quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

COLEÇÃO PRIMEIROS PASSOS livros em pdf abaixo.

 Coleção Primeiros Passos, subintitulada "Uma enciclopédia crítica", é uma célebre série de livros de caráter propedêutico, de vocabulário mais acessível e formato de bolso lançada e editada pela Editora Brasiliense a partir do fim da década de 1970, notória pelo padrão dos títulos ("O que é..."). Os volumes explicam conteúdos das mais variadas áreas do conhecimento e do comportamento humano, como da tradução à homossexualidade, abarcando títulos, por exemplo, da História à Linguística.

Dos 312 títulos, apenas durante o ano de 1999, foram vendidos meio milhão de exemplares. Muitas das capas dos volumes da coleção foram feitas pelo ilustrador Guto Lacaz. O mais vendido é O que é Ideologia, de Marilena Chaui. (Wikipedia)


Obrigado pela visita, volte sempre. Se você observar que a postagem, vídeo ou slidshre está com erro entre em contato.

🛑Soros, o "Partido das Sombras" e desafios de Trump com P.H. Araújo

Ice Cube denuncia que alguns donos de gravadoras também são donos de prisões nos EUA: 'As duas industrias trabalham juntas'


Brian Blueskye/The Desert Sun

Ice Cube acredita que indústria da música prejudica artistas para que eles sejam presos.

Durante uma entrevista recente ao podcast “Club Random”, de Bill Maher, o lendário rapper Ice Cube discutiu os laços que ele vê entre o sistema prisional e a indústria do entretenimento. Na teoria dele, o setor do entretenimento e o complexo industrial prisional estão trabalhando em conluio para levar jovens negros para o sistema prisional por meio do rap.

Ele começou a conversa com uma pergunta: “Quem se beneficia e lucra com nossas brigas e nossa divisão?”. Em seguida, ele continuou: “Como seguir o dinheiro. Não sei o nome deles, mas se você subir o suficiente, começará a ver que isso é uma indústria. Vamos pegar o rap de exemplo. As mesmas pessoas que possuem as gravadoras são donas das prisões. Parece meio suspeito que as músicas lançadas são realmente voltadas para empurrar as pessoas para a indústria prisional”, apontou ele.

Ice Cube
Foto: Felipe Mascari/Hip Hop DX Brasil

📱 NOTÍCIAS: faça parte do canal do RapMais no WhatsApp

Depois, o host Maher foi rápido em refutar o rapper e dizer que ninguém está fazendo os rappers escreverem as letras que eles escrevem. Entretanto, Ice Cube não voltou atrás e continuação sobre sua teoria. Para ele, não se trata de fazer alguém escrever as letras, mas encorajar os artistas para que façam músicas que possam prejudica-los.

“Nas gravadoras, há uma proteção para que as coisas sejam aprovadas ou não. E certas coisas são expostas no disco. Isso significa que os caras da gravadora sentam e dizem aos artistas: ‘Isso é quente, diga isso. Faça isso, vamos fazer esse cara escrever as letras’.”

Para ele, a narrativa vendida pelos rappers em suas obras são estruturadas transformada no que a gravadora deseja que o álbum seja. A teoria de criada pelo artista sobre a relação do sistema carcerário e empresas musicais é comentada nos Estados Unidos desde 2012, quando blogs e redes sociais começaram a circular alegações de vínculos entre operadores de prisões privadas e a indústria da música, mas nunca foram comprovadas.

Em maio, Ice Cube foi uma das principais atrações do festival Encontro das Tribos, onde fez um histórico show para o público presente. A vinda do norteamericano promoveu um grande encontro para a história do rap, ao se encontrar com os Racionais MC’s. “Momento histórico e especial, aguardamos mais de 30 anos pra encontrar um dos grandes rappers que nos influenciou desde o começo, prestigiar esse momento aqui no Brasil foi mil grau!”, disse o perfil oficial do grupo no Twitter.

YouTube video player


Obrigado pela visita, volte sempre. Se você observar que a postagem, vídeo ou slidshre está com erro entre em contato.

Espada de Dâmocles: uma metáfora sobre o poder


Espada de Dâmocles - metáfora sobre o poder

A Espada de Dâmocles é uma alegoria clássica da Grécia Antiga que representa a ameaça constante que paira sobre aqueles que possuem algum tipo de poder ou responsabilidade. É uma expressão comum em discussões filosóficas, éticas e políticas. Representa também uma crítica ao senso comum que considera apenas os benefícios de determinado cargo ou profissão, sem levar em conta os riscos e as responsabilidades que acompanham essas posições.

Segundo a lenda, Dâmocles era um adulador que invejava as regalias e a riqueza do rei Dionísio de Siracusa (século IV a.C.). Costumava falar na corte que o rei tinha muita sorte por ter tanto poder e autoridade. O monarca então ofereceu a Dâmocles a oportunidade de tomar seu lugar por um dia, usufruindo de todas as riquezas e sendo servido por belas mulheres.

No entanto, como forma de ilustrar a ameaça constante que paira sobre os poderosos, Dionísio mandou pendurar uma espada afiada sobre o trono, presa apenas por um fio de crina de cavalo. Apavorado, Dâmocles não conseguiu ficar sentado no trono por muito tempo.

Por mais que Dâmocles invejasse a posição do rei, era incapaz de desfrutar dos privilégios sem a constante ameaça da espada. A mensagem é que o poder traz consigo uma série de riscos. Algo que Dâmocles ingenuamente desconsiderava.

A partir disso, existem várias comparações possíveis, como o jovem que deseja ser cirurgião visando apenas o prestígio da profissão sem cogitar os riscos e sacrifícios da medicina. As possibilidades são muitas, como pensar, por exemplo, não apenas nas gratificações de ser pai, mãe, engenheiro, advogado, empresário, político ou professor, mas também no peso da responsabilidade.

A Espada de Dâmocles é também um aviso aos poderosos, que deveriam agir com prudência e sensatez sem se deixar iludir pelos privilégios do poder, pois a qualquer momento a espada pode cair sobre suas cabeças.

AutorAlfredo Carneiro – Graduado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília.


Obrigado pela visita, volte sempre. Se você observar que a postagem, vídeo ou slidshre está com erro entre em contato.

Foucault: principais ideias e obras


Michel Foucault - Principais ideias e obras

A forma como Michel Foucault (1926-1984) analisou e interpretou a história foi de fato original e criativa, efetuando um resgate detalhado de documentos que poucos deram importância, realizando assim uma “arqueologia” em regiões abandonadas do passado. Ou, como diria o próprio Foucault, uma “exumação” de registros esquecidos. Ao realizar uma pesquisa documental sobre as prisões, os hospícios, a história da clínica e a linguagem de cada época, alguns fatos impressionantes saltaram aos olhos do filósofo. A história contada nos livros é cheia de furos e detalhes inexplorados. A verdade das relações de poder estaria nesses detalhes enterrados, mas agora devidamente exumados por Foucault.

Influência da genealogia de Nietzsche em Foucault


Foucault e Nietzsche

Foucault foi influenciado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que lhe mostrou os “discursos válidos ou sagrados” que escondiam esquemas de poder. Em sua obra Genealogia da Moral, Nietzsche descortinou a “tragédia” da filosofia ocidental, que teria sido infectada — graças a Platão — pela ideia de um mundo espiritual do qual somos mera sombra.

Essa ideia, segundo Nietzsche, foi reformatada durante a história da filosofia medieval e do cristianismo como um discurso válido, contudo, estaria sempre a serviço da consolidação de poder da Igreja e do Estado. Nietzsche chama a atenção, por exemplo, para a transformação de significados das palavras “bom” e “mau”.

Na antiguidade, o “bom” era o habilidoso. Com a “ascensão dos fracos” (graças à valorização de mundos espirituais e do cristianismo) o “bom” passou a ser o piedoso, o temente a Deus  — mesmo que incompetente. Na mesma linha de pensamento, o “ruim”, antigamente, era o incompetente. Mas agora “ruim” é o egoísta, o perverso, aquele que não teme a Deus — mesmo que habilidoso.

Para Nietzsche, essas “verdades sagradas” nunca passaram de sistemas de poder e controle. Nietzsche acreditava, por exemplo, que o cristianismo é a história dos fracos e invejosos enfraquecendo os fortes e orgulhosos (com discursos sagrados sobre Deus, bondade, eternidade, pecado e punição). Seria uma “vingança dos incapazes”. Dirá Nietzsche: “Pecado é colocar um jovem, belo e saudável, de joelhos arrependido numa Igreja”.

Essa ideia de intenções ocultas nos discursos foi absorvida com voracidade por Foucault. Todavia, ainda que tenha inicialmente se inspirado em  Nietzsche, Foucault irá diferir dele em sua visão de poder, como veremos. O filósofo francês irá acrescentar um ingrediente: a produção de saber. E chamará seu método de “arqueologia”.

Links sugeridos do netmund.org:

  1. 7 textos fundamentais para compreender Nietzsche
  2. Nietzsche e a Genealogia da Moral
  3. Friedrich Nietzsche | 16 livros para baixar
  4. Frases de Friedrich Nietzsche

Episteme e discurso


Com sua ideia de arqueologia, Foucault iniciou a “exumação” exaustiva de registros originais e “palavras de poder” de cada época, que ele chamou de episteme — pressupostos, preconceitos, tendências, palavras e significados que delimitavam a mentalidade e a pesquisa de um período histórico.

Foucault criou o termo episteme baseado na epistemologia, um dos mais notórios ramos da filosofia que pesquisa os pressupostos do conhecimento. Contudo, o termo episteme na filosofia de Foucault se refere aos saberes e percepções de um período, como foi dito acima.

Uma determinada episteme, por sua vez, gera um determinado discurso, que é o conjunto de práticas sociais produzidas pela episteme de uma época. Foucault detalhou seu método na obra As Palavras e as coisas.

Até agora, isso parece muito com a genealogia de Nietzsche. Entretanto, Foucault irá além. Para ele, cada período possui “discursos válidos” que norteiam não apenas as relações sociais mas também a produção de conhecimento, que é algo fundamental para o poder.

A história da loucura e o nascimento da clínica


A História da Loucura

Na sua obra A História da Loucura, o filósofo francês demonstra que na Idade Média os loucos eram deixados livres, e alguns até considerados sagrados ou sábios.

Com a evolução do humanismo, o louco chegou a ser romantizado e a loucura seria um reflexo da insanidade social. Os loucos de Shakespeare falavam verdades de forma ambígua e Dom Quixote era o reflexo da loucura da humanidade. Percebe-se aqui como um discurso (gerado por uma episteme) influenciou a produção literária.

Com a consolidação da modernidade, a ciência torna-se “verdade absoluta” (ou a nova versão da verdade), enquanto a loucura era desrazão, portanto, algo a ser confinado, controlado e estudado pela razão. Baseado nesse novo discurso surgiam os hospícios, e o louco (agora confinado) passou a ser objeto de estudo da ciência.

Ainda que a ciência seja uma pesquisa criteriosa baseada em dados empíricos demonstráveis, as práticas sociais que surgem dela não são necessariamente racionais, principalmente nas relações entre controle social e produção de saber.

Posteriormente, nessa relação de poder/saber, a evolução da farmacologia permitiu que o louco ficasse livre, porém, devidamente controlado por medicamentos. O controle social começa a se sofisticar, e tem uma função importante nas ideias de Foucault, pois seria um dos objetivos do poder e da produção de conhecimento.

Entretanto, de acordo com cada época — e com o discurso válido vigente —  poderia ser considerado louco qualquer um que tivesse um comportamento considerado inadequado. Foucault realizou um imenso trabalho sistemático sobre esse tema, publicado na obra O Nascimento da Clínica: uma arqueologia da percepção médica.

Assim, homossexuais, mendigos, esquisitos, desocupados ou qualquer um com atitude indesejada seria confinado, subjugado e estudado (para que fosse “normalizado”),  uma vez que a “normalidade” seria também algo arbitrário e socialmente aceito pelo discurso vigente. O surgimento dos hospícios também coincide com uma aceleração no desenvolvimento da medicina.

O filósofo Diógenes, que na Grécia Antiga vivia em um barril, provavelmente teria virado “objeto de estudo”. Todos esses indivíduos indesejados não agiriam de forma “racional”. Mas o próprio sentido da palavra “razão” se modifica de forma duvidosa ao longo da história, sempre a serviço do poder.

Então, como já foi dito, não falamos apenas de poder, mas de poder que gera conhecimento que gera mais poder e controle.

Foucault percebe então que o surgimento de novos sistemas de conhecimento acompanham alterações no poder. Essa é a famosa relação de poder/saber desse filósofo francês. É importante repetir que o poder, para Foucault, reside nas relações sociais, que por sua vez estão embasadas na verdade (episteme) e no discurso de cada época —  que não é necessariamente racional.

Link sugerido do netmundi.org:

A história das prisões


Prisões

No seu livro Vigiar e punir: nascimento da prisão, o filósofo detalha um terrível esquartejamento público ocorrido em 1757. Os detalhes impressionantes da tortura era algo inusitado para uma obra filosófica. Quando, a partir do século XVIII, a execução pública foi substituída pelo encarceramento, mais uma vez ocorrem alterações significativas nas práticas sociais.

Em vez de simplesmente destruir o criminoso, a sociedade assume o controle sobre ele  —   vigiando e punindo.  Os condenados, que antes eram eliminados, passaram a ser confinados e “reformados”. Nasciam as prisões. Foucault irá demonstrar (com vários registros históricos) que várias mudanças culturais também ocorreram nesse período.

Na Revolução Industrial, as fábricas passam a assumir características prisionais. No sistema judiciário nasce a preocupação de controlar e organizar não apenas o detento, mas também a vida pública com mais rigor e, finalmente, as escolas passaram a se parecer com os sistemas prisionais e com as fábricas.

Com o surgimento das prisões, simultaneamente surge a sociedade disciplinadora. E o Estado se torna prioritariamente vigilante e punitivo. Não se trata de minimizar as punições contra criminosos, muito menos desconsiderar os problemas mentais —  no caso da História da Loucura —  mas de apontar as estruturas de poder que surgem juntamente com as prisões e os hospícios.

O Estado punitivo não apenas aprisiona, controla e reforma o detento, mas também controla e regula os indivíduos livres. Assim, o poder se une à produção de conhecimento e posteriormente ao capitalismo e à tecnologia de forma visceral.

O surgimento das prisões também coincide com o surgimento da criminologia, da psicologia e da sociologia. Assim como nos hospícios, os detentos agora poderiam ser estudados. O desenvolvimento de ciências como a economia, a  geografia e a história passam a ter caráter científico, aumentando o poder social sobre os detentos —  e agora também sobre quem poderia ser preso e a sociedade de forma geral.

Link sugerido do netmundi.org

O Panóptico de Foucault


Panótico de Foucault

A história da loucura levaria à poderosa indústria farmacêutica, que muito além de controlar o louco, domina nossas vidas. Tudo isso também estaria intimamente relacionado com a verdade oculta na história das prisões, que reflete a ascensão de novos “discursos válidos” e sistemas sofisticados de controle social.

Foucault, já no seu tempo, percebeu que a vigilância — com a evolução tecnológica — assumiu um caráter impessoal. Os indivíduos não se sentem mais vigiados por pessoas, mas por tecnologias. Isso transmite mais ainda a agoniante sensação de vigilância dia e noite.

Como símbolo desse complexo sistema, Foucault utilizou o Panóptico, uma prisão projetada pelo filósofo utilitarista Jeremy Bentham, que permite que todos os detentos sejam vigiados a partir de um único ponto sem saber se estão sendo observados. Isso faz, com o tempo, com que os detentos passem a se comportar de acordo com desejado pela vigilância.

Nos moldes do Panóptico, o filósofo aponta que vários dispositivos de vigilância e controle social se disseminaram nas sociedades, surtindo o mesmo efeito disciplinar sobre os “cidadãos livres” — que também nunca sabem se estão sendo observados e passam a se comportar de acordo com o discurso de poder vigente.

Foucault não viveu para presenciar o avanço impressionante da internet, das redes sociais, celulares, câmeras de trânsito e milhares de outros dispositivos de controle que atualmente dominam nossas vidas. Porém, o mundo de vigilância e controle — aliado à alta tecnologia — apenas parece confirmar suas teses sobre a produção de conhecimento e controle social.

A filosofia de Foucault  é compatível com as ideias dos atuais filósofos da informação, que agora estudam os efeitos das tecnologias digitais nas sociedades, ramo denominado cibercultura.

Links sugeridos do netmundi.org

  1. O que é Cibercultura?
  2. Cibercultura e o universal sem totalidade
  3. A Revolução dos Bichos: uma fábula política
  4. O Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley

Autor:Alfredo Carneiro
Editor do netmundi.org

Referência Bibliográfica


  • FOUCAULT. Vigiar e Punir. Portugal: Edições 70, 2013.
  • FOUCAULT. O Nascimento da Clínica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1977.
  • FOUCAULT. O poder psiquiátrico. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
  • FOUCAULT. Segurança, Territorio, População. São Paulo: Martins Fontes
  • NIETZSCHE. Genealogia da Moral, São Paulo: Companhia das Letras, 2005

Obrigado pela visita, volte sempre. Se você observar que a postagem, vídeo ou slidshre está com erro entre em contato.

Arjuna e o olho do pássaro: a sabedoria do Mahabharata


Arjuna e o olho do Pássaro

Esta pequena história de sabedoria faz parte de um dos textos sagrados mais importantes do hinduísmo, o poema épico Mahabharata, e relata o diálogo entre o jovem Arjuna e seu mentor Droṇāchārya. Posteriormente, Arjuna será o guerreiro que receberá no campo de batalha os ensinamentos espirituais do próprio Krishna, a Suprema Personalidade de Deus segundo esta religião.

Os diálogos entre Krishna e Arjuna compõem grande parte da doutrina espiritual do hinduísmo, e estão registrados na obra Bhagavad-Gitā, também contido no Mahabharata

De acordo com estudiosos recentes da teologia hindu, Arjuna representaria o homem comum que busca a sabedoria divina; que, mergulhado na angústia do combate, enfrenta os inimigos que lhe afastam das vivências espirituais.

O fato de seus oponentes serem também seus próprios familiares, fazendo Arjuna desejar abandonar a batalha,  seria um simbolismo para as coisas mais queridas e amadas pelo ego, que deveriam ser todas vencidas, como a vaidade, o egoísmo, a ambição desmedida, entre várias outras. Diante da hesitação do guerreiro, Krishna exorta a necessidade da luta e da coragem.

A narrativa de “Arjuna e o olho do pássaro”, descrita mais abaixo, ocorre quando Arjuna é ainda uma criança treinando com seus primos e irmãos sob o comando de Droṇāchārya, um mestre das artes militares. Todos os jovens são príncipes que futuramente irão lutar entre si na Guerra de Kurukshetra. Existem outras versões, contudo, devido à sua simplicidade, as variações não alteram sua mensagem fundamental.

Os personagens principais, independente da versão, serão sempre Arjuna criança (ou jovem) e seu professor Droṇāchārya, conforme está registrada em sânscrito no Mahabharata e contada há mais de cinco mil anos na Índia.

Normalmente esta história é interpretada como um ensinamento sobre a importância da concentração ou das prioridades. Interpretações deste tipo não estão erradas, porém, são genéricas e podem impedir a percepção da verdadeira mensagem de qualquer conto de sabedoria: aquela que é dita especialmente para você.

Arjuna e o olho do pássaro


Em uma manhã ensolarada, um grande grupo de meninos se reuniu com seus arcos e flechas. Não eram garotos comuns. Eram os cinco Pandavas e cem Kauravas! Eram primos, e uma feroz rivalidade entre eles começou quando eram apenas crianças. Esses jovens príncipes se tornariam homens de incrível poder. Os cinco Pandavas eram até filhos de deuses!

Nesse dia, Droṇāchārya, seu mentor e especialista militar, organizou uma competição. Através de um riacho, colocou um pequeno pássaro de madeira em uma árvore. Ao retornar para os meninos, lhes disse: “Hoje quero ver quem entre vocês pode atingir o olho daquele pássaro do outro lado do rio.”

O pássaro parecia minúsculo, mas os garotos estavam confiantes de que poderiam passar no teste. Eles já não haviam derrubado grandes feras em suas caçadas antes? Como esse pequeno pássaro poderia representar um desafio tão grande? Ansiosamente, cada um dos jovens príncipes esperou que Droṇāchārya chamasse seus nomes.

Yudhisthira, o mais velho entre os Pandavas, foi chamado primeiro. Tomando posição ao lado de seu professor, puxou a corda do arco e apontou sua flecha na direção do pássaro.

“Você consegue ver o pássaro?”, disse Droṇāchārya. Querendo ser meticuloso, Yudhisthira começou a listar tudo o que podia ver: “Eu vejo o pássaro de madeira, o galho e a árvore. Eu posso ver as folhas se movendo e ainda mais pássaros sentados na mesma árvore. Eu posso ver o riacho, a grama, outras árvores e o céu.” 

Quando ele terminou, esperou pelo comando final de seu mestre para atirar. Mas Droṇāchārya disse: “Abaixe o seu arco e sente-se Yudhisthira, você não atingirá o olho do pássaro.”

Confuso, Yudhisthira silenciosamente caminhou de volta para seus irmãos sem questionar. O próximo garoto foi chamado, posicionou-se ao lado de Droṇāchārya, puxou a corda do arco, e o professor fez a mesma pergunta. O jovem deu uma resposta semelhante, nomeando tudo o que podia ver. Mais uma vez, o garoto foi avisado para guardar o arco.

O mesmo ocorreu com todos os garotos que se seguiram, que voltavam decepcionados para seu grupo, até que finalmente Arjuna foi chamado. O jovem príncipe tomou seu lugar, levantou seu arco, puxou a corda e apontou sua flecha muito seriamente. Droṇāchārya prosseguiu:

— Diga-me o que você pode ver, Arjuna.

— Eu posso ver o olho do pássaro.

— Você não consegue ver as árvores e o céu? Ou talvez o galho em que o pássaro está sentado?

— Não, senhor, eu vejo apenas o olho do pássaro.

Droṇāchārya ficou satisfeito com essa resposta. Ele lançou um olhar para a multidão de meninos, que ficou em silêncio, mas lentamente começaram a concordar quando a lição ficou clara. Então, ordenou:

— Dispare sua flecha, Arjuna!

Arjuna então disparou. Com um forte ruído a flecha atingiu o olho do pássaro. Um tiro perfeito. A ave caiu com um pequeno baque enquanto todos os garotos assistiam admirados.

AutorAlfredo Carneiro – Graduado em Filosofia e pós-graduado em Filosofia e Existência pela Universidade Católica de Brasília.




Obrigado pela visita, volte sempre. Se você observar que a postagem, vídeo ou slidshre está com erro entre em contato.

Como o pcc age na polític4

A.B.C. Olavo de Carvalho 1 Paralaxia Cognitiva

    A análise de Olavo de Carvalho sobre René Descartes, frequentemente sintetizada em aulas e coletâneas como  Visões ...