sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ESTRATÉGIAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM E A TEORIA X/Y DE McGREGOR


METODOS DE ENSINO
ESTRATÉGIAS DE ENSINO-APRENDIZAGEM E A TEORIA X/Y DE McGREGOR

Gilberto Teixeira (Prof. Doutor FEA/USP)
I - INTRODUÇÃO
Neste texto iremos discutir e comparar a teoria XY de McGregor, amplamente utilizada em todos estudos e pesquisas sobre Desenvolvimento Organizacional e sua aplicabilidade ao campo do ensino-aprendizagem. Poderemos comparar o quanto as idéias de Argyris e McGregor são coincidentes com os princípios da Andragogia de Malcolm Knowles.
Tem sido crescente o interesse sobre as relações entre o indivíduo e a organização da qual ele for parte. Enquanto a maioria das modernas organizações é bem sucedida em proporcionar satisfação para algumas das necessidades básicas do homem, tais como, proteção, segurança, conformidade e autoridade, são relativamente mal sucedidas em satisfazer as suas necessidades mais elevadas, pessoais e profissionais, tais como independência e auto-realização. O problema, por conseguinte, é o de combinar as necessidades pessoais e profissionais do indivíduo com os objetivos declarados da organização. Este desafio tem particular significado para aqueles educadores que estão empenhados em revelar todo o potencial de seus estudantes. Infelizmente, as práticas da instrução tradicional e os padrões da organização muitas vezes interferem com este louvável objetivo.
II - CAPACIDADE DOS ESTUDANTES E ESTILO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
Chris Argyris(1) aponta que muitas pessoas são tratadas como seres humanos imaturos, quando estão no trabalho, a despeito do fato de que elas assumem as responsabilidades mais maduras de um adulto quando estão em casa. Não surpreendentemente, esta contradição conduz a um conflito interno, particularmente, quando o trabalho é organizado a fim de levar em pequena conta a habilidade real das pessoas. Apatia e falta de esforço e aplicação podem, não necessariamente, ser uma questão de preguiça dos indivíduos. Eles poderão ter reações naturais e saudáveis para um ambiente não saudável. Em outras palavras, o modo de trabalho que é proposto pode reduzir a eficácia do trabalhador, particularmente, se ele for forçado a ser submisso e dependente pela administração autocrática.
Alguns esquemas de treinamento, infelizmente, tendem a tratar os estudantes como pessoas imaturas. Até mesmo as organizações que são progressivas e radicais nas suas organizações do trabalho na fábrica, podem ser deprimentemente tradicionais na organização de programas acadêmicos. Isso é verdade não somente para o treinamento nas empresas, mas também para o desenvolvimento de administradores. De fato, muitos cursos de administração falham em não praticar os verdadeiros princípios que ensinam, e uma última ironia é praticada quando o trabalho de Chris Argyris é apresentado numa leitura que os estudantes são forçados a ouvir, memorizar e depois mostrar que memorizaram nas provas.
Este problema da capacidade dos estudantes fundamenta muitas das dificuldades que estão sendo experimentadas em muitas universidades. Se uma instituição de ensino, é basicamente autoritária, centrada no professor, autocrática, supervisora ou diretiva na sua abordagem, somente se pode admitir que os professores duvidam da competência dos seus alunos para participarem da organização de seu próprio programa de ensino. Por outro lado, se uma organização de instrução é consultativa, centrada na aprendizagem permissiva, permite a participação e é não diretiva na sua abordagem, é óbvio que os professores adotam uma encorajadora opinião sobre a capacidade dos seus estudantes. O problema é que alguns dos professores poderão reclamar e realmente acreditarão que são consultativos e centrados no ensino, quando um olhar casual aos seus métodos de ensino poderá indicar evidências muito firmes do contrário.
Argyris afirma que quando uma pessoa se desloca da imaturidade para a maturidade, ela tenderá a desenvolver-se ao longo de sete etapas. Ela se deslocará:
· De um estado inativo para um estado ativo.
· De um papel dependente para um papel independente
· De uma posição subordinada para uma posição equivalente ou superior.
· De uma perspectiva de curto prazo para uma perspectiva de longo prazo.
· De um interesse de preferência por assuntos superficiais para um interesse de preferência por assuntos mais profundos.
· De ser capaz de fazer pequenas coisas a ser capaz de fazer grandes coisas.
· De um papel sem responsabilidade para um papel com responsabilidade.
Isto são somente tendências gerais. Algumas pessoas deslocar-se-ão inteiramente do lado imaturo para a maturidade através de uma só etapa. Não obstante, programas de ensino que foram montados para cuidar de estudantes inativos, dependentes, subordinados, limitados e irresponsáveis, não podem esperar realizar o potencial que está disponível ao considerar os estudantes como adultos maduros e responsáveis. A maior diferença entre os métodos de ensino tradicionais e os progressistas é, em larga escala, o resultado das diferentes opiniões da capacidade dos estudantes.
III - MÉTODOS E ESTRATÉGIAS DE ENSINO
A importante distinção entre necessidades básicas e desenvolvimento pessoal foi caracterizada pela Teoria X e Teoria Y de Douglas McGregor. No seu notável livro “The Human Side of Enterprise(2) , McGregor aponta que por detrás de cada decisão administrativa existem hipóteses acerca da natureza fundamental do homem. Estas hipóteses determinam os prognósticos que nós fazemos acerca da capacidade das pessoas. McGregor então passa a distinguir entre dois grandes conjuntos de hipóteses. Ele as designa com rótulos não emocionais: “Teoria X” e “Teoria Y“.
A diferença entre as duas teorias é, à primeira vista, muito simples. Enquanto a Teoria X é tradicional e grandemente autocrática por natureza, a Teoria Y pode ser autocrática e participativa. Contudo o raciocínio que está por detrás das duas idéias é realmente muito sutil; porque as duas teorias são essencialmente baseadas no modo como uma pessoa influencia outra. Outrossim, uma vez que o comportamento do professor é normalmente consistente com as hipóteses que ele faz acerca dos seus alunos, o estilo e a estratégias de ensino que ele adota indicarão de modo amplo a sua própria filosofia.
Uma filosofia educacional é particularmente importante por causa do que McGregor chama de expectativa de auto-realização. Isto implica em que os indivíduos tenderão a comportar-se de modo que seja consistente com as expectativas das outras pessoas acerca deles. Em outras palavras, se os professores considerarem os seus alunos como irresponsáveis, eles tenderão a lhes fazer a cortesia de se comportarem irresponsavelmente. Se forem considerados como pessoas hábeis, maduras e responsáveis, tenderão a ser comportar de modo a justificar a expectativa. É por esta razão que a adoção de um estilo de ensino é de tão grande importância por influenciar o ambiente real no qual os alunos aprendem.
IV - PROFESSORES NA TEORIA X
Administradores educacionais e professores que adotam uma filosofia ou método de ensino consistente com a Teoria X estão mais interessados no comportamento dos estudantes como eles são. Eles não estão interessados no crescimento e desenvolvimento. A Figura 1 mostra esta posição. Estes professores encaram as aptidões dos seus estudantes como grandemente estáticas e sem eficácia.
Eles tendem, por conseguinte, a compensar a fraqueza e deficiência dos estudantes, adotando um ou dois métodos dependendo da sua personalidade. Estas duas abordagens de ensino as quais são baseadas na atitude da cenoura ou da palmatória para com a motivação, podem ser sumariadas como:
· Autocrítica: um método estritamente autocrático centrado no professor e baseados em direção e controle.
· Permissiva: um método tolerante, centrado no estudante, baseado no louvor e na lisonja.
Qualquer que seja o método de ensino adotado, a hipótese é a mesma; os estudantes são naturalmente preguiçosos e não gostam de trabalhar e devem ser controlados, condicionados ou manipulados através de abordagens permissivas para obrigá-los a aplicar o necessário esforço. Obrigar um estudante a aprender, contudo, pode conduzi-lo à resistência, apatia e mínimo esforço. Coagi-lo a aprender pode conduzir a boas relações interpessoais na sala de aula, mas é improvável que conduza a outra coisa que não seja mínimo esforço e mínimo compromisso com a instrução em particular e treinamento em geral.
V - PROFESSORES NA TEORIA Y
Os administradores acadêmicos e professores que adotam a abordagem da Teoria Y, estão interessados menos no comportamento atual do estudante do que em suas potencialidades para progresso e desenvolvimento. Um professor na Teoria Y, portanto, está comprometido com a mudança e estará constantemente preocupados com a inovação. Muitas pessoas acreditam que a Teoria Y é uma abordagem suave, mas não é assim. Uma vez que os professores na Teoria Y pretendem explorar os limites da capacidade humana, eles poderão por vezes ser autocráticos, por vezes permissivos, e por vezes participativos na sua abordagem. Eles acreditam que não existe apenas um, mas muitos modos de operar e que nenhuma única estratégia de ensino poderá realizar todos os objetivos com todos os estudantes. De acordo com isso, as suas estratégias de ensino tendem a ser caracterizadas por uma abundância e variedade de métodos de ensino e auxiliares de aprendizagem
Estratégia de Ensino: Teoria X
Estratégia de Ensino: Teoria Y
O estudante médio tem uma aversão inerente ao trabalho e o evitará quanto puder.
O exercício de esforço mental e físico é tão natural como a diversão e o repouso.
Porque os estudantes caracteristicamente têm aversão ao trabalho;
OU
Eles deverão ser forçados através de controle e de direção e ameaças de punição a colocar em prática um esforço adequado com o objetivo de alcançar os objetivos de instrução o desejados (linha dura).
OU
Devem ser coagidos por meio de recompensas, elogios, tolerância e agrados (linha suave).
Uma vez que aprender é natural, o controle externo e ameaças de punição não são os únicos meios de canalizar os esforços em direção aos objetivos do ensino. Os estudantes também poderão aplicar a auto-direção e autocontrole a serviço dos objetivos nos quais estão interessados.
A atribuição de objetivos da instrução é uma função dos controles que são exercidos.
A atribuição dos objetivos de instrução é uma função das recompensas associadas à sua consecução.
O estudante médio prefere ser dirigido, deseja evitar responsabilidade, tem relativamente pequena ambição e deseja segurança acima de tudo.
O estudante médio aprende sob condições apropriadas, não somente para aceitar mas também para procurar responsabilidade pela sua própria instrução.
A capacidade de aplicar um relativamente elevado grau de imaginação, engenhosidade e criatividade na solução de problemas de ensino é escassamente distribuída na população.
A capacidade para aplicar um relativamente elevado grau de imaginação, engenhosidade e criatividade na solução de problemas de ensino, é largamente, não escassamente, distribuída na população.
Sob as condições da vida moderna, as possibilidades intelectuais do estudante médio são, tanto quanto possível completamente realizadas.
Sob as condições da vida moderna a potencialidade intelectual do estudante médio está sendo utilizada apenas parcialmente.
Fig. 1 - Resumo das hipóteses subjacentes à Teoria X e Teoria Y adaptado para as estratégias de ensino. (McGregor, D (1960), The Human Side of Enterprise. New York: McGraw-Hill).
A posição da Teoria Y exige um elevado grau de profissionalismo dos professores e administradores. Os professores na Teoria X, com o seu único estilo de administrar, não precisam da flexibilidade e sensibilidade exigidas pela posição Y. Eles têm tradição e experiências anteriores para os orientar e uma falha total raramente é a característica do seu trabalho. Por outro lado, o professor na Teoria Y pode falhar, mas poderá saber que falhou e poderá aprender da sua falha. A esperança para ele é que o sucesso será muito maior e mais brilhante do que o desempenho da instrução que virá a satisfazer o instrutor da Teoria X. Mas, para experimentar este grau de sucesso, ele deve ser um bom diagnosticador e prezar o espírito indagador e o auto-exame.
VI - MANUTENÇÃO DA EFICÁCIA DO ENSINO-APRENDIZAGEM
É importante nesta etapa reconhecer que o que nós temos vindo dizendo não contradiz, necessariamente, ou entra em conflito, com alguns padrões tradicionais da organização do ensino e seus métodos. Estas práticas não estão erradas, mas podem não ser apropriadas a algumas situações e com alguns estudantes. Professores e educadores por vezes tendem a pensar em preto e branco, para simplificar as situações. É improvável que exista apenas um modo satisfatório para operar. Depende bastante da natureza da tarefa do ensino e das necessidades individuais dos estudantes envolvidos. Em algumas situações, a autocracia é necessária, e um programa de ensino baseado em aulas expositivas exclusivamente pode ser o mais apropriado. Em outras situações, pode ser dado um papel de maior responsabilidade aos estudantes e poderá ser mais apropriado um programa baseado em estudo independente, casos, discussões e simulações (aprendizagem vivencial). É cada vez mais óbvio que se a eficácia dos programas de ensino ou mesmo de treinamento deve ser mantida ou talvez aumentada, tanto uma maior sensibilidade como um melhor diagnóstico são essenciais.
Isto ainda deixa sem resolver o problema de decidir quando é provável que seja melhor o sistema de aula formal e quando deverão ser utilizados métodos com maior participação. Felizmente, descobertas de pesquisa publicadas apontam algumas orientações úteis. O trabalho de Fred Fiedler (3) indica que os métodos autocráticos e formais são melhores em situações, as quais sejam ou altamente favoráveis ou altamente desfavoráveis ao professor. Em todas as situações intermediárias, um controle menor e um estilo orientado para o estudante, mais permissivo, poderá parecer melhor. Outra pesquisa sugere que os programas de ensino ou de treinamento baseados em instrução formal do tipo aula expositiva podem ser melhores quando o trabalho é altamente rotineiro ou de procedimentos, matéria para pequenas mudanças, ou quando uma classe é composta por um grande número de alunos e não pode ser fragmentada. Quando o trabalho ou material de estudo é constantemente objeto de mudanças ou inovação, ou quando o número de estudantes ao longo programa é pequeno, podem ser apropriados estilos mais permissivos.
Usando orientação como esta, aos administradores acadêmicos e professores, estão provavelmente agindo de maneira mais consistente com as exigências da situação de ensino. Isto significa que eles serão altamente diretivos numa hora e não diretivos em outra. A dificuldade poderá basear-se em ser sensível à situação, em ser hábil para diagnosticar o que é necessário e então ter suficiente flexibilidade pessoal como administrador ou professor para ser capaz de mudar apropriadamente o estilo. As compensações principais, além do aumento da eficácia do ensino poderão ser encontradas no maior profissionalismo requerido dos professores, e no mais poderoso impacto que uma tal abordagem pode ter sobre a atitude dos estudantes e a motivação tanto para a educação como para o ensino.
VII - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(1) ARGYRIS, Chris. (1964) Integrating the Individual and the Organization. New York: John Wiley and Sous Inc.
(2) McGREGOR, D. (1960) The Human Side of Enterprise. New York: McGraw-Hill.
(3) FIEDLER, F.F. (1966) A Theory of Leadership Effectiveness. New York: McGraw-Hill.

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