O propósito é agra­dar o Senhor Supremo através do mestre espiritual. Yasya prasādād bhagavat-prasādo (Gurv-aṣṭaka 8): “Pode alcançar a misericórdia do Senhor unicamente quem obtém a misericórdia do mestre espiritual”.

Nas instituições educacionais da atualidade, quem está ensinando esta tapasya? Qual escola ou faculdade? Os alunos chegam a fumar em frente ao professor e ninguém diz nada. Nenhuma transgressão é censurada. O que se pode esperar de tais alunos? Isso é civilização animalesca, não civilização humana – não há nenhuma tapasya, nenhuma vida de brahmacārī. Verdadeira civilização significa tapo divyam, austeridade religiosa. E essa tapasya começa com a vida de brahmacārī, quando se aprende a controlar os sentidos. Esse é o início da vida, e não que você aprende apenas o básico e seu caráter é inferior ao de um animal embora você tenha um diploma universitário. “Não importa, o sujeito se tornou um homem erudito”, não, isso não é aceito.

Mesmo do ponto de vista da instrução moral básica, devemos perguntar: Quem, na atualidade, é educado? Cāṇakya Paṇḍita descreve com estas palavras o homem educado:

mātṛ-vat para-dāreṣu
para-dravyeṣu loṣṭra-vat
ātma-vat sarva-bhūteṣu
yaḥ paśyati sa paṇḍitāḥ

“O homem educado vê a esposa de outrem como sua mãe e a propriedade de outrem como lixo intocável, e vê todas as demais pessoas como vê a si mesmo”.

Este é um paṇḍita, um homem erudito. No Bhagavad-gītā (5.18), Kṛṣṇa também descreve um paṇḍita:

vidyā-vinaya-sampanne
brāhmaṇe gavi hastini
śuni caiva śva-pāke ca
paṇḍitāḥ sama-darśinaḥ

“O sábio humilde, em virtude do conhecimento verdadeiro, vê com visão equânime um brāhmaṇa gentil e erudito, uma vaca, um elefante, um cão e um comedor de cães”. Este é um homem erudito, não um portador de diplomas. Um portador de diplomas que não pratica tapasya e tem ­caráter ruim é tratado por Kṛṣṇa como māyayāpahṛta-jñānā (Bhagavad-gītā 16.15), “alguém cujo conhecimento foi roubado pela ilusão”. Embora tenha aprendido muitas coisas, māyā roubou seu conheci­mento, de modo que é um sujeito infame, um animal. Este é o ponto de vista da civilização védica.



Obrigado pela visita, volte sempre. Se você observar que a postagem, vídeo ou slidshre está com erro entre em contato.

sábado, 21 de outubro de 2023

Hoje é Dia Do Jejum Sagrado De Sri Pashankusha Ekadasi. Dia 25/10/2023 quarta-feira.

Hoje é o dia sagrado de Dussehra (Dassera) é um dos importantes festivais hindus, celebrado com muita alegria em todo o país. A ocasião marca a ocasião em que o Senhor Rama e o irmão Lakshman se aproximaram de Mãe Durga para pedir-lhe suas bênçãos em Seu ataque planejado ao demônio Ravana







Dussehra (Dassera) é um dos importantes festivais hindus, celebrado com muita alegria em todo o país.  A ocasião marca a ocasião em que o Senhor Rama e o irmão Lakshman se aproximaram de Mãe Durga para pedir-lhe suas bênçãos em Seu ataque planejado ao demônio Ravana.  Considera-se, portanto, que o fato de a Suprema Personalidade de Deus se aproximar dela em busca de bênçãos para remover impedimentos materiais aos Seus objetivos espirituais deveria ser a abordagem do humilde devoto do Senhor para conquistar o importante triunfo do Senhor Rama sobre o rei demônio, Ravana, a vitória.  do bem sobre o mal.


    Quadros e procissões brilhantemente decorados retratando várias facetas da vida de Rama são retirados.  No décimo dia, o dia de Vijayadasmi, efígies colossais de Ravana, seu irmão Kumbhkarna e seu filho Meghnath são colocadas em vastos espaços abertos.  Rama, acompanhado de sua consorte Sita e de seu irmão Lakshman, chega e dispara flechas de fogo contra essas efígies, que estão recheadas de material explosivo.  O resultado é uma explosão ensurdecedora, reforçada pelos gritos de alegria e triunfo dos espectadores.
    É significativo que o Senhor tenha invocado as bênçãos da mãe divina, a Deusa Durga, antes de realmente sair para a batalha.  Ao queimar as efígies do demônio Ravan que foi morto pelo Senhor Rama, também é simbólico para nós que nós, o povo, sejamos convidados a queimar o mal dentro deles e, assim, seguir o caminho da virtude e da bondade, tendo em mente o exemplo de  Ravana, que apesar de todo o seu poder e majestade foi destruído por seus maus caminhos.
    Deve ser lembrado que Ravana era um grande erudito e um devoto fervoroso do Senhor Shiva, mas os próprios poderes que foram concedidos a ele por sua devoção inabalável provaram ser sua ruína, devido ao uso grosseiramente indevido dos mesmos.  Além disso, embora autorizado pelas austeridades realizadas ao Senhor Shiva, seus poderes foram ineficazes sobre os poderes de Rama.




Um Convite para mediocridade fórmula para a letargia Por João Maria andarilho utópico. Indicação de Leitura 62





 

Durante os últimos dois anos, uma jovem transformou quase todos os aspectos de sua vida. Parou de fumar, correu uma maratona e foi promovida. Em um laboratório, neurologistas descobriram que os padrões dentro do cérebro dela mudaram de maneira fundamental.

Publicitários da Procter & Gamble observaram vídeos de pessoas fazendo a cama. Tentavam desesperadamente descobrir como vender um novo produto chamado Febreze, que estava prestes a se tornar um dos maiores fracassos na história da empresa. De repente, um deles detecta um padrão quase imperceptível e, com uma sutil mudança na campanha publicitária, Febreze começa a vender um bilhão de dólares por ano.

Um diretor executivo pouco conhecido assume uma das maiores empresas norte-americanas. Seu primeiro passo é atacar um único padrão entre os funcionários, a maneira como lidam com a segurança no ambiente de trabalho, e logo a empresa começa a ter o melhor desempenho no índice Dow Jones.

O que todas essas pessoas tem em comum? Conseguiram ter sucesso focando em padrões que moldam cada aspecto de nossas vidas. Tiveram êxito transformando hábitos. Com perspicácia e habilidade, Charles Duhigg apresenta um novo entendimento da natureza humana e seu potencial para a transformação.

Como muitos já sabem, eu tento facilitar ao máximo o trabalho para vocês, então deixei o livro em PDF no Google Drive. É só clicar no botão ou na imagem que você será direcionado para o drive. Dentro dele, clique no arquivo para fazer o download. Rápido, simples e prático.


Download O Poder do Hábito



   



Psiquiatria em crise

Dr. Guido Palomba debate o cenário atual da Psiquiatria Forense e critica a falta de formação na área, os especialistas em número insuficiente, a nomeação de psiquiatras clínicos não especializados e outros pontos importantes.
Crédito imagem - arquivo pessoal
Crédito imagem - arquivo pessoal


A vida profissional de Guido Palomba é inteira dedicada à Psiquiatria Forense, área em que atua desde 1974, quando ainda era estudante de Ciências Médicas, em Santos. Hoje, com mais de 15 mil laudos redigidos e guardados em papel e no computador, perícias cíveis e criminais realizadas em praticamente todas as comarcas do Estado de São Paulo, ele é a referência por trás da série de Bráulio Mantovani, Mal Secreto, prevista para ser gravada pela Globo ainda esse ano.

Não é por menos. Palomba foi estagiário do Hospital Psiquiátrico do Juquery, considerada uma das mais antigas e maiores colônias psiquiátricas do Brasil, localizada em Franco da Rocha. Formou-se, em 1974, pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e especializou-se em psiquiatria forense com título reconhecido pela Associação Médica Brasileira, Associação Brasileira de Psiquiatria e Sociedade Brasileira de Medicina Legal. Foi médico e médico-chefe do Manicômio Judiciário de São Paulo (1975-1985).

Tanta experiência faz dele um crítico obstinado da atual Psiquiatria Ocidental, a qual ele acusa de estar em franca decadência. A ponto de impulsioná-lo a escrever o livro, “A Decadência da Psiquiatria Ocidental” (prelo), previsto para sair ainda esse ano.

Nesta entrevista, ele fala sobre a área e o que mudou nestes anos de atuação, critica, entre outras coisas, as classificações internacionais de doenças, como a CID-10 e a DSM-5, e explica porquê não é favorável à Lei Antimanicomial. Leia a seguir:

  1. Como se deu a sua trajetória profissional?

Estagiei no Hospital Psiquiátrico do Juquery antes de me formar e depois trabalhei lá continuamente por 10 anos. Foi lá onde, profissionalmente, nasci, troquei meus primeiros passos, foi onde aprendi a andar sozinho e foi também meu santuário. Nunca deixei de fazer Psiquiatria Forense e continuo aprendendo com os casos em que trabalho. Aliás, o  aprendizado ininterrupto é o que considero o grande estímulo da especialidade.

  1. Dê um exemplo de um desses aprendizados:

Quando eu penso que mais de 15 mil laudos redigidos e guardados em papel e no computador me atestam que já vi de tudo, tem casos que surpreendem absurdamente. Mas preciso deixar claro que não gosto do crime, da agressão. O que me intriga e me surpreende é a deformidade psicopatológica. E para lidar com isso é preciso muita base para construir toda a estrutura da psicopatologia, inclusive conhecimentos de Filosofia e Teologia.

  1. Entendo que a abordagem filosófica faz você ampliar sua visão de mundo e refletir sobre outros pontos de vista. Mas como a estrutura da psicopatologia tem a ver com a Teologia?

Da mesma forma que a Filosofia ilumina a Ciência, que no meu caso é a Psicologia e a Psiquiatria, a Teologia ilumina a Filosofia. Assim, se você, por exemplo, é um dualista, pode ser que entenda o ser humano como Freud, um idealista que achava que a doença mental é causada por um problema mental. Ao contrário, se você é um aristotélico tomista, que é o meu caso, possivelmente entende o corpo e a psique como substâncias: não há nada corpóreo que não tenha na mente e vice versa e, por isso, o problema mental também é um problema orgânico. Além disso, há os organicistas puros, aqueles que não acreditam na alma (ou psique) e são ateus. Tudo isso pode trazer informações importantes na hora de analisar uma estrutura psicopatológica.

  1. O que mudou na área desde o início da sua carreira?

Ainda que eu aprenda constantemente, o que eu vejo, atualmente, é uma extraordinária decadência da Psiquiatria, que não condiz com as mudanças do século XXI. A Psiquiatria está dominada pelos psicofármacos. O psiquiatra do século XXI acredita que o ser humano como um amontoado de neurônios, banhados por neurotransmissores, que precisam ser regulados por remédios. Hoje, vendem-se mais antidepressivos que pomada para assadura e antibiótico, muito por conta da influência do marketing pesado das indústrias. Quero deixar claro que não tenho nada contra a indústria ou o capitalismo, mas hoje, os psiquiatras do século XXI receitam antidepressivos para parar de fumar, para emagrecer, para tensão pré-menstrual e se uma pessoa tiver triste porque perdeu um ente querido e for num consultório, certamente sairá de lá com o diagnóstico de bipolar e uma receita na mão.

  1. E no caso específico da Psiquiatria Forense, essa decadência também é percebida?

A Psiquiatria Forense está na mão de psiquiatras clínicos improvisados – e há uma diferença brutal entre esses dois profissionais. Eu, por exemplo, não sei receitar, não faço atendimento. Na Psiquiatria Forense, como falta formação ou os especialistas são em número insuficiente, as autoridades constituídas nomeiam psiquiatras clínicos. Essa decadência, a meu ver, tem a ver com as classificações internacionais, como a CID e o seu arremedo, o DSM-5, que são mal feitas e sem nenhuma base científica.

  1. Como seria, na sua opinião, a maneira correta de classificar essas doenças?

A CID e a DSM-5 classificam as doenças mentais com base de um questionário ou protocolo – que funciona mais ou menos assim. Diante de uma pessoa com um possível transtorno alimentar, pergunta-se para ela quantas vezes na semana ela se olha no espelho, quantas vezes se compara com o corpo de outra pessoa e quantas vezes subiu na balança. Ao somar todas as respostas e compará-las a um padrão qualquer, a pessoa pode ser diagnosticada com bulimia nervosa. Isso lembra, com todo o respeito, aos questionários das revistas de bancas que adolescentes respondiam para saber se o amor era correspondido. Esse método de classificação só é possível com a morte da Psicopatologia.

  1. De que maneira isso acontece na prática?

Para definir se uma pessoa tem distúrbio de pensamento, por exemplo, é preciso saber qual tipo de distúrbio de curso (que pode ser acelerado, lento, desagregado, com fuga de ideias ou prolixidade) apresenta, pois cada um deles levará para um determinado tipo de diagnóstico. A desagregação leva para a esquizofrenia, a prolixidade pode levar para a epilepsia, a fuga de ideia pode levar para distúrbio grave bipolar ou psicose maníaco-depressiva. Além disso, o distúrbio de pensamento também se manifesta de outras formas, como distúrbio de conteúdo (com ideias dominantes, ideias deliroides, ideias fixas), e assim por diante. Por isso, hoje é comum pessoas receberem o diagnóstico de distúrbio bipolar quando, na verdade, é esquizofrênico gravíssimo. A Psicopatologia não é interpretativa e está onde está a verdade clínica. O que aconteceu foi que acabaram, lacearam o diagnóstico e, hoje, vemos aberrações, como uma pessoa triste porque perdeu alguém sendo diagnosticada com transtorno bipolar ou psicose maníaco depressiva gravíssima que não tem cura e assim por diante.

Até por esse motivo escrevi meu novo livro, no prelo, “A Decadência da Psiquiatria Ocidental”. Tenho uma curiosidade a dizer sobre o processo de desenvolvimento deste livro. Eu me sentia isolado, sendo a voz solitária que falava mal dos antidepressivos. O meu livro já estava em andamento, até que tive acesso a um estudo de um médico dinamarquês, Peter Gotzsche, ‘How to Survive in an Overmedicated World’. Ele é um dos fundadores do Centro Nórdico de Colaboração Cochrane (Copenhaguen), uma organização que é um dos pilares na área da medicina baseada em evidências. Gotzsche, como eu, também afirma que estamos vivendo uma pandemia de fármacos. Não existe mais Psicologia. O ser humano não é mais um ser biopsicossociocultural, ele é um amontoado de neurônio que precisa de regulador. Não dá para ignorar a cultura e o meio que o ser humano está inserido, ainda mais quando se fala de doença mental.

  1. O senhor também critica a Lei Antimanicomial…

Eu vivi intensamente o Movimento Antimanicomial, que começou na Itália com uma lei em Trieste, pela qual se determinou que doença mental não existe – e, se não existe, não pode existir manicômio ou hospital psiquiátrico. Esse cenário levou em consideração estudos do psiquiatra sul-africano, David Cooper, segundo o qual todo ser humano está cumprindo um papel: você é a entrevistadora, eu sou entrevistado, e o esquizofrênico é um esquizofrênico, ainda que a gente não goste. Mas isso é um erro sem fundamentação prática: a esquizofrenia pressupõe uma ruptura com a realidade, com delírios, alucinações e isso precisa de tratamento porque a pessoa sofre e faz os outros sofrerem. O que eu afirmo é que nenhum médico na face na Terra, que seja bem formado, quer internar um paciente, mas o faz quando é preciso: no caso de uma pessoa atropelada, ou que sofreu um AVC ou que não consegue respirar. Muitas vezes o tratamento da doença mental precisa da internação. Como tratar um alcoólatra ou um toxicômano ou um doente mental em crise sem internação? O Movimento Antimanicomial foi significativo porque denunciou o que estava ruim. Mas não devemos fechar um hospital porque ele não possui equipamentos ou equipe adequada. Precisamos melhorá-lo. Hoje, o que temos são médicos dizendo que pacientes em crise precisam ser cuidados em casa. O que é um absurdo.

  1. Na sua opinião, a pandemia tende a agravar as questões de saúde mental?

Não tenho palavras para expressar o que passa na minha cabeça neste momento, quando o que as pessoas precisavam era de bons exemplos e uma boa campanha de vacinação em massa. Estamos na reta final deste episódio, mas é o momento, talvez, mais delicado de toda essa situação, que exige cuidado redobrado de toda a sociedade. Mas quando a gente vê autoridades incentivando a tomar cloroquina, uma medicação que toda a comunidade científica diz que não serve para nada, ou incentivando o não uso da máscara e preferindo a aglomeração, isso faz um mal danado, inclusive para quem está fazendo tudo direito. Certamente que isso faz mal para os psiquismos individuais. Precisamos resistir a tudo isso e redobrar os cuidados até que a vacina chegue a todos e todas para, então, finalmente, corrermos para o abraço.

Juliana Tavares

Juliana Tavares

Juliana Tavares é jornalista, terapeuta de práticas integrativas e complementares, idealizadora do Vibração Ubatuba (grupo de


Sobre o livro "Maestria" de Robert Greene

A.B.C. Olavo de Carvalho 1 Paralaxia Cognitiva

    A análise de Olavo de Carvalho sobre René Descartes, frequentemente sintetizada em aulas e coletâneas como  Visões ...