quinta-feira, 22 de maio de 2008

Jacques Lacan



Jacques Lacan

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Jacques-Marie Émile Lacan
Nascimento 13 de Abril de 1901
Paris, França
Falecimento 9 de Setembro de 1981
Paris
Nacionalidade Francês
Ocupação Psicanalista, filósofo
Escola/tradição Estruturalismo, Pós-estruturalismo
Principais interesses Psicanálise, Filosofia, Antropologia, Literatura, Lingüística, Topologia
Idéias notáveis Matema, Real/Simbólico/Imaginário, Foraclusão, Gozo, Estágio do espelho, Objeto a, Autonomia do Significante, Fórmulas da Sexuação, Os quatro discursos, O passe, Tempo Lógico
Influências Freud, Clérambault, Saussure,Hegel, Martin Heidegger, Jakobson, Émile Benveniste, Lévi-Strauss, Kojève, Georges Bataille
Influenciados Žižek, Althusser, Guattari, Badiou, Miller, Kristeva

Críticos:Gilles Deleuze, Félix Guattari, Jacques Derrida, Jean Laplanche, André Green

Jacques-Marie Émile Lacan (Paris, 13 de abril de 1901 — Paris, 9 de setembro de 1981) foi um psicanalista francês.
Formado em Medicina, passou da neurologia à Psiquiatria, tendo sido aluno de Gatian de Clérambault. Teve contato com a psicanálise através do surrealismo e, a partir de 1951, afirmando que os pós-freudianos haviam se desviado do sentido da obra freudiana, propõe um retorno a Freud. Para isso, utiliza-se da lingüística de Saussure (e posteriormente de Jakobson e Benveniste) e da antropologia estrutural de Lévi-Strauss, tornando-se importante figura do Estruturalismo. Posteriormente encaminha-se para a Lógica e para a Topologia. Seu ensino é primordialmente oral, dando-se através de seminários e conferências. Em 1966 foi publicada uma coletânea de 34 artigos e conferências, os Écrits (Escritos). A partir de 1973 inicia-se a publicação de seus 26 seminários, sob o título Le Séminaire (O Seminário).

Pensamento

Sua primeira intervenção na Psicanálise é para situar o Eu como instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do Estádio do Espelho. O Eu é situado no registro do Imaginário, juntamente com fenômenos como amor, ódio, agressividade. É o lugar das identificações e das relações duais. Distingue-se do Sujeito do Inconsciente, instância simbólica. Lacan reafirma, então, a divisão do sujeito, pois o Inconsciente seria autônomo com relação ao Eu. E é no registro do Inconsciente que deveríamos situar a ação da Psicanálise.

Esse registro é o do Simbólico, é o campo da linguagem, do significante. Lévi-Strauss afirmava que "os símbolos são mais reais que aquilo que simbolizam, o significante precede e determina o significado”, no que é seguido por Lacan. Marca-se aqui a autonomia da função simbólica. Este é o Grande Outro que antecede o sujeito, que só se constitui através deste - "o inconsciente é o discurso do Outro", "o desejo é o desejo do Outro".

O campo de ação da psicanálise situa-se então na fala, onde o inconsciente se manifesta, através de atos falhos, esquecimentos, chistes e do relato dos sonhos, enfim, naqueles fenômenos que Lacan nomeia como "formações do inconsciente". A isto se refere o aforismo lacaniano "o inconsciente é estruturado como uma linguagem".

O Simbólico é o registro em que se marca a ligação do Desejo com a Lei e a Falta, através do Complexo de Castração, operador do Complexo de Édipo. Para Lacan, "a lei e o desejo recalcado são uma só e a mesma coisa". Lacan pensa a lei a partir de Lévi-Strauss, ou seja, da interdição do incesto que possibilita a circulação do maior dos bens simbólicos, as mulheres. O desejo é uma falta-a-ser metaforizada na interdição edipiana, a falta possibilitando a deriva do desejo, desejo enquanto metonímia. Lacan articula neste processo dois grandes conceitos, o Nome-do-Pai e o Falo. Para operar com este campo, cria seus Matemas.


É na década de 1970 que Lacan dará cada vez mais prioridade ao registro do Real. Em sua tópica de três registros, Real, Simbólico e Imaginário, RSI, ao Real cabe aquilo que resiste a simbolização, "o real é o impossível","não cessa de não se inscrever". Seu pensamento sobre o Real deriva primeiramente de três fontes: a ciência do real, de Meyerson, da Heterologia, de Bataille, e do conceito de realidade psíquica, de Freud. O Real toca naquilo que no sujeito é o "improdutivo", resto inassimilável, sua "parte maldita", o gozo, já que é "aquilo que não serve para nada". Na tentativa de fazer a psicanálise operar com este registro, Lacan envereda pela Topologia, pelo Nó Borromeano, revalorizando a escrita, constrói uma Lógica da Sexuação ("não há relação sexual", "A Mulher não existe"). Se grande parte de sua obra foi marcada pelo signo de um retorno a Freud, Lacan considera o Real, junto com o Objeto a ("objeto ausente"), suas criações.

Cronologia

  • 1901: Nasce em Paris, no dia 13 de abril, Jacques-Marie Émile Lacan, primeiro filho de uma próspera família católica.
  • 1907: Nascimento de seu irmão, Marc-Marie, que mais tarde entrará para a ordem dos beneditinos como o nome de Marc-François.
  • 1919: Matricula-se na faculdade de medicina. Paralelamente estuda literatura e filosofia, aproximando-se dos surrealistas.
  • 1928: Trabalha como interno da Enfermaria Especial para alienados da Chefatura de Polícia, dirigida por Gaëtan Gatian Clérambault, que mais tarde reconhecerá como seu único mestre na psiquiatria.
  • 1931: Após examinar Marguerite Pantaine, que havia tentado assassinar a atriz Huguette Duflos, escreve sobre o episódio (conhecido como "Caso Aimée") uma monografia que está na gênese de sua tese de doutorado.
  • 1932: Inicia sua análise com Rudolf Loewenstein. Defende a sua tese de doutorado, Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade.
  • 1934: Casa-se com Marie-Louise Blondin, com quem terá três filhos. Caroline (1937), Thibault (1939) e Sybille (1940).
  • 1936: Sua comunicação sobre o estádio do espelho, durante congresso da Associação Internacional de Psicanálise (IPA) em Marienbad, é interrompida no meio por Ernest Jones, discípulo e biógrafo de Freud.
  • 1938: Inicia relações com Sylvia Bataille, ex-mulher do escritor e filósofo Georges Bataille. Torna-se membro da Sociedade Psicanalítica de Paris (SPP).
  • 1941: Separa-se de Marie-Louise. Nasce Judith Sophie, filha de Lacan com Sylvia.
  • 1951: Sua técnica de sessões curtas gera controvérsias na SPP. Dá início aos Seminários, uma série de apresentações orais que constituirão o núcleo de seu trabalho teórico.
  • 1953: Em meio à crise na SPP, faz conferências fundamentais como "O mito individual do neurótico" (em que utiliza pela primeira vez a expressão Nome do Pai), "O real, o simbólico e o imaginário" (que coloca suas teorias sob o signo do "retorno a Freud") e "Função e campo da palavra e da linguagem em psicanálise" (pronunciada em Roma). Deixa a SPP junto com Daniel Lagache, Françoise Dolto e outros 40 analistas. Funda a Sociedade Francesa de Psicanálise (SFP). Realiza o seminário Os escritos técnicos de Freud, primeiro a ser registrado por estenotipista, possibilitando posterior publicação.
  • 1963: A IPA admite a filiação da SFP.
  • 1964: Lacan funda a Escola Freudiana de Paris (EFP) com antigos alunos como Françoise Dolto, Maud e Octave Mannoni, Serge Leclaire, Moustapha Safouan e François Perrier.
  • 1966: Publicação de Escritos e criação da coleção Campo Freudiano, dirigida por Lacan.
  • 1967: Propõe a criação do "passe", dispositivo regulador da formação do analista.
  • 1968: Lançamento da revista Scilicet, do Campo Freudiano.
  • 1973: Publicação da transcrição do Seminário XI, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, realizado em 1964. A partir daí, os seminários passam a ser editados segundo esse procedimento. Caroline morre num acidente de automóvel.
  • 1975: Lançamento de Ornicar?, boletim do Campo Freudiano.
  • 1980: Anuncia a dissolução da EFP e funda em outubro a Escola da Causa Freudiana.
  • 1981: Morre em Paris no dia 09 de setembro.

O Seminário

  • Seminário 1 - “Os escritos técnicos de Freud” (1953-54)
  • Seminário 2 - “O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise” (1954-55)
  • Seminário 3 - “As psicoses” (1955-56)
  • Seminário 4 - “A relação de objeto” (1956-57)
  • Seminário 5 - “As formações do inconsciente” (1957-58)
  • Seminário 6 - “Les désir et son interprétation” (1958-59)
  • Seminário 7 - “A ética da psicanálise” (1959-60)
  • Seminário 8 - “A transferência” (1960-61)
  • Seminário 9 - “L’identification” (1961-62)
  • Seminário 10 - “A Angústia” (1962-63)
  • Seminário 11 - “Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise” (1963-64)
  • Seminário 12 - “Problèmes cruciaux pour la psychanalyse” (1964-65)
  • Seminário 13 - “L’objet de la psychanalyse” (1965-66)
  • Seminário 14 - “La logique du fantasme” (1966-67)
  • Seminário 15 - “L’acte psychanalytique” (1967-68)
  • Seminário 16 - “D’un Autre à l’autre” (1968-69)
  • Seminário 17 - “O avesso da psicanálise” (1969-70)
  • Seminário 18 - “D’un discours qui ne serait pás du semblant” (1970-71)
  • Seminário 19 - “...Ou pire” (1971-72)
  • Seminário 20 - “Mais, ainda” (1972-73)
  • Seminário 21 - “Les non-dupes errent” (1973-74)
  • Seminário 22 - “R.S.I.” (1974-75)
  • Seminário 23 - “O Sinthoma” (1975-76)
  • Seminário 24 - “L’insu que sait de l’une bévue s’aile à mourre” (1976-77)
  • Seminário 25 - “Le moment de conclure” (1977-78)
  • Seminário 26 - “La topologie et le temps” (1978-79)

Escritos

  • Abertura desta coletânea
  • O seminário sobre "A carta roubada"
  • De nossos antecedentes
  • Para-além do "Princípio de realidade"
  • O estádio do espelho como formador da função do eu
  • A agressividade em psicanálise
  • Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia
  • Formulações sobre a causalidade psíquica
  • O tempo lógico e a asserção de certeza antecipada
  • Intervenção sobre a transferência
  • Do sujeito enfim em questão
  • Função e campo da fala e da linguagem em psicanálise
  • Variantes do tratamento-padrão
  • De um desígnio
  • Introdução ao comentário de Jean Hyppolite sobre a " Verneinung" de Freud
  • Resposta ao comentário de Jean Hyppolite sobre a " Verneinung" de Freud
  • A coisa freudiana
  • A psicanálise e seu ensino
  • Situação da psicanálise e formação do psicanalista em 1956
  • A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud
  • De uma quesiao preliminar a todo tratamento possível da psicose
  • A direção do tratamento e os princípios de seu poder
  • Observação sobre o relatório de Daniel Lagache: "Psicanálise e estrutura da personalidade"
  • A significação do falo
  • À memória de Ernest Jones: Sobre sua teoria do simbolismo
  • De um silabário a posteriori
  • Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina
  • Juventude de Gide ou a letra e o desejo
  • Kant com Sade
  • Subversão do sujeito e dialética do desejo no inconsciente freudiano
  • Posição do inconsciente
  • Do "Trieb" de Freud e do desejo do psicanalista
  • A ciência e a verdade
  • Comentário falado sobre a "Verneinung" de Freud, por Jean Hyppolite
  • A Metáfora do Sujeito

Bibliografia

LACAN, Jacques

Tese

  • Da psicose paranóica em suas relações com a Personalidade. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1987

Coletâneas

  • Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. 937 p.
  • Outros Escritos”. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003
  • Escritos. São Paulo, Perspectiva, 1978 (versão parcial)
  • Shakespeare, Duras, Wedekind, Joyce. Lisboa: Assírio & Alvim, 1989. "Hamlet por Lacan" ; "Homenagem a Marguerite Duras", ; "O despertar da primavera" (1974), ; "Joyce o sintoma",
  • Meu Ensino. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2006 • Conferências: "Lugar, origem e fim do meu ensino", "Meu ensino, sua natureza e seus fins", "Então, vocês terão escutado Lacan"
  • Nomes-do-Pai - Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2005.Conferências:"O simbólico, o imaginário e o real" e "Introdução aos Nomes-do-Pai"

Seminários publicados

  • O Seminário – Livro 1 – Os Escritos Técnicos de Freud. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1979
  • O Seminário – Livro 2 - O Eu na Teoria de Freud e na Técnica da Psicanálise. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1985.
  • O Seminário – Livro 3 - As Psicoses, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit. 1985.
  • O Seminário – Livro 4 - A Relação de Objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1995.
  • O Seminário – Livro 5 - As formações do inconsciente, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Edit. 1999
  • O Seminário – Livro 7 - A ética da psicanálise, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit. 1991.
  • O Seminário – Livro 8 - A transferência, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit. 1992.
  • O Seminário - Livro 10 - A Angústia ,Rio de Janeiro, Jorge Zahar Edit, 2005
  • O Seminário – Livro 11 - Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise, São Paulo, Jorge Zahar Editor, 1979.
  • O Seminário – Livro 17 - O Avesso da Psicanálise, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1992.
  • O Seminário – Livro 20 - Mais, Ainda. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 1982.
  • O Seminário - Livro 23 - O sinthoma. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 1982

Conferências, aulas de seminários, artigos

  • O mito individual do neurótico: Seminário 0 [O Homem dos ratos], Lisboa: Assírio & Alvim, 1987. 76 p. , (O homem dos ratos)
  • Televisão, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1993
  • Hamlet, por Lacan, Campinas, São.Paulo, Escuta Editora / Liubliú Livraria Editora / UNICAMP, 1986
  • Os complexos familiares na formação do indivíduo: ensaio de análise de uma função em psicologia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1997
  • Triunfo da Religião - Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2005

LACAN, Jacques et al.

  • A querela dos diagnósticos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1989, Artigo: "A Psiquiatria Inglesa e a Guerra"

Referências

Obras de caráter introdutório

  • Meu Ensino - Jacques Lacan, Jorge Zahar Editor
  • Lacan - Gérard Miller, (org.),Jorge Zahar Editor
  • Lacan - Alain Vanier, Estação Liberdade
  • Percurso de Lacan, uma introdução - Jacques-Alain Miller, Jorge Zahar Editor
  • Lacan,O Grande Freudiano - de Marco A. Coutinho Jorge e Nadiá P. Ferreira, Jorge Zahar Editor
  • Cinco lições sobre a teoria de Jacques Lacan - J.-D. Nasio, Jorge Zahar Editor
  • A negação da falta, 5 seminários sobre Lacan para analistas kleinianos - Marcio Peter de Souza Leite, Relume-Dumará
  • Jacques Lacan, uma biografia intelectual - Oscar Cesaroto e Marcio Peter de Souza Leite, Iluminuras
  • Introdução à leitura de Lacan - Oscar Masotta, Papirus
  • Lacan, a trajetória de seu ensino - Marcelle Marini, Artes Médicas
  • Revista Viver Mente&Cérebro - Edição Especial, Coleção Memórias da psicanálise, nº 4.

Instituições

Rio de Janeiro

Ligações externas

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_Lacan"


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Didática e Avaliação



FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO




Mudanças:
Didática e Avaliação


Cintia Barreto


Rio de Janeiro, 2001.

INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por objetivo refletir sobre a postura do professor brasileiro diante da crítica e da autocrítica nos processos de avaliação e ensino-aprendizagem, bem como sobre a resistência à mudança pedagógica, tendo como base o livro Ironias da Educação - mudança e contos sobre mudança de Pedro Demo (2000).
Para isso, foi dividido em dois capítulos; o primeiro, Ironias da Educação, tem como base os Contos-do-vigário, contos relatados no primeiro capítulo do livro onde o autor narra sua experiência em cursos para professores ministrados por ele; o segundo, A Avaliação, tem em vista um diálogo entre Demo e Romão sobre o processo avaliativo em sala-de-aula.
Dessa forma, o seguinte trabalho pretende, de forma concisa, e tendo como alicerce o sociólogo Pedro Demo, discutir as ironias que ocorrem na nossa educação.

AS IRONIAS DA EDUCAÇÃO
No mundo pós-moderno, o neoliberalismo gerou a globalização da tecnologia e da educação. Assim, tudo deve ser padronizado, globalizado. Por que não globalizarmos a conduta dos professores diante a avaliação, por exemplo? Por que se fala tanto em mudança, transformação pedagógica, quando o que se vê é a repetição de antigos modelos de aula e avaliação?
É simples, nossos professores temem a mudança, pois temem não estar preparados para tal. Os mestres acostumaram-se a repetir os manuais aprendidos por eles, que os repassa sem o menor pudor a seus alunos. Por outro lado, não estarão, dessa forma, formando sujeitos pensantes, autônomos como prioriza a nova pedagogia.
Na primeira parte de seu livro, Demo narra cinco contos sobre sua experiência com professores e revela-nos muito sobre a postura do professor, quando este fica na posição de aluno. No Conto 1, Demo trabalhou com professores da Escola Normal que não estavam acostumados a pesquisar, a aprender e, muito menos, a serem avaliados como podemos perceber nesta inferência feita pelo autor:


Desconhecem o que é aprender - é estranho que, em contexto de Escola Normal, ocorra este tipo de problema; como diz o provérbio: "em casa de ferreiro, espeto de pau"; reside aí, talvez, a contradição mais comprometedora, porque se trata de consumado conto-do-vigário: os professores são o que os alunos jamais deveriam ser; desconhecem o esforço reconstrutivo que a aprendizagem supõe, com base em pesquisa e elaboração própria, individual e/ou coletiva, prendendo-se em amenidades e futilidades, que já fazem parte do folclore pedagógico. (p. 16)

No Conto 2, continua o autor a perceber o paradoxo vivido pelo sistema educacional, uma vez que os professores não estão acostumados a receber críticas e sim a fazê-las, como podemos conferir em:

Pouco vale criticar sem propor; quando se exige proposta e percebe-se que não se tem, experimenta-se o desespero de quem se sente nu. A pedagogia se habituou a falar alto, sobretudo a prometer a transformação histórica, mas, quando colocada contra a parede, tudo que sai é crítica desconexa, exacerbação mental, gritaria desorganizada; todos defendem o projeto pedagógico, mas poucos - quase ninguém - o tem elaborado, resultando sempre em discussões alongadas e inúteis, tendo como passo final e certeiro jamais chegar a beneficiar o aluno, até porque não se chega a lugar nenhum.. (p. 26)

É importante esclarecer que esses contos servem de espelho do sistema educacional vigente em muitas partes do país, pois poucos são os que ousam mudar, ousam transformar o que se tem em algo melhor, algo que beneficie o aluno e não ao próprio sistema. Poucos são os professores que vivenciam o que falam, que transformam teoria em prática e, depois, sua prática em teoria. No Conto 3, Demo demonstra nesta passagem o desfecho desta experiência:

Mais que tudo, ficou claro que a preocupação central de nossas escolas e faculdades é o mero ensino ministrado por professor que só sabe ensinar. Não por sua culpa, porque culpa não é critério explicativo, mas por deficiência de formação, ao lado do desprestígio do profissional flagrante. Como sempre, os professores tentaram lançar a "culpa" sobre os alunos, que não teriam qualquer condição de pesquisar - não iam além da cópia. Estavam apenas "tapando o sol com a peneira". A questão era que eles mesmos não sabiam pesquisar, nunca tinham pesquisado, não possuíam elaboração própria, só davam aulas reprodutivas, e assim por diante. (p. 32)

Assim, o professor não pode fazer o aluno aprender se ele não sabe aprender. Outros questionamentos foram levantados neste conto como a incapacidade de autocrítica e de inovação dos professores.
No Conto 4, ocorrido em uma instituição confessional dotada de educação básica e três cursos superiores, com grande tradição na cidade surgiu um grupo interdisciplinar, produtivo, mas que levou um susto, quando descobriu que teria que pesquisar, elaborar e ser avaliado todos os dias. Logo surgiu o medo de mudar. Todo o entusiasmo do início "caiu por terra", já que se havia cogitado a hipótese de uma nova pedagogia, acrescentando nova área em nível superior à instituição e atendendo tanto à educação básica, quanto à superior. O medo de mudanças foi o tema central deste conto:

Em meio a tamanhos conflitos, o recuo foi crescendo, até que, em certo momento, "sobrei". Fomos do céu ao inferno, no prazo de um ano. A convicção de que é preciso mudar foi menos forte do que o medo de mudar. Os professores, por sua vez, foram mostrando as resistências clássicas. (p. 44)

É certo que a Pedagogia transformadora incomoda aqueles que estão na estabilidade medíocre de um sistema educativo defasado, mas eficaz. Em contrapartida, interessa ao neoliberalismo que os cidadãos continuem sem formação adequada, sem questionamentos. Interessa, sim, ao neoliberalismo que as pessoas tenham poder de consumo de tecnologia, não de conhecimento, não de autonomia.
Não podemos esquecer do Conto 5, que mostra o medo do êxito:

Trata-se de notável experiência em escola básica confessional, onde encontrei algumas condições muito favoráveis à mudança: direção com coragem, responsável pedagógica muito esclarecida, e "dupla dinâmica" que conduzia as séries iniciais do ensino fundamental. Somadas estas energias, surgiu uma experiência deslumbrante, ao lado - como sempre - das resistências, que acabaram por se impor. Foi organizado um grupo-base, com quem trabalhei meses, para montar a idéia da aprendizagem reconstrutiva e desenhar o primeiro curso, dentro da expectativa de se disponibilizar para os professores, todo semestre, este tipo de oferta. O grupo era muito interessante. (p. 46-47)

Para este projeto, foram feitas algumas transformações para garantir seu objetivo. A metodologia da aprendizagem reconstrutiva foi aplicada, mudando as carteiras para mesinhas redondas; os professores foram devidamente preparados, pois precisavam estar aptos para as inovações; o professor tornou-se o facilitador, acompanhando de perto o andamento de cada um; a preocupação que os alunos avancem no currículo previsto foi latente, mas sem afobação ou rigidez e os livros didáticos tornaram-se, apenas material de pesquisa, não mais como elemento central da aula, como deve ser. Assim, a experiência começou a ser vista com êxito e, é claro, começou a ser questionada entre os colegas. Resolveu-se então fazer uma avaliação, a fim de testar as deficiências do projeto, entretanto, para o espanto de todos, o aproveitamento dos alunos foi muito acima do esperado. Pareceu claro: sem aula aprende-se melhor, desde que exista professor que saiba aprender e fazer o aluno aprender.
É importante ressaltar que o medo da mudança, superado, dá lugar ao medo do êxito, do sucesso e, consequentemente, ao medo de romper de vez com a pedagogia tradicional. É o que podemos observar a seguir:
...uma experiência exitosa nas primeiras séries não garante o mesmo sucesso em outros níveis. Afinal, nas primeiras séries, existe um professor para cada turma, enquanto mais para frente, há um professor para cada disciplina, tornando as coisas bem mais complicadas. Esta experiência estava ainda por se fazer. Não sei se teve continuidade, porque, como sempre acontece, sobrevieram abalos, no fundo tolos, mas que tornaram as condições bastante adversas.

Dado o exposto, percebemos que desde o medo de ser avaliado dia-a-dia, de pesquisar e elaborar projetos, até o medo do êxito, o que falta é trabalhar esses medos que a educação insiste em manter, para que tenhamos profissionais capazes de aprender e ensinar os alunos a aprender a ter autonomia, a ser dono do seu ato político, de se engajar numa sociedade neoliberal, sabendo questionar determinadas atitudes, e não apenas aceitá-las passivamente, por não ter o que argumentar.

A AVALIAÇÃO
Não muito distante de todos esses questionamentos, trazidos à luz por Demo (2000), da Pedagogia transformadora, estão os questionamentos feitos por Romão (1998).
Romão revela-nos os mitos da educação como: (a) Escola boa é aquela que exige muito e que "puxa" pela disciplina; (b) o bom professor é aquele que reprova muito; (c) a maior parte das deficiências dos alunos é decorrente das carências que eles trazem de casa; (d) a democracia exige respeito aos códigos socioculturais e às diferenças individuais; (e) avaliar é muito fácil e qualquer um pode fazê-lo; (f) por outro lado, avaliar é tão complicado que se torna, praticamente impossível fazê-lo de forma correta; (g) é preciso eliminar os aspectos quantitativos da avaliação e (h) na escola, avalia-se, apenas, o conhecimento adquirido pelo aluno, desprezando-se os aspectos de seu amadurecimento físico e emocional. Essa situação deve ser invertida, diz o autor.


Esses mitos da educação fazem-nos avaliar nossa condição como profissionais do ensino diretamente ligados ao processo de ensino-aprendizagem de milhares de cidadãos que não têm, em determinado momento, consciência de estar sendo feito o melhor ou o pior por eles e para eles na escola.

O autor, Romão (1998), demonstra também as concepções de avaliação como a avaliação na concepção Construtivista e na Positivista. Na concepção Contrutivista, a avaliação ocorre subjetivamente através da auto-avaliação, a avaliação é vista de forma qualitativa, preocupando-se tanto com o processo que acabam por desconhecer ou desqualificar os resultados. Em contrapartida, a avaliação, na concepção Positivista, ocorre objetivamente através da avaliação final do alunos, a avaliação se dá assim de forma quantitativa, apresentando função classificatória, baseada em padrões - científicos ou culturais - preocupam-se tanto com o fim que desqualificam o meio, o processo.
Além de apresentar as duas concepções metodológicas, Romão, sugere um equilíbrio entre estas concepções, propondo uma avaliação em três estágios, igualmente, importantes. A avaliação, dessa forma, tem uma função prognóstica, que avalia os pré-requisitos dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia, onde são apresentadas as estratégias e os procedimentos, a fim de verificar quem absorveu todos os conhecimentos e incorporou as habilidades previstas nos objetivos inicialmente estabelecido; Romão, apresenta, ainda, uma função classificatória, avaliação final, que funciona como comprovação do nível alcançado pelos alunos, avaliação de output.
Assim como Romão, Demo também não separa a avaliação quantitativa da qualitativa, mas as vê como parte de uma mesma realidade.

É equívoco pretender confronto dicotômico entre qualidade e quantidade, pela simples razão de que ambas as dimensões fazem parte da realidade da vida. Não são coisas estanques, mas facetas do mesmo todo. Por mais que possamos admitir qualidade como algo "mais" e mesmo "melhor" que quantidade, no fundo, uma jamais substitui a outra, embora seja sempre possível preferir uma à outra" . (Demo, 1994, citado por Romão, 1998)

É certo que o modelo de avaliação utilizado pela maioria das escolas continua por valorizar a função classificatória, desconhecendo as funções prognóstica e diagnóstica, que tendem a demonstrar tanto a situação do aluno como a do professor, entretanto uma avaliação para considerar os aspectos qualitativos e quantitativos deve fazer uso das três funções avaliativas, apresentadas por Romão e a educação, para tanto, precisa inovar, como propõe Demo (2000):

Demonstrou-se que, cuidando bem da aprendizagem do aluno, de um lado, e, investindo no professor, de outro, é possível colher resultados significativos. Não é difícil melhorar a aprendizagem do aluno - temos teorias e experiências de sobra que apontam nessa direção. O problema é a mudança que isso acarreta. O grupo foi colocado sob severa vigilância, marcada pela mediocridade consumada, até que se considerou mais coerente suspender as atividades. (p.28)

Mediante os fatos expostos, avaliar requer acompanhamento por parte do professor, ele deve ter autocrítica e saber inovar como sugere Demo e utilizar as funções prognóstica, diagnóstica e classificatória como sugere Romão, a fim de garantir uma educação com qualidade total ao alunado, preparando-o para o mercado de trabalho e, mais do que isso, para enfrentar o que a vida tem a oferecer-lhe, uma vez que este é um ser político.

CONCLUSÃO
A partir do leitura do livro de Demo, percebe-se que a educação propõe mudanças, mas não as aceita, na maioria dos casos, acomodando-se à pedagogia tradicional, rejeitando a pedagogia transformadora, reconstrutiva, sugerida pelo autor.
Também não devemos esquecer que o autor constatou que os alunos não aprendem porque o professor não aprende e que "professor" é tudo que o aluno não deve ser nesse caso. O professor tem ainda muito medo de ser avaliado, por sentir-se exposto, pois ao ser avaliado, tem-se as veias abertas e isso, para alguém que se julga acima de qualquer julgamento, é, no mínimo, desconfortável.
É bom acrescentar ainda que tudo o que o neoliberalismo espera é que a escola mantenha-se neste estágio acrítico, sem transformação, de, apenas, aceitação dos fatos políticos, sociais e, principalmente, econômicos que circundam todos os brasileiros, pois, como disse muito bem Demo, o sistema não teme pobre que tem fome; teme pobre que sabe pensar. (p. 27)
Por tudo isso, é preciso reformular o sistema de ensino, começando pelos professores. Precisamos desconstruir o que existe para reconstrui-lo mais forte e coerente com o que se pretende de um sistema educativo de qualidade, valorizando o aluno, mas também o professor assim como todo o processo de reconstrução de ensino-aprendizagem no Brasil.

REFERÊNCIAS
DEMO, Pedro. Ironias da Educação: mudanças e contos sobre mudança. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

ROMÃO, J. E. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. São Paulo: Cortez, 1998.





Para referência desta página:
BARRETO, Cintia. Mudanças: Didática e Avaliação. In.: BELLO, José Luiz de Paiva. Pedagogia em Foco, Rio de Janeiro, 2001.
Disponível em: . Acesso em: dia mes ano.



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O que é metáfora?


Metáfora

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



Figuras de linguagem da Língua Portuguesa

Figuras semânticas

Figuras sintáticas

Metáfora é uma figura de estilo (ou tropo linguístico), que consiste numa comparação entre dois elementos por meio de seus significados imagísticos, causando o efeito de atribuição "inesperada" ou improvável de significados de um termo a outro.

Didaticamente, pode-se considerá-la como uma comparação que não usa conectivo (por exemplo, "como"), mas que apresenta de forma literal uma equivalência que é apenas figurada.

Meu coração é um balde despejado


Etimologia

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra deriva do latim metaphòra (metáfora), por sua vez trazido do grego metaphorá ("mudança, transposição"). O prefixo met(a)- tem sentido de "no meio de, entre; atrás, em seguida, depois". O sufixo -fora (em grego phorá) designa 'ação de levar, de carregar à frente'.

Metáfora é o emprego da palavra, fora do seu sentido normal.

Relação com outras figuras de linguagem

Enquanto a metáfora trabalha com os traços semânticos comuns entre duas idéias, a metonímia trabalha com a relação de contigüidade entre elas.

Pedindo auxílio à teoria dos conjuntos, como fez Othon Moacyr Garcia em seu clássico "Comunicação em Prosa Moderna", perceberemos que os traços de significados das duas idéias comparadas entram em interseção na metáfora.

Por exemplo (e subjetivamente), um gato é um quadrúpede, mamífero, felino, que mia e é considerado sensual. Um moço é bípede, mamífero, humano, fala e pode ser sensual. Ao compararmos os dois com a metáfora "Esse moço é um gato", o traço de significado que provavelmente estaremos colocando em intersecção é apenas o traço sensual.

Imagem:MetaforaGisela.gif

Já na metonímia, as duas idéias não se superpõe como na metáfora, e sim estão relacionadas por contigüidade, proximidade.

Por exemplo, as expressões: 1- "sem-teto", 2- "Tomou o copo todo", 3- "Adoro o Verissimo" são metonímias, respectivamente, porque:

1- O termo teto está em relação de contigüidade com o resto da habitação. É uma das suas partes, e na expressão substitui o todo "habitação". (Um sem-teto geralmente também não tem o restante da habitação - a porta, as janelas, as paredes, o chão.)

2- O termo copo normalmente contém alguma bebida, e é usado no lugar da bebida que contém. (Ninguém consegue beber o copo)

3- O termo Veríssimo é usado no lugar dos livros e crônicas do autor. (A pessoa gosta dos textos do autor, independentemente de conhecê-lo pessoalmente e gostar dele).

Metáfora na Computação

“O Virtual - U sugere que a metáfora dos espaços é necessária para fornecer uma idéia de lugar, a qual representará um modelo intelectual útil e facilitador da navegação por parte do usuário” [Harasim]

  • Exemplos:
  • Alguns sites apresentam por exemplo uma "sala" para conversas, um "mural" para recados, dentre outras metáforas.

Exemplos de Metáfora

  • Eu sou um poço de dor e amargura.
  • Sou um cachorro sem sentimentos.
  • Dois diamantes brilhavam no rosto da menina.
  • Seus olhos são dois oceanos.
  • Não anda bem da cabeça.
  • Meu pensamento é um rio subterrâneo. Fernando Pessoa

Referências

  • FIGUEIREDO, Olívia e FIGUEIREDO, Eunice Barbieri (2003). Dicionário Prático para o estudo do Português. Porto: Edições ASA
  • HARASIM, Linda e CALVERT, Tom e GROENEBOER, Chris. Virtual – U: A web-based system to support collaborative learning. Web Teaching – A guide to designing Interactive Teaching for the World Wide Web, David W., Brooks, Plenum Press, New York and London , 1997.
  • LAKOFF, George e Johnson, Mark (1980) Metaphors we live by. Chicago: University of Chicago Press
  • LAUSBERG, Heinrich (1967) Elementos de retórica literária. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian 5.ª edição
  • PERELMAN, Chaïm (1987) "Analogia e Metáfora", pp 207-217 In ROMANO, Ruggiero Enciclopédia Einaudi vol. 11 - Oral/Escrito e Argumentação. Lisboa: IN-CM




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O que é analogia?


Analogia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


Uma analogia é uma relação de equivalência entre duas outras relações.

As analogias têm uma forma de expressão própria que segue o modelo: A está para B, assim como C está para D. Por exemplo, diz-se que: "Os patins estão para o patinador, assim como os esquis estão para o esquiador". Ou seja, a relação que os patins estabelecem com o patinador é idêntica à relação que os esquis estabelecem com o esquiador.

A maior parte das pessoas achará a analogia dos esquis/patins verdadeira. No entanto, é extremamente dificil estabelecer de forma rigorosa porque é que é verdadeira. Normalmente, as analogias são fluidas e uma análise mais detalhada poderá revelar algumas imperfeições na comparação. Afinal, esquiar e patinar são actividades parecidas, mas não são exactamente iguais.

Direito

Consiste em aplicar a um caso não previsto de modo direto por uma norma jurídica, uma norma prevista para um hipótese distinta, mas semelhante ao caso concreto. Aplica-se também o Art. 5º LICC- Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Podemos classificar de duas formas a analogia: a primeira como "in bonam partem" que é aquela que não prejudica o agente, não gerando soluções absurdas. A segunda como "in malam partem", é aquela que de alguma forma prejudica o agente, por isso não é admitida no Direito penal.

Agente = réu = sujeito ativo

Os requisitos para a aplicação judicial da analogia conforme prevista na LICC são a existência de anomia, a semelhança do caso em tela com a norma, mediante o estudo científico na legislação vigente e ratio legis, ou seja, análise do bem jurídico tutelado.

A analogia não é permitida no ramo do Direito Penal, salvo para beneficiar o réu; tampoco em matéria tributária para a criação de novos tributos.

É forma primordial para o preenchimento das lacunas no ordenamento jurídico, também sendo conhecida como autointegração, pois é realizada com os próprios recursos do sistema legislativo.

Matemática

Em matemática foi desenvolvida uma versão mais formal de analogia, o isomorfismo.

Anatomia

Ver artigo principal: Analogia (biologia)

Em anatomia, duas estruturas anatômicas são consideradas análogas quando elas possuem a mesma função mas não são relacionadas evolutivamente, tais como a pernas de um vertebrado e as patas de um inseto. Estrutura análogas são o resultado de evolução convergente e são diferenciadas de estruturas homólogas.

Existe também analogia no Direito.

Ver também


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LÍNGUA PORTUGUESA. REFACÇÃO DE TEXTOS



1080
REFACÇÃO TEXTUAL E GÊNEROS DISCURSIVOS:
UMA ABORDAGEM PRÁTICA
Idelma Maria Nunes PORTO
(Universidade Estadual de Londrina)
ABSTRACT: The present article integrates the studies of the research Project in applied Linguistics - of
ethnographic stamp - "Writing and grammatical teaching: a new look for an old problem" that focalizes
Portuguese teacher’s formation through diagnosis, intervention and reflection theoretical-practice, the
refinement of process teaching-learning of mother language, above what it refers to the linguistic analysis. In
that context, the discussions have been considering the discursive genre as a teaching object - articulation axis
and curricular progression - and the text, as a unit of meaning and teaching - integration element of reading
practices, linguistic analysis and textual production. The aim in this paper is to analyze a didactic sequence, of
narrating order, starting from linguistics-enunciation marks in relation to the production conditions (supports,
speakers, purpose and circulation place), the theme and the compositional construction, in the process of
possible sense effects, and pointing work suggestions, in a didactic sequence, in order to contribute in a
theoretical-practical way with the studies related to the process of teaching-learning of mother language.
KEYWORDS: linguistic analysis, narrative, didactic sequence.
1. Contextualização
A visão interativa da linguagem no ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa tem
sido discutida desde os anos 80, sendo entendida como a integração, sem artificialidade, via
texto, das atividades básicas de ensino: leitura, análise lingüística e produção textual,
estabelecida entre professores e alunos no trabalho em sala de aula.
Mais recentemente, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs (BRASIL, 1997;
1998) apontam que o ensino seja pautado nos gêneros textuais, visando uma mudança no
ensino de língua portuguesa, fundamentado, até então, na gramática normativa.
Tal documento tem como princípio a concepção enunciativa de Bakhtin (2000, p.52),
em que a linguagem é vista como ação social: "A comunicação verbal na vida cotidiana não
deixa de dispor de gêneros criativos. Esses gêneros do discurso nos são dados quase como nos
é dada a língua materna, que dominamos com facilidade antes mesmo que lhe estudemos a
gramática".
Essa abordagem é adotada pelos PCNs (BRASIL, 1997; 1998) sob dois enfoques: o
uso da língua e a reflexão sobre a língua. Como instrumento prescritivo, o documento indica
alguns gêneros para a prática de leitura e produção de textos orais e escritos que, de certa
forma, abrem perspectivas para instrumentalizar os alunos para os usos efetivos de linguagem
no meio social.
Assim, na escola, aos alunos deveria ser propiciado o aprendizado de gêneros
discursivos existentes na sociedade, para poderem exercer plenamente a cidadania. No
entanto, há, ainda, um fosso entre a teoria e a prática docente.
Nesse sentido, com fundamentação da Lingüística Aplicada (Moita Lopes, 2000;
Celani, 2000; entre outros), sobre a formação continuada de professores, e com estudos
teóricos, sobretudo, de Bakhtin (1992), Rojo (2000), Rojo e Cordeiro (2004) e Dolz e
Schneuwly (1996; 2004), no projeto “Gramática e Ensino Gramatical”, que visa a
diagnosticar e intervir na abordagem do ensino gramatical, em séries do nível fundamental,
Perfeito (2005, p. 61) elabora uma proposta, partindo de idéias de Barbosa (2003), a ser
utilizada na análise de textos de variados gêneros, no espaço escolar:
1081
Contexto de produção e relação autor/leitor/texto - observação de aspectos relativos
ao/à: autor/enunciador, destinatário, provável objetivo, local e época de publicação e
de circulação; exploração das inferências, das críticas, das emoções suscitadas;
criação de situações-problema e de transformações, veiculadas a efeitos de sentido
do texto etc.
Conteúdo temático - temas que são tratados em textos pertencentes ao gênero em
questão.
Organização geral (construção composicional) - a estrutura, o arranjo textual.
Marcas lingüísticas e enunciativas - características do gênero (lingüísticas) e do
autor (enunciativas), o qual veicula seu texto, fundamentalmente, em determinado
gênero (recursos lingüístico-expressivos mobilizados).
O projeto, em andamento desde 2003, envolve alunos de graduação, especialização e
mestrado/doutorado e professores da rede pública e particular de Londrina e de outras cidades
do Paraná, com vistas ao diagnóstico e intervenção, em salas de aulas de 4ª e 8ª séries.
O presente recorte representa um processo de diagnóstico feito, pela autora, em uma
escola pública do sul da cidade de Londrina, no final de 2003, com gravação e transcrição das
aulas cuja análise teve como resultado uma monografia de conclusão de Especialização, em
2004. No ano de 2005, os membros do grupo continuavam o diagnóstico e faziam a
transcrição e a discussão dos resultados em outras escolas. Em 2006, a autora ingressou no
mestrado, dando prosseguimento à fase de intervenção.
Na escola em que desenvolvemos o trabalho, a professora com quem havia sido feito o
diagnóstico, em uma 4ª série, aposentou-se no início de 2005, mas deu abertura para que suas
aulas, gravadas e transcritas, fossem lidas e analisadas pelo grupo de professoras de ensino
fundamental (1ª a 4ª série).
Nosso foco, nas discussões, inicialmente, foi a percepção de como estão situados os
gêneros discursivos na visão interacionista da linguagem e, sobretudo, de como planejar, via
gêneros, as atividades de análise lingüística, com a abordagem prática de variados gêneros de
diferentes ordens. Após essa discussão, o grupo de professoras decidiu trabalhar no sentido de
elaborar um currículo cujo eixo seriam os gêneros discursivos.
Para atingir tal objetivo, no entanto, estamos acompanhando o planejamento e o
desenvolvimento do trabalho prático para dirimir dúvidas sobre a abordagem do gênero como
eixo de progressão e articulação curricular, integrando as atividades de leitura, de análise
lingüística e de produção/refacção textual. E, nesse sentido, propiciamos maiores discussões
sobre o ensino gramatical contextualizado.
As professoras decidiram que a primeira unidade a ser abordada seria a fábula. Dessa
forma, estamos acompanhando-as, desde a escolha, a “dosagem” e as atividades propostas nos
dois primeiros ciclos do ensino fundamental, sobretudo, em relação à análise lingüística, uma
das maiores dificuldades evidenciadas por elas no trabalho.
No artigo em pauta, então, apresentamos algumas reflexões sobre a abordagem levada
a efeito por uma professora do grupo, desde a leitura à refacção textual, antes do processo de
intervenção, e apontamos algumas possibilidades de encaminhamento.
Paralelamente, na escola, estamos discutindo com as professoras, tais atividades e
propondo abordagens (com as devidas reformulações/adequações e aprofundamentos),
relativas ao conteúdo temático e às suas condições de produção, juntamente ao arranjo textual
e às marcas lingüísticas, no processo de exploração de aspectos pertinentes à fábula.
2. Gêneros discursivos e refacção
O trabalho do professor de língua portuguesa constitui-se em multiplicar, aumentar e
acrescentar os recursos expressivos de que a criança não dispunha. O aluno deve, a
longo prazo, estar em contato com as formas que coloquialmente não usa, e saber
usá-las em situações formais. (MURRIE, 1994, p.20)
1082
A apropriação da escrita pelo aluno acontece em vários momentos, todos eles
mediados pelo professor: o da motivação para a produção do texto; o da reflexão, que deve
preceder e acompanhar todo o processo de produção; e, finalmente, o da revisão,
reestruturação e reescrita do texto, que acaba se constituindo, também, em um produtivo
momento de reflexão.
Segundo os PCNs (BRASIL, 1997), as atividades de análise lingüística são aquelas
que consideram determinadas características da linguagem como objeto de reflexão. Essas
atividades apóiam-se na capacidade humana de refletir, analisar, pensar sobre os fatos e os
fenômenos da linguagem (atividades epilingüísticas); e na propriedade que a linguagem tem
de poder referir-se a si mesma, de falar sobre a própria linguagem (atividades
metalingüísticas).
Nesse sentido, é possível organizar um trabalho didático cujo objetivo principal é
melhorar a capacidade de compreensão e expressão dos alunos, em situações de comunicação
tanto escrita como oral.
Em relação à escrita de textos, a prática de análise e reflexão sobre a língua permite
que se explicitem saberes implícitos dos alunos, abrindo espaço para sua
reelaboração. Ela implica uma atividade permanente de formulação e verificação de
hipóteses sobre o funcionamento da linguagem que se realiza por meio da
comparação de expressões, da experimentação de novos modos de escrever, da
atribuição de novos sentidos a formas lingüísticas já utilizadas, da observação de
regularidades (no que se refere tanto ao sistema de escrita quanto aos aspectos
ortográficos ou gramaticais) e da exploração de diferentes possibilidades de
transformação dos textos (supressões, ampliações, substituições, alterações de
ordem, etc.). (BRASIL, 1997, p. 53)
E quanto às atividades de leitura, o trabalho de reflexão sobre a língua é importante
por possibilitar a discussão sobre diferentes sentidos atribuídos aos textos de acordo com os
elementos mobilizados. O trabalho didático de análise lingüística a partir dessas
considerações se organiza tendo como ponto de partida a exploração ativa e a observação de
regularidades no funcionamento da linguagem.
Desse modo, os objetivos de Língua Portuguesa para o segundo ciclo, estabelecidos
pelos PCNs são: produzir textos escritos, coesos e coerentes, dentro dos gêneros previstos
para o ciclo, ajustados a objetivos e leitores determinados; escrever textos com domínio da
separação em palavras, estabilidade de palavras de ortografia regular e de irregulares mais
freqüentes na escrita e utilização de recursos do sistema de pontuação para dividir o texto em
frases; e revisar seus próprios textos a partir de uma primeira versão e, com ajuda do
professor, redigir as versões necessárias até considerá-lo suficientemente bem escrito para o
momento.
Se o objetivo é que os alunos utilizem os conhecimentos adquiridos por meio da
prática de reflexão sobre a língua para melhorar a capacidade de compreensão e expressão,
tanto em situações de comunicação escrita quanto oral, é preciso organizar o trabalho
educativo nessa perspectiva.
Sob esse enfoque, os PCNs relativos ao 3º e 4º ciclos (1998, p.60) sugerem
encaminhamentos (possíveis) para a tarefa: discussão e encaminhamento de soluções para um
texto de uma aluno selecionado por ser representativo das dificuldades coletivas; análise e
discussão de problemas selecionados, propondo questões que orientem o trabalho; registro das
respostas apresentadas pelos alunos às questões propostas e discussão das diferentes
possibilidades em função de critérios de legitimidade e de eficácia comunicativa; reelaboração
do texto, incorporando as alterações propostas; selecionar um conjunto de trechos de vários
alunos para desenvolver com mais profundidade questões morfossintáticas; e quando os
1083
alunos já tiverem um domínio de práticas de refacção coletiva, ampliar o grau de
complexidade da tarefa, propondo sua realização em duplas, em pequenos grupos,
encaminhando-se para a autocorreção.
Os PCNs relacionam os gêneros previstos para a prática da produção de textos.
Atribuem, no entanto, ao professor, a tarefa de planejar e desenvolver atividades que levem os
alunos a refletir sobre seu próprio texto – tais como atividades de revisão, de reestruturação
ou refacção do texto, de análise coletiva de um texto selecionado – e sobre outros textos, de
diversos gêneros, que circulam no contexto escolar e extra-escolar.
Depreende-se, portanto, que a reescrita insere-se no processo de produção textual, com
a intervenção do professor no texto discente, apontando problemas ortográficos, de
concordância, de acentuação, coerência, de paragrafação, de pontuação, sempre referentes ao
contexto de uso e ao gênero para que, gradativamente, os alunos possam avaliar a adequação
do uso de uma forma ou de outra, de acordo com as condições de produção.
A tarefa de ensinar o aluno a identificar os problemas do texto, usando para isso o
conhecimento que possui sobre a língua, exige do professor a prática constante de leitura de
textos, o estudo das características dos gêneros, a competência como escritor.
O hábito de ler muito, e ler gêneros variados, favorece a atuação do professor como
parceiro experiente dos alunos. Quanto mais o professor souber sobre os textos que ensina,
melhor será a qualidade de sua intervenção.
3. Abordagem em sala de aula
Na fase de intervenção, como a professora cujas aulas foram analisadas havia se
aposentado, decidiu-se observar as aulas da atual professora da 4ª série, para se ter parâmetros
de comparação das atividades desenvolvidas antes com as a ser levadas a efeito após as
discussões de análise lingüística, sobretudo, na refacção.
O corpus constitui-se da observação/diagnóstico de 9 horas-aula, gravadas em áudio e
transcritas, em novembro de 2006, após ter sido iniciado o processo de estudo em grupo com
as professoras de 1ª a 4ª série (junho de 2006). Nas conversas iniciais, as docentes afirmaram
não conhecer o que seriam gêneros e nem como poderia ser organizado o currículo sem ter
como base o conteúdo gramatical. A abordagem foi feita, então, com a leitura do texto de
Perfeito (2005) sobre concepções de linguagem.
As discussões partiram de um resgate histórico do ensino de gramática à proposta
contemporânea de abordá-la de forma contextualizada, chegando-se aos conceitos de gênero e
de como ensiná-la nessa perspectiva. Primeiramente na leitura e depois na refacção.
Dessa forma, no trabalho em questão, nosso foco, embora tenhamos trabalhado com
seqüenciais didáticas, é a refacção textual.
Descrição da seqüência didática
Leitura
A Raposa e a Cegonha
Certa vez, uma Raposa que era amiga de uma cegonha resolveu pregar-lhe uma peça
e convidou-a para jantar na toca. Quando a cegonha chegou, a anfitriã serviu uma
deliciosa sopa num prato raso.
– Hum que delícia?! – disse a raposa, lambendo o prato. O que você acha, amiga
cegonha? Por mais que se esforçasse, só conseguia bicar a comida.
– Ai amiga raposa... – murmurou a cegonha. – Esse prato é muito raso. Não dá para
comer nada.
Mesmo assim a raposa contendo risadas insistia para que a cegonha comesse, mas
como não conseguia acabou desistindo.
1084
Quando foi embora a cegonha agradeceu muito a gentileza e disse que fazia questão
de retribuir o jantar no dia seguinte.
Assim que chegou a casa da cegonha a raposa lambendo os beiços mal podia esperar
o jantar, Para o seu desapontamento ele foi servido em jarras altas de gargalho
estreito onde a cegonha podia tomar sopa sem nenhum problema.
– Hum, como está gostosa! O que você acha amiga raposa?
– O que posso dizer? – resmungou a raposa tentando em vão enfiar a cabeça na boca
do jarro.
– Que pena! – disse a cegonha com toda a calma.
Amoladíssima e com fome a raposa foi para a casa. O feitiço virava contra o
feiticeiro.
Moral: Não faça aos outros o que não deseja que os outros lhe façam.
Fábula de Esopo, recontada pelas autoras
Com a fábula “A raposa e a cegonha”, a professora inicia o trabalho de leitura
(silenciosa, com leitura representativa pelos alunos e oral pela professora). Na seqüência, faz
a abordagem do texto, com as seguintes questões:
1) O que é uma fábula?
2) O que o autor quer discutir com a fábula “A raposa e a cegonha”?
3) Qual o problema vivido pela cegonha?
4) E que sentimento da raposa foi evidenciado na fábula?
5) Qual a lição a fábula tem intenção de ensinar ao leitor?
6) Que pontuação foi usada na fábula para indicar a fala dos personagens?
7) Quantos parágrafos têm esse texto?
8) Nessa fábula, o autor se preocupou em descrever os personagens da história?
9) Retire do texto:
a) substantivos próprios
b) procure no dicionário o significado de anfitriã
As questões são trabalhadas oralmente pela professora. A questão 1, por exemplo, só
faz sentido nesse tipo intervenção adotado pela docente (ela responde e depois os alunos
escrevem), pois é ampla e não são dados parâmetros para que eles tenham um conhecimento
em que se apoiar para respondê-la. Uma estratégia seria trabalhar, antes de iniciar a leitura,
com três fábulas diferentes, transcritas no quadro para que os alunos pudessem compará-las e
identificar semelhanças de arranjo textual e de marcas lingüísticas. Com base nessas
informações, poderiam chegar a uma conclusão/definição de como são denominados os textos
que apresentam tais “características”.
.. fábulas são histórias que foram contadas por um adulto no sentido de que... de
aconselhar... de alertar sobre algo... né que poderia acontecer na vida real das
pessoas... e uma fábula nem sempre nós sabemos quem criou [...] no caso aqui tem a
fábula do Esopo recontada pelas autoras... nós vamos o que é essa fábula do Esopo...
numa fábula... ela põe os animais para falar sobre certos comportamentos humanos...
[...]
... fábula de Esopo... quer dizer são contadas e readaptadas por seus continuadores...
são curtas e bem humoradas... são recontadas.... e essa fábula do Esopo... o mais
famoso contador de fábulas do mundo foi o Esopo... era um escravo que viveu na
Grécia há mais de 2500 anos...
Como o trabalho do professor em sala de aula é, muitas vezes, intuitivo, verificamos
uma percepção de marcas lingüísticas do gênero, mas falta um conhecimento maior delas. Na
questão 2, por exemplo, há um direcionamento para que o aluno perceba o tema, que é bem
caracterizado nas fábulas: o conteúdo da história apresenta algo que acontece entre dois, no
1085
máximo, três animais e que tem a ver com as características deles (por exemplo: gatos e ratos
– tema: os fortes vencem os fracos).
A questão (2) é ampla e, pela maneira como foi elaborada, permite uma proximidade
com a questão 5, que aborda a moral da história: frase que é colocada no final no texto,
geralmente destacada, sendo uma espécie de crítica ou conselho do fabulista para o leitor.
Nesse texto, especificamente, a moral vem identificada, em outros, porém, pode não vir
expressa, exigindo inferências. Poderia ser trabalhado o sentido da palavra moral, com uma
questão do tipo: “o texto termina com uma lição. A palavra lição pode ser substituída por uma
outra expressão encontrada no último parágrafo do texto. Qual é esta outra palavra?”
A questão 3, por sua vez, assinala apenas um conflito (o vivido pela cegonha) e não
contempla o segundo conflito (o vivido pela raposa). Momento em que poderiam ser
exploradas as características antagônicas dos personagens das fábulas, que organizadas na
narrativa evidenciam o tema e a moral. A não percepção desse aspecto interferirá no trabalho
de produção e refacção textual, como veremos adiante.
Quando aborda a pontuação para indicar a fala dos personagens (questão 6), não basta
apenas identificar mas também apontar para mudanças importantes que acontecem na
narrativa, com relação ao tempo verbal: do pretérito perfeito para o presente e o efeito de
sentido produzido.
Na questão 7, além de identificar a quantidade de parágrafos, poderia se verificar
como os elementos da estrutura tradicional dos gêneros da ordem do narrar são organizados
nesse arranjo. Percebemos, então, que o texto apresenta duas personagens em uma seqüência
narrativa composta de 11 parágrafos:
1º parágrafo: apresentação de uma personagem genérica e de suas atitudes.
2º parágrafo: introdução do conflito (Quando a cegonha chegou, a anfitriã serviu uma
deliciosa sopa num prato raso)
4º parágrafo: o clímax (Mesmo assim a raposa contendo risadas insistia para que a
cegonha comesse, mas como não conseguia acabou desistindo)
5º parágrafo: resolução da complicação (Quando foi embora a cegonha agradeceu
muito a gentileza e disse que fazia questão de retribuir o jantar no dia seguinte)
6º parágrafo: introdução de um novo conflito (Para o seu desapontamento ele foi
servido em jarras altas de gargalho estreito onde a cegonha podia tomar sopa sem nenhum
problema)
10º parágrafo: resolução desse conflito e comentário final (Amoladíssima e com fome
a raposa foi para a casa. O feitiço virava contra o feiticeiro)
11º parágrafo: a moral ou ensinamento (Não faça aos outros o que não deseja que os
outros lhe façam)
A questão 8 parece ser uma tentativa de evidenciar que nas fábulas, animais aparecem
como personagens, com atitudes que servem de comparação com o comportamento humano, e
por isso não há necessidade de descrevê-las com muitos detalhes, pois já são bastante
conhecidas. Para atingir tal objetivo, no entanto, poderia ser solicitado ao aluno explicar o
porquê da resposta.
Já na questão 9, retirar do texto os substantivos próprios não acrescenta conhecimentos
ao aluno e parece ter sido utilizada para aferir se os alunos sabem o que é substantivo e um
pretexto para que a professora explique essa classificação gramatical. Só saber o significado
de anfitriã também não contribui no processo de aprendizagem quando se pretende formar
leitores competentes. Poderia ser feita uma pergunta que explorasse os possíveis sentidos das
escolhas lexicais do autor (marca enunciativa), como: “A palavra anfitriã pode ter sentidos
diferentes: 1) o dono da casa; 2) quem dá ou dirige um banquete; ou 3) quem paga as despesas
de uma refeição. Identifique qual sentido é mais adequado ao texto. Justifique.”
1086
Após fazer a explanação oral, a atividade proposta é responder por escrito tais
questões1. Nesse momento, os alunos sentem dificuldades em relação às questões 1, 2 e 5, as
que abordam justamente aspectos inerentes ao gênero fábula.
Em suma: como havíamos iniciado o processo de intervenção, com uma discussão
sobre gêneros, percebemos que a professora incorpora alguns conceitos em sua aula:
P: vocês já me explicaram.. fábulas são histórias que foram contadas por um adulto
no sentido de que... de aconselhar... de alertar sobre algo... né que poderia acontecer
na vida real das pessoas... e uma fábula nem sempre nós sabemos quem criou [...] no
caso aqui tem a fábula do Esopo recontada pelas autoras ... nós vamos o que é
essa fábula do Esopo... numa fábula... ela põe os animais para falar sobre certos
comportamentos humanos... então há o que fala de... de.... de animais ali numa
fábula... quem mais sabe falar sobre fábula?... o que mais vocês poderiam falar?...
Os conceitos abordados dizem respeito, no entanto, ao contexto de produção e em
alguns momentos enfoca o arranjo textual (na proposta de produção textual). O trabalho com
as marcas lingüísticas (do gênero) e com as marcas enunciativas (do autor) ainda é pouco
perceptível.
A estrutura tradicional dos gêneros da ordem do narrar (apresentação/orientação;
conflito/complicação; resolução/desfecho, acrescidas da avaliação do narrador), juntamente à
marca lingüística de tempo verbal (pretérito perfeito, como fato acabado, findo) não se
menciona. Assim como não é explorada a utilização do presente (marca enunciativa, em toda
a complicação, com o uso do discurso direto, entremeado na voz do narrador), indicando,
possivelmente, a busca de proximidade com o leitor, no momento do conflito.
Produção de textos
Nas aulas seguintes, a professora retoma alguns pontos das aulas anteriores e pede
para os alunos produzirem uma fábula, primeiro em rascunho e depois na folha a ser entregue.
Orienta sobre a estrutura do gênero: personagens, ambiente, tempo, época, conflito,
complicação, desfecho e moral da história. Conforme foram terminando, ela corrigiu o
rascunho para, então, procederem a versão definitiva. Também fizeram um desenho de acordo
com a história produzida e algumas histórias foram lidas e comentadas.
Um aspecto positivo da produção é a opção por fazer um rascunho antes da versão
final. Esse recurso poderia ser mais valorizado/utilizado como processo de criação/produção,
quando o autor/aluno lê, modifica, apaga, rabisca, anota, faz modificações para melhorar o
texto.
A proposta: Escreva uma fábula que tenha duas personagens e seja narrada por
um narrador – observador, ou seja, que conte o acontecimento como se tivesse
visto o que aconteceu.
Nesse caso, a professora faz opção por texto de criação, conforme os PCNs (BRASIL,
1998), em que o aluno deve articular o que dizer ao como dizer. Exige-se, por conseguinte,
criatividade e originalidade, com surpresa, interesse e suspense, nos movimentos do arranjo
textual e nas marcas lingüístico-enunciativas.
Observações importantes são apontadas para orientar o trabalho dos alunos: o narrador
não participa da história, é observador, e há duas personagens. Essas orientações parecem
1 Procedimento adotado por essa professora e também pela observada anteriormente, assim como pelo grupo de
professoras de 1ª a 4ª série, por considerarem que esse recurso facilita o trabalho dos alunos para compreender e
responder as questões.
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insuficientes para alguns. Outros, aparentemente, já com alguma experiência com o gênero,
atingiram o objetivo.
A proposta vinculou-se à leitura e análise do gênero realizada anteriormente, mas
ainda assim, há pouca familiaridade de alguns alunos com a organização textual e as marcas
lingüísticas da fábula, como podemos verificar no texto produzido por um aluno, analisado a
seguir:
Fig. 1 – produção de um aluno
No texto, há dois personagens pouco caracterizados, não sabemos se são animais ou
pessoas, apenas que são dois irmãos. Isso contraria uma das marcas da fábula que é apresentar
um fato desenrolado por animais de características diferentes das quais pode se identificar o
tema. O título não é adequado já que não justifica porque tatu e bolinha são preguiçosos.
Podemos, no máximo, fazer uma inferência pelo fato de os dois não lavarem a louça para a
mãe.
A narrativa começa com o pretérito perfeito (foram, falou) e quando o personagem
fala, usa o discurso direto, no tempo presente (lava), embora não use a pontuação para
sinalizar. E flexiona adequadamente verbos (foram, vamos, subiram).
O aluno não utiliza ponto final ou vírgula e sim conjunção coordenada e para ligar as
frases. Ainda apresenta incorreções ortográficas por pronunciar igualmente fonemas distintos
(ceguinte – s/inicial) representados por letras diferentes e as chamadas “dificuldades” (quaiu –
c/qu, sobir – o/u). Esses aspectos, caso não sejam recorrentes na turma, devem ser trabalhados
na refacção individual, com os assinalamentos da professora, e serão discutidos com o grupo
de professoras, com maior profundidade, em um segundo momento da intervenção.
Sob o ponto de vista da adequação à proposta da professora e ao gênero, da inclusão
dos elementos da narrativa, do arranjo textual e dos problemas formais, faltou a escolha da
temática, o tipo de problema e o final, ou seja, a moral.
Em síntese, podemos constatar que o aluno:
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· dá saltos no tempo, criando lacunas narrativas (um dia no parque Artur Tomas, no
outro brincam perto de casa)
· introduz mal os personagens (quem são tatu e bolinha? Um tatu e um cachorro? Ou
trata-se de um tatu-bola?)
· não cria conflito, trama narrativa (o tatu desmaiou e o que aconteceu com o
bolinha? Desmaiou também?)
· não há um tema (seria a preguiça mencionada no título a tentativa de apresentar
um tema?)
A leitura de outros textos do mesmo gênero, a discussão do arranjo textual, dos temas,
da composição dos personagens, seria uma fase importante para a elaboração desse trabalho,
já que alguns alunos tiveram dificuldades. Como uma primeira produção, poderiam ser
propostos vários temas com os respectivos personagens para que os alunos desenvolvessem a
narrativa e apresentassem uma moral.
A refacção
Para a refacção textual, a professora escolheu dois textos para ser analisados,
de forma coletiva, tendo como critério o fato de não atender a proposta inicial:
P:... porque que eu escolhi... eu não sei de quem que é... eu não vi o nome... a
maioria que eu... que nós vimos... faltou o que... um conflito... agora... de todos
textos que nós trabalhamos... que nós vimos... eu vou ler alguns para estar
analisando... que nós vamos fazer a refacção textual... por que?... porque dentre
todos os textos... eu escolhi os que precisam ser analisados... que nós precisamos
verificar... o que precisa mudar... então dentro desses textos que eu vou retornar pra
vocês tá... que nós vimos... que que nós vamos estar analisando?... o que nós vamos
estar olhando?... será que está dentro do conteúdo que nós trabalhamos?... o que nós
trabalhamos? Qual tipo de texto... gênero de texto que nós trabalhamos?
A: fábula
Analisaremos aqui, o texto “Os dois preguiçosos: Tatu e Bolinha”. A professora faz a
leitura oral e, após prossegue fazendo análise e discussões com os alunos, enquanto uma aluna
faz a transcrição com as alterações sugeridas pelo grupo, no quadro. Seu foco é
principalmente o arranjo textual:
P: é... então olha... o que nós analisamos ontem... hoje... nós estamos retornando o
que que deve ser revisto no texto... o que precisa melhorar... o que que eu passei
ontem lá... que um fábula precisa ter o que? personagens... que mais?...
personagens... qual que é a estrutura do texto?
A: tem que te... te um conflito
P: é... tem que ter um conflito... que mais?
A: tem que te... moral
P: uma moral... que mais?
[...]
P: olha aqui... tem parágrafo?... não tem... só tem um parágrafo... cada idéia você vai
colocar num parágrafo... o texto está falando de dois animais não é?... dois
preguiçosos... tatu e bolinha... esse bolinha tá explicitando que animal é?... não... o
que que nós vamos ter que fazer com esse texto?... esse texto tem um conflito.. tem
uma moral... tem uma complicação... tem? Nesse texto?... não... no caso como
ficaria esse texto... vamos estar retomando esse texto rapidinho... vamo retomar...
A professora faz também observações quanto a aspectos gramaticais:
P: como é que ficaria aqui... um dia ensolarado tatu e bolinha foram no parque artur
tomas mas tatu não queria entrar... isso aqui nós vamos ter que reestruturar de que
forma?... colocando uma seqüência... pontuação... verificando os erros ortográficos
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que temos aqui... reestruturando de uma forma que quem lê esse texto entende
corretamente... como é que nós colocaríamos... um dia emsolarado... nós usamos m
antes de p e b... aqui tem p e b?...
A: não
Após várias tentativas e sugestões, chegam à reestruturação do texto, com
mudanças significativas na versão anterior:
Os dois preguiçosos: Tatu e o cachorro
Um dia ensolarado Tatu e o Cachorro foram no
parque Artur Tomas.
Chegando lá o guarda florestal não deixou o
Tatu e o Cachorro entrar no parque.
O Tatu de repente teve uma idéia. Entrar na hora
que o guarda estava distraído.
Eles conseguiram entrar, mas se perderam um do
outro.
Os guardas florestais encontraram eles e levaram
para uma sala. Lá, ficaram presos até anoitecer.
MORAL: Não devemos desobedecer aos outros
Fig. 2 – reestruturação coletiva
Na segunda versão, com intervenção da professora, permanece no título a
caracterização dos personagens como preguiçosos, sem que se justifique no decorrer do texto.
O aluno visivelmente faz a opção por um tema em sua primeira versão (preguiça) e aqui fica
descontextualizado. Apesar de apresentar uma moral, a história não se caracteriza como uma
fábula.
Dessa forma, a professora poderia trabalhar com o tema (preguiça) sugerido pelo
aluno, e levantar uma discussão sobre os animais que apresentam tal característica e os que
apresentam características opostas (antagonistas) para, então, dentro das opções, escolherem
os possíveis personagens da fábula. E, na seqüência, desenvolver a narrativa, com o conflito e
o desfecho de acordo com o ensinamento que se quer apresentar.
As marcas lingüísticas da fábula ainda não estão suficientemente claras para a docente
e, consequentemente, para os alunos. Por isso, seria interessante no trabalho de refacção
coletiva trabalhar com o tema das fábulas, em atividades como as exemplificadas a seguir:
1) Relacione os animais às suas características:
(a) Raposa () Medroso(a)
(b) A lebre () Trabalhador(a)
(c) Cigarra () Forte
(d) Leão () Preguiçoso(a)
(e) Formiga () Esperto(a)/trapaceiro(a)
2) Associe os temas às histórias:
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a) a cigarra que sonhava em ser cantora, e
passou todo o verão cantando com suas
amigas. O inverno chegou e ela se deu
conta de que não trabalhou e por isso não
tinha comida. Com frio e com fome,
resolve ir à sua vizinha, a formiga para
pedir ajuda.
b) O corvo que adora saborear seu delicioso
almoço. Mas seu colega, a raposa começa
a paparicá-lo com muitos elogios. Ele
acredita e fica contente. Parece que a
raposa quer alguma coisa em troca de
tanta bajulação.
c) Uma rã bem pequenina, vê um boi
imenso, numa festa e sonha. Queria ser
daquele tamanho.
d) Um cordeiro, que almoçava
tranqüilamente com seus amigos, é
acusado pelo lobo, de coisas que não fez.
e) Um leão um dia ajuda um ratinho. Um dia
o poderoso leão recebe algo em troca de
sua ajuda. A vida prega peças, e a
coragem do rato salva a vida do leão,
recompensando seu gesto.
() a solidariedade
() nem sempre se deve acreditar nas
palavras só por serem belas
() aquele que se esforça se dá bem
() sonho de mudar de vida
() injustiça
() a importância do trabalho
Após atividades como essas, poderia, então, ser resgatado o texto “Os dois
preguiçosos: tatu e bolinha”, para com os alunos desenvolver o tema, os personagens, e
reestruturá-lo.
4. Considerações finais
O professor, como mediador entre o sujeito e o objeto de ensino, deve pensar em
atividades seqüenciadas de leitura, análise lingüística e produção, a ser abordadas sempre em
relação ao gênero. A professora em questão tem essa visão, mas ainda falta fundamentação
para desenvolver atividades de análise lingüística, tanto na leitura como na refacção textual.
O trabalho ora apresentado é resultado do processo de intervenção em uma escola e ao
se caracterizar como tal, está em constante discussão. Apresentamos algumas abordagens de
refacção textual, levadas a efeito em sala de aula, com um gênero e em nível coletivo, antes
do processo de intervenção, com análise de sua adequação e de possíveis encaminhamentos.
O próximo passo é a discussão da refacção individual em que se pretende, com o grupo de
professoras, adotar estratégias com variação do grau de complexidade das atividades, da 1ª a
4ª série, tendo o gênero como eixo de progressão curricular (outros gêneros estão previstos
para ser trabalhados).
Após essas discussões, procederemos novo diagnóstico para verificar o
encaminhamento pedagógico efetivado pela professora depois do processo de intervenção.
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